Se alguém ainda duvida da importância de conhecermos o passado para construirmos o nosso futuro, então que revogue todos os conhecimentos acumulados pela humanidade até a presente data. J.U.Nassif

domingo, abril 28, 2013

SANTO PAVANELLI

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
Sábado 27 de abril de 2013
Entrevista: Publicada aos sábados na Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/




ENTREVISTADO: SANTO PAVANELLI

Santo Pavanelli nasceu a 12 de dezembro de 1933, no bairro rural Volta Grande, na Fazenda São Luiz, foi criado na Fazenda Olho D`Água. Filho de Fermino Pavanelli e Maria Oriani, lavradores, tiveram nove filhos: Luiz, Durvalino, Cesário, Guerino, Antonio, Henrique, Fermino, José e o caçula Santo. Em 1939 a família mudou-se para a Fazenda Olho D`Água, lá Santo foi matriculado na Escola Mista da Fazenda Olho D`Água onde sua primeira professora foi Dona Maria Pedreira de Lima. Nessa fazenda era cultivada fumo, batata, cebola, alho, feijão, arroz e milho, além de lavouras convencionais para tratamento de suínos como abóbora, mandioca. Seu pai foi radicalmente contra o plantio da cana de açúcar. A fazenda era de João Rodrigues de Moraes. Tinha 12 casas de colonos.


Como era uma casa de colono?


Eram dois quartos de barrotes, sala, cozinha com fogão a lenha, e chão batido. A cobertura nos quartos e sala eram feitas com telhas de barro e o resto era sapé. As camas tinham colchões feitos de palha de milho. Uma delícia.


Que idade o senhor tinha quando a sua família mudou-se para a cidade?


Quando nós viemos para a cidade de Piracicaba eu tinha 11 anos, foi em 1943. Fomos morar na Rua Cristiano Cleopath, 1440, era um bairro de ruas de terra, não me lembro se tinha esgoto ligado, água e luz tinham, o proprietário era Batista Rapetti, pagávamos aluguel. A casa era muito pobre. A área era de uns 10 metros de frente por uns quarenta metros da frente aos fundos. A casa tinha uns 60 metros quadrados. Ali meu pai fazia sua hortinha e tirava o sustento para a família. Os irmãos já tinham se encaminhado, o mais velho ficou na Fazenda Olho D`Água, alguns foram para São Paulo. apenas os três mais novos vieram com o meu pai: Firmino, José e eu. Meu primeiro emprego foi em uma fábrica de balas, a Atlante S/A, na época era onde hoje é a papelaria Kalunga, na Rua Governador Pedro de Toledo. Tratamos que me pagariam um salário de dois mil réis por hora, no final do mês pagaram só um. Eu empacotava balas. Nesse meio tempo meu pai adoeceu, eu não estava satisfeito com a empresa e sua forma de remuneração. Assumi a venda de bananas, fui trabalhar na rua vendendo bananas, ganhava mais do que trabalhando como empregado. Aos 14 anos perdi meu pai.


De onde vinham as bananas que o senhor vendia?


Quem fornecia era um atacadista de dentro do mercado municipal, Seu Pedro. Eu pegava de manhã, duas cestas de vime, cada cesta pesava de 10 a 12 quilos, para a minha idade era um peso brutal, mas eu era um menino forte. Vendia no Bairro Alto, na Paulicéia, na Paulista, andava pela cidade inteira. Cada dia eu fazia um bairro. Usava como calçado alpargatas. Com isso eu ganhava o dobro do que tinha tratado com o meu ex-patrão. Eu trabalhava de segunda feira a domingo. Começava a trabalhar entre três e meia e quatro e meia da manhã. Tinha que selecionar a banana, não existia tecnologia nenhuma, tinha que escolher. Às vezes eu não comprava do atacadista, comprava dos carroceiros que vinham dos bairros Dois Córregos ou da Pompéia. Era uma banana melhor e com preço menor. As bananas naquele tempo eram mais cheirosas, tinham mais aroma. Eu sentia na carroça que vinha vender de Pompéia, aquele cheiro da banana. Lotava as duas cestas e ás 6 horas já saia do mercado. A pé.


A que horas o senhor terminava de vender tudo?


Às vezes até as 10 horas da noite. Eu tinha um compromisso comigo mesmo: “Vender 100 dúzias de banana por dia! São 1.200 bananas” Isso foi uma meta que estabeleci para poder em 1951 comprar um caminhão. O meu sonho já era alto. Era buscar banana em Iguape. E fui. No dia 8 de janeiro de 1951 comprei o caminhão do meu querido e amado Luciano Guidotti que me vendeu fiado.


Por quanto tempo o senhor vendeu banana a pé na rua antes de adquirir o caminhão ?


