Se alguém ainda duvida da importância de conhecermos o passado para construirmos o nosso futuro, então que revogue todos os conhecimentos acumulados pela humanidade até a presente data. J.U.Nassif

sábado, março 08, 2014

LUIZ ALBERTO MAZZERO (CEMITÉRIO DA SAUDADE)


PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 08 de março de 2014.
Entrevista: Publicada aos sábados na Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/

ENTREVISTADO: LUIZ ALBERTO MAZZERO 
                                  (CEMITÉRIO DA SAUDADE)
 
Foto by João U. Nassif
 
                Luiz Alberto Mazzero tendo ao fundo o mausoléu de Prudente de Moraes

No Cemitério da Saudade encontramos o Jazigo das Irmãs Franciscanas, o jazigo com as devidas homenagens aos Heróis Constitucionalistas  de 1932, entre eles: Natal Meira Barros, Sylvio Cervellini, José Homero Roxo, Ennes Silveira Mello, Francisco H. de Souza. Em sepulcro da família Italo Galesi como Herói de 1932. Tumulo do Dr. Alfredo José Cardoso, Luiz Diaz Gonzaga, Luciano Guidotti, Bento Dias Gonzaga, Salgot Castillon, Manoel de Moraes Barros Junior, Primeiro Presidente Civil do Brasil, Prudente José de Moraes Barros, Barão de Rezende, Jazigo das Irmãs de São José, Família Thame, Mário Dedini e Família, José Romão Leite Prestes, Almeida Junior, Frades Capuchinhos, além de muitos outros jazigos de famílias tradicionais e conhecidas.  O portão principal é uma verdadeira obra de arte, projetado pelo arquiteto Serafino Corso e executado pelo engenheiro Carlos Zanotta. É notável a arte com que foram feitas cada escultura. A pedra pelas mãos dos artistas tomaram forma própria.
Luiz Alberto Mazzero nasceu em Piracicaba a 2 de dezembro de 1970. Em 1984, ao completar 14 anos, ingressou na Guarda Mirim de Piracicaba, a sede era na Rua Boa Morte em frente a Unimep, tempo do Comandante Ciappina. Hoje pelo ECA Estatuto da Criança e Adolescente isso seria impossível. Muitos jovens, entre os quais se inclue, se não tivessem tido a oportunidade de freqüentar a Guarda Mirim possivelmente estaríam em condições lamentáveis. Salvou muitas crianças da marginalidade. Muitos tinham boa índole, berço, mas muitos que hoje são pessoas importantes na sociedade ou mesmo pessoas de sucesso devem isso a Guarda Mirim de Piracicaba. O vereador, sindicalista e bancário José Antonio Fernandes Paiva foi da Guarda Mirim. Luiz Alberto Mazzero é Chefe do Setor de Cemitérios: Cemitério da Saudade, Cemitério da Vila Rezende e Cemitério de Ibitiruna. O primeiro livro de registro de sepultamento data do ano de 1872, o primeiro sepultamento foi realizado em cova comum, no dia 2 de dezembro de 1872, foi de uma mulher de nome Gertrudes, negra, escrava, cozinheira, viúva,.seu proprietário era Antonio José da Conceição Júnior,


 Foto by João U. Nassif
                   Mausoléu de Prudente de Moraes tendo ao fundo Luiz Alberto Mazzero

Quantos corpos temos sepultados no Cemitério da Saudade?

Em torno de 155.000 corpos. O Cemitério da Saudade foi fundado em 1872está entre os quatro cemitérios paulistas mais antigos. Pode ser considerado um museu a céu aberto.

O Cemitério da Saudade envolve uma série de características que lhe são próprias?

Temos sepultados os restos mortais de grandes personalidades. Estamos em frente ao tumulo do Dr. Alfredo Cardoso.

 

 Foto by João U. Nassif

                                              Sepulcro do Dr. Alfredo Cardoso com dezenas de placas de agradecimento à graças alcançadas por seu intermédio.


Há cerca de duas dezenas de placas em metal, todas com frases de agradecimento por graças alcançadas, qual é o motivo?

Muitas pessoas que vem até o tumulo do DR. Alfredo Cardoso acreditam que ele realize milagres de curas. Ele foi um médico muito caridoso, atendia até mesmo pessoas que não tinham nenhuma condição financeira. Ele nasceu a 6 de julho de 1887 e faleceu a 30de maio de  1910 em Charqueada. Há também um velário, local próprio para as pessoas acederem velas em sua devoção. 

Temos um túmulo que é muito imponente a quem pertence?

È de Manoel de Moraes Barros Júnior nascido a 28de novembro de 1862 e falecido a 19 de dezembro de 18877. Ao lado temos o tumulo de uma personalidade histórica que significa muito para Piracicaba, para o nosso país. É o do terceiro presidente da república, sendo o primeiro presidente civil, sucessor de Marechal Deodoro da Fonseca e do Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca (Sobrinho do primeiro presidente da República, Marechal Deodoro da Fonseca). É o tumulo de Prudente José de Morais Barros nasceu no dia 4 de outubro de 1841 em Itu, falecido em Piracicaba a 3 de dezembro de 1902.

É o tumulo mais visitado?

