LOG DO NASSIF - PIRACICABA - DESDE 2000. O PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS FOI TRANSMITIDO POR 10 ANOSS PELA RÁDIO EDUCADORA FM. É EDITADO PELA "A TRIBUNA PIRACICABANA" EM OFFSET E ESIÇÃO DIGITAL.
Deise Romana Dias e seu marido Erivelto Barbosa
Deise Romana Dias no Rio Piracicaba
Para a cidade de Piracicaba e seus moradores, o
Rio Piracicaba sempre teve um respeito e admiração. O Rio Piracicaba é
venerado. Muitas famílias passeiam pela orla do Rio Piracicaba. Nas
proximidades do Largo dos Pescadores, situado em frente ao Clube de Regatas de
Piracicaba, havia um trampolim com três andares, dentro do Rio Piracicaba, dali
os nadadores mais destemidos mergulhavam no rio. Com a construção do Sistema
Cantareira, cujo objetivo foi o de fornecer mais água para a cidade de São
Paulo, o volume de água do Rio Piracicaba foi afetado. A transposição de água
para a grande São Paulo ocorreu em 1974. As águas que em grande volume, desciam
pelo rio, ecoavam no silêncio da noite. Era como uma cantiga que embalava o
sono de moradores, que dormiam com as janelas abertas, na pacata Piracicaba. O primeiro clube de Piracicaba fundado em 1903 chamava-se Club Sportivo Piracicaba: Club
Sportivo Piracicaba foi fundado com o objetivo expresso de organizar diversas
modalidades atléticas, incluindo a natação, além de ciclismo, pedestrianismo e
futebol. Criada em 1903 por um grupo de rapazes e estudantes da ESALQ, a
agremiação foi o primeiro clube desportivo oficial da cidade. No início do
século XX, antes da popularização das piscinas artificiais na região, as atividades
náuticas e as competições costumavam utilizar o próprio Rio Piracicaba e as
proximidades da antiga Raia do Salto como cenário. Mais tarde, outras
agremiações tradicionais da cidade — como o histórico e hoje extinto Clube
de Regatas de Piracicaba e o Bela Vista Natação Clube — também se
estabeleceram diretamente às margens do rio, consolidando a forte cultura dos
desportos aquáticos em águas abertas na história do município. As Competições na Antiga Raia do Salto
,
localizada às margens do majestoso Rio Piracicaba, foi o verdadeiro berço das
primeiras atividades esportivas organizadas no município. No início do século
passado, as competições eram marcadas por um forte espírito de associativismo e
lazer de elite: Corridas a pé e Atletismo: A história esportiva oficial da
cidade começou em 1903 com a fundação do Club Sportivo Piracicaba. Seus
associados utilizavam o espaço plano da antiga Raia do Salto para organizar
concorridas competições de corrida. O Remo e os Esportes Náuticos: O rio tinha
outra vida e o remo tornou-se a grande sensação da cidade. Em 12 de outubro de
1907, foi fundado o histórico Clube de Regatas de Piracicaba, o primeiro grande
clube focado em esportes náuticos no município. Na Raia do Salto, as disputas
de barcos atraíam multidões que se aglomeravam nas margens para torcer pelos
remadores locais. A Transição para o Futebol: Foi também nesse contexto da Raia
do Salto que os membros do Club Sportivo Piracicaba começaram a praticar as
primeiras partidas de futebol na cidade, utilizando materiais importados
diretamente da Inglaterra.
O icônico trampolim do Rio Piracicaba, localizado na histórica Rua do Porto, foi construído no ano de 1950 e desativado por volta de 1980, após cerca de três décadas de funcionamento, quando a sua estrutura metálica, já bastante deteriorada e enferrujada, acabou por desabar. A prancha mais alta tinha 10 metros de altura. Havia cerca de 6 metros de água até o fundo do rio que era de areia. O principal idealizador e benfeitor responsável por doar a famosa estrutura de ferro ao Clube de Regatas de Piracicaba foi o Dr. Virgílio Lopes Fagundes. Durante os seus anos de atividade, o trampolim tornou-se um dos maiores pontos de encontro e lazer da juventude piracicabana, marcando gerações com os seus saltos e mergulhos acrobáticos. O Projeto Cantareira diminuiu a vazão do Rio Piracicaba, isso também contribuiu para o fim do trampolim.
