BLOG DO NASSIF
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quarta-feira, outubro 28, 2026
Genilse Guarda
BLOG DO NASSIF
Genilse Guarda
O Escudo da Lei e a Cura da Alma: A rotina de Genilse Guarda para
administrar a dor humana na rua e na terapia
"A mesma mão que cumpre a
dureza da lei durante o dia, estende o acolhimento da cura emocional ao cair da
noite. Aos 57 anos, Genilse Guarda vive uma das jornadas duplas mais
fascinantes de Piracicaba. De um lado, enfrenta a rigidez técnica e os
inevitáveis conflitos humanos como Oficial de Justiça — uma carreira de 27 anos
marcados pelo desafio diário do distanciamento empático. Do outro, despede-se
das amarras jurídicas nos finais de semana para atuar como terapeuta de
Constelação Familiar. Sendo uma das pioneiras na abordagem sistêmica criada por
Bert Hellinger na cidade, Genilse opera em um ciclo perfeito de dedicação ao
próximo: no consultório particular, trabalha na raiz dos nós familiares para
curar feridas e prevenir o colapso; na rua,
serve ao Estado quando o conflito já se tornou inevitável. Uma história de resiliência onde a
busca pelo equilíbrio invisível ajuda a desatar os nós da própria vida e da
sociedade."
Genilse Guarda é filha de
Geraldo João Guarda e Adélia Maria Turolla Guarda. Nasceu em Piracicaba, no dia
14 de março de 1973. Já foi casada, tem
um casal de filhos, Guilherme com 20 anos e Giovana com 17 anos de idade. Seu
filho cursa Direito e a sua filha está terminando o ensino médio. Sua mãe é
prima do Marcos Turolla que trabalhou na Rádio Difusora de Piracicaba. Estudou no
Instituto Baroneza de Rezende.
A senhora exerce qual
profissão?
Faz 27 anos que exerço a profissão de Oficial
de Justiça na cidade de Rio das Pedras, vizinha a cidade de Piracicaba.
A senhora tem mais alguma
outra atividade?
Há seis anos eu me tornei
Terapeuta. Venho exercendo essas duas profissões em horários distintos, com o
intuito de quando me aposentar como oficial exercer a profissão de Terapeuta.
Para ser Terapeuta o que é
necessário?
A formação é gradual,
através de cursos livres. Tenho realizado um bom número de cursos, entre eles
fiz o Curso de Constelação, o Curso de Psicanálise, fiz curso de especialização
em Constelação, que é a minha principal área. Constelação Familiar é uma linha
terapêutica que vê o indivíduo no sistema dele. Tudo que aconteceu no sistema
dele influencia na vida dele hoje. O que aconteceu com os nossos avós, bisavós,
nossos pais, tudo influencia em nossa vida hoje. Achamos que o que ocorre hoje não tem uma
explicação! A constelação vai procurar as causas desses problemas que você está
vivendo dentro do seu sistema familiar.
Por exemplo, uma pessoa
que constrói uma profissão, um empreendimento e fracassa. Esse fracasso tem
algo a ver com o sistema familiar dela! Ela pode ter um avô, um bisavô, que
tenha fracassado. Que tenha auferido lucros de forma ilegal! Estou dando alguns
exemplos. Mas cabe uma análise mais profunda.
Se formos seguir essa
linha de pensamento vai ter muita gente que terá prejuízos no futuro!
Vai! Vai ter
sim! Por que? Porque a vida é autorreguladora! Então quando a gente faz algo aqui, a vida
vai dar um jeito de regular aquilo que ficou em aberto! Só que isso será
regulado nas gerações futuras!
Já tem muitas pessoas
que fazem o Teste Genético. O que é teste genético?
É um exame indolor e simples que
analisa o DNA de uma pessoa para identificar alterações ou variações genéticas.
Ele proporciona um maior autoconhecimento, ajudando a entender melhor a sua
história, a origem dos seus antepassados e a cuidar da saúde de forma
personalizada. Como a senhora vê isso?
No nosso
trabalho nós não pedimos que a pessoa faça um exame de DNA, mas a gente vai
procurando saber as raízes dessa pessoa, perguntando coisas que possam estar
influenciando a vida dela hoje! Por exemplo, houve um aborto na família, esse
aborto influencia os filhos que vem depois. Mas a gente pode falar de um tema,
cujo termo hoje está sendo muito usado: Trauma
transgeracional. Ou seja, a gente carrega no nosso DNA não apenas as
características físicas, carregamos também tudo que aconteceu. Aquilo que os
nossos ancestrais sentiram, viveram, não some, não desaparece. Aquilo está no
que chamamos de “Campo da Família”. É o
inconsciente da família,
Tem alguma coisa próxima ao espiritismo?
Não! Não é uma
religião. É uma terapia que chamamos de Fenomenológica, ou seja, é um fenômeno.
Você de repente tem uma questão, vem aqui fazer a sua constelação, a gente
descobre ou percebe algo. Pode ser que venha uma outra pessoa com a mesma
questão, mas movida por
algo
totalmente diferente! A Constelação é um fenômeno, não dá para ser considerada
uma ciência, pois a ciência seria igual para todo mundo! A ciência procura
padrões! Dentro daqueles padrões ela estabelece categorias. Rotula situações,
categoriza. A Fenomenologia não tem como rotular ou categorizar. Você pode ter
um problema por um motivo e uma outra pessoa pode ter um problema muito similar
por outro motivo.
Se a pessoa tem um antepassado que
cometeu algum ato condenável de seus ascendentes, estariam condenados a arcar
com as consequências daquele ato?