Acredito que não. Penso que nem todos os piracicabanos sabem que o terceiro presidente da República do Brasil está sepultado no Cemitério da Saudade.

Administrar um cemitério envolve particularidades únicas?

Com certeza! É uma função muito diferenciada. Muitas vezes temos que usar a psicologia para tratar com as famílias que perdem um ente querido. As reações são as mais diversas imagináveis. Temos que administrar as emoções.

Quantos funcionários trabalham no Cemitério da Saudade?

Atualmente são em torno de nove funcionários.

 

 Foto by João U. Nassif

            Vista parcial do monumento   dos Heróis Constitucionalistas de 1932
Estar convivendo com a morte de outras pessoas, dia após dia, trás conseqüências emocionais?

No inicio há certa reserva com o fato de estar trabalhando dentro de um cemitério. Causa impacto. Cada falecimento é um fato diferente. Um grande choque é quando falece uma criança. Vitimas de acidentes de trânsito. Cada um desses óbitos trazem uma carga emocional diferenciada. Há outro fator que influi muito, embora sejamos profissionais, os sentimento da família do falecido acaba por nos contagiar. Com relação aos funcionários, há os mais sensíveis e há também os que de tanto vivenciar essas situações incorporou a sua rotina. Tratam a morte como uma conseqüência natural da vida. Há funcionários que se comovem a ponto de deixar correr as lagrimas. Cada falecimento tem uma forma peculiar de refletir em todos os presentes, inclusive no profissional que está a serviço. 

Há sepultamentos com grande afluxo de pessoas acompanhando em função do grau de relação social do falecido. Existem enterros quase solitários?

Já cheguei a presenciar aqui no cemitério sepultamento onde havia apenas o pai e a mãe, mais ninguém. Tivemos que ajudar a conduzir o corpo até seu destino. Isso desperta uma sensação de total abandono por parte de familiares.

Como fica o cemitério em dia de finados?

É uma data em que muitos deixam para fazerem suas visitas aos seus familiares aqui sepultados. Já na semana que antecede a data de finados o volume de visitantes é bem maior.

Temos túmulos muito bem cuidados, percebe-se que há uma manutenção muito cuidadosa, outros se encontram em estado menos conservados. Isso é em decorrência das posses da família?

Os sepulcros mais bem conservados decorrem em função do cuidado e das posses da família. Há também aqueles que seguem o pensamento de que após o falecimento os restos mortais não têm a menor importância.

Observamos duas caixas feitas em granito, uma ao lado da outra, isso é encomenda da família ou é feito pelo cemitério?

Nós que fazemos, para evitar a exposição dos restos mortais. São dois túmulos de crianças. Não tem nenhum tipo de decoração.

Onde são sepultados os indigentes?

Temos lugar apropriado junto ao ossário. O número de indigentes é pequeno.

Um dos funcionários informou de que pessoas ainda em vida colocam sua própria fotografia no porta retrato situado no tumulo, talvez prevendo que aquela é a sua melhor foto. Isso é normal?

Não questiono esse tipo de atitude, imagino que esse funcionário por estar a mais tempo trabalhando no cemitério tenha presenciado esse tipo de comportamento.

Estamos diante do famoso caixão que parou e não saiu do lugar?

É o que dizem. É do famoso Frei Galvão. Diz a lenda que o seu corpo estava sendo conduzido para o sepultamento, o caixão caiu no chão, acharam por bem sepultá-lo aqui mesmo. ( Há outra versão, em que no remodelamento de cemitério decidiram deixar o tumulo do frade no lugar, ocupando o espaço central de uma das vias).

Observamos que há uma série de objetos sobre o tumulo do Frei Galvão, alguma razão especial?

As pessoas fazem seus pedidos na esperança de alcançarem algum tipo de graça. Esses objetos são oferendas. Algumas peças a própria ação do tempo quebra. Temos crucifixo, Jesus Menino, Nossa Senhora Aparecida, terços, há uma profusão de oferendas.

As flores artificiais dominaram a decoração das sepulturas?

Ainda não.

Percebemos inúmeras obras de arte, cada monumento desses tem um significado próprio?

Cada obra de arquitetura dessas tem seu significado, cabem aos artistas, arquitetos, estudarem e transmitirem ao publico. É um cemitério rico em termos arquitetônicos.

 

 Foto by João U. Nassif


Por um período foi muito comum colocarem grades de ferro em torno do tumulo, qual é o sentido disso?

Atualmente não vejo sentido nisso.

A região mais antiga do cemitério é junto a entrada existente na Avenida Independência?

Exatamente, não havia o portal majestoso ainda. Temos uma capela onde são celebradas as missas, geralmente na época de finados. Se a família quiser pode realizar missa de corpo presente, a administração não cobra nada pela utilização da capela com essa finalidade.

A pessoa pode ser sepultada no Cemitério da Saudade independente da sua crença religiosa?

Exatamente! Uma característica curiosa é que temos o velário ( um grande e apropriado espaço, com instalações apropriadas para se acenderem velas), aqui existem pessoas que realizam suas práticas religiosas específicas, onde são feitas diversos tipos de oferendas conforme determina suas crenças. Por ser uma crença religiosa há o devido respeito por parte da administração. 

