Se alguém ainda duvida da importância de conhecermos o passado para construirmos o nosso futuro, então que revogue todos os conhecimentos acumulados pela humanidade até a presente data. J.U.Nassif

domingo, dezembro 18, 2011

Geraldo Pereira Felisberto Silva

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
Sábado 17 de dezembro de 2011
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/
http://www.teleresponde.com.br/
ENTREVISTADO: Geraldo Pereira Felisberto Silva

O brasileiro tem hábitos característicos da própria cultura, o nosso folclore é riquíssimo em exemplos. Fazer uma “fézinha” é acreditar no que cientificamente é explicado como “A teoria da probabilidade” onde permite que se calcule a chance de ocorrência de um número em um experimento aleatório. O primeiro Jardim Zoológico do país, o Zoológico de Vila Isabel foi fundado em 1888, por João Baptista Vianna Drummond, o Barão de Drummond, que nasceu em 1825 e faleceu em1897. O monarca D. Pedro II dava-lhe uma subvenção, visto que o jardim era franqueado ao público. O auxílio imperial era de 10 contos de réis, por ano. Com o advento da República em 15/11/1889 o Rio de Janeiro torna-se o Distrito Federal, logo em seguida, a subvenção do zoológico foi cortada. Com a falta desse dinheiro, o Barão, e a sua fortuna empregada na bicharada, começou a encontrar dificuldades para manter o zoológico. Poucos anos depois, em 1892, foi que ele teve a sua mais grave crise financeira. Um mexicano, Manuel Ismael Zevada, havia introduzido no Rio de Janeiro, sem muito sucesso, o “jogo das flores”, deu-lhe a idéia do “jogo do bicho”. Assim, em 1892 o Barão apresentou a sua estratégia para atrair visitantes ao local, que consistia em premiar, em dinheiro, os freqüentadores cujos bilhetes tivessem estampadas as figuras dos animais sorteados ao final de cada tarde. O Barão acabava de criar o chamado Jogo dos Bichos, que se tornou um sucesso em diferentes círculos sociais. O jogo do bicho surgiu como um divertimento da alta sociedade fluminense, como mostram os jornais da época. O jogo se processava da seguinte maneira: cada ingresso, vendido para visitar o zoológico, dava direito a um cupom que trazia a estampa e o nome de um animal para concorrer a um sorteio que concedia ao ganhador um prêmio vinte vezes maior do que o valor pago pelo ingresso. Como a entrada no zoológico, à época, custava mil réis, a sorte enchia o bolso do ganhador com vinte mil réis. Toda manhã, logo cedo, o Barão escolhia uma estampa com a figura e nome de um dos 25 bichos que faziam parte do jogo e colocava essa estampa em um quadro de dimensões enormes, içado a um mastro erguido à porta principal do Jardim Zoológico. Uma vez o quadro içado ninguém tinha acesso a ele. Esse quadro era de madeira e, trancado à chave. Às 15 horas o próprio Barão de Drumond acionava um dispositivo, exibia o bicho sorteado sem causar dúvida a quem assistia ao sorteio. Aos poucos, aumentava o número de visitantes, por isso foram criados outros pontos de venda de ingressos com a finalidade de concorrer ao jogo do bicho. Em um só domingo a venda atingiu 80 contos de réis, com entradas! Com isso além de salvar seu investimento, proporcionar melhores condições de habitação aos animais ali expostos, o Barão instituiu um habito na cultura do povo brasileiro, o de acreditar na sorte. Realizar um jogo legalizado, sem ser compulsivo, faz parte do cotidiano de milhões de brasileiros. Há, porém aqueles que desenvolvem o vício do jogo, um processo complexo influenciado por diversos fatores: a perturbação profunda da perspectiva pessoal, problemas nos relacionamentos, estado de excitação invulgar. Diversos sentimentos enraizados de inferioridade, muitas vezes originados na infância, são compensados por ilusões megalomaníacas. Por diversos motivos, muitos jogos passaram á ilegalidade, inclusive o do bicho. Permaneceu a tradição da “fezinha”. Atualmente as casas lotéricas, sob o controle de uma instituição federal, oferecem aos brasileiros a oportunidade de dar a continuidade á uma cultura já institucionalizada. São as conhecidas Casas Lotéricas, que ampliaram o leque de operações, deixando de ser apenas casas de apostas, para tornarem-se prestadoras de serviços, recebendo taxas, impostos, contas e pagando aposentadorias, benefícios, direitos. Atuam como um posto bancário avançado. A Copa do Mundo FIFA de 1970, foi disputada no México, de 31 de maio até 21 de junho. O evento foi marcado pelo tricampeonato do Brasil, a primeira equipe a ter o título de campeão mundial por três vezes. A histórica vitória por 4 a 1 sobre os italianos consagrou o futebol brasileiro. A terceira conquista do torneio deu direito ao Brasil de ficar com a posse definitiva da Taça Jules Rimet. Piracicaba passou a ter uma casa lotérica denominada Copa 70, um nome forte pelo seu significado. Seu atual proprietário Geraldo Pereira Felisberto Silva é natural de Andradina, Estado de São Paulo, onde nasceu no dia 4 de janeiro de 1958, filho de Ernani Felisberto da Silva e Virgídia Pereira da Silva. Casado com Sandra Maria Elias Silva tem duas filhas. Geraldo cursou o primeiro grau no Instituto de Educação Estadual de Andradina, o segundo grau no Colégio Estadual Barão de Ataliba Nogueira. É Engenheiro Civil, com especialização em Mecânica dos Solos, Estacas Strauss e Tubulões, Controle Tecnológico de Concreto. Exerceu sua profissão na Ominnia Engenharia de Construções, na Tecno Tasa Engenharia de Fundações. Atuou como projetista e calculista estrutural. Geraldo é radialista, manteve um programa na Rádio Educadora de Piracicaba.

