Se alguém ainda duvida da importância de conhecermos o passado para construirmos o nosso futuro, então que revogue todos os conhecimentos acumulados pela humanidade até a presente data. J.U.Nassif

sexta-feira, setembro 04, 2015

CLAUDINEI POLLESEL

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 05 de setembro de 2015.
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/
http://www.teleresponde.com.br/
ENTREVISTADO:
CLAUDINEI POLLESEL


Qual é o seu nome completo?
Cladinei Pollesel isso porque requeri a cidadania italiana, tive que adaptar meu sobrenome que era com “l” e “z” para dois “l” e “s” ara ficar igual ao original do meu bisavô. Naquele tempo ainda se exigia essa adaptação.

Você nasceu em que localidade?
Nasci em Piracicaba, no bairro do Rolador. Exatamente onde eu nasci hoje se chama Jardim Itamaracá. Ao lado do bairro Sol Nascente e do bairro Alvorada. Ali eram sítios, chácaras. É um mistério até hoje porque o bairro tinha esse nome: Rolador. Eu tenho a tese de que tem a ver com “rolo”, em Piracicaba quando se faz uma permuta diz-se que foi feito um “rolo”. É um bairro antigo, existem registros com esse nome Rolador, antiqüíssimos. O escritor, jornalista e historiador Cecílio Elias Netto já localizou até uma capela naquele bairro, a Capela do Rolador. Foi naquele bairro que nasci a 30 de setembro de 1968. Hoje ali virou uma série de bairros. O meu nome é Claudinei por causa do goleiro do Esporte Clube XV de Novembro, meu pai é fanático até hoje. O goleiro do XV em 1968 era o Claudinei. E eu nunca gostei muito de futebol!
Qual é o nome dos seus pais?
José Alberto Polezel e Rosa Caetano Polezel. Existe uma grande família em Piracicaba, inclusive mora aqui perto o luthier piracicabano Nelson Polizel, é outra família. Meus filhos já foram registrados da forma nova. Meus pais antes de eu nascer trabalhavam como oleiros, na época em que nasci meu pai já era agricultor, era meeiro, trabalhava com o cultivo de arroz.
Tendo a Praça da Catedral como referência, até lá dá qual distância?
Uns 10 quilômetros. Nós fazíamos esse caminho, do sítio onde morávamos até o Piracicamirim. Íamos a pé, a cavalo ou de carroça. Era comum fazer esse caminho do sítio onde morávamos até o Piracicamirim, a nossa referência de “cidade” não era bem o centro, era o “Pisca”, corruptela de Piracicamirim. É ali que vínhamos na venda, adquirir bens, a nossa igreja era a Capela Nossa Senhora Aparecida, que pertencia a paróquia do Bom Jesus. Naquela época monsenhor Rubens já estava lá, era muito conhecido dos meus pais. Meus pais se casaram na igreja do Bom Jesus, e nós, cinco irmãos: Maria Cecília, José Carlos, Ana Aparecida, João Luiz e eu Claudinei, fomos batizados na igreja do Bom Jesus, todos pelo monsenhor Martinho Salgot. Foi ele quem fez o casamento dos meus pais.  



