Se alguém ainda duvida da importância de conhecermos o passado para construirmos o nosso futuro, então que revogue todos os conhecimentos acumulados pela humanidade até a presente data. J.U.Nassif

"A força está na serenidade do ânimo e no equilíbrio dos sentimentos."

sexta-feira, outubro 30, 2015

AURORA UNBEHAUN

Entrevista realizada a 27 de outubro de 2015
PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 31 de outubro de 2015.
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/
http://www.teleresponde.com.br/ 




ENTREVISTADA: AURORA UNBEHAUN

Aurora Unbehaun nasceu a 24 de setembro de 1942, na cidade de São Paulo, na Maternidade São Paulo. A família residia no bairro Jabaquara, seu pai ainda solteiro já tinha adquirido o terreno onde mais tarde construiu a casa onde a família morava. Seu pai teve duas filhas em seu primeiro casamento: Aurora e Inês. Das segundas núpcias nasceram os filhos: Roberto, Olga e Pedro Ernesto. Sua mãe faleceu quando ela tinha seis anos, seu pai casou-se em segundas nupcias quando ela tinha 10 anos. Ele faleceu quando Aurora tinha 23 anos.
Em qual escola você iniciou seus estudos?
Naquele tempo nem tinha escola no bairro Jabaquara. Era chão de terra, não havia asfalto. Para chegar ao bairro Jabaquara embarcava-se no ônibus “12” da CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos que vinha da Praça João Mendes até o Jabaquara passava na rua paralela a da minha casa, logo acima.




Mais tarde ele passou a ir ate mais para frente, quando fizeram a garagem. Antes ele parava em frente a um comércio que tinha duas portas, um era açougue outro era um mercadinho. Estudei com uma professora que lecionava na sua própria casa, Dona Maria Amélia, na parte da manhã dava aula para os terceiros e quartos anos. Na parte da tarde as aulas eram para os primeiros e segundos anos. Era um bairro novo,  a escola um lugar pequeno, devia ter uma dúzia de alunos em cada período. Isso foi no ano de 1949. Eu estudei até o equivalente a primeira série do ginásio. Nesse meio tempo já havia a Escola Paroquial São Judas Tadeu e abriu o Grupo Escolar Almirante Barroso. Fiz o ginásio no Centro da Juventude do Cambuci, o colegial fiz no Curso Anglo Latino.


Qual era a profissão do seu pai?
Meu pai era marceneiro Todos os móveis do seu primeiro casamento foram feitos por ele. Ele trabalhou com móveis sob medida, depois passou a trabalhar na Movelar – Móveis para o Lar. Eles faziam móveis para televisão Philco, RCA Victor, antes era de madeira, assim como os móveis de rádio-vitrola, tínhamos uma em casa. Toda aquela caixa de madeira era feita pela Movelar. Meu pai cuidava da marcenaria, o Seu Oswaldo era amigo dele, era quem cuidava da pintura a revolver. Diziam que a Philco era muito exigente, tinha fama mundial pela qualidade. Aos 53 anos meu pai estava preparando-se para aposentar-se, quando sofreu um acidente , foi atropelado e faleceu. Na época eu tinha 23 anos, era a irmã mais velha.
Aquela região era praticamente desabitada?
Quando meu pai adquiriu o terreno lá no Jabaquara disseram a ele: “Você vai morar aonde tem os macacos?”. Isso porque havia a mata do Estado, onde há o zoológico. Mas era longe de onde ele havia adquirido. O chefe geral da empresa em que meu pai trabalhava tinha adquirido um terreno ao lado, chamava-se Ernesto Kaiser.
Em que ano seus pais se casaram?
Foi no final de 1941 e eu nasci em 1942. Eles casaram-se na Igreja Santa Generosa, era na praça ainda, onde hoje é o Centro de Controle Operacional do Metro. Era a Praça Rodrigues de Abreu, em frente a Catedral Metropolitana Ortodoxa.
Naquela época ali no bairro Paraíso já  tinha água encanada?
Nem pensar! Era água de poço! Tinha que tirar com manivela mesmo. A bomba para tirar a água do poço foi colocada quando eu tinha uns cinco ou seis anos. Nós morávamos no lado alto da rua, o poço ficava no fundo, e a fossa séptica ficava na frente da casa, para evitar contaminação do poço. Muitas pessoas tinham poço contaminado iam buscar água na nossa casa. 

