Se alguém ainda duvida da importância de conhecermos o passado para construirmos o nosso futuro, então que revogue todos os conhecimentos acumulados pela humanidade até a presente data. J.U.Nassif

sábado, abril 28, 2012

ARNALDO SORRENTINO

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
Sábado 28 de abril de 2012
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/
http://www.teleresponde.com.br/
                                                                                                    Foto by JUNASSIF

ENTREVISTADO: ARNALDO SORRENTINO
Arnaldo Sorrentino nasceu a 20 de março de 1940 no bairro do Tucuruvi em São Paulo. Seu pai Antonio Sorrentino foi inspetor na empresa General Motors do Brasil. Sua mãe Matilde Sarao Sorrentino por determinação médica deveria sair de São Paulo e ir á uma localidade com um clima mais saudável. A cidade escolhida por seus pais foi Águas de São Pedro. Isso foi no tempo em que funcionava o cassino no Grande Hotel em Águas de São Pedro, seu pai foi trabalhar como chefe geral das oficinas do Grande Hotel, onde residia com a família. Nessa época Arnaldo tinha cinco anos de vida. Infelizmente seus pais não se acostumaram em Águas de São Pedro, mudaram para Piracicaba. Aqui, seu pai montou uma pequena oficina e passou a trabalhar com motor de partida e gerador de automóvel. O curso primário Arnaldo estudou no Grupo Moraes Barros, o ginásio ele estudou no Colégio Dom Bosco. Interrompeu seus estudos para trabalhar e ajudar no sustento da família, no início fazia serviços gerais, o popular “bico”. Em 1958 foi admitido na empresa Mausa Metalúrgica e Assessórios Para Usinas Ltda. Onde permaneceu até 1969. Começou como apontador e ao sair da empresa era Chefe Geral dos Almoxarifados. A Mausa funcionava na Rua Santa Cruz, paralela a linha do trem da Sorocabana. Nessa época ele morava com seus pais na Rua Treze de Maio, depois mudaram para uma casa localizada na Rua Gomes Carneiro, próxima à Santa Casa de Misericórdia. Com seu ordenado Arnaldo mantinha a família composta pelos pais já com a saúde precária e sua irmã Josefina que cuidava de ambos. Outros três irmãos faleceram muito pequenos. Mais tarde sua irmã Josefina passou também a trabalhar em outro emprego. Em 1965 Arnaldo formou-se como Contador pela famosa Escola do Zanin. Seu sonho era fazer advocacia, só havia faculdade no período diurno. Em 1966 preparou-se de forma autodidata para prestar o vestibular. Prestou na PUC de Campinas. Fez carreira como educador, foi diretor titular da Escola Técnica Estadual Coronel Fernando Febeliano da Costa, foi Delegado Regional de Ensino. Casado com Irani Maria Hellmeister Sorrentino é pai de dois filhos Leonardo Hellmeister Sorrentino e Arnaldo Hellmeister Sorrentino.

O senhor foi estudar direito em que faculdade?

Um amigo, representante da Shell disse-me que iria abrir um curso de direito em Espírito Santo do Pinhal, montado por professores da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP), também conhecida como Faculdade de Direito do Largo de São Francisco comandados pelo então ministro Gama e Silva. Prestei o vestibular lá, o curso era noturno.

As aulas eram todas as noites da semana?

Devo muito a uma amigo chamado Laurindo Pontim. Ele era chefe da fiscalização estadual em Limeira. Ele fez a seguinte oferta: “Arnaldo, você dorme na minha garagem.” Eu trabalhava na MAUSA, as 17hs pegava o ônibus até Limeira aonde chegava as 18h, o Seu Laurindo estava esperando com o carro. Iamos á faculdade onde estudávamos até as 23hs. Voltava para Limeira onde chegávamos por volta das 24hs. Tomava um lanche e ia dormir na garagem da casa do Seu Laurindo. No dia seguinte cedinho levantava, pegava o ônibus na esquina, vinha pra trabalhar em Piracicaba. Fiz isso por três anos. No quarto ano de faculdade juntamente com um grupo de amigos me transferi para a faculdade de direito em São João da Boa Vista, nessa época cada um de nós tinha seu carro próprio, passamos a revezar para realizar essa viagem. De Piracicaba a São João da Boa Vista a distância era de 152 quilômetros. Para Espírito Santo do Pinhal era quase a mesma distância.

O senhor praticamente nem via sua família?

Quase nem via. Em 1971 me formei. Comecei a advogar em 1972. Concomitantemente com a profissão de advogado comecei a lecionar, era necessário ter o diploma como professor de português eu fui fazer Filosofia, Ciências e Letras, estudei latim, francês, e português. Estudei na faculdade em Machado, Minas Gerais. Em 1968, enquanto estava fazendo o curso de direito fui convidado a dar aula de português na Escola de Comércio Cristóvão Colombo, mais conhecida como Escola do Zanin. O diretor na época era Acácio de Oliveira Filho. Em 1972 comecei a lecionar no ensino do Estado. Comecei a dar aula de francês no Grupo Alfredo Cardoso e dava aula de português no Colégio Técnico Agrícola de Rio das Pedras. Prestei concurso, fiquei professor titular de português, meu primeiro local de trabalho já como titular foi em Paraisolândia, próximo á Charqueada. De manhã dava aula lá e noite no Colegio Estadual e Escola Normal Monsenhor Jeronimo Gallo.

O senhor sempre foi muito dinamico.

Sempre dei aula no Estado e sempre advoguei. Dava 40 horas de aula por semana, de manhã e a noite, a tarde advogava. Em 1980 passei a ser advogado da Guarda Municipal de Piracicaba, função que exerci por 10 anos. Nesse mesmo período comecei a lecionar na Faculdade de Ciencias Contábeis de Rio Claro onde fui titular em Organização e Contabilidade Agrícola, Direito Agrário, em Organização e Contabilidade de Seguro e Direito de Seguro. Por 10 anos lecionei nessa faculdade. Depois passou a se denominar Centro Universitário Claretiano. Dei aula nas duas instituições, como titular.

Em que áreas do direito o senhor atuou?

Na área criminal, no tribunal do juri, cívil, família.

Como surgiu a vocação do senhor para trabalhar na área criminal?

Como eu dava aula de português adquiri uma facilidade em me expressar oralmente, ser bom orador é importantíssimo, quando lecionei português sempre fiz com que meus alunos conseguissem capacitação na área de expressão oral. Eu dava cinco aulas por semana: Uma de redação, três de gramática e uma de expressão oral.

Quando o senhor começou a fazer juri?

O meu primeiro juri foi em 1976, o Forum era na Rua do Rosário esquina com a Rua Prudente de Moraes. Foi um juri de um rapaz que atirou contra a esposa, bem em frente ao INSS. Em seguida ele tentou o suicidio. Nós o absolvemos. Sempre fiz juri com um grande amigo, Antonio Henrique Carvalho Cocenza. Quiem me convidou para fazer esse juri foi o juiz Urbano Ruiz, hoje desembargador. Convidei o Henrique, passamos a fazer juri juntos. Com seu jeito expontâneo e alegre Henrique Cocenza dizia” Somos considerados a dupla Pelé e Coutinho”. Fizemos grandes trabalhos. Dos trabalhos realizados, um foi o da mãe que se jogou no Rio Piracicaba com seus três filhos. O filho mais novo faleceu. Ela foi a juri. No primeiro absolvemos, o promotor apelou, fizemos o segundo juri e absolvemos novamente. Na época o advogado dativo não ganhava um centavo. Atualmente a justiça pública remunera o advogado dativo. ( O termo “dativo” é utilizado para designar defensor (advogado) nomeado pelo juiz para fazer a defesa de um réu em processo criminal ou de um requerido em processo civil, quando a pessoa não tem condições de contratar ou constituir um defensor).

