Se alguém ainda duvida da importância de conhecermos o passado para construirmos o nosso futuro, então que revogue todos os conhecimentos acumulados pela humanidade até a presente data. J.U.Nassif

"A força está na serenidade do ânimo e no equilíbrio dos sentimentos."

domingo, fevereiro 19, 2012

IRMÃ HILDA ZANCHETTA

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 04 de fevereiro de 2012.
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/
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http://www.teleresponde.com.br/

ENTREVISTADA: IRMÃ HILDA ZANCHETTA
As Irmãs Terceiras enfrentando as dificuldades próprias do início de qualquer obra, tudo fizeram para que se tornasse realidade o “Asilo Coração de Maria” hoje “Lar Escola Coração de Maria Nossa Mãe”. Na bênção de inauguração, aos 02 de fevereiro de 1898, Frei Luiz assim se expressou, intuindo o Carisma da Congregação: “Daqui em diante, em Piracicaba, as meninas pobres, órfãs e desvalidas não chorarão mais a lágrima da orfandade, porque o Coração de Maria nossa Mãe oferece auxílio e agasalho maternais”.
Da inspiração de Irmã Cecília e da profecia de Frei Luiz, a 30 de setembro de 1900, contando com 7 Irmãs, nasceu em Piracicaba a “Congregação das Irmãs Franciscanas do Coração de Maria”. Enfrentando não poucos obstáculos, gradativamente a Congregação foi se expandindo. Foram abertas outras casas, para se dedicar no cuidado: da criança, do jovem, da família, do doente, do idoso. O Governo Geral da Congregação das Irmãs Franciscanas do Coração de Maria, quando de sua fundação em setembro de 1900 teve inicialmente sua sede na mesma casa no Lar Escola Coração de Maria Nossa Mãe,em Piracicaba. Aqui permaneceu até o início de julho de 1930, quando por proposta do Bispo Diocesano transferiu-se para a Rua Barão de Jaguara, 190, em Campinas, instalando-se no mesmo prédio onde até hoje funciona a Escola Franciscana Ave Maria. Com o passar do tempo, o Governo Geral definiu pela construção de uma sede própria no mesmo terreno da Escola, transferindo-se para o novo prédio em 2 de julho de 1955. O Governo Geral é o principal responsável pela dinamização da Espiritualidade e Carisma em toda a Congregação, promovendo Reuniões, Cursos, Retiros, confraternizações e realizando visita às Províncias, para manter vivos e atuais a herança espiritual dos fundadores. Manoel Ferraz de Camargo, presidente do então Asylo de Velhice e Mendicidade de Piracicaba em 1917 deu as Irmãs Franciscanas da Congregação do Coração de Maria a condução da rotina do que mais tarde veio se denominar Lar dos Velhinhos de Piracicaba, ou Primeira Cidade Geriátrica do Brasil. Quase um século se passou e tanto a Congregação das Irmãs Franciscanas do Coração de Maria como o Lar dos Velhinhos nessa feliz parceria tem realizado uma grande obra levando conforto espiritual e material aos seus abrigados. Uma figura de proa nesse contexto á do seu presidente, Jairo Ribeiro de Mattos, que no Lar dos Velhinhos faz o seu apostolado, um visionário de pés no chão, soube ver que só um teto, alimentação e medicamentos não bastavam, com isso o Lar dos Velhinhos foi ousado e tornou o seu ambiente motivo de orgulho á quem vive e a quem visita a instituição. As edificações são verdadeiras galerias estampando em obras de arte, o cotidiano dos moradores. O Lar dos Velhinhos é uma galeria de arte. A freira gaúcha Hilda Zanchetta é um dos pilares onde se apóia essa instituição. Nascida em Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul a 13 de março de 1933, Irmã Hilda Zanchetta é filha de filha de Eliseu Zanchetta e Pierina Buffon Zanchetta, que tiveram 10 filhos. A família residia em uma localidade rural denominada Linha Paulina, eram agricultores cultivavam uva e trigo. Até os 12 anos ela ia á escola e na volta ajudava nos afazeres domésticos. Seus pais eram muito severos com relação a freqüência á missa aos domingos, não permitiam que nenhum membro da família perdesse a missa na Igreja Nossa Senhora do Carmo, situada bem próxima da casa onde residiam. A ocupação do Vale do Rio do Peixe, intensificou-se a partir da construção da estrada de ferro ligando São Paulo ao Rio Grande do Sul, entre 1908 e 1910. As terras férteis da região e as perspectivas de progresso com o transporte ferroviário atraíram um grande número de imigrantes das colônias de Caxias do Sul e Bento Gonçalves, dando início a criação de um núcleo, onde situa-se hoje o município de Lacerdópolis. Em 1961 a vila passou à categoria de distrito de Capinzal, recebendo a denominação de Lacerdópolis, em homenagem ao Governador do Estado de Santa Catarina Jorge Lacerda, que faleceu em acidente aéreo na década da constituição do Município, emancipou-se e foi instalado como município, em 3 de fevereiro de 1964. Irmã Hilda trabalhou no Hospital Santa Cruz em São Paulo, a mais antiga e importante instituição beneficente da cooperação nipo-brasileira ainda em plena atividade, está instalado em um terreno adquirido em 1926, dezoito anos depois do início da imigração japonesa para o Brasil, foi inaugurado em 1939, em uma campanha da qual participaram toda comunidade nikkei e os governos japonês e brasileiro, foi considerado um dos mais modernos da América Latina. Nele atuaram consagrados médicos brasileiros, sendo talvez o mais conhecido o cirurgião Euriclides de Jesus Zerbini.