A água encanada chegou ao bairro quando eu tinha entre 12 a 15 anos. O nosso bairro, Jabaquara, era constituído de muitos estrangeiros: japoneses, alemães, eram cidadãos que não tinham representação pelo voto. Havia bairros mais humildes que já tinham esses melhoramentos, representavam um bom número de eleitores. Aos políticos o que contava era o número de votos que poderia ter em determinado bairro. Depois veio o asfalto.
Você gostava de estudar?
Gostava muito! Meu sonho era ser professora. Percebi que tinha que trabalhar para ajudar no sustento da casa. Disse ao meu pai que iria trabalhar. Ele concordou sem questionar se eu queria continuar os estudos. Eu tinha 13 anos, fui aprender corte e costura. Aprendi em uma escola próxima cuja proprietária era Toshi Fuji. Lá aprendi a costura básica. Com quase 16 anos fui trabalhar na Rua 25 de Março, em uma camisaria  chamada Lewis. No inicio fui ajudar na embalagem, eu queria era trabalhar na máquina de costura. Fiquei pouco tempo, arrumei outra empresa na Liberdade, situada na Rua Conde de Sarzedas, travessa da Rua Conselheiro Furtado, onde se fabricava camisa esporte mas com mais requinte. Meu serviço era fazer a barra do bolso, fazia a barra da camisa. Vinha tudo cortado. Como eu já estava trabalhando, meu desejo era estudar a noite, fui dissuadida pela minha madrasta de continuar os estudos. Após algum tempo fui trabalhar nas Confecções Jamil na Rua Carlos Petit, Vila Mariana, próximo a caixa d`água, próxima a Rua Joaquin Távora era uma travessa da  Rua Inácio Uchoa. Era confecção de lingerie, fazia camisolas, peignoar, fazia muito conjuntos para noivas. O tecido utilizado era o nylon.
A costura com nylon é trabalhosa?
É um tecido muito mole, escorrega fácil. As peças já vinham todas cortadas. Chegou uma fase que cansei de tomar ônibus. Abriu uma fábrica de lingerie perto de casa, fui trabalhar lá. Nessa época que meu pai faleceu atropelado por um Volkswagen vermelho, dirigido por um engenheiro que estava com muita pressa para ir dar aulas. 
A senhora é católica?
Sou. Tinha uma amiga que freqüentava a Igreja Nossa Senhora das Graças, ela trabalhava na Pull Sport, ele disse-me que estavam precisando de costureiras. Diziam na época que Bradesco e Pull Sport eram duas empresas que faziam muita propaganda. A Pull Sport era uma empresa enorme. Começou em um fundo de quintal. Ficava na Rua Pires da Motta, Aclimação, entre as Rua Castro Alves e Rua José Getúlio, o comecinho era a Rua Antonio Prudente, em um prédio de quatro andares, logo depois eles adquiriram um terreno ao lado e construíram mais um prédio com sete andares. Ficava próximo ao Hospital do Câncer Antonio Prudente, hoje Fundação Antônio Prudente Hospital A. C. Camargo Cancerologista, quando eu trabalhava ali, se descesse na Avenida 23 de Maio, vinha a pé pela Rua São Joaquim, era muito grande o número de ambulâncias do interior que iam levar pacientes ao Hospital Antonio Prudente. No fundo do hospital havia acomodações para pacientes que estavam em tratamento e seus familiares.
Quanto tempo a senhora trabalhou na Pull Sport?
Foram doze anos e meio. Comecei como costureira. Era roupa 'prêt-a-porter', em termos de moda, quer dizer pronto para levar, pronto para vestir e usar. Fazia muito redingote (Casaco ou paletó longo) predominava a cor azul marinho. Tailleur, traje feminino composto por casaco e saia, é muito difícil de ver. Era uma moda bonita, elegante. A Pull Sport na época era só de confecção feminina. Eu fazia uma cópia do que vinha da modelagem para dar para costureiras terceirizadas. Trabalhei na modelagem, lá eu fazia a primeira peça.  Trabalhei com Dona Eva, uma italiana que era modelista, estilista, aprendi muito com ela. Fernando José estava em começo de carreira, não era famoso ainda, trazia seus desenhos, o Seu Sidnei que era o chefe da seção o ensinava. Eles desenham, mas parece que a mulher é uma tabua. A proprietária era Milla Libermann, os pais dela que começaram a empresa. Ela casou-se com David Zeiger, proprietáro das Capas Goomtex, capas de gabardine. 
