Outro caso entre muitos, qual foi?

Eu dava aula em Rio Claro, o juiz titular de lá nos convidou para trabalhar no caso, na época o advogado dativo não era remunerado, trabalhava por amor a justiça. Ninguém queria fazer esse juri, era um cidadão já falecido, por onde ele passou ele matou muitas crianças, se não me engano foram suas vítimas 23 crianças. Em Rio Claro a polícia decobriu que foram 4 vítimas. Henrique e eu fizemos a defesa do criminoso, apresentamos a tese de que ele era inimputável por ser psicótico e totlmente incapaz. Na época até o Fantástico da Rede Globo nos entrevistou. Foi um trabalho de grande repercusão. Ele foi para o manicomio, onde faleceu depois. Esse cidadão tinha dupla personalidade, ele residia próximo a Marginal do Tietê em São Paulo, tinha família, filhos, era um pai exemplar. Mas quando ele saia se transformava.

O senhor tem algum livro escrito?

Ainda não. Fiz muitas crônicas, principalmente na Tribuna Piracicabana, devo ter feito mais de 200 crônicas. Sempre tive apoio da Tribuna, e sempre escrevi para a Tribuna.

Quantos juris o senhor já fez?

Perdi a conta. Até um certo tempo eu mantinha um controle, pegava os atestados. Com o passar do tempo deixei de lado o registro pessoal dos juris realizados. Acredito que devemos ter feito uns 200 juris nesses anos todos.

Como é o processo que antecede um julgamento?

Dentro da minha técnica de trabalho, ha casos em que acompanhamos desde o seu início, desde a polícia até a hora de fazer o juri. Há casos em somos nomeados para fazer o trabalho. Pega-se o bonde andando, lá no final as vezes. Costumo pegar o processo, xerografar o processo inteiro, faço uma análise completa do processo. Verifico tudo aquilo que possa favorecer ao indiciado, tudo que possa ser alegado em sua defesa. Apresentamos tantas teses quanto forem necessárias para absolve-lo. Desde que não sejam teses conflitantes, sejam teses compatíveis. Sempre lutando pela absolvição do indiciado, ao contrário da promotoria pública. O promotor público acusa, mas dependendo do caso ele pode pedir a absolvição. A defesa não pode pedir a condenação, sob hipotese nenhuma. Tem que defender o indiciado, senão o juiz pode determinar que ele está indefeso e ai anula o juri.

No Brasil há quem critique a ação dos advogados, que foram instruidos desde a faculdade, a realizarem uma autêntica disputa, as vezes até mesmo com envolvimento pessoal dos advogados das partes, ao invés de procurarem uma conciliação que seria mais eficaz aos seus clientes.

Nos paises desenvolvidos o que impera é a advocacia preventiva. Não se pratica nenhum ato sem que a pessoa esteja assistida por um advogado. No Brasil todo mundo acha que ja nasce sendo advogado, entende de tudo, quando acontece um problema o advogado irá ter que defendê-lo naquilo que ele praticou. No Brasil funciona exatamente a advocacia atuante. Quando o caso já está concretizado, há dificuldades de conciliação. Com os tribunais conciliatórios melhorou bastante. O próprio tribunal de justiça pede ao advogado que se pronuncie se há a possibilidade de conciliação ou não.

Em alguns casos, esses tribunais conciliatórios são realizados de forma a cumprir uma agenda ou alimentar alguma estatísca de forma distorcida, onde de fato não há nenhuma intenção de conciliação entre as partes?

Estamos caminhando ainda para isso, existe um propósito de que nós consigamos chegar em um ponto satisfatório.

De uma forma geral, o profissional de direito está amadurecendo?

Está sim. Hoje existe a especialização. Quando eu comecei a advogar o advogado era um clinico geral. Tinha que pegar a maquina de escrever e lá realizar seu trabalho. Hoje temos advogados previdenciários, trabalhistas, criminalistas. Cada um atua em sua respectiva área.

Piracicaba teve grandes nomes de advogados generalistas?

Teve Jacob Diehl Neto, Sinhô, Cruz, João Basílio, e tantos quantos outros, que deixamos de citar os nomes para não cometermos injustiça de esquecer o nome de alguém. Mas a advocacia mudou muito, meu filho Leonardo Hellmeister Sorrentino já advogado há 10 anos, atua na Baixada Santista, ele gosta de atuar na área de crime, mas na parte empresarial. O advogado jovem hoje pauta por uma determinada área.

O senhor atua junto a Câmara Municipal de Piracicaba?

Atuo como advogado do Presidente da Câmara Municipal, João Manoel dos Santos. Sou advogado da Câmara já há seis anos e meio.

O senhor é religioso?

Sou praticante da Igreja Messiânica, que considero como uma filosofia. Sou diretor da escola Centro Educacional Evangelho Vivo.
O senhor é presidente do Conselho Coordenador das Entidades Civis de Piracicaba?

Participo do Conselho há mais de 10 anos, eleito pelos meus pares sou Presidente do Conselho. O Conselho tem mandato de um ano, prorrogável por mais um ano, estou no período da prorrogação, meu mandato vai até dezembro de 2012. Meu vice-presidente é o economista Edie Brusantin, ex-professor da Unicamp, o meu primeiro tesoureiro é Gabriel de Oliveira Duarte, empresário. O meu segundo tesoureiro é o advogado Antonio Agostinho Caporali de Souza o meu primeiro secretário é José Chabregas, professor, o meu segundo secretário é Antonio Carlos Fernandes, ex-funcionário da Caterpillar. É um trabalho altruista. O Conselho existe desde 24 de abril de 1956, fundado por três piracicabanos: Dr. Fortunato Losso Neto, Dr. Felipe Westin Cabral de Vasconcelos, Dr. Alcides Di Paravicini Torres. São 56 anos sempre lutando pelos grandes empreendimentos de Piracicaba. Devo salientar que temos o companheirismo e a participação de tres grandes entidades de Piracicaba: ACIPI, nossas reuniões se realizam todas as segundas terças-feiras do mes nas depeneências da ACIPI, A Tribuna Piracicabana, através do nosso prezado Evaldo Vicente, sempre nos dando apoio, sempre trabalhando, e o Clube Coronel Barbosa que sempre cede suas instalações para eventos.

Atualmente quantas entidadades são representadas pelo Conselho?

Nesses anos todos, de acordo com o livro publicado narrando nossa trajetoria, tivemos a participação de mais de 200 entidades. Hoje participantes efetivas são em torno de 33 entidades.

O senhor acredita que falta divulgação da atuação do Conselho?

A Tribuna Piracicabana divulga muito nosso trabalho, o mesmo não ocorre com outros veículos de comunicação da nossa cidade.

Há uma certa alienação das entidades com relação ao Conselho?