Não significa
que você esteja condenado a purgar. Como aquilo está no inconsciente da
família, nós estamos a serviço do nosso sistema, a vida é autorreguladora,
então. Todo mundo vem e está responsabilizado por uma cota da família, do que
aconteceu, um antepassado seu fez algo, a vida é autorreguladora, você pode vir
(nascer), e ter uma questão que esteja envolvida com aquilo; não é que você
esteja condenado, muito pelo contrário, isso está acontecendo na sua vida para
você olhar para aquilo que aconteceu, e a partir do momento que você toma
consciência aí você pode mudar.
Existe algum procedimento especial para a pessoa tomar
consciência disso?
Os problemas que acontecem em
nossa vida não são para nos derrubar, os desafios acontecem não para a gente se
afundar, mas para nós crescermos. E só iremos crescer se buscarmos
conhecimento! Tendo o acesso a esse
conhecimento a pessoa pode mudar isso porque ela toma consciência. As vezes as
pessoas estão tão distraídas com a vida que elas não percebem! Se você olhar
para a sua família, irá perceber padrões. Vou dar um exemplo bem básico: você
já percebeu que as vezes tem uma doença que atinge várias pessoas da mesma
família? Ou todos seguem a mesma profissão! Talvez o indivíduo nem queira
seguir aquela profissão! Mas por fidelidade à família, para sentir-se
pertencente, acaba seguindo a mesma profissão! Não é aquilo que ela quer, mas
ela não tem coragem de fazer diferente! Tem padrões que são doentios, como por
exemplo, padrões de agressividade, violência, de traição; aí cada um vai
observar sua família e verá onde as histórias se repetem! E conforme você vai
percebendo, isso também acontece com você. A pergunta que surge é como posso
mudar isso? Não preciso seguir o que todo mundo seguiu! É a minha família, eu
pertenço, eu amo todo mundo, mas eu posso fazer diferente.
E como eu conserto isso?
Honrando tudo que aconteceu lá atrás! A Constelação vai trazer
muito o olhar da honra! Do não julgamento! Quando eu julgo os meus antepassados
por aquilo que eles fizeram, a tendência de repetir o mesmo comportamento é
muito grande. Por que? Porque eu estou julgando! Como a gente “conserta”?
Olhando para o seu coração, internamente, e dizendo: “Eu vejo que vocês fizeram
assim porque vocês não souberam fazer diferente! Mas eu hoje, aqui, vou fazer diferente!
“E observar o que sente com isso! Isso porque quando eu estou julgando alguém,
eu estou excluindo! Existem leis que regem a nossa vida. Bert Hellinger que é o alemão que percebeu, organizou e
estudou tudo isso, foi trabalhar com pessoas. Ele morou na África, onde ele
percebeu que tinha umas pessoas em aldeias, onde essas pessoas viviam muito
bem, basicamente elas não tinham conflitos. Ele como alemão, percebia que aqui
no Ocidente as pessoas viviam tantos conflitos. Ele começou a observar o que
acontecia lá, não acontecia aqui, ele não criou essas leis da cabeça dele, ele
observou que aquelas pessoas que viviam bem, respeitavam essas leis, ele
percebeu que essas leis existem. Quando a gente entra em conflito com elas,
sofremos efeitos na nossa vida aqui hoje: doenças, tragédias, relações difíceis,
traições, fracassos financeiros. Ele percebeu que aquelas pessoas, os povos
Zulus, viviam muito em harmonia. Honravam os ancestrais, não havia exclusões.
Ele foi observando a existência desse povo.
A senhora atende àquelas
pessoas que a procuram?
Sim, atendo. É a
Revivência do Nascimento, tenho na forma on-line, um grupo no WhatsApp (19 99708 4341) onde faço lives
quinzenalmente. A pessoa entra em contato comigo, eu a adiciono ao grupo,
partilho conteúdos, fazemos as lives, eu estou abrindo um grupo de círculo de mulheres
onde vamos conversar as questões que a gente vive muito, de sobrecarga, filhos,
maternidade trabalho, só que de forma mais profunda. Às vezes elas se sentem
muito sozinhas, não tem com quem partilharem. Para a participação nesses grupos
não há a necessidade de ter um pré-requisito. As lives são realizadas
quinzenalmente às 20:00 horas às quartas-feiras. O Grupo de Mulheres ainda está
em formação, não temos ainda uma data definida. As aulas do Renascimento Sistêmico
são presenciais, aos sábados à tarde. A duração é das 14:30 até às 18:00 horas.
Existe uma frase muito interessante: “A Mente que criou um problema não é a
mesma que vai resolvê-lo”.
Quem procura mais os seus conhecimentos,
os homens ou as mulheres?
Sempre tive clientes
homens, mas as mulheres são as que mais procuram o meu trabalho. A sociedade
incentiva os homens ainda, a ignorarem o emocional. O homem também tem a
dimensão do sentido. Infelizmente os homens não são estimulados a olharem para suas
vulnerabilidades reais. São cobrados a serem fortes desde meninos. A mulher é
naturalmente mais sensível. Porém ambos têm sentimentos, só que o homem é
treinado a não os mostrar. A sociedade está em boa parte adoecida, as pessoas
se fecham. A pessoa vai ficando
disfuncional, ou seja, não consegue exercer a sua função. Na síndrome do pânico,
ela sente uma situação criada pela mente dela de que ela está em perigo! A
própria ansiedade, está disseminada. Isso tudo vai minando a pessoa. Ela se
isola. O que aprendemos aqui é que todo mundo é 100% responsável pela sua
própria vida e o que está acontecendo para o crescimento dela. Algo criou
aquela situação, esses sintomas são alertas para a pessoa curar o que os
provocou. O papel do terapeuta é sinalizar o caminho. Dependendo da pessoa ela
entende e corrige rápido, outras criam dificuldades para a própria recuperação.