TIME Magazine, Brazil's President Costa e Silva, 21/04/1967Em 1967, a revista norte-americana Time publicou uma reportagem de capa, com a foto do presidente Costa e Silva. A matéria focalizava no progresso da economia brasileira, e citava exemplos de lideres em vários campos de atividade. Nela, David Zeiger foi apresentado como industrial exemplar.


TIME Magazine, Brazil's President Costa e Silva, 21/04/1967

Em 1967, a revista norte-americana Time publicou uma reportagem de capa, com a foto do presidente Costa e Silva. A matéria focalizava no progresso da economia brasileira, e citava exemplos de lideres em vários campos de atividade. Nela, David Zeiger foi apresentado como industrial exemplar.


Na Pull Sport fiquei até 1979, eu já ensinava o serviço de ampliação, antes era tudo manual, hoje tudo é feito pelo computador. Uma amiga saiu, logo depois também sai, fomos trabalhar em uma empresa no Brás. Eram produtos de qualidades inferiores. Permaneci lá uns seis meses. Uma amiga que tínhamos trabalhado juntas na Pull Sport, inclusive foi quem me ensinou o serviço de ampliação, estava precisando de uma ajudante. Assim fui trabalhar na Malhas RM situada na Rua Clímaco Barbosa, no Cambuci. Lá permaneci por três anos e meio. Isso foi em 1983. A costura realiza quem a faz, você sente que fez aquela peça. Sempre fui muito minuciosa. Procurava não errar, era um ponto de honra. Quando a Pull Sport encerrou suas atividades naqueles prédios, em um deles passou a funcionar a Rádio Eldorado, na Rua Pires da Mota, 820.
Da RM a senhora foi para onde trabalhar?
Fui trabalhar com alta costura, com Conceição Vigas. Na época ela estava na Rua Mello Alves. Depois ela abriu uma confecção na Rua Pinheiros. Ai ela foi para uma casa grande na Rua Gabriel Monteiro da Silva, Jardins. Era uma mansão muito bonita. Eu fazia o molde e cortava. Ela que tirava as medidas e passava para mim.
A senhora chegou a trabalhar com Clodovil, Dener?
                                                                   DENER