A própria dinamica dos dias atuais sobrecarregam as atividades do individuo. O Conselho embora seja apolítico influencia nas decisões tomadas com relação a cidade. A Rodovia do Açucar, a Faculdade de Odontologia de Piracicaba, nasceram dentro do Conselho. A implantação dos primeiros 100 hidrantes na cidade. Normalmente formulamos uma proposta e vamos pedir a atuação nesse sentido por parte do poder público no ambito municipal, estadual e federal. O Conselho tem uma ação tramitando contra o Complexo Cantareira, no sentido de reverter esse quadro e melhorar as condições para Piracicaba. O Conselho está participando desse complexo que torna o Rio Piracicaba navegavel com o porto em Artemis. Por lei municipal o Conselho faz parte de todos os conselhos da cidade.

Existe instituições sememelhantes ao Conselho Coordenador das Entidades Civis de Piracicaba em outras localidades?

Eu desconheço alguma outra cidade que tenha um Conselho Coordenador das Entidades Civis.


                                        ENTENDA COMO FUNCIONA O JURI
                                        (CASO NARDONI)


JURADO É DISPENSADO POR ESTAR DE BERMUDA NO FORUM.












sábado, abril 21, 2012

Sérgio (Tapióca) de Jesus

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS

JOÃO UMBERTO NASSIF

Jornalista e Radialista

joaonassif@gmail.com

Sábado 21 de abril de 2012

Entrevista: Publicada aos sábados na Tribuna Piracicabana

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                                           Sérgio (Tapióca) de Jesus         Foto by JUNassif

 

ENTREVISTADO: SÉRGIO DE JESUS (TAPIOCA)

Piracicaba tem seu nome associado ao Rio Piracicaba, ao XV de Novembro, a ESALQ, ao Lar dos Velhinhos. No entanto uma febre espalhou por muitas cidades, inclusive em São Paulo, veículos equipados com alto-falantes de onde podia ouvir-se: “Pamonhas, pamonhas, pamonhas! Pamonhas fresquinhas, o puro creme do milho, pamonhas de Piracicaba!”. Com isso associou o nome da cidade com a pamonha. Um grupo de irmãos veio da Bahia e passou a produzir e vender tapioca, em pouco tempo agregaram bandas tocando músicas típicas transformando uma praça em um autêntico show a céu aberto. Realizada anualmente a Festa da Tapioca já está em seu quarto ano, além dos nordestinos e nortistas que compõe elevado percentual da população, o piracicabano de famílias tradicionais passou a conhecer e consumir a tapioca, incrementada no cardápio de muitas lanchonetes. Sérgio Tapioca, ou simplesmente Tapioca, é um desses irmãos, ele identificou-se tanto com a festa que incorporou o nome do alimento ao seu nome. A Quarta Festa da Tapioca será realizada nos dias 4, 5e 6 de maio próximo. Segundo Tapioca a estrutura preparada é para receber nesses dias 15. 000 pessoas.

Nascido a 9 de setembro de 1979, Sérgio de Jesus é cormariense, gentílico dos que nascem em Coração de Maria, interior da Bahia. Filho de Elizeu de Jesus e Carmelita Pinheiro de Souza. Aos 16 anos foi para Salvador, junto com alguns de seus irmãos onde trabalhou nos Laticinios Candibom, fabricando queijos, requeijão, em seguida foi para Camaçari onde trabalhou por mais dois anos. Em 1999 veio para Piracicaba onde seus irmãos já se encontravam. Por sete anos foi funcionário da Caterpillar, atualmente tem sua empresa que presta serviços de eletricidade e pintura.

Como surgiu a Festa da Tapioca?

Meus irmãos e eu em um sábado a noite fizemos uma tapioca em uma chapa, meu irmão tem um trailer nessa praça.

Como é feita a tapioca?

A massa é feita com a mandioca descascada e ralada, a mandioca pode estar enxuta ou molhada, em uma época da lua ela irá estar molhada, ela não vai dar a liga necessária. Após ralar a mandioca essa massa é lavada, dali sai o amido e a àgua, após 10 a 12 horas pelo processo de decantação o amido ficará no fundo do recepiente e a àgua que fica na parte superior será jogada fora. O amido é colocado para secar ao sol, após ficar granulado ele será peneirado e será adicionado o sal. Mesmo a tapioca doce passa por esse processo. A essa farinha muito fina de amido adiciona-se água, sal ou açucar, tem-se a massa que é colocada em uma fina camada em uma “trempe” como denominamos na Bahia a frigideira ou caçarola, ou se vai ser feita no forno. A semelhança de quem vai fazer uma panqueca, colocamos o recheio sobre metade da superfície, a outra metade será dobrada sobre a mesma. O recheio pode ser os mais diversos possíveis, atualmente temos mais de 150 tipos de rechios na Festa da Tapioca.

Quais são os recheios mais procurados?

Chocolate com morango, frango com catupiry e a de carne seca são as três mais procuradas. Na festa além de tapioca tem outros pratos como acarajé, milho cozido, panqueca, cuzcuz. Neste ano teremos 5 barracas com tapioca, cada uma com 5 a 6 chapas para poder atender o volume de pessoas.

A que horas será realizada a Festa da Tapioca?

A abertura será ás 18 horas do dia 4 de maio com a apresentação do Laércio do Acordeom com o forró Pé De Serra, tipo universitário. A Prefeitura Municipal dá apoio ao evento, envia o palco, a aparelhagem de som, tenda, energia elétrica. Nesse dia a festa vai até a meia noite. Nos dias de festas, todas as noites nós fazemos sorteios de cestas de café da manhã, a Cristina Ballistiero nos dá um grande apoio. A data de realização da festa é bem proxima ao Dia das Mães, por isso o meu foco são as cestas de café da manhã. No sábado a festa começa as 14h e vai até as 2h da manhã de domingo, com a apresentação inclusive de roda de samba. No domingo começa as 10h30 e vai até as 22h. Ao todo são 30h de festa. É um evento muito voltado para as famílias.
 estacionamento de veículos é fácil?
O estacionamento é pago, o valor é repassado para uma empresa que cuida da segurança. Se a pessoa for de moto estaremos oferecendo um local para que deixe o seu capacete e circule mais a vontade. Teremos três locais de entrada para o evento, e em cada uma delas será instalado esse recinto para guardar os capacetes. A Praça do Rezendão tem como referência a Rua Terenzio Galesi, no Bairro Algodoal. Para as crianças oferecemos os brinquedos como pula-pula, tobogã e outros.
As pessoas ali reunidas dançam?

Dançam, uns embaixo das tendas outros em plena praça.

A Festa da Tapioca é freqüentada só por pessoas residentes de Piracicaba?

Recebemos pessoas de cidades vizinhas.

Você esperava que essa festa tomasse as dimensões que ocupa hoje?

Nem imaginava que ela chegasse ao tamanho atual. Recebemos grande apoio da mídia desde a primeira festa que realizamos.

O azeite de dendê é utilizado como?

Principalmente na fritura do acarajé. O azeite é feito a partir da retirada do coquinho do cacho já maduro. Cozinha-se em uma panela esse coquinho, é batido em um pilão para que ele se quebre e solte seu óleo que depois será coado.

É um óleo muito forte, quem não está acostumado pode sofrer alguma conseqüência?

Depende da quantidade que a pessoa comer, se não estiver acostumado a culinária do nordeste, ela poderá sofrer inconveniências digestivas. O acarajé por si só é uma alimentação muito forte, o ideal é que a noite a pessoa coma no máximo 2 acarajés, durante o dia ela pode comer mais, isso pelo fato de ser uma comida pesada.