Encontramos MariaBenedita de Moraes a Dona Pequitita, nasida em Piracicaba a 2 de fevereiro de 1942 é uma das zeladoras mais popular do cemitério, trabalha na função há 11 anos. Quinzista e Corintiana. Ela diz:

 

 Foto by João U. Nassif



                                              MariaBenedita de Moraes a Dona Pequitita


Além de Piracicaba morei em Campinas, São Paulo, Tietê.

Qual é a sua sensação em trabalhar no cemitério?

É de calma, paz.

Você teme os mortos?

Já tive medo sim. Minha bisavó Amélia Vitalina morou no Clube Treze de Maio por muitos anos.

Seu astral é de quem é muito alegre. Já desfilou em escola de samba?

Já desfilei na Unidos da Cidade Alta, na Vila Bacchi,

Conheceu o folião Zego?

O Zego foi meu Sargentelli! Sou do tempo do Vassourinha, Xanxão, Ananias, Otávio.

Como você veio trabalhar no cemitério?

Era casada com um descendente de francês e português, ele era marmorista, fazia trabalhos aqui.A principio eu tinha medo, até que um dia decidi vir. Sou católica, devota de São Benedito.

Estamos vendo túmulos altamente luxuosos, qual é sua opinião?

O que adianta isso? Entra pelo mesmo portão e vai para a mesma terra.

Em sua opinião quem tem a consciência pesada com relação ao falecido ou falecida age como?

Acho que nem aparece no cemitério. Quem cuida do sepulcro geralmente é porque estimava a pessoa em vida.

A senhora já leu alguma frase em algum tumulo que a marcou muito? 

Fazia um mês e pouco que eu tinha perdido a minha mãe, na época eu usava um guarda pó branco. Eu estava chorando de cabeça baixa, apareceu uma moça branca, linda, ela contou-me que sua filha havia cometido suicídio por paixão.  Andamos juntas pelo cemitério, foi quando vi escrita em um tumulo a frase: “Devolvemos a Deus a jóia que nos emprestou.” Quantas vezes eu tinha passado por ali e nunca tinha observado aquela frase!. Eu cheguei a pesar 40 quilos. Vai fazer oito anos que ela faleceu, O Roberto de Moraes  foi quem ofereceu o bolo de 80 anos dela.  

MARIA CRISTINA DE CARVALHO E SILVA FRANCO


PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 01 de março de 2014.
Entrevista: Publicada aos sábados na Tribuna Piracicabana
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ENTREVISTADA: MARIA CRISTINA DE CARVALHO E SILVA FRANCO

 
 



Maria Cristina de Carvalho e Silva Franco é filha de Nelson Silva de Souza e Maria Martha de Carvalho. Nascida a 23 de janeiro de 1965, em Alfenas, Sul de Minas Gerais.
 
 Quais eram as atividades dos seus pais?

Quando nasci meu pai era estudante de odontologia e minha mãe trabalhava em um estúdio de fotografia como retoquista, era colorista, tenho fotografias minhas coloridas pela minha mãe. Usava-se anilina Bayer para dar cor as fotografias que até então eram feitas originalmente em branco e preto.

Seus estudos foram feitos em que escolas?

Estudei até a quarta série na escola Escola Estadual Madre Maria Luiza Hartzer situada a Rua 13 de Maio, 350, no centro, em Alfenas. Da quita até a oitava série estudei no Coégio Polivalente, foi uma fase em que as escolas de Minas Gerais eram excelentes.

Você se lembra do nome da sua primeira professra?

Nunca irei esquecer! Era a Dona Carminha, tenho até hoje de forma muito nítida a sua fisionomia. Sempre gostei muito de estudar, lembro-me perfeitamente das minhas professoras, doas fatos que ocorriam na escola. O ginásio estudei no Colégio Polivalente, era uma escola de vanguarda, não me lembro no momento o nome do governado da época, mas ele instituiu um ensino que além das aulas teóricas ministravam aulas práticas. Nas 5ª, 6ª, 7ª e 8ª séries em um ano fiz artes industriais, outro estudei técnicas agrícolas, no ano seguinte escola de comércio e finalmente educação para o lar. Tantos os meninos como as meninas estudavam as mesmas matérias. Os meninos aprendiam a fazer barras de calças, bainhas, pregar botões, dar banho em bebe. Eu aprendi a fazer caixinhas, tipografia, aprendi a fazer canteiros, sementeiras. Foi uma escola fantástica!

Havia muito respeito para com os professores?

Havia e muito. Da mesma forma que sempre fui muito considerada pelos professores, pelo fato de ser uma aluna muito aplicada. Quando alguém ia visitar a escola e tinha que apresentar uma aluna padrão eu era apresentada como tal. Sempre fui perfeccionista, se tirasse nota 9,50 eu já chorava! Ficava u mês pensando naquilo.

Essa sua vocação para o perfeccionismo foi influência de alguém?

Que eu tenha consciência não. A meu ver é algo da minha própria natureza. Não tinha a referência de ser “igual a tal pessoa”.

O colégio você estudou em que escola?