Um pouco mais de oito anos. Nesse tempo não pude freqüentar escola e nem o campo do XV de Novembro que eu amava. Estamos falando de 1944 a 1951


Pelo Estatuto da Criança e do Adolescente hoje jamais o senhor poderia fazer isso.


Eu estaria morto. Talvez eu voltasse para a Fazenda Olho D` Água se existissem todas essas leis de hoje..


O senhor fez muitas amizades vendendo bananas?


Fiz o pessoal gostar de bananas e a gostar de mim. As vezes eu percebia que certos fregueses compravam para me ajudar. Tinha um libanês na Rua Santa Cruz, Seu Zich, parecia ser um homem de posses, ele comprava duas a três vezes por semana, às vezes sua esposa até ficava brava, eu a ouvia dizendo: “ –Tem muita banana Zich!”. Ele comprava, eu percebia que era para me ajudar. Nunca usei despertador, nem minha mãe precisou me acordar, isso de segunda feira a domingo.


A que horas o senhor deixava de trabalhar aos domingos?


Às duas horas da tarde.


O senhor se alimentava onde durante o dia?


Comia o que dava para comer. Geralmente era pão com mortadela. Nunca tomei refrigerante nem álcool na minha vida. Era pão com mortadela e água. Bem mais tarde tive uma grande casa que vendia bebidas, a Serv Sempre, eram quase 2.000 metros quadrados.


Após oito anos vendendo bananas nas ruas o senhor tinha certa economia?


Tinha trinta e oito milhões, era assim denominado popularmente o dinheiro na época. O dinheiro que eu tinha dava para pagar metade do caminhão. Dei 30 milhões de entrada e fiquei devendo 30 milhões.


Onde o senhor guardou esse dinheiro todos esses anos?


Em casa, em uma latinha guardada no colchão. Ninguém imaginava que eu tinha esse dinheiro.


Que idade o senhor tinha quando adquiriu o caminhão?


Tinha perto de dezessete anos. Quando fui até a agência de veículos pertencente a Luciano Guidotti eu era um menino. Fui recebido pelo Sr. Vila Guidotti, filho do Seu Luciano Guidotti. Perguntou a minha idade, quando disse-lhe, ele me aconselhou a ir embora. O pai dele, de dentro do escritório ouviu e perguntou: “-Quem está aí?”. Ele então respondeu: “-É um moleque que quer comprar um caminhão!”. Luciano disse: “- Mande-o entrar aqui!”. Entrei, tremia. Luciano era um homem imponente, inteligente. Perguntou-me porque eu queria adquirir um caminhão, respondi. Ele então me disse: “- Além da entrada você terá que pagar 10 pagamentos de 3 milhões”. Disse-lhe: “- Eu pago!”. Ele chamou o filho e disse-lhe: “- Vila, pegue os trinta contos dele, e faça o restante em 20 pagamentos para ele”. Em 8 de janeiro de 1951 adquiri o meu primeiro caminhão. Era só o chassi do caminhão. Era um caminhão GMC 1951, zero quilômetro. Sobraram-me oito mil contos para fazer a carroceria que fiz na Paulista com o Chico Carretel. Paguei dois contos e duzentos. Quando peguei o primeiro caminhão disse ao Beija-Flor: “- Vá até o Scudeller!”. Mandei escrever no pára-choque dianteiro: “Viva o crédito!”. Essa mesma frase eu escrevi no segundo, terceiro e quarto caminhão. A frase ficou famosa. Era a gratidão por ter crédito e ser correto.


Qual era a capacidade de carga do caminhão?


Seis mil quilos. Como eu não tinha idade para dirigir contratei um motorista, um mulato cujo apelido era Beija-Flor. Eu o conhecia do Mercado Municipal. Fizemos a primeira viagem até Iguape, chegamos com um calor imenso, eu não conhecia nada, nem o caminho, ou até mesmo por onde começar a comprar. Em Iguape o Beija-Flor disse-me: “Esqueci de te avisar, eu só tomo água Prata!”. Disse-lhe: “ – Com o seu dinheiro pode tomar, eu tomo água de torneira!”. Fomos até a roça, carreguei as seis toneladas de banana e vim embora, levamos seis horas de viagem, era estrada de terra. Logo após voltarmos a Piracicaba, fui para São Paulo, trouxe meu irmão Henrique que se tornou meu sócio depois.


A diferença de preço da banana comprada lá era grande?




Lá era em torno de setenta por cento mais em conta do que aqui.


Chegando a Piracicaba, o que o senhor fez com um caminhão de banana?


