Se alguém ainda duvida da importância de conhecermos o passado para construirmos o nosso futuro, então que revogue todos os conhecimentos acumulados pela humanidade até a presente data. J.U.Nassif

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

ISSA ELIAS RISK

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com

Sábado, 21 de fevereiro de 2009
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://www.tribunatp.com.br/
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http://blognassif.blogspot.com/



ENTREVISTADO: ISSA ELIAS RISK


Inúmeras cidades têm um local onde os moradores dessa cidade freqüentam até com certo orgulho. São Paulo é uma cidade pródiga nesses locais. Em frente ao Instituto Biológico, próximo ao Parque Ibirapuera, existe uma residência, que foi transformada em pizzaria e que é freqüentada já por muitos anos pelo atual governador José Serra e uma revoada de tucanos de alta plumagem. O dono é um piracicabano. A característica principal desses locais é que assumem a personalidade do proprietário. No Largo de Pinheiros existe uma lanchonete especializada em batidas de frutas, onde a principal atração é o malabarismo que os donos fazem com as garrafas e o gelo ao atenderem um cliente. Geralmente são lanchonetes, restaurantes, muitas vezes situados em locais bastante discretos, quase anônimos, mas que ganham fama e vida própria. Piracicaba tem vários desses locais, um deles é especializado em comida árabe. Situado á Rua Tiradentes, 740 o Restaurante Árabe do Issa é propriedade de Issa Elias Risk. Calmo, atencioso, sorridente e sempre muito solícito, com seus quibes, esfihas, homus, e demais delícias da cozinha árabe, Issa fisgou o piracicabano pela boca. É comum ver o Issa sentado em uma das mesas dispostas em frente ao seu estabelecimento, ocupado em alguma atividade referente ao restaurante. Em uma dessas tardes escaldantes de Piracicaba, a pessoa que conduzia um veículo, por motivos desconhecidos subiu pela calçada com o mesmo desgovernado, parando a poucos metros de onde Issa trabalhava. Além do grande susto, nada mais aconteceu a não ser danos de pequena monta no veículo. Logo se formou um grupo de pessoas em torno do local. Como se estivesse mentalmente viajando pela terra natal, Issa continuou seu trabalho placidamente. Alheio á toda aquela movimentação. A sua tranqüilidade chamava a atenção dos presentes ao fato. Nascido em Beirute, no Líbano, em 22 de fevereiro de 1932, filho de Elias Risk e Maria Risk, o cidadão piracicabano, título que lhe foi concedido pela câmara de vereadores, transformou seu restaurante em um local aprazível, típico. Com muitas fotos, títulos recebidos, quadros, tapetes, objetos decorativos, o Restaurante do Issa passou a ser uma galeria de memórias. O cliente sente-se como se estivesse na própria casa do Issa.
O senhor nasceu no Líbano, onde viveu, e depois foi para o Kwait?
Fiz o curso de cozinheiro em Beirute, em uma escola de hotelaria. Em 1952 fui para o Kwait. Era um país maravilhoso. Na ocasião havia um bom campo de trabalho. Lá é que me casei com a minha esposa que se chama Rosa. Temos três filhos: Loud que é médica, e está no Líbano, Eli é engenheiro-químico e está na Arábia Saudita, e a Lílian que é jornalista e mora na Inglaterra. Após permanecer por quinze anos no Kwait voltei para o Líbano, onde construí um prédio de três andares. Morava na parte superior e alugava as demais dependências. Permaneci no Líbano por dois anos. Em seguida fui para Trípoli na Líbia, na época governada pelo Rei Idris I. No período da Guerra dos Seis Dias que se iniciou em 5 de junho de 1967 eu estava lá, trabalhando. Com a minha família voltamos para o Líbano. No Líbano eu tinha um amigo que o filho dele era o proprietário de uma padaria na Rua 25 de Março em São Paulo. Fui convidado para ser o padrinho de casamento desse moço, aqui no Brasil. Após o casamento, fui visitar uns parentes deles em Botucatu. No trajeto houve um acidente com o nosso automóvel. Batemos na traseira de um caminhão, sendo que o meu lado foi o mais atingido. O carro era um Aero-Willys. Permaneci por dezoito dias no hospital em Botucatu. Os “patrícios” de São Paulo me transferiram para o Hospital Sírio-Libanês onde permaneci por oito meses. Fiquei com todo o corpo engessado. Após sair do hospital, fui para a casa de um amigo na Vila Mariana. Logo depois quebrei a perna. Fui para o então Hospital Matarazzo, em seguida para o Hospital das Clínicas, onde permaneci por mais alguns meses.
Como o senhor veio para Piracicaba?
Os patrícios (libaneses, sírios) de Piracicaba me visitavam no hospital. Eles me convidaram para vir para Piracicaba. Entre muitos posso citar alguns como Elias Sallum, Abrahão Maluf, Dr. Adilson Benedito Maluf que na época já era prefeito de Piracicaba. Já em Piracicaba fui convidado para ir á um jantar, quebrei a perna de novo. Fui para a Santa Casa, lá recomendaram para fazer a cirurgia no Hospital das Clínicas. Fui encaminhado para lá, onde fui operado.
O senhor, já curado, voltou para Piracicaba?
Exatamente. Os dólares que eu tinha já estavam acabando. Pedi ao Dr. Adilson para montar uma banca de frutas atrás da Catedral. Ele me disse que ia pensar no assunto. Eu estava louco para trabalhar. Na época eu morava na Vila Rezende. Atrás do Hospital dos Plantadores de Cana, tinha um circo. Fui até lá para comprar uma barraca. Comprei com a condição de tirar na hora. Eu coloquei a barraca ao lado do ponto de táxi, atrás da catedral. Estava ainda escrito nas laterais da barraca as atrações do circo: leão, macaco. Dr. Adilson ficou bravo quando soube. Ficou nervoso. Eu disse que iria tirar a barraca de lá. Um dos seus secretários pediu que esperasse e foi ver a barraca. Ele então disse que eu deveria pintar os dizeres originais daquela barraca que um dia foi de um circo. Assim, passei a trabalhar, e após quatro anos mandei trazer a minha família. Na ocasião meus filhos que já estavam quase formados teriam que começar de novo seus estudos. Na ocasião o Prof. Elias Sallum correu muito para tentar resolver o impasse. Mas infelizmente não era possível fazer nada, eles então voltaram. Lílian estudou na Inglaterra. Load e Eli em Paris.
No início a banca que o senhor montou trabalhava só com frutas?
Trabalhava com frutas, eram frutas selecionadas. Na época não havia o Ceasa em Piracicaba. Por volta da meia noite começava o comércio de frutas em frente ao prédio do Mercado Municipal. Com o tempo comprei uma perua Kombi, usada, e passei a ir para São Paulo. Passei a fornecer pão sírio, doces típicos, pistache. Tinham muitas famílias que encomendavam. Nesse período entrei em uma concorrência pública para montar um restaurante dentro do Ceagesp em São Paulo. Acabei ganhando. No dia da inauguração estavam presentes diversas autoridades, como o Prefeito Adilson Maluf, o Deputado Francisco Antonio Coelho (Coelhinho), já falecido, Fernando Henrique Cardoso. (Issa mostra a fotografia que comprova o fato). Permaneci por oito anos com o restaurante no Ceasa de São Paulo. Com o passar do tempo percebi que não compensava. Os custos eram decorrentes do mês inteiro, só que lá só funcionava 12 dias por mês, 3 dias por semana.
O senhor fez o que?
Após terminar o período do contrato, voltei para Piracicaba, onde montei um depósito de bebidas (refrigerantes). Com o passar do tempo aumentou a minha dificuldade em ficar carregando caixas para fazer as entregas. Resolvi montar o restaurante.
Há quanto tempo o senhor montou o restaurante?
Estou aqui há 25 anos, foi em 1983.
Qual era a sua expectativa quando começou?
Quis montar um restaurante árabe. Pratos frios e quentes. Salgados e doces.
O piracicabano gosta da comida árabe?
A maioria gosta.
O senhor já recebeu muitas personalidades em seu restaurante?
Graças a Deus sim. Vem gente muito boa. O Adilson Maluf. Todos os deputados: Roberto Felício, Roberto Moraes, Antonio Carlos Mendes Thame, João Hermann Neto. Vem muitas pessoas importantes da cidade.
Um dos pratos muito procurados é o carneiro?
No ano passado fiz 55 carneiros assados e recheados. A procura é muito grande no Natal e no final de ano. O recheio é composto por pistache, carne do próprio carneiro, especiarias. Faço também lingüiça de carneiro. O segredo da cozinha é preparar o prato na hora, em 10 minutos fica pronto o kibe crú. Não deve se deixar comida no balcão (refrigerado) de um dia para outro. Coalhada seca, fresca, charuto de folha de uva isso temos sempre.
Onde o senhor arruma as folhas de uva para fazer os charutos?
Eu tinha uma parreira. Hoje vem de São Paulo.
Aqui na parede do restaurante tem uma foto do senhor vestido a caráter, como um sheik árabe, quando foi tirada essa fotografia?
Nós temos uma entidade sírio-libanesa situada á Rua Governador Pedro de Toledo. Todos os anos, na data de comemoração da independência deste querido país que é o Brasil, nós participamos do desfile. Colocaram um carrinho para que eu saísse caracterizado dessa forma. Neste carnaval a Ekyperalta vai representar a Sociedade Sírio-Libanesa. Eu estarei lá, na avenida.
Qual é a religião do senhor?
Católico maronita. Todo mês é celebrada a missa na Catedral de Santo Antonio, onde o pároco é Monsenhor Jamil Nassif Abib. O Bispo Maronita de São Paulo esteve aqui em Piracicaba.
Como é a relação entre árabes e judeus aqui no Brasil?
Tenho amigos que são judeus, sunitas, católicos ortodoxos. Lá no Oriente Médio o motivo é religioso, árabe não gosta de judeu, judeu não gosta de árabe.
Como o senhor vê o futuro do Brasil?
Maravilhoso. Houve um encontro com alunos de faculdade, na Rua Boa Morte. Olhando para cada aluno eu vi o rosto de Deus. Não estampam mágoas, ódios. Estávamos apresentando uma palestra, eu e Jayme Rosenthal.
Do que o senhor mais tem saudade do Líbano?
É a minha terra natal. Eu nem para São Paulo tenho ido mais.
O senhor gosta de dançar?
Adoro dançar. Gosto de todo tipo de música. Na Sociedade Sírio-Libanesa recentemente foi realizada uma festa maravilhosa com a presença da Secretária Municipal de Cultura Rosangela Camolesi e seu marido, onde a Ekyperalta animou com um samba. Eu até sambei.
O senhor lê e escreve o árabe?
Leio e escrevo. É interessante um fato que vem ocorrendo. Muitas moças querem fazer uma tatuagem com o nome "do querido dela", do noivo. Tatuam-se nas costas. Eu escrevo em árabe o nome ou a frase que elas desejam tatuar. Elas então levam o modelo para a pessoa que faz a tatuagem.
O brasileiro deveria conhecer melhor a cultura árabe?
No período em que a Turquia dominou o Líbano no final do século XIX, vinham para o Brasil com o passaporte turco, isso gerou muita confusão e preconceito. Os árabes vieram para o Brasil com pouco dinheiro, sem saber falar nada em português. Hoje a maioria tem filhos que se destacam em suas profissões, como médicos, engenheiros, advogados e outras.
Quando o senhor chegou ao Brasil, sabia alguma palavra em português?
Nada. Nem para falar colher. Garfo. Faca. Tenho orgulho da nossa comunidade. Os primeiros que vieram iam de porta em porta, oferecendo mercadorias. Não havia estradas, transportes, hotel. Dormiam em casas particulares, no dia seguinte presenteavam a pessoa que o acolhia com um lenço, ou alguma outra lembrança. Teve imigrante que veio de São Paulo á Campinas a pé. Hoje a maioria tem filhos com diploma de curso superior.
O senhor tem algum Masbaha?
Tenho dois. Um no carro outro em casa. (N.J.Conhecido no Oriente como Masbaha e na Grécia como Comboloi, é chamado também de terço grego, terço árabe e terço islâmico, e usado por todas as religiões para meditação, orações e pedidos de auxílio. Criado há milênios por mestres orientais, é um acumulador e transmissor de energias positivas, além de eliminador de tensão nervosa).
E o narguile?
Tenho dois. Só não dá tempo de usar. O narguile simboliza a hospitalidade, serenidade e a harmonia. Deve ser fumado em grupos, para os fumantes conversarem entre si.
Como é feito o café árabe?
O bom não café não é filtrado, é decantado. Existem pessoas que sabem ler o que significa o pó de café que fica no fundo, se tem sorte. Não se põem açúcar no café. É colocada uma semente de snubar no café.
O senhor sabe ler o pó de café?
Eu sei um pouquinho.
Qual é o significado do cedro para o Líbano?
É a árvore que não morre. Ele está presente na nossa bandeira. Veja uma foto onde há neve, com vinte graus negativos, ele permanece vivo. No Líbano não se corta o cedro. Ele possui um perfume natural. O cedro só nasce na montanha.
O senhor sabe a letra do Hino Nacional do Líbano?
(Imediatamente Issa põe-se a cantar em árabe):

