Se alguém ainda duvida da importância de conhecermos o passado para construirmos o nosso futuro, então que revogue todos os conhecimentos acumulados pela humanidade até a presente data. J.U.Nassif

"A força está na serenidade do ânimo e no equilíbrio dos sentimentos."

segunda-feira, maio 31, 2010

O COLECIONADOR DE FRASES

                                                                                                                                          
O COLECIONADOR DE FRASES
Autor: J.U. Nassif
Antonio Castro, mais conhecido como Castrinho aos sete anos de idade passou a atuar como coroinha, ajudando na celebração da santa missa. Ficou fascinado com a missa em latim. O primeiro trecho que procurou traduzir, com a ajuda do Padre Bento foi Kyrie Eleison.
Do grego,
KYRIE ELEISON
Kyrie eléison. Kyrie eléison. Kyrie eléison.
Christe eléison. Christe eléison. Christe eléison.
Kyrie eléison. Kyrie eléison. Kyrie eléison
Traduziu para o português:
KYRIE (PERDÃO)
Senhor, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós
A satisfação de conhecer o significado das palavras que estava falando dava-lhe um enorme prazer, e também certa superioridade junto aos colegas coroinhas, que a principio estranharam o fato daquele menino da idade deles saber grego, latim. Uma mistura de ciúmes e fascínio pelo conhecimento do coleguinha. Certo dia Castrinho viu a frase “Ala Jacta Est“ (“A sorte está lançada“) encantou-se com ela e sua tradução. Passou a usá-la em voz alta após entregar cada prova escolar ao mestre. Embora não fosse propriamente um aluno aplicado, suas notas sempre foram razoáveis, e aquelas palavras estranhas aos outros alunos parecia uma fórmula mágica para atrair boas notas. A classe toda repetia a mesma frase ao entregar suas provas ao professor. Castrinho tinha se tornado um líder. Logo foi eleito representante da classe junto à diretoria da escola. Era ele quem falava em nome dos alunos nos dias solenes. Castrinho cresceu, tornou-se um rapaz que deixava as garotas entusiasmadas por ele. Praticava esportes, futebol, natação, chegou a ganhar medalhas como jogador de basquete do time da escola. Prestou vestibular, e foi cursar Direito durante o dia e Publicidade a noite. Castrinho embora tivesse tudo para ser vaidoso e pedante, tratava a todos com a mesma deferência. Do porteiro ao diretor da escola. Isso o tornava popular e muito estimado. Gostava de namorar, de sair nas baladas, viajar quando entrava em férias. Através de intercambio internacional de estudantes, morou no exterior. Viajou pelos albergues da Europa. Castrinho passou a ser um colecionador compulsivo de adágios. Anotava todos e transcrevia-os para seu computador. Era fascinado por frases feitas, sem questionar a origem. Com o tempo, passou a usá-las, com o maior cuidado para não causar o efeito contrário: ser um chato. No momento em que ouviu a famosa frase "Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país”, atribuída a John F. Kennedy. Castrinho tomou a decisão da sua vida: seguiria a carreira política, queria salvar a humanidade da miséria e injustiças. Surgiu nesse instante um novo Dom Quixote, as frases de efeito, seriam o seu Sancho Pança. Filiou-se a um partido político, uma legenda que não exigia uma votação estrondosa. Quando estava só em sua casa, ficava diante do espelho do seu quarto e ensaiava gestos, palavras, expressões faciais. Auxiliado pelo seu partido político passou a visitar comunidades de bairro, conhecer lideranças. O público feminino delirava em ter aquele quase artista de novela ali, presente. O público masculino ficava hipnotizado com as falas sábias de um jovem, de origem abastada, dedicando-se a nobre causa de lutar pelos mais necessitados. Era um sucesso total. Seus discursos eram aguardados ansiosamente. Primeiro citava os nomes mais conhecidos ali presentes. Tomava o cuidado de antes estudar quais eram as aspirações daquela comunidade. Se alguma obra pública não tinha sido realizada no tempo prometido Castrinho soltava: “Não adianta dizer: "Estamos fazendo o melhor que podemos". Temos que conseguir o que quer que seja necessário”. A platéia vibrava. Ele então completava: “O pessimista vê dificuldade em cada oportunidade; o otimista vê oportunidade em cada dificuldade”. "A coragem é a primeira das qualidades humanas, porque é a qualidade que garante as demais. " Era o clímax! Castrinho sentia que os ouvintes entravam em transe. Eram votos garantidos. Ele então encerrava dizendo: “Não há mal nenhum em mudar de opinião. Contanto que seja para melhor." A turba como nos circos romanos gritava com toda força dos seus pulmões: “Castrinho...Castrinho...Castrinho...!
Eleito vereador, deputado, governador, Castrinho passou para a fase máxima da sua carreira: candidato á Presidente da República.
Antonio (Tuta) Siqueira foi seu colega no curso de publicidade. Eram amigos, companheiros, e foi dele que partiu a grande idéia: todo eleitor ganharia um celular, se Castrinho fosse eleito iria buscar o chip. O mote da campanha era: “Fale bem pertinho com Castrinho”. Milhares de aparelhos ortodônticos foram implantados, sempre para a arcada inferior, se fosse eleito o eleitor iria implantar a parte da arcada superior do aparelho. O mote da campanha era “Castrinho eleito, sorriso perfeito”. Camisetas com frases de auto-ajuda foram distribuídas, sempre com o nome do guru Castrinho.
O poema Jabberwocky de autoria de Lewis Carroll (1832-1898), autor de Alice No País Das Maravilhas surpreendeu e encantou o mundo. Tinha palavras inventadas, alternadas com palavras já existentes. O poeta Augusto Campos tentou traduzir o poema para a língua portuguesa:
“Era briluz. As lesmolisas touvas. / Roldavam e relviam nos gramilvos./ Estavam mimsicais as pintalouvas/ E os momirratos davam grilvos”
“Retoando pela incerosa pradaria, lá vai o alazão, célico e alveloz.../ Volteje alazão! Volteje a anseria! (Nils Zen).
Para Castrinho foi o pote de ouro no fim do arco-íris! Castrinho passou a brincar com as palavras. .Mastigarei! Se fosse sólido comê-lo-ia. Doa a quem doê-la. O primeiro pé nunca é esquecido. A Suíça é um mundo de faz-de-conta numerada. Esse Bamerindus...
Criou um vasto repertório usando a fórmula que o consagrou. Um de seus pronunciamentos:
“Trabalhadores do Brasil! Escravidarei relojoando, injetando adrenalina por força pancaditiva. Glândulas sudoriporas sideresforçais, forjabras em óleomintos, açonosso, petronosso de cada dia. Brasileiros e brasileiras! Big Brother da moedagem consumitiva, fiscoespionai, tabelaço no acém como na abobrinha. Despejais folgosas abelhudas e marimbondos espadachins. Minha gente! O igual será diferente, gelomoedas para todos! Poupançadores enfartem com suas economisérias. Veja o meu reflexo na amplitude dos seus olhos. Se lindo sou, lindo estou, qual cisnedindo em noiteluz. Neto de avô Doutor Honório Causa, conheci Alfa e Beto, e nada mais foi igual nunca antes na história desse país”. Sendo interrompido pelos aplausos da enorme massa popular ensandecida. Castrinho é estadista consagrado dentro e fora do país. Emocionam-se com as suas palavras, acham-nas bonitas, ditas com convicção, embora poucos o entendam na sua língua mãe, os que se arriscaram a entender chegaram a neologismos e a um amontoado de palavras desconexas. Enlouquece os tradutores oficiais dos países que visita. Porém todos reconhecem o seu incomparável talento para a oratória, troféu olímpico dos verdadeiros líderes.











domingo, maio 30, 2010

Seleção Brasileira faz escala em Brasilia


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PARABÉNS PELO BLOG! EXCELENTE!
Abraço, Maria Emília
# postado por Mel Redi : 7:24 AM

Guido Ranzani



PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista

joaonassif@gmail.com

Sábado 29 de maio de 2010

Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana

As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:

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ENTREVISTADO: Prof. Dr.Guido Ranzani