A família da senhora sempre morou no Rio Grande do Sul?
Quando eu tinha doze anos, a nossa família mudou-se para Lacerdópolis próximo a Joaçaba em Santa Catarina, as irmãs abriram um colégio, o Educandário São José, elas eram professoras e passaram a lecionar no seminário aos alunos da primeira série até o colegial. Lá eu continuei estudando, a nossa casa era muito próxima. Duas irmãs de Campinas foram visitar as irmãs daquele colégio, perguntaram se eu não gostaria de ir para São Paulo, conhecer melhor a ordem, eu tinha 15 anos. Eu buscava uma vida em que não estivesse nem solteira e nem casada, pedia que Deus me mostrasse o caminho. Essa ida das irmãs foi a abertura da porta para essa nova realidade. Quando as irmãs chegaram lá, as conheci e gostei muito da vida delas. Elas participavam de terço, da missa. Quando comuniquei à minha família que gostaria de conhecer as irmãs, meu pai disse-me: “- Você pensa que é brincadeira ser religiosa?”. Eu respondi que iria experimentar. A minha mãe também não gostou muito da minha decisão, mas ambos foram juntos até o colégio das irmãs, não chegava a um quilômetro de distância da nossa casa.
Para que cidade do Estado de São Paulo a senhora veio?
Vim para Campinas, naquela época o trem era o nosso meio de transporte, de Lacerdópolis até Campinas viajamos por três dias e duas noites de trem. Quando chegamos estávamos em um estado miserável. Tínhamos trazido alimentos para comer durante a viagem, porém nunca foi o suficiente. Passei a ser aspirante no Colégio Ave Maria, na Rua Barão de Jaguara, 190, observando como era a vida religiosa praticada pelas freiras. Um dia a superiora geral disse-me: “Você não gostaria de passar para o noviciado?”. Eu era grande, gorda e forte, com o passar do tempo minha altura foi diminuindo. Respondi para a superiora que gostaria de permanecer mais um pouco de tempo para realmente saber se era essa a vida que gostaria de seguir.
Em que dia a senhora recebeu o habito?
Foi no dia 2 de agosto de 1952. Em 1954 fiz os votos de pobreza, castidade e obediência. Tenho que agradecer a Deus pelo fato de ter sido escolhida para a vida religiosa. Em nossa família poderia ter sido outra pessoa a ser escolhida. Rezo muito, pela minha família, ofereço a missa diariamente, meus sobrinhos são todos casados, constituíram suas famílias. Tenho uma irmã que se casou e mora em Campinas, ela me visita com freqüência. Hoje fui almoçar com ela no Shopping Piracicaba.
Quando foi a sua primeira visita á sua família após ingressar na vida religiosa?
Após 10 anos em que deixei a minha família, minha mãe faleceu. Recebi um telegrama anunciando o seu falecimento, fazia três dias que tinha ocorrido. Com isso quando ao vir para Campinas, no dia em que tomei o trem, foi a nossa despedida, nunca mais a vi. Após receber o telegrama fui para Lacerdópolis com outra irmã, o tempo em que fiquei lá foi muito triste.
A senhora permaneceu em Campinas?
Voltei para Campinas, e fui enviada para Bandeirantes, no Norte do Paraná, onde fui tomar conta das crianças. Naquele tempo Bandeirantes era pequena, ruas de terra, quando chovia era um barro só, para ir a missa tinha que ir pisando barro. Lá permaneci por um ano. Voltei para Campinas onde permaneci por mais um ano, em seguida fui designada para ir á Penápolis, onde permaneci por mais um ano. Regressei á Campinas onde fiz os votos. A Superiora Geral Madre Angelina perguntou-me se eu gostaria de trabalhar em hospital. Respondi-lhe: “- Nunca trabalhei, mas posso experimentar”. A Escola de Enfermagem Coração de Maria em Sorocaba era dirigida pelas nossas irmãs, que lá lecionavam também. Fiz o curso de Auxiliar de Enfermagem, voltei á Piracicaba onde fui trabalhar na Santa Casa de Piracicaba, designada para trabalhar na enfermaria onde estavam internados 60 pacientes do sexo masculino, permaneci ali por uns três anos.