Todos são capazes de encontrar o seu caminho. Colocar um rumo em sua vida.
Aqui em Piracicaba só a
senhora segue essa linha de terapia?
Aqui em Piracicaba, nessa abordagem, só
conheço a mim mesma e a minha mentora.
Vamos
dar um salto olímpico para a sua outra profissão, que a senhora exerce há
muitos anos, a profissão de Oficial da Justiça. Quais são os
requisitos para trabalhar nessa importante função?
É necessário prestar um
concurso! Quando eu prestei exigia-se apenas o ensino médio, de uns anos para
cá exige-se também o ensino superior.
A
senhora deve ter inúmeros casos curiosos, tristes, cômicos, casos normais e
casos com maior complexidade. A senhora já pensou em escrever um livro narrando
os fatos mais curiosos, ou já escreveu um livro a respeito?
Eu já até pensei! São 27
anos de profissão! Entrei com 26 anos! Os cinco primeiros anos foram muito
difíceis para mim! O trabalho envolve pessoas e problemas que elas estão
vivendo. Temos que administrar a carga emocional para que ela não afete o nosso
desempenho. É um processo difícil, as situações tendem a nos envolver
emocionalmente, temos que exercer o nosso trabalho, sem vivenciar o problema
que a pessoa está vivendo. Exige muita habilidade do Oficial de Justiça. O contato direto com situações de toda ordem.
A senhora
tem alguns casos que envolvam desculpas palpáveis para o acusado fugir da
intimação judicial?
Essas infelizmente, às vezes, acontecem, mas com o tempo aprendemos o “modus
operandi” da pessoa que evita receber o Mandado de Citação. Com isso estamos
geralmente um passo a frente do indivíduo. As vezes os familiares são
instruídos pelo citado para criarem obstáculos. Como o caso da filha que disse
que desconhecia o paradeiro do pai, logo em seguida ele passa dirigindo um
veículo. Eu o conhecia de um contato
anterior! Recorrentemente eu precisava intimá-lo! A intenção dele era chegar em
sua casa. Eu aceitei a desculpa da filha e coloquei-me em um ponto onde podia
observar a entrada dele com o carro em sua casa. Retornei e pude intimá-lo.
As
pessoas intimadas ou citadas são agressivas com a senhora?
Algumas são. Já tive um caso, alguns anos atrás, que tive que fazer
boletim de ocorrência. Na realidade foram dois casos. Um deles foi em uma
propriedade rural, após várias idas, só consegui encontrar a pessoa a noite.
Ele me convidou a ir até o escritório e disse o que fazia com oficiais da
justiça que iam intimá-lo. Ele conseguiu me deixar muito nervosa!
É
comum a senhora solicitar o apoio policial?
No caso de busca e
apreensão de menores, veículos, vou acompanhada de força policial. Com a Lei
Maria da Penha que somos obrigados a tirar o agressor do lar, necessariamente
vou com a polícia.
A
senhora se reporta ao juiz diretamente?
Exatamente! O Oficial de
Justiça cumpre as determinações do juiz que precisam ser feitas do lado externo
do Fórum: intimações, ir até a casa da pessoa, busca e apreensão, as audiências
acontecem dentro do Fórum. Nós fazemos inclusive a parte criminal. Por incrível que pareça é bem mais fácil de
cumprir do que a cívil e a família! A pessoa que comete um crime sabe que o
Oficial da Justiça foi lá só para entregar uma intimação, não vai prendê-lo! Eles nos tratam muito bem!
Servem
até cafezinho?
Praticamente quase fazem
isso! Para o Oficial de Justiça a parte criminal é mais fácil, o que pode ficar
mais difícil é o local! Como eu trabalho em Rio das Pedras, que é uma cidade menor,
não tem locais de alta periculosidade. Por ser uma cidade pequena, as pessoas
até conhecem a gente. É diferente do Oficial de Justiça de uma cidade grande,
que tem que entrar em grandes comunidades onde tem muita violência, quando eu
fazia Piracicaba, as vezes tinha que ir em comunidade, as vezes você não
consegue entrar de carro, tem que deixar o carro estacionado, entrava sozinha.
Em Rio das Pedras é mais tranquilo! Eles nos tratam muito bem, o pessoal do
crime! Eles falam: “Tá bom dona, fique com Deus, obrigado!”. As vezes eles veem
a gente na rua e em tom amistoso perguntam: “ Tem coisa para mim hoje?”. Do
Cível e da Família é mais complicado. Imagine você ter que apreender um
veículo, ter que tirar uma criança da mãe ou do pai. Envolve mais emoção. Como
Oficial de Justiça temos notícias de outros Oficiais, de outras cidades, que já
sofreram violências, já foram atacados, foram vitimas de agressões físicas, já
sofreram sequestro relâmpago, é uma profissão de risco! Há uns 20 anos, eu
estava no começo de gravidez do meu filho, eu fui fazer a apreensão do veículo,
o rapaz não estava, a esposa dele abriu o portão fizemos normalmente a
apreensão. Só que depois eu precisei voltar lá para pegar a assinatura dele na
citação. Quando eu cheguei, ele estava voltando do serviço. Naquele momento ele
ficou sabendo da apreensão. Naquele dia eu pensei que fosse ser agredida. Ele
pegou um pedaço de pau e começou a andar em volta do meu carro.
