Se alguém ainda duvida da importância de conhecermos o passado para construirmos o nosso futuro, então que revogue todos os conhecimentos acumulados pela humanidade até a presente data. J.U.Nassif

sexta-feira, novembro 13, 2015

ARACY DUARTE FERRARI

Entrevista realizada a 10 de novembro de 2015
PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 14 de outubro de 2015.
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/
http://www.teleresponde.com.br/
ENTREVISTADA: ARACY DUARTE FERRARI

Aracy Duarte Ferrari nasceu a 12 de julho, em Presidente Alves, é filha de Anselmo Duarte Filho e Maria da Conceição Rodrigues Duarte que tiveram os filhos: Alice, Ayres, Aurora e Aracy. A atividade principal do seu pai era comerciante, tinha um restaurante em Presidente Alves. O trevo de Presidente Alves tem o nome do seu pai: Anselmo Duarte Filho. A Sociedade de Beneficência Portuguesa de Bauru tem o nome do seu avô: Anselmo Duarte.
O grande ator Anselmo Duarte tem algum grau de parentesco com sua família?
Eu conversei com ele em uma das reuniões do Clube dos Escritores, ele disse-me na época que sua mãe tinha o sobrenome Duarte e que ele mantinha o nome de sua mãe. A irmã dele chama-se Aurora Duarte o mesmo nome da minha irmã! Quem passa pelo trevo da Rodovia Marechal Rondon imagina que o nome Anselmo Duarte é uma homenagem ao artista, muitos não sabem que esse nome foi dado em homenagem a meu pai.
O grupo escolar você estudou em que localidade?
O grupo escolar estudei em Presidente Alves, no Grupo Escolar Coronel José Garcia, minha primeira professora foi Da. Maria dos Santos. Sou da primeira turma formada nesse grupo escolar. Como não havia ginásio na cidade a prefeitura mantinha um serviço de transporte de escolares entre Presidente Alves e Pirajui. Ainda era estrada de terra. Estudava no Instituto de Educação Alfredo Pujol. Lá fiz o ginásio, magistério e fiz especialização para cursar a faculdade. Fui fazer a faculdade em Bauru, sou da segunda turma da FAFIL, da Universidade Sagrado Coração de Jesus – USC. Quando fui morar em Bauru já estava casada com Aldo Ferrari, que era gerente do Bradesco. Fomos morar na Rua Adolfo Lutz.  Casamo-nos na Igreja Matriz de Santa Cecília em Presidente Alves, a 16 de julho de 1961. Quando o meu marido faleceu, eu tinha 59 anos, ficamos casados por 35 anos e meio. Contrai segundas núpcias com José de Arruda Ribeiro, agente administrativo da ESALQ. Formei-me como Pedagoga especializada em Psicologia. Eu comecei a lecionar a 2 de julho de 1960. Meu pai faleceu quando eu tinha onze anos. Minha avó Rosa Tereza de Souza tinha muita cultura, meu tio-avô foi governador do Acre. Em Ourinhos tem uma rua chamada Souza Soltelo, é o nome do irmão da minha avó.
Você além de lecionar passou a ocupar outros cargos?
Depois fui coordenadora pedagógica, diretora, na Escola Coronel José Garcia e depois em Bauru na Escola Estadual Professora Ana Rosa Zucker D'Annunziata, lá permaneci como diretora uns oito anos. Dei aulas na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras em São Manoel. Trabalhei por 17 anos na Escola Professor Jose Aparecido Guedes de Azevedo, em Bauru.
Quantos filhos vocês tiveram?
São quatro: Cristiane, Aldo José, Marcio Anselmo e Patrícia.
Além de Bauru, você trabalhou em alguma outra cidade após essa etapa?
Fui coordenadora de matemática em São Paulo, trabalhei na Divisão Regional de Ensino, conheci Thales Castanho de Andrade, tenho um livro dele “Caminhos da Roça”, ele foi supervisor na Região de Bauru e Presidente Alves também. Sempre gostei de saber por que determinada rua tem determinado nome, qual é o significado. As cores nacionais não têm nada a ver com as cores simbólicas da bandeira. Elas advêm dos imperadores: o verde é da família de Bragança de Portugal a qual D. Pedro pertencia. O amarelo é da família de  Habsburgo da Imperatriz Leopoldina.
Existe uma versão de que a cor verde da bandeira brasileira significa as extensas matas e florestas de todo o Brasil. O amarelo representa popularmente o ouro e a riqueza do país.
