Se alguém ainda duvida da importância de conhecermos o passado para construirmos o nosso futuro, então que revogue todos os conhecimentos acumulados pela humanidade até a presente data. J.U.Nassif

"A força está na serenidade do ânimo e no equilíbrio dos sentimentos."

sexta-feira, novembro 23, 2012

JOSÉ ADEMIR CARLONI (MIKA)

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 24 de novembro de 2012
Entrevista: Publicada aos sábados na Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/

ENTREVISTADO: JOSÉ ADEMIR CARLONI (MIKA)


José Ademir Carloni, o Mika é proprietário de um estabelecimento comercial onde além dos produtos que comercializa, destaca-se numerosas fotos do XV de Novembro de Piracicaba. A princípio pode-se imaginar que é mais um apaixonado pelo time. De fato é e inclusive por anos a fio defendeu no gramado a camisa do “Nhô Quim”. Mika foi uma das estrelas do Corinthians, jogou ao lado de grandes astros como Rivelino, na época em que o folclórico e estimado presidente era Vicente Matheus. Tem a sabedoria daqueles que tratam o estrelato do passado com a dignidade que merece. Jogou nos maiores estádios do país, com milhares de torcedores observando cada detalhe. Soube reconhecer o momento em que deveria deixar o futebol profissional. Muitos esportistas ao apagarem-se as luzes da fama não sabem como trabalhar com a situação. José Ademir Carloni com muita determinação iniciou-se na área comercial, obtendo sucesso e reconhecimento. Nascido em Jaú a 29 de janeiro de 1953, é um dos nove filhos de Luiz Carloni e Emília Grava Carloni.


Qual era a atividade do seu pai em Jaú?


Meu pai era exímio comerciante, ele tinha uma loja com dois toldos e quatro portas, um sinal de prosperidade se comparado a muitos estabelecimentos mais acanhados, típicos da época. Ele tinha uma forma peculiar de apresentar os produtos, ficavam expostos em frente a loja, dependurados nos toldos. Naquela época os cavaleiros vinham do sítio para comprar sapatões, botas, que ele fabricava no fundo da loja, auxiliado por um funcionário. Morávamos no mesmo prédio em que havia a loja, e em função de dar espaço para a loja, a área residencial era pequena para família tão numerosa, sempre fomos muito unidos, até hoje.


Você ajudava na loja também?


Todos os irmãos ajudavam. Em Jaú tinha uma quadra de futebol de salão. Todos os dias Jonas Eduardo Américo, o Edu ponta esquerda do Santos, que é cerca de dois anos mais velho do que eu, jogávamos. O seu pai, que chamávamos de Seu General, formava um time para jogarmos Eu jogava na defesa, ele jogava mais na frente. A nossa infância inteira jogamos futebol.. O tempo que sobrava nós jogávamos, na hora do almoço, a tarde. Jogava descalço. Quando meu pai passou a fazer sapatão, eu era um jogador magrinho, tinha mais agilidade. Jogávamos com sapatão de sola de pneu, na quadra. Com 14 anos eu já tinha carteira de trabalho assinada, trabalhava em uma loja de tecidos,o proprietário era Felix Letaif, família tradicional de Jaú. A nossa família era muito grande, trabalhando em outro emprego eu complementava a renda.




Era comum a prática de esporte na família?

Todos os meus irmãos jogavam muito bem futebol, principalmente os dois irmãos mais velhos. Eu ia sempre “na cola” do meu irmão Jorge Roberto Carloni, que era uma estrela do futebol em Jaú. Na época o XV de Jaú havia paralisado suas atividades, as equipes de futebol amador ganharam destaque. Meu irmão era capitão do Torino Futebol Clube. Foi nesse time que me consagrei campeão da cidade, do Estado, no futebol amador.