Foi em uma época em que estava começando a era dos cursinhos pré-vestibular, Alfenas é uma cidade universitária, prestei um exame e consegui bolsa de estudo no colégio integrado, ligado ao Colégio Promove de Belo Horizonte, agregava o 1°, 2° e 3° colegial.  Era um colegial normal com aulas dadas pelo professores do cursinho.  Esse curso era voltado para o vestibular da EFOA- Escola de Farmácia e Odontologia de Alfenas. Este ano, 2014 ela completa 100 anos de existência. Recentemente o governo federal mudou o nome da escola para UNIFAL- Universidade Federal de Alfenas.

Você deu aulas particulares?

Foi o que mais fiz no tempo em que estudei. O fato de estar sempre entre os melhores alunos me credenciva para exercer essa atividade. Eu era secretária do meu tio Dalmo, que era dentist, ele fez a inscrição para que eu cursasse medicina na UFMG- Univervidade Federal de Minas Gerais. Enquanto mepreparava para prestar o vestibular, tomei consciência de que se fosse para Belo Horizonte teria sérias dificuldades para me manter. Acabei não indo fazer o vestibular. Me inscrevi no vestibular de odontologia, um curso mais próximo ao de medicina. Passei em primeiro lugar, isso foi em 1982, eu tinha 17 anos. Pelo tanto que eu tinha estudado encarei essa condição como consequência natural. Eu tinha passado em primeiro lugar com a maior nota de todos os cursos, odontologia, fármácia, enfermagem. Lembro-me até hoje do tema da redação: “ Em terra de sapo, eu de cócoras como ele”. Fiz a redação, dissetei que queria ser diferente do sapo, não queria ficar de cócoras como ele. Em terra de sapo eu queria ficar em pé. Tirei a nota máxima em redação.  Fiz a matricula. No primeiro dia de faculdade, o Reitor da Faculdade, Hélio de Souza, entrou na classse, queria me conhecer. O Professr José Ronaldo que lecionava anatomia tem como hobby o estud de árvore genealógica. Ele tinha sido colega de faculdade de odontologia do meu pai.

Por quantos anos você estudou odontologia?

Foram quatro anos, eu continuei sendo a melhor aluna da faculdade. Eu estava na clinica quando chegou oReitor da faculdade, Afrânio Caiafa. Ele disse-me que haveria um congresso de odontologia da Academia Mineira, em Caxambu, onde serão premiados os sete melhores alunos de odontologia do Estado de Minas Gerais. Disse-me; “Você será a nossa indicada!’. O presidente da Academia Mineira de Odontologia era formado na EFOA. A ida a esse congresso envolvia a hospedagem por cinco dias em um hotel cinco estrelaso Hotel Glória. Quem me fez companhia nessa viagem foi uma amiga, a Angélica. No dia da entrega da medalha o professor Afrânio Caiafa foi até Caxambu só para eme entregar a medalha. Isso me emocionou muito.

A montagem de um consultório dentario envolve altos custos, como você fez?

Eu meformei devendo, literalmente, a roupa da formatura. Me formei em 13 de dezembro de 1986. Dia 2 de janeiro comecei a trabalhar em Franca, em uma clinica. Era uma clinica que tinha muitos convenios com as fábricas de calçados, isso foi na époa em a cada semana falia uma fábrica de calçado. Permaneci nessa clinica de janeiro a setembro. Fiquei sabendo que tnha um curso de especialização aqui em Piracicaba, foi através da minha tia Eliana de Carvalho Silva,, veterinária do Centro de Controle de Zoonoses. Abriu um curso de Especialização em Saúde Pública, voltadoà qualquer profissional de saúde. Esse curso foi dado na Santa Casa de Piracicaba pelo pesssoal da Universidade São Camilo, foram dois anos de curso. Eu morava em Franca, na própria clinica, quando a clínica fechava a noite eu punha um colchão no chão.

Em quais condições você veio morar em Piracicaba?

Minha tia morava em uma pensão, resolvi ficar com ela na pensão. Eu pedi para a Dona Mercedes , que era a proprietária da pensaão, se eu podia colocar um colchão no chão. Fiquei ali uns seis ou sete meses.

Você não trabalhava?

O Professor Miguel Morano Júnior me conhecia. Minha tia trabalhava em uma equipe multidisciplinar da prefeitura. O Professsor Miguel Morano Júnior soube do meu desejo de fazer a especialização e da necessidade de um trabalho para custear minha sobrevivência e arcar com os custos do curso. O profesor Miguel ficou sabendo que Charqueda precisava de uma dentista com esse perfil, na época eu tinha 22 anos. O Prfessor Miguel me indicou. Fui trabalhar coo coordenadora de odontologia na prefeitura de Charqueada.  No primeiro mês o salário que eu ganhava dava para pagar o meu curso e o apartamento que alugamos, eu, minha tia e mais uma moça a Heloisa, fisioterapeuta. Isso em Piracicaba. Eu ia todos os dias para Charqueada. Permaneci assim por dois anos. Eu ia até as escolas e trazia até 15 crianças para o consultorio, onde as examinava, orientava quanto a saúde bucal. O número de extrações de dentes entre adulto era muito elevada.

Como você conheceu seu marido?