De lá a senhora foi para onde?
Fui para o Hospital Santa Cruz, localizado na Rua Santa Cruz, na Vila Mariana, onde permaneci por três anos. Voltei à Piracicaba, fui trabalhar na Santa Casa de Misericórdia de Piracicaba, na pediatria, coma as crianças carentes, eram cerca de 60 crianças. Chegavam em péssimas condições de saúde, desidratados. Naquela época nós fazíamos tudo. Participei de um congresso das enfermeiras em Curitiba, hospedei-me na casa das Irmãs Missionárias. Fui designada para o Hospital Santa Lídia em Ribeirão Preto, onde permaneci por quase três anos, era um hospital infantil, quando fui não tinha quase nada, começamos a receber funcionários e pacientes, crianças com defeitos físicos que necessitavam de intervenções cirúrgicas. Dois anos depois voltei para o Hospital Santa Cruz, em São Paulo, onde permaneci trabalhando no quarto andar, olhando também a maternidade. Voltei á Piracicaba, na Santa Casa fiquei na pediatria Monsenhor Rosa, onde fiquei até 1973. Voltei ao Hospital Santa Cruz, onde permaneci por uns 10 anos. Aposentei-me e em 01 de fevereiro de 1994 vim para o Lar dos Velhinhos, fui trabalhar no Pavilhão Vargas, a irmã Virginia passou a ser superiora, ela pediu que eu tomasse conta do Pavilhão Lula, com o passar do tempo passei também a tomar conta do Pavilhão Madalena, estou até hoje tomando conta de dois pavilhões. Agora ainda estou dando uma cobertura na parte espiritual do pavilhão masculino, dando a unção dos enfermos, levando a comunhão. Vou aos flats também, vejo as pessoas que querem receber a comunhão.
Como é o dia da senhora?
Levanto bem cedo, umas 3 horas e 45 quarenta e cinco da manhã. Faço uma hora de oração. Em seguida faço uma ronda pelos pavilhões, para ver os acontecimentos ocorridos à noite. Às 6 horas vou a Santa Missa, em seguida tomo o café da manhã, volto aos pavilhões onde os funcionários fazem o seu trabalho, acompanho, almoço por volta das 11h30min, em meia hora faço a refeição e já volto aos pavilhões. Acompanho a saída de quem entrou pela manhã. Às vezes algum funcionário falta, tem providenciar quem fica. Tenho uma 15 pessoas residentes nos pavilhões. Quem dá o banho não pode servir a copa.
Após o almoço a senhora não descansa?
Por enquanto não tenho a necessidade de fazer isso, pode ser que um dia tenha que fazer.
Seu trabalho implica também em ter que fazer a higiene pessoal da pessoa abrigada?
Se precisar faço, cuido, carrego. Ajudo em tudo. Às três horas tomo um lanche e volto ao pavilhão sem saber à que horas vou sair. Normalmente saio entre 19 e 19h30min, vou para o meu quarto, sempre assisto o Jornal Nacional, faço questão em assistir, quando termina, já deito e durmo.
A senhora entrou em algum cinema em sua vida?
Nunca. Fui até a praia, mas nunca entrei nas águas do mar, fui com a Cionéia, para conhecer a colônia do Lar dos Velhinhos, os funcionários que tinham ido diziam que era uma beleza, fiz questão de ir. Achei uma maravilha, gostei demais.
A senhora dirige veículos?
Tirei carta de motorista em São Paulo. Em São Paulo fiz o Curso Técnico de Enfermagem, Administração Hospitalar, Técnico em Raio X. Trabalhava e com licença da administração saía de casa às 4 horas da tarde e retornava a meia noite, uma hora da manhã. Fiz curso de enfermagem junto ao Hospital São Camilo, no bairro Pompéia. Ia de metrô. até Santana, lá tomava o ônibus e ia para o São Camilo. Eu morava no quinto andar do Hospital Santa Cruz. Trabalhei também no Instituto Penido Burnier em Campinas, permaneci lá por um ano substituindo uma irmã que tinha ficado doente.
Qual era o carro que a senhora dirigiu para tirar carta?
Era um Fusca. Tudo começou quando a Madre Superiora Irmã Aurora de São Francisco reuniu as irmãs e disse que tinha ganhado uma televisão e que estava pensando em fazer uma rifa, conseguir fundos para adquirir um automóvel Volkswagen, para facilitar as idas e vindas até a rodoviária e facilitar pequenas saídas dentro da cidade de São Paulo. Éramos em 12 irmãs, como ninguém disse nada, eu disse: “- Se a senhora quiser eu posso experimentar, se eu for bem ao volante continuo.” E assim passei a ter aulas de direção, nos dias em que ela estava disponível ela ia comigo. Tinha que treinar sob todas as condições, á noite, dias de chuva. Prestei o exame e passei logo na primeira vez. Eu usava aquele hábito comprido, branco, um véu branco na cabeça, e lá estava naquela fila de umas quinhentas pessoas candidatas a habilitação. Isso no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Lembro-me de um homem que chorava por não ter sido aprovado, ele dizia que tinha que dirigir um caminhão, precisava da carteira de motorista. Depois de 10 dias o instrutor foi ao Hospital Santa Cruz levar a minha carta de habilitação. A Madre superiora comunicou que iríamos á agencia de veículos, no vizinho Bairro Saúde para ver se tinha um Volkswagen á venda. Assim passei a dirigir, ia até a rodoviária, e atendia as necessidades das irmãs se locomoverem nas imediações.