Hino Nacional Libanês (tradução)
(Fonte: Embaixada do Líbano no Brasil)

Somos todos para a Pátria
Para a sublime, pela bandeira
Nossa espada, nossa pena
Fulguram aos olhos do tempo
Nossos vales e montes
São o berço dos bravos
Nossa palavra e ação, só buscam a perfeição

Somos todos para a Pátria
Para a sublime, pela bandeira
Somos todos para a Pátria
Velhos e moços ao apelo da Pátria
Investem, como leões da floresta,
Quando surgem os embates
Coração de nosso Oriente
Que Deus o preserve ao longo dos séculos

Seu mar, sua terra são a pérola dos dois Orientes
Sua opulência, sua caridade
Preenchem os dois pólos
Seu nome é seu triunfo
Desde a época de nossos ancestrais
Sua glória é seus cedros
Seu símbolo é para a eternidade

Somos todos para a Pátria
Para a sublime, pela bandeira
Somos todos para a Pátria






quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Leis Naturais
1- GUIA PRÁTICO DA CIÊNCIA MODERNA:
• 1. Se mexer, pertence à Biologia.
• 2. Se feder, pertence à Química.
• 3. Se não funciona, pertence à Física.
• 4. Se ninguém entende, é Matemática.
• 5. Se não faz sentido, é Economia ou Psicologia.
• 6. Se mexer, feder, não funcionar, ninguém entender e não fizer sentido, é INFORMÁTICA.
2- LEI DA PROCURA INDIRETA:
• 1. O modo mais rápido de se encontrar uma coisa é procurar outra.
• 2. Você sempre encontra aquilo que não está procurando.
3- LEI DA TELEFONIA:
• 1. Quando te ligam: se você tem caneta, não tem papel. Se tiver papel, não tem caneta. Se tiver ambos, ninguém liga.
• 2. Quando você liga para números errados de telefone, eles nunca estão ocupados.
• Parágrafo único: Todo corpo mergulhado numa banheira ou debaixo do chuveiro faz tocar o telefone.
4- LEI DAS UNIDADES DE MEDIDA:
• Se estiver escrito 'Tamanho Único', é porque não serve em ninguém, muito menos em você...
5- LEI DA GRAVIDADE:
• Se você consegue manter a cabeça enquanto à sua volta todos estão perdendo, provavelmente você não está entendendo a gravidade da situação.
6- LEI DOS CURSOS, PROVAS E AFINS:
• 80% da prova final será baseada na única aula a que você não compareceu, baseada no único livro que você não leu.
7- LEI DA QUEDA LIVRE:
• 1. Qualquer esforço para se agarrar um objeto em queda, provoca mais destruição do que se o deixássemos cair naturalmente.
• 2. A probabilidade de o pão cair com o lado da manteiga virado para baixo é proporcional ao valor do carpete.
8- LEI DAS FILAS E DOS ENGARRAFAMENTOS:
• A fila do lado sempre anda mais rápido.
• Parágrafo único: Não adianta mudar de fila. A outra é sempre mais rápida.
9- LEI DA RELATIVIDADE DOCUMENTADA:
• Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto a explicação do manual.
10- LEI DO ESPARADRAPO:
• Existem dois tipos de esparadrapo: o que não gruda e o que não sai.
11- LEI DA VIDA:
• 1. Uma pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada.
12- LEI DA ATRAÇÃO DE PARTÍCULAS:
• Toda partícula que voa sempre encontra um olho aberto.


Colaboração: Pircorococór





CRIATIVIDADE


Foto by J.U.Nassif



NOSTALGIA

Foto by J.U.Nassif


domingo, fevereiro 15, 2009

PAPO DE CRIANÇA MODERNA

CONVERSA ENTRE DUAS CRIANÇAS!!!!

