Se alguém ainda duvida da importância de conhecermos o passado para construirmos o nosso futuro, então que revogue todos os conhecimentos acumulados pela humanidade até a presente data. J.U.Nassif

"A força está na serenidade do ânimo e no equilíbrio dos sentimentos."

segunda-feira, dezembro 31, 2007

- O casamento é o preço que os homens pagam pelo sexo;
O sexo é o preço que as mulheres pagam pelo casamento.
(Anônimo)
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- Não confio em produto local. Sempre que viajo,
Levo meu uísque e minha mulher.
(Fernando Sabino)
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- É graças a Deus que o Brasil tem saído de situações difíceis.
Mas, graças ao diabo, é que se mete em outras.
(Mário Quintana)
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- Só acredito naquilo que posso tocar.
Não acredito, por exemplo, em Luiza Brunet.
(Luis Fernando Veríssimo)
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- Política tem esta desvantagem:
De vez em quando o sujeito vai preso em nome da liberdade.
(Stanislaw Ponte Preta)
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- Muitas mulheres consideram os homens perfeitamente
dispensáveis no mundo, a não ser naquelas
profissões reconhecidamente masculinas,
Como as de costureiro, cozinheiro, cabeleireiro,
Decorador de interiores e estivador.
(Luís Fernando Veríssimo)
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- Ninguém faz tudo bonito sempre. Até Deus.
Ele fez o cavalo e também o rinoceronte
(Vinicius de Moraes)
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- O primeiro economista do mundo
Foi Cristóvão Colombo:
Quando saiu, não sabia para onde ia;
Quando chegou, não sabia onde estava.
E tudo por conta do governo.
(Ronaldo Costa Couto)
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- Democracia neste país é relativa,
Mas corrupção é absoluta.
(Paulo Brossard)
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- A corrupção não é uma invenção brasileira,
Mas a impunidade é uma coisa muito nossa.
(Jô Soares)
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- Nunca se ache demais, pois tudo o que é demais sobra,
Tudo o que sobra é resto e
Tudo o que é resto vai para o lixo.
(Anônimo)
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- Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo:
Nem ele me persegue, nem eu fujo dele.
Um dia a gente se encontra.
(Mário Lago)
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- Fuja das tentações, mas devagar,
Para que elas possam te alcançar...
(Anônimo)

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- O homem é um ser tão dependente
Que até pra ser corno precisa da ajuda da mulher.
(Anônimo)
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- O isopor é meu pastor e a
Cerveja não faltará.
(Anônimo)
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- Existem três tipos de mulher: as bonitas,
As inteligentes e a maioria.
(Anônimo)
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- Época triste a nossa... Mais fácil quebrar
Um átomo do que o preconceito!
(A. Einstein)
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- Uma mentira pode dar a volta ao mundo..
Enquanto a verdade ainda calça seus sapatos.
(Mark Twain)
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- A família é como a varíola: a gente tem quando
criança e fica marcado para o resto da vida.
(Jean Paul Sartre)
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- Nunca se explique. Seus amigos não precisam,
E seus inimigos não vão acreditar.
(Anônimo
)
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- Se meus inimigos pararem de dizer mentiras a meu respeito,
Eu paro de dizer verdades a respeito deles.
(A. Stevenson)
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- Não se ache horrível pela manhã:
Acorde ao meio dia!!!
(Anônimo)
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- Em dia de tempestades e trovoadas o local mais seguro
é perto da sogra, pois não há raio que a parta.
(Anônimo)
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- Se um dia, a pessoa que você ama lhe trair,
E você pensar em se jogar de um prédio, lembre-se:
Você tem chifres, não asas...
(Anônimo)
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- A mulher deve sempre sonhar com um homem fiel e obediente...
Só não deve querer transformar o sonho em realidade.
(Anônimo)
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- Não gosto de enterros. Se eu for no meu,
Vou a contra gosto.
(Frangonildo Barbosa)
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- Errar é humano, persistir no erro é americano,
Acertar no alvo é muçulmano.
(Autor anônimo)
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- Crianças nós somos, a vida toda.
O que muda são os preços dos brinquedos.
(Autor Anônimo)

- Roubar idéias de uma pessoa é plágio.
Roubar de várias, é pesquisa.
(Autor Anônimo)
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- Por maior que seja o buraco em que você se encontra,
Sorria, porque, por enquanto, ainda não há terra em cima.
(Autor desconhecido)
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- Só o Ctrl+S salva!
(Autor Anônimo)
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- Aquele que, ao longo de todo o dia: é ativo como uma abelha,
Forte como um touro,
Trabalha que nem um cavalo,
E que ao fim da tarde se sente cansado que nem um cão...
Deveria consultar um veterinário.
É bem provável que seja um grande burro.
(Autor Anônimo)

domingo, dezembro 16, 2007

PÉROLAS DA MÍDIA

A apresentadora entrevistando uma psicóloga sobre leitura de livros e perguntou:" (...) mas isso não se torna um BICHO DE SETE PAPÃO (...) ?"

"Biblioteca terá livro gravado em fita K-7 para surdos"(Será que os surdos conseguem ouvir fitas K-7?)

"A nova terapia traz esperanças a todos os que morrem de câncer a cada ano." (Viva a ressurreição!)

"Apesar da meteorologia estar em greve, o tempo esfriou ontem intensamente."

"Os sete artistas compõem um trio de talento."

"A vítima foi estrangulada a golpes de facão."

"No corredor do hospital psiquiátrico, os doentes corriam como loucos."

"Ela contraiu a doença na época em que ainda estava viva."

"O presidente de honra é um jovem septuagenário de 81 anos."

"O cadáver foi encontrado morto dentro do carro."

sábado, dezembro 08, 2007

O MOTORISTA QUE VIROU JUIZ

A história do motorista que virou juiz
Ele veio passear, estudou e hoje é o orgulho da família


Reinaldo Moura de Souza não veio de família abastada, nunca estudou em universidade ou colégio caro nem se matriculou naqueles famosos cursinhos preparatórios para concurso na carreira jurídica.
Ex-motorista do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo – cargo que ocupou por seis anos e meio –, ele trilhou um caminho incomum até o cargo de juiz de Direito da maior e mais importante corte estadual do País. “É exemplo de alguém que venceu na vida”, resume o desembargador Ruy Pereira Camilo.
Natural de Boquim (SE), a 80 quilômetros de Aracaju, Souza tinha 22 anos quando veio pela primeira vez a São Paulo. “Meu tio foi nos visitar como fazia todo ano e pediu autorização a meu pai para eu voltar dirigindo”, lembra o agora juiz substituto de Ribeirão Preto, no interior. A viagem deveria durar poucos dias. Mas, por sugestão de um compadre do tio, ele resolveu ficar por mais uma semana e prestar concurso para motorista do tribunal.
Até então, Souza, que hoje tem 33 anos, nunca cogitara entrar para a magistratura. Caçula entre os três homens de uma família de seis irmãos, pretendia formar-se em agronomia para ajudar o pai, um pequeno produtor de laranjas.
Chegou a prestar vestibular na Universidade Federal de Sergipe, mas não foi aprovado. Por um ano, trabalhou na lavoura e estudou nos horários de folga. Foi justamente nessa época que surgiu o passeio a São Paulo.
Já que havia decidido ficar na metrópole, ele achou por bem conseguir emprego fixo. “Já namorava há quatro anos e pensava em me casar, construir família.” No mesmo dia em que prestou concurso para motorista do TJ, fez prova para a Companhia de Engenharia de Tráfego e para investigador da Polícia Civil.
Aprovado pelo tribunal, voltou dias depois à cidade natal e pediu em noivado a garota que conhecera na 5ª série. A convivência com juízes e o dia-a-dia dos tribunais o encantaram.
Seis meses depois de entrar no TJ, estava decidido a estudar direito. Para conseguir sustentar a casa e pagar a mensalidade, teve de pedir bolsa à faculdade. Mas esse não era o únicoempecilho. Um dos pré-requisitos do concurso era ter experiência de três anos em atividades jurídicas.
A solução foi prestar novo concurso, para oficial de Justiça. “Como motorista eu tinha muito tempo ocioso. Enquanto esperava um magistrado, aproveitava para estudar.”
Num só dia, conta, passava até quatro horas lendo. Só no último semestre da faculdade, foi convocado a assumir o posto de oficial de Justiça. No fim daquele ano, prestou concurso como treineiro. “Consegui boa pontuação, mas não o suficiente para chegar à segunda fase.” No ano seguinte, sem dinheiro, tirou cópia do exame e fez o simulado em casa. “Percebi que estava no caminho certo porque a nota já era suficiente para ser aprovado.” Em dezembro do ano passado, após acumular a experiência exigida, prestou o primeiro concurso “para valer”.
Foram quatro fases eliminatórias, incluindo provas escrita e oral, além de entrevistas com desembargadores e exame psicológico. Souza obteve a 36ª posição, entre 86. “O que mais me chamou atenção nesse rapaz foi o português impecável”, lembra o desembargador Camilo, que presidiu o 179º concurso para juiz do TJ.
A posse de Souza ocorreu em agosto, diante dos pais e de alguns irmãos, que vieram de Boquim especialmente para assistir à cerimônia. Agora, ele quer mais é trabalhar. Afinal, ainda restam 24 prestações da faculdade. Mas está satisfeito. “Realizei meu sonho”, resume.
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Frases

"Muitas vezes a humildade de um regato vale todas as glórias de um oceano."
Luiz Edmundo da Costa


Jamais dois homens julgaram igualmente a mesma coisa; é impossível verem-se duas opiniões exatamente iguais, não somente em homens diferentes mas no mesmo homem em horas diferentes."
Michael Montaigne


"As traduções parecem-se com as mulheres : se são fiéis não são belas e se são belas não são fiéis."
Karl Bertrand,
escritor alemão

segunda-feira, novembro 19, 2007


BANCO QUILOMBOLA

Banco quilombola


O primeiro banco exclusivamente quilombola do País começa a operar amanhã em Alcântara/MA. Ele funcionará a partir de parcerias com instituições que organizam as comunidades quilombolas locais. Sua moeda corrente será o guará, com o mesmo valor do real e usada apenas naquela comunidade.

