sexta-feira, fevereiro 13, 2026

 

WALTER NAIME

 

A barba e suas intenções

 

A barba nunca foi só pelo no queixo. Barba é aviso prévio. É legenda da cara. É currículo sem papel timbrado. Antes do homem inventar a escrita, a barba já estava lá dizendo: “esse aqui já apanhou da vida” ou “esse ainda tá em fase de teste”. Lá na idade das cavernas não existia barbeiro nem espelho. O sujeito acordava barbudo porque estava vivo. Se tentasse tirar, era na base da pedra, do fogo ou da coragem. Quem tinha barba  grande inspirava respeito; quem não tinha, inspirava dúvida… ou piada. Com o tempo, a barba virou instrumento de comunicação. No Egito Antigo, o faraó não confiava nem no próprio pelo: colocava barba postiça pra parecer mais deus que gente. Não era vaidade, era marketing divino. Na Grécia, filósofo sem barba parecia aluno perdido. Em Roma, raspar a barba virou sinal de progresso, higiene e civilização. Moral da história: a barba nunca mandou em nada, sempre foi mandada.Na Idade Média, ela cresceu sem pedir desculpa. Rei barbudo mandava mais. Cavaleiro barbudo metia medo. Monge barbudo inspirava pecado e perdão ao mesmo tempo. Frederico I ficou com ecido como Barbarossa por causa da barba ruiva, que virou símbolo de poder. Séculos depois, o nome apareceu na Operação Barbarossa, provando que até barba acaba envolvida em guerra. Barba sempre foi coisa séria… ou perigosa. A barba é natural do homem, mas os sentidos mudaram. Surgiram barbas com personalidade própria: Barba do sábio, quanto maior, mais ninguém discute. Barba do revolucionário, não corta por princípio.Barba do esleixado, não corta por preguiça. Barba do vaidoso, cuida mais da barba que da alma. Barba da autoridade, respeita que eu mando. Barba da religiosidade, tenha fé. Barba da virilidade exagerada, olha o macho aqui. Cada barba conta uma história, mesmo quando o dono não tem nada a dizer. Quando chegaram as lâminas, os sabões, a Gillette e a água pós-barba, o sofrimento virou ritual. Antes era dor e sangue; depois virou espuma e propaganda. No século 21, a barba virou moda, identidade e até desculpa. Barba bem feita passa confiança. Barba mal feita passa abandono. A mesma barba pode fazer o sujeito parecer intelectual, perigoso, moderno ou simplesmente atrasado, tudo depende do ângulo e da iluminação.Na política atual, no Brasil e no mundo, a barba continua falando mais que discurso. Tem barba que tenta parecer do povo, barba que quer impor autoridade, barba revolucionária de foto em preto e branco e barba totalmente domada pelo marketing. Já teve tempo em que "barba, cabelo e bigode", viravam critério de competição, como se estética fosse medalha e caráter fosse acessório. Antigamente, um fio de bigode valia mais que assinatura em cartório. Era promessa, contrato e palavra de honra. Hoje, sobrou o bigode… a honra anda sumida. A barba  também serve de máscara: esconde intenções, disfarça insegurança e cria personagem. E continua sendo atrativo feminino, seja por parecer proteção, maturidade ou aquele instinto ancestral que não passa recibo. Hoje a barba recebe mais cuidado que muita consciência. Óleo, creme, pente, salão exclusivo. Narciso olha no espelho, se apaixona pela própria barba e esquece o resto. A moral da história é simples: quando a barba vira só vaidade, vira vazio. Quando vira identidade e contestação, vira linguagem. No século 21, o importante não é ter barba. É saber por que ela está ali. Porque barba sempre fala. O problema é quando ela fala bonito… e o dono não sustenta o discurso. Aonde você está escondido?  12/01/2026

 

 

Walter Naime

Arquiteto-urbanista

Empresário.

quarta-feira, fevereiro 04, 2026

 

 

CONTOS

Ó abre alas que eu quero passar!

O Carnaval no ano eleitoral 2026!

 

No Brasil, ano eleitoral é tipo carnaval prolongado: começa antes da hora, termina

depois do previsto e sempre sobra aquela sensação de que alguém sambou na sua cabeça sem

pedir licença. Em 2026 então, tudo se mistura: confete, urna eletrônica, candidato fantasiado

de salvador da pátria e eleitor tentando decidir se vota, se pula ou se só observa da

arquibancada.

Os blocos já estão nas ruas: os canhotistas de um lado e os direitálhas do outro, cada

um berrando seu enredo como se fosse a última disputa da Sapucaí. A polarização virou febre,

virou figurino, virou marchinha de duplo sentido. É o país se dividindo em dois carnavais que

se esbarram na esquina e fingem que é tudo normal.

Do Norte ao Sul, o povo cai no samba para descontar a dor que o governo, insiste em

deixar pelo caminho. Afinal, parece que o país vive navegando dentro do próprio umbigo,

como se fosse barquinho de papel no brejo burocrático. E o brasileiro? Ah, esse transforma dor

em batuque. É talento ou é sobrevivência? Ninguém sabe, mas funciona.

No bloco dos canhotistas, as alegorias vêm ousadas: “A Fogueira da Igualdade”, “A

Fênix da Justiça Social”, “O Carrossel do Estado Protetor”. Vermelho, roxo, lilás, tudo brilhoso.