- E aí, véio?
- Beleza, cara?
- Ah, mais ou menos. Ando meio chateado com algumas coisas.
- Quer conversar sobre isso?
- É a minha mãe. Sei lá, ela anda falando umas coisas estranhas, me
botando um terror, sabe?
- Como assim?
- Por exemplo: há alguns dias, antes de dormir, ela veio com um papo doido
aí. Mandou eu dormir logo senão uma tal de Cuca ia vir me pegar. Mas
eu nem sei quem é essa Cuca, pô. O que eu fiz pra essa mina querer me
pegar?
Você me conhece desde que eu nasci, já me viu mexer com alguém?
- Nunca.
- Pois é. Mas o pior veio depois. O papo doido continuou. Minha mãe
disse que quando a tal da Cuca viesse, eu ia estar sozinho, porque meu
pai tinha ido pra roça e minha mãe passear. Mas tipo, o que meu pai
foi fazer na roça? E mais: como minha mãe foi passear se eu tava vendo
ela ali na minha frente? Será que eu sou adotado, cara?
- Sabe a sua vizinha ali da casa amarela? Minha mãe diz que ela tem uma
hortinha no fundo do quintal. Planta vários legumes. Será que sua mãe
não quis dizer que seu pai deu um pulo por lá?
- Hmmmm. pode ser. Mas o que será que ele foi fazer lá? VIXE! Será que meu
pai tem um caso com a vizinha?
- Como assim, véio?
- Pô, ela deixou bem claro que a minha mãe tinha ido passear. Então
ela não é minha mãe. Se meu pai foi na casa da vizinha, vai ver eles
dois tão de caso. Ele passou lá, pegou ela e os dois foram passear. É
isso, cara. Eu sou filho da vizinha. Só pode!
- Calma, maninho. Você tá nervoso e não pode tirar conclusões precipitadas.
- Sei lá. Por um lado pode até ser melhor assim, viu? Fiquei sabendo
de umas coisas estranhas sobre a minha mãe.
- Tipo o quê?
- Ela me contou um dia desses que pegou um pau e atirou em um gato. Assim,
do nada. Puta maldade, meu! Vê se isso é coisa que se faça com o bichano!
- Caramba! Mas por que ela fez isso?
- Pra matar o gato. Pura maldade mesmo. Mas parece que o gato não morreu.
- Ainda bem. Pô, sua mãe é perturbada, cara.
- E sabe a Francisca ali da esquina?
- A Dona Chica? Sei sim.
- Parece que ela tava junto na hora e não fez nada. Só ficou lá, paradona,
admirada vendo o gato berrar de dor.
- Putz grila. Esses adultos às vezes fazem cada coisa que não dá pra entender.
- Pois é. Vai ver é até melhor ela não ser minha mãe, né? Ela me
contou isso de boa, cantando, sabe? Como se estivesse feliz por ter
feito essa selvageria. Um absurdo. E eu percebo também que ela não
gosta muito de mim. Esses dias ela ficou tentando me assustar, fazendo
um monte de careta. Eu não achei legal, né. Aí ela começou a falar que
ia chamar um boi com cara preta pra me levar embora.
- Nossa, véio. Com certeza ela não é sua mãe. Nunca que uma mãe ia fazer
isso com o filho.
- Mas é ruim saber que o casamento deles é essa zoeira, né? Que meu pai sai
com a vizinha e tal. Apesar que um dia ela me contou que lá no bosque do final da rua mora um cara, que eu imagino que deva ser muito bonitão, porque ela
chama ele de 'Anjo'. E ela disse que o tal do Anjo roubou o coração
dela. Ela até falou um dia que se fosse a dona da rua, mandava colocar
ladrilho em tudo, só pra ele pode passar desfilando e tal.
- Nossa, que casamento bagunçado esse. Era melhor separar logo.
- É. só sei que tô cansado desses papos doidos dela, sabe? Às vezes
ela fala algumas coisas sem sentido nenhum. Ontem mesmo veio me falar
que a vizinha cria perereca em gaiola, cara. Vê se pode? Só tem louco
nessa rua.
- Ixi, cara. Mas a vizinha não é sua mãe?
- Putz, é mesmo! Tô ferrado de qualquer jeito.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

PADRE JOSÉ CARLOS TADEU RIBEIRO (PADRE ZÉCA)

PADRE JOSÉ CARLOS TADEU RIBEIRO (PADRE ZÉCA)


PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com

Sábado, 14 de fevereiro de 2009.
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://www.tribunatp.com.br/
http://www.teleresponde.com.br/
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ENTREVISTADO: PADRE JOSÉ CARLOS TADEU RIBEIRO (PADRE ZÉCA)