Guido Ranzani mantém extremo bom humor, ao ser fotografado, muito bem disposto, contagiou o ambiente dizendo: “- Cansa fazer cara de inteligente!”. Durante o bate papo, do alto dos seus 95 anos, manteve um diálogo alegre, esbanjando cultura e de extremo bom senso, mantém-se muito bem atualizado através dos veículos de comunicação. Sua filha Macau, que foi a primeira dama de Piracicaba, na gestão do marido, o ex-prefeito João Hermann Neto, já falecido, confidencia em voz alta, que seu pai ainda gosta de comer uma rabada com polenta e uma taça de vinho, tradição italiana da qual ele não abre mão. Admiradora do pai, ela diz que ele era um terrível “pé-de-valsa”, a ponto de algumas vezes deixar a mãe com certa ponta de ciúmes injustificados. Guido Ranzani foi piloto nos tempos em que a coragem era o melhor combustível de um avião. Pára-quedista, bom futebolista, atacante destemido, daqueles que jogam para decidir a partida. Assim como jogava com garra, também mergulhava nos livros, estudioso, é o pioneiro na classificação de solos de diversas regiões do Brasil e de outros países, tendo elaborado cartas de solo, inclusive a de Piracicaba. Seu currículo é composto por trinta e uma páginas. Guido Ranzani é uma autoridade consagrada dentro e fora do Brasil, tornando-se uma figura lendária entre os estudiosos de solo. É membro das seguintes sociedades: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo; Sociedade Paulista de Agronomia; Sociedade Brasileira de Botânica; Sociedade Latino-americana de Ciência do Solo; ‘British Soil Science Society’; ‘Pacific Science Association’; Sociedade Brasileira de Engenharia Agrícola; Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência; Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba; Associação dos Geógrafos Brasileiros; Comissão Internacional de Condicionadores do Solo. Recebeu os títulos honoríficos: Medalha Marechal Rondon - jun/1994; Sócio Honorário da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo – jul/1997; Cartão de Prata da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Tocantins (AEATO), 1997; Cartão de Prata do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia/TO, 2000; Medalha de Mérito Científico e Tecnológico, concedida pelo Governador Geraldo Alkmin/SP, 2001; Cartão de Prata da Câmara Municipal de Piracicaba/SP, 2001; Medalha de Mérito Científico, ‘Scientiarum Persona Magnífica’, prof. Walter Radamés Accorsi, Clube dos Escritores de Piracicaba/SP, 2003; Título Cidadão Destaque Ambiental, CONDEMA-Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente, Piracicaba/SP, 2004.
O senhor é piracicabano?

Nasci em Serra Azul, no dia 5 de fevereiro de 1915, sou filho de Francisco Elias Ranzani e Elizabeth Bernardes Ranzani, sou o mais novo de cinco irmãos: José, Antonia, Leonor e Maria. Meu pai era ferreiro, sozinho ele ferrava os cavalos puro sangue inglês existentes na fazenda Serra Grande. Uma característica do puro sangue inglês é ter defeitos no andar, com a ferradura de pesos diferentes em suas patas corrige-se o passo do animal. A Fazenda Serra Grande era a maior fazenda das imediações, seu proprietário era J.Martins, um político de grande expressão naquela região. Comecei a estudar no Grupo Escolar de Serrana, minha primeira professora chamava-se Marina do Espírito Santo, ela gostava muito de mim. O secundário eu fiz em Campinas, no Instituto Cesário Motta, aos onze anos de idade já era aluno interno, só ia para a minha casa no período de férias. Eu tocava na banda da escola, era corneteiro, nas festas típicas tocava violão.

Quando o senhor passou a morar em Campinas, como aluno interno, estranhou muito?

Mudou completamente! Saíamos aos sábados, tomávamos um sorvete, passeávamos um pouco no centro e voltávamos para o internato. No período de férias meu pai ia me buscar com seu carro, um Chevrolet preto.

Após concluir o ginásio o senhor estudou onde?

Fiz o Colégio Universitário, anexo à ESALQ, no período de 1936 a 1938. Prestei os exames e fiz o curso superior de Engenharia Agronômica, no período de 1938 a 1941.

Quando o senhor entrou na ESALQ o senhor veio morar onde?

Morei na República Rio Negro.

Após formar-se como agrônomo, o senhor foi trabalhar aonde?

Fui convidado por Manoel Ribas, interventor do Estado do Paraná, para trabalhar no Norte do Paraná como diretor da Fazenda Matilde. Havia gado de diversas espécies, cavalos puro sangue inglês. Duas éguas da raça Bretã Postier, a Quina e a Bala quando eram colocadas no semi-trole formavam uma composição que parecia um brinquedo. Na Fazenda Matilde permaneci por três anos. Voltei á Piracicaba, ingressei na ESALQ como assistente do Prof. Mello Moraes, o Melinho. Ele me jogou na fogueira, disse-me: “-Você vai tirar a livre docência logo, não vou esperar muito tempo não!”. Enterrei-me nos livros, fiz a livre docência e comecei a vida universitária, assumindo a cadeira de Solos, eu estudava para valer.

Como o senhor conheceu sua esposa?

Foi em um baile da ESALQ, eu cheguei até a comentar com meus colegas: “Vejam aquele narizinho em pé, é da paulistinha!”. Giselda Barbosa era natural de São Paulo. E não é que fui fisgado por ela! Casamos em Santos, para onde sua família havia mudado, tivemos quatro filhos: Godofredo, Maria da Graça, Maria Cláudia (Macau) e Adriano.
Com o neto Gustavo Ranzani Hermann
Em seu álbum de família há várias fotografias em que o senhor aparece dançando, essa animação sempre existiu da sua parte?

Eu era arroz de festa!

Qual é seu time do coração?

Sou Santista! Pratiquei bastante futebol. Era center-half (beque central) do “A” Encarnado, eu marcava a ponta direita. Um dos jogos dos quais me lembro foi uma partida contra o XV de Novembro de Piracicaba, o jogador Leme era o ponta direita, ele não pegou uma bola durante o jogo todo. Eu era uma brutalidade, muito atrevido, entrava feio, para resolver a questão, não havia meio termo. O Leme saltitava em volta, não se atrevia a ir pegar a bola.

O senhor pilotava avião?

Fazia até acrobacias aéreas com o Piper, me brevetei com um F-5, motor radial, fui o centésimo piloto de Piracicaba, entrava na pista a 100 quilômetros por hora, era um bi-plano muito pesado e com pouca área de sustentação, era necessário estar sempre em velocidade para garantir a segurança do vôo.
Passou algum apuro pilotando?

Passei por diversos apuros, um deles foi o motor que morreu, não pegava mais, eu desci planando, existe duas formas de dirigir-se de um ponto ao outro, deixar o avião já caindo ou inclinado para a aterrissagem.

Por acaso o senhor passou entre as duas torres da catedral de Piracicaba?

Passei! (Guido respondeu com ar de criança que fez alguma arte).

Salto de para quedas chegou a realizar algum?

Saltei na cidade de Araraquara.

Quais são seus livros e capítulos de livros publicados?
Publiquei os seguintes: Solos para Cana de Açúcar; Pequeno Guia para Levantamento de Solos; Manual de levantamento de Solos; Terras para Café, O Solo como Fornecedor de Nutrientes aos Vegetais; Manual de Levantamento de Solos; Subsídios à Geografia de Piracicaba.

O Mapa de Solos de Piracicaba é de sua autoria?

Foi trabalho do meu departamento. O mapeamento de solo já existia como atividade comum, não era novidade. Esses mapeamentos são de penetração em todos os pontos de mudança de relevo, de solo, de vegetação, o trabalho é feito visitando cada ponto e comparando, fazendo confronto entre cada grupo de solo, dando a cada um suas aptidões existentes, dando informações a cada proprietário de terras, fornecendo as orientações de uso e manejo do solo, essa era a finalidade. Existem muitos tipos de manejos que são feitos uma vez só e o solo deteriora. Existem os manejos conservacionistas, fazem bem para o solo e para o bolso do dono da terra.

O senhor sabe que foi um pioneiro?
Só distribui o que conhecia, acreditava no que estava fazendo. É uma coisa fácil de ser feita, todo mundo fazia.
O senhor fez levantamento de solos no Estado de Tocantins?