Com que idade você começou a estudar?
Meu primeiro ano foi em 1976, na Escola do Taquaral. De onde morávamos até o Taquaral, eram praticamente três quilômetros, que percorríamos a pé. Minha mãe era a merendeira da Escola do Taquaral. Meus irmãos e eu, todos estudamos na Escola Mista da Fazenda Taquaral. Fiz todo o curso primário na Fazenda Taquaral. Minha primeira professora foi Dona Gilda Lavorenti que deu aulas no primeiro e segundo anos, e no terceiro e no quarto ano minha professora foi Gislene Maria Macluf Medinilha, casada com José Medinilha. Atualmente com quase 50 anos ainda lembro-me do primeiro dia de aula, não sabia fazer quase nada, não sabia escrever, lembro-me das mãos de Dona Gilda, ela pegando na minha mão para fazer as primeiras escritas, essa imagem ficou gravada, aquela mão dela, com as suas unhas pintadas em vermelho, bem feitas. Segurando na minha mão para que eu aprendesse a escrever! A cartilha era Caminho Suave. Ia para escola pela manhã, a pé. 
De quem era a propriedade?
A Fazenda Taquaral estava sob o controle da Usina Monte Alegre. Naquela época existia a igreja, o patrono era São José, a escola, a sede, a colônia, o campo de futebol, o gabinete dentário.
Para localizarmos com mais precisão ficava exatamente em que lugar?
Seguindo pela Avenida Rio das Pedras, sentido Centro-Unimep, lembrando que a Unimep está a esquerda da Avenida Rio das Pedras, e a Fazenda Taquaral estava a direita. Ainda existe remanescente o campo de futebol da Fazenda Taquaral, que entrou em litígio porque se não me engano a Associação Piracicabana de Futebol ou entidade semelhante tinha a posse desse campo. Na época o Padre Joaquim que era pároco do Piracicamirim tentou conter a demolição, mas a capela era particular, não era da Diocese e não era tombada. Assim como também a escola foi demolida, era um prédio enorme, com dois andares, biblioteca, também foi destruída porque não estava doada ao Estado. Era uma coisa interessante que a escola oferecia no inicio do ano um quite que tinha os materiais da escola, além de um tênis, uma blusa e um jaleco, um guarda pó. A escola era da Usina Monte Alegre, nós não éramos funcionários da Usina, mas tínhamos acesso a essas regalias. Após terminar o quarto ano nessa escola estudei por dois anos na escola Pedro Moraes Cavalcante, que fica no bairro Dois Córregos. Ai já era levado pelo ônibus. Lucio Ferraz, que depois se tornou prefeito de Saltinho, foi diretor dessa escola. Depois meu pai mudou-se dali, foi morar no Campestre, exatamente atrás da Usina Santa Helena, na Fazenda Canadá. De propriedade da família Filipini: Milos, Nilton, Benito. Nesse período estudei em Rio das Pedras, fiz a sétima e oitava série, na Escola Estadual Professor Manoel da Costa Neves "Macone", ia de ônibus. O prefeito de Rio das Pedras era Álvaro Bianchim. Após concluir a oitava série fui para Saltinho, para concluir o colegial no Colégio Manoel Dias de Almeida. Sou formado em História pela UNIMEP.
Nesse período você trabalhava?
Trabalhei com o meu pai, nessa época ele cuidava de uma cerâmica em Saltinho. Nesse período do colegial eu já estava no Seminário Xaveriano da Paulicéia, onde hoje é a Casa Paroquial, na Rua Antonio Bachi, 1065 Ali foi a casa do Padre João Echevarria, ele foi o construtor. Lá era um seminário que não tinha um curso colegial interno. As pessoas estudavam fora, uns estudavam no Dom Bosco, outros estudavam na escola do bairro. Fiz o seminário morando naquela casa, deixei a casa dos meus pais e vim morar no bairro Paulicéia, no Seminário Xaveriano, nessa época eu tinha uns 15 a 16 anos.
Na época era uma região diferente do que é hoje?
Era um bairro de periferia.