Você quando pode visita sua terra natal?

Já voltei diversas vezes. Meu pai tem outro sítio em Irará onde cria umas quarenta cabeças de gado.

Qual é a sua religião?

Eu sou católico, a Festa da Mandioca não tem envolvimento com nenhuma religião. É um evento para todos.

Você passa a imagem de uma pessoa muito segura. Em sua opinião isso é fruto da educação recebida em casa?

O meu pai dizia: “Vai para a escola, quando voltar vai ter isso para fazer”. Terminada a tarefa ele dava outra nova. Ele não deixava nós ficarmos sem fazer nada, aos domingos ele mesmo cortava o nosso cabelo, meu e de mais 9 irmãos. Se tivesse um jogo de futebol, íamos, quando acabava tínhamos que voltar logo para casa. Meu pai sempre foi disciplinado e impunha isso para nós também.

Você tem filhos?

Tenho uma filha, ela mora em Camaçari, chama-se Tainá, sempre tive o projeto de trazê-la para Piracicaba.

Atualmente você cuida só da Festa da Tapioca, além de trabalhar na sua empresa?

Surgiram novas propostas para trabalhar em eventos, além de participar do Centro de Tradições Nordestinas.

Você é muito festeiro, isso é uma característica do baiano?

Eu gosto muito de festas, principalmente a parte dos bastidores. É uma grande emoção sentir que aquele povão todo reunido é fruto do meu trabalho de coordenação de outros colaboradores. Ninguém faz nada sem me perguntar. Desde a quarta feira já me envolvo com a Semutran para o bloqueio de ruas, montagem do portal da festa, várias autoridades municipais já se fizeram presentes na Festa da Tapioca. È o jeito baiano de ser, o espírito festeiro.

Porque o baiano é um povo tão alegre?

Acho que é o clima do lugar, lá na segunda feira já tem a Lavagem do Pelourinho, na terça feira a Lavagem do Bonfim, são dias de festas, tradição já da cidade de Salvador. Já pulei carnaval em Salvador, são 48h de festa continua, só ia para casa para tomar banho, comer e voltar para o carnaval.

Você é uma pessoa estressada?

Normalmente não sou, mas no fim acabo sendo, o tamanho de um evento como esse, muita gente “buzinando” na sua orelha. Já peguei o jeito paulista de ser, de vez em quando me pego falando sozinho. Tenho dois celulares mais o Nextel. No cotidiano a minha imagem em Piracicaba só é vinculada a Bahia pelo sotaque. Quando vou a minha terra natal para visitar a minha família o pessoal me diz: “- Chegou o paulista!”. A primeira Festa da Tapioca, para que fizesse acontecer e permanecesse eu sofri muito. Fiquei várias noites sem dormir.

Na verdade você agita tanto a organização interna como externa da festa?

Tenho muita motivação para orientar os procedimentos, desde um alvará na prefeitura, como as condições de cada detalhe de organização. Dia 25 próximo será realizada uma entrevista coletiva para a imprensa, inclusive com a participação do pessoal da EPTV, filiada a Rede Globo. O Silvestre da Secretaria de Turismo está apoiando muito o nosso evento. Teremos 14 bandas de musica se apresentando.

Você tem conhecimento de outra cidade que faça a Festa da Tapioca?

A cidade de Indaiatuba realizava uma festa tendo a tapioca como atração principal, mas pelo que sei não realiza mais. Acho que Piracicaba é a única cidade com evento dessa natureza.

Você ganhou um apelido?

Agora é Tapioca! O pessoal me chama de Sérgio Tapioca. Atualmente temos estabelecimentos comerciais que vende muita massa para tapioca, essa identificação da cidade com o alimento é em decorrência dessa festa. Onde você passa hoje tem tapioca. Quando iniciou a realização dessa festa até então nem se falava dessa comida. Eu me realizo com a organização e apresentação dessa festa.

Em sua opinião essa festa mudou os hábitos alimentares de uma cidade?

Mudou sim. Em muitos lugares por onde passo eu vejo anunciado: “Temos tapioca”, isso não existia. O “Bem Bahia”, “O Paraíso da Tapioca”, além do meu irmão Bonifácio que faz na Praça Rezendão são locais onde o consumo da tapioca é muito expressivo.

Quantos irmãos da sua família moram em Piracicaba?

São os seguintes: Veríssimo, Leonardo, Cosme, Bonifácio, Gregório e eu. Acabamos todos envolvidos nessa Festa da Tapioca, no dia a dia eles tem outras atividades, apóiam na hora da festa.

Você tem alguma aspiração política?

Não tenho envolvimento direto com política, às vezes apóio alguém ou alguma solicitação. Mas não tenho pretensão política.

Você tem algum retorno financeiro com a festa?

No ano passado tomei quase três mil de prejuízo com a festa, fiz um contrato com uma empresa de segurança, ela não cumpriu, tive que contratar outra empresa, com urgência. Ela não me dá lucro, é mais para manter a tradição nordestina. Tenho que trabalhar muito para a festa não dar prejuízo. O pessoal diz: “Negão tá com a Kombi nova porque está ganhando dinheiro com a Festa da Tapioca”. Tenho uma Kombi 2008, só que financiada. A tapioca não dá esse dinheiro que o pessoal imagina. Tenho projetos para fazer da tapioca minha atividade principal.

Você acredita que esteja ajudando a trazer um habito alimentar e cultural do nordeste para Piracicaba?

Acredito que sim, o Minas Fest Piracicaba, evento realizado pelos mineiros que residem em Piracicaba, neste ano terá um local oferecendo tapioca. Eles passaram a gostar do alimento que muitos experimentaram em Piracicaba.

Você acredita que um dia ouvirá alguém anunciando pelas ruas “Tapioca, tapioca, tapioca de Piracicaba”?

Acredito sim, que vamos chegar lá. Nem na Bahia tem tanto falatório da tapioca. Lá é conhecida como beijú. Temos até um link na internet para quem está fora da cidade poder acompanhar a festa. Sou muito grato ao Prefeito Barjas Negri e a Prefeitura Municipal que sempre deu uma força para que o evento se realizasse, ao Sedema, a Setur, Secretaria de Obras, Semutran, Policia Militar, Guarda Municipal, Polícia Civil. Sem todos esses apoios essa festa não alcançaria a dimensão atual.












sexta-feira, abril 13, 2012

PAULO EDUARDO TEMPLE DELGADO

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
Sábado 14 de abril de 2012
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/
http://www.teleresponde.com.br/