A auto-realização é aparentemente a viagem mais longa que se faz através da vida. A vida no mundo deve ser muito honesta, muito ética. Quando o homem não observa a lei interior, que provém da lei de causas e efeitos, seus olhos estão fechados. Existe neste mundo muitos seres com os quais estamos ligados ou relacionados de muitas formas. A cada um devemos alguma coisa. A uns devemos consideração, a outros o respeito, a uns serviços, a outros a tolerância, a uns o perdão, a outros o auxílio. As religiões têm servido de referencial para nós e trouxe um grande avanço moral (família, estado e política). São Tomás de Aquino diz que: “A consciência moral é a voz interior que nos diz que devemos fazer o bem e evitar o mal”. O equilíbrio interno é a mola propulsora da harmonia, ter consciência é saber discernir com critérios justos e bons. No mundo contemporâneo, fala-se muito de liberdade de expressão, mas a vida tem regras para ser seguidas, regras essas que são impostas pela mesma liberdade e uma vez infringidas, acabam sofrendo conseqüências irreversíveis. Sabemos que ética no sentido absoluto, não é apenas aquilo que se costuma fazer em uma sociedade boa é aquilo que é bom em si mesmo. Aquilo que não é negociável, é algo que não se pode discutir nem transigir. O que é digno do ser humano, o que se opõe ao indigno. A velocidade de evolução tecnológica impôs um ritmo quase alucinante á humanidade. Quando a lei do materialismo rege os nossos atos e decide por nós, a ética desaparece e, com isso temos uma liberdade falsificada, um falso poder sobre essa liberdade. Ao líder espiritual de uma comunidade cabe uma tarefa sobre-humana: não nos deixar sair dos trilhos. O Padre José Carlos Tadeu Ribeiro, conhecido como Padre Zéca, é um líder espiritual. A sua fé o torna carismático. Religioso dedicado ao trabalho junto aos fiéis, não descuida de estar sempre estudando e conhecendo melhor a natureza humana.
Padre Zéca o senhor tem em sua família um irmão que também é padre?
Meu irmão Antonio é padre também, ele é o irmão mais velho. A seguir eu, que nasci no dia 27 de maio de 1964, e o Celso, que é Ministro Extraordinário da Eucaristia. Temos duas irmãs: a Andréia e a Silvanete. Somos filhos de Nair Granzotto Ribeiro e José Ribeiro.
Qual é a origem dessa forte religiosidade na família?
Nossos avós eram pessoas que freqüentavam a igreja, eram muito católicos. Quando a família participa da igreja ela tem muita influência na vida dos filhos.
O senhor iniciou seus estudos em Piracicaba?
Estudei na Escola Estadual Professora Jaçanã A. Pereira Guerrini da primeira até a oitava série. O colegial eu fiz na Escola Estadual. Professor José de Mello Moraes. Cursei o Magistério.
Quando se manifestou a vocação do senhor para ser padre?
Conheci Jesus através da bíblia. Tenho um grande amor á Deus. Quando meu irmão foi seguir o sacerdócio, eu tinha uns treze anos de idade. Nessa época eu já tinha um grande amor á Deus, ao ser humano, aos necessitados. Praticamente herdei esses sentimentos da minha família, pelo fato de ser muito religiosa.
Como o senhor entrou na vida religiosa?
Iniciei a minha caminhada em Jaú. Entrei para a Ordem Premonstratense, fundada em 1121, por São Norberto em Premontré, situado no norte da França. Essa ordem é responsável pela Paróquia São Judas Tadeu, aqui em Piracicaba. Eu sempre digo ás pessoas que o testemunho e o exemplo podem mudar a vida de uma pessoa. Um padre que marcou muito pela sua simplicidade, sua vocação para com o povo, foi o Padre Bruno. Ele dava a vida pelo povo. Quando eu assistia as celebrações realizadas por ele, pensava em meu interior, que se um dia eu chegasse a ser padre gostaria de ser como Padre Bruno. Um padre do povo.
Quantos anos de estudo o senhor realizou para ser ordenado como padre?
Existem dois tipos de padres. Os padres que são religiosos moram em seminário, em vida comunitária, e existem os padres seculares, que são os padres que moram na paróquia. Hoje eu sou um padre secular, pertenço hoje á Arquidiocese de Montes Claros, Minas Gerais, cujo Bispo é Dom José. A paróquia é a de São Pedro Apóstolo. Sou o pároco lá. O Padre Alencar, que é um padre muito querido dos paroquianos, me auxilia. Geralmente a formação de um padre dura uns dez anos, a minha durou um pouco mais, de quatorze a quinze anos. Não tive muita pressa. Durante esse período eu sempre buscava em Deus a resposta se era o desejo dele que eu tornasse-me padre.
Cuidar de uma paróquia é muito difícil?
Quando trabalhamos com pessoas, duas coisas são fundamentais na vida cristã: humildade e mansidão. Como pregou Jesus: “Eu sou manso e humilde de coração”. Se essas duas atitudes não existirem, fica difícil. Principalmente na atual realidade os seres humanos complicam muito a vida. E a vida é muito simples. Como pessoas nós temos muitas dificuldades de diálogos, relacionamento. O amor de Deus que todos deveriam viver é um amor que almeja a realização e a felicidade dos seres humanos.
Como é a vida de um padre?
É muito corrida. Ao contrário do que muita gente pensa. Tem algumas pessoas que acham que padre não faz nada. Tenho 11 comunidades rurais e cinco comunidades urbanas. Chego a celebrar em um domingo de cinco a sete missas. Fora as reuniões. Levanto ás cinco horas da manhã. Temos como obrigação rezar a liturgia das horas: ela é feita de manhã, no almoço, á noite e um horário após as dez horas. Fiz a Faculdade de Filosofia, que é fundamental para a formação de um sacerdote, e a Faculdade de Teologia, que é o estudo de Deus. Como amo muito aos seres humanos, sou muito espiritualista, a dimensão espiritual do ser humano eu conheço muito bem. O que ás vezes é difícil de entender é o aspecto físico do ser humano, o que ele vive em seu interior. Para entender a dimensão espiritual de uma pessoa o fato de eu ser um sacerdote torna muito fácil essa compreensão. Um problema físico pode ser uma doença mental, emocional.
Atualmente a doença da vez é o stress?
Uma das coisas mais comuns é a depressão. É uma doença mental e física. É necessário que seja definida até que ponto é física e até que ponto é espiritual. Um psicólogo ou um médico pode enfrentar alguma dificuldade em entender a dimensão da doença espiritual.
A humanidade está doente?
Sim. De duas formas: fisicamente e espiritualmente. Há mais doentes espiritualmente. É a falta de Deus.
A célula mãe de qualquer sociedade é a família, está havendo uma perda dessa identidade?
Deus é a base, o alicerce da vida familiar. Se for feita uma construção sobre areia ela irá desmoronar. É o que está acontecendo com a família. Há uma grande dificuldade de relacionamento e convivência entre as pessoas. Quando essa dificuldade é superada a vida se constrói. Em uma família onde não existe dialogo, convivência fica difícil. Hoje cada membro de uma família dirige-se á uma ocupação, trabalho, estudo. Que momento a família tem para estar junto? Quase nenhum e geralmente á noite, quando voltam do serviço. Uns ficam em frente á televisão, á internet, e a família acaba não tendo tempo para ela mesma, como família ela deixa de existir. Não há dialogo. Há uma frase de São Paulo que diz: “Não deixe o sol se por sobre os seus problemas”. Na atual estrutura social, os problemas vão se acumulando. A nossa vida por mais que se busque a realização e a felicidade sempre iremos nos depararmos com as limitações humanas. E muitas vezes deixamos de perguntar como lidar com essas limitações. O que fazer com elas? O amor constrói, edifica a vida humana. O amor é solução para tudo. A resposta para essas indagações é amor.
O senhor está indo de encontro com a grande corrente atual da humanidade, que é basicamente materialista?
Percebo que os seres humanos têm uma dificuldade muito grande em lidar com Deus. Se relacionarem com Deus. De conviver com Deus. Acredito que o grande erro, que eu percebo nas faculdades, nas escolas, na busca do conhecimento, da sabedoria humana, é querer separar “o humano” do “divino”. O humano e o divino são duas realidades que caminham juntas. Há uma grande procura de realização, de felicidade, sendo que o centro dessas realizações é Deus. Muitas vezes há quem queira descartar Deus dessa felicidade, querendo preencher a vida com aquilo que é material. O que dá sentido a vida preenche os vazios, a essência da vida humana é Deus. A partir do momento em que se afasta dessa realidade busca-se o que é superficial, a aparência. Passa a ser uma vida pautada pela falsidade, pela aparência, tentando preencher as nossas insatisfações. O que preenche o ser humano é Deus e não o materialismo, o dinheiro.
O que é pecado?
Vejo pecado como um mal existente no interior do ser humano. O pecado é aquilo que destrói o homem, que faz com que cada um perca a sua identidade como filho de Deus. A imagem e semelhança do Criador.
A Igreja Católica classifica tipos de pecados?
Existem os pecados leves, grave e os mortais. O pecado leve é aquele pecado mais comum, é o pecado do dia-a-dia. Um exemplo desse tipo de pecado pode ser a inveja, os ciúmes. O pecado mortal é o que proporciona a morte do ser humano, tanto a morte física como a espiritual. O pecado contra Deus é considerado mortal. O pecado mortal é um pecado que depois de cometido não tem como reparar-se. O aborto é um exemplo. É como um cristal que se quebra, não há como voltar a sua forma original. Quando atendemos a uma pessoa que realizou um aborto percebemos como é difícil essa pessoa ser curada. A pena de morte acompanha a pessoa por toda a sua vida. Vejo o aborto como uma atitude desumana. O nosso Deus é um Deus da vida, tem como objetivo gerar a vida dos seres humanos. Assim também deveria ser o objetivo dos seres humanos. A partir do momento em que você mata alguém, você estará matando a si próprio. Para citar um exemplo á respeito do assunto, uma mulher foi vítima de um estupro. A principio ela queria abortar. Acabou decidindo ter a criança. Hoje, essa criança é uma psicóloga que ajuda a muitas pessoas.
Qual é o melhor caminho para se conhecer mais a Deus?
É preciso buscar Deus!
Cada um tem uma imagem sobre Deus, como o senhor pode expressar essa imagem?
Eu tenho tido muitas surpresas com o Papa Bento XVI. Ele resumiu Deus em uma só palavra: Amor. Deus é isso!
Como o senhor vê o surgimento de inúmeras seitas religiosas?
Conheço muitos evangélicos, tenho muitos amigos evangélicos. Tem muitas pessoas que levam a sério aquilo que fazem. É interessante notar que a religião evangélica de certa forma já existia no tempo de Jesus. Os discípulos chegaram uma vez para Jesus e disseram: “–Jesus tem algumas pessoas que estão falando em seu nome e não são dos nossos”. Jesus respondeu: “-Se eles estão falando de Deus deixem que fale”. Existem também alguns que usando o nome de evangélicos são fornecedores de ilusão com objetivo puramente comercial.
Como o senhor define a importância do ato de confessar junto a um padre?
Existe um ditado que diz que o interior do coração do ser humano é um lugar onde nenhum ser humano consegue entrar. Deus consegue. A confissão é a permissão dada para Deus entrar em seu coração. O olhar de Deus é um olhar de misericórdia. A confissão é muito importante. Deus não irá julgar ou condenar como os homens fazem.
Em dias de movimento até quantos fiéis o senhor chega a confessar?
Eu sou um padre muito procurado. Dependendo da pessoa chego a ficar uma a duas horas no confessionário. Já ocorreu uma situação em que tinham quinhentas pessoas querendo confessar, o que lógico foi impossível. No máximo dá para atender cinqüenta pessoas, isso em confissões bastante breves. A confissão é feita sem anteparos. Eu sempre digo ás pessoas que a confissão é o encontro de você com você mesmo. Muitas pessoas vivem em um mundo fechado.
Com todo respeito, como sai o ouvido do senhor?
Acho que a pergunta correta deveria ser como sai o meu coração. Mexe muito comigo, saber que os seres humanos vivem em seu interior. Sofrem demais. A grande dificuldade da humanidade é buscar aquilo que realmente dá sentido á vida humana. Jesus mesmo fala: “Busque os tesouros do alto”.
Alguns católicos dizem que preferem fazer o contato direto com Deus, sem a intervenção de um padre. Como o senhor os classifica?
Esses cristãos são Cristãos Denorex. Parece, mas não é!
(O padre refere-se a um comercial que anunciava um produto chamado Denorex. O anúncio tinha o seguinte bordão: “Parece, mas não é”).


quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Cartão de visita de um dentista



terça-feira, fevereiro 10, 2009

Você é substituível?

Será mesmo que você é substituível?

Na sala de reunião de uma multinacional o diretor nervoso fala com sua equipe de gestores.
Agita as mãos, mostra gráficos e, olhando nos olhos de cada um ameaça: "ninguém é insubstituível".

A frase parece ecoar nas paredes da sala de reunião em meio ao silêncio. Os gestores se entreolham, alguns abaixam a cabeça. Ninguém ousa falar nada. De repente um braço se levanta e o diretor se prepara para triturar o atrevido:

- Alguma pergunta?

- Tenho sim. E o Beethoven?

- Como? - encara o gestor confuso.

- O senhor disse que ninguém é insubstituível e quem substituiu o Beethoven?

Silêncio.

Ouvi essa estória esses dias contada por um profissional que conheço e achei muito pertinente falar sobre isso.

Afinal as empresas falam em descobrir talentos, reter talentos, mas, no fundo continuam achando que os profissionais são peças dentro da organização e que, quando sai um, é só encontrar outro para por no lugar.

Quem substitui Beethoven? Tom Jobim? Ayrton Senna? Ghandi? Frank Sinatra? Garrincha? Santos Dumont? Monteiro Lobato? Elvis Presley? Os Beatles? Jorge Amado? Pelé? Paul Newman? Albert Einstein? Picasso? Zico?