Qual era o seu lazer?
O meu lazer sempre esteve ligado a leitura, a igreja, amizades. Sempre gostei de freqüentar a vida social da cidade, os museus, os eventos culturais. Após concluir os estudos em Saltinho fui estudar Filosofia na PUC de Campinas.
O que o atraiu para o Seminário Xaveriano?
Em 1982 mudei para o bairro Campestre, lá há uma capela da Paulicéia, cuidada pelos Xaverianos. Conheci os padres Giuseppe Chiarelli, (Pe Zezinho) e Padre José Ibanez Serna que eram os padres tanto do bairro Chicó, cujo padroeiro é São José, como no bairro Campestre. O Chicó não é mais capela da Paróquia da Paulicéia, é capela da nova Paróquia que foi criada na Água Branca, que se chama Capela São João Batista Precursor. Eram as duas capelas em que eu ia com a minha família a missa e as duas eram administradas pelos Xaveriamos. Eu me encantei por eles.
Você é uma das pessoas mais bem informadas a respeito da estrutura religiosa católica de Piracicaba?
Eu gosto da igreja católica, da sua história, sou um estudioso. Tive o privilégio de trocar correspondência com Dom Ernesto de Paula, que foi o primeiro bispo, fundador da Diocese, quando eu era seminarista tive o prazer de escrever para Dom Ernesto, e ele escrevia para mim. Considero relíquias os escritos de Dom Ernesto. Conservo essas cartas comigo até hoje.
Você continuou no Seminário Xaveriano?
Saí do seminário, caso continuasse deveria ir para Curitiba, estudar filosofia. Como eu não tinha tanta certeza conversei com o bispo na época, Dom Eduardo Miled Koaik e pedi para ingressar no seminário da Diocese que fica em Santa Barbara D`Oeste. O reitor na época era o Padre Salvador Paruzzo que hoje é o bispo de Ourinhos. Permaneci um ano fazendo Filosofia na PUC de Campinas, e morando em Santa Bárbara DÒeste, no seminário da diocese. Aí resolvi sair e não quis continuar mais com a vida religiosa.
Você deve ter sentido muito em deixar a vida religiosa?
Senti muito, sinto falta até hoje. Existe um ditado entre os seminaristas que diz: “Você deixa o seminário, mas o seminário não deixa você.”
Pode-se dizer que você é um exemplo típico de quem a Igreja Católica poderia aproveitar toda a vivência e vocação de um padre que seja casado?
Na verdade, o celibato não é teológico, não é um dogma fechado. A Igreja Católica pode mudar isso a qualquer instante. Existe uma possibilidade de essa mudança acontecer. Mas, não será pelo que parece, com o papa atual, Francisco. Ele já declarou que não irá mudar isso.
Existe uma resistência muito forte?
E existe também o receio de que se é realmente bom que isso aconteça. A Igreja não tem certeza de que terminar com o celibato seja bom. Talvez o meio termo seja bom. Como a Igreja do Oriente, que tem padres solteiros e padres casados. Seria opcional. O padre solteiro, sempre será melhor para a Igreja. Ele pode ser missionário, tem disponibilidade, pode ser transferido, não precisa se prender a questões domésticas. Ele está cem por cento disponíveis. O padre casado tem a função de ser um exemplo interessante. Há um numero altíssimo de padres que estão casados e são mal aproveitados. Piracicaba que o diga, quantos padres que estão casados? E continuam padres. Não são padres atuantes porque a Igreja não permite. Padre é padre sempre! Esses homens que estão casados e tem a ordem, deveriam ser os primeiros a serem aproveitados. O padre que se casou, deveria ser mais bem aproveitado. Quantos existem em Piracicaba! Assim como aquelas pessoas que tem condições de serem padres e são casados. Deveriam também ser aproveitados. A Igreja não deu esse passo ainda. E nem sei se dará esse passo logo, porque passou a crise das vocações. Tem muita vocação!

