Se alguém ainda duvida da importância de conhecermos o passado para construirmos o nosso futuro, então que revogue todos os conhecimentos acumulados pela humanidade até a presente data. J.U.Nassif

sexta-feira, maio 19, 2017

GUILHERME LUTGENS NETO


PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 13 de maio de 2017

Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:

http://blognassif.blogspot.com/


http://www.teleresponde.com.br/
ENTREVISTADO: GUILHERME LUTGENS NETO



Guilherme Lutgens Neto nasceu a 1 de fevereiro de 1950 é filho de Luiz Lutgens e Olinda Racione Lutgens pais de cinco filhos: Luzia, Maria Antonia, Guilherme, Maria Aparecida e Nicolau (Nilmar).


 

Qual era a atividade do seu pai?

Meu pai trabalhava na Prefeitura Municipal da Estância Hidromineral de Águas de São Pedro e morávamos na cidade vizinha, São Pedro.







Você estudou em São Pedro?

Estudei no Grupo Escolar Gustavo Teixeira. Isso no tempo em que minha mãe fazia doce de jaracatiá. Havia também guabiroba. São Pedro era uma cidade mais pacata. Embora não seja uma cidade com uma grande população, já tem o que há em grandes cidades.

Há quanto tempo você mora em Piracicaba?

Moro em Piracicaba faz 45 anos.

Com que idade você começou a trabalhar?

Aos oito anos de idade comecei a trabalhar em um salão de barbeiro. Eu varria o salão e engraxava sapatos.  Eu tinha 10 anos de idade quando comecei a fazer a barba de clientes. Usava-se navalhas naquela época, lembro-me das marcas 2 Irmãos, Solingen, Filarmônica. A melhor era a Solingen.

Você lembra-se quem foi o primeiro homem que teve a coragem de fazer a barba com um menino portando uma navalha na mão?

Eu não tenho muita certeza, mas acho que foi o meu pai!

Tinha que subir em algum caixote para alcançar o rosto do cliente?

A cadeira era pequena, eu tinha que ficar curvado.

Qual foi a sensação que você teve ao fazer a primeira barba, a mão tremia?

Foi normal. Acho que sempre fui firme, era destemido.

Com que idade você passou a cortar cabelos?

Com treze a quatorze anos já cortava cabelos. Naquela época as máquinas de cortar cabelo não eram elétricas, tinha que movimentá-las com os movimentos da mão.

Foi um período em que ir ao barbeiro, fazer a barba era um procedimento muito comum?

Não havia aparelhos de barbear como existe hoje, a barba era feita a navalha, no inicio eu fazia cinco, seis ou sete barbas por dia. Cortava uns cinco cabelos por dia. Eu aprendi o ofício com Agnaldo Baltieri.

Com que idade você montou o seu salão de barbeiro?

Tinha de 15 a 16 anos.  Naquela época não se colocava muito o nome, era chamado simplesmente de Salão de Barbeiro.

Atualmente você desfruta de um nome muito conhecido e procurado, que é o Salão do Netinho.

Tudo começou em São Pedro, eu tinha um conjunto musical que fazia bailes meu irmão Nicolau já tinha 10 anos ele já tocava em baile. Ele passou a usar o nome artístico de Nelmar, assim surgiu a dupla Nelmar e Netinho. Ele tocava baixo muito bem. Eu tocava guitarra, violão. A nossa primeira banda chamava-se “Os Daltons” tocávamos em São Pedro e região. Isso foi por volta de 1966. Época em que o Roberto Carlos estava começando a despontar. Assim como o Beatles. Nós tocávamos todo o tipo de música, faziamos muitos bailes: formaturas, debutantes, carnaval. Fizemos muitos carnavais.



                                                       NETINHO E NELMAR

Financeiramente era um bom negócio?

Dava para brincar! Era um hobby. O que ganhávamos praticamente investíamos em aparelhagem. A sobrevivência vinha do trabalho no salão de barbeiro. No salão aos sábados ficava até as 9, 10 horas da noite, trabalhando. Durante a semana até umas oito horas da noite. Abria às oito horas da manhã, sempre. Só parava para ir almoçar em casa. Tinha que ser rápido.




Ai você decidiu mudar-se para Piracicaba?

Em Piracicaba o campo de trabalho era maior do que em São Pedro. Aliado a isso o fim do conjunto nosso em São Pedro também pesou na decisão, surgiu a oportunidade de tocar em um conjunto em Piracicaba. Chamava-se RG Sons, com Reginaldo Perina, Regina Perina, irmã do Reginaldo, uma crooner excelente, o Zé Carlos, Belito, Souza, Glem, Castro, meu irmão Nicolau, Furlan. Essa turma toda tocou comigo, alguns tocavam em São Pedro e vieram para cá. RG Som tem a origem no nome Reginaldo. Nessa época passamos a tocar em Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso, São Paulo, fizemos muitos bailes em São Paulo. Na época competíamos com o Super Som TA. Nessa época tivemos um resultado financeiro melhor. Tínhamos no conjunto: bateria, contrabaixo, guitarra, picado, saxofone, tenor, sax alto, piston e barítono. Eu tocava, fazia back vocal e cantava.






