Se alguém ainda duvida da importância de conhecermos o passado para construirmos o nosso futuro, então que revogue todos os conhecimentos acumulados pela humanidade até a presente data. J.U.Nassif

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

NELSON MONTEIRO SPADA

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
Sábado, 02 de fevereiro de 2013
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/
http://www.teleresponde.com.br/


ENTREVISTADO: NELSON MONTEIRO SPADA



 

Nelson Monteiro Spada possui criatividade acima da média. Encara a vida sempre com otimismo, dinamismo, revertendo facilmente situações adversas. Isso lhe proporcionou o respeito de quem o conhece e o sucesso natural dos empreendedores que visualizam boas oportunidades aonde muitos vêem o fracasso. Em seu escritório, no meio de muitos papéis, sempre alguém o procura para “um dedo de prosa. O bate-papo é sempre interessante, rico em informações, desde o lançamento de um produto absolutamente inédito até filatelia, veículos, literatura, ou algum fato marcante na cidade. Conversar com Nelson é uma terapia. Em certa ocasião recebeu uma proposta de uma agência de publicidade de São Paulo onde seu trabalho seria apenas um: pensar, criar novas aplicações para produtos já existentes e novas formas de divulgação. Ele agradeceu e declinou da proposta, pois tinha suas atividades em andamento. Nelson Monteiro Spada criou uma empresa que hoje presta serviço à grande parte da população piracicabana: o Teleresponde. É a tábua de salvação de muitas pessoas e empresas quando necessitam saber um número de telefone desconhecido, qual empresa presta determinado serviço ou comercializa um produto ou serviço específico. Foi uma iniciativa que no seu início, há décadas, alguns não viam utilidade e hoje é objeto de desejo de grandes instituições. A Spada Máquinas é outra empresa que é fruto da determinação de Nelson, incansável na busca de novas ferramentas e aplicações. Nelson Monteiro Spada nasceu a 14 de abril de 1950, filho de José Daniel Spada e Lydia Monteiro Spada, que além do primogênito Nelson tiveram os filhos: Roberto, Osvaldo, Durval, Agenor, Olga, Maria Elvira, Maria Cecília e Ana Lúcia. Nelson Monteiro Spada é casado com a professora Lúcia Aparecida André Monteiro, são pais de duas filhas. Entre outros cursos é Formado em Administração de Empresas pela ECA.


Em que localidade o senhor nasceu?


Nasci no Bairrinho, um bairro rural situado depois de Saltinho. Meu avô Zebedeu Spada veio da Itália, região de Trento, com 14 anos. Desceu no Porto de Santos, não passou pela Casa do Imigrante, fiz uma pesquisa onde não consta sua passagem por aquele local. Conservo comigo a carteira modelo 19 dele (carteira de identidade permanente de estrangeiro). De São Paulo ele veio para uma localidade denominada “35” próxima ao Bairrinho. Lá ele conheceu a minha avó, sua esposa, Itália Zandoná Spada. Após se casarem foram morar no Bairrinho, onde meu avô Zebedeu passou a produzir fumo, foi o início de um período onde o fumo do Bairrinho tornou-se muito procurado pelas suas qualidades. Ainda menino “virei cambito”, expressão usada para quem faz a corda de fumo. Conheço todos os detalhes da plantação de fumo que fazíamos no Bairrinho, assim como os métodos utilizados no Rio Grande do Sul na plantação e produção de fumo. Minhas tias casaram-se com produtores de fumo da região, como o Caetano, Bairro Peruca, Fazenda Velha, Inferninho.


Porque o bairro tinha o nome de Inferninho?


Inclusive o meu pai nasceu no Bairro Inferninho, mês avós logo que se casaram por um período moraram no Inferninho, depois se mudaram para o Bairrinho. Até hoje a denominação do bairro é a mesma. O roteiro é: Saltinho, Formigueiro, Peruca, desce em direção ao Caetano e sai no Inferninho depois vem o Marques. A denominação de Inferninho é pela topografia, bambus entrelaçados sobre a estrada, formando um túnel natural, capoeiras, casas de barro antigas.