Deixei as bananas no quintal da casa da minha mãe, na Rua José Pinto de Almeida, 251. Comprei um encerado e cobri, as bananas estavam ainda meio verdes. Fui vendendo com as cestas de vime. Deixei o caminhão estacionado na frente da casa da minha mãe, Sai vendendo as bananas que estavam mais maduras. Vendi seis toneladas de banana em três semanas. Minha mãe passou a atender os clientes de banana no portão da sua casa. Meu lucro foi tão grande que eu peguei o ônibus, fui até a Vila Prudente em São Paulo, onde meu irmão Henrique era marceneiro da Rádio Pioner, Disse-lhe: “-Vamos embora que você precisa tirar carta de motorista!”. Vou comprar outro caminhão. Ele relutou e veio. Em janeiro de 1952 compramos um caminhão GMC de oito toneladas. Eu estava pagando o primeiro caminhão com facilidade, paguei antecipadas as parcelas. Em onze meses quitei as parcelas velhas e dei uma entrada menor no segundo caminhão.


Qual foi a reação do Guidotti?


Recebi o melhor tratamento possível, inclusive do seu filho que anteriormente havia me atendido com certo receio.


Com dois caminhões, o quintal da casa da sua mãe funcionando como depósito de banana, qual foi o próximo passo?


Foi tirar o meu irmão Fermino, já falecido, que era contínuo do Banco Comércio e Indústria, mais tarde proprietário da Pavanelli Importadora, e comprar o terceiro caminhão. Nessa época eu já dirigia um caminhão, o Henrique dirigia o caminhão maior. Com o caminhão grande passamos a levar banana de Iguape para Curitiba. Curitiba era pequena, era chegar e descarregar. Curitiba tinha o tamanho de Piracicaba de hoje, um pouco menor, vendia muito na praça principal, chamava “Frutaria Coração da Cidade”, bem em frente à catedral, o proprietário era Ali Mustaf, ele sempre dizia: “Menino! Primeiro atende Ali! Se interessa compro caminhão sozinho! Não venda para o Elias da Praça Zacharias!”. Ele estava sempre rindo, usava um chapelão. Era uma frutaria linda. A banana também era descarregada na feira. O Fermino pegou outro caminhão de oito toneladas, já tínhamos pagado o primeiro e o segundo caminhão, demos entrada no terceiro e seguimos em frente. Chegamos a ir até Porto Alegre para entregar banana, de lá trazíamos cebola, negociadas por família de Piracicaba, Irmãos Ortega. Nessa altura a cana de açúcar tinha proliferado ninguém plantava cebola em Piracicaba. As cebolas vinham em réstias, iam amarrando, os Ortega carregavam, eles tinham muita prática no “amarramento” das réstias elas não deslizavam. Eu vendia na Rua Santa Rosa, tradicional região de atacado cerealista de São Paulo.


Vocês tinham funcionários?


Não! Nós mesmos trabalhávamos. Sem ajudante, sem “chapa” sem nada. Descarregávamos caixas de abacates, laranjas, cachos de bananas. Hoje ninguém faz nada sozinho mais.


Em média quantas bananas têm um cacho?


De setenta a oitenta e quatro bananas.


Quantos tipos de banana existem?


Nossa! Banana ouro, prata, nanica, figo, banana-da-terra. Nesse tempo tinha a São Thomé, a São Domingos. Para fritar tanto serve a banana figo como a terra. A que mais vendia era sempre a nanica, isso é assim até hoje. A banana maçã era recomendada para pessoas adoecidas. Era bem cara. A banana prata quase não existia. A banana São Domingos lamentavelmente desapareceu, ela tinha a casca roxa. Era um mel. Às vezes vinha um cacho, o preço era bem mais caro.


O senhor procurou informar-se o porquê do desaparecimento da banana São Domingos?


Sou muito curioso, alguns integrantes da ESALQ afirmaram que o motivo é a baixa produção do cacho dessa banana. Não chega a dar 40 bananas no cacho. É a explicação que tive de agrônomo.


Vocês estavam com três caminhões viajando?


Viajávamos de Iguape para Piracicaba, Curitiba e Porto Alegre, as estradas eram de terra. De Piracicaba à Curitiba íamos por Tietê, Tatui, Itapetininga, Capão Bonito, Guapiara, Apiaí, Pedra Preta, Bocaiuva e Curitiba. Dava 650 quilômetros, só montanha, terra e buraco. Ninguém ia, quando chovia encalhava. De lá para cá trazia madeira: pinho, imbuia, canela para a fábrica de urnas Sbrissa. Seu Augusto Perecin era meu grande freguês, assim como Malacarne Gemente, onde hoje é um grande estacionamento de veículos. Daqui a Porto Alegre a viagem durava três dias e precisava viajar bem duas meias noites.


Não era perigoso?