Geraldo como se deu o seu contato com uma Casa Lotérica?

Praticamente eu cresci dentro de uma Casa Lotérica, o meu pai era proprietário da Milionário Lotérica, no Bairro Taquaral em Campinas, isso na década de 70, quando existiam apenas a Loteria Federal e a Loteria Esportiva. Eu tinha 16 anos quando nossa família mudou-se de Andradina para Campinas.

Você é religioso?

Sou católico praticante, faço parte da comunidade, equipe litúrgica da Igreja São Benedito, participo de todas s festas da Igreja São Benedito, assim como Adilson Benedito Maluf sou devoto de São Benedito. Faço leituras, comentários, todos os sábados á três horas da tarde estou presente á igreja. Minha esposa, minhas duas filhas e eu assistimos as missas realizadas aos sábados. Não é comum vermos jovens com 23 e 18 anos irem á missa. Seus namorados não vão, elas não freqüentam a missa por obrigação. Eu participei ativamente de grupos de jovens, quando me casei freqüentava as missas embora não participasse de nenhum grupo. Com o nascimento das minhas filhas passei a levá-las e elas passaram a me levar de volta para a igreja. Hoje as minhas filhas vão á missa pelo prazer, elas sentem o que é assistir um culto, saem mais leves. Elas têm uma compreensão melhor da vida graças a religião. O pároco oficial é o Monsenhor Jamil, auxiliado pelo Padre Adauto recém chegado. Coloco em prática tudo que a minha religião determina.

Com sua fé e determinação de participar ativamente da vida religiosa, você acredita ter sido poupado de alguns dissabores e transtornos vividos por famílias alheias aos valores da espiritualidade?

Caso encontre alguns percalços, tendo uma religião é fácil entender que aquilo é uma provação pela qual irei passar, sem ira, sem revolta. Acredito em Deus, sei que sairei daquela situação indesejável. Isso é muito importante para se viver bem, valorizar as pessoas em volta de você.

Alguns indivíduos que se intitulam “intelectuais”, “filósofos do pensamento livre”, apregoam que a religião é o ópio do povo, como você, católico praticante entende essas afirmações?