Os primeiros estudos foram onde?


Fiz o curso primário na Escola Capitão Antonio Correa Barbosa, situada no Bairrinho. Minha primeira professora foi Dona Rosa Zinsly; tinha mais quatro professoras, o diretor era Leo Litta, ele morava na Rua Governador Pedro de Toledo em Piracicaba. Em 1962, aos 12 anos, terminei o quarto ano primário. Meu avô Zebedeu tinha mudado para Piracicaba, na Rua Carlos Zanotta, 1003. Meu pai tinha uma produção de calcário na Rua Vinte e Três de Maio, ao lado do Posto São Luiz que se situava na Avenida São Paulo. Eu vinha de caminhão até o Posto São Luiz, o pessoal trazia pedra para moer, enquanto o caminhão era descarregado ia até a casa do meu avô, visitava-o e depois retornava com o mesmo caminhão.


Após concluir o curso primário em que escola o senhor foi estudar?


Passei a residir com os meus avós e fui estudar na Escola Modelo, localizada na Rua Boa Morte esquina com a Rua Rangel Pestana, mais tarde demolida e dando lugar ao Edifício Miori. Nessa escola era ensinada a escrita fiscal e datilografia. Após dois anos saí como prático em escrita fiscal e prático em datilografia.


O senhor é um bom datilógrafo?


Fui. A escola tinha máquinas de escrever Remington, na época era utilizada uma tábua, uma espécie de caixa, que não permitia ver o teclado, tinha que memorizar a posição de cada letra e com as mãos sob a tábua, datilografar. Após concluir meus estudos nessa escola, fiz um curso preparatório na Escola Dom Bosco, meus pais já tinham vindo morar em Piracicaba, na Rua Riachuelo, 2004. Fui estudar o curso básico na Escola Técnica Cristóvão Colombo, a Escola do Zanin, situada na Praça José Bonifácio. Meu primeiro emprego foi em uma fábrica de elástico de propriedade do Borghesi, pai do prefeito Borghesi, na época estudante de agronomia. A fábrica situava-se na Rua Saldanha Marinho esquina coma a Avenida Independência, em cada tear o elástico era trançado com fios que saiam de oito carretéis, havia diversos teares, meninos e meninas trabalhavam nos teares, eu controlava o pessoal, isso foi em 1963. Meu emprego seguinte foi em um escritório na Rua XV de Novembro onde permaneci por pouco tempo. Em seguida fui trabalhar na Organização Cruzeiro do Sul localizada a Rua Moraes Barros, 802, telefone 22-5660 de propriedade de Guido Maria Camuzzo e o gerente era meu tio, irmão da minha mãe, Lázaro Antonio Monteiro. Em 1965 ou 1966 fui para a Fundição Técnica Nacional de Venezio Serra Zanetti, que até hoje é vivo. Lá se fundia carcaças para motores GE, Electrolux, e outras grandes empresas. Muitos proprietários de empresas ligadas ao setor metalúrgico trabalharam lá como funcionários. Na época havia 63 funcionários, eu sabia o nome e número do registro de cada um, eu fazia a parte de escritório, departamento de pessoal. A fundição tinha Issa Salles como responsável, ele era um dos sócios e administrava a produção. Dercy Rossetto era o engenheiro químico da empresa. Francisco Tavares era o contador. Em 1968 fui para a Sobar- Sociedade Bandeirante de Reflorestamento, que depois passou a ser Sobar Reflorestamento, ela fazia projetos de incentivos fiscais para reflorestamento. Em 1967 era descontado até cinqüenta por cento do imposto de renda para aplicar em reflorestamento. Em Piracicaba havia a Sobar e a Seta de propriedade de João Hermann Neto.


Como funcionava esse incentivo fiscal?