Fiz, permaneci por 10 anos morando em Tocantins.

O solo de Piracicaba é rico?

Tem terras muito ricas, normalmente mal manejadas. O solo é uma entidade natural muito delicada, qualquer processo mal conduzido produz uma energia de transformações não desejáveis, baixa o nível de atividade. Existem solos muito delicados, onde a maior agressão é colocar um arado revirando tudo. Ele perde a capacidade de agregar as qualidades. O solo é como um animal, que possui suas qualidades e o proprietário não as quer perde-las, faz de tudo para conservar essas qualidades. Existem processos que uma vez ativados não tem jeito de voltar.

E a Amazônia, onde o senhor permaneceu por vários anos?

A Amazônia é um exemplo! O desmatamento da Amazônia é feito independente de uma vistoria das possibilidades existentes para a utilização das terras, ou para qualquer finalidade que se tenha em mente. Lá acontecem as coisas sem nenhum cuidado. Não se pode ir contra essas qualidades, elas devem ser conservadas, geralmente a utilização é uma agressão tremenda, o uso de produtos químicos é uma das questões mais polemicas altera o dinamismo das atividades, em vez de beneficiar, prejudica, aumenta-se os problemas. Há terras em que o equilíbrio é mantido com uma delicadeza a toda prova. Não se pode simplesmente entrar, limpar e arar! Isso está completamente errado. Existem terras que não devem sustentar produções agrícolas. Essas terras são indiscriminadamente utilizadas, não há separação do joio e do trigo, são solos muito delicados, que devem permanecer com a vegetação natural para manter o equilíbrio ecológico.

É difícil expor isso para quem está explorando a terra?

É difícil! Às vezes é a única terra disponível.

O que a ESALQ representa para a agricultura brasileira?

A ESALQ é uma peça fundamental para o desenvolvimento agrícola do país, e ela está no rumo certo. O IPT está se instalando também em Piracicaba, isso é só o começo, deverá vir outras coisas mais difíceis de introduzir e mantê-las.

O senhor é religioso?

Sou, rezo todos os dias, não me deito sem fazer a minha parte.

Algumas pessoas acreditam que a morte encerra completamente a existência do individuo, física e espiritualmente, qual é a sua opinião?

Não penso assim. Acho que a outra vida é melhor.

Cientificamente existe algum indício de outra existência?

Não sentimos racionalmente. Hoje tudo gira em torno do cérebro, o processo do raciocínio. A outra vida não tem essa contribuição, não tem o cérebro ajudando. Eu acredito em outra vida, para mim a morte é uma troca de roupa. Tomando-se um bom banho, troca-se de roupa! Não participaremos com o organismo, mas com o espírito, e espiritualmente nós não temos a capacidade para discutir quase nada, não conseguimos ter a devida argumentação, não encontramos palavras, e nós também não sabemos. O fato de ignorarmos o que existe após a morte não recomenda que se despreze alguma coisa. Existe uma forma de vida, completamente diferente. Eu não posso discutir isso, você não pode discutir ninguém pode discutir a respeito. O fato de acreditar que existe é até recomendado, você vive melhor. Se morrer irei me expressar de maneira diferente, não é falando ou ouvindo, me preocupando com as coisas que tenho me preocupado, as preocupações são outras. Troca-se esta vida por outra forma de vida, a forma de vida espiritual, que não temos nenhum parâmetro para discutir, basta acreditar, acreditando é o suficiente e eu acredito!

E o mérito pessoal? Há pessoas que agem de forma correta outras não.

Agindo bem a pessoa não estará criando obstáculos para essa outra vida, que desconhecemos. A pessoa pode criar problemas para o outro ele. O maior inimigo do homem é ele mesmo. É um tema difícil de discutir.

Às vezes o senhor olhando no vazio vê um filme em sua frente mostrando seu passado?

Volto muito! É bom recordar a experiência adquirida. Não estou levando nenhuma complicação para a outra vida!

Comentários:
Parabéns, o Dr. Guido Ranzani é uma pessoa fantástica. Conheci ele no Tocantins, também como um pioneiro e alguém que nos deixou muitos conhecimentos e a alegria de ter tido a oportunidade de trabalhar com ele na Universidade do Tocantins.


# postado por Margareteae : 10:01 AM


Grande amigo do coração tive contato em palmas onde trabalhamos juntos na confecção das suas cartas de solos e livros publicados, grande abraço de Ariovaldo e familia.


# postado por RAFAEL : 4:56 PM




sexta-feira, maio 21, 2010

Padre Luiz de Souza Lima (Padre Luiz)

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 22 de maio de 2010
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/
http://www.tribunatp.com.br/
http://www.teleresponde.com.br/