Símbolos do Primeiro Clube Esportivo de Piracicaba,
fundado em 1903.
A pesca era abundante e com grande variedade de peixes. Antes de ter parte de suas águas desviadas, sem a poluição feita pelo homem nas mais variadas formas, os peixes chegavam a 80 ou até mesmo 120 quilos como o jaú, por exemplo! Para a população de indígenas que viviam em suas margens era a principal fonte de alimentação. O próprio nome Piracicaba tem como origem a definição de lugar aonde o peixe para, fazendo alusão aos cardumes que paravam junto as quedas da água. Apesar do descaso do ser humano, pelo Rio Piracicaba, a natureza com sua sabedoria, conservou muitas espécies de peixes nesse maravilhoso rio. Ainda existem muitos pescadores que praticam a pesca recreativa, descem sobre câmaras de ar (boias), passeiam de barco pelo rio. A maioria é muito consciente e respeitosa para com as águas. Entre os apaixonados pelo Rio Piracicaba, encontramos um casal, que trabalha muito, mas fazem do Rio Piracicaba e da pesca esportiva o que muitos buscam: momentos de relaxamento e paz interior. A pesca é uma forma de permanecer em um mundo de reflexão. Usam anzóis sem fisga, assim que pescam devolvem ao rio. Essa pratica aumenta muito a sobrevivência deles após a soltura. Hoje trazemos a entrevista com um casal que faz do Rio Piracicaba seu lugar predileto de lazer, “sua sala de reflexões”!
Qual é o
nome completo da senhora?
Deise Romana Dias, sou filha de José Dias e
Sebastiana Joana Ferraz Dias, nasci em Piracicaba no dia 27 de abril de
1976.
Me dirijo
ao seu marido e parceiro de pesca, qual o seu nome?
Meu nome é, natural de Piracicaba,
sou filho de Idevele Delgado Barbosa e minha mãe é Maria Aparecida Pesato.
A senhora estudou em qual escola?
Na Escola Estadual Dr. Alfredo Cardoso. Sou
secretária em uma clínica especializada da área de saúde.
E o senhor
trabalha em qual área?
Sou motorista de caminhão. Faço mais a região,
principalmente a cidade de São Paulo. Posso dizer que conheço muitos bairros de
São Paulo.
É um
trabalho estressante!
Demais! Eu transporto vassouras! Trabalho como
motorista desde 2007, antes eu trabalhava como motoboy. Tinha uma moto básica
125 a 150cc.
Há
motoboys que afirmam que um dos fatores que motiva o trabalho é a emoção, mais
propriamente a adrenalina! O senhor fez uma bela troca, porque os riscos da
motocicleta são maiores!
O que eu posso afirmar é que a estrada não fica
longe da cidade não! A estrada não é a maravilha que a gente vê!
Sob o seu
ponto de vista, quem é o maior problema, o motorista profissional ou o particular?
Infelizmente é o motorista “de
feriado”! O chamado “domingueiro”. Esse é o motorista mais perigoso! O ato de
dirigir um carro dentro da cidade é uma situação. Dirigir em uma rodovia é uma
situação totalmente diferente. As viagens mais longas que eu faço são para Goiânia,
Belo Horizonte, Santa Catarina. A meu ver, a alimentação com maior avaliação é
em Minas Gerais. A qualidade, a relação custo e benefício. Minas Gerais está em
vantagem. Do Sul de Minas até Belo Horizonte são as melhores refeições para
quem viaja.
A Senhora
em seu trabalho atende as mais diversas situações de humor dos pacientes, desde
aquele que é atencioso até os mais tensos. Essa diversidade de humor exige uma
conduta muito profissional?
É necessário entender que ninguém vai ao médico
por absoluto lazer! Ela por maior que seja seu autocontrole é antes de mais
nada um ser humano sensível. É necessário ter empatia. É muito natural que isso
exija muita dedicação.