ENTREVISTADO: PAULO EDUARDO TEMPLE DELGADO

Sua mãe pensou em da-lhe o nome de Paul Simon Temple, mas ficou sendo Paulo Eduardo Temple Delgado. Bisneto de ingleses, nascido a primeiro de setembro de 1959, em Rio Claro, o comunicador Paulo Eduardo é filho de Dayse Mary Temple Delgado, bibliotecária e do militar Waldir Oliveira Delgado. Desde garoto Paulo queria falar no rádio, ainda muito novo ia com seus coleguinhas ao campo de futebol, enquanto eles jogavam futebol, Paulo com uma latinha de extrato de tomate usada à semelhança de um microfone “transmitia” o jogo.
                                           Paulo Eduardo Temple Delgado     Foto by JUNassif
Quando de fato você passou a falar ao microfone?
Eu freqüentava a Igreja Presbiteriana, todos os domingos ela transmitia um programa de rádio. Eu pedia, insistia com o pastor para que me deixasse falar na rádio. Ele dizia que eu era muito novo para tal responsabilidade. De tanto insistir o Reverendo Neftali Vieira Júnior permitiu que eu dissesse: “Está no ar o programa da Igreja Presbiteriana”. Após uns 4 ou 5 domingos em que tive essa participação, achei que falava muito pouco ao microfone. Eu queria falar mais, procurei o diretor da Rádio Educação e Cultura de Rio Claro, pedindo para fazer um teste. A sua resposta foi: “-Você é um garoto!”. Naquela época qualquer menino na minha idade andava de calças curtas. Mesmo assim ele permitiu que eu fizesse o teste. Ele me contratou para começar no dia seguinte. Com 14 anos de idade comecei a trabalhar como locutor. A voz ainda era de adolescente, eu falava e algumas vezes eu desafinava. O meu programa tinha o nome de “Crepúsculo Musical”, ia ao ar às 18h, a partir daí nunca mais deixei de falar ao microfone. Nunca tive outra profissão ou atividade que não fosse ligada ao microfone. Exerci atividades paralelas, a televisão, lecionar no Curso de Rádio e Televisão. Se eu fosse seguir outra profissão talvez fosse ferroviário, o meu hobby é o ferreomodelismo. Além dos incontáveis passeios que faço de trem, muitos de Curitiba à Paranagua, sou sócio da Associação Brasileira de Preservação Ferrovária, a ABPF de Jaguariuna. Gosto muito de trem. Acho que uma das maiores falhas do governo foi terminar com as ferrovias. Vivi com intensidade essse momento quando a Companhia Paulista passou a ser a FEPASA no goveno Laudo Natel, ai passsou a ser o inicio da morte da ferrovia no Brasil e no Estado de São Paulo. A partir dai ocorreu o sucateamento das ferrovias, o tiro de misericórdia foi dado pelo governador Mário Covas quando mandou retirar toda a rede de locomotivas eletrificadas para serem substituidas por locomotivas movidas á diesel. Foi um movimento na contramão do que o resto do mundo estava realizando, eletrifificando ferrovias para diminuir a poluição.

Juscelino Kubitschek incentivou a industrialização, principalmente a indústria automomobilística.
Mesmo com a política federal de incentivar o automóvel, o Estado de São Paulo comportava o transporte ferroviário. Em um primeiro momento deixou de trafegar trens com carga viva, os boiadeiros ou gaiolas, trens transportando automóveis, os vagões cegonhas. O Transporte de carga sofreu um abalo com a atitude do governo federal, mas o transporte de passageiros não foi tão afetado.
Mas o transporte de passagiros sempre foi deficitário.

Mas é o que presta serviços. Lembro-me que em Rio Claro vivi nas proximidades da linha do trem, estudava no Ginásio Koelle entrava as sete horas da manhã, saia de casa quando o trem apitava, as 6h54 todos os dias desde o meu primeiro ano de grupo até a oitava série. Viajavamos bastante de trem, meu pai viajava de terno e chapéu. Se fossemos a um casamento em Jundiaí por exemplo, saiamos de Rio Claro vestidos para o casamento, o trem era uma coisa chique. Acabaou no sucateamento do trem. No Brasil não se dá o devido valor ao transporte ferroviário. As ferrovias foram tão bem feitas, que atualmente, mesmo após décadas de abandono ela continua prestando serviço, mesmo sem a devida manutenção.

Há interesses escusos para que ela continue assim?

Dá-se pouca importância aos interesses da Nação no aspecto de transportes ferroviários. O próprio carro elétrico é um exemplo. A fábrica Gurgel em 1977 criou o carro elétrico, e colocou em frente a Prefeitura, postes com tomadas de energia elétrica, estacionava-se o carro, ligava na tomada de energia o veículo ia carregando suas baterias. O condutor ia realizar seus afazeres. Doze automóveis foram colocados a disposição da Policia Militar, Santa Casa, Guarda Mirim, e outras entidades, para andarem com o carro. O carro elétrico poria ser uma solução para o Brasil e para o mundo. O Gurgel foi bombardeado de todas as formas, teve um final de vida terrível, desmoralizado, quando na verdade ele tinha a solução. Não interessava a ninguém. O carro elétrico só não está rodando nas ruas porque não interessa aos controladores do petroleo, nem aos donos dos canaviaiais.

Qual era o prefixo da rádio em Rio Claro?

ZYK 580 Rádio Educação de Rio Claro, Seu Novo Amor, 1540 Khertz. Após algum tempo fui trabalhar também em Araras na Rádio Fraternidade, quando o FM ainda não era estéreo. Sou do tempo em FM era mono, era Hi-Fi. Existiam poucas emissoras em FM. Na região de Piracicaba nós só tínhamos a Rádio Andorinhas de Campinas, Libertas de Poços de Caldas. A Rádio Fraternidade pertencia ao Centro Espírita Fraternidade que tem o Hospital Sayão em Araras. A rádio ficava em um salão do centro espírita, num cantinho era o estúdio, era com uma cortina que se puxava. Quando ia começar uma sessão espírita, eu puxava a cortina, continuava operando com fone de ouvido. Quando acabava a sessão eu abria a cortina e aquele salão todo se tornava em estúdio. Eu estudava das 7h às 12h, ia a Araras, fazia o programa na Rádio Fraternidade, voltava a Rio Claro, fazia o Diário de Rio Claro e o Jornal da Cidade, onde fazia a editoria policial, nessa época eu tinha 16 anos.

Hoje, pelo ECA, Estatuto da Criança e do Adolescente você não poderia cobrir noticias policiais.

Hoje pelo ECA eu estaria cheirando cola na rua e fumando maconha. É uma vergonha, essa lei foi feita quando a nossa realidade era outra. Nós temos que rever isso. Para a época foi excelente.

Como se deu sua ida à São Paulo?

Em 1979, um domingo à noite, eu estava vendo algo raro na televisão, o futebol, e a TV Tupi era quem apresentava os vídeos tapes de sábado. O narrador era Walter Abrahão, o repórter era Ely Coimbra, o comentarista era o Geraldo Bretas. Um dos repórteres da TV Tupi, João Rehder, era meu amigo, de Rio Claro e fazia parte da equipe do Walter Abrahão, eu estava assistido Corinthians e Ponte Preta, era uma 22horas, o João Rehder me ligou dizendo: “Paulo, estão inaugurando dus rádios em São Paulo, você não quer vir fazr teste?” Perguntei que dia deveria ir, ele respondeu: “- Você pega o primeiro trem de manhã, porque o teste é amanhã, segunda-feira, na hora do almoço”. Fui acordar a minha mãe, eu tinha 18 a 19 anos, mas ainda não tinha a chave da minha casa. Era o meu pai quem abria a porta, eu tinha horário para chegar em casa a noite. Convencia miha mãe e fui para São Paulo. Cheguei na Rua da Consolação esquina com a Avenida Paulista, onde ficava o prédio da Rádio Manchete. Fiz o teste. Em seguida fui fazer o teste na Rádio Cidade que estava sendo inaugurada, pertencia ao grupo JB do Rio de Janeiro. O resultado seria divulgado no dia seguinte. Se eu voltasse para Rio Claro eu não teria dinheiro para voltar e ver o resultado. Naquela época a violência não era tão grande, dormi em um banco na Praça Roosevelt esperando o resultado. Quando soube do resultado, para minha surpresa eu tinha passado nas duas. Escolhi a Rádio Manchete, onde comecei a trabalhar em primeiro de fevereiro de 1980. A Rádio Cidade exigia exclusividade. Alguns meses depois passei a trabalhar na Rádio América também.