Todos esses talentos marcaram a História fazendo o que gostam e o que sabem fazer bem, ou seja, fizeram seu talento brilhar. E, portanto, são sim insubstituíveis.

Cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direcionado para alguma coisa. Está na hora dos líderes das organizações reverem seus conceitos e começarem a pensar em como desenvolver o talento da sua equipe focando no brilho de seus pontos fortes e não utilizando energia em reparar 'seus gaps'.

Ninguém lembra e nem quer saber se Beethoven era surdo, se Picasso era instável, Caymmi preguiçoso, Kennedy egocêntrico, Elvis obsessivo... O que queremos é sentir o prazer produzido pelas sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis e melodias inesquecíveis, resultado de seus talentos.

Cabe aos líderes de sua organização mudar o olhar sobre a equipe e voltar seus esforços em descobrir os pontos fortes de cada membro. Fazer brilhar o talento de cada um em prol do sucesso de seu projeto.

Se seu gerente/coordenador, ainda está focado em 'melhorar as fraquezas´ de sua equipe corre o risco de ser aquele tipo de líder que barraria Garrincha por ter as pernas tortas, Albert Einstein por ter notas baixas na escola, Beethoven por ser surdo e Gisele Bündchen por ter nariz grande. E na gestão dele o mundo teria perdido todos esses talentos.

Quando o Zacarias dos Trapalhões faleceu, ao iniciar o programa seguinte, o Dedé entrou em cena e falou mais ou menos assim:

"Estamos todos muitos tristes com a partida de nosso irmão Zacarias... e hoje, para substituí-lo, chamamos:.. Ninguém... pois nosso Zaca é insubstituível"

Portanto nunca esqueça: Você é um talento único....com toda certeza ninguém te substituirá.

Colaboração E.B.






segunda-feira, fevereiro 09, 2009

E.C. XV de Novembro de Piracicaba

DR. LUIZ ROBERTO LORDELLO BELTRAME

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS JOÃO UMBERTO NASSIF Jornalista e Radialista joaonassif@gmail.com
Sábado, 07 de fevereiro de 2009
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://www.tribunatp.com.br/
http://www.teleresponde.com.br/ http://blognassif.blogspot.com/
ENTREVISTADO: DR. LUIZ ROBERTO LORDELLO BELTRAME
PRESIDENTE DO XV DE NOVEMBRO DE PIRACICABA