O maior perigo eram as estradas ruins. Só que havia uma solidariedade total entre os motoristas. Parava o caminhão para dormir, o primeiro que passasse perguntava: “- Precisa de alguma coisa paulista?”. Os caminhões eram a gasolina. Trabalhei assim até 1956. O Henrique continuou até 1960 o Fermino já veio para o Mercado com o armazém de secos e molhados. Diversificamos os produtos, carregávamos abacate em São Carlos, laranja pera em Limeira. Não tinha estradas. Estradas de ferro eram poucas e ruins, hoje não existe nenhuma. Eu nunca tive medo. Às vezes estava saturado o mercado de madeira em Piracicaba, eu ia de Curitiba até Guarapuava e carregava fósforo, na fábrica Pinheiro. Era uma carga que ninguém queria, a carga dava no máximo duas toneladas eles pagavam seis toneladas. No caminhão grande carregava quatro toneladas eles pagavam oito toneladas. Nem eu, nem meus irmãos fumávamos. Qualquer atrito ou choque faria explodir o caminhão. Em 1956 vendi minha parte aos meus irmãos e me casei em 22 de dezembro de 1956 com Maria Cleusa Asta Pavanelli. Começamos a namorar em 13 de outubro de 1951. Em meu último ano de solteiro morava com a minha família, mãe e irmãos, na Rua São José entre a Rua Governador Pedro de Toledo e a Rua Benjamin Constant. Quando casamos, Maria Cleusa e eu, fomos morar na Rua Governador Pedro de Toledo, 1429, coincidentemente em frente à fábrica que não me pagou o devido salário. Alugamos um sobrado da família Sabino, montei uma loja de materiais de construção na frente, a Casa Asta, e moramos nos fundos. Em 1962 construi em outro local e permaneci por mais 10 anos com a Casa Asta funcionando. Eu tinha três carroceiros só para fazer as entregas, eram o Teófilo, Egídio Razera e Diogão Perdido, este último tinha saído da cadeia, disse que precisava trabalhar, eu compraria uma carroça e um cavalo e iria descontando do seu trabalho. Ele trabalhou para mim por quatro anos. Nunca me deu um transtorno.


O senhor chegou a freqüentar algum clube?


Santo exibe a sua carteira de sócio da Sociedade Beneficente Treze de Maio de Piracicaba. E diz: ” Quando eu vendia banana com cesta, a minha atual esposa perguntou de qual clube eu era sócio, disse-lhe que era do Cristóvão Colombo, como não sei mentir, tratei de me associar imediatamente ao clube, na época ficava naquele sobradão em cima do Pastelão, o diretor Antonio Marossi disse-me que a minha carteira de associado ao clube na quinta feira estaria pronta . Para minha tristeza, ele me entregou a carteira, eu com as duas cestas de banana, foi quando ele me disse: “ Você não se toca menino? Aqui não entra bananeiro!”Se disser que não saí chorando eu minto. Hoje isso daria cadeia para ele. E adianta cadeia para alguém? A dor do meu peito quem tira? Ninguém! Desci a Rua Governador, virei na Rua Treze de Maio, gritei na porta do Clube: “ Bananeiro!”. Vendi cinco dúzias para o Seu Anastácio, era um negro de cabelos brancos, presidente do clube. Ele me convidou para entrar para o clube. Fiquei lá, não criei trauma, não há coisa na vida que lave um trauma mais do que uma lágrima. Os anos foram passando, é um clube tradicionalmente composto por negros, sou o único sócio branco. Sou sócio desde 1950.


Como o senhor é visto pelos demais sócios?


Como um irmão branco. Lá para ajudar a saúde do Parafuso, fiz muito cururu, pagando a rádio por minha conta. Outro artista que apoiei muito foi Joca Adamoli, um dos grandes pintores piracicabanos que não teve apóio nem mesmo de pessoas muito próximas dele. Ajudei muito o Jaraguá Futebol Clube, na construção da Igreja São José, na Paulista, Abel Pereira, Vitório Fornazier e José Nassif eram sempre consultados em qualquer iniciativa a ser tomada. Inclusive a pia batismal da Igreja São José eu e José Nassif que dividimos o seu custo.


Quando o senhor encerrou as atividades da Casa Asta?


Foi em 1978. Comercialmente era o momento de parar. Junto com meu irmão Henrique e dois filhos do meu irmão José, montamos o Serv Center, distribuidora de bebidas. Foi o maior centro de distribuição de bebidas da região.


Interessante o senhor não beber, mas comercializar o produto.


Realmente, às vezes algum cliente perguntava qual cerveja eu preferia beber. Respondia-lhe: “-Nenhuma!”. A pessoa então dizia: “Desculpe! O senhor é doente ou então o senhor é crente?” Dizia que tinha saúde perfeita e sou católico. No imaginário popular para não beber tem que ser crente ou doente! Simplesmente não vejo motivo para beber. Tenho três filhas, seis netos e agora dois bisnetos. Acho terrível fazer festa de aniversário de primeiro, segundo ano de vida de uma criança servindo bebida alcoólica. A festa não é da criança?