domingo, outubro 21, 2007

FILOSOFIA DO ASFALTO

Foto by João Umberto Nassif

sábado, outubro 20, 2007

Em se plantando, tudo dá

Foto by João Umberto Nassif
Em se plantando, tudo dá > Frase atribuída a Pero Vaz de Caminha (1450-1500), em sua famosa Carta, comentando as excelências da nova terra recém-descoberta. O minucioso escrivão tinha, porém, um estilo menos sintético e emitiu o mesmo juízo em outras palavras: Querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo.

terça-feira, outubro 02, 2007

"As decisões atrevidas e ousadas parecem, à primeira vista, felizes, mas tornam-se de difícil execução quando postas em prática, e geralmente acabam mal."
Tito Lívio (59 a. C.)

sexta-feira, setembro 21, 2007

O mês de setembro é um mês muito importante para a história dos gaúchos. É tempo de ver os tradicionalistas, as escolas ensinando e entoando o hino do Rio Grande do Sul, que por sinal, é lindo, e nos faz estufar o peito cada vez que cantamos. 20 de setembro, é o dia mais importante do mês, pois é o Dia do Gaúcho.
"L'art du politique est de faire en sorte qu'il soit de l'intérêt de chacun d'être vertueux."
(A arte do político consiste em fazer com que cada um tenha interesse em ser virtuoso.)
Helvétius (1715-1771)

sábado, setembro 15, 2007

Trabalhei os cinco anos da São Francisco com o Professor Theotonio Negrão e Paulo Fernando Lopes Franco. Formado fui trabalhar com os professores José Frederico Marques, Manuel Alceu Affonso Ferreira, Helena Frascino de Mingo e Priscila M. P. Correia da Fonseca. Ao todo, somei oito anos de experiência advocatícia privilegiada. Quis ser juiz porque queria ser juiz, mas mantendo presente o presente de Theotonio Negrão: Os dez Mandamentos do Advogado, de Eduardo Couture, assim como guardo na memória o presente de José Frederico Marques: abra o Código e decida. Quarenta anos se passaram e eu que não sabia nada do tempo. Sinto-me mais ou menos, muito menos do que mais, como o poeta que à janela contempla a Tabacaria. Vejo juiz agindo como advogado e advogado agindo como juiz; promotor público (era assim que se chamava) agindo como juiz e juiz agindo como promotor público e promotor público agindo como advogado e advogado agindo como promotor público. Mas o pior, o mais nefasto e decadente estou vendo: todos os três agindo e sendo políticos. E aí fecho a janela para ficar cismando sobre o que escreveu Fernando Pessoa: 'A decadência é a perda total da inconsciência'."
Augusto Francisco Mota Ferraz de Arruda - desembargador do Tribunal de Justiça de S. Paulo
"Os interesses particulares fazem com que facilmente se esqueçam os que são públicos."
Montesquieu (1689-1755)

sexta-feira, setembro 14, 2007

Itaú
O gigante relógio luminoso instalado no início dos anos de 1960 no alto do Conjunto Nacional, quase no fim da avenida Paulista, vai sobreviver à lei Cidade Limpa, mas não intacto. A Comissão de Proteção à Paisagem Urbana decidiu, ontem, que a logomarca do Banco Itaú, instalada em 1975, terá que sair. O argumento de que o equipamento, depois de tombado em 2005, passou a ser um bem de valor cultural não foi aceito. O relógio, estrategicamente colocado sobre o espigão da Paulista, pode ser visto de muitos lugares da capital.

quinta-feira, setembro 13, 2007

"Eu peço a luz e os nobres senadores querem as trevas ; eu peço a justiça e os nobres senadores querem a dúvida; eu peço a verificação da verdade e os nobres senadores querem a confusão."
Rui Barbosa

quarta-feira, setembro 12, 2007

EDUCAÇÃO

Conferência na Esalq, 10.9.2007 Samuel Pfromm Netto
Psicólogo e pedagogo. Professor aposentado do
Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo

Aprendi nos anos 40, na Sud Mennucci, com José Rodrigues de Arruda, Jethro Vaz de Toledo, Antônio Martins Belmudes de Toledo e Laudelina Cotrim de Castro, que educar significa ensinar e aprender. Que educação é a passagem da herança cultural de uma sociedade à sua geração jovem pela geração adulta. Desde então, o mundo deu muitas voltas, mas esse significado essencial da educação não mudou. Educar, educação: reverberam na minha alma, hoje e sempre, os versos singelos do Adeus, escola que Honorato Faustino compôs e Benedito Dutra Teixeira nos ensinou a cantar: versos que falam da velha escola “onde aprendemos sábias lições e ensinamentos. Onde solícitos colhemos a flor de puros sentimentos”... Mas é evidente que quem nos educa não são apenas os professores incumbidos da nossa educação formal. São, primeiro, os nossos pais. Os nossos familiares. Os vizinhos, parentes e amigos. São os companheiros de folguedos na infância. É a mídia sob a forma de livros, jornais e revistas, rádio e televisão, e agora a Internet. Crescemos respirando educação nesta nossa espaçonave chamada mundo, e respirando o ar puro (ou viciado) do que todos esses agentes nos ensinam, formal ou informalmente, de modo intencional, deliberado, ou sem que nos apercebamos que estamos aprendendo e que os outros estão ensinando. Geralmente associamos à palavra educação um sentindo positivo de aprendizagem do que é bom, belo e verdadeiro, que nos ajude a compreender os demais, o mundo, a ciência e as técnicas, as artes, a prática da profissão e os valores morais e espirituais. Tendemos a esquecer que, infelizmente, o roubo, o crime, o ódio, o cinismo, o desrespeito, a velhacaria, o despudor, a desfaçatez, o opróbrio são igualmente passíveis de aprendizagem e ensino, intencionais ou não. Ao longo da minha vida de pesquisador em psicologia e educação, de mais de meio século das minhas pesquisas científicas nesses domínios –, tenho continuamente repetido as palavras amargas de Lee De Forest, o inventor do triodo que resultou no rádio e na televisão, em uma homenande aprendemos sTeixeira nos ensinou a cantar: versos que falam da velha escola " ensinar e aprender. gem que lhe prestaram nos anos cinqüenta, quase ao fim da sua vida: “O que vocês fizeram com meu filho? Criei um veículo eletrônico para uma forma superior de ensino e entretenimento, para tornar melhores, mais cultas, mais sensíveis e mais responsáveis as pessoas... E vocês, no entanto, o converteram nisso que aí esta, um instrumento degradante, nauseabundo, de envilecimento humano desde a mais tenra idade!” Mal podia imaginar o inventor e cientista De Forest, “pai do rádio e avô da televisão”, que igualmente desempenhou papel pioneiro na sonorização dos filmes cinematográficos, e que viveu de 1873 a 1961, mal podia ele supor que chegaríamos neste início do novo milênio a essa espécie de dejetos impressos, falados, cantados e mostrados na mídia de agora. Um lixo imenso, que penetra com toda a desfaçatez nos lares e nas mentes e corações das pessoas – notadamente nas mentes e nos corações da faixa mais frágil da espécie humana, a que se compõe de crianças e adolescentes.
Recorro à massuda Penguin Encyclopedia publicada pelos ingleses – são cerca de 1700 páginas na edição que tenho, datada de 2004 –, recorro a ela, em busca de uma boa definição contemporânea de educação. Diz a enciclopédia que “educação é o que ocorre quando seres humanos aprendem algo a partir dos outros, mas às vezes a partir de si próprios. Isto pode se dar durante o dia em prédios especialmente construídos para tal finalidade, com professores qualificados, em consonância com cursos estruturados e aprovados, baseados em livros, equipamentos e atividades; ou, mais informalmente, longe de instituições específicas, nos lares, ruas e locais nos quais as pessoas se reúnem. Não é confinada às matérias escolares tradicionais, como matemática ou história, muito embora estas igualmente constituam uma parte importante dela. Não é oferecida somente por professores remunerados para isso, já que pais e irmãos e irmãs mais velhos podem igualmente desempenhar um papel central nesse sentido. Cada vez mais a educação é encarada como algo que deve desenvolver a pessoa como um todo, e não apenas como um preparo acadêmico estrito. Dessa forma, em ampla variedade de locais, no mundo inteiro, desde edifícios ricamente equipados com os mais recentes equipamentos de laboratório até simples cabanas nas regiões mais pobres, crianças e adultos estão aprendendo as habilidades básicas de leitura, escrita e aritmética, estão desenvolvendo qualidades valiosas para a vida adulta no lar ou no trabalho, e em muitos casos submetendo-se a programas de retreinamento por causa das transformações ocorridas no trabalho para o qual foram originalmente preparadas”. A descomunal amplitude de tudo quanto se acha compreendido neste vocábulo de oito letras originário do latim condena, de partida, ao malogro qualquer tentativa de abranger em menos de uma hora tamanha riqueza de significados. Educação formal ou informal? Educação entendida como tarefa de que se incumbem os pais e notadamente as mães das crianças, ou entendida como ensino e aprendizagem nas escolas? Em classes de educação infantil ou no ensino fundamental, no ensino médio, ou no ensino superior? Em cursos formativos gerais ou em cursos especializados, ligados a diferentes áreas de atuação profissional? Se nos limitarmos apenas à educação de nível superior, trata-se de graduação ou se trata de cursos pós-graduados? Mestrado, doutorado ou pós-doutorado? E em que área? Agronomia, direito, medicina, teologia, música, astronomia, ciência da computação? Estás e tantas outras – são muitas e muitas dezenas de domínios do conhecimento e da prática profissional que se escondem por trás do rótulo do ensino superior, cada um deles com as suas singularidades, seus distintos enfoques metodológicos e conceituais, suas exigências específicas. Mais e mais estou desconfiado de que, nesse genérico e pomposo ensino superior, o que temos é uma verdadeira arca de Noé, e que já é tempo de levar muito mais a sério o que singulariza cada um desses domínios, o que os faz diferentes um do outro, opondo-nos, assim, a uma uniformização que encara a formação de médicos, advogados, agrônomos, músicos, teólogos, técnicos esportivos etc. enquadrando-os a todos no mesmo figurino, nas mesmas normas, no mesmo formato de preparo em nível superior. Não é isso o que ocorre nos países onde o ensino superior se acha mais avançado. Estes não são obviamente o lugar nem o momento adequados para trabalhar a problemática de uma educação superior básica ou geral e a sua articulação com cursos específicos em cada uma das múltiplas áreas de cultura e atuação profissional diferenciadas. Passemos, pois, a outros planetas desta galáxia que é a educação. Por exemplo, o da formação de professores para o ensino elementar, que se fazia em escolas normais com seus cursos básicos e de especialização até 1970, e que de um momento para outro foram extintos – as normais e seus cursos –, incumbindo-se, desde então, as universidades e faculdades dessa formação. Com resultados, nesses quase quarenta anos, que considero verdadeiramente catastróficos. Para reparar o mal feito, foram criados a trouxe-mouxe os cursos normais superiores. Há três anos atrás, existiam 1373 cursos superiores de pedagogia e 765 cursos normais superiores no país, mas uns e outros não parecem dar conta do recado, se considerarmos os recentes indicadores de que qualitativamente não vai nada bem o ensino elementar no Brasil. Além disso, desabaram sobre o nosso ensino esses incríveis parâmetros curriculares concebidos por certos luminares caboclos ou importados, que não têm a mínima idéia do que é uma sala de aula do ensino elementar ou médio, do que é ensinar de fato e aprender de fato. A calamidade é tamanha que, quando surgiram, apelidei-os de “burrâmetros curriculares nacionais”... E o preparo dos professores para o nosso ensino médio? Os indicadores aqui também são alarmantes. No nº. 1224 da revista Educação, correspondente ao mês de agosto, lê-se que, em relatório recente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, esta se refere a um “apagão do ensino médio” e pede “providências urgentes”. Em anos recentes, de acordo com a mesma revista, havia uma demanda estimada de cinqüenta e cinco mil e duzentos professores de física para o ensino médio, mas só se licenciaram efetivamente em física pouco mais de 7 mil professores, que correspondem apenas a mais ou menos uns 13% do total necessário de professores de física no país.
Há uma boa porção de outras facetas ou modalidades de educação que não foram mencionadas até aqui, como a educação de adultos, herdeira do ensino supletivo do passado, os cursos de cunho técnico, a educação a distância, os cursos como os do Senai e Senac, os programas para a terceira idade, a educação do excepcionais, a miríade de cursos de idiomas, cursos de computação, cursos das escolas de enfermagem, cursos de cabeleireiros, corte e costura e assim por diante. Tentar juntar num só saco essa miríade de modalidades, instituições e desafios acobertados pelo rótulo genérico de educação é algo, de partida, fadado ao fracasso, algo desalentador. Temos, além disso, que considerar tanto a educação de que se incumbem as escolas públicas como a das escolas particulares, em todos os níveis e modalidades de ensino.
Frente a essa desnorteadora multiplicidade de instituições, aspectos, problemas e perspectivas, centremo-nos em algo que talvez nos ajude a trilhar uma clareira na floresta da educação. Recorramos a uma imagem singela que talvez facilite essa caminhada. Somos nós, seres humanos, dotados de duas pernas e é graças a ambas que permanecemos de pé, andamos, corremos, pulamos, dançamos, praticamos inúmeros esportes. Que tal pensarmos nas duas pernas da educação? Uma delas é a perna do passado. Assim como não precisamos inventar novamente a roda nem o avião, educar crianças, jovens e adultos está sodidamente alicerçado em tradição, em passado, em conquistas que a nossa espécie fez desde o início da aventura humana sobre a face da terra, que, diga-se de passagem, teve início no solo africano. À luz das evidências que dispomos, tal como assevera a inscrição nos portais do museu da Smithsonian Institution nos Estados Unidos, dentro de cada um de nós, seres humanos, sem exceção, corre o sangue africano herdado dos nossos mais remotos ancestrais. Acho tão bonito esse reconhecimento, e a lição de tolerância, de congraçamento, de fraternidade que encerra – o reconhecimento de que, afinal de contas, geneticamente somos todos africanos! Tradição, passado, herança cultural, tesouros acumulados de conhecimento, sensibilidade, valores, habilidades etc. vêm sendo, ao longo de todo esse passado envolto nas brumas dos tempos pré-históricos e históricos, uma das pernas de sustentação da nossa espécie – e uma das pernas da educação. Parte disso integra o patrimônio comum dos seres humanos. Outras partes dizem respeito ao nosso patrimônio mais específico da cultura ocidental, e da tradição dos povos lusíadas que nos une aos nossos avós portugueses no idioma, na religião, nos costumes, na arquitetura e assim por diante. Faz igualmente parte dessa nossa perna de passado na educação o que nos singulariza como brasileiros, como paulistas, como piracicabanos. Incomoda-me um bocado e me entristece sobremaneira ver como essa fabulosa, essa riquíssima herança vem sendo mal cultivada nas nossas crianças e nos nossos jovens brasileiros, paulistas, piracicabanos. É necessário, com urgência e de modo competente, cultivar na meninada de hoje e de amanhã essa riquíssima fortuna cultural que existe no nosso idioma, na matemática, nas ciências, nas técnicas, nas festas tradicionais, nos nossos modos de pensar, de fazer, de sentir e de ser.
Como não somos sacis capengando em uma perna só, mas temos duas pernas, passo agora ao segundo apêndice que, tal como a perna anatômica, nos serve de suporte e deslocamento no âmbito da educação. Essa segunda perna da humanidade é o futuro. Não como o tempo em si, mas como as coisas que virão, como as “novas realidades” de que falava Peter Drucker. O tempo dos futurólogos, da proação, da evolução, da prospectiva. Uma educação verdadeiramente digna desse nome faz uso competente das suas duas pernas: a da tradição e a das possibilidades, riscos, desdobramentos e responsabilidades, individualmente e como espécie humana, a perna do futuro, levando em conta indícios, tendências e perplexidades que se manifestam no presente. Se no quadro genérico da educação brasileira não vai nada bem a perna da tradição – referindo-me, é claro, não a um razoável percentual de brasileiros que se mostram destros no emprego dessa perna, mas à maior parte da população e mais particularmente ao seu segmento infanto-juvenil e de jovens adultos – se essa perna da tradição não está dando conta do recado e corre o risco de gangrenar pelo mau uso ou pelos abusos, o estado da outra, da perna do nosso preparo para o amanhã, não é menos inquietador. Creio que está faltando em boa parte do que se faz, do que se diz, do que se pensa e sente nestes brasis, essa presença efetiva de um preocupar-se com o amanhã, um sintonizar-se com esse amanhã a partir das dicas e constatações que nos ajudam a ver, a entender e a lidar com o amanhã a curto e médio prazo. Mais uma vez, não estou me referindo aos “happy few”, à pequena parcela dos que, previdentes e proativos, se preparam para viver e conviver bem neste mundo em transformação nos próximos 2010, 2015, 2020, 2025 – para nos limitarmos aos dezoito anos que virão e que se esboçam, que sinalizam esperanças e medos, promessas e desafios. Refiro-me não a esses felizardos, mas aos brasileiros de todos os quadrantes, ai de nós, armados de estilingue ou de espingarda tico-tico na melhor das hipóteses, para penetrar na “jungle” do amanhã, para se ajustarem a mudanças que, queiramos ou não, vão acontecer e poderão pegar em cheio milhões de cidadãos despreparados, desprevenidos, fragilizados nas suas convicções ingênuas de que “o futuro a Deus pertence”. Há aqui lugar, aliás, para distinguir entre, de um lado, tolices e charlatanismos de bolas-de-cristal, tarôs, quiromancia e assemelhados, e de outro, antecipações inteligentes, bem fundamentadas e com apoio em metodologia sólida, do que nos espera e do que precisamos fazer, ao longo dos próximos anos. Uma bela contribuição brasileira nesse sentido é o livro de Ethevaldo Siqueira intitulado 2015. Se ainda não o leram, comecem logo a leitura desse livro notável. Tenho certeza de que irão até as páginas derradeiras, nessa incursão bem urdida, bem instigante e bem norteadora da nossa caminhada num amanhã que precisamos trilhar de modo competente, bem informado e responsável.
Preocupam, e muito, a miopia, a superficialidade, a lerdeza e a irresponsabilidade que pesam tanto, e tanto, na educação brasileira de agora, da pré-escola à pós-graduação, nas escolas, nos lares, na sociedade, na mídia eletrônica. Uma educação brasileira de qualidade não é compatível com professores mal preparados, mal selecionados, mal conduzidos e pessimamente remunerados. Nem com essa enxurrada de literatura pedagógica, psicológica e sociológica que só serve para iludir e confundir, com sua superficialidade, suas propostas de rebeldia romântica e seus blá-blá-blás intermináveis e estéreis. Uma educação de qualidade demanda pessoal, instalações, equipamentos e recursos que não existem, na maioria das nossas escolas. Demanda uma reengenharia urgente de organismos que, nos âmbitos federal, estadual e municipal, têm a ver diretamente com o ensino e as escolas. Requer gestores atualizados em administração de organizações, que dominem muito bem as idéias e as práticas da B.A. das empresas de hoje. Requer computadores em larguíssima escala, disponíveis para todos os alunos, docentes e pessoal administrativo e auxiliar. E deve combater sem tréguas os analfabetismos e semi-analfabetismos múltiplos que estão desgraçando o Brasil. Analfabetismo e semi-analfabetismo em leitura, escrita e cálculo, em conhecimentos e gerais, em economia e política. Analfabetismo e semi-analfabetismo em ciência e tecnologia. Analfabetismo e semi-analfabetismo em civismo, em ética, em cultura, em artes, no domínio de pelo menos um idioma estrangeiro – como o inglês, o francês, o italiano, o alemão. Analfabetismo e semi-analfabetismo em matéria de higiene, saúde e prevenção de doenças. Já é o tempo de termos uma educação que acabe, de uma vez por todas, com essa tragédia de três quartos de analfabetos e semi-analfabetos nessas e em outras áreas, no Brasil dos nossos dias. Buckminster Fuller advertia-nos, há tempos, de que nesta nossa gigantesca espaçonave Terra, não somos passageiros, somos tripulantes, todos igualmente responsáveis.
Não vão nada bem, no seu conjunto, as nossas pré-escolas e as escolas de ensino fundamental e médio. No ensino superior, amargamos a classificação humilhante de país com um percentual muito baixo de jovens em idades de freqüentá-lo que efetivamente o fazem. Segundo o Book of the year da Enciclopédia Britânica de 2007, nossos magros 21% contrastam terrivelmente com os 74% da Argentina, os 42% do Chile, os 40% da Venezuela, os 37% do Uruguai. Até o Paraguai nos supera, com 27%. Temos só 21%. A Finlândia tem 88% e a Coréia 85%. Tanto os Estados Unidos como a Suécia tem 83%. Na Austrália e também na Nova Zelândia são 74%. No Reino Unido, 64%. Em Portugal 56%. E nós brasileiros amargamos esses esquálidos 21%: apenas um em cada cinco jovens com cerca de 18 a 21 anos de idade estuda em curso superior no Brasil. Uma espécie de tsunami cultural e educacional brasileiro parece cada vez mais ameaçador, gerando bem fundadas apreensões sobre o nosso futuro como povo, como nação e como pessoas responsáveis, cultas, sensíveis, preocupadas com o bem comum e desejosas de viver uma vida verdadeiramente civilizada e sadia – física, mental e moralmente sadia. Sou, contudo, incuravelmente adepto de uma crença na nossa capacidade de resolver problemas, de engendrar soluções criativas, de buscar caminhos novos, de enfrentar desafios – com as bênçãos de Deus. Prova disso é o Brasil-nação de hoje, quando comparado com o Brasil dos séculos 16 a 19, um país que amadureceu em meio às suas incontáveis vicissitudes, às turbulências da sua história nestes 507 anos. Nossos avós diziam que não há bem que não se acabe, mas diziam igualmente que não há mal que sempre dure. Que lateje em cada um de nós essa parte final da frase. Dêem-me um ponto de apoio e uma alavanca e moverei o mundo. O ponto de apoio é a gente brasileira, em sua maioria: essa gente batuta, generosa e simples que vive seu dia-a-dia de trabalho, família, criação de filhos, religiosidade, convívio sadio, companheirismo solidário, que cultiva alegrias antigas e ingênuas de cururus, rodas de samba, futebol, cantigas bonitas, peixadas, festas do Divino, pamonha e pipoca. O ponto de apoio é, pois, esse nosso povo bom e sofrido. A alavanca? A educação. Uma educação bem concebida, bem conduzida, vigorosa e responsável, liberta de figurinos e cantos de sereia políticos e ideológicos. Centrada em excelência. Em competência. Em ensino-aprendizagem de fato, às crianças e aos jovens, de conhecimentos, idéias, habilidades, práticas, sentimentos, valores e atitudes que os façam verdadeiramente humanos.