Jornalista João Umberto Nassif

O E.C. XV de Novembro de Piracicaba tem sua diretoria constituída com a seguinte composição: Presidente: Luis Roberto Lordello Beltrame; Vice-Presidente: João Carlos Maiolo; 1º Diretor Secretário: Roberto Jaoude; 2º Diretor Secretário: Ledy Anderson Nascimento; 1º Diretor Tesoureiro: Antonio César de Pádua; 2º Diretor Tesoureiro: Luiz Antonio Lopes; Diretor de Futebol: Renato Bonfiglio; Diretores Adjuntos de Futebol: Valmir Aparecido Benedito de Freitas (Profissional); Mário José Brunelli (Base); Vicente Antonio Naval (Base); Diretor do Departamento Jurídico: João Carmelo Alonso; Diretor de Patrimônio: Celso Norberto Christofoletti; Diretor de Relações. Públicas e Marketing: Francisco Carlos Malosá Junior; Diretor Social: Rafael Brunelli; Diretor do Departamento Médico: Edison José Aparecido Angeli; Diretores Adjuntos do Departamento Médico: José Roberto Ferraciu Alleoni, Francisco Carlos Malosá, Paulo Henrique Paes, Gerente Administrativo: Antonio Carlos Fernandes; Assessor de Imprensa: Alaor Antonio Menegalle. O XV de Novembro de Piracicaba foi fundado no dia 15 de novembro de 1913, constituído por duas equipes da cidade o Esporte Clube Vergueirense e 12 de Outubro entraram em um acordo para se fundirem e convidaram o o cirurgião-dentista e Capitão da Guarda Nacional Carlos Wingeter para presidir o novo clube. O capitão aceitou, e sugeriu que o nome da agremiação fosse dado em homenagem à Proclamação da República Confederativa do Brasil. Seu primeiro título foi em 1914, quando conquistou uma competição amadora da cidade de Piracicaba, vencendo a Associação Esportiva Piracicaba por 3 a 2. Em 1918 o XV filiou-se a Associação Paulista de Esportes Atléticos e passou a disputar campeonatos pelo interior, onde conquistou os títulos de campeão regional em 1918 e vice-campeão em 1920. Em 1931, o clube conseguiu conquistar seu primeiro título de maior expressão: Campeão do Interior. Na década seguinte, em 1948, o XV de Piracicaba alcançou mais uma vez uma conquista. Desta vez foi campeão da Segunda Divisão do Futebol Paulista (correspondente a atual Série A2), participando, a partir de 1949, da Primeira Divisão (atual A1), junto com os times grandes do Estado. A história do XV é muito rica, reflete aspectos interessantes da cidade. Figuras quase mitológica como o Comendador Humberto D`Abronzo, Romeu Ítalo Ripoli ajudaram a divulgar a imagem do XV praticamente pelo país todo. Por muitos anos, o piracicabano ao visitar qualquer outra localidade era de imediato questionado: Como está o XV? O Mirante do Rio Piracicaba está com muito peixe? E a cachaça de Piracicaba? Eram três perguntas para as quais tinha que ter a resposta na ponta da língua. O XV de Piracicaba está entranhado de tal forma na alma do piracicabano, esportista ou não, que é praticamente uma extensão da sua identidade com Piracicaba.
Presidente o senhor é piracicabano?
Nasci em Piracicaba no dia 23 de setembro de 1963. Sou filho de Moacyr Beltrame e Maria Aparecida Lordello Beltrame. Sou advogado militante na Comarca de Piracicaba. Formei-me pela Unimep, turma de 1984. Meus estudos, eu iniciei na Escola Peixinho Vermelho, depois estudei na escola Benedito Ferreira da Costa, onde minha mãe era professora. Estudei no Dom Bosco, Sud Mennucci. O ano passado fiz especialização na área de Direito do Trabalho, que é a área onde atuo. Meu pai por muitos anos foi vogal da Justiça do Trabalho, depois passou a Juiz Classista, ele foi o segundo Juiz Classista mais antigo do Brasil. Ele permaneceu por 31 anos na Justiça do Trabalho, ele faleceu em 1993. Minha mãe graças a Deus está viva, é muito ativa junto á comunidade piracicabana, particularmente atendendo aos mais necessitados, através de entidades assistenciais. Somos três irmãos: o mais velho que é o Moacir, o Carlos e eu.
O senhor é uma pessoa de estatura avantajada, com altura ideal para a prática de basquete. Chegou a praticar esse esporte ou algum outro?
Eu apenas brincava em meus tempos de escola. Jogava basquete no Sud Mennucci no tempo do professor de educação física Mezzacapa. Tive aula de educação física com o professor Cantoni.
Quando foi a primeira vez em que o senhor entrou em um estádio de futebol?
Eu acompanhava o meu pai, ele era quinzista apaixonado pelo XV. Tenho lembraças do XV no período em que eu tinha onze ou doze anos de idade. Isso por volta de 1963, 1964, nós vínhamos ao Estádio Barão de Serra Negra.
O senhor conheceu uma das figuras mais importantes da história do esporte piracicabano, Delphin Ferreira da Rocha Netto?
Conheci. Tive a oportunidade de conversar algumas vezes com ele.
A atuação do senhor na diretoria do XV iniciou-se em que ano?
Participo da diretoria desde 2002. Vim pelas mãos do Dr. Renato Bonfiglio. Em 1985, ainda cursando a faculdade eu era assistente do Dr. Renato no Sindicato dos Metalúrgicos, quando ele assumiu a presidência do XV em 2002 ele me convidou para integrar o Conselho do XV e depois da diretoria.
O que move o cidadão a dedicar-se ao XV de Novembro?
O XV tem um significado importante para a cidade. Acaba-se envolvendo, passa a ter uma satisfação em trabalhar por ele, e o fato de desenvolver um trabalho pela instituição, procurando resgatar as glórias da equipe isso passa a ser um ideal. O clube passa a receber um tratamento especial, como se fosse um filho, nós sentimos a necessidade de tratar essa agremiação com carinho, estimular seu progresso. Quando percebemos estamos tão envolvidos que passa a ser um hábito estar sempre lutando pelo XV. A unificação processual dos processos trabalhistas, em que o XV foi pioneiro no Estado de São Paulo foi uma conquista minha.
O senhor foi eleito presidente do XV em que dia?
Como membro da diretoria executiva, assumi por um período que foi no período de maio de 2008 até novembro de 2008, que foi um mandato tampão. No dia 15 de novembro de 2008 fui eleito presidente para o biênio seguinte.
Ser presidente do XV de Piracicaba é altamente significativo junto á comunidade piracicabana, como o senhor vê essa condição?
O sentimento de responsabilidade é muito grande. O XV é um ícone da cidade de Piracicaba. Quando vemos o estádio lotado sentimos uma grande satisfação em saber que fazemos parte dessa enorme festa. Imagine mais de vinte mil pessoas no estádio, e sabermos que tudo que possa acontecer depende das decisões que tomamos no cotidiano. Em 2008 o XV foi o clube que teve o maior público do interior. Foi o quinto maior público do Estado de São Paulo. Isso ele estando na série A-3. Tivemos mais pessoas presentes aqui no Estádio Barão de Serra Negra do que no final do campeonato Paulista entre Ponte Preta e Palmeiras. Um público maior do que esteve presente quando o Guarani subiu em sua classificação.
Quantos torcedores cabem no Estádio Barão de Serra Negra?
Nesse estádio cabem umas vinte e seis mil pessoas. Porém com o advento do Estatuto do Torcedor, foi diminuída a capacidade dele. Hoje a capacidade oficial do Estádio Barão de Serra Negra é em torno de dezenove mil e quinhentos lugares.
Existe um Estatuto do Torcedor?
Existe. É como se fosse um estatuto do consumidor, do idoso, do menor. Ele é voltado para a proteção do torcedor. É uma legislação voltada para proteção do torcedor. Prevê os direitos do torcedor, os estádios são divididos em seções, cada uma delas pintada de uma cor, tem que haver um ouvidor para os reclamos do torcedor, assistência médica. Um detalhe que não é muito conhecido do público, mas pagamos em todos os jogos, uma determinada quantia que corresponde ao seguro do torcedor. Quem faz a apólice é a Federação Paulista e nós pagamos determinada quantia por torcedor.
Qual é a situação atual do XV em termos de elenco e classificação?
O elenco é extremamente competente. Foi Vice-Campeão da Copa Federação 2008. Conseguimos manter esse grupo de atletas, vieram mais alguns do mesmo nível, é um elenco forte. Quem faz a análise do Campeonato Paulista, na série A-3 indica o XV como um dos favoritos, até para a disputa do título. Só que não deixamos que esse tipo de comentário influencie no comportamento do time. Começamos agora o Campeonato Paulista, o primeiro jogo foi no sábado passado, XV e Bandeirantes de Birigui quando empatamos marcando um gol cada equipe. Estamos recebendo um novo técnico, o Emerson Alcântara, que veio do Penapolense. No próximo sábado vamos jogar contra o XV de Jaú.
O XV hoje está classificado na divisão A-3?
O campeonato Paulista está classificado em três divisões profissionais: A-1, A-2 e A-3. Abaixo disso existe a série B, que é uma série de acesso para qualquer time profissional que queira disputar e seguir as classificações seguintes. Em 2005 o XV subiu para a série A-2 em 2006 ele disputou a série A-2, não foi feliz e caiu para a série A-3 novamente. O intuito nosso é subir o XV para a série A-2 que é o caminho para voltar para a série A-1, onde está a elite do futebol.
No time profissional quantos atletas o XV possui?
É composto por 28 atletas.
E para bancar isso tudo, de onde vêm os recursos?
Contamos com os patrocinadores, hoje em número de aproximadamente oito.
Qual é faixa salarial de um atleta do XV?
Para os meninos que subiram da categoria de base a principio recebem o salário mínimo. Até atletas que recebem na ordem de quatro mil reais.
Outras agremiações ficam de olho em alguns atletas do XV?
Tivemos umas disputas no final do campeonato, no começo deste campeonato, vários clubes se interessaram por diversos jogadores nosso.
Não há interesse para o XV vender o passe desses atletas?
Não! Não, porque nós conseguimos montar esse elenco, extremamente competente, aguerrido, com espírito de luta, com vontade de subir o time. O que nos interessa é subir o XV. Dispor desses valores profissionais pode ser uma forma de fortalecer o adversário.
Os atletas ficam alojados onde?
Temos alojamentos. Quem tem família constituída, é casado, fica com sua família em apartamento. Isso tudo é acertado quando o atleta é contratado.
Piracicaba revelou grandes talentos do futebol?
Inclusive nomes da Seleção Brasileira. Chicão, recentemente falecido foi um deles. De Sordi. Mazzolla. Coutinho.
A Escolinha do São Paulo Futebol Clube é um exemplo a ser seguido?
É um exemplo. Só que temos que olhar a realidade do XV. O São Paulo deve ter uns seiscentos meninos, para custear isso são valores elevados. Existem meninos que pertencem á categoria de juniores, ainda não são profissionais, mas que recebem salários muito significativos. Qualquer menino, que seja profissionalizado mais que ainda não estão jogando no time principal ganha cinco, dez mil reais.
Piracicaba tem cerca de 350.000 quinzistas?
Em tese. Não é todo mundo que acompanha futebol, que gosta de futebol. Eu sei que o XV bate recordes sucessivos de público. Nessa primeira rodada, que começou o Campeonato Paulista, o XV foi recordista de público de todos os outros jogos. Mesmo quem não gosta de futebol tem uma simpatia pelo XV. Até o mesmo o símbolo do Nhô Quim, do caipira, acaba gerando uma simpatia. É interessante observar que não só na região de Piracicaba, mas também em regiões bem mais distantes como no Nordeste, no Sul, onde você for, quando ficam sabendo que a sua origem é Piracicaba há um grande interesse de pessoas que querem saber sobre o XV de Novembro. Tenho vários relatos de pessoas que vêm aqui na sede comprar uma camisa. Eles dizem que estavam, por exemplo, em Porto Alegre e tiveram que dar a camisa do XV para alguém que a pediu. Isso aconteceu nas mais diversas localidades do país. O XV comemorou no ano passado 95 anos, nós fizemos uma camisa comemorativa, que é uma camisa baseada no modelo que foi utilizado nas décadas de 20, 30. Vendemos mais de mil peças dessas camisas. Há pessoas das mais diversas regiões do país, inclusive do exterior, que acompanham os jogos do XV pela internet.
Como é a relação do clube com a Federação Paulista de Futebol?
Muito boa. O Presidente Marco Pólo Del Nero é uma pessoa ciente dos problemas que ocorrem com os times do interior. É uma relação extremamente saudável. No final na copa no ano passado ele e o Vice-Presidente Dr. Reinaldo Carneiro estiveram presentes aqui em Piracicaba. Eles dizem que o XV de Novembro de Piracicaba não é um time para ficar na série A-3. A estrutura, a tradição que o time tem é própria de times pertencentes á série A-1. O XV é uma equipe que conta com departamento médico, fisioterapeutas, fisiologistas, nutricionistas. O nosso fisiologista é o Professor Doutor Sérgio Camarda. Isso nem todos os times grandes possuem.
O presidente e os diretores do XV recebem algum salário do time?
Não. É um trabalho voluntário. Ás vezes nós acabamos custeando do próprio bolso algumas coisas necessárias ao time.
Qual é o site oficial do XV de Novembro de Piracicaba?
O Site oficial do Esporte Clube XV de Novembro é:
www.xvpiracicaba.com.br







Observe a parte superior, sobre o teto do veículo, as acomodações para uma melhor visão do passeio.



domingo, fevereiro 08, 2009

Como funciona a caixa preta dos aviões?

A caixa preta é constituída de sistemas eletrônicos de gravação que registram automaticamente todos os dados relativos ao vôo, bem como os últimos 30 minutos de conversação na cabine de comando.
Essas informações são de vital importância para os peritos que investigam as causas de um acidente aéreo.
Apesar do nome, a caixa preta é, na verdade, vermelha ou alaranjada, caso caia no mar ou em florestas esta cor a diferenciaria do ambiente, ela possui ainda um transmissor de sinais justamente para facilitar a localização nesses casos.
Para resistir aos choques e a grandes impactos, as caixas ficam na cauda da aeronave e são fabricadas com materiais ultra-resistentes como titânio e/ou fibra de carbono, podendo suportar temperaturas de até 1000 graus Celsius.
Ela tem ainda uma bateria que garante seu funcionamento independentemente do avião. A conexão da caixa preta à aeronave é feita por cabos semelhantes aos usados para ligar aparelhos portáteis como impressoras, câmeras fotográficas e celulares ao computador.

O aparelho que revolucionou o setor aéreo foi idealizado pelo cientista aeronáutico australiano David Warren em 1957. No começo a invenção não foi bem recebida porque os pilotos se sentiam vigiados durante o vôo, mas logo os ingleses e norte-americanos perceberiam a importância da caixa preta de Warren, que foi incorporada às aeronaves destes dois países um ano depois.
Bruna Bernardi.




sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Era uma vez um castelo...