Você desenvolveu uma técnica própria para ientificar-se com os ouvintes?

Eu era um garoto do interior, um menino caipira. A rádioera de boys, de jovens da sociedade paulistana, com vocabuláro próprio. A tarde eu ia ao Shopping Iguatemi, que era o shopping da moda, me aproximava da rodinha e ouvia a conversa dos jovens, anotando em um papelzinho a forma como se comunicavam: girias, a maneira de se expressar. Isso foi nos anos 80, tinha girias como “É a maior chinfra”, “Tô nem aí” , “Vou mandar pau”.Quando estava no ar eu ia falando conforme havia anotado. Quem ouvia pensava: “Esse cara é do Jardim Paulista”. Mal sabia que era um caipira com calça pula brejo, uma só muda de roupa para trocar e morava em uma pensão fedida Rua Augusta, onde moravam trabalhadores que operavam britadeiras de mão, eram 60 pesssoas para um banheiro só.

A Rádio América situava-se onde?

Ficava na Vila Mariana, pertencia a Congregação Paulinas, que tem a Edições Paulinas. Na Rádio Manchete eu era um locutor boyzinho, na Rádio América eu era um locutor de AM. A Rádio América tinha como diretor Dom Paulo Evaristo Arns, então arcebispo de São Paulo. Eu aprresentava com Dom Paulo, todos os dias as 18h40 um programa que era uma mensagem apresentada por Dom Paulo. Eu no estudio ele na arquidiocese, fazia por linha telefonica. Convivi com Dom Paulo bastante tempo, depois fui diretor da Edições Paulinas, Diretor da Rádio América por seis anos, das suas afiliadas. Na CNT Gazeta tive por dois anos um programa que se chamava “Laços de Amizade”, com a participação de Chico Xavier, uma vez por mês eu ia gravar com Chico Xavier. Era um programa que não só divulgava a doutrina espírita, mas também de bem viver. Tive a oportunidade de rabalhar por bastante tempo com a comunidade metodista em São Paulo, na Rádio Musical, que é uma rádio gospel em São Paulo.

Você trabalhou na Rádio Capital?

A vida dá muitas voltas, fui contratado para trabalhr na Rádio Capital, junto com o Zé Bettio, Ely Correia, Sonia Abrahão, Paulo Barbosa. Fui trabalhar em uma rádio popular, e eu já estava em uma época da vida que ocupava uma posição diferente em São Paulo.

Fiz o inverso: pegava o trem de suburbio e ia escutar as pessoas falarem no suburbio, comecei a anor expressões como “Benzer de Vento Virado”, pobre adora levar para benzer, “Benzer de Simioto”, são expressões que eu ouvia, mas até hoje não sei o significado exato. Com issso ao ir ao microfone eu falava a linguagem popular. Na Rádio Capital eu tinha uma seção de caminhoneiro, convivi muito com caminhoneiro para saber os termos que eles usam. “Princesa” é a esposa, filha é “Pequitita”, há um vocabulario próprio dos caminhneiros..

Cada segmento da sociedade tem formas próprias de se expressar?

Tem sim. Esses laboratórios fiz porque entendi que ou faria isso ou ficaria estacionado onde estivessse. Só há uma possibilidade de você avançar, é se atualizando. Hoje estou fazendo televisão em Piracicaba, tenho que fazer um laboratório diário. Estou em uma cidade que tem a sua própria realidade, se eu não estiver por dentro dela vou ter dificuldades, muitas vezes saio, ando pela cidade, para ver, ouvir, acompanhar e poder chegar à televisão e falar a linguagem utilizada pelo piracicabano. Muitos dizem que o piracicabano é um povo conservador, é verdade, é um povo que ama a sua cidade. Quem não tiver esse amor por Piracicaba corre o risco de não ser tão bem aceito. Eu tenho muito orgulho de ter nascido em Rio Claro, estou em Piracicaba fazendo esse programa de televisão ha tres anos e meio, eu me sinto piracicabano.

Você já recebeu o título de “Cidadão Piracicabano”?

Nem tenho merecimento para isso. Com todo respeito, mas titulo de cidadão as vezes é dado à pessoas que você vê que são maravilhosas, mas título de cidadão deve ser dado a pessoa que fez algo muito significativo. Menções, reconhecimento, isso sim pode ser concedido.

Você conheceu o lendário Adolpho Bloch?

Tive o prazer de conhecê-lo. Ele gostava muito de cães, e sempre aparecia em fotografias com duas cachorrinhas. Ele tinha o habito de almoçar com seus funcionários. Na Casa da Manchete, na Avenida Europa, havia uma mesa com 30 a 40 lugares, na hora do almoço todos nós iamos almoçar lá, diariamente, ele fazia questão da nossa companhia. Ele sentava na ponta da mesa, nessa época deviam trabalhar uns 10 na rádio e uns 30 na revista. Eu saia da Rádio Manchete, pegava o ônibus elétrico e descia pela Rua Augusta, que passava a se chamar Avenida Europa na área mais nobre dos Jardins. Parava em frente a Casa da Manchete, almoçávamos com o Seu Adolpho. A sabedoria daquele homem era imensa. Quando ele faleceu a Rádio Manchete foi vendida para a Bispa Sonia da Igreja Renascer, ao assumir a rádio chamaram todos nós e simplesmente nos dispensaram. Até hoje não recebi o que tenho por direito. A partir do dia seguinte todos os nossos cargos foram ocupados por elementos da igreja, que a titulo de colaboração passaram a ocupar microfones, produção, discoteca, sob o olhar contemplativo do Sindicato dos Radialistas como é conhecido o Sindicato dos Trabalhadores no Rádio e Televisão. Em protesto me demiti do sindicato. O meu sindicato não tinha peito nem interesse em impedir o que estava ocorrendo conosco. O Sindicato dos Radialistas funcionou bem enquanto não tinha interferência política. Quando a CUT entrou no Sindicato dos Radialistas matou-o. O radialista é muito abandonado. Na época de campanha eleitoral você começa a ver no rádio e na televisão, por exemplo, um advogado que vem fazer rádio ou televisão para ficar famoso e se eleger, o mesmo fazem engenheiro, professor e profissionais de outras áreas. Esse pessoal vem para ficar famoso e se eleger. Se eu, jornalista, vestir uma roupa branca e colocar um consultório, vou para a cadeia. Eu não tenho CRM. Em contrapartida, muitos não tem registro de jornalista e realizam o meu trabalho, de graça, para se elegerem. Uma legislação eleitoral absurda tira do ar o profissional de rádio e televisão, três meses antes da eleição, em detrimento desses abutres que vem para o rádio só para serem eleitos. Deveria haver uma legislação que permitisse ao profissional de rádio e televisão que permitisse que ele continuasse trabalhando no período eleitoral, mesmo ele sendo candidato a um cargo eletivo. Eu não tenho outra fonte de rendas, sou jornalista. Vivo do meu trabalho. Se eu tiver a pretensão de me candidatar não posso trabalhar. Quem trabalha na mídia impressa pode continuar escrevendo, o médico pode trabalhar até a véspera das eleições, assim como profissionais de outras áreas. Isso foi criado para barrar o Silvio Santos quando ele resolveu se candidatar. É uma lei esdrúxula. O sindicato dos radialistas é inoperante. O sindicato dos jornalistas eu não sei como procede, nunca fui filiado a ele.