O que dá essa força, essa vontade de trabalhar tanto?
Eu acho que enquanto posso devo dar tudo de mim, procuro estar sempre com essa disposição, a nossa vida aqui na terra é tão curta. Dizem que os mais fortes chegam aos oitenta anos. (Irmã Hilda cita que em Salmos 90 a Bíblia diz: “Só vivemos uns setenta anos, e os mais fortes chegam aos oitenta, mas esses anos só trazem canseira e aflições. A vida passa logo, e nós desaparecemos.”). Muitos vivem de ilusões, temos que aproveitar e trabalharmos enquanto temos saúde. Chega uma época em que a pessoa fica doente, não tem mais vontade nem de rezar, nem de se alimentar. Quando parar de comer pode esperar que não irá muito longe.
A senhora em seu trabalho junto a hospitais conviveu próxima a muitas pessoas que faleceram?
Não se acostuma com o falecimento de pessoas, mas temos que conviver com isso, temos que fazer algo, ajudar.
Uma das doenças mais em moda é a depressão, como a senhora vê isso?
A pessoa perde a coragem para fazer qualquer coisa, as vezes perde até o apetite. Muitas vezes ela se deixa levar por acontecimentos, a pessoa se entrega.
Se fosse necessário, a senhora faria tudo que fez novamente?
Acho que com mais perfeição, sinto que perdi muito tempo, não aproveitei tanto quanto poderia ter aproveitado, viver com mais intensidade a vida consagrada à Deus.
As coisas devem ser perfeita no seu ponto de vista?
Isso! Tudo direitinho. Não me sinto bem quando vejo algo fora do lugar.
Já disseram que a senhora é rigorosa?
Falaram sim. Rigorosa no sentido de deixar tudo organizado. Trazendo organizado não dá dor de cabeça para ninguém, inclusive para mim. É mais fácil administrar.
A senhora tem titulo eleitoral?
Tenho sim, a cada mudança de cidade transferia o título, pela televisão acompanhava o perfil, desempenho do candidato em quem eu iria votar, além disso, analisava os comentários a respeito feito por outras pessoas.
Do tempo em que a senhora saiu da casa da sua família até hoje as coisas mudaram muito, no seu ponto de vista foi para melhor ou pior?
Em parte para melhor, principalmente em termos técnicos, de desenvolvimentos, é um ângulo bem nítido essa melhora. Antigamente havia mais rigor, mais respeito, havia mais orações, agora é mais trabalho do que oração. Muitos não aproveitam seus próprios valores, não fazem esforço para sair daquilo que a prejudica. Acham que um presente muitas vezes resolve, não resolve.
Qual atividade agrada-lhe muito?
Gosto de ter meu tempo de oração e união com Deus, por isso me levanto bem cedo, para fazer essa parada, nessa hora que carrego as baterias. Durante o dia o trabalho me envolve muito.
A senhora faz curativos?
Fiz muitos! Antigamente fazíamos tudo, desde colocar soro para um doente até ajudar o médico na cirurgia. Muitas vezes levantei-me á noite, de madrugada, para auxiliar o médico, após a cirurgia tinha que limpar a sala, deixar tudo em ordem para o dia seguinte. À noite não havia quem fizesse, a não ser as irmãs. Sou Técnica em Raio X, levantei-me muitas noites para atender as urgências.
Quantos cursos a senhora fez?
Muitos tudo que aparecia eu aproveitava e fazia, nesta parte estou tranqüila, procurei fazer o máximo que pude.
O que é mais difícil cuidar do paciente ou de seus parentes?
Acho que com a família do paciente, algumas compreendem a situação, o momento. Outras são mais difíceis. Temos que ter muita paciência. Com paciência se consegue tudo.
A senhora tem bastante paciência?
Procuro ter, de vez em quando também perco a paciência. Faço muito esforço para não chegar a perder a minha paciência.
A senhora é devota de quais santos?
Peço muito á Mamãe Cecília, como costumamos chamar a Madre Cecília, ao Coração de Maria. Ultimamente tudo que peço a Mamãe Cecília me dá. Uma das irmãs outro dia perguntou-me se eu tinha rezado para passar o temporal, disse-lhe que sim, sem dúvida.
Mamãe Cecília ainda não foi santificada?