                                                       
ENTREVISTADO: Padre Luiz de Souza Lima (Padre Luiz)
Os paroquianos da cidade de Rio das Pedras têm em seu vigário Padre Luiz de Souza Lima o condutor da fé católica do município. Padre Luiz como é mais conhecido, tem uma conduta ecumênica, respeitando e convivendo fraternalmente com fieis de outras crenças religiosas. Voltado para a motivação e aumento da fé religiosa, está trazendo verdadeiros astros da música católica, como o Padre Fábio de Mello, estimando a recepção de um público em Rio das Pedras de aproximadamente 60 mil pessoas, mais do que o dobro da população local. Apoiado em sua iniciativa pelo prefeito Marcos Buzzeto, que é evangélico, Padre Luiz parece ter-se lembrado que os jesuítas como Padre José de Anchieta, lançaram mão da música para a conversão de novos adeptos e fortalecimento da fé dos católicos. Muito organizado, sereno, Padre Luiz discorre de forma didática sobre sua vocação, seu trabalho, seus projetos, a recente viagem á Jerusalém, na companhia de dezenas de católicos e um único fiel de outra crença, o prefeito Marcos Buzzeto.
O senhor pertence a qual ordem?
Sou do clero diocesano, pertenço a Diocese de Marília, estou na Diocese de Piracicaba desde 1988, fui designado para vir á Piracicaba para permanecer por dois anos, estou até hoje. Fui designado para a Paróquia da Igreja Santa Catarina onde fiquei por 18 anos. Em 2006 fui transferido para Rio das Pedras, onde permaneço até hoje.
Em qual cidade o senhor nasceu?
Nasci em Lavras da Mangabeira, no Estado do Ceará, em 22 de dezembro de 1951, filho de Vicente Ramos de Souza e Glória Maria de Souza, somos sete filhos, sou o filho do meio. Eu tinha sete anos de idade quando a minha família mudou-se para São Paulo, radicando-se em São Bernardo do Campo. Sou o único filho que seguiu a vocação religiosa, minha família sempre teve uma profunda fé religiosa, sempre procurou viver o evangelho, minha mãe era uma mulher muito piedosa, rezava o terço todos os dias, não faltava ás missas, naquela época havia missa a partir das cinco horas da manhã, eu ainda criança a acompanhava. Meu pai era muito devoto de São Francisco de Assis. Minha mãe eu acho que era devota de todos os santos. (A resolução Régia de 20 de maio de 1816 criou o município com a denominação de Vila de São Vicente das Lavras da Mangabeira, hoje Lavras da Mangabeira, distante 434 quilômetros de Fortaleza. A origem do nome está nas lavras de ouro ocorridas na época).
Onde foram seus estudos?
Comecei meus estudos primários em Lavras da Mangabeira e conclui em São Paulo. Aos onze anos de idade fui estudar em Juazeiro do Norte, no Seminário Seráfico São Francisco dos frades capuchinhos. Após uns dois anos de permanência lá, retornei a São Paulo.
O que o motivou a ir para o seminário?
A decisão foi baseada na minha vocação, minha mãe comentava que desde os meus seis anos de idade eu já brincava com a criançada, pegava um lençol branco e dizia que já era padre. Sempre tive esse desejo, essa vontade de ser padre, fui coroinha, ajudava nas missas, isso me motivou a ir para o seminário.
O senhor trabalhou em uma grande indústria em São Bernardo Campo?
Retornei á São Paulo, e por um período, na época eu tinha dezesseis anos, fui trabalhar como montador na Brastemp. Quis pensar, refletir, e assim permaneci trabalhando por uns dois anos. Após esse período voltei para o seminário, ai foi para valer. Fui estudar em Bragança Paulista. De lá fui morar com os Frades Dominicanos, no Jardim da Saúde, na Igreja da Sagrada Família, por sinal quem a construiu foi o Engenheiro Antonio Costa Galvão, ex-prefeito de Rio das Pedras. Em três anos fiz a faculdade de filosofia e em quatro anos fiz a faculdade de teologia cursados nas Faculdades Associadas do Ipiranga, a FAI. Em 1984 fui ordenado por Dom Antonio Pedro Misiara, Bispo de Bragança Paulista. Fui auxiliar em Mairiporã o Padre Roberto da congregação do Schoenstatt, em seguida fui para a diocese de Marília, na paróquia de São Pedro, em Tupã, auxiliei monsenhor Nivaldo Resstel por um ano. Fui transferido para Flórida Paulista onde fiquei por três anos. Em seguida vim á Piracicaba em 1988 e durante 18 anos estive na Paróquia Santa Catarina, no bairro Nova América, vim para suceder os capuchinhos, que fizeram um trabalho muito importante nessa região. Meu antecessor foi Frei Augusto Girotto. Em 31 de janeiro de 2006 tornei-me pároco de Rio das Pedras, tendo como auxiliar o Padre Miguel que veio transferido de Anápolis.
Quantas capelas existem além da Matriz de Rio das Pedras?
São as capelas rurais de Lambari do Meio, Lambari de Cima, Viegas, Santo André, Nossa Senhora Aparecida, Pombal.
Como é administrar uma paróquia em uma cidade onde quase todos se conhecem?
Eu tenho mais facilidade de cuidar da paróquia em uma cidade menor, é uma paróquia única, as pessoas se conhecem mais, tudo é mais fácil. Até o próprio relacionamento com outras instituições, como o poder público, é mais acessível. O povo é muito bom, católico, respeitoso.
Como é a relação da Igreja Católica com outras crenças?
Vejo a Igreja Católica procurando caminhar com todos e respeitando a todos. O fato de uma pessoa ser evangélica e eu ser padre, isso não é motivo para impedir o nosso relacionamento, acredito que devemos conviver com as diferenças. A igreja católica ama as pessoas, somos todos filhos do mesmo Pai que nos ama que nos quer bem. Todos querem seguir Jesus, a igreja católica é sempre aberta ao diálogo. Em Rio das Pedras me relaciono muito bem com os pastores da cidade, existem algumas crenças que ainda se fecham um pouco no relacionamento com a igreja católica. O nosso prefeito é evangélico. Alguns perguntam como pode um padre católico relacionar-se tão bem com um prefeito evangélico? Dia 6 de agosto teremos o show do Padre Fabio de Mello, a idéia inicial partiu dele. Viajamos para a Terra Santa em 34 pessoas sendo que o único evangélico era o prefeito Marcos Buzetto. Causou a admiração das pessoas o seu comportamento, o seu testemunho de fé.
O senhor visitou o Muro das Lamentações?
Fui sim, só que não fui para lamentar nada, fui para agradecer. O Santo Sepulcro é um lugar onde as pessoas se emocionam muito. É uma demonstração pública de fé.
“É mais fácil um camelo passar por um buraco, pelo fundo de uma agulha, do que um rico entrar no reino dos céus”. Como o senhor interpreta essa frase?
Não podemos fazer uma leitura fundamentalista, pegar a coisa ao pé da letra, não ter uma visão ampla, aberta, deixar de refletir sobre o sentido disso. Isso não significa que todo rico vai para o inferno. Aplica-se ao avarento, ao ladrão, ao egoísta, ao ganancioso. Se você conseguiu obter o que possui de forma honesta, não pensa só em si, não é egoísta, é claro que isso não se aplica. Existe muito pobre que é pior do que rico. Pobreza não significa humildade. Muitas pessoas ricas são também pessoas humildes. A grande pobreza é a espiritual. Existem pessoas que tendo ou não tendo bens materiais vivem com seu pensamento voltado á Deus.
Existem cursos motivacionais escondidos atrás de uma denominação religiosa, que estimulam seus seguidores a ganharem cada vez mais dinheiro e melhorar a contribuição aos cofres da instituição?
São instituições constituídas por pessoas que através de mentiras, engodos, buscam alcançarem seus objetivos. Só que isso não os leva a nada. Uma pessoa esclarecida irá sempre avaliar uma situação dessas. Os mais humildes são as maiores vítimas, muitas vezes aproveitando de uma situação de desespero pela qual o individuo passa, isso é uma grande chantagem.
Como o senhor vê a violência nos dias atuais?
A violência infelizmente estabeleceu-se em todos os lugares, é fruto de uma série de fatores. O principal é a falta de Deus no coração. Mudou o mundo, em Roma não existe praticamente o assalto, existe o roubo. Os exemplos negativos provocam a violência, temos no nosso país alguns péssimos políticos que dão esse exemplo. Vemos o que está ocorrendo, julgamos as atitudes, conhecemos os fatores, mas agir contra isso tudo é o mais difícil.
Qual é o santo da sua devoção?
Tenho muita devoção á Nossa Senhora Aparecida, ela já me ajudou muito e continua me ajudando. Todo ano faço uma visita ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida. Nossa Senhora é uma única, ela recebe vários nomes em diversos lugares.
O senhor é confessor dos seus fiéis, após um período ouvindo confissões não sente a cabeça pesada?
Quando termino de ouvir as confissões saio cansado fisicamente pelo tempo que permaneço ali. As palavras que ouço não me cansam. Aos sábados é grande o número de pessoas que desejam falar com o padre, não se trata de confissão, mas de aconselhamento espiritual, coincide com um número maior de pessoas que procuram confessar-se. O padre não deve falar muito, e sim escutar. Outro dia chegou uma senhora na igreja eram umas três horas da tarde, foi embora cinco horas e pouco. Ao sair ela me disse: “-Muito obrigado! O senhor me ajudou muito!”. Eu não tinha falado uma palavra sequer. Ela saiu chorando, feliz, ela queria alguém que tivesse paciência para ouvi-la, não era assunto para confessionário, tratava-se de situações particulares, que não é para serem tratadas de forma corriqueira.
Na sociedade atual o psicólogo faz as vezes do padre e muitas vezes o padre é também um psicólogo?
O padre tem ser padre e psicólogo.
O senhor confessa?
Tenho meu confessor, o bispo se confessa o Papa se confessa. Todos nós confessamos.
Fazemos retiro anualmente, e há um dia especial só para as confissões.
O senhor acredita que a humildade seja uma qualidade essencial ao ser humano?
A pessoa que não é humilde sofre muito. A humildade é uma característica do bom cristão. Independente da posição social ou financeira a pessoa humilde é aceita em qualquer lugar. A pessoa arrogante se isola. Você já pensou em uma pessoa chata, sem humildade nenhuma? Ninguém gosta dela! Quantas vezes você já ouviu dizerem: “- Ah! Aquele cara é chato! Vou sentar em outro lugar!” Humildade não significa ser bobo. A humildade deve ser inteligente, a pessoa humilde tem uma grande facilidade em ser aceita em qualquer situação. É comum ouvirmos dizerem: “- Que pessoa bacana! Que pessoa humilde!” Comigo já aconteceu de ir a determinado estabelecimento comercial em Piracicaba, e ao entrar deparei com um atendente apresentando-se em situação totalmente destoante com sua função, ele estaria perfeito para a apresentação pública de um conjunto musical de musica de protesto, o seu comportamento atendendo junto ao balcão estava totalmente inadequado. Em tom de brincadeira disse-lhe: “-Você está de mal com a vida?”. Ele respondeu que não. Disse-lhe então que ele estava em lugar errado.
O senhor tem algum esporte preferido?
Gosto de caminhar, as vezes brinco jogando futebol.
Qual seu time de futebol preferido?
Corinthians! (Outro padre corintiano é Monsenhor Jorge)
Algum hobby?
Gosto de ler, e preciso estar bem informado. Recebo a Folha de São Paulo, A Tribuna, Jornal de Piracicaba. O tempo tem que ser muito bem administrado para fazer tudo, se não forem devidamente programadas as tarefas do dia torna-se praticamente impossível de serem realizadas. O padre assim como outras profissões, tem que estar sempre atualizado.
Como são os jovens atualmente?
A juventude é 10! São sempre vitimas. Critica-se muito o comportamento dos jovens, mas certas coisas são decorrentes dos meios de comunicação, da mídia, as vezes problemas em família. Mas todo jovem é bom!
A nossa televisão deseduca?
Acho que a televisão deveria fazer um trabalho melhor, não posso afirmar que tudo esteja errado na televisão, tem o seu lado bom, os jornais são interessantes. Vemos programações onde se propagam as criticas sem sentido, a desunião da família, isso é muito ruim. A pessoa despreparada passa a imitar certas coisas vistas na televisão. Eles não tiram certos programas porque representam bom faturamento. Com isso temos pessoas despreparadas, sem nenhuma referência a não ser a beleza física, influenciando hábitos e costumes. A internet pode ser uma fonte de problemas para os pais administrarem.
O senhor prega de improviso ou prepara os sermões para as missas que celebra?
Não consigo fazer uma pregação lendo, falo de improviso, me preparo lendo o trecho no evangelho por diversas vezes, medito sobre o tema e na hora da missa falo de forma natural. Minha comunicação é espontânea A espontaneidade implica em maior motivação para os fieis.