LEITURAS SUGERIDAS

Bransford JD, Brown AL, Cocking RR, org. 2007. Como as pessoas aprendem: cérebro, mente, experiência e escola. São Paulo: Senac
Castro CM. 2005. Crônicas de uma educação vacilante. Rio de Janeiro: Rocco
Delors J. 1999. Educação: um tesouro a descobrir. 3ª ed. São Paulo/Brasília: Cortez/Mec-Unesco
Gross ML. 1999. The conspiracy of ignorance: the failure of American public schools. New York: HarperCollins
Heinich R e col. 1999. Instructional media and technologies for learning. Upper Saddle River: Prentice Hall
Morin E. 2000. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 2ª ed. São Paulo/Brasília: Cortez/Unesco
Morrison GR, Ross SM, Kemp JE. 2004. Designing effective instruction. 4ª ed. Hoboken: Wiley
Niskier A, Nathanael P. 2006. Educação, estágio e trabalho. São Paulo: Integrare
Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômicos/Ball C, Kelly AE, org. 2003. Compreendendo o cérebro – Rumo a uma nova ciência da aprendizagem. São Paulo: Senac
Pfromm Netto S. 1987. Psicologia da aprendizagem e do ensino. São Paulo: Epu/Edusp
Pfromm Netto S. 2001. Telas que ensinam. 2ª ed. Campinas: Alínea
Siqueira E. 2005. 2015 – Como viveremos. São Paulo: Saraiva
Terry WS. 2003. Learning and memory. Boston: Allyn and Beacon
Zuffo JA. 2003-4. A sociedade e a economia no novo milênio. 3 vol. São Paulo: Manole

segunda-feira, setembro 10, 2007

"J'ai rarement ouvert une porte par mégarde sans découvrir un spectacle qui me fît prendre l'humanité en pitié, en dégoût ou en horreur."
(Raramente tenho aberto uma porta por engano sem ter deparado com um espetáculo que me fez sentir pela humanidade compaixão, nojo ou horror.)
Anatole France (1844-1924)

REFLEXÕES

Entre a brutalidade para com o animal e a crueldade para com o homem, há uma só diferença: a vítima.
Lamartine
Nada beneficiará tanto a saúde humana e aumentará as chances de sobrevivência da vida na terra quanto a evolução para uma dieta vegetariana. A ordem de vida vegetariana, por seus efeitos físicos, influenciará o temperamento dos homens de uma tal maneira que melhorará em muito o destino da humanidade.
Albert Einstein
Quanto mais o homem simplifica a sua alimentação e se afasta do regime carnívoro, mais sábia é a sua mente.
George Bernard Shaw
Os animais são meus amigos...e eu não como meus amigos.
George Bernard Shaw (Nobel 1925)
A proteção dos animais faz parte da moral e da cultura dos povos.

Victor Hugo

Enquanto o homem continuar a ser destruidor impiedoso dos seres animados dos planos inferiores, não conhecerá a saúde nem a paz. Enquanto os homens massacrarem os animais, eles se matarão uns aos outros. Aquele que semeia a morte e o sofrimento não pode colher a alegria e o amor.
Pitágoras
Se experiências em animais fossem abandonadas, a humanidade teria tido um avanço fundamental.
Richard Wagner

Sinto que o progresso espiritual requer, em uma determinada etapa, que paremos de matar nossos companheiros, os animais, para a satisfação de nossos desejos corpóreos.
GandhiEu não tenho dúvidas que é parte do destino da raça humana, na sua evolução gradual, parar de comer animais.

Henry David Thoreau

O destino dos animais é muito mais importante para mim do que o medo de parecer ridículo.
Émile Zola

A compaixão para com os animais é das mais nobres virtudes da natureza humana.
Charles Darwin

A civilização de um povo se avalia pela forma que seus animais são tratados.
Humboldt

Muito pouco da grande crueldade mostrada pelos homens pode ser atribuída realmente a um instinto cruel. A maior parte dela é resultado da falta de reflexão ou de hábitos herdados.
Albert Schweitzer

Tempo virá em que os seres humanos se contentarão com uma alimentação vegetariana e julgarão a matança de um animal inocente como hoje se julga o assassínio de um homem.
Leonardo da Vinci

Se o homem aspira sinceramente viver uma vida real, sua primeira decisão deve ser abster-se de comer carne e não matar nenhum animal para comer.
Leon Tolstoy

Há muito de verdade no dito de que o homem se torna aquilo que come. Quanto mais grosseiro o alimento tanto mais grosseiro o corpo.
Ghandi
A carne é o alimento de certos animais. Todavia, nem todos, pois os cavalos, os bois e os elefantes se alimentam de ervas. Só os que têm índole bravia e feroz, os tigres, os leões etc. podem saciar-se em sangue. Que horror é engordar um corpo com outro corpo, viver da morte de seres vivos.
Pitágoras
O destino dos animais tem muito maior importância para mim do que o medo de parecer ridículo: está indissoluvelmente ligado ao destino do homem.
Emile Zola

Se quisermos nos libertar do sofrimento, não devemos viver do sofrimento e do assassínio infligidos a outros animais.
Paul Carton

Sempre que alguém diz 'não devemos ser sentimentais', entenda-se que está prestes a fazer algo cruel. E se acrescentar: 'temos que ser realistas', significa que vai ganhar dinheiro com isso.
Brigid Brophy

O homem implora a misericórdia de Deus mas não tem piedade dos animais, para os quais ele é um deus. Os animais que sacrificais já vos deram o doce tributo de seu leite, a maciez de sua lã e depositaram confiança nas mãos criminosas que os degolam. Ninguém purifica seu espírito com sangue. Na inocente cabeça do animal não é possível colocar o peso de um fio de cabelo das maldades e erros pelos quais cada um terá de responder.
Gautama Buda

A estrutura do homem, externa e interna, comparada com a de outros animais, mostra-nos que as frutas e os vegetais suculentos constituem sua alimentação natural.
Lineu

Que luta pela existência ou que terrível loucura vos levou a sujar vossas mãos com sangue — vós, repito, que sois nutridos por todas as benesses e confortos da vida? Por que ultrajais a face da boa terra, como se ela não fosse capaz de vos nutrir e satisfazer?
Plutarco

Os vegetais constituem alimentação suficiente para o estômago e, no entanto, recheamo-lo de vidas valiosas.
Sêneca

A grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo que seus animais são tratados.
Mahatma Gandhi

Se eu tivesse outra vida, dedicá-la-ia inteiramente à luta contra a vivissecção.
Bismark(Vivissecção = operação feita em animais vivos para estudo de fenômenos fisiológicos).