Quem o convidou para ir jogar no Sport Club Corinthians Paulista?
Foi o Dr. Geraldo Jabur, na época ele já era um influente conselheiro do Corinthians. Ele tinha me conhecido na partida final do Estado. Eu estava jogando na Rua Javari, no campo do Juventus, contra a equipe da Máquinas Piratininga. Foi um jogo difícil, nós ganhamos de 3 a 1, sendo que eu fiz dois gols. Tinha um “olheiro” do Corinthians, logo fui levado para o Corinthians. Na época eu tinha 18 anos, em 1970. O Corinthians tinha Rivelino, Zé Maria, Vaguinho, Aladim, Tião, Buião. Adãozinho. Já fui morando no alojamento, dentro do Parque São Jorge, onde inclusive havia um restaurante. Vivi ali uns cinco anos.







Como era o presidente Vicente Matheus?


Foi um grande trabalhador para o Corinthians, seu irmão Isidoro Matheus o assessorava. Além do notável advogado Dr. Geraldo Jabur, tenho-o como um grande amigo, ele me ajudou bastante no Corinthians. Criou-se certo folclore em torno da forma simples de Vicente Matheus se expressar, fruto da sua personalidade. Ele era um apaixonado pelo Corinthians.


Como você era conhecido no Corinthians?


Chamavam-me pelo meu nome, Ademir. Eu jogava com a camisa número 5 ou 4.


Quando você entrou pela primeira vez no campo para disputar uma partida jogando pelo Corinthians qual foi a sua sensação?


Sou corinthiano, minha família toda sempre foi corinthiana. Em Jaú me mandaram entrar em um carrão dizendo que eu estava contratado pelo Corinthians e á noite já joguei contra o Nacional de Água Rasa, com todas aquelas estrelas do futebol. Saí de Jaú, tinha aqueles jogadores como ídolos, personagens de álbum de figurinhas e já a noite estava jogando com eles. Foi muito repentino, quase inacreditável. Entrei jogando no quadro principal.










Como era conviver com Rivelino?


Rivelino é uma pessoa muito doce, brincalhão. Amável, ele que era a estrela principal. Ele tinha um chute muito forte, era a chamada “Patada Atômica”










O salário atingia cifras elevadas?


Como fui sem empresário, assim como outros jogadores, quem fazia o salário eram os presidentes do clube. É muito diferente do que é hoje. O jogador de futebol treina cedo e a tarde, recebe ordens como um funcionário. Não é como treinar em uma academia, ao sentir-se cansado simplesmente para. Não pode parar, o preparador físico ganha para aquilo. Ele tem que mostrar serviço, para que dentro do campo o jogador renda e que fique claro que pelo menos na preparação física o jogador foi devidamente trabalhado.







Lá você estranhou o fato de ter roupeiro e outras facilidades?


Era tudo muito bem organizado. Em determinada época chegou um treinador polêmico, o Dorival Knipel, mais conhecido por Yustrich, ele queria que estivessemos as sete horas da manhã dentro do campo. As seis e meia da manhã íamos tomar o café, era uma mesa que eu nunca tinha visto, Tinha de tudo, todas as espécies de frutas, achocolatados, biscoitos, bolachas, lanches diversos. Eu pensei que se o jogador igerisse aquela quantidade e varedade de alimentos como iriaa entrar no campo. Ele afirmava á todos que tinham que se alimentarem muito bem porque o treinamento iria ser duro. Ele fazia um verdadeiro banquete. Só que não deu certo por muito tempo, tinha uns que ficavam um pouco mais na mesa. Não cheguei a excursionar fora do país. Eu estava relacionado na delegação que iria para o Japão, o Eurico iria ser cortado, o que não aconteceu. Eu estava com o terno preparado, acabei não indo. Quem tinha feito o terno foi o grande estilista Thomazin, que se tornou meu amigo e sempre que posso converso com ele. Na época os jogadores que não estavam relacionados para jogar no time principal jogavam no time dos aspirantes. Todos os times grandes faziam esse campeonato dos aspirantes. Uma espécie de segundo quadro, onde havia muita fera. Joguei um bom tempo nesse segundo quadro, todo ano saia uma peneira dali. Jogadores que vinham com um sonho muitas vezes nem chegavam a jogar. Cada treinador tinha um estilo próprio, era difícil jogar em um time grande.


Você jogou contra grandes nomes do futebol brasileiro?


