sábado, outubro 17, 2026

          LOG DO NASSIF - PIRACICABA - DESDE 2000.                                     O PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS FOI TRANSMITIDO POR 10 ANOSS PELA RÁDIO EDUCADORA FM. É EDITADO PELA "A TRIBUNA  PIRACICABANA"  EM  OFFSET  E ESIÇÃO DIGITAL.                                       

                                                        

                

João Umberto Nassif  
rADIALISTA pROFISSIONAL, jORNALISTA PELA  FMU/FIAM DE SÃO PAULO, BACHAREL EM DIREITO PELA UNIVERSIDADE METODISTA















  




    PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS, BLOG DO NASSIF, HISTÓRIAS DE NASSIF SÃO DENOMINAÇÕES UTILIZADAS EM DIFERENTES MÍDIAS, COM O OBJETIVO DE DIVULGAR A HISTÓRIA ORAL. 



 Deise Romana Dias e seu marido  Erivelto Barbosa

  Casal Erivelto Barbosa e Deise Romana Dias no Rio Piracicaba                                


 

 

 


Deise Romana Dias no Rio Piracicaba


                   

Para a cidade de Piracicaba e seus moradores, o Rio Piracicaba sempre teve um respeito e admiração. O Rio Piracicaba é venerado. Muitas famílias passeiam pela orla do Rio Piracicaba. Nas proximidades do Largo dos Pescadores, situado em frente ao Clube de Regatas de Piracicaba, havia um trampolim com três andares, dentro do Rio Piracicaba, dali os nadadores mais destemidos mergulhavam no rio. Com a construção do Sistema Cantareira, cujo objetivo foi o de fornecer mais água para a cidade de São Paulo, o volume de água do Rio Piracicaba foi afetado. A transposição de água para a grande São Paulo ocorreu em 1974. As águas que em grande volume, desciam pelo rio, ecoavam no silêncio da noite. Era como uma cantiga que embalava o sono de moradores, que dormiam com as janelas abertas, na pacata Piracicaba. O primeiro clube de Piracicaba fundado em 1903 chamava-se Club Sportivo Piracicaba: Club Sportivo Piracicaba foi fundado com o objetivo expresso de organizar diversas modalidades atléticas, incluindo a natação, além de ciclismo, pedestrianismo e futebol. Criada em 1903 por um grupo de rapazes e estudantes da ESALQ, a agremiação foi o primeiro clube desportivo oficial da cidade. No início do século XX, antes da popularização das piscinas artificiais na região, as atividades náuticas e as competições costumavam utilizar o próprio Rio Piracicaba e as proximidades da antiga Raia do Salto como cenário. Mais tarde, outras agremiações tradicionais da cidade — como o histórico e hoje extinto Clube de Regatas de Piracicaba e o Bela Vista Natação Clube — também se estabeleceram diretamente às margens do rio, consolidando a forte cultura dos desportos aquáticos em águas abertas na história do município. As Competições na Antiga Raia do Salto , localizada às margens do majestoso Rio Piracicaba, foi o verdadeiro berço das primeiras atividades esportivas organizadas no município. No início do século passado, as competições eram marcadas por um forte espírito de associativismo e lazer de elite: Corridas a pé e Atletismo: A história esportiva oficial da cidade começou em 1903 com a fundação do Club Sportivo Piracicaba. Seus associados utilizavam o espaço plano da antiga Raia do Salto para organizar concorridas competições de corrida. O Remo e os Esportes Náuticos: O rio tinha outra vida e o remo tornou-se a grande sensação da cidade. Em 12 de outubro de 1907, foi fundado o histórico Clube de Regatas de Piracicaba, o primeiro grande clube focado em esportes náuticos no município. Na Raia do Salto, as disputas de barcos atraíam multidões que se aglomeravam nas margens para torcer pelos remadores locais. A Transição para o Futebol: Foi também nesse contexto da Raia do Salto que os membros do Club Sportivo Piracicaba começaram a praticar as primeiras partidas de futebol na cidade, utilizando materiais importados diretamente da Inglaterra.







 O icônico trampolim do Rio Piracicaba, localizado na histórica Rua do Porto, foi construído no ano de 1950 e desativado por volta de 1980, após cerca de três décadas de funcionamento, quando a sua estrutura metálica, já bastante deteriorada e enferrujada, acabou por desabar. A prancha mais alta tinha 10 metros de altura. Havia cerca de 6 metros de água até o fundo do rio que era de areia. O principal idealizador e benfeitor responsável por doar a famosa estrutura de ferro ao Clube de Regatas de Piracicaba foi o Dr. Virgílio Lopes Fagundes. Durante os seus anos de atividade, o trampolim tornou-se um dos maiores pontos de encontro e lazer da juventude piracicabana, marcando gerações com os seus saltos e mergulhos acrobáticos. O Projeto Cantareira diminuiu a vazão do Rio Piracicaba, isso também contribuiu para o fim do trampolim.

 

 

 

 

 

 

Símbolos do Primeiro Clube Esportivo de Piracicaba, fundado em 1903.

 

A pesca era abundante e com grande variedade de peixes. Antes de ter parte de suas águas desviadas, sem a poluição feita pelo homem nas mais variadas formas, os peixes chegavam a 80 ou até mesmo 120 quilos como o jaú, por exemplo!  Para a população de indígenas que viviam em suas margens era a principal fonte de alimentação. O próprio nome Piracicaba tem como origem a definição de lugar aonde o peixe para, fazendo alusão aos cardumes que paravam junto as quedas da água. Apesar do descaso do ser humano, pelo Rio Piracicaba, a natureza com sua sabedoria, conservou muitas espécies de peixes nesse maravilhoso rio. Ainda existem muitos pescadores que praticam a pesca recreativa, descem sobre câmaras de ar (boias), passeiam de barco pelo rio. A maioria é muito consciente e respeitosa para com as águas. Entre os apaixonados pelo Rio Piracicaba, encontramos um casal, que trabalha muito, mas fazem do Rio Piracicaba e da pesca esportiva o que muitos buscam: momentos de relaxamento e paz interior. A pesca é uma forma de permanecer em um mundo de reflexão. Usam anzóis sem fisga, assim que pescam devolvem ao rio. Essa pratica aumenta muito a sobrevivência deles após a soltura. Hoje trazemos a entrevista com um casal que faz do Rio Piracicaba seu lugar predileto de lazer, “sua sala de reflexões”!