As vocações aumentaram?
Aumentaram, Existem congregações que passam por dificuldades e outras não. É um fator que alguém deveria estudar os porquês. Na década de 80 quando fui seminarista, imperava a Teologia da Libertação. Ela foi boa, é boa até hoje em muitos aspectos, mas não para vocação. Ela não favoreceu as vocações. Ela não favoreceu a espiritualidade específica e perderam-se vocações. São as vitimas da Teologia da Libertação. Ela foi mais para o social, foi bom, foi útil. E, produziu santos. Que o diga D. Aniger, D. Eduardo, Prof. Almir de Souza Maia, Elias Boaventura. São pessoas dessa época que produziram frutos espirituais e materiais ao mesmo tempo. No âmbito nacional, D.; Helder Câmara, D. Paulo Evaristo Arns, D. Luciano Mendes, D. Thomaz Balduino. Agora, para vocações não foi bom. Passada essa época da Teologia, entrou a época em que eu chamo de Renovação Carismática. Essa época da espiritualidade maior foi boa para a vocação. Os jovens que querem ser freiras ou padres procuram congregações tradicionais. Que usam habito, tem um carisma definido.
Existem igrejas ou santuários que atraem multidões, e há o inverso também. É o carisma de quem conduz que atrai multidões?
Na verdade, a primeira coisa que existe é o carisma de quem está liderando. As pessoas querem ser lideradas por um líder com a o qual se identificam. Deveria haver por parte do católico uma mudança de mentalidade, não se deveria ir atrás de um líder e sim de Jesus.
Em sua concepção o que significa Deus?
Eu nunca tive dúvidas da presença de Deus! Na minha vida, Deus sempre foi uma figura muito presente, real. Eu consigo ver Deus no meu dia a dia. Sinto a presença de Deus como alguém que está próximo. Nunca tive dúvidas se existe ou não existe.
Você é casado?
Sou casado com Dalva Severo Pollesel, temos dois filhos: Ezequiel e Vitória, com 21 e 18 anos. Casamo-nos na Catedral de Santo Antonio, o casamento foi celebrado pelo padre Claudio, dos claretianos. Foi em 8 de fevereiro de 1982.
Como vocês se conheceram?
Desde que sai do seminário fui administrador de restaurantes. O primeiro restaurante que administrei quando sai do seminário foi a churrascaria Beira Rio, tanto eu como a Dalva trabalhávamos lá. A Dalva é de Jacupiranga, uma cidade do Vale do Ribeira, onde também nasceu a dona d a churrascaria Beira Rio, a Luisa Laude.
Para o católico o que é a confissão?
Confissão é um ato de humildade maravilhosa. Você admitir diante de Deus, diante do padre, que você tem falhas. E, admitir diante de uma pessoa que também tem falhas! Isso é um aspecto muito bonito da confissão. O fato de confessar é uma limpeza da alma. Não existe pecado que não seja perdoado.
É uma energia renovada no confessionário?
Por isso que a Igreja pede que pelo menos uma vez por ano a pessoa faça a confissão. Hoje as pessoas não valorizam o que tem de mais simples e sem nenhum custo, preferem buscar outras alternativas.
O fato de a pessoa ter fé influencia em sua saúde física e mental?
Não tenho duvida disso! Tendo fé ela consegue vencer inclusive os males atuais, que é a depressão, tendo fé ele irá compreender a vida com mais energia, naturalidade. Entenderá que o que existe de ruim também passa. Ela não irá se ater nem ao negativo demais nem ao positivo demais.
Claudinei, como você vê a vida depois da morte?
Alguém já disse assim: “Se morrer é estar com meus pais, com meus antepassados, bom! Se morrer é estar com as pessoas que eu gosto, é bom! Se morrer é estar com Deus é isso!” A fé é a certeza de estar com Deus. Você não perde nada tendo fé. Imagine que não existe nada, você não irá descobrir! Qual é a perda? Vamos ter fé! Você não terá aquele momento de pensar ou dizer: “-Meu Deus não tem nada aqui!”. Você não terá esse momento. O que vai existir é que você irá retornar para Deus. Santo Agostinho dizia que somos uma gota no oceano. A minha fé diz: “-Eu vim de Deus e volto para Deus!”. A humanidade está cada vez mais triste, cada vez mais distante do sagrado, toda vez que você se distancia do sagrado , quando acha que você é tudo, pode tudo, você quer tornar-se maior do que Deus. E isso causa tristeza.  
Ao concluir o curso de História na UNIMEP você realizou um trabalho muito interessante de pesquisa?
Foi sobre a minha família, fiz a pesquisa e publiquei o centenário da família Pollesel no Brasil. É um censo de todos os descendentes dos meus bisavós, Fortunato Pollesel e Regina Gobbo, vieram da Itália em 30 de outubro de 1897 pelo vapor Manila, foram até Itatiba e de lá para Campinas. Esse casal teve 12 filhos, 62 netos, 134 bisnetos, 174 tetranetos e doze quintonetos. Um casal só em 100 anos gerou 394 pessoas. Eu relacionei as 329 famílias que vieram juntas com ele no mesmo navio, são 1597 pessoas.
                                           FOTOGRAFIA DO VAPOR MANILA