Joguei contra praticamente todas as feras do futebol. No São Paulo tinha o Chicão, Edson, Terto, jogamos muitas vezes contra o Murici. No Palmeiras tinha Alfredo, Luiz Pereira, Zeca, Eurico, Leivinha. Essa rivalidade entre Corinthians e Palmeiras sempre houve.


Qual é a sensação de estar em um campo de futebol, você com uma bola no pé, milhares de pessoas observando, uma responsabilidade muito grande?


É uma questão muito interessante. Muitos torcedores não sabem, mas os grandes atletas já estão jogando desde os 12 anos, em nenhum momento ele irá sentir-se estreiando, ou irá tremer diante de um público enorme. Ele já tem a vivência de seis a sete anos de clube, já se acostumou faz parte da vida dele. Se você quer ser juiz de direito, mesmo que leve 100 anos, um dia será juiz de direito. Se quiser ser médico, mesmo que demore 100 anos um da será médico. Ser um artista como jogador de futebol é um dom. Não adianta querer ensinar um garoto a ser jogador de futebol. Se ele não tiver a aptidão natural, o dom, ele nunca será um bom jogador de futebol. Nem que ele frequente a escola do Zico. Nos dias atuais quem não gostaria de ter em sua família um jogador de futebol? Todo mundo queria.


Você pegou uma época boa?


No aspecto financeiro não. Nunca cheguei a fazer publicidade de algum produto, o marketing com jogador de futebol era muito raro. Por isso digo que os jogadores merecem o que ganham, são os empresários que fazem o salário deles. Valorizam. Antigamente o jogador sentava-se a mesa com o presidente de um clube para fazer o seu salário, ele estava sozinho. Os presidentes sempre tiveram muita habilidade em manipular, com isso o jogador acabava se iludindo com o que estava sendo oferecido e assinava o contrato. Hoje o jogador nem participa da negociação, só vai para assinar o contrato. Ficou mais profissional. O Neymar que é a estrela principal do futebol mundial, tem atrás dele Ronaldo Fenômeno que sabe de tudo e tem uma grande equipe dando-lhe suporte.


O Ronaldo têm se revelado um grande empresário do esporte?


Ele foi muito feliz em ser o grande craque que conhecemos. Um dom que Deus lhe deu, ser um matador, com uma velocidade impressionante. Como empresário torcemos para que tenha bons resultados dos seus investimentos.


Todo atleta tem uma característica própria, qual era a sua?


As minhas características eram a velocidade e impulsão. Por ser um jogador de baixa estatura eu era bastante explosivo. Tinha uma impulsão muito grande, fora do comum. Os jogadores laterais tinham que ser muito rápidos. O time que não tiver dois bons laterais não irá chegar ao ataque nunca. Eles desafogam o meio de campo, desafogam os pontas de lança que jogam na frente do time.


Quando você jogava no Corinthians em alguma partida sentiu que arbitragem interferia contra o time?


No caso do Corinthians não prejudicava. Como todos os outros times grandes, se houve alguma interferência foi a favor desses times. O famoso caso da “Máfia do Apito” revelou fatos que já ocorriam há muito tempo. A presença da televisão inibiu bastante as distorções. No Brasil é muito difícil enganar um torcedor, todo mundo conhece futebol, tem o dom de ser treinador.


Recentemente o Neymar chutou um pênalti que lhe valeu muita critica, qual é o seu diagnóstico a respeito?


É muito difícil falar sobre pênalti. Todos os grandes batedores de pênalti acabam errando. Isso não ira tirar a credibilidade dele, às vezes basta bater mal na bola. Quem tem que bater o pênalti é o diretor do clube de futebol, é uma responsabilidade muito grande. Se ele marcar o gol não terá muito mérito, mas se errar a cobrança é alta.


Você chutou muitos pênaltis?


Eu batia pênalti, nunca cheguei a errar nenhum. Batia bem na bola e batia forte. Nunca fui um batedor muito clássico, daqueles que sabem deslocar o goleiro. Eu visava um canto e chutava bem forte. Tem jogador que tem uma visão maior, bate, dá paradinha, deixa o goleiro se deslocar primeiro para depois ele bater. O goleiro é o único que ganha com o pênalti. Se ele não pegar ninguém irá falar nada, mas se ele defender estará consagrado. Grandes goleiros se consagram defendendo pênalti.