terça-feira, maio 18, 2010

segunda-feira, maio 17, 2010

A HISTÓRIA DA PINGA

Antigamente, para se ter melado no Brasil, os escravos colocavam o caldo da cana-de-açúcar em um tacho e levavam ao fogo. Não podiam parar de mexer até que uma consistência cremosa surgisse.
Porém, um dia, cansados de tanto mexer e com serviços ainda por terminar, os escravos simplesmente pararam e o melado desandou.
O que fazer agora?
A saída que encontraram foi guardar o melado longe das vistas do feitor.
No dia seguinte, encontraram o melado azedo (fermentado). Não pensaram duas vezes e misturaram o tal melado azedo com o novo e levaram os dois ao fogo.
Resultado: O "azedo" do melado antigo era álcool, que aos poucos foi evaporando e formou, no teto do engenho, umas goteiras que pingavam constantemente. Era a cachaça já formada que pingava. Daí o nome "PINGA".
Quando a pinga batia nas suas costas marcadas com as chibatadas dos feitores ardia muito, por isso, deram o nome de "ÁGUA-ARDENTE".Caindo em seus rostos e escorrendo até a boca, os escravos perceberam que, com a tal goteira, ficavam alegres e com vontade de dançar. E sempre que queriam ficar alegres repetiam o processo.
Quem disse que beber também não é cultura!!!
(História contada no Museu do Homem do Nordeste)






domingo, maio 16, 2010

Geraldo Victorino de França

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS

JOÃO UMBERTO NASSIF

Jornalista e Radialista

joaonassif@gmail.com

Sábado 15 de maio de 2010

Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana

As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/

http://www.tribunatp.com.br/


Geraldo Victorino de França ao lado da  obra retratando sua filha Graziela, Miss Bicentenário de Piracicaba, do artista plástico Jairo Ribeiro de Mattos

ENTREVISTADO: Professor Dr. Geraldo Victorino de França

Muitos jovens procuram a cidade de Piracicaba para realizarem seus estudos em uma das suas faculdades e universidades. Namoram, casam-se e permanecem na cidade. Inúmeros casos se repetem ano a ano. Um exemplo típico é o de Geraldo Victorino de França também conhecido como “Voinho”, apelido carinhoso pelo qual lhe chamam os netos e bisnetas. Engenheiro agrônomo, professor aposentado da Esalq/USP – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. Casado com a professora Zilda Giordano Victorino de França, 4 filhos, 11 netos e três bisnetas. Pai da Miss Bicentenário de Piracicaba, Maria Graziela, da escritora e poetisa Ivana Maria França de Negri, de Maria Fernanda e Geraldo Junior. Autor de dois livros publicados “Aprendendo Com o Voinho I e II”, e um terceiro já a caminho, mantêm o “Blog do Voinho” http://aprendendocomovoinho.blogspot.com/, na internet. Um verdadeiro exemplo de como uma pessoa após adquirir conhecimentos e experiências de uma carreira universitária pode oferecê-los de forma didática e acessível àqueles que estão em busca de novos conhecimentos. Nascido em Barra Bonita, no dia 25 de outubro de 1925.

Geraldo Victorino de França com dois de seus livros "Aprendendo com o
Voinho" I e II

Qual é a fórmula para chegar aos 84 anos de idade desfrutando excelentes condições de saúde?

Viver da maneira mais simples possível!
O senhor com toda a cultura e experiência adquirida em uma carreira acadêmica, cultiva a simplicidade?

Eu acho que sim.

Além da fazenda o pai do senhor também administrou a cidade de Barra Bonita?

Sou filho de João Victorino de França e Maria Ribeiro de Andrade Victorino de França, meu pai foi prefeito de Barra Bonita por várias vezes, ele era o proprietário da Fazenda São Domingos com a extensão de aproximadamente duzentos alqueires de terras, sendo o café a principal exploração agrícola da fazenda. Depois passou a pertencer á Usina da Barra, sendo atualmente ocupada por cana-de-açúcar. Meu avô foi o Coronel José Victorino de França, que embora tivesse o título de coronel, como era costume na época , não era militar era fazendeiro.
Em Barra Bonita a casa em que o senhor morava com seus pais era na fazenda ou na cidade?

Ficava na cidade de Barra Bonita, meus pais tiveram quatro filhos, eu e minhas três irmãs.

Como filho de fazendeiro de café um caminho lógico seria estudar agronomia?

Naquela época estudávamos quatro anos de primário, cinco de ginásio. Após concluir o curso primário em Barra Bonita, cursei o Ginásio Diocesano Nossa Senhora de Lurdes em Botucatu, no início eu era aluno interno, depois fui morar em uma pensão onde havia outros estudantes, entre eles um tio meu, que era um pouco mais velho do que eu. O curso ginasial ocupava o dia todo, de manhã e a tarde. Era uma escola muito boa.

Após concluir o ginásio em Botucatu qual foi a próxima etapa?

Em seguida vim para Piracicaba com a finalidade de estudar agronomia na ESALQ. O curso era de quatro anos, só que havia um curso preparatório feito no período de dois anos, era ministrado na própria ESALQ por professores do seu quadro.
Em Piracicaba onde o senhor foi residir?

Cheguei á Piracicaba em 1942, logo fui morar em uma republica habitada por cerca de oito a dez estudantes de agronomia, situada na Rua José Pinto de Almeida. Íamos até a ESALQ utilizando como meio de transporte o bonde, como havia muitos alunos o bonde puxava um carro-reboque. Os estudantes ás vezes faziam o chamado “balancê”, que nada mais era do que balançar o reboque, até tirar a unidade que tracionava a composição fora dos trilhos, com isso o prosseguimento da viagem não era possível. A cidade naquela época terminava antes do início da Avenida Carlos Botelho, esse trecho em direção a saída para São Paulo desenvolveu-se depois O limite da cidade com a escola não era fechado com cercas.

Lembra-se de alguns professores do curso de agronomia?

O Dr. Walter Radamés Accorsi foi meu professor, assim como Melinho, Salgadinho, Pizza, Pedreira, Breno Carneiro, Demósthenes, Salim Simão, Friedrich Gustav Brieger. Praticávamos esportes como forma de diversão, sendo que o futebol era o mais praticado. Só que eu era ruim! Jogava como lateral direito do “A” encarnado, mas eu não era um bom craque.
O cinema era uma das principais formas de diversões na época?

Nós freqüentávamos o cine Broadway ou o São José.
O senhor freqüentava a famosa “Calçadinha de Ouro”?

Freqüentava, naquela época quadrava-se o jardim. Foi ali que conheci a minha esposa, na época éramos os dois estudantes.
Lembra-se de algum filme que foi marcante na época?
Casablanca é um dos filmes que gostei muito, um clássico do cinema. (A estreia de Casablanca deu-se no Hollywood Theater de Nova Iorque, em 26 de novembro de 1942, e tornou-se rapidamente em um grande sucesso. Humphrey Bogart e Ingrid Bergman têm atuações extremamente carismáticas).