O senhor entrou para mais alguma instituição?


Ajudei a fundar a Casa do Bom Menino, com o meu irmão Henrique fizemos o Palmeirão que chegou a ter 1800 sócios. Em 1962 assumi o primeiro cargo de diretor do XV de Novembro, ainda no Estádio Roberto Gomes Pedrosa. A lei que permite o menor entrar sem pagar no estádio é praticamente minha. Para entrar no estádio o menor tinha que pagar, fui a Rádio Difusora e anunciei que no jogo XV e Corinthians todo menor de 12 anos acompanhado do pai poderia entrar sem pagar. O presidente da Federação Paulista de Futebol era João Mendonça Falcão, me processou. Ganhei a causa e se tornou lei. Isso foi em 1962. Em 1976 como vice-presidente fiquei vice-campeão paulista. Em 12 de junho dee 1967 ganhei a eleição para presidente do XV do Novembro, meu adversário era o Comendador Humberto D`Abronzo, a minha campanha chamava-se “O Tostão Contra o Milhão”, fui presidente até 1969.


O senhor conheceu grandes nomes de Piracicaba, como Newton de Mello.


Conheci e conversei muito com Newton de Mello que por razões políticas locais foi transferido de Piracicaba, de diretor do Sud Mennucci para professor em uma escolinha mista 40 quilômetros, além de Capivari, em uma fazenda, choveram mais de 40 dias e ele não podia sair de lá por causa das enchentes dos ribeirões. Só tinha a estrada de Ferro Sorocabana para vir para Piracicaba. Ele tocava violão, compôs o Hino de Piracicaba, quando passou a chuva veio para Piracicaba com a saudade que punge e mata. Ele de fato agrediu a esposa, não a matou, mas jamais fez essa composição no cárcere, isso é puro folclore. Hospedei o General Leônidas Cardoso em 1952, pai de Fernando Henrique Cardoso. Conheci Luiz Carlos Prestes, de quem eu era fã incondicional. Conheci Dr. Mário Schenberg. Pedro Ventura Felipe de Araújo Pomar exilados políticos.


O senhor é compositor?


Sou compositor profissional, com carteira da Ordem dos Músicos desde 1984. Tenho mais de 150 composições feitas e gravadas. São executadas em muitos lugares mais do que em Piracicaba. Sertão Querido, Terra Onde Nasci, Mulher da Minha Vida, são muito solicitadas. Quando Tião Carreiro, com 800 músicas gravadas, faleceu me desfiz de todo material musical que eu guardava. Tião Carreiro era meu amigo, compadre, todo mês esrtava aqui. Tião Carreiro amava o Rio Piracicaba. Ele fez oito músicas para Piracicaba. Erotides de Campos foi outro grande injustiçado ainda em vida.










NORBERT BRÜSCHKE

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
Sábado 20 de abril de 2012
Entrevista: Publicada aos sábados na Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/
 





ENTREVISTADO:NORBERT BRÜSCHKE


Norbert Brüschke (O nome correto tem um trema sobre o ü, quando chegou ao Brasil quem anotou o seu nome aboliu por vontade própria o trema originalmente existente).
Nascido a 27 de junho de 1932 em Eskisehir, Turquia. Filho único do engenheiro mecânico Willi Brüschke e Martha Brüschke. Casado com Eunice Brüschke são pais de Klaus, Marlies e Richard.


O senhor é filho de alemães, porém nasceu na Turquia?


Nasci na Turquia por força do trabalho do meu pai, como engenheiro ele estava naquele país para instalar os equipamentos fabricados pela empresa na qual ele trabalhava na Alemanha. Ele se especializou em instalar equipamentos fora do país, assim ele esteve na Tchecoslováquia, na Romenia, um dos seus grandes trabalhos foi na Turquia onde permaneceu por quatro anos.


Em qual empresa ele trabalhava?


Na Knorr Bremse, em alemão Bremse quer dizer freio. A especialidade deles era colocar freios nos trens. Acredito que todos os trens alemães estão equipados com sistema de frenagem da Knorr concorrente da Westinghouse americana.


Em que ano o pai do senhor foi prestar serviços na Turquia?


Foi em 1931, após um ano eu nasci, fui registrado em Istambul como alemão. Na Europa e na Ásia Menor a lei da nacionalidade sempre é definida pelo sangue do pai. A nacionalidade do pai é que determina a nacionalidade do filho. Há até uma passagem muito curiosa ocorrida com a minha esposa, Eunice Brüschke, estava em um estabelecimento bancário no Brasil, fazendo um cadastro, quando lhe perguntaram qual era a nacionalidade do seu marido ela afirmou: “Ele é alemão.”. Ao perguntarem-lhe em que cidade eu havia nascido, ela respondeu, foi quando lhe afirmaram: “Então ele é turco!”. Ficaram naquele impasse, ela afirmando que eu era alemão e a pessoa dizendo que eu era turco. Até que ela perdeu a paciência e disse-lhe: “Uma gata dá a cria de gatinhos em um forno de uma padaria, o que nasce é gata ou biscoito?”. Nesse momento a pessoa entendeu.