Havia diversas modalidades sendo que duas eram as mais utilizadas. Através do investimento próprio, que era a terra, plantava-se o Pinus elliottii ou eucalipto em cima, o que era gasto com plantio, custeio, era deduzido do imposto de renda. Se uma empresa fosse pagar 100 reais com imposto de renda, gastava 50 com o plantio do Pinus e só pagava 50 de imposto de renda. Ou seja, a terra e a madeira pertenciam aos investidores, o Pinus para ficar pronto para corte leva 22 anos. Nesse meio tempo era feito o ralhamento, que é o corte dos galhos para serem comercializados para fazer aglomerados de madeira, carvão. Em um hectare de terras plantava-se 2.000 pés de Pinus. Entrei nessa empresa em 1968 e saí em 1979. A área de plantio ficava em Guarei, eram 5.000 alqueires de área plantada. Em Agudos foi feito um reflorestamento com abacate, uma empresa francesa que produzia óleo de abacate para uso em cosméticos projetou uma indústria para produzir o óleo no Brasil. Só que após termos plantado os pés de abacate a matriz francesa deve ter passado por alguma reestruturação e desistiu de montar a indústria no Brasil. Em 1973 eu já tinha a intenção de mudar minhas atividades, me associei a um primo, José Antonio Monteiro com o Depósito de Materiais de Construção Santa Rita, situado na Avenida Piracicamirim; 2.562. Em 1979 vendi a minha parte no depósito de material de construção e montei uma fábrica de rações para pássaros a Cisne, fabricava vitamina para pássaros, rações específicas para cada tipo de pássaro, embalava sementes de diversos tipos como girassol, colza, níger. Gosto das cores das aves, mas não tenho nenhuma gaiola, a fábrica era nos altos da Rua Moraes Barros, havia bastante procura de produtos. Um banco espanhol instalou-se no Brasil, ele dominava na Espanha a área de rações para pássaros, quis fazer o mesmo no Brasil, foi comprando todas as pequenas fábricas, inclusive a minha. Na época eu tinha ao mesmo tempo um depósito de ferro velho, no Jardim das Flores, na Avenida Raposo Tavares.


Qual foi sua próxima iniciativa comercial?


O Luis Chorilli tinha uma empresa na Rua XV de Novembro com Silva Jardim, acabei me associando a ele na venda de abrasivos e outros produtos. a NM Abrasivos, N de Nelson e M de Marcos, filho de Luiz Chorilli. Permaneci nessa empresa de 1980 a 1982. Montei minha oficina própria voltada para abrasivos e manutenção de ferramentas, isso em 1982 a 1983. e onde estou até hoje. .No inicio ela funcionava na Rua Lauro Alves Catulé, próxima a Avenida Alberto Vollet Sachs, mudei para a Rua D. Pedro I, transferi para a Rua Manoel Ferraz de Arruda Campos, fui pata a Rua Treze de Maio, mudei para a Rua Voluntários esquina com a Rua Silva Jardim e finalmente vim para a Praça da Bandeira.


Como surgiu o Teleresponde?


Era uma época em que a inflação era grande, comprava-se uma máquina por 10 vendia por 13, para repor no estoque pagava-se 14. A oficina com a mão de obra é que mantinha o negócio. Fazendo cursos percebi que na mão de obra poderia ganhar dinheiro. Em 1987 comecei a estudar o que veio a ser o Teleresponde.


Como surgiu essa idéia?


Senti que a informática era o futuro, em 1978 eu já tinha feito um curso de informática, tempo do cartão ´perfurado, como foi o início da Loteria Esportiva. Fiz o curso no Piracicabano, o professor vinha de São Paulo para lecionar BASIC , COBOL Eu estava estudando a melhor forma de aproveitar o uso do computador, uma noite vendo o programa Fantástico apareceu Honório Cardoso, de Pato Branco, Paraná. Na época Pato Branco deveria ter no máximo 3.000 telefones, Honório tinha parte do corpo paralisado, era cego, tinha desenvolvido melhor a memória, uma senhora lia a lista telefônica para ele que a memorizava. As pessoas ligavam para ele perguntando qual era o número do telefone de determinada empresa, ele falava. Pensei: “Se ele faz isso com a cabeça eu posso fazer com o computador onde posso armazenar a quantidade de informações que quiser. A parte comercial eu tive que desenvolver. Achei um serviço dessa natureza na França, Em São Paulo tinha algo parecido, mas de forma pontual e precário. Hoje tenho empresas conveniadas que tem a preferência da informação. O primeiro equipamento foi um Itautec 286, cinza, adquiri em 24 parcelas, foi onde iniciei a digitação. Todo negócio tem seus detalhes, devem ser estudados oferecendo vantagens ao consumidor.