Creio que pessoas que dizem isso simplesmente não entendem o que é religião, a profundidade da religião, por eles não conhecerem simplesmente criticam. Acho inadmissível a pessoa dizer: “Não vou á missa por causa do padre!”. Eu não estou indo á igreja por causa do padre! Eu faço parte da Equipe Litúrgica da Igreja São Benedito, realizo leituras, não posso pegar um texto, subir junto ao altar e ler. Quando a Helen de Lucca, nossa coordenadora geral diz que vou fazer a primeira leitura, vou para casa, estudo meu texto, leio várias vezes, eu preciso entender o que estou lendo, tenho que passar o sentimento contido no texto. Obedecer às pontuações, cada vez que leio aquele texto entendo melhor a profundidade do mesmo. O que está faltando para muitas pessoas é entender a profundidade da celebração. Até mesmo católicos as vezes estão presentes apenas fisicamente, são aqueles que desejam que a missa termine logo. Ao ir a um culto religioso, tente sentar na frente. Se a mesma pessoa fosse a algum show pago ás vezes chegaria várias horas antes para poder estar em um bom lugar. Em cultos religiosos sempre tem lugar disponível na frente. Pelo fato de ter uma participação ao lado do padre, a visão da igreja é privilegiada, é comum ver pessoas em pé no fundo da igreja, com lugares vazios á frente. Se a pessoa tem àquela hora disponível dentro da igreja, ela deve procurar aproveitá-la, ver a beleza do culto. Acredito que muitas pessoas se afastam da religião por comodismo.

A mídia de uma forma em geral, tem conduzido o indivíduo para outra direção, principalmente elegendo o consumismo como ideal ao ser humano?

Atualmente se passa uma falsa idéia de que tudo está bem, tudo está maravilhoso, vamos consumir, e o pior é que isso esta cada dia mais rápido, antigamente quando o sonho de consumo era uma maquina fotográfica, após adquiri-la ela durava uns vinte anos, atualmente uma câmera digital ou um celular em menos de um ano já estão defasados. Você acaba de comprar, vai pagar no caixa, já lançaram outro produto com mais recursos técnicos. Hoje está muito difícil acompanhar o nível de consumo, poucas pessoas conseguem resistir a isso. Para os mais jovens é pior, o próprio meio que freqüentam conspira para o consumo insensato. Vejo pelas minhas filhas, que passam por essa fase, embora não tenham o consumismo voraz de algumas pessoas que as rodeiam.

Geraldo, você trabalha em uma atividade onde o fator principal é o sonho das pessoas.

Quando vim para Piracicaba, na época a casa lotérica se resumia a Loteria Esportiva e Loteria Federal, um bilhete inteiro tinha 20 frações, hoje tem 10. O sucesso era a Loteria Esportiva. Em Campinas o encerramento dos jogos era na quinta feira, até a meia noite podia se jogar, para correr no domingo. Em uma cidade como Campinas ficávamos com a lotérica aberta até meia noite, aceitando apostas. Hoje isso seria inimaginável. O resultado seria divulgado na segunda feira pelo jornal. A coqueluche da época era a “Zebrinha”, ou "Zebrinha da Loteria Esportiva" ou "Zebrinha do Fantástico", (Personagem criada pelo Borjalo ( Mauro Borja Lopes) para informar os resultados da Loteria Esportiva na Rede Globo. Na gíria da época, "zebra" era um resultado inesperado no futebol, numa alusão ao Jogo do Bicho, zebra é um animal que não existe naquele jogo, portanto, é um resultado impossível de acontecer). O Brasil parava para ver o resultado no Fantástico, assim que começava o programa. A Mega Sena e a Mega Sena da virada ocuparam o grau de importância da Loteria Esportiva da época. Na época eu estudava engenharia em Lins, consegui uma transferencia para a Escola de Engenharia de Piracicaba. Me encantei com a cidade, não era tão grande como Campinas e não tão pequena como Andradina. Piracicaba tinha aquela coisa gostosa do povo do interior, das pessoas que conversavam, valorizavam a amizade. Me formei em 1982 pela PUC de Campinas, foi no período de maior crise da construção civil. Ninguém construia, ninguém reformava. O meu pai foi sábio, disse-me: “ -Vamos comprar uma Casa Lotérica e você irá ter a sua loja, só que você irá me pagar, não estou lhe dando de presente!” Lembrei-me de Piracicaba.