A esposa do senhor é brasileira?


Sim, nascida em São Paulo.


Com que idade o senhor saiu da Turquia?


Aos três anos de idade deixei a Turquia, permaneci até os cinco anos em Berlim, na Alemanha, onde meus pais tinham residência própria. Dentro de dois anos meu pai foi mandado para fazer o mesmo trabalho no Brasil.


Isso foi por volta de 1937?


Foi em torno de 1937 a 1938. Ele veio até o Brasil, fez o que tinha que fazer participar de uma concorrência pública da Companhia Paulista de Estadas de Ferro, nas oficinas de Rio Claro. Descemos do navio em Santos e fomos para Rio Claro, fomos morar na Terminada a concorrência, a experimentação, durou quase dois anos. Ele falava só alemão, na Companhia Paulista havia um tradutor. Quando tudo terminou, meu pai já tinha a passagem do navio em suas mãos, estourou a Segunda Guerra Mundial, isso foi em 1938. O navio cujo nome era Cap Arcona, e com o qual deveríamos ter voltado nunca chegou a Santos. Após a guerra eu soube que ele foi afundado no Mar do Norte. Lembro-me que estávamos hospedados no Hotel Aurora, na Rua Aurora, naquele tempo era chique. Era um hotel muito bonito, com um jardim em frente, permanecemos ali na indefinição se ele voltava ou não para a Alemanha. Ele queria voltar de avião, havia uma companhia aérea chamada Linee Aeree Transcontinentali Italiane, L.A.T.I. que tinha um voo até Recife, depois para Açores, Norte da África, Itália e Alemanha. Naquele tempo havia a famosa Blitzkrieg (termo alemão para guerra-relâmpago), achavam que dentro de duas semanas a guerra terminava e o meu pai retornaria. Esse era o pensamento da empresa. Até 1940 ele recebeia o salário dele normalmente via Banco do Brasil. Com a entrada do Brasil na Segunda Guerra, o salário que o meu pai recebia da Knorr foi interrompido, ele então teve que procurar um trabalho.


O fato de ele ser alemão e o Brasil estar em guerra com o a Alemanha trouxe-lhe aborrecimentos?


Não diretamente. Lógico, em São Paulo durante a guerra houve perseguição aos alemães, só que era focado mais nos alemães mais conhecidos, como o diretor da Deutsche Schule, Dr. Hoch, morreu na prisão, no Brasil. Essa escola foi transformada no famoso Colégio Visconde de Porto Seguro, escola que freqüentei do primeiro até o terceiro ano científico. Ficava na Praça Roosevelt em São Paulo, nós morávamos na Rua Dom José de Barros, entre a Rua Barão de Itapetininga e a Rua 7 de Abril. Não faz muito tempo passei pelo prédio onde morávamos, no quarto andar. O elevador era com porta pantográfica. Para ir à escola ia pela Rua Barão de Itapetininga até a Praça da República, subia a Avenida Ipiranga e ia até a Praça Roosevelt. Naquele tempo não existia praticamente nada do que existe hoje. Era uma praça abandonada onde brincávamos, um terreno baldio em frente a escola. A escola ficava na Rua Olinda, existente até hoje. Era uma escola bonita, o prédio existe até hoje. Dr. Hoch foi substituído por um interventor brasileiro, mais tarde substituído pelo Dr. Turelli que permaneceu por uns quarenta anos ou mais na função, foi o meu diretor durante todos os anos que lá estudei. Após muito tempo, já casado, com filho, um dia eu fui ao Colégio Visconde de Porto Seguro, já localizado no Morumbi, passei por ele que me cumprimentou: “- Oi Norberto! Como vai?”. Após 30 anos ele ainda recordava-se do meu nome.


Com a permanência no Brasil, o pai do senhor passou a trabalhar onde?


O primeiro emprego dele foi numa fabrica chamada Aliança, que faz fivelas, a primeira máquina de costura brasileira feita durante a Segunda Guerra cópia da máquina de costura Pfaff foi feita sob a responsabilidade do meu pai. O dono da fábrica de fivelas queria se lançar em um novo mercado, pegou todos os direitos da Pfaff alemã e fabricaram os protótipos, as primeiras máquinas. Sei que meu pai todo orgulhoso chegou até a costurar uma folha bem fininha de chumbo para mostrar a robustez da máquina em demonstração para as autoridades brasileiras. Eu tenho a impressão de que essa máquina não foi produzida em larga escala. Depois ele foi trabalhar em uma fábrica de prensas no bairro do Tatuapé.