Qual é o nome completo da senhora?

Deise Romana Dias, sou filha de José Dias e Sebastiana Joana Ferraz Dias, nasci em Piracicaba no dia 27 de abril de 1976. 

Me dirijo ao seu marido e parceiro de pesca, qual o seu nome?

Meu nome é, natural de Piracicaba, sou filho de Idevele Delgado Barbosa e minha mãe é Maria Aparecida Pesato.

 A senhora estudou em qual escola?

Na Escola Estadual Dr. Alfredo Cardoso. Sou secretária em uma clínica especializada da área de saúde.

E o senhor trabalha em qual área?

Sou motorista de caminhão. Faço mais a região, principalmente a cidade de São Paulo. Posso dizer que conheço muitos bairros de São Paulo.

É um trabalho estressante!

Demais! Eu transporto vassouras! Trabalho como motorista desde 2007, antes eu trabalhava como motoboy. Tinha uma moto básica 125 a 150cc.

Há motoboys que afirmam que um dos fatores que motiva o trabalho é a emoção, mais propriamente a adrenalina! O senhor fez uma bela troca, porque os riscos da motocicleta são maiores!

O que eu posso afirmar é que a estrada não fica longe da cidade não! A estrada não é a maravilha que a gente vê!

Sob o seu ponto de vista, quem é o maior problema, o motorista profissional ou o particular?

Infelizmente é o motorista “de feriado”! O chamado “domingueiro”. Esse é o motorista mais perigoso! O ato de dirigir um carro dentro da cidade é uma situação. Dirigir em uma rodovia é uma situação totalmente diferente. As viagens mais longas que eu faço são para Goiânia, Belo Horizonte, Santa Catarina. A meu ver, a alimentação com maior avaliação é em Minas Gerais. A qualidade, a relação custo e benefício. Minas Gerais está em vantagem. Do Sul de Minas até Belo Horizonte são as melhores refeições para quem viaja.

A Senhora em seu trabalho atende as mais diversas situações de humor dos pacientes, desde aquele que é atencioso até os mais tensos. Essa diversidade de humor exige uma conduta muito profissional?

É necessário entender que ninguém vai ao médico por absoluto lazer! Ela por maior que seja seu autocontrole é antes de mais nada um ser humano sensível. É necessário ter empatia. É muito natural que isso exija muita dedicação.

A senhora trabalha em uma das clínicas mais procuradas em sua especialidade, o telefone é o canal de comunicação muito acionado?

Sem dúvida! Nossos pacientes utilizam muito o Whats App, isso requer uma atenção constante para não cometer falhas. Alguns perguntam  informações que só o médico pode dar, e às vezes ele está realizando algum exame de precisão, não pode ser interrompido. Saber como administrar essas situações exige bom senso, autocontrole e atenção ao paciente.

A quanto tempo a senhora está na área da saúde?

Já faz uns 30 anos! Trabalhei com outras especialidades também!

Qual delas foi a de maior envolvimento emocional?

O envolvimento emocional é um fator humano que podemos controlar. Nunca deixamos de sentir. Mas ele é mais forte e pesado na oncologia. Atualmente existem medicamentos e procedimentos que na minha época ainda estavam em estudos. Houve uma evolução significativa. Eu trabalhei na área que tratava de câncer de mama. Era voltado às mulheres. Uma informação importante, que muitos desconhecem, o câncer de mama pode ocorrer em homens de hábitos normais. Lá nós tínhamos 3 homens sendo tratados.

O senhor trabalha com ajudante?

Trabalho com ajudante, para descarregar a mercadoria, a fábrica tem funcionários para carregarem o caminhão. Trabalho sempre para a mesma empresa.

São vassouras de palha?

São vassouras de plástico, A vassoura de palha, conhecida como “vassoura caipira,”, é feita manualmente, está em processo de extinção. Atualmente o consumo de vassouras é muito alto. Só quem está trabalhando com isso para saber.

Vocês dois partilham de uma soma de lazer em comum?

No cotidiano após o trabalho de cada um de nós, temos nossos afazeres domésticos. O nosso relaxamento, os momentos de reflexão, são vividos na pescaria. Ela é um fator importante em nossa vida, ambos temos o prazer de estar junto as águas do Rio Piracicaba.

Como foi essa descoberta de que ambos gostavam de pescar?

Deise responde: “Desde criança eu já gostava muito de ir até o Rio Piracicaba, na Rua do Porto. Depois mais jovem, ia fazer piquenique na área de Lazer, com uma varinha ficava pescando e assim fui adquirindo o gosto! Com o tempo fui me aperfeiçoando. Quando conheci o meu marido ele também gostava de pescar. Passamos a aprimorar nossos equipamentos, técnicas, e progredimos muito, sempre tendo o hobby da pescaria como momentos de reflexão, a pesca em si sempre foi uma motivação.

Vocês se conheceram durante alguma pescaria?

Nos conhecemos próximo a casa da minha mãe. Fomos dar uma volta pela Rua do Porto, vimos o pessoal pescando, como cada um de nós já tinha vara de pesca, voltamos para as respectivas casas e fomos ao rio. Juntamo-nos ao pessoal que estava pescando.

O senhor começou com pescaria quando?

Desde menino! Com uns 10 para 11 anos de idade!

Você morava aonde?