Os pais da esposa do senhor moravam onde?

O pai dela era funileiro, estabelecido a Rua Governador Pedro de Toledo, em frente onde hoje é a Casas Pernmbucanas. A funilaria funcionava nos fundos, no quintal. Não era para automóveis, mas sim para portas de aço, na época existia muitas empresas de prestação de serviços estabelecidas na Rua Governador.

Do período da Segunda Guerra Mundial, de 1939 a 1945 o senhor tem algumas lembranças?
Lembro-me dos pracinhas de Piracicaba, alguns foram combater na Itália. (Pracinha é um termo referente aos soldados veteranos do Exército Brasileiro que foram enviados para integrar as forças aliadas contra o Eixo, Alemanha, Itália e Japão).

Após concluir o curso de agronomia na ESALQ o senhor foi trabalhar aonde?

Após prestar um concurso de seleção e ser aprovado fui trabalhar na Secretaria da Agricultura em Campinas. Logo em seguida fui convidado para lecionar na ESALQ. Formei-me como engenheiro agrônomo em 1947 e casei-me em 1950, o casamento foi realizado na Catedral de Piracicaba.

Em qual departamento o senhor passou a lecionar?

Fui convidado pelo Professor Guido Ranzani, do Departamento de Ciência do Solo, para integrar o quadro. Fazíamos pesquisas, fizemos o levantamento de solo de Piracicaba.

Como é o solo de Piracicaba?

Existe uma Carta de Solos de Piracicaba. O solo de Piracicaba é muito diversificado, não existe um tipo apenas de solo. O percentual maior talvez seja de solos podzólicos. É um solo que tem características B-textural, formado por uma camada mais arenosa em cima e mais argilosa embaixo.
E a famosa terra vermelha ou terra roxa encontrada em Piracicaba e tida como terra muito fértil?
As terras vermelhas são geralmente lactosolo, principalmente o lactosolo roxo, que antigamente chamava-se terra roxa legítima.

Qual é aproximadamente o percentual dessas terras em Piracicaba?
Como é formada por diversos tipos de solo a área ocupada deve ser em torno de 25% a 30%, inteiramente ocupados com cana-de-açúcar.

O cultivo da cana-de-açúcar pode deteriorar o solo?

É uma cultura até certo ponto benéfica, pelo fato de cobrir bem o terreno e possibilitar um controle melhor da erosão, superior a cultura de milho ou de algodão.

Quanto tempo o senhor permaneceu na ESALQ?

Entrei na ESALQ permanecendo até 1995, ano em que me aposentei pela compulsória, tinha 70 anos de idade.

A denominação do seu título na escola ao aposentar-se, qual era?
Professor Doutor, um pouco abaixo do catedrático, eu dava aulas teóricas e práticas, aulas na graduação como também na pós-graduação.

Dos seus alunos alguns tornaram nomes mais conhecidos do publico, poderia citar alguns?

São diversos alunos, dei aulas para Antonio Carlos de Mendes Thame, ex-prefeito de Piracicaba, deputado federal, para João Hermann Neto, falecido recentemente, que também foi prefeito de Piracicaba e deputado. O ex-deputado e presidente do Lar dos Velhinhos, Jairo Ribeiro de Mattos foi meu aluno de pós-graduação.
Como era o comportamento desses alunos em suas aulas?

O Thame era bem quieto. O João Hermann era mais espeloteado.

Qual foi a tese do senhor para doutoramento?

Foi a “Interpretação Fotográfica de Bacias Rios e Drenagens Aplicadas a Solos de Piracicaba”, envolvia tanto levantamentos de solos como interpretação de fotografias aéreas. Existem empresas especializadas em realizar levantamentos fotográficos aéreos, sobrevoam a região. Trabalhei muito com fotografias aéreas, uma das disciplinas que eu lecionava era fotointerpretação, outra disciplina era conservação do solo.
A conservação do solo é observada na prática?

Deveria ter uma aplicação maior, é uma matéria muito importante. Com o correr do tempo e o uso inadequado do solo, acaba-se perdendo a produtividade.

Nos dias atuais é comum ouvir do agricultor que “secou” tal nascente, esse fato é decorrente do que?

É em função da falta de preservação das florestas, são elas que preservam as nascentes. Se não cuidarmos melhor do solo as perspectivas não nada boas.

Desde o início do seu trabalho com solos até os dias atuais ocorreram muitas mudanças com o solo e o tratamento dado á ele?

As técnicas de conservação do solo foram evoluindo, a adubação, o terraceamento que é a construção de curvas de nível para reter as águas das chuvas, retendo-as para que não escorram sobre a superfície obrigando a infiltração no solo. Se escorrer sobre a superfície essas águas provocam a erosão.

Como está a Mata Atlântica?

A Mata Atlântica atual está reduzida a 7% da Mata Atlântica inicial. Ela situa-se exatamente na região mais desenvolvida do país. Abrange Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, até o norte do Paraná. Em Piracicaba a Mata Atlântica está praticamente extinta. A Mata Atlântica abrangia todo o município, inclusive a cidade. Tínhamos as madeiras como imbuia, peroba, jacarandá, tamboril.

O senhor acredita que um dia esse quadro possa retroceder?

Acho difícil. Hoje a maior parte dessas terras está ocupada com culturas, pastagens, e também áreas urbanas, suburbanas.

O senhor é pai da Miss Bicentenário de Piracicaba, eleita em 1967, a Maria Graziela. Qual é a sensação de ter uma filha eleita miss em uma ocasião tão marcante para a cidade?

Meu sentimento é de muita satisfação e muito orgulho. Minha esposa e eu freqüentamos um grande número de festividades nesse ano, o prefeito era Luciano Guidotti. A comissão que elegeu a Graziela como Miss Bicentenário era composta por cinco pessoas notáveis da cidade, entre elas Hugo de Almeida Leme, Dr. Nelson Meirelles.

Os passeios de família mais comuns eram quais?

Freqüentávamos cinemas, Clube Coronel Barbosa, Clube de Campo de Piracicaba. As viagens eram mais comuns em visitas á parentes.

O senhor tem uma filha que é poetisa, escritora, de quem foi a influencia dessa veia literária na família?

Acho que foi a minha filha Ivana Maria que me influenciou para escrever meus livros, blog, site na internet. Tornei-me escritor depois de aposentar-me, mandava pela internet mensagens aos filhos, aos netos, quase diariamente. Minha Filha Ivana resolveu reunir essas mensagens em dois livros: “Aprendendo Com O Voinho” I e II. A intenção é transmitir conhecimento em um nível médio para os filhos e para os netos. O meu blog já tem quase dez mil visitas. São abordados vários assuntos entre as matérias como português, matemática, física, química biologia.

O senhor comunica-se com seus netos pela internet?

Com todos eles! O apelido “Voinho” me foi dado pelos meus netos, filhos da Ivana Maria. Por um período de tempo eles moraram em Brasília e tiveram influencia da cultura nordestina, passaram a chamar o avô de voinho. Esse apelido pegou.

No tempo de estudante o senhor chegou a ter algum apelido?

Meus colegas me colocaram o apelido de Bicudo.

A agricultura brasileira deve muito á ESALQ?

Sem dúvida! Ela é uma referencia no campo da agricultura.

O autor do Hino da ESALQ é conhecido do senhor?

Fomos colegas de departamento, o Zilmar Ziller Marcos e eu.

Qual é uma das suas músicas preferidas?

Gosto muito da musica Fascinação.

Há uma estabilização e até mesmo um declínio na freqüência dos clubes sociais,. A que o senhor reputa isso?

Acredito que o computador seja o maior responsável por esse novo quadro. Ele interfere na vida de cada um.

Qual é o seu time do coração?