A senhora
trabalha em uma das clínicas mais procuradas em sua especialidade, o telefone é
o canal de comunicação muito acionado?
Sem dúvida! Nossos pacientes
utilizam muito o Whats App, isso requer uma atenção constante para não cometer
falhas. Alguns perguntam informações que
só o médico pode dar, e às vezes ele está realizando algum exame de precisão,
não pode ser interrompido. Saber como administrar essas situações exige bom
senso, autocontrole e atenção ao paciente.
A quanto
tempo a senhora está na área da saúde?
Já faz uns 30 anos! Trabalhei com
outras especialidades também!
Qual delas
foi a de maior envolvimento emocional?
O envolvimento emocional é um fator humano que
podemos controlar. Nunca deixamos de sentir. Mas ele é mais forte e pesado na
oncologia. Atualmente existem medicamentos e procedimentos que na minha época
ainda estavam em estudos. Houve uma evolução significativa. Eu trabalhei na
área que tratava de câncer de mama. Era voltado às mulheres. Uma informação
importante, que muitos desconhecem, o câncer de mama pode ocorrer em homens de
hábitos normais. Lá nós tínhamos 3 homens sendo tratados.
O senhor
trabalha com ajudante?
Trabalho com ajudante, para descarregar a
mercadoria, a fábrica tem funcionários para carregarem o caminhão. Trabalho
sempre para a mesma empresa.
São
vassouras de palha?
São vassouras de plástico, A vassoura de palha,
conhecida como “vassoura caipira,”, é feita manualmente, está em processo de
extinção. Atualmente o consumo de vassouras é muito alto. Só quem está
trabalhando com isso para saber.
Vocês dois
partilham de uma soma de lazer em comum?
No cotidiano após o trabalho de cada um de nós,
temos nossos afazeres domésticos. O nosso relaxamento, os momentos de reflexão,
são vividos na pescaria. Ela é um fator importante em nossa vida, ambos temos o
prazer de estar junto as águas do Rio Piracicaba.
Como foi
essa descoberta de que ambos gostavam de pescar?
Deise responde:
“Desde criança eu já gostava muito de ir até o Rio Piracicaba, na Rua do Porto.
Depois mais jovem, ia fazer piquenique na área de Lazer, com uma varinha ficava
pescando e assim fui adquirindo o gosto! Com o tempo fui me aperfeiçoando. Quando
conheci o meu marido ele também gostava de pescar. Passamos a aprimorar nossos
equipamentos, técnicas, e progredimos muito, sempre tendo o hobby da pescaria
como momentos de reflexão, a pesca em si sempre foi uma motivação.
Vocês se
conheceram durante alguma pescaria?
Nos conhecemos
próximo a casa da minha mãe. Fomos dar uma volta pela Rua do Porto, vimos o
pessoal pescando, como cada um de nós já tinha vara de pesca, voltamos para as
respectivas casas e fomos ao rio. Juntamo-nos ao pessoal que estava pescando.
O senhor
começou com pescaria quando?
Desde menino! Com uns 10 para 11 anos de idade!
Você morava aonde?
No bairro da Paulista, próximo à Praça Takaki.
Nós íamos nadar no Rio Piracicaba, onde havia restado o concreto do trampolim
que tinham tirado de lá. Ia com os amigos, quando não ia nadar ia pescar.
Nadava no Rio Piracicaba, mas nunca atravessei o rio nadando.
Esses
banhos de rio, possivelmente não eram aprovados pelas mães, como o senhor fazia
para chegar com a roupa molhada em casa?
Só chegava em casa quando a roupa já estava seca! Eu sabia a que horas a
minha mãe chegava do serviço, calculava o tempo que demorava para secar o
calção, e quando chegava em casa estava seco! Nós íamos nadar após o almoço.
Pegava minha bicicleta Caloi Cross e ia para o rio. Meus amigos já pescavam. Naquela
época o Rio Piracicaba tinha mais água e tinha mais peixe.
Qual era o tipo de peixe mais comum no Rio Piracicaba?