Foi em uma viagem em que eu estava indo de Alfenas para Campina e Jeremias Batista Franco estava indo de Alfenas para São Paulo que nos conhecemos, na ocasião ele estudava Administração de Empresas na Universidade Mackenzie, hoje ele é gerente geral de uma grande instituição financeira. Em 1987 nos conhecemos. Casamos em Alfenas a 17 de fevereiro de 1990 na Igreja Nossa Senhora Aparecida. Temos dois flhos: Gabriela e Pedro Henrique..

Em que local você montou seu primeiro consultório?

Eu cnclui o curso de Especialização em Saúde Pública, terminei a TCC - Tese de Conclusão de Curso fui para São Paulo e montei um consultório na Vila Matilde, na Avenida Melchert, próximo ao cartório o  Jeremias morava na Penha. Montei o consultório em uma sala que ficava em cima de uma pizzaria. Não coloquei placa de propaganda do consultório. O equipamento ganhei um usado que havia pertencido ao meu pai. Aprendi a fazer manutenções básicas no meu consultório. Em um mês de trabalho eu já estava com o consultório lotado.

Você reputa isso à que?

Não sei explicar.

O que você mais atendia?

Tudo! Clínica Geral. Fazia muita prótese. Eu era casada, morava em uma casinha de três comodos em Guarulhos, tomava dois onibus para ir trabalhar. Permaneci em São Paulo por uns dois anos. Aos 27 anos fiquei grávida, o meu filho Pedro nasceu, ele ficava em um cercadinho em um anexo ao consultório. Criei um nivel de relacionamento tão positivo que as vezes algumas pacientes cuidavam por algum tempo do Pedro. Infelizmente começou uma onda de violência especificamente contra consltórios dentários, com assaltos e  barbáries. Isso foi por volta de 1993 a 1994. O compresor do consultório ficava em cima de uma marquise, embaixo era uma pizzaria. Eu estava atendendo um paciente, quando o compressor fez um barulho e começou a sair fogo. Corri, desliguei. Tinha uns 3 ou 4 pacientes na sala de espera, pedi desculpas e fui atrás de um técnico de compressores. Na esquina do meu consultório tinha uma unidade da White Martins, fui me informar se conheciam algum técnico de compressor. Eles disseram que não conheciam. Eu estava com o Pedro, gastei uns 10 munutos entre sair e voltar para o consultório, ao me aproximar vi um aglomerado de pessoas próximas ao consultório, no prédio onde aluguei, no final do corredor tinha um representante da Cozinha Todeschini, fui avisar a Edna, que trabalhava lá, ia dizer que ia embora, o meu compressor tinha estragado. Uma outra funcionária me disse: “- A Edna acabou de pular a janela!”. Estavamos no segundo andar. Ela quebrou a perna. Foi quando amoça me disse: “ Veio um individuo assaltar você, como não estava no consultório sacou uma arma e apontou para a Edna que assustada pulou a janela.

Como elas sabiam que o individuo queria assaltá-la?

Ele perguntou a elas aonde estava a dentista, elas disseram que eu tinha saído! O mais espantoso é que liguei o compressor e ele funcionou normalmente sem problema nenhum. Continuei com esse compressor até mudar para cá. O Jeremias tinha concluido seu curso, eu conhecia muitas pessoas em Charqueda, decidimos mudar. Eu tinha trabalhado nas administrações do Dito Viviani e do Guido Zanatta. Vim com a cara e a coragem, em um mês o meu consultório estava lotado, a ponto de trabalhar sábado e domingo. Sem placa . Em uma chacara no Bairro Recreio.  





O seu consultório funcionava em uma chacara?

Coloquei o consultório no fundo da chacara. O Dr. Waldemar Romano era conselheiro do CRO - Conselho Regional de Odontologia, ele foi designado para fazer a vistoria oficial, na época eu tinha 29 anos. O Dr. Waldemar Romano disse-me: “ –Cristina, você tem certeza do que você está fazendo? Colocar um consultório em uma chacara e sem placa?”. “-Vai dar certo seu consultório?”. Disse-lhe que iria tentar, principalmente por ter custos reduzidos. Nunca mais encontrei o Dr. Waldemar, acho que ele gostaria de saber que eu fazia atendimento de domingo a domingo. Eu queria que ele se lembrasse de mim.

Em média quantas pessoas você atendia por dia?

Atendia 30, 40 pessoas. Na época da safra, a noite eu atendia 20 safristas. Tudo particular. Aquele pessoal do Norte de Minhas iam ao consultório de onibus. Alugavam van para ir ao consultório, um ficava esperando outro ser atendido para ele receber atendimento. Por uns dois anos, eu fazia todo mês duas próteses para pacientes do Hospital Espírita Dr. Cesário Motta Júnior, atendia o pessoal com um enfermeiro acompanhando. Eu fazia trabalho voluntário para eles. Em Alfenas eu fazia trabalho voluntário no Hospital Psiquiátrico e na cadeia.

Como era a relação do dentista com o detento?