Se fôssemos capazes de imaginar o que se passa, constantemente, nos laboratórios de vivissecção, não poderíamos dormir em paz e em nenhum dia estaríamos felizes e tranqüilos.
Dr. Ralph Bircher

Ninguém pode se queixar da falta de um amigo, podendo ter um cão.
Marquês de Maricá
Falai aos animais, em lugar de lhes bater.

Tolstoi
Não me interessa nenhuma religião cujos princípios não melhorem nem levem em consideração as condições dos animais.
Abraham Lincoln
O erro da ética até o momento tem sido a crença de que só se deva aplicá-la em relação aos homens.
Dr. Albert Schweitzer
São Francisco de Assis os chamava de nossos irmãos inferiores, porém, inferiores somos nós quando não os estimamos.
Clóvis Hugues
Por que é que o sofrimento dos animais me comove tanto? Porque fazem parte da mesma comunidade a que pertenço, da mesma forma que meus próprios semelhantes.
Émile Zola

Virá o dia em que a matança de um animal será considerada crime tanto quanto o assassinato de um homem.
Leonardo da Vinci
Enquanto estivermos matando e torturando animais, vamos continuar a torturar e a matar seres humanos - vamos ter guerra. Matar precisa ser ensaiado e aprendido em pequena escala.
Edgar Kupfer-Koberwitz

Enquanto prendermos animais em gaiolas, teremos prisões, porque o ato de prender precisa ser aprendido em pequena escala.
Edgar Kupfer-Koberwitz

Enquanto escravizarmos os animais, teremos escravos humanos, porque escravizar precisa ser aprendido em pequena escala.
Edgar Kupfer-Koberwitz
Atrocidades não deixam de ser atrocidades quando cometidas em laboratórios e chamadas de pesquisa médica.
George Bernard Shaw (Nobel 1925)
Não há diferenças fundamentais entre o homem e os animais nas suas faculdades mentais...os animais, como os homens, demonstram sentir prazer, dor, felicidade e sofrimento.
Charles Darwin
A não- violência leva-nos aos mais altos conceitos de ética, o objetivo de toda evolução. Até pararmos de prejudicar todos os outros seres do planeta, nós continuaremos selvagens.
Thomas Edison
Como zeladores do planeta, é nossa responsabilidade lidar com todas as espécies com carinho, amor e compaixão. As crueldades que os animais sofrem pelas mãos dos homens está além do nossa compreensão. Por favor, ajude a parar com esta loucura.
Richard Gere

Se você pudesse ver ou sentir o sofrimento, certamente não pensaria duas vezes. Preserve a vida. Não coma carne.
Kim Basinger

Os animais dividem conosco o privilégio de terem uma alma.
Pitágoras

Não haverá justiça enquanto o homem empunhar uma faca ou uma arma e destruir aqueles que são mais fracos que ele.
Isaac Bashevis Singer (Nobel - 1978)
Os cães amam seus amigos e mordem seus inimigos, bem diferente das pessoas, que são incapazes de sentir amor puro e têm sempre que misturar amor e ódio em suas relações.
Sigmund Freud
Se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos. Nós nos sentimos melhores com nós mesmos e melhores com os animais, sabendo que nós não estamos contribuindo para o sofrimento deles.
Paul e Linda McCartney
Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante.
Albert Schwweitzer (Nobel da Paz - 1952)
Nada beneficiará mais a saúde da humanidade e aumentará as chances de sobrevivência da vida na Terra quanto a dieta vegetariana.
Albert Einstein (Nobel - 1921)
Matar um animal para fazer um casaco é um pecado. Nós não temos esse direito. Uma mulher realmente tem classe quando rejeita que um animal seja morto para ser colocado sobre os seus ombros. Só assim ela será verdadeiramente bela.
Doris Day
Primeiro foi necessário civilizar o homem em relação ao próprio homem. Agora é necessário civilizar o homem em relação a natureza e aos animais.
Victor Hugo

Minha doutrina é esta: se nós vemos coisas erradas ou crueldades, as quais temos o poder de evitar e nada fazemos, nós somos coniventes.
Anna Sewell

Eu temo pela minha espécie quando penso que Deus é justo.
Thomas Jefferson

A compaixão pelos animais está intimamente ligada a bondade de caráter, e pode ser seguramente afirmado que quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem.
Arthur Schopenhauer

Por trás da bela pele há uma história. Uma história sangrenta e bárbara.
Mary Tyler Moore

Em termos de evolução, bem maior é o débito da Humanidade para com os animais do que o crédito que lhes temos dispensado para seu bem-estar e progresso.
Eurípedes Kühl

Quando me tornei vegetariano, poupei dois seres, o outro e eu .
Prof. Hermógenes

Quando o homem aprender a respeitar até o menor amor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante.
Albert Schweitzer - Nobel da Paz de 1952

Não comer carne significa muito mais para mim que uma simples defesa do meu organismo; é um gesto simbólico da minha vontade de viver em harmonia com a natureza. O homem precisa de um novo tipo de relação com a natureza, uma relação que seja de integração em vez de domínio, uma relação de ser dentro dela e vez de possuí-la. Não comer carne simboliza respeito à vida universal.
Pierre Weil
Não creia que os animais sofrem menos do que os seres humanos. A dor é a mesma para eles e para nós. Talvez pior, pois eles não podem ajudar a si mesmos.
Dr. Louis J. Camuti
O que não concebo é degolar um cabrito, asfixiar uma pomba, cortar a nuca de uma galinha, ou dar punhaladas em um porco para que eu coma seus restos. Não é por uma questão de química biológica o motivo de eu ter me passado para as fileiras do ovo-lacto-vegetarianismo, mas pelo imperativo moral de que minha vida não seja mantida às custas da vida de outros seres.
Dr.Eduardo Alfonso, médico naturista espanhol

Os animais do mundo existem para seus próprios propósitos. Não foram feitos para os seres humanos, do mesmo modo que os negros não foram feitos para os brancos, nem as mulheres para os homens.
Alice Walker
Aquele que matou um boi é como aquele que matou um humano.
Isaías, profeta bíblico
Os animais que você come não são aqueles que devoram outros, você não come as bestas carnívoras, você as toma como padrão. Você só sente fome pelas criaturas doces e gentis que não ferem ninguém, que o seguem, o servem, e que são devoradas por você como recompensa de seus serviços.
Jean-Jacques Rousseau em "Emile"

É somente pelo amaciamento e disfarce da carne morta através do preparo culinário, que ela é tornada suscetível de mastigação ou digestão e que a visão de seus sucos sangrentos e horror puro não criam um desgosto e abominação intoleráveis.
Percy Bysshe Shelley
Um homem é verdadeiramente ético apenas quando obedece sua compulsão para ajudar toda a vida que ele é capaz de assistir, e evita ferir toda a coisa que vive.
Albert Schweitzer
Incêndios propositais e crueldade com animais são 2 dos 3 sinais na infância que sinalizam o potencial de um assassino serial.
John Douglas, analista do FBI que estuda o perfil de assassinos

sexta-feira, setembro 07, 2007

IMAGENS TROPICAIS


FOTO BY JOÃO UMBERTO NASSIF

IMAGENS

FOTO BY JOÃO UMBERTO NASSIF

PARA DAR ÁGUA NA BOCA...

FOTO BY JOÃO UMBERTO NASSIF

quinta-feira, setembro 06, 2007

WINSTON CHURHILL

"Politics are almost as exciting as war, and quite as dangerous. In war you can only be killed once, but in politics many times."

(A política é quase tão excitante como a guerra, e não menos perigosa. Na guerra a gente só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes.)


Winston Churchill (1874 - 1965)

sábado, agosto 18, 2007

Ao desconcerto do Mundo

Ao desconcerto do Mundo
Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim, que só para mim,
Anda o Mundo concertado.
Luís de Camões

terça-feira, agosto 07, 2007

IDADE MÍNIMA

"A matrícula nos cursos jurídicos exigia a idade mínima de quinze anos completos, e aprovação em língua francesa, gramática latina, retórica, filosofia racional e moral, e geometria."
Spencer Vampré
(in "Memórias para a Histórica da Academia de São Paulo",
SP, 1924, Vol. I, Saraiva e Cia Editores)

quarta-feira, agosto 01, 2007

MARCO ABREU


MARCO ABREU
A MÚSICA QUE EMBALA NOSSOS SONHOS...

PARA DEPRESSÃO LEVE OU PROFUNDA,
PARA DORES EM GERAL
DE CABEÇA, DE CALO, DE BOLSO, MALES DA CORCUNDA
UM TÔNICO FENOMENAL

SEM CONTRA INDICAÇÕES
MUITO INDICADO SE ESTIVER ACOMPANHADO
DE UMA SAUDADE QUALQUER
OU DE UMA LINDA MULHER

NÃO SE ACANHE, OUÇA POR DIA UMA HORA
DESSA MUSICA MARAVILHOSA
QUE SÓ O CORAÇÃO TOCA
SÓ A ALMA SENTE
ESSE REMÉDIO EFICIENTE DE MARCO DE ABREU!




EU VOU BEM, OBRIGADO...