No bairro da Paulista, próximo à Praça Takaki. Nós íamos nadar no Rio Piracicaba, onde havia restado o concreto do trampolim que tinham tirado de lá. Ia com os amigos, quando não ia nadar ia pescar. Nadava no Rio Piracicaba, mas nunca atravessei o rio nadando.

Esses banhos de rio, possivelmente não eram aprovados pelas mães, como o senhor fazia para chegar com a roupa molhada em casa? 

Só chegava em casa quando a roupa já estava seca! Eu sabia a que horas a minha mãe chegava do serviço, calculava o tempo que demorava para secar o calção, e quando chegava em casa estava seco! Nós íamos nadar após o almoço. Pegava minha bicicleta Caloi Cross e ia para o rio. Meus amigos já pescavam. Naquela época o Rio Piracicaba tinha mais água e tinha mais peixe.

Qual era o tipo de peixe mais comum no Rio Piracicaba?

Antigamente era o lambari e a tilápia.

E peixe grande?

Hoje é o dourado! A gente vê os pintados que sobem o rio.

Há uma lenda de que os pescadores as vezes exageram no tamanho e peso do peixe que ele pescou, feita essa ressalva qual foi o maior peixe que o senhor pescou?

É o que dizem, que pescador e motorista de caminhão as vezes exageram um pouco nos seus feitos. O maior peixe que pesquei foi um dourado com peso entre 5 e 6 quilos.

E a senhora, qual foi o maior peixe que a senhora pescou?

Também foi um dourado, só que um pouco mais pesado que o que meu marido pescou! Uma média entre 6 a 7 quilos.

Vocês costumam pescar todos os finais de semana?

Vamos pescar todos os finais de semana!

Qual é o melhor horário para pescar?

As 5:30 da manhã é o horário em que os dourados começam a aparecer, sendo que entre 6:00 e 6:30 estão mais ativos! Também no finalzinho da tarde eles se movimentam bem.

Tem um período em que a pesca é proibida?

Sim, tem. É de 1º de novembro a 28 de fevereiro. É o período de reprodução deles.

Atualmente o rio está bem cheio, para pescar é bom ou é ruim?

Agora é uma época boa para pescar! Os peixes começam a subir o rio. Os curimbatás são os peixes que mais pulam o Salto do Rio Piracicaba, eles querem subir para desovar. Já os dourados não pulam.

Vocês pescam em barranco ou usam barco?

Mais de barranco e nas corredeiras! E dentro da água, nas corredeiras. Depende do tipo da pesca, se for um dia em que fomos pescar curimba, tilápia, mandi, então é de barranco. Se for pegar pacu, dourado, então é na corredeira. Está aparecendo bastante jurupensém. É um peixe que tem mais cabeça do que corpo, ele lembra muito o pintado, só que é pequeno. O cascudo existe em abundância.

Qual é o peixe predileto para vocês?

Nós não comemos peixe! Nós soltamos de volta para o rio. Nós pescamos para relaxar,

Mas o anzol não machuca o peixe?

 Usamos anzol sem a fisga, O peixe é solto e recupera-se rapidamente. Mesmo o trauma do peixe é significativamente menor.

O equipamento de pesca atualmente é bem diferente da antiga varinha de bambu?

Hoje usamos vara de fibra de carbono, são extremamente leves, transmite com sensibilidade a mordida do peixe, a tecnologia da pescaria avançou muito. É um esporte com equipamentos caros. A pesca esportiva usa isca artificial, que tem peso próprio, a linha é solta pela carretilha. Para pescar o dourado o melhor tipo de isca é a isca viva, a tuvira é muito utilizada. Pode ser comprada ou ir buscar em algum ribeirãozinho.

E a ceva é realizada?

Sim! A ceva é a alimentação regular até formar um cardume. Ela é feita uns dias antes com milho azedo, trigo, quirela de milho.

Pode acontecer de alguém fazer a ceva por vários dias, e outra pessoa, até mesmo desavisada, acabar fazendo a pescaria?

Pode acontecer! Não existe uma demarcação legal que os peixes que estão ali pertencem a quem os alimentou! A saída é chegar cedo, ou necessariamente perde o lugar. Tem pessoas que até acampam junto ao local onde estão cevando os peixes!

 E a alimentação, o que vocês comem quando estão pescando durante horas?

Fazemos um churrasco! Agora tem um fogãozinho, onde é feito um arroz, um bifinho! Para o pessoal que vai junto e gosta de peixe, fritamos um peixinho.

Ali na área de Lazer, em frente à prefeitura, tem um lago, que depois de uma enchente criou muita piranha?

Ainda tem! O próprio Rio Piracicaba tem muita piranha.

Em termos de aproveitamento como alimentação a piranha tem alguma função?

Tem gente que faz caldo de piranha. No mês passado pegamos várias delas.

Mais ou menos quanto tempo vocês permanecem dentro do rio, ou na beira pescando?

O dia todo! A gente não sai da água nem para comer! Você não sente a fome! É surreal! Só quem passa por isso sente. A gente sai com a cabeça LEVE! Já dá vontade de voltar!

Sem dúvida isso é um privilégio de vocês! O pessoal que mora em uma cidade grande, como São Paulo por exemplo, embora tenha vários rios cortando a cidade, não são propícios a pesca devido à grande poluição de suas águas.

Há uns três meses, conheci um rapaz em um local onde fui fazer uma entrega, eu estava conversando com um colega sobre pesca, esse rapaz disse-nos: “Pesca é comigo mesmo! Você pesca aonde?” Disse-lhe que era no Rio Piracicaba. Expliquei para ele, dei o meu endereço, ele disse: “Eu vou lá!”. Eu achei que ele não viria. Ele veio! Ele, a mulher e duas crianças! Se apaixonaram! Ficaram dois dias!

Vocês costumam frequentar os locais denominado Pesque e Pague?

Só vamos quando a pesca no rio está fechada. Mas a sensação do rio é outra! O rio é mais misterioso!