Existem serviços semelhantes em outras cidades?


Muitos. Fui o pioneiro. Nós informamos o telefone pelo nome fantasia. Atualmente recebemos 30.000 ligações por dia através do telefone que funciona todos os dias das sete horas da manhã até as 23 horas, No site são 120.000 acessos por mês. Dia 2 de abril iremos fazer 22 anos de atendimento. Em Piracicaba de segunda a sexta feira muda-se os números de 15 telefones comerciais por dia.


Qual é a relação da sua família com a Vila Monteiro?


Meu avô Antonio Monteiro veio de Portugal, casou-se com Elvira Belinatti Monteiro, foram morar na Lapa, em Rio das Pedras onde montou um engenho de pinga. Vizinho ao engenho de pinga morava o irmão da minha avó, da família Zandoná. Meu pai ia passear lá, acabou conhecendo a minha mãe e casaram. Meu avô vendeu o engenho de pinga e veio para Piracicaba, comprou uma chácara que ia das atuais ruas XV de Novembro até D. Pedro II na altura da Rua Silva Jardim, era uma área equivalente a três quadras. Ele vendeu em partes essa área e adquiriu uma área que ficava entre a Avenida Piracicamirim, Coriolano Ferraz do Amaral, João Bottene englobava uma área de quatro a cinco quadras. Lá ele cultivava vaca de leite, banana, e outros produtos. Após um determinado tempo ele loteou essa área que automaticamente passou a se chamar Vila Monteiro. Há uma placa na Avenida Piracicamirim esquina com a Rua Coriolano Ferraz do Amaral em homenagem ao meu avô. Ele construiu diversas casas onde até hoje residem muitos membros da família Monteiro, inclusive o Professor Moacir Nazareno Monteiro, filho de Pedro Monteiro, irmão da minha mãe e meu primo, reside na Vila Monteiro.


A família Monteiro é composta por muitos familiares?


É grande, só que existe vários ramos. Há Monteiros e Monteros. A origem do Monteiro português vem do hábito do rei de Portugal de caçar raposas. Para que isso acontecesse havia cavaleiros que preparavam a raposa a fim do rei atirar. Eles achavam a raposa, com o auxilio de cavalos, cães e conduziam-na em direção ao rei. Esses cavaleiros moravam em uma colônia, quando o rei chegava a sua casa de campo dizia: “Avise os monteiros que amanhã cedo iremos caçar raposas. Todos que nasceram naquela colônia passaram a ter o sobrenome Monteiro.


Qual foi o próximo passo do seu avô após lotear a área?


Vendeu lotes, construiu casas que passou a alugar e construiu uma boa casa onde até hoje reside um dos meus tios.


Sua paixão por filatelia começou quando?