A meu ver é uma forma de apresentação das cores verde e amarelo de uma visão romântica.
Como pesquisadora, você pode afirmar que a história tem várias facetas?
Infelizmente, algumas vezes o conhecimento dado ao aluno é falho mais por responsabilidade do professor que desconhece certos fatos. Falta-lhe conhecimento da matéria que propõe a ensinar.  Ele tem um conhecimento livresco, ele limita-se a um programa a ser cumprido, ele está apoiado em um livro pedagógico, apoiado pela Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP). Há pouco tempo discutimos em reunião o conteúdo de alguns livros, eles foram excluídos. Não critico o professor que segue as diretrizes, ele está baseado em um contexto onde há a programação que ele deve cumprir. Portanto, o professor muitas vezes não vai além por falta de conhecimento e também porque tem que cumprir a programação pré-estabelecida. O conteúdo programático.
Aracy, dentro da sua trajetória, pode-se dizer que atingiu um cargo relevante com qual denominação?
Foi o de Supervisora de Ensino, isso dentro de uma unidade escolar. Na CENP situada na Rua João Ramalho, eu também fui uma das coordenadoras do Projeto Geometria Experimental, nas quatro Delegacias de Ensino: Bauru, Lins, Jaú e Botucatu.
Sob seu ponto de vista, o que piorou o nível dos professores ou o nível dos alunos?
Honestamente acredito que ambos sofreram um desnível. Os alunos desenvolveram-se na área de informática desde muito jovens, a escola não tem essa estrutura de informática para acompanhar essa nova metodologia. Nosso ensino está totalmente retrógrado.
O Brasil não investe em tecnologia?
Acho que em nível superior sim. Mas no ensino fundamental os investimentos em tecnologia são parcos.
Você aposentou-se em que ano?
Aposentei-me duas vezes. Trabalhei 35 anos no Estado. Aposentei-me em 1987 e em 1995.
Ao aposentar-se, sua intenção foi de não se dedicar a mais nada?
Muito pelo contrário, sempre tive essa ansiedade de realizar outras atividades. Ao chegar a Piracicaba, em 1996, o meu genro trabalha em uma empresa em Piracicaba, sabia que poderia ser útil à minha filha, meus netos ainda eram pequenos. Além do que, os outros filhos estavam na região e outra filha já morava aqui.
No período em que você trabalhou em São Paulo, continuava morando em Bauru?
Eu ia e voltava todos os dias de ônibus, pelo Expresso de Prata. Dei aulas em Araçatuba também. Íamos em um grupo as sextas-feiras a noite dar aulas na faculdade. Foi um período áureo para os professores, eram valorizados e respeitados.
Quando você mudou de Bauru para Piracicaba onde foi morar?
Fui morar na Rua Ipiranga. Eu estava procurando o que fazer. Através dos periódicos acompanhava todos os lançamentos, reuniões abertas, eu ia a todas. Vi um artigo escrito no Jornal de Piracicaba, “Amar, amar Piracicaba”. Escrevi um artigo sobre o tema. O Carlos de Moraes Júnior do Clube dos Escritores leu e teve sua atenção despertada. Concomitantemente tive contato com o Clip - Centro Literário de Piracicaba e com o  Golp - Grupo Oficina Literária de Piracicaba. Na gestão da Maria Helena Corazza fui convidada pela Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme para participar como integrante da Academia Piracicabana de Letras. Agora na gestão do professor Gustavo Jacques Dias Alvim fui convidada como bibliotecária para preservar o acervo.
Além da literatura você participa de alguma outra manifestação cultural?
Comecei a participar das artes plásticas, pintura em óleo e pastel. Estudei com a Luiza Libardi, com o Gil, Denise Storer.
Quantos livros você tem publicados?
Estou preparando o quinto livro. O primeiro deles é “Presenteando o Passado”, “Memórias em Galhos Floridos”, “Mergulho Interior” e “Tardes de Prosa”. O quinto ainda estou pensando em um nome. Em Piracicaba além de outras pessoas tive inicialmente o apoio decisivo de Lino Vitti, Cecília Bonachela e Carlos Moraes Júnior.