Com a Bispa Sonia dispensando os profissionais da rádio você foi trabalhar em outra rádio?

Fui para a Rádio Capital, uma das emissoras populares mais importantes do Brasil, ela ocupa a freqüência 1040, que é um canal internacional e que antes tinha pertencido a Rádio Tupi. No Brasil temos só três emissoras de rádio com canal internacional: Rádio Tupi do Rio de Janeiro, no mundo não existe outra emissora 1280, a Rádio Capital, 1040 e a Rádio Gaucha da RBS. Tive a oportunidade de trabalhar com Enzo de Almeida Passos, Zé Bettio, Ely Correia, Osvaldo Betio, o Zé Bettio fazia a Praça dos Amores, apresentei vários bailes que eram realizados na rádio com seus ouvintes. Trabalhei 12 anos na Rádio Jornal em Limeira, onde com a autorização do Zé Bettio apresentei a Praça dos Amores. O Ely Correia me permitiu usar “Que Saudade de Você”, que é o quadro de maior audiência de todos os tempos, o Ely apresenta até hoje. Agora na Sexta-Feira Santa fui visitar Gil Gomes, que está com a saúde abalada.

Como você decidiu vir à Piracicaba e apresentar o seu programa?

Vim a Piracicaba, fiz uma pesquisa de campo e vi que não havia nada com esse perfil, e todos sabem da importância de Piracicaba. Lançamos o programa na TV Beira Rio, chamava-se Piracicaba Agora, onde ficou no ar por dois anos e meio, e a 10 meses está na Rede Opinião de Televisão, ela tem uma abrangência regional. O programa passou a se denominar Opinião Geral. Trabalho no rádio há 36 anos, estou fora do rádio a 7 meses, infelizmente o rádio, e isso não é valido só para Piracicaba, mas para qualquer lugar, inclusive São Paulo,, se qualquer gago, qualquer fanho, chegar em uma emissora e disser que quer fazer o programa de fulano e tem um bom patrocínio, o fanho estréia amanhã. As pessoas perguntam por que o rádio está sem talentos? Por culpa do radio difusor que prioriza o seu bolso em detrimento da qualidade. Antigamente quanto talento Piracicaba tinha no rádio? Você enchia uma folha com nomes. Hoje você girando o dial regional será que dá para contar com todos os dedos de uma mão? Na FM o locutor fala anasalado, piracicabano com sotaque de carioca, se fala caipira fala forçado, fora da realidade. Nem vou tocar no português, concordância é uma coisa que não existe: “o pessoal foram”, “a gente viemos”. Infelizmente o rádio está nivelado por baixo, com algumas exceções. É difícil encontrar quem tenha talento para falar ao microfone e talento para venda. O comunicador é romântico.

Na televisão quanto tempo você fica no ar?

Fico 1h30 ao vivo e depois o programa é reprisado. Começa as 17h15 e permanece até 18h45. Temos dois links, um vai para o canal aberto 40 e pela NET. O programa é totalmente interativo. Pela internet temos em torno de 4.000 acessos por programa.













quinta-feira, abril 05, 2012

CTN CENTRO DE TRADIÇÕES NORDESTINA DE PIRACICABA E REGIÃO

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
Sábado 7 de abril de 2012
Entrevista: Publicada aos sábados na Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/
http://www.teleresponde.com.br/

ENTREVISTADO: CTN CENTRO DE TRADIÇÕES NORDESTINA DE PIRACICABA E REGIÃO.
Reinaldo e Fabiola         foto by JUNassif

Há mais de meio século, São Paulo faz parte da Região Sudeste com os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Anteriormente pertencia a Região Sul, que incluía Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A expressão Sul Maravilha foi muito utilizada como forma de descrever os contrastes regionais do Brasil, um país que é um continente. Criou-se a vergonhosa expressão “Indústria da Seca”, onde grupos políticos se beneficiam pessoalmente de fortunas desviadas de projetos que deveriam beneficiar áreas que todos sabem ser altamente produtiva com tecnologia de ponta, Israel é um exemplo, com irrigação colhe alface cultivada no deserto. Com isso muitos nordestinos dirigem-se ao Sul Maravilha, em busca da sua sobrevivência e muitas vezes da família que permaneceu em seu lugar de origem. Esse fenômeno é digno de ser estudado com muita profundidade. Um exército de nordestinos faz o serviço braçal no Sul Maravilha. Pode-se afirmar que há interesses maiores tanto no Nordeste como no Sul Maravilha. São Paulo possui hoje uma população de sete milhões de nordestinos. Piracicaba tem elevada concentração de migrantes nordestinos, que aumenta de forma significativa nos períodos da safra de cana de açúcar. Como estrangeiros em seu próprio país, eles sentem saudades da cultura e dos costumes da terra natal. Em Piracicaba foi criado o CTN- Centro de Tradições Nordestinas, localizado a Rua XV de Novembro, 849, fone 30352565. Sua atual presidente é Fabiola dos Santos Moraes nasceu em Parnaíba, litoral do Piauí, a 15 de dezembro de 1981, filha do operador de Raio X, Antonio Souza Moraes e de Antonia dos Santos Moraes. O Coordenador do CTN- Centro de Tradições Nordestinas Reinaldo Pousa é nascido em Piracicaba a 30 de março de 1964, filho de Walton Pousa e Maria Aparecida Pousa. É proprietário da tradicional loja especializada em som “A Musical”.

Fabiola, como surgiu o CTN de Piracicaba e região?

Em 2006 surgiu o CTN, o Reinaldo desde 2002 através da própria loja “A Musical” foi conhecendo a cultura nordestina, muitos dos seus clientes afirmavam que não encontravam em Piracicaba músicas características de suas regiões. Reinaldo procurou preencher essa lacuna, e “A Musical” passou a ser a primeira loja de Piracicaba a ter uma grande variedade de musica de forró. Em seguida passou a trazer shows típicos daquelas regiões. Reinaldo percebeu a enorme felicidade com que os nordestinos receberam a própria cultura em uma cidade tão distante dos seus locais de origem. Muitos já estão aqui a 10,15 ou 20 anos, tem vontade de voltar a rever suas cidades mas por diversos fatores acabam permanecendo longos anos distantes da terra natal. A partir do momento em que essas pessoas passaram a ter mais contato entre si, surgiu a proposta de montar uma entidade que defendesse os interesses dos nordestinos.
Reinaldo quais sãos alguns desses interesses?