A seguir você escreveu outro livro?
Eu gosto muito de biografia, escrevi a biografia do Padre Drumond, que morava atrás da Igreja São Judas Tadeu, ele é o fundador da Congregação das Irmãs do Cenáculo. Primo de Carlos Drumond de Andrade, jesuíta, veio para Piracicaba, na década de 50 fundou uma congregação de freiras que existe até hoje, ele faleceu na década de 90 com mais de 90 anos. Era um poeta exímio, eu escrevi a biografia dele e anexei alguns versos inéditos, escritos a mão pelo padre (Roberto) Drumond. O prefácio é de Cecílio Elias Netto. O terceiro livro escrevi sobre a biografia da companheira dele na fundação das irmãs do Cenáculo, que é a Madre Maria do Cenáculo (Zulmira Soares), essa religiosa teve a inspiração de fundar uma congregação, por volta de 1956, e convidou o Padre Drumond. Elas foram acolhidas por Dom Ernesto de Paula, primeiro bispo de Piracicaba. Depois disso fui para São Paulo e encontrei meu antigo reitor do Seminário Xaveriano, que é o Padre Giovanni Murazzo, tínhamos o habito de caminhar no Parque da Aclimação rezando o terço. Planejamos alguns livros caminhando: “Os Jovens e a Civilização do Amor”, um livro dirigido aos jovens, edição bilíngüe, português e italiano, “Memórias do Padre Luigi Médici” também em português e italiano. Logo depois surgiu “Diário de Um Homem Feliz”, que é a biografia do Padre Luigi Médici. Quando Padre Giovanni Murazzo completou 50 anos de padre, planejei uma entrevista com ele, que se tornou esse livro aqui. “Missionário, Ternura da Família Trinitad”, já na terceira edição, foram feitos mais de três mil livros. Português e italiano também. Pra comemorar os 60 anos da Paulicéia, publiquei “Paróquia Imaculado Coração de Maria – 60 Anos de Vida e Missão”. Desde quando eu era seminarista na Paulicéia, eu sonhava em publicar os escritos do Padre João Echevarria, esse livro é cópia do livro tombo número um. Depois veio a “Biografia da Madre Celina”. Dom Ernesto trouxe para Piracicaba dois conventos de clausura: as carmelitas e as concepcionistas. A Madre Celina é uma das cinco primeiras, uma das fundadoras, faleceu no ano passado. No total, até o momento são 10 títulos de livros publicados.