Após estudar no Colégio Visconde de Porto Seguro qual foi a próxima etapa escolar do senhor?


Nessa época o ensino da língua alemã era proibido, só mais tarde, quando se mudou para o Morumbi, como sempre foi um colégio freqüentado pela colônia alemã, ele acabou fazendo um convênio com o governo alemão para poder lecionar a língua alemã e também que as aulas fossem ministradas em alemão. Para que os filhos dos profissionais alemães ao voltarem para a Alemanha tivessem o reconhecimento oficial do diploma dos cursos feitos no Brasil.


O senhor freqüentou algum cursinho para ingressar na faculdade?


Fiz o Curso Anglo-Latino, entrei na Escola Politécnica em oitavo lugar, isso foi em janeiro de 1951, fiz o curso de engenheiro mecânico e eletricista na época eram cursos juntos. Sou da turma em que se formou Mário Covas em 1955. Paulo Maluf se formou na Politécnica um ano antes de nós. Naquele tempo o Covas já era politicamente muito ativo, foi presidente do grêmio estudantil. Quando fazíamos greve era ele que estava a frente de tudo. Após 25 anos de formatura na Poli fizemos uma festa e nos encontramos, fomos com nossas esposas, ao sair de lá, minha esposa disse-me: “- Agora entendo o seu jeito de ser! Vocês na Poli tem a mesma mentalidade, a mesma forma de pensar”. Eu diria que o Mário Covas tinha uma mentalidade Politécnica, o ideal de construir um Brasil melhor. Éramos muito idealistas. Fui rotariano por 21 anos.


A religião professada pelos alemães, em sua maioria qual é?


Luteranos.


No Bairro do Campo Belo em São Paulo existe uma entidade freqüentada por alemães, qual é a finalidade?


Trata-se da Kolping Haus, é uma entidade com fins sociais da colônia alemã. Recentemente, ao comemorar 25 anos de formatura no Colégio Visconde de Porto Seguro almoçamos lá. Quando morávamos na Rua Dom José de Barros o clube que freqüentávamos era o atual Clube Pinheiros, na época era denominado Clube Alemão. Quando criança eu praticava natação, quando fiquei maior, junto com o meu pai jogava tênis, que foi o meu principal esporte depois.


Após formar-se como engenheiro na Politécnica o senhor foi trabalhar aonde?


Tive 12 ou 13 empregos diferentes. A cada 2 ou 3 anos eu mudava de emprego. O meu primeiro emprego foi na Indústrias de Parafusos Mapri onde permaneci por um ano e pouco. Dali fui para a Mercedes-Benz, onde também fiquei por um ano e pouco, lá trabalhei no controle de qualidade de recebimento de materiais. O controle de qualidade de entrada de produtos dos fornecedores da fábrica de São Bernardo de Campo passava pelo meu departamento. Isso foi em 1956. De lá fui para a Brastemp onde tive uma experiência muito linda: o meu pai estava trabalhando na Brastemp! Pude vê-lo trabalhando, foi um privilégio. Ele era daqueles engenheiros no qual tive que me espelhar, era um profissional que além de ter a teoria tinha a prática. No departamento de engenharia desenvolvia o ferramental para fazer uma geladeira, uma porta de geladeira era feito de chapas, através de prensas enormes de duas, três mil toneladas, eu vi meu pai ajustando aquelas ferramentas uma por uma. Ele tirava o paletó e punha a mão na graxa. Naquele tempo não saia de um emprego sem ter contrato já feito em outro. Havia uma demanda muito grande por profissionais.


Da Brastemp o senhor foi trabalhar em qual empresa?


Fui para a Fichet Schwartz Hautmont onde permaneci por 3 anos. Lá tínhamos a fábrica de esquadrias de alumínio, vigamento pesado que era a minha área, esquadrias de ferro e cofres. Vigamento com um metro, dois metros de altura, inclusive fazíamos pontes rolantes, a maior ponte que eu vi lá foi uma que levantava 250.000 quilos, feita para Furnas, para levantar o gerador. Fazíamos tanques enormes para a Petrobrás, com 10 metros de diâmetro por seis metros de altura. Na Fichet trabalhei três anos.


Qual foi a próxima empresa em que o senhor trabalhou?