Antigamente era o lambari e a tilápia.
E peixe grande?
Hoje é o dourado! A gente vê os
pintados que sobem o rio.
Há uma lenda de que os pescadores as vezes exageram no tamanho
e peso do peixe que ele pescou, feita essa ressalva qual foi o maior peixe que
o senhor pescou?
É o que dizem, que pescador e motorista de
caminhão as vezes exageram um pouco nos seus feitos. O maior peixe que pesquei
foi um dourado com peso entre 5 e 6 quilos.
E a
senhora, qual foi o maior peixe que a senhora pescou?
Também foi um dourado, só que um pouco mais
pesado que o que meu marido pescou! Uma média entre 6 a 7 quilos.
Vocês costumam
pescar todos os finais de semana?
Vamos pescar todos os finais de semana!
Qual é o
melhor horário para pescar?
As
5:30 da manhã é o horário em que os dourados começam a aparecer, sendo que
entre 6:00 e 6:30 estão mais ativos! Também no finalzinho da tarde eles se
movimentam bem.
Tem um período em que a pesca é proibida?
Sim,
tem. É de 1º de novembro a 28 de fevereiro. É o período de reprodução deles.
Atualmente o rio está bem cheio, para pescar é bom ou é ruim?
Agora é uma época boa para pescar! Os peixes
começam a subir o rio. Os curimbatás são os peixes que mais pulam o Salto do
Rio Piracicaba, eles querem subir para desovar. Já os dourados não pulam.
Vocês pescam
em barranco ou usam barco?
Mais de barranco e nas corredeiras! E dentro da
água, nas corredeiras. Depende do tipo da pesca, se for um dia em que fomos
pescar curimba, tilápia, mandi, então é de barranco. Se for pegar pacu,
dourado, então é na corredeira. Está aparecendo bastante jurupensém. É um peixe
que tem mais cabeça do que corpo, ele lembra muito o pintado, só que é pequeno.
O cascudo existe em abundância.
Qual é o
peixe predileto para vocês?
Nós não comemos peixe! Nós soltamos de volta
para o rio. Nós pescamos para relaxar,
Mas o
anzol não machuca o peixe?
Usamos anzol sem a
fisga, O peixe é solto e recupera-se rapidamente. Mesmo o trauma do peixe é
significativamente menor.
O
equipamento de pesca atualmente é bem diferente da antiga varinha de bambu?
Hoje usamos vara de fibra de carbono, são
extremamente leves, transmite com sensibilidade a mordida do peixe, a
tecnologia da pescaria avançou muito. É um esporte com equipamentos caros. A
pesca esportiva usa isca artificial, que tem peso próprio, a linha é solta pela
carretilha. Para pescar o dourado o melhor tipo de isca é a isca viva, a tuvira
é muito utilizada. Pode ser comprada ou ir buscar em algum ribeirãozinho.
E a ceva é
realizada?
Sim! A ceva é a alimentação regular até formar um
cardume. Ela é feita uns dias antes com milho azedo, trigo, quirela de milho.
Pode
acontecer de alguém fazer a ceva por vários dias, e outra pessoa, até mesmo
desavisada, acabar fazendo a pescaria?
Pode acontecer! Não existe uma demarcação legal
que os peixes que estão ali pertencem a quem os alimentou! A saída é chegar
cedo, ou necessariamente perde o lugar. Tem pessoas que até acampam junto ao
local onde estão cevando os peixes!
E a alimentação, o que vocês comem quando
estão pescando durante horas?
Fazemos um
churrasco! Agora tem um fogãozinho, onde é feito um arroz, um bifinho! Para o
pessoal que vai junto e gosta de peixe, fritamos um peixinho.
Ali na
área de Lazer, em frente à prefeitura, tem um lago, que depois de uma enchente
criou muita piranha?
Ainda tem! O
próprio Rio Piracicaba tem muita piranha.
Em termos
de aproveitamento como alimentação a piranha tem alguma função?
Tem gente que faz caldo de piranha. No mês
passado pegamos várias delas.