A pescaria, principalmente pelo ambiente sereno, ainda não foi descoberta como terapia, por pessoas que exercem profissões estressantes?

Acredito que muitas pessoas da classe média alta, se tivessem mais contato com a natureza teriam menos problemas ligados ao stress. As vezes nós saímos as 10 horas da noite, vamos até o rio, nós temos um cantinho no Rio Piracicaba e vamos pescar, ficamos até umas 3 horas da madrugada.

Vocês não tem um certo receio, em estar de madrugada, só os dois, naquela imensidão?

 Estamos em paz com tudo! E pega peixe na madrugada também!

E a Festa do Divino, vocês participam?

Nós vamos todos os anos. Deise explica que antes ia muito nos sítios, onde havia os Encontros do Divino. Com o tempo parei de ir. Mas nós dois todos os anos estamos ali, nos encontros dos barcos, na missa.   Os festeiros promoviam a Festa do Divino, e os Irmãos do Divino passavam sobre várias pessoas que ficavam deitadas, a uma distância de um metro uma da outra, cobertas por um lençol branco. Era a promessa feita por uma graça alcançada. Justino (Nego) Oriani, tinha uma forte ligação com a Irmandade do Divino, ali na Rua Jorge Pacheco Chaves ele recebia os Irmãos do Divino, e havia na calçada a procissão onde os Irmãos do Divino passavam entre os penitentes deitados e cobertos . Essa cerimônia ainda existe nos sítios.

A relação do álcool com pescaria ainda persiste?

Quando tem pessoas assim, nós evitamos, vamos para outro local. A relação rio e álcool é extremamente perigosa. Infelizmente presenciamos mais de um caso em que a pessoa embriagada perde a noção do perigo e acaba perdendo a vida. Nós não bebemos nem refrigerante, só água com gás. Gostamos de pescar em uma corredeira que fica no meio do rio. As vezes chega um pessoal com bebida alcoólica, nós recolhemos tudo e vamos embora para outro local.

Vocês costumam passear de boia?

Todos os anos nós vamos! Com a boia, colete, vamos até o Gran Park, perto da Balbo. Geralmente vai até Ártemis, nós paramos antes.

Ártemis é bom para pescar?

É bom sim! Pega-se bastante curimba.

O sonho de vocês é ter um barco?

Deise responde que sim, e afirma que Erivelto  tem um caiaque, uma versão menor do antigo “Sandolim” que povoa o Clube de Regatas de Piracicaba. Esse modelo de caiaque é para navegar sentado e remando.

Vocês têm filhos?

Deise responde, temos. Com ele eu tenho uma menina. E de outro casamento anterior eu tenho três. Portanto temos quatro filhos. A mais velha é a Caroline, o segundo chama-se Lucas, a Larissa, que é outra pescadora e a Fernanda. A Larissa está com 27 anos, casada, o marido não gosta de pesca, ela hoje está pescando! A Fernanda que é a mais nova, também não gosta de pescar. A minha netinha, a Lívia, tem interesse em pesca, gosta, aos pouquinhos estou mostrando para ela. A Lívia é filha da Caroline. As minhas coisas de pescaria vão ficar tudo para ela!

Vocês já viram pescador de objetos perdidos no Rio Piracicaba?

 Sim! Tem um rapaz que vai lá no rio e ele faz isso! Ele fica em cima da ponte e na ponta de uma corda tem um imã, quando percebe que pegou algo ele puxa a corda e o objeto que estava no leito do rio é “pescado”. Tudo que for de metal ele consegue trazer. Inclusive armas que foram descartadas, nesse caso ele aciona a polícia, quadro de motos roubadas, também aciona a polícia. Mas consegue objetos de pequeno valor, que caíram ou foram descartados. É um hobby.

Existe um local determinado para cada pescador?

Formalmente não, mesmo porque é uma área pública. Há uma regra de comportamento, quando o pescador frequenta o seu cantinho, se ele for assíduo, ou seja periodicamente ele estará naquele local, informalmente há um respeito, ele formou o que chamam de “ponto”. Nenhum pescador gosta de passar o seu ponto para outro. É uma regra estabelecida pelo costume. Se ele deixa de frequentar por muito tempo está sujeito a perder o seu “ponto”.

A pesca é livre no Rio Piracicaba?

Do Salto ou Mirante, até a Ponte de Ferro de Artemis a pesca é proibida. Nós pescamos perto de Artemis. Do centro até lá tem uns 15 quilômetros. È proibido por causa da existência de cachoeiras, corredeiras, locais de desova e acumulo de peixes. Essa proibição é regulada por legislação federal. Essa Surgiu por Instrução Normativa número 26 do IBAMA em 2009.

Tem alguma mensagem que vocês gostariam de deixar?

 A mensagem que eu deixo é para quem está no rio, gosta de pescar leve o seu saquinho, coloque dentro dele tudo que for descartar, inclusive latas de bebida, garrafas plásticas, , não deixe nada que possa poluir o rio.

Vocês já pegaram objetos estranhos no rio?

Infelizmente sim! Sapato, sapatão, espuma, travesseiro, coco. Esses dias teve um passeio de caiaque, foram limitados 40 caiaques, que faziam parte de um trabalho de conscientização sobre manter o rio limpo.  O passeio de boia teve cerca de 10.000 participantes. O passeio de boia é sempre no último domingo do mês de janeiro. O passeio de boia exige o uso de colete salva-vidas. O fato de não ser regularizada, a descida de boia é feita por pessoas que ingerem bebida alcoólica em excesso.

Vocês logo que se casaram moraram nas proximidades do Cemitério da Saudade?

Nós moramos bem ao lado do cemitério, numa rua sem saída, que terminava junto ao muro dele. Moramos ali de 5 a 6 anos.

E qual é a sensação de ter o cemitério praticamente como vizinho?