Quando eu fazia o curso primário, no sítio, colecionava figurinhas de jogador de futebol, marcas de cigarros. Aos 15 anos comecei a colecionar selos, aquele papelzinho me chamava a atenção. As cartas que chegavam a empresa geralmente eram abertas por mim, com isso acabava aproveitando o selo que iria para o lixo. Descolava o selo com água ou vapor. Na época a moda era tirar o selo da carta. Hoje tem mais valor o selo na carta. Tenho alguma coisa de moeda. Na verdade gosto mais da literatura sobre filatelia e numismática do que o objeto em si. Coleciono cartão telefônico, devo ter uns 20.000 cartões telefônicos. Fichas telefônicas eu tenho de todos os estados brasileiro. Aparentemente são iguais, a partir do momento em que se aprofunda a análise descobre-se variações muito grandes, tudo em função do peso de cada ficha. O Clube Filatélico e Numismático de Piracicaba foi fundado em 15 de outubro de 1963. Sou filatelista há 50 anos. Existe a FEFIESP Federação Filatelica do Estado de São Paulo, a FEBRAFI Federação Brasileira de Filatelia, a FIP Federação Internacional de Filatelia. Existe uma sociedade americana de filatelia a qual é associada a FEFIBRA. Através da filatelia adquire-se conhecimentos em todas as áreas. O selo não é feito ao acaso, é feito com um propósito e muitas vezes demoram de oito a dez anos para ser lançado.


Quem pode ser o tema de um selo?


No Brasil pessoas vivas não podem ser homenageadas em selo, com exceção do presidente da república após ter deixado a presidência. Apena um ou dois ex-presidentes do Brasil não foram homenageados com sua imagem impressa em selo. Sarney, Collor, Fernando Henrique, Lula após seu primeiro mandato todos tiveram selos em sua homenagem, Existe uma coleção de selos só de presidentes do Brasil. O Pelé tem selo em sua homenagem, só que ele está de costas, porque não pode sair de frente pessoas vivas. Cielo tem selo, só que estilizado. Os selos são fabricados na Casa da Moeda, com papel moeda.


Há falsificação de selos postais?


Em Belo Horizonte ocorreu falsificação de selos. Para o colecionador após uma época ele passa a ser valorizado. Assim como moeda com defeito, desde que seja “flor de estampa”, ou seja, ela não tenha sido usada ou gasta. No Brasil um dos selos mais valiosos é o “Olho de Boi”. Existe um selo das Guianas, é um único exemplar, é de valor único. O penny black foi o primeiro selo postal do mundo feito pela Inglaterra em 1840. O Olho de Boi foi lançado pelo Brasil em 1 de agosto de 1843, é o segundo selo que circulou no mundo. Existe um segundo selo, que circulou em apenas em uma região da Suiça. O Brasil lançou o terceiro selo, mas de circulação mundial foi o segundo.


Piracicaba sediou exposições filatélicas?


Foram feitas diversas exposições, a primeira exposição do Brasil, de um quadro só, foi feita no Teatro Losso Neto. Para se fazer uma coleção e participar de uma exposição patrocinada por federações, tanto do estado, do Brasil como do mundo, tem um ranking, e existem as normas, uma dessas normas é ter cinco quadros que são 80 folhas A-4 de selos. Em cada quadro são 16 folhas A-4. Surgiu uma nova norma: um quadro, com um tema e apenas 16 folhas A-4. A primeira exposição do Brasil, de um quadro, foi feita em Piracicaba.


Atualmente os jovens têm interesse por selos?


Há uma sequência normal, até os 12 anos o jovem admira selos, isso o ajuda muito na escola. Depois que ele passa por essa fase, abandona um pouco os selos. Já adulto, com sua educação completa, ele volta a ter um pouco de interesse pelos selos. Aos quarenta anos retorna seu interesse pelos selos.


Para o colecionador selo é uma espécie de cachaça?


Torna-se um hábito.


Existe um mito de que colecionar selos pode significar no futuro uma grande importância financeira acumulada com as estampas.


Conheço pessoas que guardaram 200 selos do Pelé. Não tem nenhum valor financeiro. Alguns compravam folhas de selos. Pode até ter um valor um pouco maior fora do Brasil, só que ele terá o custo de ir até outro país. No Brasil temos colecionadores qe se dedicam a selos de um determinado país, os temáticos, esses selos podem ser um pouco mais valorizados por causa da sua antiguidade. Angelo de Lima é um dos grandes colecionadores do Brasil, tinha a maior coleção de selos do Império Português, ele a vendeu. Quantos anos foram necessários para realizar essa coleção, os custos, se somar isso tudo o valor de venda pode não ser tão compesatório. O que ele de fato acumulou foi conhecimento.