Castelo do deputado Edmar Moreira gera discussão.
Um castelo com 32 suítes, 18 salas, 8 torres, piscina com cascata, fontes, espelhos d`água e 275 janelas transformou-se em uma notícia de repercussão nacional. Em qual país ? No Brasil mesmo, mais precisamente em São João do Nepomuceno, interior de MG. Moreira foi apelidado pelos colegas de parlamento de Duque de São João Nepomuceno, por conta do castelo.



quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Histórias interessantes

Em suas memórias, Ted Sorensen conta de que maneira Kennedy e ele preparavam meticulosamente os ditos espirituosos, as citações, as palavras de encerramento dos discursos do presidente. Sem qualquer improvisação ou espontaneidade, Kennedy tomava nota das histórias interessantes contadas por algum orador a fim de utilizá-las posteriormente. Sorensen arremata : "eu possuía um volumoso 'dossiê humorístico' que crescia continuamente. Como em geral os textos dos discursos entregues à imprensa eram expurgados das anedotas, era possível voltar a utilizá-las em outro discurso".




Nomes de peso

Os bancos brasileiros estão entre as 35 instituições financeiras com as marcas mais valiosas do mundo, segundo estudo da consultoria de imagem Brand Finance. Na pesquisa, o nome Bradesco vale US$ 7,698 bilhões e figura no 12º lugar, superior ao de casas bancárias centenárias como Crédit Suisse (US$ 7,688 bilhões), Barclays (US$ 7,583 bilhões) e Deutsche Bank (US$ 6,703 bilhões). A marca Itaú - ainda sem o Unibanco - é avaliada em US$ 5,593 bilhões, acima de Morgan Stanley (US$ 4,775) e Sumitomo (US$ 3,428 bilhões).




quarta-feira, fevereiro 04, 2009

CARMELA PEREIRA

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS JOÃO UMBERTO NASSIF Jornalista e Radialista joaonassif@gmail.com Sábado, 31 de janeiro de 2009
A Tribuna Piracicabanahttp://www.tribunatp.com.br/Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:http://www.tribunatp.com.br/http://www.teleresponde.com.br/ Nos sites: www.teleresponde.com.br No Blog BLOG DO NASSIF (Letras Maiúsculas mesmo, no jargão jornalístico, caixa alta) http://blognassif.blogspot.com/
ENTREVISTADA : CARMELA PEREIRA

Carmela Pereira nasceu em Piracicaba no dia 28 de abril de 1936, filha de Berbelina Maria de Jesus e Aprígio Pereira, que tiveram doze filhos. Nascida no sítio Rio Acima, de propriedade dos seus avós, que ficava no bairro Monte Alegre. Seguindo pela estrada que vai até o Aeroporto de Piracicaba, as terras situadas em frente ao Centro de Tecnologia da Copersucar pertenciam aos seus avós. A avó tinha o mesmo nome da mãe, Berbelina Maria de Jesus e o avô era Bonifácio Jesuíno de Souza. Carmela é uma verdadeira usina de criatividade. De personalidade forte, tem a seu favor a disciplina adquirida ainda na infância e adolescência, com as religiosas do Lar Escola, situado á Rua Boa Morte. Ali ela recebeu uma visão de cultura que sempre norteou sua vida. Desenvolveu seu talento para artes plásticas e literatura. Hoje é uma escritora de sucesso, embora muitos em Piracicaba desconheçam o fato. Algumas de suas obras publicadas: S.O.S. Lambari, 500 Anos De Brasil -305 Anos Sem Zumbi Dos Palmares, A Galinha Carijó, Era Uma Vez, Estrada Sem Fim, Manual da Empregada Doméstica, Felipe, A Gata Malhada, Um Rapaz Chamado Aprígio, O Natal Hoje, O Menino Riacho Itapeva, Nossa Senhora Dos Prazeres, O Manual da Bruxinha Boa ( Coletânea de 8 volumes), Abecedário do Irado Que Joga No Lixo, O Folclore de Piracicaba, Conflito Entre Astros, Engenho Central, Prefeitura, Casa Do Povoador, Evidencias Em Ponto Cruz. Como artista plástica ela revela uma autenticidade preocupada com as coisas de Piracicaba. Carmela encarna a genialidade latente da população. Acometida de uma deficiência visual decorrente da pressão ocular (glaucoma), Carmela como uma guerreira que sempre foi, prossegue em sua luta, realizando primorosos trabalhos de artesanato, pintura e literatura. Sua figura física tem um ar soberano, que pode ter origem nos seus antepassados trazidos á força da África. Carmela Pereira é uma pessoa carismática.
A senhora morou no sítio onde nasceu até que idade?
Quando eu tinha sete anos de idade meu pai faleceu. Houve uma grande confusão com relação á nossa propriedade. Meu pai contava que havia perdido parte das terras em um jogo de carteado denominado 21. Segundo a sua narrativa antes de falecer, a aposta era referente a apenas uma parte da propriedade. Acabamos perdendo tudo.
Como a menina Carmela foi parar no asilo para menores?
Meu pai faleceu, minha mãe contraiu tuberculose e teve que ser tratada em Campinas, sendo que logo que ela voltou para Piracicaba acabou falecendo. O Comendador Morganti foi quem providenciou para que eu na época com sete anos de idade e minha irmã Margarida, com dois anos e pouco, fosse para o Lar Escola Coração de Maria Nossa Mãe, localizado á Rua Boa Morte 1955. Na época chamava-se Asilo de Órfãs Coração de Maria Nossa Mãe. Hoje qualquer criança tem acesso aos veículos de comunicação, nós na época não tínhamos essa facilidade de recebermos informações.
Como era o seu dia vivendo como interna no Lar Escola?
Acordava ás cinco e meia da manhã. Na época existiam 102 meninas internas. Havia um dormitório para as meninas na minha faixa etária, outro para os bebes, e um terceiro onde ficavam as meninas já adolescentes. Mãe Nhana (Mamãe Ana), abria a cortina da clausurinha dela que era composta por uma cama, um criado mudo e uma cadeira. Ficava dentro do grande dormitório. Ela saia já paramentada com seu hábito de freira. Batia por três vezes as palmas da mão. Levantávamos, escovávamos os dentes, arrumávamos a nossa cama, não podia deixar uma rusga na cama. Em seguida íamos á capela, assistíamos á missa, rezávamos até as sete horas da manhã. As missas eram celebradas por Frei Evaristo, Frei Anselmo. Em seguida íamos para o refeitório, onde comíamos um pão, sem nenhum recheio, e uma xícara de café com leite. As freiras davam o que podiam oferecer. Depois íamos para o lazer. Só que lazer não significava ir brincar e sim trabalhar. Umas varriam, outras limpavam os banheiros, separavam roupas. Descascar batatas. Molhar plantas, lavarmos as meias. Isso tudo até as dês e meia da manhã. Nessa hora, uma irmã batia as palmas da mão, como sinal para voltarmos ao refeitório. Comíamos arroz, feijão, polenta. Quando havia mistura (acompanhamento do prato principal), era uma verdurinha, chuchu. Nós sentíamo-nos felizes. Voltamos para o trabalho. Umas iam para a sala de costura, outras para a sala de bordados. Bordávamos muito enxoval de noivas. Ás quatro horas da tarde descíamos, comíamos metade de um pão, sem nada dentro. Depois que comíamos, brincávamos um pouco. Tinha a hora de brincar. Quando encerrava o tempo de brincadeiras, lavávamos os pés, íamos jantar. Normalmente o jantar era constituído de uma sopa, de feijão, de macarrão, de fubá, era sopa do que tinha. Voltávamos á capela onde rezávamos o terço. Rezávamos tudo o que tínhamos direito! Depois íamos dormir.
Aos domingos havia algum tipo de refeição diferente?
Ás vezes havia carne moída com pão. Comíamos retalhos de hóstia. As hóstias eram fabricadas pelas irmãs. (N.J. Este jornalista, como coroinha da Igreja Sagrado Coração de Jesus, por muitas vezes foi buscar hóstias no Lar Escola, era comum a irmã oferecer retalhos de hóstia, que tem um sabor agradável).
Quantas irmãs havia no Lar Escola na época?
Eram doze irmãs: Clara, Luiza, Joana, Escolástica, Maria Bernadete, Madre Gertrudes, Maria da Glória, Mamãe Cecília, Raimunda, as mais temidas, eram as Irmã Maria Ermelinda e Irmã Sofia.
Da Madre Cecília do Coração de Maria, a Mamãe Cecília, o que a senhora pode dizer?
Eu prestei um depoimento para o Vaticano sobre a Mamãe Cecília. Pelas suas realizações espirituais e materiais, a Congregação Irmãs Franciscanas do Coração de Maria em 1992, deu início ao processo de sua canonização. Todas as crianças que conviveram com ela foram procuradas para depor sobre a convivência com Mamãe Cecília no Asilo. Eu disse em meu depoimento, que lá foi o meu lar. Eu não tinha um outro local para ficar. Lembro-me claramente que logo que cheguei ao Asilo eu não conhecia absolutamente nada a respeito das regras de disciplina estabelecidas no local. Eu morava em sítio, na roça. Quando eu entrei no Asilo parecia que tinha uma melancia na goela (garganta). Deram-me uma saia azul marinho. Essa saia tinha um buraquinho. Eu enfiei o dedo naquele buraquinho, que já estava esgarçado. A Irmã Sofia viu e me falou que eu estava rasgando a saia. Eu disse-lhe que a saia já estava assim. Ela então me disse que pelo fato de eu ter enfiado o dedo o buraco ficou maior. Eu disse então que tinha sido um gesto sem a intenção de aumentar o defeito da saia. Ela pediu-me que a acompanhasse. Fomos até a lavanderia, ela deu-me uma agulha, e ordenou que eu costurasse o buraco. Costurei do jeito que eu sabia. Ela disse-me então que não estava bom, mas dava para passar. Disse-me ainda, que eu tinha que fazer o curso de corte e costura. Recebi também 12 bolachas na mão. De palmatória. Até hoje sou alérgica a batida. Fiquei triste. Fiquei sem vontade de comer. Mamãe Cecília mandou me chamar. Ela já era idosa, estava sentada com um cobertor sobre as pernas. Perguntou por que eu não comia. Eu contei-lhe sobre o fato acontecido. Ela disse-me, que sentasse no seu colo. Sentei-me. Então ela quis ver as minhas mãos. Mostrei. Ela perguntou-me porque a Irmã Sofia havia batido em minhas mãos. Eu contei a historia do buraquinho que já existia quando vesti a saia. Ela então argumentou que a causa da repreensão tinha sido o fato de eu aumentar o furo da saia. Eu disse para Madre Cecília: “-Ela (Irmã Sofia) bateu em mim porque ela não é a minha mãe. Minha mãe jamais faria isso”. Mamãe Cecília respondeu: “-Mas eu estou aqui”. Foi um momento muito especial. Esse meu depoimento está no Vaticano.
Como era o uniforme utilizado pelas internas do Asilo?
Nos dias comuns, usávamos as roupas que ganhávamos, o “se me dão”. Não tinha cor á escolher. Era marrom, preto, branco, o que tivesse usávamos. Mas nós tínhamos também quatro “pareio” de uniforme. Tinha um que era xadrez vermelho. Era um vestido com manga comprida. Tinha azul. Outro a saia era azul e a blusa era branca. O de gala era de fustão branco. Meu primeiro serviço foi o de engomadeira do uniforme de gala. O sapato era o correinha. Um sapato preto com uma tirinha. Parecia sapato de boneca. As meias eram brancas e o sapato preto. Nos dias em que não era de gala, o sapato era marrom. Sempre com meias.
O Asilo foi importante na sua vocação cultural?
Tudo que eu sei eu aprendi lá. Era regra o ensino ser ministrado até o quarto ano. A Irmã Maria da Glória, de forma muito discreta dava aulas particulares para mim: geometria, história natural, ela tentou ensinar francês para mim. Aprendi muito com essa grande irmã.
A senhora permaneceu no Asilo até que idade?
Até quase quinze anos de idade. Eu tinha então que dar espaço para outras crianças. Senti que deveria enfrentar um desafio: ter que encarar a vida de frente, praticamente sozinha. Uma das minhas irmãs me levou para São Paulo, fui de trem pela Companhia Paulista. Fiquei abismada por São Paulo. Trabalhei na tecelagem Manufatura de Tecidos Santa Helena. Voltei a ser interna em um colégio para menores em São Paulo, quando faltavam uns seis meses para completar 18 anos, vim para Piracicaba. Trabalhei na casa de Dona Gessy Nogueira Leitão. Eu dormia no emprego. Eu disse á Dona Gessy que ia bordar o enxoval da sua filha Amelinha. Quando completei dezoito anos de idade fui embora para São Paulo. Tinha uma irmã que trabalhava na Rua Frei Caneca, dormi lá. De lá fui para Santos, onde permaneci por quatro anos trabalhando como ajudante de cozinha do extinto Hotel Amapá. Bem no centro de Santos.
O que a senhora achou do mar?
Eu tinha 18 anos de idade. Levantava as cinco horas da manhã, pegava o bonde 32, ia até a praia, tomava um banho de mar voltava correndo, fazia almoço e lavava cem lençóis por dia. Ali permaneci até a idade de 22 anos. Folgava aos domingos das quatro da tarde até as seis horas. Eram duas horas de folga por semana.
Voltei para São Paulo. Passei a trabalhar no Hospital Santa Cruz. Foi quando conheci meu marido. Eu freqüentava o programa do apresentador Manoel da Nóbrega, pai do Carlos Alberto de Nóbrega. Ele tinha o programa “Balança Mas Não Cai”. Ficava na Rua Barão de Itapetininga. Lá comecei a namorar meu marido. Ele era pedreiro. Comprei um lote de terra em Santo Amaro, paguei em dez anos. Fiz uma casa de pau a pique. Tomava o ônibus Santo Amaro a Parque Primavera. A partir daí passei a trabalhar nas melhores casas. Trabalhei na casa do Dr. Ermírio de Moraes, Rodrigues Alves, para os donos do Leite Mococa. Eu era cozinheira dos funcionários que trabalhavam na sua casa. Eram 30 empregados. Ele era muito discreto, mas sempre educado. Cumprimentava a todos de forma amistosa. Uma ocasião eu cozinhei milho verde. Não era para fazer. Um dos seus filhos pediu para que eu cozinhasse milho para ele. Eu disse-lhe que não podia atender um pedido sem ordem da sua mãe. Ele insistiu tanto, que acabei fazendo. O menino devorou a espiga de milho cozido. Dr. Antonio passou e viu. Foi quando perdi meu emprego. Ele disse que as ordens dele eram para serem obedecidas. Meus filhos não podem comer nada fora de hora. Voltei para casa. Trabalhei na casa de Dona Maria Helena Rodrigues Alves, neta do presidente Rodrigues Aves. Na Rua Barão de Itapetininga em São Paulo havia uma agencia chamada Agencia Carusi de Serviços Domésticos. Trabalhei 22 anos através dessa agencia como faxineira profissional. Eu fazia uma faxina de dar gosto. Cheguei a ficar no 22º andar de um prédio, limpando vidro pelo lado de fora. Trabalhei seis anos para os Talans, cinco anos para a família de um químico da empresa Alfa Laval.
Como surgiu a escritora Carmela Pereira?
Eu sempre escrevi. Desde criança. Assim como a pintora também. Eu procurei me especializar em nosso folclore. O primeiro livro editado foi “A Gata Malhada”, voltado para o público infantil. Assim como a “Galinha Carijó”. O “Conflito Entre Os Astros” é um dos livros que eu gosto muito. O “Manual Da Empregada Doméstica” sozinha eu consegui vender 350 exemplares.