Normal! A única coisa ruim eram os escorpiões! Tinha dia em que passávamos produto para exterminá-los, pegávamos de  15 a 20   deles. Dentro da minha casa cheguei a pegar uns 10! O escorpião é da noite, e a barata também é da noite, morávamos a uns 30 metros do muro do cemitério. O que causa terror não são os mortos que estão sepultados lá e sim os escorpiões! Infelizmente não há um controle sobre eles. Quando chove a água desce em direção a rua, as vezes chegava a estourar o muro, os escorpiões vinham todos para a rua também. Só quem mora ali sabe o quanto é perigoso.

Vocês pescaram algum peixe estranho?

Não. O que tinha muito no Rio Piracicaba era a lontra, depois dessa mortandade de peixes não vimos mais nenhuma !




                                         



                                                        



                                                                                   



                                                                                



                                                                                 


ALGUMAS FOTOGRAFIAS DE
Deise Romana Dias NO Rio Piracicaba.

 






                                                

quarta-feira, setembro 23, 2026

 

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS

Jornalista e Radialista João Umberto Nassif

 

 

Entrevista: Padre Luiz Carlos Carone

 



 

Da marcenaria ao Altar: A Trajetória de Fé e Proximidade de Deus do Padre Luiz Carlos.

O zelo com o templo e o ambiente acolhedor que hoje movem a Paróquia Nossa Senhora Aparecida, no Jardim Santa Tereza, em Rio das Pedras, são o reflexo direto da história de seu pastor. De origem humilde, nascido em uma numerosa família de 11 irmãos, o Padre Luiz Carlos aprendeu cedo o valor do trabalho e da fé. Filho de um carpinteiro e marceneiro devoto, ele iniciou sua jornada laboral logo aos 10 anos de idade, em uma loja de presentes em Piracicaba.

Essa bagagem de vida moldou o perfil acessível e benevolente que se tornou sua marca registrada ao longo de décadas de sacerdócio. Antes de assumir a comunidade rio-pedrense, o pároco liderou por 11 anos a Igreja Nossa Senhora Aparecida, no Bairro Piracicamirim, em Piracicaba — cidade com a qual a população local mantém forte ligação , e dedicou outros 12 anos à imponente Igreja de Saltinho. Nesta entrevista exclusiva, o sacerdote relembra suas raízes, o exemplo de seus pais e detalha como a sua própria história se conecta com a realidade da classe trabalhadora que ele acolhe e lidera hoje.

Padre Luiz Carlos Carone, o senhor nasceu em que dia?

Nasci em 14 de fevereiro de 1958, às 9:00 horas da manhã! Talvez isso tenha influenciado no meu gosto de levantar cedo! (Risos).

O nome dos pais do senhor?

João Carone e Hermínia Fernandes Carone! Eles tiveram 11 filhos: Helena, Antonio, Maria, Lourdes, José, Paulo, Izabel, Aparecida, João, Luiz Carlos e Terezinha. Onze filhos, já dava para para formar um time de futebol!

Qual era a profissão do seu pai?

Era carpinteiro, tornou-se marceneiro. (O carpinteiro trabalha mais em estruturas, enquanto o marceneiro trabalha com mobiliário, o marceneiro é considerado mais refinado devido aos detalhes em seu trabalho (Nota do Jornalista). Meu pai viveu até os 93 anos. A minha mãe era mais emotiva, viveu 86 anos. Foram pessoas de muita fé. Meu pai tinha uma fé inabalável!

O curso primário o senhor estudou em qual escola?

Estudei em Piracicaba na Escola Estadual Dr. João Conceição, no então prédio novo, na Rua Marquês de Monte Alegre. Depois fui para a Escola Estadual Professor Alcides Guidetti Zagatto. Em seguida fui para o Seminário fazer o Colegial, em Rio Claro, no Claret, até que então  entrei para a Diocese. Aí fiz PUC, Filosofia e Teologia.

Em Piracicaba?

 Fiz em Piracicaba e em Santa Bárbara d’Oeste que naquele tempo era o nosso Seminário. Eu ia e voltava de Piracicaba a Santa Bárbara.

Foram quantos anos?

Eu entrei com 17 anos e fiquei quatro anos no Seminário Menor. Depois fui para Filosofia por 3 anos, e 4 anos de Teologia. Mais um ano de Diaconato e me ordenei em 1987.

O senhor se ordenou em qual igreja?

Fui ordenado na Paróquia São José, a sua mãe estava presente (mãe do jornalista), quem me ordenou foi o Bispo Dom Eduardo Koaik. Cônego Luiz Gonzaga Juliani, muitos padres, o centro da igreja estava com muitas pessoas. O bispo disse: “-Só a sua família já dá uma igreja! Não vai sair da igreja para montar outra não!”. Lógico, foi em tom para relaxar a emoção! Minha família tem 25 sobrinhos!

Da sua infância o senhor tem recordações?

Tenho algumas lembranças a partir dos 5 anos de idade, era o décimo filho, com 10 anos de idade fui trabalhar (Naquela época era comum crianças trabalharem, dentro ou fora de casa!). Lembro-me de que havia um padre, chamado Pedro, que vinha sempre nos visitar. Eu já dizia que queria ser padre! Nessa época eu tinha uns cinco anos! Aos 15 anos de idade comecei a amadurecer o pensamento de ser padre. Com 10 anos de idade fui trabalhar na Casa dos Presentes, de Alcides Saipp e sua esposa, a loja existe até hoje na Rua do Rosário, entre a Avenida do Café e a Rua Dr. Edgar Conceição, na Paulista. Trabalhei 7 anos lá, trabalhava e estudava. Tinha muito brinquedo da Estrela, Trol... naquela época recebia carga muito grande de brinquedos entregues por caminhão! Naquele tempo não era giro, era estoque! Ele já fazia o que o Baú da Felicidade fazia, a pessoa começava a pagar em janeiro e ia retirar em dezembro. Foi uma pessoa bem sucedida, querida, honesto, me tratava muito bem. Nas minhas férias eu ia trabalhar lá! Eu tinha fama de ser bom vendedor! Aos sábados a loja fechava ao meio dia e eu lavava o Simca e depois um Itamaraty.