Já existia a Lotérica Copa 70?

É a Casa Lotérica mais antiga de Piracicaba, comprei de uma senhora chamada Edna Lafratta, esposa de Roberto Serafim, ele chegou a ter quatro lotéricas em Piracicaba. A Copa 70 é onde atualmente é a Agencia do Bradesco, na Praça José Bonifácio. Quando a adquiri ela estava na Rua Alferes José Caetano esquina com a Rua Prudente de Moraes, onde atualmente é o estacionamento do Unibanco. Era uma garagenzinha em frente a Câmara Municipal. Isso foi em 1982. Para oferecer um local mais confortável aos clientes mudei para a Rua Alferes, 882. Não gostei, mudei para Rua Alferes esquina com a Rua São José, onde hoje tem um moto taxi. Quando cheguei em Piracicaba, e adquiri a casa lotérica, disseram-me: “-Você escolheu a cidade errada!”ou “Piracicaba é uma cidade pé-frio, aqui não sai prêmios!” ou ainda “- Piracicaba é uma cidade fim de linha!” A principio me preocupei, mas achei que poderia mudar essa forma de ver as coisas. Era uma cidade que na época já deveria ter seus 300 mil habitantes. Na época Piracicaba tinha 15 hoje existem 22.

Aconteceu algo de extraordinário em sua lotérica?

Eu vendi pela primeira vez o primeiro prêmio em Piracicaba, bilhete número 70228, fiz um estardalhaço na cidade, na época o editor do Jornal de Piracicaba era o grande profissional Geraldo Nunes. Divulguei em todos os veículos de comunicação da cidade. Aqueles que antes diziam que a cidade era “pé-frio” comentaram: “O premio saiu para Piracicaba uma vez, agora vai demorar muito para sair de novo! Nunca mais sai prêmio aqui!” Sete ou oito meses depois eu vendi o bilhete da cobra, final 34, primeiro prêmio de novo! Mais uma vez consolidei através da mídia a possibilidade de se ganhar.

Quais são as reações do ganhador?

Ele treme, chora, de tanta felicidade.

O ganhador dá á lotérica ou á seus funcionários algum tipo de recompensa?

Existem muitas promessas. Vendi os dois maiores prêmios da cidade, um premio de dois milhões na Super Sena, logo em seguida um prêmio de três milhões. Essa pessoa continuou jogando comigo, ela estava fazendo um novo jogo na lotérica, ninguém sabia que essa pessoa tinha sido a ganhadora, eu tinha colocado faixa, anunciando que o prêmio tinha saído aqui. Pessoas presentes na lotérica fizeram essa mesma pergunta: “- Geraldo, dois milhões de reais, deu-lhe alguma coisa?” Isso com o ganhador ao meu lado, quieto. Fazendo um novo jogo. De forma muito discreta, desviei o rumo da conversa e encerrei o assunto. Continuaram: “- Mas que pão duro! Ganhou um dinheirão desse e não deu nada para você e nem para os funcionários?”. Discretamente o ganhador saiu sem dizer nada, foi até um supermercado, comprou quatro caixinhas de uma marca popular de chocolate e voltou dizendo: “- Isto aqui é para ninguém falar que nunca dei nada para vocês!” Eus sou otimista. Peguei o número de série da caixa do chocolate e apostei! Esse foi o único presente que ganhei até hoje! Para minha felicidade Piracicaba nunca foi pé frio nem fim de linha, o que acontecia é que ninguém divulgava os prêmios que saiam para a cidade. O que me fez ser conhecido como “Pé Quente”, “Copa 70, a que vende prêmios” foi a mídia. Aproveitei cada momento, nunca faltando com a verdade. A última vez, quando saiu um prêmio de 3 Milhões de reais, liguei para a EPTV em Campinas, contei a história, a emissora veio até Piracicaba, entrevistou apostadores, foi em frente a Caixa Econômica Federal, filmou as pessoas passando, perguntou a diversos se era o ganhador. Às sete horas da noite a noticia espalhou-se para a região toda. Até hoje tenho clientes que vem de Americana, Limeira, que vem por terem visto aquela noticia.