domingo, fevereiro 01, 2009

Tinoco continua na estrada com 88 anos de idade

Tinoco continua na estrada com 88 anos de idade.

Mesmo com a ausência de seu companheiro, que faleceu em 1994, Tinoco, da dupla Tonico e Tinoco está completando 74 anos de carreira. Em parceria com seu irmão, Tinoco (José Perez), aos 88 anos de idade, já compôs 1,2 mil músicas e gravou 1,5 mil canções em 220 discos produzidos ao longo da carreira da dupla e em sua carreira solo.A trajetória de sucesso começou quando os dois irmãos ainda eram crianças. Eles conheceram o violeiro Virgílio de Sousa e, junto com ele, a primeira viola que era feita de cravelha de pau. "Afinar esse instrumento era muito difícil, as tarraxas não seguravam as cordas, durante as músicas as notas começavam a ficar diferentes", conta o violeiro Tinoco.O gosto pela música está no sangue da família Perez, a primeira música que os dois cantaram foi Tristeza do jeca, em 1925. Já em 1935, quando os músicos tinham 18 e 15 anos, respectivamente, aconteceu a primeira apresentação profissional em Aparecidinha, interior de São Paulo.A partir daí, a carreira da dupla deslanchou, vieram sucessos como Coração do Brasil, interpretada com Chitãozinho e Chororó e Moreninha linda, a mais conhecida canção de viola da dupla.Aos 88 anos de idade, Tinoco afirma que seu fôlego nos palcos continua melhor do que nunca. "Continuo trabalhando como se estivesse no meu primeiro ano de carreira. Encaro todos os desafios que qualquer artista tem pela frente, inclusive, o de manter a carreira no sucesso após tanto tempo. Comparo o artista como um soldado, se bobiar vai para o chão", avalia o violeiro.Quando perguntado sobre a influência da dupla em várias gerações de brasileiros, Tinoco tem a resposta na hora. "O público hoje tem um amor ainda maior que antigamente. Muitos jovens frequentam meus shows por influência dos pais. Isso para mim é muito gratificante, minhas energias se renovam ao ver a quantidade de pessoas novas cantando Moreninha linda junto comigo durante o show. É um grande amor que sinto pelo meu público", diz o músico. "Deus colocou Tonico e Tinoco para alegrar as pessoas, fico muito emocionado quando paro e para pensar que já fiz isso por 74 anos. Parece que minha carreira começou ontem", diz o músico.





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