Quando você fala em coletâneas como podemos explicitar o seu significado?
Por exemplo, a coletânea Fênix de São Paulo, você participa de um movimento literário, resolvem ter a produção de um livro e todos participam do livro. Outras coletâneas passam por um processo de seleção. Com uma dessas coletâneas ganhei um prêmio em Pirajuí. Falo realmente da Estação da Estrada de Ferro Noroeste.








A sua forma de expressão mais utilizada é a crônica ou a poesia?
Segundo Lino Vitti e o professor Hildebrando Afonso de André, o meu forte são crônicas.
Como surge a inspiração para escrever essas crônicas?
O que me ajuda muito são as músicas. Ao ouvi-las fico sensibilizada, quem lê os meus livros diz: “Aracy! Eu li você!”. Eu me coloco muito nos livros. Gosto muito de músicas clássicas, mas ouço até forró universitário. Ouço o Padre Fábio de Mello. Gosto muito das musicas de José Augusto.
Você gosta de dançar?
Danço demais! Sempre dancei! Tenho até um texto a respeito. “Quem sou explico: Mãe e avó super protetora, corintiana pé de valsa, danço bolero, samba e salsa”.
Escrever funciona como uma terapia?
Acho que sim! Uma coisa curiosa é que meu marido Aldo Ferrari foi meu aluno de magistério, ele era contador! Havia 105 alunos na sala de aula, já éramos casados, por seis meses ninguém soube, até que um dia ele colocou a mão em meu ombro e todos ficaram sabendo.
Você viajou para vários países?
Viajei pelo  Friendship Force International, fiz viagens por conta própria também. Recebo muitas pessoas de outros países através do Frienship, geralmente são casais. Quando perdi meu esposo fiquei noventa dias na Europa, eu tenho uma filha que morava na Alemanha. O pessoal em Presidente Alves achava que meu marido e eu éramos professores de dança. Quando ele faleceu passei a freqüentar grupos de orações, festas beneficentes. Até que um dia uma das minhas filhas percebeu que eu sentia falta de dançar, era uma atividade constante na minha vida e na vida do meu marido. Sempre tive meu único namorado que depois foi meu marido. Não me imaginava com outra pessoa.
Atualmente além de bibliotecária na Academia Piracicabana de Letras você é secretária no Clube dos Escritores?
Participo do CLIP, do GOLP, e da APAP- Associação Piracicabana dos Artistas Plásticos. Já estou há 19 amos em Piracicaba, já me sinto piracicabana. Uma das atividades que pratico é a corrida, a última corrida que participei foram, 10 quilômetros. Faço hidroginástica. Procuro sempre uma conversa saudável, sem falar de remédios, receitas e assuntos pertinentes.




Você é religiosa?
Sou. Participei de movimentos religiosos. Participei do Movimento Familiar Cristão com o Frei Augusto Giroto. Trabalhei com catequese durante nove anos.
A biblioteca da Academia Piracicabana de Letras é restrita aos associados?

Ela não é uma biblioteca aberta, como a Biblioteca Pública Municipal. É utilizada apenas para consulta da própria diretoria e acadêmicos. 

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