Quantos membros tem O Clube Filatélico e Numismático de Piracicaba?


Uns cento e oitenta colecionadores. Sem o clube filatêlico não é possível realizar uma exposição, uma coleção dever passar por uma exposição municipal, regional, estadual para fazer isso tem que ser sócio de um clube filatélico que é associado a uma federação estadual de filatelia. Depois pode participar de uma exposição nacional através da FEBRAFI Federação Brasileira de Filatelia. Para expor fora do estado de origem tem que ser filiado a FEBRAFI, se for expor fora do Brasil tem que se filiar a FIP Federação Internacional de Filatelia.


Qual é a origem da família Spada?


Grécia. Eu pensava que era Itália, pesquisando descobri que na Ilha de Creta fabricava-se espadas. Pela internet é possível verificar em Creta o grande número de estabelecimentos comerciais com a denominação Spada.


Isso significa que o senhor é também descendente de gregos?


Mediante a análise exposta, acredito que sim. Com as invasões muitos gregos imigraram para a Itália. É um país onde o sobrenome Spada é tão comum como Silva no Brasil.


O senhor tem uma incursão na área de fabricação de veículos?


Já fabriquei três réplicas do Porsche Spyder 350.


Como surgiu a sua disponibilização de livros na internet?


Eu gosto de histórias de cidades, coleciono livros de histórias de cidades, devo ter uns 450 volumes, alguns autores só fizeram um livro. Geralmente tenho mais de um exemplar do mesmo livro, como forma de manter viva essas histórias coloco a disposição pela internet, em um site, onde comercializo o exemplar excedente.


O senhor criou um site também?


É o site do Teleresponde, onde tem as buscas e uma página de matérias que recebe cinqüenta por cento das visitas ao site. Esse site existe há quase 10 anos, há treze colaboradores com matérias diversas.


Um dos seus grandes incentivos é para o chamado Troféu Caipira?


É o Troféu dos Melhores do Ano na Imprensa e no Esporte coordenado pelo Dinival Tibério. Nossa empresa faz as pesquisas pela internet, os certificados, trabalhos de divulgação, já estamos no décimo sétimo ano.


Com tantas atividades nas mais diversas áreas, como o senhor vê seu empreendedorismo?


Às vezes penso que não sou eu que estou fazendo isso, deve ter alguma força maior ajudando. Estamos trabalhando em um processo para conseguir fazer o selo de 100 anos do XV de Novembro.


Nelson, o senhor é considerado um bom profissional de marketing?


Marketing e criatividade; Já fui convidado por uma empresa de marketing de São Paulo para trabalhar lá. Era para não fazer nada. Só pensar. Isso a uns cinco ou seis anos.


Curitiba tem a celebre “Boca Maldita” na Rua das Flores, Piracicaba tem uma representação congênere?


Na Praça da Catedral esquina com a Rua Moraes Barros, embaixo da marquise do Banco do Brasil há uma série de bancos onde se sentam alguns amigos. Passam ali, por dia 80 ou mais pessoas conhecidas. Isso de manhã até a meia noite, uma hora da madrugada. Uns param ali 10 a 15 minutos, outros permanecem por mais tempo. São pessoas diferentes em horários distintos. Durante o dia é comum encontrar o Carlão Energia, o Arthêmio de Lello, a noite dificilmente eles se encontram lá. A cada horário há pessoas diferentes, de todos os cantos da cidade. Ali todos se informam de fatos acontecidos nas mais diversas partes da cidade. Às vezes alguém quer uma informação, os que estão lá não sabem responder, mas dizem que logo o fulano irá chegar e poderá dar a informação correta. È um encontro natural de pessoas que se conhecem e onde se sabe das notícias e fatos que ocorrem na cidade e nem sempre são divulgados pela mídia. Os que freqüentam aquele local à noite colocaram informalmente a denominação de “Turma do Sereno”, reunir-se ali é uma tradição há dezenas de anos.







Arquivo do blog