                                                            CLODOVIL
Não trabalhei, mas era muito comum quem estava no meio saber como cada um deles procedia profissionalmente. A alta costura é um lugar de muito glamour. As roupas do filme “Roberto Carlos em Ritmo de Aventura” foram todas feitas na Pool Sport. Possivelmente devo ter costurado algumas delas.
                                    ROBERTO CARLOS EM RITMO DE AVENTURA
O que é alta costura?
É a roupa mais fina, outra forma de costurar. Têm as roupas drapeadas, tudo com ponto feito a mão. O trabalho das costureiras é um trabalho mais fino.
Você conheceu a célebre Madame Rosita?
Não a conheci, só ouvi falar. Lembro-me de quando ela estava com a Maison Madame Rosita,na avenida Paulista quase na esquina com a Rua da Consolação. Ali era um local onde só freqüentavam carteiras muito bem recheadas. Trabalhei em algumas confecções pequenas, até ir trabalhar no Atelier Parisiense na Rua Major Diogo, o proprietário era o Seu André. Lá eu completei 30 anos de serviço, em 1994 aposentei-me. Depois de aposentada passei a trabalhar na Linea Laura. Lá trabalhei mais 15 anos, mesmo estando aposentada. Morava na Rua José da Fonseca Nadais, que tinha sido motorneiro de bonde, eu o conheci.
Porque a senhora escolheu Piracicaba para residir?
Eu já tinha duas amigas de São Paulo que tinham mudado para Piracicaba. Em março de 2010 eu trabalhava ainda em São Paulo, passava de quatro a quatro horas e meia no trânsito entre ir e voltar do trabalho. Cansava mais no trajeto do que no trabalho, além da tensão o tempo todo.
Quem é mais vaidoso, o homem ou a mulher?
Nos dias atuais está difícil afirmar, ambos estão vaidosos.
Até pouco tempo havia um cuidado em vestir com esmero. Este habito mudou?
Ao que parece quanto mais a vontade sentem-se melhor. Roupa furada, roupa rasgada. Acho que é relaxo. E são mais caras, dá muito trabalho Usam pedras para lavar a roupa e gastar o tecido. O cliente compra a roupa só com meia vida! O brim é um tecido duro, antigamente, logo que apareceu usavam-se calças bem duras.
Como você vê isso?
Quando começaram a usar a etiqueta da roupa á mostra, eu fiquei abismada, para mim era o fim do mundo. Estava acostumada a umas roupas tão clássicas.
A seu ver a exposição explicita do corpo feminino quebra a magia do romantismo?
Com certeza! Já está tudo a mostra, não há mais o que ver. Infelizmente a pessoa torna-se vulgar. A pessoa deveria preservar-se mais. Isso muitas vezes banaliza o que deveria muito importante na vida da pessoa. A convivência entre casais sem nenhum compromisso, onde não há um vinculo, torna-se fonte de frustrações sucessivas. Para ter-se uma família unida é necessário superar eventuais sacrifícios.
A forma de vestir reflete o espírito da pessoa?
Acho que sim. A gente não consegue vestir uma coisa que não aceitamos.
Sempre existiram pessoas bem vestidas, de ambos os sexos, porém de caráter e conduta duvidosos?
Isso sempre existiu.
O que mais chama a atenção do homem, o recato ou a exuberância?
A princípio a exuberância chama mais a atenção dos homens. Só que com o passar do tempo o homem de forma natural ou forçosamente percebe que era um engodo. A mulher inteligente usa o recato.
Essas questões têm muito a ver com moda, estilo, enfim o trato com qual a pessoa veste-se.
Eu trabalhei em lugares que produziam roupas consideradas como normais. Não conseguiria trabalhar em lugares cuja roupa explorasse a sensualidade feminina de forma acintosa e desrespeitosa. O bom gosto salienta a beleza feminina.
Você tem algum passatempo?

Gosto de ouvir rádio! Ouço “Os Comentaristas” da Rádio Educadora de Piracicaba, ouço “Radioatividade” da Jovem Pan. Às vezes consigo sintonizar a Rádio Nove de Julho de São Paulo. 