Ela é considerada Serva de Deus. O processo de santificação está se desenvolvendo.
Será que a senhora também não poderá se tornar uma santa?
Não sou não, trabalho bastante para me santificar, isso sim. Faço sacrifícios, penitências para que Deus tenha misericórdia. Assisto a Santa Missa todos os dias, com chuva, tempestade.
No Lar dos Velhinhos aconteceu alguma vez de alguém trazer seu pai ou mãe e não retornar para visitá-lo?
Vários filhos e filhas já fizeram isso. Coloca-os, e depois falam que virá para visitar, mas nunca aparecem. A pessoa idosa fica naquela expectativa enorme, os familiares não aparecem, uma palavrinha dos familiares ou qualquer coisinha que traga, faz com que a pessoa abrigada aqui fique mais alegre. Sentem que são lembrados. Muita gente não é lembrada.
Isso é um fator cultural?
Penso que se aconteceu alguma coisa, não é para se deixar levar pelo acontecido e deixar o idoso naquela situação.
A pessoa deve esquecer algum fato acontecido no passado e tocar em frente?
Isso mesmo, só que a pessoa não tem a força que deveria ter. Muitas vezes o idoso pela idade, pelas doenças, lembra-se muito do passado, fica remoendo isso tudo.
A senhora toca algum instrumento?
Sempre gostei muito de piano, violino. Toquei piano. A música eleva, parece que eu já estou subindo. Não só a música, mas a Santa Missa, a transformação. Aqui no Lar dos Velhinhos estou em um paraíso terrestre.










CARLOS MORAES JÚNIOR

JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 12 de fevereiro de 2012
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/
http://www.tribunatp.com.br/
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ENTREVISTADO: CARLOS MORAES JÚNIOR
O Brasil vive um momento em que a necessidade de mão de obra qualificada tornou-se um gargalo para o seu desenvolvimento, o valor da educação salta aos olhos. Piracicaba é denominada como Ateneu Paulista, embora alguns façam referência a Atenas Paulista, uma forma de dizer que é considerada uma cidade privilegiada pelo número de estabelecimentos de ensino. O ensino público por décadas foi considerado superior ao ensino privado, até surgir reformas como a aprovação continuada, que hoje causa grande polêmica, o princípio estabelecido era louvável, mas na prática é desastroso. Há quem diga que os estudantes muitas vezes concluem o ciclo de ensino com a qualificação de analfabeto funcional. Houve um grande desenvolvimento tecnológico, mas o aprendizado árduo, que requer empenho por parte de alunos e mestres, foi em muitos casos relegado a um segundo plano. Historicamente pode acontecer que um percentual pequeno de alunos que se dediquem ao aprendizado serão líderes naturais em detrimento àqueles que têm o título, mas não estão capacitados. Nessa grande massificação de cultura, emergem ilhas de grupos intelectuais. Piracicaba mais uma vez se destaca, instituições voltadas às Artes Plásticas, Musica, Literatura formam grupos de pessoas interessadas em desenvolverem seu potencial. O Jornalista Carlos Moraes Júnior é o responsável pelo Clube dos Escritores, uma entidade que tem cerca de 600 associados no Brasil todo, classificados em grupos distintos, cada associado recebe denominação referente á cadeira que ocupa. Carlos Moraes Júnior nasceu em Tatuí, no dia 16 de dezembro de 1948 são seus pais Professor Carlos Moraes e Professora Dirce Avalone de Moraes. Carlos é o primogênito dos quatro filhos que o casal teve. A esposa de Carlos é Maria Clarice Alves da Silva Moraes, ambos são pais de Luis Emiliano.
Quem nasce em Tatuí geralmente toca algum instrumento.
Minha mãe era formada em piano. Estudei música por quatro anos, só que como bolsista fui designado a tocar um instrumento com o qual não tinha nenhuma simpatia, o violino, eu queria na realidade estudar piano, só que não tinha bolsa de estudos para piano. Minha mãe era formada em piano. Um dia eu estava tão enfadado daquele instrumento que o joguei em cima de um caminhão que passava, o motorista o trouxe de volta, na época eu deveria ter uns treze anos, estudava teoria musical e tocava violino. Com o decorrer do tempo passei a tocar piano, violão, órgão, escaleta, só não toco sanfona, tenho mais de 30 músicas compostas por mim, geralmente com parceria de alguém que compunha a música e eu fazia a letra. Gosto de música sertaneja, não posso ouvir músicas de Roberto Carlos, acabo chorando, principalmente as músicas da época da Jovem Guarda, eu vivi aquilo. Prefiro a fase mais antiga do cantor, não me identifico com as musicas recentes dele. Acho que Erasmo Carlos mantém-se mais fiel a sua origem.
Quando você compôs a sua primeira poesia?