Fazer um cd com choros do Abel Ferreira, sempre foi um sonho...
A clarineta, meu primeiro instrumento, me fez ouvir e admirar muito o Abel.
Conheço quase todos os seus discos, e esses choros foram escolhidos por uma afinidade com os solos, além de um que de nostálgico.
Me fez relembrar meus tempos de república em Tatuí, onde graças á dois amigos que dividiam comigo um quarto, fiquei ainda mais apaixonado pelo som do Abel.
Com certeza, não me atreveria a fazer um cd cover dele, mas sempre procuro fazer uma leitura próxima.
Dele gravei os ótimos, Haroldo no Choro, Chorinho do Bruno, Chorando Baixinho, Chorinho do Norte.
Poderia gravar outras também, já que gosto de toda a sua obra, mas gravei algumas sonoridades que tenho na cabeça, como o Pedacinhos de Céu (Waldir Azevedo), com Clarineta e Clarone, em duo com o meu afilhado e ” irmão Richard”.
Esse solo já tocamos há anos, e foi um arranjo do violonista Alessandro Penezzi.
O “Choro chorado pra Paulinho Nogueira” (Toquinho/P.Nogueira/V.Moraes) é outro clássico do choro moderno, e que eu pude explorar Clarone, Violoncelo, Clarineta/Sax-Alto, e a cozinha que sempre me acompanha Samuel G. Neto, André Grelha (piano), Marcos Vinicius de Moraes (violão/cavaco), Marcos Godoy (violão de 7 cordas), Rafael de Barros (cavaco/bandolim), Tito (pandeiro) e a participação especial de Lello Bittencourt (bateria). Violoncelo participação do meu amigo professor Raul Gobeth, e contrabaixo acústico Álvaro Damazzo, Luis Fernando Dutra, Andréia Maria de Almeida (Chorando Baixinho), Jacqueline de Oliveira (violinos em faixas alternadas), a flauta fica a encargo do flautista e professor Rafael Gobeth.
Tive a honra de ter a participação especial de: Cláudio Borici (piano), Fabiano Nunes e Silva (contrabaixo acústico), João Paulo Martins (violão), Eliezer Roberto da Silva (trompete e flugel horn), Elóy Porto Neto (trombone), no choro Ponto de Partida.
Procurei fazer alguns arranjos camerísticos (sem perder o balanço), procurando valorizar as canções escolhidas, e unir duas linguagens que costuma criar celeumas, o erudito e o popular.
Ouvindo os arranjos, cheguei a seguinte conclusão: bem vinda as diferenças, se é que as tem...
Elas se completam de tal forma, que o resultado só poderia ser esse.... (excelente).
Composições minhas: Eu vou bem, obrigado..., Quando a saudade aperta, Pisando Macio, Vera’s Bossa, Mais uma Bossa e Ponto de Partida (único arranjo com quinteto de metais).
Sou avesso á rótulos, pois isso limita a atuação do artista...
O choro eu vejo como um irmão do jazz, cada qual com seu sotaque, unindo duas Américas antagônicas.
As interpretações e intenções contidas neste cd, vem da minha influência e admiração por Benny Goodman, Art Pepper, Coleman Hawkins,Charlie Parker, Joe Lovano, Paquito D’Rivera, Phill Woods, John Coltrane, que por sua vez influenciaram meus favoritos brasileiros Severino Araújo, Luis Americano, K.Ximbinho Paulo Moura, Zé Bodega, Proveta, Paulo Sérgio Santos, Vinicius Dorim, Marcelo Martins...
Agradecimentos especiais aos meus amigos: João Paulo Martins (Estúdio Mr. Onda, que produziu, mixou e vestiu a camisa de 4 músicas que complementaram o cd), e ao meu amigo Arnóbio Costa (ASK Gravadora), que cedeu tempo e vontade, para que pudessem finalizar este trabalho.
Dedico este cd, ao meu amigo Bandória, clarinetista e também aos companheiros músicos do Clube do Choro de Piracicaba, e meus companheiros de Cd.
O título do Cd, é uma homenagem ao meu avô, que quando estava mal humorado, e as pessoas lhe perguntavam como vai, ele respondia: eu vou muito bem, ás minhas custas.
Como homem bem criado, eu respondo...
EU VOU BEM, OBRIGADO...

MARCO ABREU TALENTO RARO


"There's no social differences - till women come in."
(Não há diferenças sociais - enquanto as mulheres não entram em cena.)
H. G. Wells (1866-1946)

quinta-feira, julho 26, 2007

Hoje, 26 de julho, é comemorado o dia dos avós. É a devoção aos pais de Nossa Senhora, Sant'Ana e São Joaquim. Com efeito, o culto de Sant'Ana, mãe da Virgem Maria e avó de Jesus Cristo, remonta ao século VIII. Na Idade Média, seu culto se tornou popular. Em 1584, o Papa Gregório XIII fixou a data da festa de Sant'Ana em 26 de Julho, tendo o Papa Leão XIII, em 1879, estendendo-o para toda a Igreja. Por fim, como São Joaquim era comemorado, inicialmente, em dia diverso ao de Sant'Ana, o Papa Paulo VI associou num único dia, 26 de julho, a celebração dos pais de Maria Santíssima. É, assim, o Dia dos Avós.

"Vater werden ist nicht schwer, Vater sein dagegen sehr."
(Tornar-se pai não é difícil, difícil é sê-lo.)
Wilhelm Busch (1832-1908)

terça-feira, julho 24, 2007

PACIÊNCIA



"A paciência em um homem é uma virtude. Em um povo é quase sempre uma covardia."

Provérbio Oriental

segunda-feira, julho 23, 2007

RADICAL

Foto by João Umberto Nassif Foto by João Umberto Nassif

ÁGUA PURA

Foto by João Umberto Nassif

DANÇANDO UM TANGO

MELL
Foto by João Umberto Nassif

domingo, julho 22, 2007

EM 1930 FORD 1929 FOI O PRIMEIRO CARRO MOVIDO A ÁLCCOL NO BRASIL

JOÃO BOTTENE

Entre 1.940 e 1.942 foram construídas em Piracicaba pelo brasileiro João Bottene, duas locomotivas a vapor inteiramente nacionais, na Usina de Açúcar Monte Alegre, de propriedade da família Morganti,

A primeira locomotiva, Nº 1 com o nome Fúlvio Morganti tinha bitola de 600mm e funcionou nessa usina por muitos anos no transporte de cana de açúcar, lenha, álcool, açúcar e outros.

Em 1961, foi vendida para a Cia. Brasileira de Cimento Portland Perús, recebendo o nº 18 onde trabalhou até os anos 70. Estando hoje aposentada em um galpão junto com outras locomotivas inativas, no Bairro de Gato Preto, na cidade de Cajamar – SP, estando com possibilidade de recuperação, embora mal conservada.

Primeira locomotiva construída no Brasil. De terno branco, seu construtor João Bottene
Segunda locomotiva construída no Brasil


A segunda locomotiva, nº 2 com o nome D. Joaninha, bitola 800mm funcionou na usina Tamoio, na região de Araraquara – SP, também de propriedade da família Morganti, no transporte de cana de açúcar por muitos anos e após este período foi transferida na Estrada de Ferro Cantareira.

Encontra-se hoje na Praça Quarto Centenário, em Guarulhos, na Grande São Paulo, estacionada em frente a uma réplica da Estação da Cantareira Transway, em bom estado de conservação.

Uma terceira locomotiva, foi projetada por João Bottene, em 1941, com dupla frente, movida por dois motores automotivos, transformados para consumir o álcool como combustível.

Também era utilizada no transporte de cana de açúcar e outros.

Um grande amigo deu a família Bottene a honra de publicar em seu site parte desta historia.

Locomotiva movida com dois motores automotivos, convertidos para consumir o álcool.


Também, em 1932, iniciou junto com seu amigo José Vizioli, professor da Escola de Agronomia de Piracicaba, inúmeros testes com adaptações de motores a gasolina para funcionarem com o Álcool. E que em 1932 alistou-se na Revolução Constitucionalista para transformar os motores dos automóveis e caminhões ao uso do Álcool como combustível.
Em 1940 voou em seu próprio avião um Piper Cub utilizando o álcool como combustível, com muito sucesso?
Este foi João Bottene, um Piracicabano nato!


JOÃO BOTTENE - O CONSTRUTOR DE LOCOMOTIVAS

Em 1.888, a família Bottene, imigrantes italianos, estabeleceu-se na cidade de Piracicaba, onde fundaram uma oficina mecânica onde eram fabricadas barcaças que trafegavam pelo rio Piracicaba, no transporte de lenha para a Usina Societê Sucrerie Brasiliene localizada nas margens do rio.

Nascido em 05 de Maio de 1892, João Bottene desde pequeno demonstrou interesse e facilidade de lidar com coisas mecânicas, tanto que aos 14 anos construiu um pequeno locomóvel para começar a entender as máquinas a vapor.

Em dezembro de 1926 leu em uma revista que o Brasil possuía 58 ferrovias, com milhares de quilômetros de trilhos implantados, sendo a maior delas a Rede da Leopoldina Railway Company.

Esta noticia despertou em João, a oportunidade de entrar neste ramo, e começou em sua oficina a reparação das locomotivas da Estrada de Ferro Sorocabana (1925 a 1930), tanto as pequenas como as gigantes, eram reformadas, saindo como novas.

Com a revolução de 1932, foram interrompidos os trabalhos por problemas políticos e a oficina Bottene & Filhos foi vendida para Pedro Morganti, proprietário da Usina Monte Alegre em Piracicaba.

Nesta época, José Vizioli e João Bottene já tinham descoberto o álcool como combustível e fizeram muitas experiências transformando os motores automotivos para o consumo. João já circulava com seu carro Ford 1929 convertido para uso do álcool.

Na revolução João alistou-se como voluntário para transformar os autos e caminhões do governo para o uso do álcool como combustível, criando o Combustível Constituição, uma mistura álcool e óleo de mamona como aditivo.

Foi uma pena não ter tido continuidade a evolução do álcool como combustível, sendo despertado apenas nestes últimos anos.

AS LOCOMOTIVAS:

Com a venda da Bottene & Filhos, João montou a oficina mecânica da Usina Monte Alegre, com seus maquinários e os ex-funcionários. Nesta oficina, em 1933 a 1942 foram fabricadas as primeiras locomotivas inteiramente brasileiras.

A primeira locomotiva nº 1 Fulvio Morganti em 1961 foi vendida para a Companhia Brasileira de Cimentos Portland Perus. Recebeu o nº 18.

Em 1970 foi restaurada conforme foto enviada pelo pesquisador da Estrada de Ferro Perus, senhor Nilson Rodrigues.

A segunda locomotiva nº 2 D. Joaninha trabalhou na Usina Tamoio de propriedade de Pedro Morganti, por muitos anos e depois foi vendida e hoje encontra-se na Praça 7 de Setembro em Guarulhos – São Paulo.