Eles vêm para cá em busca do trabalho, sem estrutura nenhuma. A entidade stá cadastrando essas pessoas, montamos uma bolsa de empregos, quando as empresas necessitam de novos trabalhadores oferecemos esses currículos. Uma grande maioria vem para realizar serviço braçal. Outra atividade que realizamos é fazer eventos em nome da entidade, em torno da cultura deles, com comidas típicas, shows. Temos uma assistente social que avalia a condição individual do candidato. Em função desse nosso trabalho visitamos muitos bairros, principalmente os de periferia. É interessante observar que é insignificante, ou quase não há nordestinos envolvidos em atos criminosos. A grande maioria vem aqui para trabalhar, não para desrespeitar as leis. Vivem na periferia, tem uma vida modesta, mas de trabalho. O que pode ocorrer é eles ter convivência com pessoas que transgridem a lei e que também moram no bairro, ocorre à convivência entre ambos. Quando o nordestino não se ajusta a vida fora da sua terra de origem é para lá que voltam. Eles sabem se divertir, eu faço eventos de forró, não sai um única briga. Fizemos um evento no Teatro São José com um grupo chamado Cintura de Mola, não aconteceu um único desentendimento.

Fabiola complementa.

Geralmente assim que chegam, vão morar na periferia da cidade porque é onde encontram maiores facilidades para se instalarem. Dificilmente conseguem preencher os requisitos exigidos para a locação de um imóvel mais central.

Reinaldo, você é casado?

Sou, com a Fabiola. Acabei a conhecendo nesse processo e como já era apaixonado pela cultura do Nordeste, acabamos nos casando.

Fabiola relata sobre o evento realizado em outubro de 2011.

Pedimos que cada estado tivesse uma faixa com no nome correspondente ao estado, com isso cada migrante ficava no setor que reunia outras pessoas que vieram do mesmo estado. Assim muitos encontraram até amigos que vieram da mesma cidade e nem sabiam que ambos moravam em Piracicaba. Ocorreu muito troca de experiências, integração. Muitas pessoas que não são nordestinas abraçaram a causa e estão sempre colaborando. Atualmente estão associadas ao CTN 840 pessoas. Qualquer pessoa que queira pode tornar-se sócia, mediante a contribuição anual de R$ 20,00 ela tem direito a uma série de benefícios: assistência social, jurídica, convênios médico e odontológico.

Quantos estados estão representados no CTN de Piracicaba e Região?

São nove estados: Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte, Piauí, Maranhão , Ceará, Pernambuco, Paraíba, Alagoas. No aspecto musical existem particularidades de alguns estados. O forró existe em todos esses estados. Existem vários tipos de forró: o Forró Pé de Serra que foi muito divulgado por Luiz Gonzaga, o Forró Pisadinha virou uma verdadeira febre entre os jovens principalmente, é mais agitado.

Qual é a faixa etária dos associados?

Abrange todas as idades. Um dos nossos projetos é constituir um grupo da Terceira Idade.

Fabíola o idoso dança forró?

Eu trabalhava na Prefeitura de Piauí com o Projeto Vida Nova voltado só para idosos. Eu cansava de dançar forró e eles queriam dançar mais.

Vocês fizeram algum contato com entidades que trabalham com idosos, como o SESC ou com a Estação Idoso José Nassif?

Ainda não procuramos essas entidades. O forró pode ser integrado como uma dança, ou ginástica.

Reinaldo, ao criar uma associação voltada a cultura nordestina, pode estar sendo criada uma auto-segregação?

Penso exatamente ao contrário, acho que está sendo criado um ponto de organização. Assim como existe uma associação dos lojistas, dos comerciantes. Isso não significa que estão se distanciando, mas sim se organizando. É procurar satisfazer parte das necessidades do nordestino que está fora da sua terra natal. O nosso projeto é fazer com que o nordestino transfiraa o seu titulo eleitoral para a região de Piracicaba. Uma grande maioria vem para cá e muitos nem sequer justificam o seu voto. Tem pessoas que estão há 20 anos em Piracicaba e nunca votou aqui. Com isso eles não têm representação política, deixam de ter direitos que lhes pertence. O projeto CTN nos bairros tem extamente essa finalidade,

Fabiola, indivíduos das mais diversas origens, estados, países, algumas vezes após adquirir determinado sucesso renegam a própria origem, isso acontece de forma isolada com algum nordestino?

Existem pessoas que tem vergonha das suas origens. Mas temos casos de indivíduos que alcançaram elevados cargos e que quando começam a falar do nordeste ficam felizes. O preconceito está na própria pessoa. Uma das coisas que chateia o nordestino é quando fazem brincadeiras grosseiras relativas ao seu sotaque.

Reinaldo complementa.

Grandes nomes da música, do humor são nordestinos. O nordestino ao invés de se envergonhar tem que valorizar suas raízes. Alguns setores da mídia criam situações de constrangimento ao migrante. Um dos graves erros cometidos pela mídia é mostrar de forma sensacionalista, em busca de audiência fácil, o lado pobre do nordeste. O Nordeste Brasileiro é muito bonito.

Fabiola, expertamente muitos países exploram imagens atrativas ao turista. A mídia brasileira parece trabalhar no sentido contrário?

Ao chegar aqui o nordestino muitas vezes escuta que morava em terra onde a seca e a fome eram constantes. Eu nunca passei fome no Nordeste. Na minha casa, na casa dos meus parentes sempre tivemos abundancia de alimentos. Aqui em Piracicaba, logo que cheguei passei por um período de adaptação, foi onde por tempo determinado conheci privações pela primeira vez na minha vida.

Reinaldo o nordeste passa muitas vezes por situações difíceis não por culpa de seus habitantes, mas sim pela irresponsabilidade e inapetência dos seus administradores políticos?

Já foi comprovada que a seca do nordeste tem solução, com metade do dinheiro que é enviado pela União para lá. A seca é a única justificativa para que continuem a mandar dinheiro e ocorram os desvios. Há uma indústria mantendo e divulgando o lado ruim para que se perpetue a corrupção. Quem está no poder permanece sem o risco de perdê-lo.

Reinaldo há alguma festa preparada para quando determinado político, que há décadas permanece mandando e desmandando deixar o poder?

Essa é uma questão que nos faz pensar, porque tantos nordestinos estiveram no poder e fizeram muito pouco no sentido de melhorar as condições do nordeste. A única conclusão a que se pode chegar é que não é do interesse deles resolver nada. Já foi comprovado que com metade dos recursos enviados ao nordeste o problema da seca estaria resolvido. O Lula criou a bolsa família, uma atitude louvável. Só que hoje tem uma empresa de curtume no nordeste que não conseguem contratar as mulheres porque a partir do momento em que a mulher é registrada ela perde a bolsa família. O governo não deve dar o peixe e sim ensinar as pessoas a pescarem. Enquanto isso não for mudado as coisas se acomodam. Temos experiência com o trabalho feito com os deficientes, brigamos muito, em Piracicaba, São Paulo. Mudaram a lei. Hoje as empresas têm que contratar certa cota de deficientes. Só que o deficiente não quer trabalhar. Porque? Porque é extremamente difícil ele atender a enorme e absurda burocracia exigida pelo INSS para que ele seja beneficiado pela sua deficiência. A partir do momento em que ele é registrado como trabalhador em alguma empresa ele perde esse benefício, o que é lógico. Só que se ele for despedido do emprego ele tem que fazer a via-crúcis novamente.

Reinaldo, pode haver interesse por parte do Sul Maravilha em manter o estado atual do nordeste visando ter mão de obra que venha de lá movida pela extrema necessidade?

Prefiro acreditar que são os políticos de lá que não querem mudanças. Não há interesse em resolver o problema. Quanto mais miserável for o povo, mais milionários eles são.

Quantos diretores compõem a CTN de Piracicaba e Região?

São 12 diretores, sendo que quatro são mulheres, inclusive uma piracicabana.
















































































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