Qual é o perfil do apostador?

O apostador é uma pessoa feliz, uma pessoa que sonha. Quando alguém ganha comigo, eu passo a analisar como era a atitude dessa pessoa perante a lotérica, com relação a gente: sempre feliz, nunca reclama quando perde, perseverante. É agradável conversar com alguém que afirma que quer ganhar na loteria para viajar, comprar um sítio, ele tem um sonho! Toda pessoa que aposta é uma pessoa feliz, sociável, gosta de amigos, está de bem com a vida. Eu condeno os extremos, quem nunca joga, por dar a si mesmo a oportunidade de ganhar e também o outro extremo, aquele que joga de forma compulsiva.

Já ocorreu com você algum caso onde houve a sua intervenção para que o apostador fosse mais comedido?

Vários! Quando percebo que a pessoa está jogando acima do seu limite, convido-a a uma conversa reservada. Você nunca poderá achar que irá resolver os seus problemas através do jogo! Você poderá sim realizar sonhos!

Você recomenda que a pessoa estabeleça um limite máximo, dentro do seu orçamento, para apostar?

Somos todos destinados a estabelecer os percentuais necessários á sobrevivência, dentro de um padrão de vida. Se a pessoa quer cultivar o sonho de ganhar algum premio ela deve destinar o valor que não comprometa os demais compromissos. Temos clientes que são verdadeiros exemplos de equilíbrio e sensatez. São clientes que estão conosco a mais de vinte anos.

Qual é a faixa etária do apostador típico?

A pessoa começa a gostar de apostar a partir dos 28 a 30 anos, com ascendência até os 45 anos. Depois tem uma estabilidade até os 60 anos de idade. Dos 60 anos em diante cinqüenta por cento continuam apostando, outros cinqüenta por cento não jogam mais, perderam o prazer pela vida, nada mais interessa.

Alguém já levantou alguma hipótese sobre a lisura do processo de sorteio da loteria?

Já! E a cada vez que ouvia isso ficava profundamente irritado. Em 2001 liguei para a Caixa Econômica Federal agendei com eles a vinda do Caminhão da Sorte para Piracicaba. Em fevereiro de 2001 os lotéricos de Piracicaba trouxeram o Caminhão da Sorte na Praça José Bonifácio. O sorteio foi feito ao vivo. Em julho do mesmo ano trouxemos novamente o Caminhão da Sorte á Piracicaba. Mostrando a lisura, é tudo feito com controle remoto, eles escolhem alguém da platéia para apertar o controle remoto, se alguém quiser ser voluntário e ficar lá em cima é permitido.

Como surgiu sua coluna na Tribuna Piracicabana?

Há dois anos tenho uma coluna na Tribuna Piracicabana, na pagina 3, toda terça feira. Nessa coluna eu pesquiso e conto histórias de ganhadores, passo informações sobre jogos, qual é o tipo de jogo recomendado para a semana. Estatísticas, dezenas que mais saíram dezenas que menos saíram. E o mais importante, dezenas que estão mais atrasadas. Na Mega Sena a dezena que mais sai ninguém imagina: é 05!

A lotérica ocupou o espaço do jogo do bicho?

A lotérica tomou muito espaço do jogo do bicho, ela não chega a ocupar o espaço do jogo do bicho porque é outro perfil de jogo. A informática não conseguiu ainda fazer um jogo semelhante ao jogo do bicho. São tantas opções, eu não consigo entender a mecânica do jogo do bicho. Como apostador não saberia jogar no jogo do bicho, é uma cultura que vem de avô, pai, filho. Como meu pai nunca teve esse habito, mesmo como consumidor acho um jogo muito complicado.

Além de beneficiar o ganhador a loteria arrecada recursos destinados a outros fins?

O governo quer legalizar da melhor maneira possível o jogo. Quando o apostador joga, automaticamente está pagando o seu imposto, de tudo que é jogado dois terços é retido para pagar impostos, ajudar muita gente.

Além de jogos a Casa Lotérica realiza prestação de serviços?