Foi em 1962. Em Tatuí havia um jornal estudantil, nele eu publiquei as minhas primeiras poesias. Com 13 anos eu já tinha lido Monteiro Lobato, Érico Veríssimo, Machado de Assis, Castro Alves. Jorge Amado eu não tinha acesso. Meu pai dava-me os livros. Na idade entre 13 e 14 anos eu já havia lido mais de 50 poetas, inclusive de outros países. Eu lia muito, na minha cidade não tinha o que fazer, conheci televisão quando tinha 12 anos, ia até a casa de um vizinho que tinha televisão para assistir o desenho do Pica Pau que passa até hoje. Tinha um programa chamado “I Love Lucy”, outro programa com Eva Wilma e John Herbert. Eu adorava o “Grande Teatro Tupi”. Não gostava de futebol, mas era campeão de natação. Eu gostava mesmo era de ler e escrever poesias. Mais tarde é que passei a escrever crônicas, tenho mais de 3000 crônicas escritas e publicadas. Tive a coluna diária chamada “Temática” era publicada pela Tribuna Piracicabana, permaneceu por cinco anos. Simultaneamente eu publicava no Jornal de Piracicaba. Às vezes republico na Gazeta de Piracicaba uma crônica que escrevi há 20 anos e que está dentro do contexto atual. Quero ver se nestas festividades dos 50 anos faço uma exposição dos meus desenhos, tenho dezenas deles.
Em que ano você e sua família vieram morar em Piracicaba?
Foi em 1966, fomos morar na Avenida Armando Salles de Oliveira, entre a Rua Rangel Pestana e D.Pedro II, a casa existe até hoje. Ainda circulava o trem a vapor, a famosa Maria Fumaça, dia e noite escutávamos a movimentação de term. Fomos estudar no Sud Mennucci, no curso científico fui aluno de Argino Cecarelli, do professor Demóstenes que lecionava química.
Nessa época você já trabalhava?
Em 1967 fui trabalhar como revisor no Jornal de Piracicaba, no prédio da Rua Moraes Barros, Dr. Losso Neto era o diretor. Lembro-me do Nelson (Tuca) Barreiro, José ABC era o editor. A primeira poesia que publiquei no Jornal de Piracicaba foi na coluna social do Lino Vitti. Fiquei no Jornal de Piracicaba até 1972, só que ai já estava escrevendo, fazendo Mobral Em Revista, eu era Supervisor no Mobral, Movimento Brasileiro de Alfabetização, eu dava aula no G. E. Olivia Bianco, no Jaraguá, era monitor, depois passei a supervisor. Nessa época escrevia a coluna Temática. O jornalista Geraldo Nunes me convidou para ir fazer reportagem em “O Diário”, em 1972 fiz meu ingresso. A primeira matéria que fiz foi Bandeirantes Modernos, sobre o projeto Rondon, que ocorreu em Rio das Pedras. “O Diário” era um jornal combativo, suas páginas criavam polemicas, fiz muitas reportagens buscando sempre defender os interesses da população. Fazia notas policiais, horóscopo. Apareceu a oportunidade de trabalhar no Jumbo Eletroradiobrás, que se instalava em Piracicaba, fui para São Paulo, fiz um treinamento em seguida inaugurei as lojas da Casa Verde, Aeroporto, Guarulhos, Botucatu, Santos, Campinas e viemos inaugurar a loja de Piracicaba onde me tornei Gerente de Promoção de Unidade, permaneci no Jumbo por dois anos e seis meses.
Como era a liberdade de imprensa no período do Regime Militar?
Em 1967 tinha a sala do censor, dentro do jornal. Fui convidado a explicar uma crônica minha. Tive que explicar linha por linha. O trecho censurado era: “O resto eu não posso contar, tem um gato no telhado, sinhozinho”. O Senhor Censor disse que tinha coisa perigosa na minha crônica. Veja as coisas como eram, o livro “A Capital” de autoria de Oscar Niemayer, sobre a construção de Goiânia era considerado livro de filosofia comunista, um enorme imbróglio com “O Capital” de Karl Marx.
As agências de publicidade já atuavam em Piracicaba?
Trabalhei na Agencia de Publicidade LH, ficava próxima á Porta Larga, eu fazia redação publicitária, só que o trabalho não tinha o reconhecimento monetário que hoje existe.
Você teve a necessidade de trabalhar em algo mais promissor?
Fui trabalhar com atendimento médico no INPS como concursado. O critério de atendimento aos pacientes adotado pela chefia me deixou descontente, saí de lá, percebi que aquele estado de coisas não me fazia bem. Fiz concurso para Fiscal de Rendas Municipal, passei em segundo lugar, ingressei e após 33 anos de trabalho,em 1997, me aposentei. Quando fiz o concurso o prefeito era Homero Paes de Athayde.
E a poesia?