 Essa fé que o motivou a seguir a vida religiosa surgiu como?

O fato de trabalhar desde os 10 anos, fez com que eu fosse desinibido, me desenvolvi bastante e fui conhecendo muita gente. Fãzinha tinha bastante! Até briguinha na escola! Naquele tempo, no período em que trabalhei na Casa dos Presentes, a relação com os clientes era de amizade, praticamente todos se conheciam, as conversas eram mais espontâneas. Eu era uma pessoa de muitas amizades. Um dos primeiros, se não for o primeiro grupo de jovens foi formado na minha casa. O Totó Danelon que fundou. Ele faleceu por uma fatalidade. Nem ele soube do que ele morreu. Foi um carrapato, ele gostava de caminhar por locais onde a natureza tinha sido preservada, e lá pelos lados da Água Branca ele foi para contemplar a natureza. Nem percebeu que tinha levado um carrapato para casa. No banho ele sentiu-se mal e a esposa achou o carrapato após o banho. Ele ficou internado no hospital em torno de dois dias. Nós tínhamos esse grupo de jovens, tínhamos muita amizade, Na Paróquia São José chegou a ter 20 grupos de 50 jovens! Um total de 1.000 pessoas reunidas! Fazíamos caminhadas! Era um outro tempo!

As caminhadas eram feitas de onde para qual local?

Da Paroquia São José para a Catedral. Da Igreja São José para o Itapuã!

O senhor conheceu o Frei Sigrist?

Conheci! Da Igreja dos Frades. Conheci Frei Saul, Frei Basilio, Frei Liberato, era um frade rigoroso. Frei Honório, era um frade leigo. Ia buscar prendas, com uma caminhonete que dirigia com velocidade! Mas era um frade carismático, muito querido.

Como foi o seu ingresso no seminário?  

Um dia eu recebi visita. Naquele tempo eles chamavam de recrutação. Eles passavam pelas escolas, os que gostariam de ir podiam ir conversar com o padre na sala dos professores. Fui até lá e comecei a fazer o encontro vocacional. Em 1975 entrei, e fui estudando, tive as dificuldades, estudei latim o colegial todo.

A Igreja inovou bastante, ao celebrar a missa em português, a mudança do padre, voltado para os fiéis!

A partir daí teve não só os aspectos devocionais, por exemplo Irmandades, Terço. Isso avivou até mais. Veja o Terço dos Homens! Tem também as Pastorais: da Saúde, da Juventude. Pastoral Familiar, Encontro de Casais, temos uma semana de Pastoral Familiar e quase todos os dias a Igreja cheia! E em sua grande maioria casais jovens!

A Igreja comporta aproximadamente quantos fiéis?

Sentados 340. E depois tem um bom espaço em que as pessoas podem permanecerem em pé.

Sr. Armelindo Contessa, o senhor está participando conosco desse bate papo, por ser um dos pilares de sustentação das grandes obras que aqui são realizadas, tudo no mais perfeito estado!

Sou o zelador! Eu cuido da parte externa, dentro é um trabalho feito por mulher. Preparo tudo que é necessário para as celebrações.

Essa igreja impressiona demais não só pelo tamanho, mas sobretudo pelo zelo com que tudo é feito!

Uma Igreja bonita, espaçosa, é muito procurada para casamentos?

Talvez por uma questão de costume, os casais preferem realizar o casamento na Matriz. Uma vez por ano, realizamos casamentos comunitários. São aquelas pessoas que já estão vivendo juntas. Agora em novembro será o quinto ano que eu faço o casamento comunitário. No ano retrasado realizamos 11 casamentos comunitários. Esses casais estão juntos há 5, 10, 20 anos juntos e optam pelo casamento comunitário. Eles permanecem na comunidade. Hoje o casamento tem uma forte parte social.

O casamento, muitas vezes, é um acontecimento social, com 20 padrinhos, luzes, fumaça, músicas fora do contexto.

Só que hoje tem normas e pastoral responsável, e fotógrafos credenciados na diocese. Não por interesse econômico, mas em interesse em sanar esses problemas. Dificilmente você vai ver um fotógrafo colocar a máquina em cima do altar como colocavam! Tem gente que fica meio com o pé atrás, depois até agradece a pastoral, ela faz tudo por eles!

Qual é o efeito que a informática, os celulares, vem causando no aspecto religioso?

Ontem nós discutimos muito isso no Conselho Pastoral! Desde a pandemia tem ajudado muito! Quando eu estava no Piracicamirim, a primeira missa on-line, quem entrou em contato com a missa me impressionou muito! Foi um angolano, que estava na África, foi o primeiro que entrou em contato! Entrou o fator língua portuguesa!  Na Pastoral, no Grupo de Conselho, no Grupo 9 da Pascom, ela coordena isso, tem todo o cuidado, por exemplo: política, é um assunto delicado, pode ser um assunto político com “P” maiúsculo, do Papa, do Bispo no sentido do bem comum, mas tomar cuidado para não transparecer partidário. Quando se trata de IA é pior! A imagem, muita gente não sabe, pensa que pode tirar uma foto não sei de quem e postar. Isso pode dar um processo complicado, que a pessoa se fez isso ingenuamente nem sabe.