Eu torcia pelo Santos, cheguei a assistir o Santos jogando contra o XV de Novembro no campo antigo do XV, onde hoje é um supermercado. Lá eu assisti Pelé jogando, era um grande jogador, igual a Pelé não existe ninguém. Faziam parte do quadro Coutinho, Pepe, Zito, Clodoaldo. O time do Santos era uma Seleção Brasileira. Depois passei a torcer pelo São Paulo, cheguei a ver Leônidas jogando bola, ele já estava meio maduro, meio parado.

O senhor assiste sempre jogo de futebol pela televisão?

Assisto, torço, sofro vendo o jogo de futebol!







terça-feira, maio 11, 2010

Toshio Icizuca



PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 08 de maio de 2010
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:

http://blognassif.blogspot.com/

http://www.tribunatp.com.br/http://www.teleresponde.com.br/

ENTREVISTADO: Toshio Icizuca

O oriente e seus habitantes sempre despertaram a curiosidade dos brasileiros, o agricultor japonês pelo seu talento em obter melhor produtividade e qualidade. A eficiência do imigrante japonês e de seus descendentes inspira confiança. Isso hoje ocorre em todas as áreas: comércio, ciências, letras, artes, indústria, agricultura. Onde esse povo busca tanta inspiração para serem estrelas no campo em que atuam? Qual o verdadeiro segredo do milagre japonês? Piracicaba acolheu os imigrantes e seus descendentes, hoje figuras marcantes em nossa cidade. Toshio Icizuca é engenheiro formado pelo Mackenzie, escritor, com obras publicadas (Refrescando A Memória) e a publicar, centenas de crônicas e artigos publicados nos jornais locais, de Campinas, no jornal “O Estado de São Paulo”, sendo colaborador do Paraná Shimbun, onde escreve a Crônica Nikkey. Membro do Conselho Coordenador das Entidades Civis de Piracicaba. É diretor do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba, domina a língua japonesa, foi membro do Rotary Club Cidade Alta por 12 anos. O prefeito Antonio Carlos Mendes Thame o nomeou Secretário Municipal do Transito em Piracicaba, assim como dirigiu a Secretaria do Meio Ambiente – Sedema, na gestão do prefeito Humberto de Campos. A sua trajetória é de vida é tão fascinante que o permitiu viver inúmeras experiências enriquecedoras

Como se deu a imigração dos seus pais?

Tudo começou no Japão. Meus pais se conheceram em uma escola de imigração, administrada por protestantes, era denominada Rikkokai, ficava em Tókio, ela preparava os imigrantes para a realidade que iriam encontrar no país de destino, tinham noções básicas sobre os costumes, hábitos alimentares, um pouco do idioma falado no Brasil, noções sobre as doenças incidentes naquela época, qual seria o trabalho que os aguardava no Brasil. Eles vieram para trabalhar no cafezal, receberam instruções sobre como era uma plantação de café, quais tipos de plantas, noções básicas. Eles estavam nessa escola em 1932. Admiro a minha mãe pela sua coragem, na condição de mulher, ter tomado a decisão de vir para o Brasil, a princípio sozinha, aos 21 anos de idade. Ela deveria ter prosseguidos seus estudos para tornar-se professora, mas a sua família não tinha condições para mantê-la.

Em que região seus pais moravam no Japão?

Minha mãe Sata Icizuca era da Província de Ibaraki, meu pai Ginye Icizuca era da Província de Gumma Mesu, regiões próximas, ao norte de Tókio. Com o meu pai aconteceu á mesma coisa, tinha terminado seus estudos equivalentes ao ginásio, no pequeno sítio que eles tinham em Guma não havia a mínima condição de obter algum progresso, a família era numerosa. Com 23 anos de idade ele foi para Tókio em busca de melhores perspectivas. Passou a trabalhar como motorista de entregas, com isso foi recebendo informações de que o Brasil era um lugar bom para imigrar. Através de um jornal ficou sabendo dessa escola que preparava os interessados em imigrar, não só para o Brasil, mas para outros países também.

Onde foi o casamento deles?

Foi na própria escola de imigração. Após o "Miai" (apresentação através de padrinhos) se casaram na igreja cristã. Todos os membros da escola, embora sendo japoneses, eram protestantes. Ao ingressar nessa escola meus pais se tornaram protestantes também, o ritual do casamento foi realizado nos princípios cristãos.

Quando vieram para o Brasil?
Vieram para o Brasil em janeiro de 1932, viajando pelo navio "Uruguai Maru". Chegaram a Santos depois de aproximadamente 42 dias de viagem. Um detalhe interessante é que as fazendas de café nessa época exigiam que no mínimo três pessoas de cada família imigrante trabalhassem como mão de obra. Foi assim que o meu tio Sadao, irmão mais novo do meu pai, veio também, na época ele tinha 17 anos de idade. Após passarem pela Hospedaria dos Imigrantes, eles dirigiram-se para uma fazenda de café a pouco mais de 10 quilômetros de Penápolis, região Noroeste do Estado de São Paulo.

O choque cultural foi muito forte?

Mesmo com a preparação recebida para que iam encontrar dificuldades de comunicação, de alimentação, eles sentiram muito as diferenças de hábitos e costumes entre o Japão e o Brasil. Ao chegarem a fazenda de café foram residir em uma casa destinada a colonos. Passaram a trabalhar na colheita de café, o contrato do meu pai era para permanecer no mínimo um ano na fazenda. Nesse um ano nasceu a minha irmã Juliana Keiko. Meu pai sempre gostou de ler jornais, como de habito ele ia a cada quinze dias, ou uma vez por mês, até Penapolis, a pé, só para buscar jornal. Um pouco antes de terminar o contrato com a fazenda foi até Penápolis, e na volta, uma caminhada de quase duas horas, ele deparou com a notícia de que havia um corretor vendendo terras em Londrina. Imediatamente retornou a cidade e foi procurar o corretor que se chamava Hikoma Udihara, era funcionário da Companhia de Terras do Norte do Paraná, de propriedade de ingleses, que fundaram Londrina, desbravaram o Norte Novo do Paraná desde o Rio Tibagi para frente, onde hoje existem localidades como Jataizinho, Ibiporã, Londrina, Cambé, Rolandia, Arapongas, Apucarana, Jandaia, Marialva, Maringá. O Norte do Paraná foi constituído pelo Norte Velho, Norte Novo e Norte Novíssimo. Meu pai comprou cinco alqueires de terra em Londrina, era mata virgem. Londrina foi fundada em 1934, e foi nesse ano que meus pais foram para lá.

O que a sua mãe achou disso tudo?

Minha mãe sofreu muito, foi ela quem sentiu mais a diferença cultural, de costumes.

O que seus pais encontraram em Londrina?

Ao chegar à área adquirida pelo meu pai, o que ele encontrou era a mata virgem, sem condições para morar. Havia um pequeno rio que delimitava a propriedade, do outro lado do rio havia uma fazenda começando a plantar café. O fazendeiro, penalizado com a situação disse que enquanto estivesse construindo o barraco perto do Rio Quati, tinha que ser próximo ao rio para utilizar á água necessária a sobrevivência, eles podiam permanecer em umas casinhas vagas que havia na fazenda. Os japoneses constituíram uma colônia denominada Tyuo constituída por mais ou menos 50 famílias de imigrantes, sendo que cada família havia comprado seu quinhão de terra.

Como foi desbravada essa mata virgem?

Foi feito em três etapas. A primeira foi o desmatamento próximo ao Rio Quati, eles faziam o sistema de mutirão. Derrubaram no machado e no traçador de madeira, que é um serrote grande tendo em cada ponta um homem movimentando-o para cortar árvores maiores. Tinha traçador com mais de dois metros de comprimento. Algumas madeiras eram utilizadas na construção das casas, basicamente a peroba rosa, cedro, cajarana que é parecida com cedro, e era utilizada para fazer taboinhas, utilizadas como telhado, não havia telhas de barro. As casas eram cobertas com sapé ou taboinhas de cajarana, tudo feito de forma quase artesanal. Nessa primeira etapa da derrubada foi construído o barraco, e feita plantação de alimentos básicos, como arroz, feijão, milho, verduras. Mais para o alto foi plantado café, que para começar a produzir levava cinco anos. Até a primeira safra de café nasceram os filhos. Nasci em 19 de abril de 1936 na cidade de Londrina. Somos cinco filhos: Juliana Keiko (1933); Luiz Tutomu (1935) Toshio (1936); Iwao (1938, falecido em 2002), e Emilia (1939) A única que nasceu na fazenda de Penápolis foi a Juliana, todos os outros nasceram em Londrina. Após a terceira etapa, em 1942, meu pai adquiriu mais uma mata virgem de doze alqueires, em Ibiporã, distante uns dezoito quilômetros de Londrina. Ele se deslocava da nossa casa até a área adquirida para fazer a derrubada da mata e o plantio do café. Era época da Segunda Guerra Mundial, para poder ir de ônibus de uma propriedade para outra ele precisava tirar o que se chamava salvo-conduto, um documento emitido pelas autoridades para o deslocamento de imigrantes italianos, japoneses e alemães. Foi um período em que os imigrantes e seus descendentes foram bem hostilizados. Na época de guerra não podíamos ouvir rádio, falar em japonês, nem ouvir música japonesa, agrupamentos com mais de três pessoas era proibido.