A terceira locomotiva Maria Helena foi construída com dois motores automotivos convertidos para uso do álcool como combustível e utilizada também para o transporte de cana de açúcar na Usina Monte Alegre.

Sobre as locomotivas a vapor construídas por João, as caldeiras foram fabricadas utilizando a solda elétrica com eletrodos Lincoln importados dos EUA, substituindo os arrebites de aço.

Este fato foi inédito para a época. João contratou os técnicos da fábrica de eletrodos Lincoln para fazer inspeção nas soldas, sendo todas aprovadas.

terça-feira, junho 26, 2007

Causo

Suicidem-me os senhores


Sessão do Congresso Constituinte, de 19 de novembro de 1890. Discute-se um artigo da futura Constituição, e César Zama, representante da Bahia, combate-o vigorosamente.
- Eu não dou o meu voto a essa disposição, - exclamava. - Houve um deputado que representava a minha província, o qual dizia...
E citando a frase do outro:
- Suicidem-me os senhores, porque, por minhas mãos, eu não me suicido!...

Não há alma sem corpo

"Não há alma sem corpo, que tantos corpos faça sem alma, como este purgatório a que chamais honra; onde muitas vezes os homens cuidam que a ganham, aí a perdem."

Camões

domingo, junho 24, 2007

FOGO ENTRE GRADES

Foto by João Umberto Nassif

CRIATIVIDADE

Foto João Umberto Nassif
Obs.: Bicicleta com excelente sistema de som, acumulador automotivo acoplado, extintor, painel de seta e lanternas de direção funcionando! Buzina a ar. E a simpatia do ciclista!

ELEMENTOS

Foto by João Umberto Nassif

PAUTA MUSICAL

Foto by João Umberto Nassif

PERSPECTIVA

Foto by João Umberto Nassif

FESTA DE LANÇAMENTO TERRAS

Foto by João Umberto Nassif

O MONOTRILHO

Foto by João Umberto Nassif

SIMPATIA COM GARANTIA

Foto by João Umberto Nassif

terça-feira, junho 12, 2007

HOMENAGEM Á JOSÉ LUIZ GUIDOTTI

AO NAVEGADOR JOSÉ LUIZ GUIDOTTI PARA QUEM AS ÁGUAS NUNCA FORAM OBSTÁCULOS. NOS DEIXA SAUDADE E A CERTEZA DE QUE IRÁ NAVEGAR OUTRAS DIMENSÕES MAIORES. JOSÉ LUIZ GUIDOTTI SEMPRE ENCAROU COM OTIMISMO E CORAGEM AS TORMENTAS E TEMPESTADES. DENTRO E FORA DAS ÁGUAS. UM HOMEM QUE NUNCA DEIXOU DE SER MENINO EM SEU ESPÍRITO DE AVENTURA.

domingo, junho 10, 2007

O SINO

MAPA GEOREFERENCIADO

A Prefeitura de Piracicaba, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento e o Instituto de Pesquisas e Planejamento de Piracicaba lançam no próximo dia 21 de junho, às 10h, no anfiteatro do o Mapa Georeferenciado das Estradas Rurais do Município de Piracicaba com sistema de localização por satélite.O mapa das estradas rurais é uma inovação, segundo o diretor-presidente do Ipplap, João Chaddad. “O mapa é inédito na região, talvez no Brasil”. Antes deste mapa, a única forma de localização das estradas rurais era um mapa em papel vegetal, que não tinha codificação, nos moldes do Departamento de Estradas e Rodagem. Com este mapa, as vias são codificadas em radiais, transversais e acesso. Isto facilita toda a localização. “Quando você diz que está na estrada rural PIR 290, há possibilidade de você saber se está ao sul da Catedral de Santo Antônio (marco zero deste mapa) ou a norte, por exemplo. É como a localização das estradas estaduais, que tem como marco zero a Praça da Sé”.Para o secretário Municipal de Agricultura e Abastecimento, Waldemar Gimenez, a produção deste mapa atende uma aspiração da Sema e vem ao encontro de um anseio grande de ter um mapa georeferenciado, que auxilia e muito no trabalhos desenvolvidos pela municipalidade, em especial àquela que ele é o titular. “Com este mapa, podemos visualizar nossas estradas, nossas pontes, nossas passagens, o que facilita muito o trabalho da Secretaria”.Gimenez ainda lembra o quanto que o mapa poderá colaborar na vida do morador da zona rural. “A existência do mapa permitirá que o morador da zona rural tenha um endereço e receba, por exemplo, compras de supermercado, de lojas de eletrodomésticos, cartas do correio, atendimento policial, hospitalar e de bombeiros, só para citar alguns exemplos.”Chaddad complementa a fala de Gimenez e afirma “Para nós que vivemos na área urbana, ter acesso a estes direitos parece uma coisa elementar, mas para a zona rural isto é um grande avanço”.Chaddad ainda lembra que isto é um grande avanço mesmo, porque Piracicaba é 19º município do estado em tamanho e que tem mais de 2.000km de estradas rurais. “Georeferenciar esta área é ter poder ter noção de todo o nosso território, que é formado por 11% de área urbana e 89% de área rural.”Além do lançamento do mapa, os responsáveis anunciam - como etapa posterior - a colocação de placas indicativas na zona rural, principalmente nas bifurcações. O mapa foi elaborado pelo Ipplap, com colaboração da Sema e do engenheiro João David Pavani.

BLOG DO NASSIF


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sábado, junho 09, 2007

PANTERA

Foto by João Umberto Nassif
"La cultura es un menester imprescindible de toda vida, es una dimensión constitutiva de la existencia humana como las manos son un atributo del hombre."

(A cultura é uma necessidade imprescindível de toda vida, é uma dimensão constitutiva da existência humana, como as mãos são um atributo do homem.)

Ortega y Gasset (1883-1955)

segunda-feira, junho 04, 2007

CAFÉ


SEMÁFORO DIGITAL

R,Santa Cruz X Saldanha Marinho

Foto by João Umberto Nassif

BAILE DE GARAGEM....

Foto João Umberto Nassif

Capela São Jorge


Fatos e notícias

"Meldungen stürzen die Welt nie um. Das tun die Tatsachen, die wir nun einmal nicht ändern können, da sie schon geschehen sind, wenn die Meldungen eintreffen."

(Notícias nunca derrubam o mundo. O que o derruba são os fatos, que nós não podemos modificar, pois que já aconteceram quando as notícias nos chegam.)

Dürrenmatt

domingo, junho 03, 2007

sábado, junho 02, 2007

CIVILIZAÇÃO X NATUREZA

Foto by João Umberto Nassif

ARTES DA NATUREZA

Foto by João Umberto Nassif

sábado, maio 19, 2007

IMAGENS


ADIVINHE QUEM VEIO PARA ALMOÇAR...


Foto by João Umberto Nassif

sexta-feira, maio 18, 2007

Sincronia



Foto by João Umberto Nassif

quinta-feira, maio 17, 2007

CRIATIVIDADE


Foto by João Umberto Nassif

domingo, maio 06, 2007

terça-feira, maio 01, 2007

domingo, abril 29, 2007

Kibe Loco

domingo, março 25, 2007

Livros

"O desgosto dos livros emprestados é tão grande que eles nunca mais voltam."

sábado, fevereiro 24, 2007

"Os homens mudam-se todas as vezes que se vestem; como se o hábito infundisse uma nova natureza."
Matias Aires (1705 - 1763)