Com a I.A, por exemplo, vamos montar alguma coisa para a Semana Santa. “A Traição de Judas”, eu chamei o rapaz que tem 20 anos, ele conhece bem I.A. eu disse-lhe: “ Dá uma olhada nesse texto e vê se tem alguma coisa de Judas e Jesus que não tem nada a ver!”  . Ele analisou, e viu no fundo de uma das imagens, um beijo de Judas em Jesus que estava mais próximo da boca do que do rosto! Nós temos que tomar o máximo cuidado porque há interesse escuso em disseminar e simular! Passaram pelo celular, um globo de ferro que vai abrindo e fechando, em cada abertura aparece a imagem de um Santo até chegar em Nossa Senhora Aparecida. São desenhos em 3 dimensões e muito detalhados. Antes de passar para alguém, pedi para essa pessoa dar uma olhada se não tinha nada diferente. Ele considerou tudo normal.

A primeira Paróquia que o senhor assumiu qual foi?

Dom Eduardo tinha o costume de deixar 1 ou 2 anos em uma Paróquia. Eu fui na Paróquia de Bom Jesus de Santa Barbara d`Oeste. Foi em 6 de agosto, aniversário do meu pai! Fiquei um ano lá. Fiquei 13 anos e 6 meses em Saltinho. Eu queria sair de lá, o Bispo não queria que eu saísse , o povo fez um abaixo-assinado, o Bispo me aconselhou a dizer que estava saindo pela minha vontade.  

O senhor foi para onde?

O Bispo disse-me: “Você vai pegar duas paróquias, com dois padres aposentados!”. Fiquei com uma Paróquia em Mombuca e outra em Rafard. Fiquei nove anos e seis meses lá! Aí Dom Fernando me trouxe para Piracicamirim. Fiquei 11 anos no Piracicamirim! Agora faz quatro anos e meio que estou aqui, cheguei em fevereiro. Em janeiro faço 40 anos de Padre!

O Padre tem um período em que ele é obrigado a parar?

A parar não é obrigado, ele pode continuar ajudando um Pároco. Ele tem que passar o comando para um substituto. O Bispo também deixa de exercer a atividade e passa a ser emérito. Dom Eduardo, que era um homem sábio e espirituoso dizia que era um título bonito para dizer “Aposentado!”.

O Padre Jorge permaneceu como pároco a vida toda?

Ele e o Monsenhor Juliani permaneceram. Naquele tempo havia alguma tolerância. Hoje existe uma norma, mas na verdade é o Bispo quem decide. Hoje existem normas , inclusive voltadas para padres, pastores, que se fizerem campanha política dentro do templo, ou da igreja, eles podem sofrer impugnação.

Aqui na Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, em Rio das Pedras, qual é o horário das celebrações, reuniões!

Na quarta-feira temos missa às 19:30 horas. Às quintas-feiras, nós temos na comunidade, casas, aonde são realizadas uma cerimônia religiosa em que  o morador acolhe cerca de 30 a 35 pessoas, às 19:30. Na primeira sexta-feira do mês, às 19:30 tem missa com adoração do Santíssimo, em uma sexta-feira, celebramos uma missa na Capela Santa Cruz, é uma capela pequenininha, o local é denominado Praça Floriano Peixoto, em frente ao Posto  Montagner. Na outra sexta-feira, às 19:30 é celebrada uma missa no Bairro Alambari. Na última sexta-feira é reunião do Conselho. Aos sábados, o Frei Moacir celebra missa às 15:00 horas aqui na Paróquia Nossa Senhora Aparecida. Sábado às 19:00 horas celebramos em uma capela urbana, no Bairro Vitória Perim Cesarino. Popularmente denominado “Pombal”. No domingo pela manhã, às 7:30 horas, celebramos a missa na Paróquia Nossa Senhora Aparecida. Por três vezes ao mês celebramos a missa no Bairro Batistada. No outro domingo, às 9:30 são feitos os batizados. E todos os domingos às 18:30, são celebradas as missas na Paróquia Nossa Senhora Aparecida. Domingo de manhã a Igreja da Paroquia Nossa Senhora Aparecida fica lotada, inclusive com fiéis em pé! No total chegamos a ter 31 a 32 missas em cada mês, somando essas missas fora da Igreja Nossa Senhora Aparecida.

O dia em que se comemora Nossa Senhora Aparecida tem missas especiais?

Tem missa às 8:00 horas da manhã, com coroação, segue com terço às 11:00 horas, começou com um grupo pequeno e hoje já deixa a Igreja cheia, rezando o terço. É bem coordenado pelas pastorais. O dia todo a igreja recebe muitas visitas de pessoas que vem prestar suas homenagens e orações a Nossa Senhora Aparecida. Às 17:00 horas, procissão, segue com missa às 18:30 e após missa a quermesse. Quando é celebrada a missa, temos que colocar um telão fora da igreja, é muito grande a presença de devotos. O povo é muito educado, as crianças não fazem barulho, temos bastante coroinhas e acólitos. No próximo domingo, dia 5 de setembro, vai ter investidura de mais alguns coroinhas e acólitos.

Qual é a função do acólito?

O acólito tem uma função parecida com a de um mestre de cerimônia. Ele dá o suporte se surgir alguma novidade. Os que se destacam, acabam tornando-se Mestres de Cerimonia. Temos um acólito de 20 anos, ele que é o coordenador de liturgia.

Ainda tem as meninas que se caracterizam como anjos?

Na coroação tem! Nós temos um grupo de mães que oram pelos filhos, elas se reúnem semanalmente, na Semana Santa a segunda feira é deles! Elas tem um terço diferente: 7 vezes 7 Ave-Maria e no final mais 1, e cada mistério é ilustrado com sofrimento de mãe que tem filhos presos, drogados, é um terço muito lindo, chora-se, mas eles recuperam filhos também! Tem dado resultado! E serve de consolo para a mãe. Essas infelicidades não escolhem classe social, idade, sexo, grau de cultura.

Senhor Contessa, o senhor é o pai da Aline, que trabalha na secretaria?

Sou!  Ela é uma pessoa tranquila, segura. Eu moro muito próximo a igreja. Procuro ajudar em tudo que posso. Às vezes o padre está ausente, a pessoa veio pedir água benta, isso eu posso conseguir. Uma senhora queria uma vela benta, quando ela disse que apenas uma servia, pedi ao Frei que estava em outra sala, ele benzeu a vela e eu dei para ela. Sua alegria foi muito grande!