A
senhora foi sozinha?
Quando eu fui fazer a
apreensão, fui acompanhada. Mas depois fui sozinha, só para pegar a assinatura
dele. Aquele foi dia em que mais me senti ameaçada, inclusive na minha
integridade física. Quando percebi uma oportunidade, entrei no meu carro e saí
muito rápido. Há muitas histórias e fatos, já aconteceu de a pessoa passar mal
em uma busca e apreensão. Em outra ocasião eu levei uma intimação sobre a
investigação de paternidade, o homem não estava, mas depois a esposa ficou
sabendo e a coisa estourou, a mulher ficou sabendo da infidelidade dele, quando
voltei para intimá-lo em uma nova situação do caso, a mulher estava mancando, ela
afirmou que tinha tido um derrame. Uma situação que pegou a esposa de surpresa,
foi quando um marido pediu o divórcio, eles moravam juntos, ela nem imaginava
que ele tinha feito isso. Para ela, estava normal, eles tinham tido uma crise,
mas estavam reconstruindo a relação. Quando chegou a intimação do divórcio, ela
não tinha nem ideia, eles começaram a brigar na minha frente! São situações trágico-cômicas! Teve um caso
envolvendo Pensão Alimentícia. Na petição o homem pedindo para reduzir o valor
que ele pagava de pensão alimentícia ele alegava que não tinha mais condições
de pagar aquele valor , ele tinha financiado um Honda Civic e a prestação era
alta. Era maior do que a pensão que ele pagava! É a imaturidade dessa pessoa.
Vemos a Alienação Parental, quando a mãe proíbe o filho de ver o pai porque
este não está pagando a pensão alimentícia. São fatos distintos: não pagar a pensão
e a proibição do filho ver o pai. Cada situação cabe à justiça analisar. Hoje
vemos uma situação que permite que se apenas um filho cuida dos pais idosos,
ele pode entrar na justiça para que os demais filhos participem de alguma forma
dos cuidados aos pais. No meu Instagram, genilse_guarda, tem muita coisa. No
meu site www.genilseguarda.com.br
As
redes sociais influenciaram e influenciam muito no comportamento do indivíduo?
Influenciam sob todos os
aspectos! Um deles são as postagens de amigos, conhecidos, influenciadores, que
postam imagens e lugares onde eles aparecem despertando o desejo do indivíduo
em vivenciar tudo aquilo. Entra o fator de comparação, sua vida tem que ser
perfeita igual a daquela pessoa. A meu ver isso pode ser prejudicial, a pessoa
que olha aquilo tudo entra na ilusão de que também tem que ter aquela vida.
Essa referência de rede social não é um parâmetro universal. Você fica
achando que só você tem defeitos. Só a sua vida não é boa. A rede social não
deixa de ser uma dopamina barata.
Quem
quiser conhecer um pouco mais a sua obra pode encontrar algumas publicações?
Tenho no e-book minha
publicação sobre Constelação Familiar, o Diário da Gratidão, de uma forma bem
leve é abordada a Constelação Familiar. Ele está à venda na Hot-mart.
A
senhora tem uma mensagem para quem está lendo ou nos ouvindo?
Nós somos seres humanos, ninguém é perfeito! Todo mundo tem uma dor para
resolver! Se você tem uma dor que o incomoda, tudo tem um caminho, tudo tem uma
solução. Talvez você não esteja enxergando, porque você está olhando para
aquilo com a mesma mente que criou! Você precisa ampliar o seu olhar! A terapia
com a qual trabalhamos faz com que você tenha novas percepções do mesmo fato. Busque
ajuda! Não fique no sofrimento! Aqui é uma escola onde você vai aprender a
lidar com o seu mundo interior.
sábado, outubro 17, 2026
LOG DO NASSIF - PIRACICABA - DESDE 2000. O PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS FOI TRANSMITIDO POR 10 ANOSS PELA RÁDIO EDUCADORA FM. É EDITADO PELA "A TRIBUNA PIRACICABANA" EM OFFSET E ESIÇÃO DIGITAL.
Deise Romana Dias e seu marido Erivelto Barbosa
Deise Romana Dias no Rio Piracicaba
Para a cidade de Piracicaba e seus moradores, o
Rio Piracicaba sempre teve um respeito e admiração. O Rio Piracicaba é
venerado. Muitas famílias passeiam pela orla do Rio Piracicaba. Nas
proximidades do Largo dos Pescadores, situado em frente ao Clube de Regatas de
Piracicaba, havia um trampolim com três andares, dentro do Rio Piracicaba, dali
os nadadores mais destemidos mergulhavam no rio. Com a construção do Sistema
Cantareira, cujo objetivo foi o de fornecer mais água para a cidade de São
Paulo, o volume de água do Rio Piracicaba foi afetado. A transposição de água
para a grande São Paulo ocorreu em 1974. As águas que em grande volume, desciam
pelo rio, ecoavam no silêncio da noite. Era como uma cantiga que embalava o
sono de moradores, que dormiam com as janelas abertas, na pacata Piracicaba. O primeiro clube de Piracicaba fundado em 1903 chamava-se Club Sportivo Piracicaba: Club
Sportivo Piracicaba foi fundado com o objetivo expresso de organizar diversas
modalidades atléticas, incluindo a natação, além de ciclismo, pedestrianismo e
futebol. Criada em 1903 por um grupo de rapazes e estudantes da ESALQ, a
agremiação foi o primeiro clube desportivo oficial da cidade. No início do
século XX, antes da popularização das piscinas artificiais na região, as atividades
náuticas e as competições costumavam utilizar o próprio Rio Piracicaba e as
proximidades da antiga Raia do Salto como cenário. Mais tarde, outras
agremiações tradicionais da cidade — como o histórico e hoje extinto Clube
de Regatas de Piracicaba e o Bela Vista Natação Clube — também se
estabeleceram diretamente às margens do rio, consolidando a forte cultura dos
desportos aquáticos em águas abertas na história do município. As Competições na Antiga Raia do Salto
,
localizada às margens do majestoso Rio Piracicaba, foi o verdadeiro berço das
primeiras atividades esportivas organizadas no município. No início do século
passado, as competições eram marcadas por um forte espírito de associativismo e
lazer de elite: Corridas a pé e Atletismo: A história esportiva oficial da
cidade começou em 1903 com a fundação do Club Sportivo Piracicaba. Seus
associados utilizavam o espaço plano da antiga Raia do Salto para organizar
concorridas competições de corrida. O Remo e os Esportes Náuticos: O rio tinha
outra vida e o remo tornou-se a grande sensação da cidade. Em 12 de outubro de
1907, foi fundado o histórico Clube de Regatas de Piracicaba, o primeiro grande
clube focado em esportes náuticos no município. Na Raia do Salto, as disputas
de barcos atraíam multidões que se aglomeravam nas margens para torcer pelos
remadores locais. A Transição para o Futebol: Foi também nesse contexto da Raia
do Salto que os membros do Club Sportivo Piracicaba começaram a praticar as
primeiras partidas de futebol na cidade, utilizando materiais importados
diretamente da Inglaterra.