No inicio as casas lotéricas recebiam IPTU e água. Ampliamos o leque de recebimento e hoje uma casa lotérica oferece inúmeras opções. As pessoas muitas vezes desconhecem as facilidades oferecidas por uma casa lotérica: fácil acesso, horário estendido, opções antes inimagináveis, se o cliente tiver uma multa do seu veículo ele pode pagar em uma casa lotérica, até mesmo o desconto de vinte por cento é dado normalmente. Se você trouxer somente o número do Renavam você pode licenciar seu veiculo em uma casa lotérica. Atualmente em uma casa lotérica é possível fazer depósito, saque. Receber PIS, Fundo de Garantia, Seguro Desemprego. A Copa 70 recebe contas das 8 da manhã até as 6 da tarde. Isso uma prestação de serviço. Com o fluxo de dinheiro que sai em forma de pagamento não permanece dinheiro nas casas lotéricas. Além do horário estendido presto o serviço de malote empresarial, para fazer mais pelo cliente. Agregado a isso quem sabe o cliente decide fazer uma aposta. Um cliente que ganhou um bom volume de dinheiro confidenciou-me, que tinha vindo pagar uma conta, estava na fila, viu algumas faixas com os números ganhadores, fez uma combinação de números e ganhou uma boa bolada.

Uma única aposta pode ser vencedora, enquanto grandes números de apostas deixam de ser?

Se você jga mais, a sua probabilidade de ganhar aumenta, só que o fator sorte fala mais alto. Na Mega Sena da virada de 2009, um apostador de Santa Rita do Passa Quatro, vizinho á Piracicaba, ganhou sozinho com uma cartelinha de seis reais, na época um prêmio de 164 milhões.

Ao ganhar na loteria a vida do felizardo muda?

Por mais que ele queira disfarçar, ele mesmo não consegue guardar segredo, acaba contando para alguém, e segredo quando se conta para alguém deixa de ser segredo! Ele passa a ostentar, trocando de carro, de casa, teve um que me disse não saber que tinha tantos parentes, apareceram de todos os lugares, cada um com sua necessidade. A pessoa tem que estar preparada para receber a sorte. Porque muitos ganham e perdem tudo? Ele não estava preparado para esse momento, para o assédio, para o glamour, com tantas pessoas em volta dele. Ele acaba ficando mais pobre do que antes de ganhar o premio. Não basta ganhar, tem que estar preparado para receber a sorte.

Teve uma época em que tínhamos verdadeiros manuais que instruíam como ganhar na loteria.

Apareceu aqui um dia, um senhor, que disse vir de São Paulo e ter um manual para apostar na Mega Sena, disse que precisaria de um espaço na minha lotérica para divulgar seu livro. Ele me agradeceu, disse que ninguém estava acreditando nas suas melhores intenções. Levei-o ao Jornal de Piracicaba, onde ele contou sua história, e abri espaço para ele. Esse senhor esteve na minha lotérica, divulgou o livro, vendeu uma caixa de livro, ele tinha um método que para ele deu certo, já havia ganhado algumas vezes. Esse livro é como manual para fazer regime, o simples fato de adquiri-lo não o fará emagrecer.

Os apostadores buscam inspiração nas mais diversas ocasiões?

Quando falece uma pessoa ilustre o pessoal joga muito, cria as mais diversas combinações, como data do dia de nascimento, data do dia da morte. O brasileiro é criativo, gosta de jogar. Quando Airton Senna faleceu foi um caos. Tudo que era divulgado sobre o Senna era transformado em palpite, que ano ganhou o primeiro titulo quantas vitórias.

A sua coluna é publicada ás terças feiras na Tribuna Piracicabana, como entrar em contato com você?

Quando falei do meu projeto ao Evaldo, ele disse-me: “Estou a tanto tempo no jornalismo, mas nunca vi nada parecido”. Eu estava em um congresso em Santa Catarina, onde havia representantes de mais de 50 jornais, e todos afirmaram que não tinha visto ainda uma coluna que bata um papo com o leitor a respeito de jogo. Todo jornal dá resultados. É diferente de dar dicas, passar informações, contar histórias.

A minha coluna chama-se “Sorte No Jogo”, quem quiser mandar e-mail é só enviar para

lotericacopa70@ig.com.br

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