Dizem aqui na igreja, que; “Aconteça o que aconteça o Seu Contessa está aqui!” Na verdade, esse homem é muito importante para a Igreja, ele está sempre pronto para fazer o que for necessário!  

Padre Luiz Carlos, normalmente quanto tempo é utilizado para celebrar uma missa?

Se for comum é para ser cerca de uma hora. O povo hoje tem uma participação ativa na missa. E for um dia em que uma pastoral quer recrutar alguém. tem que dar um minutinho para ele falar. Se for Dia das Mães ou Dia dos Pais, tem um teatrinho. Ó que nesses dias em que tempo de cerimônia aumenta o pessoal já está com o espírito e o coração preparado para um evento maior.  O que a gente não pode fazer é ficar esticando.  A sociedade atual é mais objetiva.

Sr.Contessa, o senhor é nascido em Rio das Pedras?

Eu nasci em Mombuca.

O senhor conheceu Dona Emília?

Conheci! Dona Emília benzia o povo, fazia orações para os enfermos, a casa dela lotava, ela fez anexo a sua casa uma capela. Tinha os dias certos que ela atendia, tinha um padre que ia celebrar a missa na capela que ela construiu. Nós morávamos no sítio. Depois que eu casei passamos a ir à missa em Mombuca. Dona Emília fazia muita caridade, quando chegava o período de Natal. Dois filhos dela são médicos, um é mecânico.

 


Armelindo Contessa

 

 

O Padre Luiz Carlos que acumula décadas de ordenamento como padre, já percorreu inúmeras Igrejas e Capelas. Ele afirma que da Diocese as duas cidades de grande força religiosa são Santa Barbara d`Oeste e Capivari.

Padre Luiz Carlos, Nossa Senhora Aparecida parece que está sempre próxima ao senhor!

Essa colocação é muito boa e me deixa muito contente! Quando eu saí do Piracicamirim, da Igreja Nossa Senhora Aparecida, o Bispo disse-me: “Nossa Senhora Aparecida o persegue! Eu vou enviá-lo para a Paróquia de Nossa Senhora Aparecida de Rio das Pedras!!”. Eu me lembro de que quando passei por Saltinho, fiz uma capela urbana de Nossa Senhora Aparecida! Quando passei por Rafard e Mombuca estava em construção em cada cidade uma capela Nossa Senhora Aparecida também! A minha devoção é Nossa Senhora Aparecida e São José. Eu convivi lá em Piracicaba com a Paróquia São José. Só tive um pároco, que foi o Juliani. Nessa época, as duas figuras religiosas mais conhecidas em Piracicaba foram o Monsenhor Juliani e o Monsenhor Jorge, este, apesar de ter o título de Monsenhor, foi sempre conhecido como “Padre Jorge”.

O senhor acredita que aos poucos os jovens vão descobrir a força espiritual da religiosidade, irão conduzir a própria vida, sem se deixarem serem manipulados pelos meios de comunicação tendenciosos, que buscam o dinheiro fácil vendendo ilusões?

 

Eu conheço, já por três a quatro décadas, casais, onde os homens tinham uma vida religiosa provida de constância e fé, suas esposas nem todas tinham essa mesma conduta. Hoje esses casais tem filhos, as esposas frequentam as missas, e o mais interessante e inovador, todos fazem questão de acompanhar pela rede social as falas diárias sobre o Evangelho, dos padres que entram na internet! E fazem questão de cada uma escolher um padre diferente. Com isso selecionam dois ou três padres que as fazem compreender melhor os sentidos das palavras do Evangelho no cotidiano! As sogras acompanham! A forma de tratamento, o carinho que elas têm pelas sogras, é um exemplo de amor filial.

Nas igrejas hoje tem bastante jovens. A nossa igreja tem casais novos, que vem com criança no colo! Algumas famílias vivenciaram em seu seio o problema do alcoolismo, Hoje quando se reúnem, realizam festas, mas o que se nota é a ausência de álcool.

O que nós estamos percebendo é que existem duas correntes de pensamento, o pessoal que ainda está na ilusão de viver o que já vimos no passado, o uso de drogas, o excesso do álcool, contrapondo com uma visão de vida saudável. Parece que a população, jovens, pessoas maduras, despertaram para uma vida que respeita a saúde do corpo. Basta ver o número de academias e a dimensão delas!

Padre Luiz Carlos complementa: “-Não fuma!”.

A ciência já provou que o cigarro provoca inúmeros malefícios, inclusive a perda da dentição: ou faz implante ou põe dentadura! Até ser proibida, a propaganda dos cigarros eram as mais elaboradas e bem feitas! A rede social. extirpou isso, dando ciência, a quem interessar, das consequências.

A minha tese, em função de ouvir inúmeros católicos não praticantes regularmente, mas que respeitam e frequentam a igreja, de forma esporádica. Eles dizem com convicção, que um dia vai ter que mudar, pois está tão ruim, que não tem como piorar mais. É um ciclo. “Ou pelo amor ou pela dor!”

 

 A todos que estão lendo, ouvindo, pedimos uma benção especial.

Quero agradecer a sua presença aqui, a todos que vão prestigiar essa entrevista, quero pedir que Deus, à você também, para todas as famílias que podem ver, que Deus abençoe, pela interseção de Nossa Senhora Aparecida, dando através do Espírito Santo, o discernimento para o caminho da fé, para o caminho da mudança, para o caminho de ser feliz e passar a felicidade para os outros, saber que a fé não é um peso, mas é um livramento. Que Deus abençoe para ter esse discernimento e caminhar junto da fé. Tem muitas formas hoje para a gente se esclarecer na fé. Que Deus abençoe para isso. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

 

 

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