Chegou a estudar o comportamento de goleiros?


Não. Estudava as gravações do jogo de um ponta. Via que ele fintava pelo fundo e saia para dentro, outro fintava para dentro e saia pelo fundo. Naquele tempo já se estudava. Hoje os treinadores dispõem de muitos recursos tecnológicos para suas análises. Atualmente o futebol é muito mais tabelado, antigamente era mais cruzamento,
Linha de fundo e cruzamento. Hoje os jogadores são mais habilidosos em termos de espaço, antigamente éramos mais habilidosos em termos de campo, geralmente o meia-esquerda era mais habilidosos. Os outros praticamente só carregavam o piano. Hoje cada jogador é especialista em sua posição e o espaço diminuiu bastante, é uma correria muito grande, mas todo jogador habilidoso desequilibra. Tem que proteger bem a bola e tocar rápido.


Qual foi o jogo onde ganharam com a goleada mais expressiva?


Foi um jogo onde o Corinthians ganhou de 7 a 0 do Ribeirão Preto. Saimos consagrados até pela torcida adversária. O Corinthians só saia escoltado quando perdia dentro do Pacaembu.


Em que ano você saiu do Corinthians?


Fiquei até 1975, foi quando vim jogar no XV de Novembro de Piracicaba, o presidente era Romeu Ítalo Ripoli, uma pessoa muito inteligente, de raciocínio rápido, brigava pelo XV. A estrela principal do time era ele. Tínhamos um time muito bom. Nos campeonatos nacional, quando chegávamos a grandes estádios, de grandes capitais, notava-se uma aglomeração, parecia que estava ocorrendo alguma briga, era todo mundo aplaudindo o Rípoli, ele brigava contra a federação em nome dos times menores. A federação fazia resultados, prejudicando os times pequenos. Hoje melhorou muito em função da presença da televisão nos estádios.







No XV você permaneceu até que ano?


A primeira vez que joguei no XV foi em 1972, o time estava mal das pernas, foram me buscar no Corinthians. Fui muito bem sucedido aqui, fiz uma ótima campanha, o XV estava para cair, conseguimos nos classificarmos. Eles não conseguiram comprar o meu passe eu voltei para o Corinthians. Em 1975 vim em definitivo para o XV, onde joguei até 1981, como lateral direito. Disputei três campeonatos nacional. Joguei de quarto zagueiro, em um campeonato nacional ficamos em oitavo lugar com todo assalto que havia em cima de nós. Era um roubo descomunal em cima da gente. Ganhamos de todos os times grandes, ficamos invictos em treze partidas, acho que nenhum time faria isso hoje.













O Rípoli costumava dar um bom bicho aos jogadores?


Ele foi excelente, tinha jogos em que ele via que o juiz tinha favorecido nosso adversário, ele dizia em frente a toda imprensa, que daria o bicho para nós, pois nós éramos de fato os vencedores, a parcialidade do juiz tinha favorecido o resultado para o adversário. O Rípoli explicitava a toda imprensa quando o XV era prejudicado pela arbitragem. Uma vez empatamos com o Palmeiras no Parque Antártica, Ele nos disse que não teríamos bicho, dizia que tínhamos empatado com um time medíocre. Aquilo deu uma repercussão enorme na imprensa. Ele reafirmou que seus jogadores não podiam empatar com aquele timinho. Já em Piracicaba ele nos deu o bicho. Na história do futebol “bicho molhado” você recebe logo após a partida, quando o jogador está embaixo do chuveiro. Nosso bicho era sempre molhado. Muitos times prometem um bicho bom e não pagam, levam 90 dias para pagar. O Ripoli quando acabava o jogo já nos pagava o bicho, não tinha que passar na sede.


Qual é o aspecto ruim da concentração?