Vocês tocavam e cantavam todos os estilos de música?

Todos os estilos! MPB, música italiana: Io Che Amo Solo Te”, “Dio Come Ti Amo”. Recentemente lançei um CD só com músicas italianas. Com o meu irmão chegamos a gravar três LPs. Gravamos em São Paulo pela Gravadora de discos Scorpius, pela Continental, e ultimamente pela Globo, que não tem nada em comum com a Rede Globo.

Música traz bons resultados financeiros?

Tem que ser feito um investimento muito grande para ter bons resultados. A divulgação envolve valores expressivos, claro que o talento conta, divulgar uma gravação de um CD é uma luta muito grande.

Atualmente há uma facilidade muito interessante que é a mídia eletrônica.

A Internet ajuda bastante, se tivessemos hoje a dupla com internet e todos os recursos que estão disponíveis, seria bem diferente.

Atualmente o cantor não tem bons resultados com a simples venda do CD?

Não, porque o CD tornou-se quase obsoleto, a ponto de em shows darem CDs. O que traz resultados são os shows. O DVD ainda tem um nicho de mercado, vende mais.

Com que idade você começou a tocar?

Eu sempre tive o gosto pela música, o dom. Quando era pequeno, não tinha dinheiro, era engraxate, eu ia até a praça central onde tinha o serviço de alto falantes, eu adquiria livrinhos com as letras de grandes cantores da época: Francisco Alves, Francisco Petrônio, Orlando Silva, Nelson Gonçalves e outros artistas que faziam sucesso na época.  Cantava para o publico ouvir. Eu deveria ter oito ou dez anos. Meu pai era cururueiro da região. Com quinze anos comecei a tocar violão, de ouvido. Amigos como Carlinhos Veronezzi me passavam os acordes. Meu primeiro violão, eu acho, que foi um Giannini. Eu ganhei, ele estava quebrado, arrumaram e me deram de presente.

Quando você começou a tocar violão qual musica estava na moda?

Havia várias, como “Gatinha Manhosa”,  “AVolta” do conjunto Os Vips, Golden Boys, Renato e Seus Blue Caps, The Fevers, eu usava cabelo bem comprido, cabelão, meu irmão tinha um cabelo maior ainda. Usava calça boca-de-sino, cintura alta, cinta bem larga, botinha, alguns usavam botinha de camurça.

Com isso você fazia sucesso em São  Pedro?

Fazia! O meu irmão só não foi sucesso quando era criança porque o Roberto Carlos estava lançando o Ed Carlos. Nós fomos ao Grande Hotel, em Águas de São Pedro, com o nosso amigo José Carlos Biscalchim que hoje faz parte da radio em São Pedro, juntamente com o Eurico que era o motorista do Roberto Carlos, fomos fazer uma palha para o Roberto Carlos ouvir. Eu tinha tocado com ele cantando na Boate Village. Ele ouviu e disse que só não queria lançar dois cantores ao mesmo tempo, ele estava lançando Ed Carlos.

Roberto Carlos ia muito para São Pedro?

Ia muito! Assim como também o Erasmo Carlos, Wanderléa, Martinha. Ficavam hospedados no Grande Hotel de Águas de São Pedro.

E como a música sertaneja entrou em seu repertório?

Meu pai era fã de Tonico e Tinoco, eu e meu irmão gostávamos. Cantávamos algumas musicas como Saudade da Minha Terra de Belmonte & Amaraí, tínhamos até um projeto para gravar um disco sertanejo. Quase chegamos lá. Gravamos três discos. O primeiro foi em 1983, com outro parceiro, Léo Marcos, chama-se Chuva Sagrada. Em 1986  gravamos Saudade Infinita na Gravadora Scorpius, meu irmão e eu, juntos gravamos dois discos na Globo, um foi Teus Caprichos. Outro tinha o nome da dupla e músicas como Indigente do Amor, Amanhã e outras músicas.

Quais músicas fazem sucesso até hoje?

São várias: Teus Caprichos; Rio Bonito; Indigente do Amor; Chuva Sagrada. Rio Bonito toca no Brasil inteiro ainda. A composição é do Serrinha, não é o filho do Nhô Serra, é o Antenor Serra de Botucatu, da dupla Serrinha e Caboclinho. Quando nós gravamos, ele havia falecido já fazia algum tempo. É uma música que ficou na manga, ninguém havia gravado.

Que idade você tinha quando veio morar em Piracicaba?