O icônico trampolim do Rio Piracicaba, localizado na histórica Rua do Porto, foi construído no ano de 1950 e desativado por volta de 1980, após cerca de três décadas de funcionamento, quando a sua estrutura metálica, já bastante deteriorada e enferrujada, acabou por desabar. A prancha mais alta tinha 10 metros de altura. Havia cerca de 6 metros de água até o fundo do rio que era de areia. O principal idealizador e benfeitor responsável por doar a famosa estrutura de ferro ao Clube de Regatas de Piracicaba foi o Dr. Virgílio Lopes Fagundes. Durante os seus anos de atividade, o trampolim tornou-se um dos maiores pontos de encontro e lazer da juventude piracicabana, marcando gerações com os seus saltos e mergulhos acrobáticos. O Projeto Cantareira diminuiu a vazão do Rio Piracicaba, isso também contribuiu para o fim do trampolim.
Símbolos do Primeiro Clube Esportivo de Piracicaba,
fundado em 1903.
A pesca era abundante e com grande variedade de peixes. Antes de ter parte de suas águas desviadas, sem a poluição feita pelo homem nas mais variadas formas, os peixes chegavam a 80 ou até mesmo 120 quilos como o jaú, por exemplo! Para a população de indígenas que viviam em suas margens era a principal fonte de alimentação. O próprio nome Piracicaba tem como origem a definição de lugar aonde o peixe para, fazendo alusão aos cardumes que paravam junto as quedas da água. Apesar do descaso do ser humano, pelo Rio Piracicaba, a natureza com sua sabedoria, conservou muitas espécies de peixes nesse maravilhoso rio. Ainda existem muitos pescadores que praticam a pesca recreativa, descem sobre câmaras de ar (boias), passeiam de barco pelo rio. A maioria é muito consciente e respeitosa para com as águas. Entre os apaixonados pelo Rio Piracicaba, encontramos um casal, que trabalha muito, mas fazem do Rio Piracicaba e da pesca esportiva o que muitos buscam: momentos de relaxamento e paz interior. A pesca é uma forma de permanecer em um mundo de reflexão. Usam anzóis sem fisga, assim que pescam devolvem ao rio. Essa pratica aumenta muito a sobrevivência deles após a soltura. Hoje trazemos a entrevista com um casal que faz do Rio Piracicaba seu lugar predileto de lazer, “sua sala de reflexões”!
Qual é o
nome completo da senhora?
Deise Romana Dias, sou filha de José Dias e
Sebastiana Joana Ferraz Dias, nasci em Piracicaba no dia 27 de abril de
1976.
Me dirijo
ao seu marido e parceiro de pesca, qual o seu nome?
Meu nome é, natural de Piracicaba,
sou filho de Idevele Delgado Barbosa e minha mãe é Maria Aparecida Pesato.
A senhora estudou em qual escola?
Na Escola Estadual Dr. Alfredo Cardoso. Sou
secretária em uma clínica especializada da área de saúde.
E o senhor
trabalha em qual área?
Sou motorista de caminhão. Faço mais a região,
principalmente a cidade de São Paulo. Posso dizer que conheço muitos bairros de
São Paulo.
É um
trabalho estressante!
Demais! Eu transporto vassouras! Trabalho como
motorista desde 2007, antes eu trabalhava como motoboy. Tinha uma moto básica
125 a 150cc.
Há
motoboys que afirmam que um dos fatores que motiva o trabalho é a emoção, mais
propriamente a adrenalina! O senhor fez uma bela troca, porque os riscos da
motocicleta são maiores!
O que eu posso afirmar é que a estrada não fica
longe da cidade não! A estrada não é a maravilha que a gente vê!
Sob o seu
ponto de vista, quem é o maior problema, o motorista profissional ou o particular?
Infelizmente é o motorista “de
feriado”! O chamado “domingueiro”. Esse é o motorista mais perigoso! O ato de
dirigir um carro dentro da cidade é uma situação. Dirigir em uma rodovia é uma
situação totalmente diferente. As viagens mais longas que eu faço são para Goiânia,
Belo Horizonte, Santa Catarina. A meu ver, a alimentação com maior avaliação é
em Minas Gerais. A qualidade, a relação custo e benefício. Minas Gerais está em
vantagem. Do Sul de Minas até Belo Horizonte são as melhores refeições para
quem viaja.