Eu fazia poesia de qualquer coisa. Uma ocasião eu estava no ônibus, em pé, segurando no corrimão, de repente surgia “Na ponte do meu amor você é a longarina...” Quando cheguei nas proximidades da minha casa, na Rua João Botene, eu estava com a poesia inteira na minha cabeça, só não estava escrita ainda, se alguém falasse comigo eu perderia tudo. Vinha decorando-a. Quando cheguei à minha casa. Pronto saiu! Eu pegava o dicionário e lia página por página, procurando decorar as palavras. Lí a Bíblia umas quatro vezes. Como fiscal eu sempre fui um peixe fora da água. Nunca tive a índole de penalizar o contribuinte, mas sim de orientar. O que eu fiz foi amizade com todo mundo, ganhei muitos amigos sinceros. Basicamente eu fiscalizava ISS, Imposto Sobre Serviços, incidente a todos os prestadores de serviços. Fiscalizava desde construções até usinas de açúcar, ficávamos procurando os locais onde pudesse haver irregularidades. Fiscalizava as empresas que realizavam eventos, se estavam com a documentação em ordem, algumas vezes chegamos a parar bailes em pleno andamento, as empresas não estavam devidamente legalizadas, sequer emitiam nota fiscal de prestação de serviços, nem tinham um talão de notas, eram empresas clandestinas.
Em que ano foi fundado o Clube dos Escritores?
Foi em 1995. Em 1986 já estávamos pensando em criar um clube, entre outros esse grupo era composto por Fuzato, Edsel Clemente, Clemente Nelson de Moura, José Moraes. Achávamos que era necessário criar uma coisa nova. Sou um dos fundadores da Academia Piracicabana de Letras, a minha cadeira era a número 4, com as mudanças ocorridas na mesma, fui determinado a ter a cadeira 38. A fundação da APL foi feita pelo João Chiarini, Sacconi, Haldumont Nobre Ferraz, Homero Anéfalos, mais dois integrantes residentes em outras cidades. As reuniões eram feitas no escritório de João Chiarini, na Galeria Brasil. A Academia Piracicabana de Letras tinha mais de 600 cadeiras. Chiarini nunca cobrou anuidade de ninguém. Ele conseguia verbas com empresas da cidade. As sessões magnas eram com mais de 500 pessoas, sendo a maioria de outras cidades, ele realizou essas sessões no Teatro São José, no Clube Cristóvão Colombo, no então Cine Palácio, no auditório da Unimep, da Câmara Municipal. Os participantes dessas sessões eram pessoas de elevado nível intelectual. Em menos de três anos a Academia era conhecida no Brasil todo. Pertenciam á Academia entre outros, Jorge Amado, Juscelino Kubistchek, Ivens Gandra Martins. Chiarini era compadre de Jorge Amado.
Como foi o declínio da Academia?
Com o falecimento de João Chiarini ela entrou em uma fase descendente, o sucessor não administrou com a mesma orientação dada por Chiarini. Henrique Cocenza assumiu a Academia já em uma fase muito difícil.
O Clube dos Escritores nasceu de que forma?
Nós tínhamos o programa Clube dos Escritores na Rádio FM Municipal, isso em 1995. Anteriormente chamava-se Poesia na Madrugada, era levado ao ar da meia noite até meia noite e meia, aos sábados. Eu escrevia o programa, era apresentada a biografia de um escritor, o tempo em que viveu e exemplos de suas obras. Apresentamos 378 programas. Com a mudança de prefeito toda a diretoria da rádio foi mudada, logo em seguida nosso programa deixou de ser apresentado naquela emissora. Fomos para a Rádio Educadora de Piracicaba, a diretora da rádio, Professora Ana Maria Meirelles de Mattos adorava o programa. Ela e o radialista Celso Melotto faziam um bate bola, declamavam poesias. Ela era exímia declamadora. Alícia Pedrassi era outra participante que declamava muito bem. O programa era apresentado no sábado a meia noite. Dona Ana gravava as suas declamações no período da tarde. Permanecemos na Rádio Educadora de 1995 até 1999. Em 16 de outubro de 1995 fundamos na Brasserie o Clube dos Escritores, estavam presentes 23 pessoas.
Escrevi um livro chamado O Poeta Piracicabano abrangendo os anos de 1800 a 1970, encontrei 106 poetas nesse período.
A seu ver quem é o maior poeta piracicabano?
Para mim é Francisco Lagreca.
Como surgiu o nome de um de seus livros “Nem Tambores, Nem clarins”?