Era complicada, isso porque não havia equipamentos, nem consultório, o paciente-detento sentava em uma cadeira comum, o único procedimento realizado era a extração. Os equipamentos mínimos necessários já iam esterilizados. Tinha que encontrar uma posição melhor para extrair, é jeito e não força que permite a extração. Os detentos morriam de medo dos dentistas. Teve um caso em que o preso tinha cometido um crime com requintes de crueldade, ele ficou com dor de dente, ele tinha um pavor de mim porque era dentista. Eles permaneciam algemados e estavam sempre escoltados.

Até que ano você manteve o consultório no Bairro Recreio?

Em 2006 o meu marido Jeremias já estava trabalhando em uma grande instituição financeira. Eu estava muito cansada, trabalhava de domingo a domingo. Um fato muito comum com dentistas é que o relacionamento interpessoal é quase inexistente, por questões técnicas o paciente não pode manter diálogo, o dentista pode falar a vontade, ao paciente resta ouvir. Cria-se um relacionamento de monologo. Embora muitas vezes haja um forte vinculo de amizade entre dentista e paciente.

Como seu deu uma grande mudança profissional na sua vida?

Estávamos em um pequeno grupo de amigos, entre eles uma amiga que trabalhava na mesma instituição em que o Jeremias trabalha. Ela disse-me que havia uma excelente oportunidade, me incentivou a prestar um concurso. Passei em sexto lugar. Assumi em 6 de agosto. Eu já tinha feito dois cursos de especialização, um deles em ortodontia.  Passei a trabalhar de manhã no consultório na chácara, como clica geral e ortodontista. Das 11:00 as 17:00 trabalhava nessa instituição financeira, na época era proibido fazer hora extra nessa empresa. Eu voltava para casa e trabalhava no consultório até tarde da noite. Em uma dessas ocasiões um individuo armado com arma de fogo e arma branca colocou em risco a integridade da família. Decidimos mudar para Piracicaba, deixamos a nossa chácara que era enorme e fomos morar em um apartamento. Nesse meio tempo conheci um movimento denominado “Simplicidade Voluntária”, mostra que a pessoas podem viverem com menos, podem mudar. Estudei o assunto, mostrando exemplos de grandes executivos. Pensei exatamente isso: “-Posso viver com menos!”. O consultório é uma vida de frustração, você trabalha tanto, você não tem uma relação interpessoal, acaba gastando com bens que nem precisa.  As vezes pode estar com dinheiro no bolso sem saber com o que gastar. Para mim isso não faz sentido. Eu não era feliz. Hoje trabalho em uma importante instituição financeira nacional, tenho uma função que me dá muita satisfação, uso muito da psicologia que pratiquei no meu consultório.

ALFREDO LINEU CARDOSO


PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 15 de fevereiro de 2014.
Entrevista: Publicada aos sábados na Tribuna Piracicabana
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ENTREVISTADO: ALFREDO LINEU CARDOSO
 