A Senhora
em seu trabalho atende as mais diversas situações de humor dos pacientes, desde
aquele que é atencioso até os mais tensos. Essa diversidade de humor exige uma
conduta muito profissional?
É necessário entender que ninguém vai ao médico
por absoluto lazer! Ela por maior que seja seu autocontrole é antes de mais
nada um ser humano sensível. É necessário ter empatia. É muito natural que isso
exija muita dedicação.
A senhora
trabalha em uma das clínicas mais procuradas em sua especialidade, o telefone é
o canal de comunicação muito acionado?
Sem dúvida! Nossos pacientes
utilizam muito o Whats App, isso requer uma atenção constante para não cometer
falhas. Alguns perguntam informações que
só o médico pode dar, e às vezes ele está realizando algum exame de precisão,
não pode ser interrompido. Saber como administrar essas situações exige bom
senso, autocontrole e atenção ao paciente.
A quanto
tempo a senhora está na área da saúde?
Já faz uns 30 anos! Trabalhei com
outras especialidades também!
Qual delas
foi a de maior envolvimento emocional?
O envolvimento emocional é um fator humano que
podemos controlar. Nunca deixamos de sentir. Mas ele é mais forte e pesado na
oncologia. Atualmente existem medicamentos e procedimentos que na minha época
ainda estavam em estudos. Houve uma evolução significativa. Eu trabalhei na
área que tratava de câncer de mama. Era voltado às mulheres. Uma informação
importante, que muitos desconhecem, o câncer de mama pode ocorrer em homens de
hábitos normais. Lá nós tínhamos 3 homens sendo tratados.
O senhor
trabalha com ajudante?
Trabalho com ajudante, para descarregar a
mercadoria, a fábrica tem funcionários para carregarem o caminhão. Trabalho
sempre para a mesma empresa.
São
vassouras de palha?
São vassouras de plástico, A vassoura de palha,
conhecida como “vassoura caipira,”, é feita manualmente, está em processo de
extinção. Atualmente o consumo de vassouras é muito alto. Só quem está
trabalhando com isso para saber.
Vocês dois
partilham de uma soma de lazer em comum?
No cotidiano após o trabalho de cada um de nós,
temos nossos afazeres domésticos. O nosso relaxamento, os momentos de reflexão,
são vividos na pescaria. Ela é um fator importante em nossa vida, ambos temos o
prazer de estar junto as águas do Rio Piracicaba.
Como foi
essa descoberta de que ambos gostavam de pescar?
Deise responde:
“Desde criança eu já gostava muito de ir até o Rio Piracicaba, na Rua do Porto.
Depois mais jovem, ia fazer piquenique na área de Lazer, com uma varinha ficava
pescando e assim fui adquirindo o gosto! Com o tempo fui me aperfeiçoando. Quando
conheci o meu marido ele também gostava de pescar. Passamos a aprimorar nossos
equipamentos, técnicas, e progredimos muito, sempre tendo o hobby da pescaria
como momentos de reflexão, a pesca em si sempre foi uma motivação.
Vocês se
conheceram durante alguma pescaria?
Nos conhecemos
próximo a casa da minha mãe. Fomos dar uma volta pela Rua do Porto, vimos o
pessoal pescando, como cada um de nós já tinha vara de pesca, voltamos para as
respectivas casas e fomos ao rio. Juntamo-nos ao pessoal que estava pescando.
O senhor
começou com pescaria quando?
Desde menino! Com uns 10 para 11 anos de idade!
Você morava aonde?
No bairro da Paulista, próximo à Praça Takaki.
Nós íamos nadar no Rio Piracicaba, onde havia restado o concreto do trampolim
que tinham tirado de lá. Ia com os amigos, quando não ia nadar ia pescar.
Nadava no Rio Piracicaba, mas nunca atravessei o rio nadando.
Esses
banhos de rio, possivelmente não eram aprovados pelas mães, como o senhor fazia
para chegar com a roupa molhada em casa?
Só chegava em casa quando a roupa já estava seca! Eu sabia a que horas a
minha mãe chegava do serviço, calculava o tempo que demorava para secar o
calção, e quando chegava em casa estava seco! Nós íamos nadar após o almoço.
Pegava minha bicicleta Caloi Cross e ia para o rio. Meus amigos já pescavam. Naquela
época o Rio Piracicaba tinha mais água e tinha mais peixe.
Qual era o tipo de peixe mais comum no Rio Piracicaba?
Antigamente era o lambari e a tilápia.
E peixe grande?
Hoje é o dourado! A gente vê os
pintados que sobem o rio.
Há uma lenda de que os pescadores as vezes exageram no tamanho
e peso do peixe que ele pescou, feita essa ressalva qual foi o maior peixe que
o senhor pescou?
É o que dizem, que pescador e motorista de
caminhão as vezes exageram um pouco nos seus feitos. O maior peixe que pesquei
foi um dourado com peso entre 5 e 6 quilos.
E a
senhora, qual foi o maior peixe que a senhora pescou?
Também foi um dourado, só que um pouco mais
pesado que o que meu marido pescou! Uma média entre 6 a 7 quilos.
Vocês costumam
pescar todos os finais de semana?
Vamos pescar todos os finais de semana!
Qual é o
melhor horário para pescar?