Nessa época você já estudava?

Eu freqüentava o Grupo Escolar Hugo G. Simas em Londrina. Da minha casa até o grupo escolar tinha uma distancia de cinco quilômetros, eu ia e voltava a pé, na época havia três períodos de estudo. Estudei no período que entrava ás onze horas da manhã e saia ás duas horas da tarde, hora de maior incidência de sol. Já trabalhava na fazenda, fazia de tudo, puxava enxada, batia feijão, batia arroz, colhia café. Depois de concluir o grupo, no ano de 1948 não podíamos ir para o ginásio, a nossa mão de obra era necessária no sitio. Para não perder um ano só trabalhando no sítio, a dois quilômetros havia uma escola japonesa chamada Seiryo Gakuen, onde passamos um ano estudando japonês. Em 1949 prestei exame de admissão e entrei para o ginásio no Colégio Estadual de Londrina onde estudei até 1952. Eu tinha minha atenção voltada para a construção, via os prédios começando a ser construídos em Londrina. Meu pai ficou sabendo por intermédio de um amigo que morava em São Paulo, que havia uma escola técnica de construção civil, ficava no Mackenzie. Eu tinha de 15 para 16 anos, decidi que iria fazer o curso. Em janeiro de 1953, meu pai e eu pegamos o trem Maria Fumaça em Londrina e viemos até São Paulo. Fomos até a Escola Técnica do Mackenzie, o diretor informou que o curso tinha sido extinto, o curso mais próximo era de eletrotécnica. Fiz o vestibulinho e entrei. Passei a morar em uma pensão de um japonês na Rua dos Estudantes, no bairro da Liberdade. Terminei o curso em 1955, arrumei emprego em uma empresa de projetos de instalações elétricas, a Hemel, que mais tarde passou a chamar-se Hemel-Cel, na Rua Conselheiro Crispiniano, ao lado do Mappin. Depois de oito ou nove meses sabia fazer todo tipo de projetos. Fui convidado a ir trabalhar em outra empresa, no primeiro dia de serviço o proprietário estava visitando uma obra, sofreu um acidente, uma queda, e faleceu. Arrumei um novo emprego na empresa General Electric, G.E., eu fazia projetos de instalações para vender aparelhos. Trabalhavam naquele departamento três engenheiros de vendas, outro projetista que trabalhava comigo era Engel D`Onofrio. Com o passar do tempo percebi que deveria fazer o curso de engenharia. Fiz um cursinho a noite, chamava-se Cursinho Balan, o dono era arquiteto e seu irmão era médico. Não fui aprovado no vestibular. No ano seguinte mudei de emprego, fui para uma empresa pequena, de instalações elétricas, na Rua XV de Novembro bem no centro de São Paulo, nessa empresa consegui trabalhar na parte da tarde e fazer o cursinho de manhã no Cursinho Di Tullio, na Rua Conde de Sarzedas. O próprio Di Tullio no final do ano analisava os alunos e previa quem iria passar no vestibular. O vestibular era feito por escrito e com provas eliminatórias. Cursei engenharia civil-eletricista, no terceiro ano já estava fazendo estágio remunerado na Alcan, situada em Utinga. Com isso fiz a opção de me formar como engenheiro eletricista. Permaneci na Alcan por cinco anos. Já tinha mudado para uma república de estudantes, na Rua Barão de Limeira com Largo General Osório. Durante o período da faculdade eu participava dos jogos universitários, na categoria de atletismo e basebol, os famosos Mac-Med, Mac-Poli., guardo ainda os troféus que ganhei nessa época. Quatro troféus são de salto com vara, naquela época, quem saltava um pouco mais de três metros era bom, eu saltava três metros e dez centímetros, três metros e vinte centímetros. A vara para saltar era de bambu. A queda se dava em uma caixa de areia. A técnica de salto é totalmente diferente da que é praticada hoje. Entrei no curso de engenharia em 1958 e me formei em 1962.

Você trabalhou na RCA Victor?

Assumi o cargo de Superintendente de Engenharia, foi em 1969. Conheci vários artistas, como Nelson Gonçalves, Martinho da Vila, Originais do Samba, Waldick Soriano, Sérgio Reis. Cheguei a montar um estúdio de gravação na Rua Barata Ribeiro, no Rio de Janeiro. Passei a ser gerente de fábrica da RCA, toda a parte de produção de discos passou a ser por minha conta. Levei meu pai para conhecer onde eu trabalhava, vi o orgulho que meu pai sentiu pelo meu sucesso. Eram cerca de 300 funcionários que trabalhavam sob a minha responsabilidade. Sai da RCA e fui trabalhar na empresa Aços Villares onde permaneci por quatro anos.

Como você veio para Piracicaba?

Fui selecionado entre 75 candidatos para preencher uma vaga na Itelpa em Piracicaba, onde permaneci por sete anos. Assim que cheguei fui recepcionado pelo Francis Bueloni, que com excepcional gentileza me apresentou a cidade, locais para me hospedar e outras informações necessárias para quem chega a uma cidade que não conhece. Sou muito grato ao Francis Bueloni. Da Itelpa fui trabalhar na Dedini, onde me aposentei e fui ocupar cargos públicos, como Secretário Municipal.

Quantos ideogramas têm o idioma japonês?

A escrita japonesa é composta de três tipos de letras: Katakana (a mais simples, usada para escrever nomes estrangeiros); Hiragana (escrita usada normalmente); Kanji (composta por ideogramas, existem cerca de 10.000, porém se usa cerca de 5000 a 6000 em publicações de livros e jornais).

Você já foi ao Japão?
Fui três vezes, sempre a trabalho. Hoje o Japão é bom para turistas, os japoneses têm uma competição acirrada entre eles. Isso passou a existir depois que o país tornou-se potencia mundial. O fato de eu dominar perfeitamente o idioma japonês permitiu-me que realizasse um teste, ora passando como natural da terra, ora passando por turista. A diferença de tratamento é da água para o vinho.

No Japão as ruas têm nome? As casas têm número?

Não têm! Não existe nome de rua nem número de casas. Não existe isso. O endereço não é por rua, mas por blocos ou região, se for residência é identificada pelo nome do proprietário.
No Brasil temos sobrenomes muito populares, como Silva por exemplo. No Japão quais são os mais populares?

Existem muitos nomes populares, como Sato, Tanaka, Nakano, Yamaguchi. Icizuca já é mais raro.








domingo, maio 09, 2010

XV DE NOVEMBRO DE PIRACICABA

Para uma leitura mais confortável, aconselhamos clicar sobre as informações aqui citadas, para obter-se uma ampliação, ficando assim mais favorável para sua leitura


sábado, maio 08, 2010

Quem Não se Lembra Disto.


Lembranças que não esqueci, Saudades que eu guardei.
Quem não se lembra, é porque ainda não tem cabelos brancos.

quinta-feira, maio 06, 2010

Rádio Camanducaia - Está de volta


Rádio Camanducária está de volta.
Click sobre a imagem acima para baixar.
Quando abrir o link, click no "aqui" em vermelho.
Escolha a pasta para arquivar no seu PC.
E ouça e recorde os bons tempos de rádio e do Estevan Victor Bourroul Sangirardi; o Esteva Sangirardi

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