                                                                             





                PINTURAS REFERENTES AO AVÔ E AVÓ PATERNO DE CLAUDINEI
                                     NO CENTRO BRASÃO DA FAMÍLIA POLLESEL

História da Igreja Senhor Bom Jesus do Monte

Tudo começou no dia 08 de outubro de 1857, data em que o terreno na qual se localiza a Igreja Senhor Bom Jesus do Monte, foi doado por João Antonio de Siqueira, onde já existia uma capela, mas o bispo Conde Dom Barreto, da diocese de Campinas, à qual Piracicaba pertencia, entendeu que a cidade estava crescendo e necessitava criar urgentemente uma paróquia.
Para a consecução desse objetivo, concorreram com valiosa ajuda e muito trabalho.
Dados os primeiros passos para a construção, ocorreu o lançamento da primeira pedra no dia 6 de agosto de 1918. Consegue erigir a capela-mor, na qual foram entronizados um grande crucifixo e as imagens de Nossa Senhora e de São João Evangelista. A mesma foi benzida e inaugurada em 6 de agosto de 1919.
Em 4 de dezembro de 1922, por decreto do bispo Dom Francisco de Campos Barreto, foi criada a paróquia do Bom Jesus e seu primeiro padre foi Lázaro de Sampaio Mattos, nomeado no início de 1923, empossado pelo cônego Manoel Rosa, em missa no dia 11 de fevereiro do mesmo ano.
Após alguns meses, o padre Lázaro foi transferido e quem assumiu a paróquia foi o padre Henrique Nicoletti, também por pouco tempo. Sem pároco para serviços religiosos e com a construção da igreja paralisada, a autoridade diocesana determinou ao cônego Manoel Rosa, em 30 de janeiro de 1924, que a igreja fosse fechada para quaisquer atos religiosos e que a chave da mesma ficasse sob sua guarda.
Em 23 de janeiro de 1925, foi nomeado novo padre, Mário Montefeltro, que tomou posse em 2 de fevereiro do mesmo ano, data em que a igreja foi reaberta. Ele consegue através de donativos e quermesses angariar fundos para erguer as paredes e dar início às outras obras da igreja.
Para dar continuidade à construção, foi contratado o construtor Napoleão Belluco.
Em 25 de abril de 1926, o padre Mário foi transferido para Rio das Pedras, e o novo vigário da paróquia foi o padre Francisco Borja do Amaral.
No início de janeiro de 1927, as paredes externas estavam levantadas e as paredes centrais da nave já respaldadas; após o término do madeiramento, iniciado em 5 de maio, deu-se a cobertura da nave central. No dia 20 de maio, chegam às peças de mármore do altar mor. Em 5 de agosto, com a presença do bispo diocesano, houve a inauguração do altar mor.
Segue-se um período de progresso na paróquia. No começo de 1928, a paróquia já contava com 11 associações religiosas e o forro de estuque começava a ser feito.
No ano seguinte, chegam mais bancos, o carrilhão. Este foi o primeiro carrilhão a existir em toda diocese de Campinas.
Em agosto, nos dias 28 e 29, respectivamente, foram inauguradas a pintura da capela mor e a decoração do forro de estuque, trabalho realizado pelo grande artista Mario Thomazzi.
Em 1929, foi aprovada a ideia de substituir a cruz, que seria colocada no alto da torre, pela imagem do Senhor Bom Jesus. Era preciso que a torre fosse terminada, uma vez que após a instalação do carrilhão, as obras ficaram quase paralisadas.
Entre as várias propostas dos interessados em construir a imagem do Senhor Bom Jesus, foi aceita a de Agostinho Odisio. Com a torre levantada e o carrilhão coberto, as peças da imagem foram transportadas da cidade de Limeira para Piracicaba no dia 11 de abril de 1932.
No dia 19, a imagem começou a ser montada e, no dia 22, com o badalar dos sinos e içada a bandeira papal, foi anunciado o término dos trabalhos.
As festas de inauguração do monumento do Senhor Bom Jesus foram marcadas para o período de 30 de julho a 15 de agosto de 1932, no entanto, em virtude do movimento constitucionalista, iniciado no dia 9 de julho, as festas programadas para o mês de agosto foram adiadas para os dias 5 a 15 de novembro.
Finalmente, no dia 13 de novembro de 1932, domingo, tendo como convidado especial o bispo Dom Francisco de Campos Barreto, deu-se a tão esperada inauguração de grandiosa imagem. Ainda foram necessários mais 5 anos para o magnífico templo ficar totalmente concluído, inaugurado em 1 de maio de 1938.
Depois do padre Francisco Borja Amaral, passaram pela paróquia os padres: Vicente Rizzo, Francisco Machado, João Batista Martins, Martinho Salgot e José Nardin. Após a paróquia ser confiada aos Salesianos de Dom Bosco no ano de 1972, passaram pela paróquia os seguintes padres: Otorino Fantin – SDB, Antonio Corso – SDB, Reynaldo Zaniboni Neto – SDB, Hugo Guarnieri – SDB, Aramis Francisco Biaggi – SDB, José Cipriano Filho – SDB, Essetino Andreazza – SDB e o atual Pároco, Antonio Célio Costa Francisco – SDB.
(Fonte de Pesquisa: Luiz Nascimento) IHGP


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