As
5:30 da manhã é o horário em que os dourados começam a aparecer, sendo que
entre 6:00 e 6:30 estão mais ativos! Também no finalzinho da tarde eles se
movimentam bem.
Tem um período em que a pesca é proibida?
Sim,
tem. É de 1º de novembro a 28 de fevereiro. É o período de reprodução deles.
Atualmente o rio está bem cheio, para pescar é bom ou é ruim?
Agora é uma época boa para pescar! Os peixes
começam a subir o rio. Os curimbatás são os peixes que mais pulam o Salto do
Rio Piracicaba, eles querem subir para desovar. Já os dourados não pulam.
Vocês pescam
em barranco ou usam barco?
Mais de barranco e nas corredeiras! E dentro da
água, nas corredeiras. Depende do tipo da pesca, se for um dia em que fomos
pescar curimba, tilápia, mandi, então é de barranco. Se for pegar pacu,
dourado, então é na corredeira. Está aparecendo bastante jurupensém. É um peixe
que tem mais cabeça do que corpo, ele lembra muito o pintado, só que é pequeno.
O cascudo existe em abundância.
Qual é o
peixe predileto para vocês?
Nós não comemos peixe! Nós soltamos de volta
para o rio. Nós pescamos para relaxar,
Mas o
anzol não machuca o peixe?
Usamos anzol sem a
fisga, O peixe é solto e recupera-se rapidamente. Mesmo o trauma do peixe é
significativamente menor.
O
equipamento de pesca atualmente é bem diferente da antiga varinha de bambu?
Hoje usamos vara de fibra de carbono, são
extremamente leves, transmite com sensibilidade a mordida do peixe, a
tecnologia da pescaria avançou muito. É um esporte com equipamentos caros. A
pesca esportiva usa isca artificial, que tem peso próprio, a linha é solta pela
carretilha. Para pescar o dourado o melhor tipo de isca é a isca viva, a tuvira
é muito utilizada. Pode ser comprada ou ir buscar em algum ribeirãozinho.
E a ceva é
realizada?
Sim! A ceva é a alimentação regular até formar um
cardume. Ela é feita uns dias antes com milho azedo, trigo, quirela de milho.
Pode
acontecer de alguém fazer a ceva por vários dias, e outra pessoa, até mesmo
desavisada, acabar fazendo a pescaria?
Pode acontecer! Não existe uma demarcação legal
que os peixes que estão ali pertencem a quem os alimentou! A saída é chegar
cedo, ou necessariamente perde o lugar. Tem pessoas que até acampam junto ao
local onde estão cevando os peixes!
E a alimentação, o que vocês comem quando
estão pescando durante horas?
Fazemos um
churrasco! Agora tem um fogãozinho, onde é feito um arroz, um bifinho! Para o
pessoal que vai junto e gosta de peixe, fritamos um peixinho.
Ali na
área de Lazer, em frente à prefeitura, tem um lago, que depois de uma enchente
criou muita piranha?
Ainda tem! O
próprio Rio Piracicaba tem muita piranha.
Em termos
de aproveitamento como alimentação a piranha tem alguma função?
Tem gente que faz caldo de piranha. No mês
passado pegamos várias delas.
Mais ou
menos quanto tempo vocês permanecem dentro do rio, ou na beira pescando?
O dia todo! A gente não sai da água nem para
comer! Você não sente a fome! É surreal! Só quem passa por isso sente. A gente
sai com a cabeça LEVE! Já dá vontade de voltar!
Sem dúvida isso é um privilégio de
vocês! O pessoal que mora em uma cidade grande, como São Paulo por exemplo, embora
tenha vários rios cortando a cidade, não são propícios a pesca devido à grande
poluição de suas águas.
Há uns três meses, conheci um rapaz em um local
onde fui fazer uma entrega, eu estava conversando com um colega sobre pesca,
esse rapaz disse-nos: “Pesca é comigo mesmo! Você pesca aonde?” Disse-lhe que
era no Rio Piracicaba. Expliquei para ele, dei o meu endereço, ele disse: “Eu
vou lá!”. Eu achei que ele não viria. Ele veio! Ele, a mulher e duas crianças!
Se apaixonaram! Ficaram dois dias!
Vocês costumam
frequentar os locais denominado Pesque e Pague?
Só vamos quando a pesca no rio está fechada. Mas
a sensação do rio é outra! O rio é mais misterioso!
A
pescaria, principalmente pelo ambiente sereno, ainda não foi descoberta como
terapia, por pessoas que exercem profissões estressantes?
Acredito que
muitas pessoas da classe média alta, se tivessem mais contato com a natureza
teriam menos problemas ligados ao stress. As vezes nós saímos as 10 horas da
noite, vamos até o rio, nós temos um cantinho no Rio Piracicaba e vamos pescar,
ficamos até umas 3 horas da madrugada.
Vocês não tem um certo receio, em
estar de madrugada, só os dois, naquela imensidão?
Estamos
em paz com tudo! E pega peixe na madrugada também!
E a Festa
do Divino, vocês participam?
Nós vamos todos os anos. Deise explica
que antes ia muito nos sítios, onde havia os Encontros do Divino. Com o tempo
parei de ir. Mas nós dois todos os anos estamos ali, nos encontros dos barcos,
na missa. Os festeiros promoviam a
Festa do Divino, e os Irmãos do Divino passavam sobre várias pessoas que
ficavam deitadas, a uma distância de um metro uma da outra, cobertas por um
lençol branco. Era a promessa feita por uma graça alcançada. Justino (Nego)
Oriani, tinha uma forte ligação com a Irmandade do Divino, ali na Rua Jorge
Pacheco Chaves ele recebia os Irmãos do Divino, e havia na calçada a procissão
onde os Irmãos do Divino passavam entre os penitentes deitados e cobertos .