Mais ou
menos quanto tempo vocês permanecem dentro do rio, ou na beira pescando?
O dia todo! A gente não sai da água nem para
comer! Você não sente a fome! É surreal! Só quem passa por isso sente. A gente
sai com a cabeça LEVE! Já dá vontade de voltar!
Sem dúvida isso é um privilégio de
vocês! O pessoal que mora em uma cidade grande, como São Paulo por exemplo, embora
tenha vários rios cortando a cidade, não são propícios a pesca devido à grande
poluição de suas águas.
Há uns três meses, conheci um rapaz em um local
onde fui fazer uma entrega, eu estava conversando com um colega sobre pesca,
esse rapaz disse-nos: “Pesca é comigo mesmo! Você pesca aonde?” Disse-lhe que
era no Rio Piracicaba. Expliquei para ele, dei o meu endereço, ele disse: “Eu
vou lá!”. Eu achei que ele não viria. Ele veio! Ele, a mulher e duas crianças!
Se apaixonaram! Ficaram dois dias!
Vocês costumam
frequentar os locais denominado Pesque e Pague?
Só vamos quando a pesca no rio está fechada. Mas
a sensação do rio é outra! O rio é mais misterioso!
A
pescaria, principalmente pelo ambiente sereno, ainda não foi descoberta como
terapia, por pessoas que exercem profissões estressantes?
Acredito que
muitas pessoas da classe média alta, se tivessem mais contato com a natureza
teriam menos problemas ligados ao stress. As vezes nós saímos as 10 horas da
noite, vamos até o rio, nós temos um cantinho no Rio Piracicaba e vamos pescar,
ficamos até umas 3 horas da madrugada.
Vocês não tem um certo receio, em
estar de madrugada, só os dois, naquela imensidão?
Estamos
em paz com tudo! E pega peixe na madrugada também!
E a Festa
do Divino, vocês participam?
Nós vamos todos os anos. Deise explica
que antes ia muito nos sítios, onde havia os Encontros do Divino. Com o tempo
parei de ir. Mas nós dois todos os anos estamos ali, nos encontros dos barcos,
na missa. Os festeiros promoviam a
Festa do Divino, e os Irmãos do Divino passavam sobre várias pessoas que
ficavam deitadas, a uma distância de um metro uma da outra, cobertas por um
lençol branco. Era a promessa feita por uma graça alcançada. Justino (Nego)
Oriani, tinha uma forte ligação com a Irmandade do Divino, ali na Rua Jorge
Pacheco Chaves ele recebia os Irmãos do Divino, e havia na calçada a procissão
onde os Irmãos do Divino passavam entre os penitentes deitados e cobertos .
Essa cerimônia ainda existe nos sítios.
A relação do álcool com pescaria ainda persiste?
Quando tem pessoas assim, nós evitamos, vamos para outro local. A
relação rio e álcool é extremamente perigosa. Infelizmente presenciamos mais de
um caso em que a pessoa embriagada perde a noção do perigo e acaba perdendo a
vida. Nós não bebemos nem refrigerante, só água com gás. Gostamos de pescar em
uma corredeira que fica no meio do rio. As vezes chega um pessoal com bebida alcoólica,
nós recolhemos tudo e vamos embora para outro local.
Vocês costumam passear de boia?
Todos os anos nós vamos! Com a boia, colete, vamos até o Gran Park,
perto da Balbo. Geralmente vai até Ártemis, nós paramos antes.
Ártemis é bom para pescar?
É bom sim! Pega-se bastante curimba.
O sonho de vocês é ter um barco?
Deise responde que sim, e afirma que Erivelto tem um caiaque, uma versão menor do antigo “Sandolim”
que povoa o Clube de Regatas de Piracicaba. Esse modelo de caiaque é para
navegar sentado e remando.
Vocês têm
filhos?