O professor Lineu Cardoso após aproximadamente “54 anos de giz na mão” formou milhares de alunos nos mais diversos cursos e escolas. Tornou-se uma figura quase lendária para os que foram seus alunos. Sempre foi muito bem quisto pelos seus alunos, assim como pelos seus pais que se manifestavam nas reuniões entre pais e mestres. Um cronista já escreveu: “O professor Lineu Cardoso é um livro de uma biblioteca, caso um dia esse livro deixe a biblioteca a mesma perderá sua consistência”. Alfredo Lineu Cardoso nasceu em Rio Claro, a 3 de março de 1937, filho de Alfredo Cardoso e Alice Campos Cardoso que tiveram também as filhas Aparecida e Carmem Silvia. 
Qual era a atividade do seu pai?
Meu pai dedicou a sua vida toda à Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Minha esposa, Marina Capelato Cardoso, natural de Rio Claro, também é filha de ferroviário. Um fato interessante é que quando vim removido de Rio Claro para Piracicaba não tinha nenhum parente residente em Piracicaba, fato que só mudou com o nascimento dos nossos filhos: Lineu Antonio, Augusto, Paulo Afonso e Murilo José. Os professores, colegas, alunos, admiram quando falo que morava em Rio Claro, quando fui com meu pai, de madrugada, ver a volta dos expedicionários da Segunda Guerra Mundial. Eles chegaram em Rio Claro em 1945, de trem, desceram a avenida principal, eu estava lá. Para mim é uma glória.Dei aula nas faculdades de Amparo,  Americana, Limeira onde fui vice-diretor durante muitos anos, dei aula na Faculdade de Serviço Social de Piracicaba. Tenho graças a Deus uma formação moral da minha família de ferroviário, de vida sofrida, de levar minha marmitinha no trem, de levar marmita para o meu pai, em Rio Claro, eles colocavam em cima do motor para manter aquecida, meu pai era substituto em Valinhos, Vinhedo ( Na época conhecida como Rocinha), Louveira, cada dia ia para um lugar que ele substituía o chefe. Essa formação, graças a Deus vem até hoje e eu consegui passar de pai para filho.
Onde você realizou seus primeiros estudos?
Foi no Grupo Escolar Joaquim Salles, Ginásio Estadual Joaquim Ribeiro, Ginásio Koelle. Em Rio Claro embora meu pai fosse ferroviário, Chefe da Estação, moramos sempre em casa particular. Quando meu pai em suas andanças como ferroviario orou entre Leme e Pirassununga, em Souza Queiroz, estudei em Pirassununga, fui aluno do professor Manoel Godoi que foi um dos maiores piscicultores do Brasil, voltei a concluir o colegial no Ginásio Estadual Joaquim Ribeiro, em Rio Claro. Dali fui para a USP, na Faculdade de Fiosofia Ciencias e Letras, cursar Geografia. Ficava na Rua Maria Antonia, em frente ao Makenzie, em São Paulo. Isso foi em 1957.
Você morava em que local em São Paulo?
Eu e alguns colegas de Rio Claro tínhamos um apartamento, na Rua Brigadeiro Tobias. No começo da semana eu ia de Rio Claro à São Paulo de trem, voltava no final de semana. Por ser filho de ferroviário tinha algum privilégio, cheguei a ter a Caderneta Quilométrica. Na USP tive aulas com Fernando de Azevedo, Haroldo de Azevedo, Sérgio Buarque de Holanda, pai do Chico Buarque,
Você trabalhava nesse período?
Trabalhava, quando sai de Rio Claro já sai engajado no Banco Mercantil de São Paulo,  situado na Rua Álvares Penteado. Era a matriz. Eu era operador de uma máquina de lançamentos contábeis Burroughs. Era usada para preencher uma ficha enorme, tinha um carro muito grande, fazia um barulho enorme. Trabalhava durante o dia e estudava a noite. Eu tomava um onibus em frente a Biblioteca MunicipalMário de Andrade, para ir à Cidade Universitária. Quando comecei, Geografia tinha umas matérias junto com a Geologia, situada na Alameda Glete, tivemos algumas aulas em pavilhões alugados situados na Avenida Angélica, depois onde hoje funciona o prédio da reitoria, foi adaptado as pressas para funcionar o curso de geografia. O plano iniial era funcionar de um lado o curso de história e do outro lado geografia. Quando fomos ocupar precariamente o prédio destinado a geografia as paredes estavam inacabadas, a cantina parecia o armazém do Rolando Boldrim, com os engradados de cerveja. Havia uma banda de sapo naquele varjão da cidade universitária. Era um descampado. Na USP tive um curriculo muito diversificado, estudei tupi-guarani com o Professor Airosa Galvão. Etnografia com o professor Drumond, tive aula de botanica com o Professor Mario Guimarães Ferri que veio a ser reitor da USP. Após tres anos, passei no concurso de ingresso, como professor normalista, entre 200 candidatos passaram 53. Escolhi minha cadeira, fui lecionar em Adamantina, iterrompi a faculdade, que vim a concluir em 1973 na Faculdade de Filosofia de Rio Claro, hoje Unesp. Eu viajava com o meu professor João Dias da Silveira que estava instalando a faculdade de filosofia em Rio Claro.
Em São Paulo você trabalhou em alguma outra empresa?
Trabalhei na Folha da Manhã, do grupo Folha de São Paulo, no balcão do DRH, Departamento de Relações Humanas, eteve comigo uma moço moreninho, baixinho, ambos na expectativa de sermos chamados. Fui para o departamento de arquivo e estatística com o professessor Mayer. Para o meu colega de espera, disseram-lhe para ir ao departamento de artes gráficas. Esse moço era Mauricio de Souza. Isso foi em 1957. Tres ou quatro meses depois saiu o resultado de um concurso que eu tinha feito para escriturário da Caixa Economica do Estado de São Paulo. Sai do jornal e fui trabalhar na matriz da Caixa Economica na Rua XV de Novembro. Por obra do acaso, eu e outra pessoa acabamos sendo assistente de compras de toda a rede da Caixa Economica do Estado de São Paulo. Atraves de concorrência pública compravamos desde clips até jipe. Só não faziamos concorrências públicas para adquirir terrenos ou erguer edifícios. Veio o concurso de ingresso, fui para o magistério que na ocasião remunerava melhor. Tive muitos convites de delegados regionais para ser gerente de agência da Caixa Econômica.
Voce foi lecionar em Adamantina?
Fui, tinha uns 22 anos, meu pai era Chefe da Estação de Adamantina, morava na casa de propriedade da Cia. Paulista. Casei-me em Adamantina. Completei dois anos em Adamantina e vim por remoção para Piracicaba leciona na Escola Estadual Monsenhor Jeronymo Gallo. Assumi aqui em 1962. Na época o Jeronymo Gallo funcionava junto com o Grupo Escolar José Romão. Logo em seguida começaram a construir o prédio próprio. Permanecemos uns dois anos juntos com o Romão. Permaneci no Jeronymo Gallo até 1991. Muitos dos nossos alunos entraram para as faculdades sem fazerem curso prepratório.
Voce é do tempo em que o aluno se levantava quando o professor entrava na sala de aula?
Levantavam. Eu então dizia que podiam sentar. Exigia-se uniforme. O aluno tinha que estar trajado dentro das normas, senão não entrava. Um cinto fora do padrão já era motivo para o aluno não entrar em aula.