Eu tinha um livro pronto, disse ao Henrique Cocenza que precisava de um nome para o mesmo. Ele então me perguntou: “-Seu livro tem tambores? Tem clarins? Então pode ser Nem tambores, Nem clarins!” esse livro foram duas edições. Estávamos tentando descobrir uma forma acessível para escrever e publicar livros, era caríssimo. Em 1986 montamos uma cooperativa, a Coopia, Cooperativa Independente de Autores. Eram 10 pessoas, cada um pagava uma mensalidade, e saia um livreto por mês. Com o passar do tempo os integrantes do grupo dispersaram. Para escolher de quem seria o livro a ser publicado era feito um sorteio. Passamos a fazer literatura alternativa, eram impressos livretos com 10 a 12 páginas. Conseguíamos anúncios publicitários para todas as páginas. Fiz 389 livretos, meus, totalizando 35.000 exemplares, eram distribuídos gratuitamente. Fiz uma oficina de literatura alternativa na Casa do Povoador, isso em 1986. Ensinava como compunha, montava um livreto. Essa coleção eu doei para a Biblioteca Municipal.Publiquei 1200 poesias minhas, em 12 volumes, com ilustrações na capa, feitas por mim. Fiz o livro Poeta Piracicabano que vendeu 1.500 exemplares, o dinheiro, fruto da venda do livro, doei ao Crami. Em outubro deste ano estarei completando 50 anos de carreira, de jornal, poesia. A primeira sessão magna do Clube dos Escritores foi feita no Mirante, foi estrondoza, tinha mais de seiscentas pessoas. Tarciso Mascarim e Antonio Altafin foram homenageados.
Como são designados os associados do Clube dos Escritores?
Existe o Membro Titular Fundador, Membro Titular Emérito, o Conselho, o Decano do Conselho, em seguida temos o Colegiado Acadêmico e Preclaro. Temos sócios honorários, assim como assinantes da revista. No início, juntamente com Haldumont Nobre Ferraz, o Tiquinho, criamos três categorias: Cidadão Prestante, Cidadão Emérito e Magna Persona, esses foram os três primeiros diplomas que demos, conforme lei municipal e registro em cartório. Todos os títulos que mencionei são frutos de lei e tem registro em cartório. Criamos mais três: Magno Mérito Cívico Cultural, Medalha Cientifica Walter Radamés Accorsi e Escritor Honoris Causa.
O Clube dos Escritores conta com quantos membros atualmente?
São 740 membros, em 189 cidades localizadas em 20 estados. Duas vezes por ano realizamos sessão magna, este ano de 2012 será dia 27 de julho e 26 de outubro, na Câmara Municipal. O titulo de Honoris Causa só concedemos um até hoje, foi para um associado do Rio Grande do Norte, ele veio até Piracicaba para receber o título. Há associados que em função de diversos fatores não tem como se locomover até Piracicaba. Em novembro do ano passado realizamos uma sessão magna contando com associados de 32 cidades. Atualmente a nossa revista é enviada por e-mail. www.cclubedos escritores.comunidades.net, temos uma comunidade no facebook.
O Clube dos Escritores proporciona á você grandes alegrias?
Tenho muita satisfação quando entra em contato com o clube alguém de uma cidade da qual só conheço o nome, algumas eu nem sabia que existia, como Vanini no Rio Grande do Sul, é muito grande a alegria de estar conversando com a pessoa que se idêntica com o clube. O Clube dos Escritores em determinadas categorias abrange além de textos, também artes e ciências.
Há mais homens ou mulheres participando do Clube dos Escritores?
A presença feminina é maior. Há poetisas com um talento espetacular. Assim como cronistas, como uma de Porto Alegre.
Você sente-se orgulhoso em levar o nome de Piracicaba á todas essas cidades?
Nós fazemos o que o João Chiarini fazia. Acedito que o pensamento de João Chiarini está correto, escritores não se resume nos 40 grandes nomes, há escritores de todo porte, excepcionais, escritores mais fracos, outros são medianos, iniciante. A nossa academia que é de Ciencias, Artes e Letras, e só não se chamou Academia Piracicabana de Ciências, Artes e Letras, por resistência de alguns integrantes de outra academia, que no entender deles seriam duas academias concorrentes, o que de fato não é realidade.
O membro da Academia de letras é denominado de imortal, isso ocorre com os membros do Clube dos Escritores?
O integrante do Clube dos Escritores é considerado imortal, cada um tem um patrono, que são pessoas de Piracicaba, temos vários que eram membros da academia, faleceram e hoje poderão dar seus nomes à cadeiras.
O Clube dos Escritores recebeu alguma homenagem?
Devemos ter umas 10 moções de aplauso feitas em diversas épocas. A nossa medalha de colegiado está exposta em Brasília, onde em um local mantido por militares ficam expostas medalhas do país inteiro. A figura estampada na medalha nós desejamos que fosse de São Paulo, o santo. Haldumont Nobre Ferraz tinha o sonho de fazer o Colar de Mérito Literário. Em 2012 será o terceiro ano que concederemos o colar. O Clube dos Escritores conta com 189 delegados espalhados pelo Brasil.
O brasileiro lê?
O brasileiro lê, o problema é o que ele está lendo. O que está acontecendo nos últimos dez anos, tenho visto isso nas bienais do livro espalhadas pelo Brasil, é a quantidade de crianças procurando livros. Isso é importante. Estou completando um ciclo da minha vida, 50 anos dedicados à literatura.









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