É ter que deixar a família. Em 1979 me casei com uma piracicabana, Sonia Regina de Paula Carloni, temos três filhos: Matheus de Paula Carloni, Eloah Roberta Carloni e Renan de Paula Carloni. Eu a conheci quando morava na Rua Riachuelo. Naquele tempo jogador de futebol não era visto com bons olhos, principalmente para contrair matrimônio. Como chefe da concentração eu impunha algumas regras de disciplina dos jogadores com o pessoal do bairro. Eu era querido por todo mundo. Com o passar do tempos nos conhecendo melhor. Para começar a namorar eu tinha que ir primeiro muitos domingos a missa. Eu sempre fui de ir a missa, mesmo nas concentrações, aos domingos ia a missa. Fui coroinha por três anos, na Igreja São Sebastião em Jaú. A concentração é boa, você se enturma com o pessoal, conversa o que tem que conversar, quem gosta de jogar um baralhinho joga, quem gosta de ping-pong joga, quem gosta de música, ou algum pesqueiro de pesque e pague.


Alguns jogadores, inclusive falecidos, chegaram a perder somas representativas em carteado de concentração.


São jogadores viciados em jogo, isso pode ocorrer inclusive em times grandes, pelo fato de ganhar um salário bem mais alto ele já não se empolga em jogar apenas por brincadeira. No XV praticamente nunca teve essa situação de jogar a dinheiro. Um fato perigoso é que o perdedor pode nutrir raiva contra o companheiro por ter perdido dinheiro para ele no jogo. Ao invés de lazer cria-se uma bronca da pessoa. O baralho quando foge do controle, sai da normalidade, pode destruir famílias, vidas. Nas concentrações sempre tivemos passatempos inocentes e amigáveis, passamos mais tempo juntos do que com nossas próprias famílias. Vivemos todos os dias juntos, viajamos, concentramos.


Em seu estabelecimento há muitas fotos ampliadas referentes ao XV de Piracicaba.


É o time da cidade, foi onde permaneci por mais tempo jogando. É um time pelo qual tenho grande amor. Joguei oito anos defendendo o XV.


Conseguiu ficar rico?


Infelizmente não. Se na época tivéssemos um orientador financeiro possivelmente o dinheiro aplicado em automóveis de luxo poderia ter sido aplicado em um bem durável, como terrenos por exemplo.


Até que ano você permaneceu no XV?


Fiquei até 1982, depois montamos um time muito bom. O Dracena Futebol Clube queria montar um time para ser campeão da Segunda Divisão, o Rípoli acabou me cedendo, fui capitanear aquele time com 18 jogadores contratados de times que disputavam a divisão especial. Fizemos uma campanha muito boa, Dracena nunca irá esquecer. Montamos um timão, perdemos apenas duas partidas no ano inteiro, só que não deixaram que nós subíssemos. Era ano político. Fizeram um jogo de apagão em Araçatuba, onde fizeram com que perdêssemos os pontos.


Política influencia no futebol?


Dracena era uma cidade de seis a sete vezes menor do que Araçatuba. A renda maior se dá em cidade maior. No ano seguinte fui para a cidade de Novo Horizonte no Novorizontino.Depois fui jogar no União Agrícola Barbarense Futebol Clube, fizemos uma campanha extraordinária, quando chegou no quadrangular final eu me machuquei, não pude disputar o quadrangular final. Tive que fazer uma cirurgia de reconstrução total dos ligamentos. Operei por três vezes o joelho esquerdo. Depois voltei a brincar nos clubes de Piracicaba, não tive mais nada.


Hoje você ainda joga um pouco?


Hoje já não jogo mais porque está dando artrose no joelho. (risos).


Como surgiu o nome Mika?


Mika era o meu apelido em Jaú. Não sei direito o porquê desse apelido, o que sei é que mica era a resistência de ferro de passar roupa. Quando vim jogar no XV, era conhecido como Ademir, de vez em quando ouvia na torcida alguém gritar: Mika! Imaginava que poderia ser meus primos de Jaú que tinham vindo para trabalhar na Caterpillar, os Pracucho, entre eles o João Batista.


Como é a relação do jogador de futebol com a imprensa?


Nunca fui um jogador com nota abaixo de sete, com isso eu estava sempre bem com a imprensa. Um jogador de altos e baixos será criticado, isso é normal. O profissional da imprensa está ali para fazer o seu trabalho, se o desempenho foi sofrível ele tem que falar.






Arquivo do blog