O samba-enredo mistura discurso, rap e esperança, com refrão pedindo mais direito, mais

inclusão e umas pitadas generosas de emenda parlamentar, jogadas para o público como

confete caríssimo pago com dinheiro do contribuinte.

Já nos direitálhas, o desfile é outra vibe: “O Trem da Ordem”, “O Mercado que Voa”,

“A Fantasia dos Bons Costumes”. Azul, verde, branco e aquele dourado que parece ouro mas

muitas vezes é latão pintado. O samba-enredo tem cara de hino, ritmo de sertanejo, letras

sobre liberdade, segurança e um Estado magrinho, mas sempre alimentado pelas mesmas

emendas, agora virando serpentinas que o vento carrega direto para algum gabinete.

Nos carros alegóricos, aparecem as versões carnavalescas dos Três Poderes: o

Executivo vestido de super-herói cansado, o Legislativo fantasiado de vendedor de pacote

turístico, e o Judiciário em traje tão luxuoso que até a comissão de frente fica sem graça.

Todos giram bandeiras e evitam deixar cair as máscaras, coisa difícil, porque máscara aqui não

protege só do vírus, protege de crítica, de promessa quebrada e até de si mesmo.

A modernidade chega com drones, hologramas, telão em 8K. Tecnologia para

impressionar, para parecer que o país está no futuro, mesmo tropeçando no presente. É o

carnaval do “olha como estamos avançados”, enquanto os fios ficam segurados por gambiarra.

E como não podia faltar, surgem os "Joãozinhos 30" versão digital: estrategistas, criadores de

conteúdo, magos de algoritmo que costuram narrativas como quem prega paetê em fantasia

de última hora. Eles definem a cor da tinta, o brilho do discurso, a ordem do desfile emocional.

Mas na quarta-feira de cinzas, tudo se encontra: canhotistas e direitálhas, sem glitter,

sem fantasia, sem filtro. A ressaca chega igual para todo mundo. Ali, no chão frio da realidade,

dá para ver quem é quem, ou perceber que, no fundo, todo mundo desfilou mais parecido do

que gostaria de admitir.

A moral? Que o Brasil precisa escolher seu próximo carnaval político com menos

fumaça e mais verdade. Talvez seja hora de um carnaval novo, do século 21: sem máscaras

para esconder intenção, sem confete que tape buraco, com mais transparência e menos

truque.

E mesmo com tudo isso, o Brasil continua sendo país de alegria teimosa. A gente ri,

dança, canta e segue. Porque depois do carnaval vem a Copa do Mundo e finalmente a eleição,

crise, esperança, decepção e sonho.

E, no fim das contas, só resta desejar: boa sorte, Brasil, e que os próximos desfiles

sejam mais verdadeiros que as fantasias. 

02/02/2026

Walter Naime

Arquiteto-urbanista

Empresário.

 

quinta-feira, janeiro 22, 2026

 NOTAS DE QUARTA 21/01/2026


SRA. ISABEL RODRIGUES FERREIRA


faleceu dia 20/01/2026 na cidade de Saltinho, aos 74 anos de idade e era casada

com o Sr. Jose Pedro Ferreira. Era filha do Sr. Antonio aimundo Rodrigues e da

Sra. Joana Batista Rodrigues, falecidos. Deixa os filhos: Lucineia Pereira de Souza

casada com Valdir Antonio de Souza, Osmar Pereira, Sandra Aparecida Pereira

casada com Leonel Lopes Tioca, Maria Claudia Pereira, Sidneia Pereira da Silva,

Carlos Alberto Pereira da Silva, falecido e Oscar Heleno Pereira da Silva, falecido.

Deixa netos, bisnetos, familiares e amigos. O seu sepultamento ocorreu dia

21/01/2026 as 16:00hs saindo a urna mortuária do Velório Municipal de Saltinho,

seguindo para o Cemitério Municipal de Vila Rezende. Expressamos nossas mais

sinceras condolências aos familiares e amigos, neste momento de luto. Grupo Bom

Jesus Funerais.


SRA. ALESSANDRA SANTOS


faleceu dia 20/01/2026 na cidade de São Paulo, aos 55 anos de idade e era filha do

Sr. Blaird Verdinassi dos Santos, falecido e da Sra. Luzia Zito dos Santos. Deixa

irmãos, sobrinhos, familiares e amigos. O seu corpo foi transladado em auto

fúnebre para a cidade de Piracicaba e o seu sepultamento ocorreu dia 21/01/2026

as 17:00hs saindo a urna mortuária do Velório da Saudade – Sala 07, seguindo

para a referida necrópole. Expressamos nossas mais sinceras condolências aos

familiares e amigos, neste momento de luto. Grupo Bom Jesus Funerais.


SRA. EDMEIA JOSE LEITE


faleceu dia 20/01/2026 na cidade de Piracicaba, aos 74 anos de idade e

era viúva do Sr. Adair Antonio Martim. Era filha do Sr. Antoneli Jose Leite

e da Sra. Inês Murari Leite, alecidos. Deixa os filhos: Emerson Antoneli

Cecagna e Milene Aparecida Cecagna. Deixa neta, familiares e amigos. O

seu sepultamento ocorreu dia 21/01/2026 as 15:00hs saindo a urna

mortuária do Velório Municipal de Vila Rezende – Sala 03, seguindo para a

referida necrópole. Expressamos nossas mais sinceras condolências aos

familiares e amigos, Neste momento de luto. Grupo Bom Jesus

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