ROSA DE LIBMAN nasceu no dia 10 de maio de 1904, no Uruguai. Veio para o Brasil no início de 1935 acompanhada pelo seu marido, Sr. Max Libman.
Em outubro de 1935 inaugurou sua maison com o nome de "Madame Rosita" na Rua Barão de Itapetininga em São Paulo. Trabalhava principlamente com artigos de pele ; visons, martas, raposas e zibelinas.
Em 1942, no fechado mercado expositor internacional de peles do Canadá Mme. Rosita elegia as mais requintadas peles do mundo sendo a primeira griffe brasileira a entrar no mercado de peles do Canadá.
Fez o primeiro desfile profissional do Brasil em 1944. Mme. Rosita foi uma verdadeira pioneira da Alta Costura feminina no Brasil, apresentando roupas elegantes e muito bem acabadas que conquistou uma clientela fiel. Adaptava alguns modelos de costureiros europeus para a mulher brasileira realizados com exclusividade para suas clientes.
Sua oficina de costura dava trabalho a 50/60 pessoas aproximadamente.
Madame Rosita sempre foi a primeira a lançar toda e qualquer novidade que surgia na Europa nos importantes e badalados desfiles de moda que apresentava no Brasil, como por exemplo o desfile feito no Teatro Municipal de São Paulo no ano de 1938.
Sempre foi considerada a "primeira dama" da Alta Costura Brasileira e conquistou grandes prêmios e troféus tais como: "Sapatinho de Ouro", "Agulha de Ouro" e muitos outros. Também foi a primeira representante feminina da Alta Costura a ser membro da "Chambre Sindicale de la Haute Couture Francaise".


Quando a Barão de Itapetininga deixou de ser um ponto considerado chique na cidade de São Paulo, Madame Rosita mudou-se para a Av. Paulista, primeiramente no Conjunto Nacional e em 1965 a antiga "Peleteria Americana" situada no n. 2.295 passou a se chamar "Madame Rosita". Uma casa nos moldes de "Celina", em Paris, com tapetes orientais, cadeiras forradas de veludo, e antigos móveis.
As vitrinas expunham de forma tradicional e exibiam vestidos clássicos e uma malharia que lembrava muito Chanel.

Atualmente a oficina conta com oito costureiras, que fazem modelos exclusivos com tecidos, na maioria das vezes, importados.
Na linha prêt-à-porter, do "casual ao chique" as roupas são importadas, principalmente da etiqueta italiana "Emilio Pucci" enquanto representantes exclusivos no Brasil.

Rosa de Libman teve a assessoria de sua filha "Dorita" e sua neta "Suzana" que criou a "Mademoiselle Rosita" propondo uma moda mais jovem.

Madame Rosita ou a Sra. Rosa de Libman faleceu em maio no ano de 1991.

É o Dr. Saul, seu filho, que cuida da parte administrativa e da importação a 10 anos e sua outra neta "Daniela Libman" que administra a parte comercial da "maison".

A "maison" mudou-se da Av. Paulista para a Alameda Jaú n. 1.725 onde continua até hoje.
Mantem disponível o serviço de armazenar trajes em pele para suas clientes em câmeras frigoríficas que conservam e protegem as "peles".
Os desfiles acontecem duas vezes por ano apresentando a coleção outono/inverno, em abril e primavera/verão em outubro e suas clientes são na maioria de classe alta, com uma faixa etária que varia de 30 a 80 anos. Na Mademoiselle Rosita encontram-se roupas para a faixa etária mais jovem.