 


 
Você usava gravata para lecionar?
Usava! Eu ia dar aula de gravata e jaleco, paletó. Cheguei a dispensar de aula um aluno que estava sem cinto. Ele saiu da sala eu sai, fui atrás dele, chamei-o pelo nome: “- Schievano!” Tirei o meu cinto, dei a ele, eu estava de jaleco não aparecia. Dissse-lhe: “ -Daqui a cinco minutos você se apresenta na classe e diz que completou o seu uniforme.”. Esse aluno hoje é piloto comercial.
Como era a dedicação dos alunos?
Bem melhor que a de hoje. Um dia na semana era entoado o hino nacional com hasteamento da bandeira nacional.
E a famosa “cola” era muito disseminada?
Eu era da linha dura, assim como os professores Maria Cecília Zagatto, Professor Marques, Angelo Di Lello. No início o Jeronymo Gallo era a somatória de alunos de todas as partes, até sentirem o prazer de atravessar uma cidade de ônibus ou de bonde para assistir aula no Gallo.
A fanfarra do Gallo foi muito famosa?
O Mestre Dick alternava, ensaiava um pouco no Colégio Industrial, com o Danilo Sancinetti e um pouco no Jeronymo Gallo. Havia uma grande rivalidade entre as fanfarras das escolas Gallo, Industrial, Dom Bosco e Jorge Coury. Fui um dos comparadores de instrumentos na Werril. Participamos de concursos de fanfarras em São Paulo. Quem comprava os instrumentos era a associação de pais e mestres. Tínhamos uma brilhante equipe de basquete feminino.
Quando você chegou a Piracicaba foi morar em que local?
Fui morar na Rua Vergueiro em uma casa alugada de Angelo Padula, o Gilão, dali comprei uma casa na Rua Treze de Maio, comprei o sobrado situado na Rua Boa Morte com Rua Joaquim André, ali morei de 20 a 30 anos.
Além do Gallo você deu aulas em outros locais?
Dei aulas no cursinho CLQ, fiquei lá até 1977. Sai de lá por ter sido chamado pelo prefeito João Hermann Neto para ser Secretário da Educação. Quando ele assumiu era Secretaria da Educação, Saúde e Promoção Social. Alguns meses depois ele desmembrou. Por oito anos fui vice-presidente da ADPM- Associação Desportiva da Policia Militar. Quem me levou para a ADPM foi o Coronel Tércio Sendim. Depois fui vice presidente junto com o Capitão Veronezzi, hoje tenente-coronel. Conseguimos fazer grandes eventos ali. Na gestão do prefeito Humberto de Campos fui secretário do SEDEMA.
Você trabalhou com a Cida Abe?
A Cida foi minha aluna. Ela foi Secretária da Cultura e eu fui diretor do Engenho Central. Quando a Cida Abe se afastou para concorrer a vereadora eu a substitui na secretaria.
Qual é a receita para estar tão bem disposto após tantos anos de trabalho?
Eu me sinto bem. Fisicamente. Mentalmente. Socialmente. Vou fazer 77 anos. Trabalho bastante na minha chácara. Plantar, carpir, passar maquina de cortar grama, rastelar. Sempre fui muito curioso. As melhorias acrescentadas na chácara, a parte hidráulica eu que fiz. Com caixas de inspeção, quedas. Na parte elétrica só não fiz a rede primária.
Qual é a diferença do ensino de geografia no seu tempo e a que é ensinada hoje?
Hoje a geografia tem uma linha muito mais sociológica. Tanto que alguns dos grandes autores de livros fizeram ciências sociais. Geografia no estilo de Haroldo de Azevedo, Celso Antunes, é feita por poucas pessoas. Sempre fiz questão de ressaltar os fundamentos científicos. Conduzi a geografia como um preparo para a vida, levar muito do que aprendeu em geografia para a sua vida.
Qual é a importância de um geógrafo para um país?
O geógrafo, nessa linha cientifica, ele deveria ter como em outros países, cargos efetivos dentro da administração publica. Ele tem uma visão muito ampla. Acho que não deveria faltar um geógrafo na administração, ele enriquece o administrador com informações e conhecimentos.
Temos um fenômeno que se repete todos os anos, são as famosas enchentes, é tido e sabido que o rio já existia quando o homem chegou naquele local. A culpa dos prejuízos cabe as condições climáticas ou ao homem?
A maior parcela de responsabilidade cabe ao homem. Claroque ocorreram uma série de mudanças físicas, meteorológicas. Não podemos afirmar que o rio perdeu todo seu manancial só por uma intervenção humana.
O Rio Piracicaba está sem água, isso é um fator normal para o período?
Diante do que foi acontecendo, a situação foi se agravando, os mananciais de cabeceira foram sendo captados, a água que chega para Piracicaba não é a mesma, há muita demanda, houve um grande aumento da população.
Você bebe água de torneira ou água fornecida em galões?
Já faz uns dois ou três anos bebo água de galão. Digo aos meus alunos que a água da torneira é muito melhor do que a água de poço. Para beber água de poço basta um cuidado, passa no centro de saúde pega o hiposulfito, põem umas gotinhas, dá aquela carência, e pode tomar a água do poço. A água da torneira já vem tratada, o gosto pode não ser o melhor, carregada em flúor. Mas é melhor.
 

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