Tinha 21 anos, fui trabalhar em um salão de barbeiro que existia embaixo da Rádio Difusora, chamava-se Salão Monumento, lá tinha também engraxates. Dali eu fui trabalhar em outro salão ao lado da Padaria Vosso Pão, a proprietária da padaria era Dona Augusta, conheci o seu marido, seu filho Osvaldinho era onde hoje está o Edifício Canadá. Depois eu fui trabalhar no Salão Capelinha situado na Rua  Moraes Barros, ao lado da famosa lanchonete Daytona. A arquitetura do salão parecia a de uma capela, por isso era chamado de Salão Capelinha, o proprietário era Antonio (Toninho) Melloto. Trabalhei com o Gilson Ivan Calazans, o outro Gilson Calazans e sua esposa Dona Cida, tinha a escola de cabeleireiros, a famosa Escola Calazans. Trabalhei com Lúcio (Italiano) Barone. Na Galeria Brasil havia outro salão muito freqüentado, era do Major, do Chico, Orlando. Conheci o Rodella que tinha salão na Rua Boa Morte. O Salão do Húngaro que ficava na Rua Benjamin Constant. Eu já estava tocando no conjunto Opus 6, depois mudou o nome para Musical Opus. Quem tocava era eu, o Souza, o Glem irmão do Souza, o José Carlos Barbosa. O Opus veio depois do conjunto Os Cambitos. Nós fazíamos muitos bailes no Clube Coronel Barbosa, no Clube Cristóvão Colombo, nas cidades de São Paulo, Campinas. Naquela época viajávamos de Kombi. Com o Reginaldo ia uma caminhonete, viajávamos de Galaxie.

A que horas começava o show?

Começava às onze horas da noite e ia até as quatro horas da manhã. Tinha também o jantar dançante, que era das oito horas da noite até a uma hora da manhã. Geralmente era no Clube de Campo, no Clube Cristóvão Colombo. Tinha eventos como Noites Românticas

Você é casado?

Em primeiras núpcias casei-me em 1973, em segundas núpcias foi em 1990. Do primeiro casamento nasceram minhas filhas Melissa e Camila, do segundo casamento nasceu o filho Luiz Guilherme. Hoje sou Netinho, pelo nome e vovô por ter dois netos.

O seu estabelecimento é voltado ao público masculino?

Hoje temos uma equipe, trabalhamos com o publico feminino também. De 1983 até 1997 passei a trabalhar só com música, Viajei dois anos com a dupla Cezar e Paulinho. Eu e meu irmão fizemos parte da banda deles. Trabalhamos de back vocal, eu tocava violão e o meu irmão teclado. Assim como temos grande amizade com a dupla Craveiro e Cravinho.

Em 1997 você voltou a trabalhar com cabelo?

Voltei, fui trabalhar no Cabelão de propriedade de Daniel Oliveira ficava na Rua Moraes Barros. Hoje estou em outro endereço, na Rua José Pinto de Almeida onde trabalho com a minha equipe.

Quem é mais vaidoso, o homem ou a mulher?

São iguais, todos querem estar bem arrumados. Eu trabalho mais com corte de cabelo masculino e feminino, a nossa equipe trabalha com o público feminino, noivas, manicure, maquiagem.

Qual é melhor máquina de corte?

Eu trabalho com a Wahl, para fazer pé de cabelo trabalho com uma máquina chamada The Taylor. Antigamente era a máquina Solingen. Tinha que afiar os dentes da máquina. Usava-se uma pedra especial. Isso no tempo em que havia o assentador, um sarrafo de madeira revestido de couro. Tinha a pita, que é uma madeira leve, e depois passava na mão. Com essa série de movimentos assentava-se o fio da navalha. Aqui é freqüentado por famílias, vem o marido e a mulher, ou gerações: avô, pai e neto, todos tratam do cabelo conosco há anos. Não vou me lembrar de todas, mas uma que é tradicional é a Família Chaim. O Paulinho da dupla Cezar e Paulinho faz o corte de cabelo comigo. Já veio bailarina do Faustão, assim como também veio um jurado do Programa do Faustão fazer as unhas aqui. Os jogadores do E.C. XV de Novembro de Piracicaba, quando estavam hospedados no flat próximo, vinham cortar o cabelo conosco. Conheci muito João Chiarini, ele cortava cabelo comigo, um homem sempre alegre. O Jago, artista e jornalista, eu corto o cabelo dele até hoje.

Ser músico e cortar cabelo são dons, ou seja, cada um uma arte?

Eu acredito que sim!

Atualmente você tem alguma atuação especial na área musical?

Toco no Ministério de Musica Igreja Nossa Senhora dos Prazeres Ministério Unge, faz dez anos que estou lá. Também faço parte do Grupo de Oração, vai completar 30 anos agora. Dia 21 de maio próximo vai ter uma tarde de louvor. De vez em quando toco violão e faço vocal na Igreja do Lar Franciscano.

Quantos instrumentos você toca?

Eu brinco um pouco com viola, violão, teclado, e aprendi um pouco de cavaquinho. Estudei música por três anos com Sérgio Belluco.

Você fez o aaranjo de uma música famosa?

Meu irmão e eu fizemos um arranjo de uma música do Beto Surian, chamada “Silêncio”, gravada por Roberto Carlos que elogiou muito a voz do meu irmão.

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