David Zeiger, personalidade publica

David Zeiger (São Paulo, 21 de fevereiro de 1918 — São Paulo, 10 de maio de 1981) foi uma personalidade publica do século 20. Filantropo, industrial, colecionador de arte e paulistano inveterado, ele participou ativamente do desenvolvimento de São Paulo. Uma escola estadual e uma rua prestam homenagem ao cidadão de São Paulo.
Desde jovem David Zeiger demonstrou tendências progressistas. Apesar de criado e educado dentro de uma comunidade de imigrantes judeus no Bom Retiro, o David adolescente já mostrava um bom domínio da língua portuguesa e uma curiosidade pela cultura brasileira que o levou a procurar amizades for a do pequeno núcleo de europeus onde vivia.
Para atingir esse objetivo, ele se tomou sócio dos clubes Espéria, Floresta e Regatas do Tiete, no qual participou como remador em competições. Por ser naturalmente comunicativo David se tomava popular em qualquer ambiente que frequentava. Para aprimorar o seu estilo de escrita, ele se associou ao clube Portugália, que publicava um jornal com textos de autoria dos vários sócios. Em pouco tempo os seus textos de reportagem e ficção passaram a ser regularmente publicados sob a orientação do poeta Mario Gallo, que se tomou o seu mentor de gramática e estilo. Apesar de trabalhar em tempo integral no negocio de seu pai, David Zeiger finalizou a sua educação na Escola Técnica de Contabilidade.
Durante a segunda guerra mundial, os judeus exilados da Europa aceleraram seus esforços visando a criação do estado de Israel, para o qual se destinariam os refugiados sem cidadania. Em São Paulo, assim como em varias cidades do mundo foram criadas organizações que visavam arrecadar dinheiro para o sustento de judeus que já moravam na Palestina.
Uma vez criado o estado, novas contribuições continuaram a ser enviadas, para financiar a construção da infraestrutura. Foi nesse contexto que David Zeiger iniciou suas atividades filantrópicas, ajudando a arrecadar e contribuindo com seus próprios fundos.

Apesar desse foco inicial no exterior, a maioria de seus esforços por causas sociais se concentrou no Brasil. Ele participou habitualmente de bazares, reuniões e festas beneficentes. O ímpeto de David era mais voltado a saúde e ao acesso a instituições médicas de qualidade.
Para isso ele auxiliou D. Carmem Prudente no estabelecimento do Hospital do Câncer, e nas campanhas beneficentes que se seguiram.
Ele se distinguiu também como doador inicial do Hospital Israelita Albert Einstein.

Com os funcionários da fabrica e os empregados domésticos, ele aplicou os mesmos princípios de bem estar social provendo a todos acesso familiar a uma clinica medica.
m termos filosóficos, David Zeiger acreditava num Brasil que funcionasse no modelo de economia de mercado dos Estados Unidos, com uma vasta classe media, acesso geral a educação e serviços médicos.
Durante o governo Juscelino Kubitschek (1956 a 1961), ele encontrou um clima favorável para esse tipo de pensamento, que ajudaria o Brasil a sair do estado de uma economia agrária para se tornar um gigante industrial.

Nessa época David conheceu o deputado Antônio Sílvio Cunha Bueno, com o qual ele desenvolveu uma longa amizade, e através do qual começou a participar mais ativamente da vida política do Pais.
O Brasil experienciou um grande crescimento econômico nos anos 60, propulsionado por uma generosa injeção de capital dos Estados Unidos. Nesse clima de prosperidade, os negócios de David Zeiger prosperaram com velocidade, e a sua confecção (Cia Pullsport de Malharia) cresceu para dois prédios de sete andares e 500 funcionários.
Em 1967, a revista norte-americana Time] publicou uma reportagem de capa, com a foto do presidente Costa e Silva. A matéria focalizava no progresso da economia brasileira, e citava exemplos de lideres em vários campos de atividade. Nela, David Zeiger foi apresentado como industrial exemplar.

Apesar de todo sucesso, David tinha um comportamento despretensioso e afável, que se manifestava igualmente com os indivíduos mais humildes de sua empresa, ate as personalidades mais importantes que conheceu.
David Zeiger era um paulistano inveterado. Para ele, a cidade de São Paulo tinha o potencial de se tornar a metrópole mais importante da América Latina.
Para isso, ele participou desde o principio das feiras industriais estabelecidas por Caio de Alcântara Machado, dos painéis da Bienal Internacional de Arte de São Paulo] e de um projeto que visava integrar um centro cultural com teatros e salas de concerto no parque Ibirapuera.

Ávido colecionador de arte, para ele a cultura artística exprimia a verdadeira riqueza de urna sociedade. Ele não chegou a viver para ver a inauguração da escola com o seu nome[ , mas teria grande orgulho de estar associado com esta instituição.
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