Fui trabalhar na Willys Overland do Brasil , isso foi em 1960, ela só fabricava o Jeep e a Rural Willys. O meu teste de admissão foi uma peça do capô do Jeep. A pergunta que me foi feita é qual seria o ferramental que eu iria utilizar para fazer aquela peça. Eu tinha visto aquilo na Brastemp, só visto, mas eu sou curioso. Fiz o projeto da ferramenta, do fluxograma, de um processo de fabricação daquela peça e expliquei ao americano, eu falava inglês. Disse-lhe que me interessava muito em projetar ferramentas de corte e repuxo profundo. Permaneci por três anos na Willys. Após um ano um diretor de uma escola técnica procurando por um professor me contratou por indicação do meu chefe. Depois de um ano e meio ele reuniu a turma e disse: “- Nós vamos lançar um carro novo, diferente. È o Aero Willys, vamos trazer as ferramentas dos Estados Unidos e vamos lançar no Brasil. Fui chamado a ser o coordenador desse projeto na área de ferramentas de corte e repuxo. O que eu soube é que o Aero Willys antes de ser lançado, uma equipe de pilotos pegou um Aero-Willys americano, importado, e andaram pelo Brasil afora, tiveram que soldar a carroceria inúmeras vezes, o carro americano não era feito para estradas brasileiras. A nossa engenharia teve que reformular todo chassi, principalmente a suspensão. Era até engraçado, pegávamos os desenhos das peças para fazer as ferramentas, de repente tinha que suspender tudo, ia ser modificado tudo. O Aero Willys brasileiro, toda parte de chassi e suspensão é genuinamente brasileiro, por ter sido adaptado as condições das estradas brasileiras. Passado um ano, aquilo tudo estava funcionando, ele me chamou e disse: “- Agora vamos lançar o Dauphine.”. E 1800 ferramentas do Dauphine passaram pela minha mesa.


Qual é a origem do Dauphine?


Francesa. O projeto era da Renault. Fui indicado pelo meu chefe para coordenar o “Projeto Dauphine” para ser fabricado na Aero Willys do Brasil.


Da Willys o senhor foi trabalhar em que empresa?


Fui para a Siemens, para a área de transformadores. Ficava na Marginal Tietê, trabalhei lá por três anos. Fiz parte da área denominada preparação de produção. A área que tendo o desenho e especificações técnicas determina o processo de fabricação. Eu tinha um departamento com 25 funcionários, que emitia toda a documentação, peça por peça, para as máquinas correspondentes, cada operador de máquina recebia toda instrução de como fazer aquela peça. Tinha um pequeno grupo de cronometristas que determinava os tempos padrões. Naquele tempo se pagava até premio por produção.


Qual foi a próxima empresa que o senhor trabalhou?


Da Siemens fui para a Isopor. Naquele tempo era uma empresa particular, hoje é da BASF , empresa alemã. O isopor foi “inventado” por um amigo do meu pai, era um homem de uma versatilidade extrema, iniciou sua empresa fazendo lã de vidro para a Brastemp usar como isolante térmico das geladeiras. Ele fabricava a lã de vidro baseado em um processo alemão. O isopor foi inventado pela BASF na Alemanha. Ele vendeu a fábrica de lã de vidro e passou a fabricar isopor baseado na patente da BASF alemã. Trabalhei com ele por um ano. Quando eu estava na Siemens fiz um curso na Manegement Center do Brasil, localizado na Avenida Paulista, fui fazer um curso de programação, eu queria saber a diferença entre o computador e o bonde elétrico, naquela época o computador era novidade, isso foi por volta de 1963 a 1965, me ofereceram um curso de programação específico para cientistas, fiz o curso por curiosidade, fiz o curso de Planejamento e Controle de Produção, o PCP, um dia o diretor me chamou e perguntou se eu queria dar o curso de PCP, era a minha área na Siemens. Passei a dar aula de PCP. Eu já estava na Isopor quando ele lançou um curso de administração de empresas para pessoas que já tinham formação acadêmica, eu queria fazer esse curso, acabei fazendo o curso, sendo que nas aulas de PCP eu passava de aluno a professor. Um dia um aluno-colega me fez uma oferta salarial muito atraente, e assim fui trabalhar na Eucatex. Ali permaneci por 21 anos, foi meu último emprego.


Quem dirigia a empresa?


Roberto Maluf, irmão mais velho de Paulo Maluf. No dia em que fui admitido fui apresentado ao senhor Roberto Maluf. A administração ficava no bairro da Água Branca e a fábrica em Salto. Milton Monteiro, engenheiro e diretor da Eucatex, foi quem me contratou.


Eucatex é feito do que?


De fibra de madeira, de eucalipto, chama-se Eucatex por causa do eucalipto.


O senhor praticou remo?


Quando estava na Politécnica pratiquei Yole A8 no Rio Tietê. Foi feita uma competição entre o Clube de Regatas Tietê e o Espéria. Frequentei o Espéria, pegava o barco normal e ia passear pelo Rio Tietê, mergulhava no Rio Tietê. Como todo rio era cheio de barro, mas não era poluído. Naquele tempo pescava-se no Rio Tietê, em São Paulo. Eu não pescava. Atravessava o rio a nado para ir ao Clube de Regatas Tietê, pulava o muro e tomava banho na piscina do clube. Isso foi por volta de 1950.














Arquivo do blog