Deise responde, temos. Com ele eu tenho uma
menina. E de outro casamento anterior eu tenho três. Portanto temos quatro
filhos. A mais velha é a Caroline, o segundo chama-se Lucas, a Larissa, que é
outra pescadora e a Fernanda. A Larissa está com 27 anos, casada, o marido não
gosta de pesca, ela hoje está pescando! A Fernanda que é a mais nova, também
não gosta de pescar. A minha netinha, a Lívia, tem interesse em pesca, gosta,
aos pouquinhos estou mostrando para ela. A Lívia é filha da Caroline. As minhas
coisas de pescaria vão ficar tudo para ela!
Vocês já
viram pescador de objetos perdidos no Rio Piracicaba?
Sim! Tem um rapaz que vai lá no rio e ele faz isso! Ele fica em cima da
ponte e na ponta de uma corda tem um imã, quando percebe que pegou algo ele
puxa a corda e o objeto que estava no leito do rio é “pescado”. Tudo que for de
metal ele consegue trazer. Inclusive armas que foram descartadas, nesse caso
ele aciona a polícia, quadro de motos roubadas, também aciona a polícia. Mas
consegue objetos de pequeno valor, que caíram ou foram descartados. É um hobby.
Existe um
local determinado para cada pescador?
Formalmente não, mesmo porque é uma área pública.
Há uma regra de comportamento, quando o pescador frequenta o seu cantinho, se
ele for assíduo, ou seja periodicamente ele estará naquele local, informalmente
há um respeito, ele formou o que chamam de “ponto”. Nenhum pescador gosta de
passar o seu ponto para outro. É uma regra estabelecida pelo costume. Se ele
deixa de frequentar por muito tempo está sujeito a perder o seu “ponto”.
A pesca é
livre no Rio Piracicaba?
Do Salto ou Mirante,
até a Ponte de Ferro de Artemis a pesca é proibida. Nós pescamos perto de
Artemis. Do centro até lá tem uns 15 quilômetros. È proibido por causa da
existência de cachoeiras, corredeiras, locais de desova e acumulo de peixes.
Essa proibição é regulada por legislação federal. Essa Surgiu por Instrução
Normativa número 26 do IBAMA em 2009.
Tem alguma
mensagem que vocês gostariam de deixar?
A mensagem que eu deixo é para quem está no
rio, gosta de pescar leve o seu saquinho, coloque dentro dele tudo que for
descartar, inclusive latas de bebida, garrafas plásticas, , não deixe nada que
possa poluir o rio.
Vocês já pegaram objetos estranhos no rio?
Infelizmente
sim! Sapato, sapatão, espuma, travesseiro, coco. Esses dias teve um passeio de
caiaque, foram limitados 40 caiaques, que faziam parte de um trabalho de
conscientização sobre manter o rio limpo.
O passeio de boia teve cerca de 10.000 participantes. O passeio de boia
é sempre no último domingo do mês de janeiro. O passeio de boia exige o uso de
colete salva-vidas. O fato de não ser regularizada, a descida de boia é feita
por pessoas que ingerem bebida alcoólica em excesso.
Vocês logo que se casaram moraram nas proximidades do Cemitério
da Saudade?
Nós moramos bem ao lado do cemitério, numa
rua sem saída, que terminava junto ao muro dele. Moramos ali de 5 a 6 anos.
E qual é a sensação de ter o cemitério praticamente como
vizinho?
Normal!
A única coisa ruim eram os escorpiões! Tinha dia em que passávamos produto para
exterminá-los, pegávamos de 15 a 20 deles. Dentro da minha casa cheguei a pegar
uns 10! O escorpião é da noite, e a barata também é da noite, morávamos a uns
30 metros do muro do cemitério. O que causa terror não são os mortos que estão
sepultados lá e sim os escorpiões! Infelizmente não há um controle sobre eles.
Quando chove a água desce em direção a rua, as vezes chegava a estourar o muro,
os escorpiões vinham todos para a rua também. Só quem mora ali sabe o quanto é
perigoso.
Vocês pescaram algum peixe estranho?
Não. O
que tinha muito no Rio Piracicaba era a lontra, depois dessa mortandade de
peixes não vimos mais nenhuma !
ALGUMAS FOTOGRAFIAS DE Deise
Romana Dias NO Rio Piracicaba.