Essa cerimônia ainda existe nos sítios.
A relação do álcool com pescaria ainda persiste?
Quando tem pessoas assim, nós evitamos, vamos para outro local. A
relação rio e álcool é extremamente perigosa. Infelizmente presenciamos mais de
um caso em que a pessoa embriagada perde a noção do perigo e acaba perdendo a
vida. Nós não bebemos nem refrigerante, só água com gás. Gostamos de pescar em
uma corredeira que fica no meio do rio. As vezes chega um pessoal com bebida alcoólica,
nós recolhemos tudo e vamos embora para outro local.
Vocês costumam passear de boia?
Todos os anos nós vamos! Com a boia, colete, vamos até o Gran Park,
perto da Balbo. Geralmente vai até Ártemis, nós paramos antes.
Ártemis é bom para pescar?
É bom sim! Pega-se bastante curimba.
O sonho de vocês é ter um barco?
Deise responde que sim, e afirma que Erivelto tem um caiaque, uma versão menor do antigo “Sandolim”
que povoa o Clube de Regatas de Piracicaba. Esse modelo de caiaque é para
navegar sentado e remando.
Vocês têm
filhos?
Deise responde, temos. Com ele eu tenho uma
menina. E de outro casamento anterior eu tenho três. Portanto temos quatro
filhos. A mais velha é a Caroline, o segundo chama-se Lucas, a Larissa, que é
outra pescadora e a Fernanda. A Larissa está com 27 anos, casada, o marido não
gosta de pesca, ela hoje está pescando! A Fernanda que é a mais nova, também
não gosta de pescar. A minha netinha, a Lívia, tem interesse em pesca, gosta,
aos pouquinhos estou mostrando para ela. A Lívia é filha da Caroline. As minhas
coisas de pescaria vão ficar tudo para ela!
Vocês já
viram pescador de objetos perdidos no Rio Piracicaba?
Sim! Tem um rapaz que vai lá no rio e ele faz isso! Ele fica em cima da
ponte e na ponta de uma corda tem um imã, quando percebe que pegou algo ele
puxa a corda e o objeto que estava no leito do rio é “pescado”. Tudo que for de
metal ele consegue trazer. Inclusive armas que foram descartadas, nesse caso
ele aciona a polícia, quadro de motos roubadas, também aciona a polícia. Mas
consegue objetos de pequeno valor, que caíram ou foram descartados. É um hobby.
Existe um
local determinado para cada pescador?
Formalmente não, mesmo porque é uma área pública.
Há uma regra de comportamento, quando o pescador frequenta o seu cantinho, se
ele for assíduo, ou seja periodicamente ele estará naquele local, informalmente
há um respeito, ele formou o que chamam de “ponto”. Nenhum pescador gosta de
passar o seu ponto para outro. É uma regra estabelecida pelo costume. Se ele
deixa de frequentar por muito tempo está sujeito a perder o seu “ponto”.
A pesca é
livre no Rio Piracicaba?
Do Salto ou Mirante,
até a Ponte de Ferro de Artemis a pesca é proibida. Nós pescamos perto de
Artemis. Do centro até lá tem uns 15 quilômetros. È proibido por causa da
existência de cachoeiras, corredeiras, locais de desova e acumulo de peixes.
Essa proibição é regulada por legislação federal. Essa Surgiu por Instrução
Normativa número 26 do IBAMA em 2009.
Tem alguma
mensagem que vocês gostariam de deixar?
A mensagem que eu deixo é para quem está no
rio, gosta de pescar leve o seu saquinho, coloque dentro dele tudo que for
descartar, inclusive latas de bebida, garrafas plásticas, , não deixe nada que
possa poluir o rio.
Vocês já pegaram objetos estranhos no rio?
Infelizmente
sim! Sapato, sapatão, espuma, travesseiro, coco. Esses dias teve um passeio de
caiaque, foram limitados 40 caiaques, que faziam parte de um trabalho de
conscientização sobre manter o rio limpo.
O passeio de boia teve cerca de 10.000 participantes. O passeio de boia
é sempre no último domingo do mês de janeiro. O passeio de boia exige o uso de
colete salva-vidas. O fato de não ser regularizada, a descida de boia é feita
por pessoas que ingerem bebida alcoólica em excesso.
Vocês logo que se casaram moraram nas proximidades do Cemitério
da Saudade?
Nós moramos bem ao lado do cemitério, numa
rua sem saída, que terminava junto ao muro dele. Moramos ali de 5 a 6 anos.
E qual é a sensação de ter o cemitério praticamente como
vizinho?
Normal!
A única coisa ruim eram os escorpiões! Tinha dia em que passávamos produto para
exterminá-los, pegávamos de 15 a 20 deles. Dentro da minha casa cheguei a pegar
uns 10! O escorpião é da noite, e a barata também é da noite, morávamos a uns
30 metros do muro do cemitério. O que causa terror não são os mortos que estão
sepultados lá e sim os escorpiões! Infelizmente não há um controle sobre eles.
Quando chove a água desce em direção a rua, as vezes chegava a estourar o muro,
os escorpiões vinham todos para a rua também. Só quem mora ali sabe o quanto é
perigoso.
Vocês pescaram algum peixe estranho?
Não. O
que tinha muito no Rio Piracicaba era a lontra, depois dessa mortandade de
peixes não vimos mais nenhuma !
ALGUMAS FOTOGRAFIAS DE Deise
Romana Dias NO Rio Piracicaba.
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