sábado, fevereiro 17, 2007

PARQUE DA LUZ

A criação do Parque da Luz:uma estratégia da metrópole portuguesa no Brasil ColôniaConsiderado como o jardim público mais antigo da cidade, o atual Parque da Luz já foi tema de inúmeros estudos pelas mãos de grandes historiadores – veja uma pequena relação dessas obras no final deste artigo.Através dessas pesquisas ficamos sabendo, por exemplo, que no dia 19 de novembro de 1798, uma ordem régia determinava ao então capitão-general de São Paulo, Antônio Manuel de Melo Castro e Mendonça, a construção de um jardim botânico. O local escolhido para esse empreendimento recaiu sobre um grande terreno localizado no antigo “arrabalde do Guarepe”, imediações da Capela de Nossa Senhora da Luz. Para este local estava sendo projetada a construção de um quartel militar e, para financiar as obras, uma subscrição pública estava em andamento. Recebida, porém, a ordem de criação de um horto, parte do dinheiro arrecadado foi utilizado nessa nova empreitada. Uma primeira conclusão, portanto, é que o Parque da Luz nasceu como jardim ou horto botânico.Revelado esse aspecto inicial do tradicional Jardim da Luz, os estudos até agora empreendidos não deram conta de explicar os reais motivos que nortearam a fundação de tal empreendimento em São Paulo ou, em outras palavras, poderíamos perguntar: por que desejavam criar um jardim botânico em São Paulo? De quem partiu a idéia e qual a necessidade de um equipamento desse tipo entre finais do século XVIII e início do XIX? Esta é uma questão um tanto nebulosa na nossa história que, a partir de agora, tentaremos desvendar.
Na mesma época em que chegava a ordem de construção do horto, a rainha de Portugal, D. Maria I, determinava através de uma longa memória que pesquisas fossem realizadas em São Paulo com o fim de se "promover a agricultura", especialmente com os gêneros mais próprios às condições da capitania. Mais ainda, determinava a soberana que o capitão-general deveria promover a "transplantação e introdução de novas plantas" que se adaptassem ao clima paulista e, dentre as novas culturas citadas como promissoras para São Paulo, estavam o cacau – que já produzia "vantajosamente no Rio de Janeiro" – e a baunilha, planta esta que crescia espontaneamente nos "matos silvestres" da Capitania de São Paulo, conforme fora informada a rainha.
Mais ainda, data daquele mesmo ano uma outra ordem de Sua Majestade: pesquisas deveriam ser realizadas com várias madeiras nativas na capitania para saber quais delas poderiam ser utilizadas na fabricação de papel. Diante dessa preocupação da coroa portuguesa com as madeiras e plantas brasileiras – em especial com as nativas e as que poderiam se adaptar ao solo e clima da então Capitania de São Paulo –, o Conde de Linhares, D. Rodrigo de Sousa Coutinho, poderoso ministro do governo português, enviaria uma missiva ao capitão-general de São Paulo. Nela, o conde informava que, no Pará, o general D. Francisco de Sousa havia fundado um horto botânico e ordenava ao capitão o mesmo fizesse em São Paulo. A carta datava de 19 de dezembro de 1798 – e não de 19 de novembro, conforme registraram vários historiadores. Erro de data, aliás, que impossibilitou a vários pesquisadores o resgate do original.Em resposta, o capitão-general de São Paulo, Antônio Manuel de Melo Castro e Mendonça escreveria ao Conde de Linhares:
Ilmo. e Exmo. Sr. - Por aviso de 19 de dezembro de 1798, me participa V. Exa. o estabelecimento de um Horto Botânico que o Ilmo. e Exmo. Sr. D. Francisco de Souza, general do Pará ali havia formado, ordenando-me que com a menor despesa possível, executasse o mesmo nesta capitania, procurando propagar de sementes as Árvores de Madeira própria de construção para serem semeadas nas Matas Reais. Eu tenho há meses intentado construir um Hospital militar por meio de uma subscrição voluntária, a que de bom ânimo se prestou toda a gente; havia determinado que junto a ele houvesse um Quintal grande para uma coleção de plantas mais medicinais; porém, com o aviso de V. Exa., lancei mão de um maior terreno nos subúrbios desta cidade, cujas terras devolutas este mês principio a cercar, e logo que o engenheiro acabe os mapas, de que se acha encarregado, terei a satisfação de enviar a V. Exa. [...] Deus Guarde a V. Exa. S. Paulo 12 de abril de 1799. Esta carta, por sua vez, não ficou sem resposta. Em novembro de 1799, comunicou o Conde de Linhares ao governante paulista:
Sua Alteza Real lizongea-se, como V. Sª propoem, que sem maior gravame da Fazenda Real, e servindo-se de subscrições voluntárias, poderá construir um Hospital Militar, e o Horto Botânico, onde se reunam as Plantas naturaes, e exóticas, que possam merecer ser cultivadas na Capitania, certamente um e outro objeto são do maior interesse [...] D. Maria I, a rainha de Portugal naquela época, dedicava especial atenção às ciências e, principalmente, aos produtos agrícolas de suas colônias. Ela viabilizou, por exemplo, a fundação da Academia Real de Ciências de Lisboa em 1779 e, em 1790, promoveu a introdução do café na ilha de São Nicolau, uma possessão portuguesa. Com respeito ao Brasil, tivemos várias iniciativas nessa área, não obstante a mesma soberana ter proibido a fundação de indústrias no país tendo, inclusive, emitido uma ordem em 1785 mandando "destruir as fábricas do Brasil”.Devido aos seus problemas de saúde, com crises de insanidade, D. Maria I era auxiliada pelo filho, futuro D. João VI, e pelo ministro Conde de Linhares, este considerado o mais ilustrado do corpo administrativo. O conde, aliás, acumulava o cargo de ministro com o de inspetor geral do Gabinete de História Natural e do Jardim Botânico da Ajuda. Com a transferência da Família Real para o Rio de Janeiro em 1808, o Conde de Linhares também participou da fundação do Jardim Botânico desta última cidade.
Jardim Público ou Horto Botânico: o grande espaço na parte superior corresponde a trecho da atual avenida Tiradentes. Detalhe da Planta da Imperial Cidade de São Paulo em 1810, levantada pelo Capitão Engenheiro Rufino J. Felizardo e Costa.Prefeitura do Município de São Paulo. São Paulo Antigo: Plantas da Cidade. São Paulo: Comissão do IV Centenário, 1954. Eis, portanto, o que conseguimos desvendar a respeito da fundação do nosso tradicional Jardim da Luz. Foi ele parte de um processo político-econômico que obedecia a algumas estratégias da metrópole portuguesa. Sugestivo, nesse caso, foi um detalhe que poderia passar despercebido na carta do capitão-general de São Paulo datada de 1799 (uma verdadeira "certidão de nascimento" do Jardim da Luz): reproduziu ele um argumento do próprio Conde de Linhares, ou seja, de que era preciso "propagar sementes de árvores de madeira próprias de construção" e, aqui, não podemos nos esquecer da indústria naval portuguesa, que necessitava dessa matéria-prima para a construção de navios.Apesar de não ter mantido essa característica nos anos que se seguiram, este foi o real motivo que fundamentou a criação do Parque da Luz.
Luís Soares de Camargo

O Jardim Botânico, em registro executado no período 1844-1847. Detalhe do Mapa da Cidade de São Paulo e seus Subúrbios, levantada pelo engenheiro C. A. Bresser. Prefeitura do Município de São Paulo. São Paulo Antigo: Plantas da Cidade. São Paulo: Comissão do IV Centenário, 1954

GOSTAR DO TRABALHO

"Gosto muito do trabalho ; fascina-me. Posso sentar-me e contemplá-lo horas a fio."
Jerome K. Jerome (1859-1927) escritor e humorista inglês

REFLEXÕES REFLEXÍVEIS.

João Hélio e a "falência" do Estado brasileiro

Atahualpa Fernandez*

É possível que o alto e descontrolado índice de criminalidade, violência e insegurança de que tem sido vítima a sociedade brasileira seja um fenômeno que não tenha a dimensão e a transcendência que parece. É possível. Também pode ser o contrário: que por razões nada difíceis de imaginar nossas instituições públicas não estejam dando a devida importância à tarefa de garantir a liberdade e a segurança dos cidadãos brasileiros. Sem menosprezar o papel útil, em termos de utilidade mediática e de interesse pessoal, dos discursos proferidos por nossos governantes toda vez que surge uma vítima inocente da barbárie que vivenciamos em nosso cotidiano, tenho a sensação - compartida, por certo, com muitas pessoas - de que o atual modelo de Estado brasileiro deveria tomar outro rumo completamente distinto.

Algo passa com o Estado brasileiro e, nomeadamente, com nossos governantes. E é já um tanto ridículo a esta altura seguir falando de “ aumento da maioridade penal”, “rapidez da justiça”, “aumento das penas privativas de liberdade”, “alteração da legislação”, etc., na medida em que tais especulações encontram-se profundamente arraigadas em posturas que estão fora de lugar, são parte do problema, e não parte da solução, e temos o dever ético de nos desviar delas da melhor forma possível.

Qualquer discurso malévolo que use imagens ou argumentos como camuflagem para dissimular um problema real deveria pesar muito na consciência de todos os que se dizem governantes. Enquanto nossos dirigentes não atuem rápida e explicitamente na solução do problema da criminalidade, da violência e da insegurança pública, são todos eles cúmplices. Episódicas expressões de consternação não somente não são (definitivamente) suficientes senão que já não há mais tempo e nem motivos para este tipo de comportamento: a “pusilanimidade”, a “inércia”, a “indiferença” – chame-se como queira – de nossas instituições é fenômeno inconcusso que deveria fazer-nos reflexionar vivamente sobre o ponto de estancamento a que estas chegaram.

Mas o que salta à vista, por mais que possam negá-lo – que certamente não o fazem - as autoridades e as instituições responsáveis pela segurança cidadã, desde as esferas federais até as que dirigem Estados específicos passando pelas que efetivamente dispõem dos instrumentos para tanto (a polícia), é que, já faz algum tempo, alcançamos sobre essa questão uma situação de stress, reprovável e feia. E que isso esteja sucedendo ademais com vítimas inocentes e até mesmo com crianças supõe algo de tanta gravidade que deveria preocupar a todos. Porque é a própria sociedade em concreto a ameaçada e constantemente violada, com bem negras perspectivas no horizonte.

As conseqüências dessa situação de quebra do Estado brasileiro entendido como via imprescindível para a construção de uma sociedade “livre, justa, segura e solidária” se comprova sem mais que folhear qualquer jornal, ver a televisão ou passear por qualquer cidade brasileira. Isso , por si só, já deveria ser suficiente para perceber o aberrante e desmesurado fracasso que cada dia suporta a dignidade de nossos cidadãos: ontem os escândalos de corrupção envolvendo legisladores e membros do executivo , hoje a morte inescrupulosa de uma criança que, a continuar o atual status quo, não passará de mais um número na larga e degradante estatística da criminalidade brasileira. E isto apenas para citar algumas das circunstâncias que caracterizam o circular e perverso desprezo estatal pelo reconhecimento e garantia dos direitos, deveres e garantias assegurados a todo e qualquer cidadão brasileiro.

De fato, qualquer parecido com o que caberia chamar um verdadeiro Estado republicano brilha de maneira clamorosa por sua ausência. Vivemos em um contexto em que a idéia de liberdade e segurança parecem ter perdido qualquer sentido de valor: e isto porque não existe propriamente liberdade sem segurança. A insegurança implica ela mesma uma falta de liberdade, tanto mais profunda quanto mais dramática seja essa insegurança. Porque falta de liberdade – de decidir , de fazer e ainda de rechaçar e resistir – é a que tem o cidadão que apenas chega ao fim do dia e não sabe se amanhã conservará a sua vida; é a que sofrem todas as mães que dependem da exígua caridade dos assaltantes e seqüestradores de seus filhos. Falta de liberdade é a que sofrem as famílias brasileiras porque necessidades e desejos vitais para elas já não dependem de instituições que dão suporte a uma vida digna e segura. Falta de liberdade, enfim, é o que padece aquele que vive (ou sobrevive) com a permissão de delinqüentes . Por onde se vê , a sociedade brasileira, porque vive sob o manto perverso de um Estado impotente e ineficaz ( que continua a distribuir de forma tão grosseiramente desigual recursos, oportunidades e riqueza) , padece de um profundo e crônico problema de falta de liberdade.

Postas assim as coisas, caberia então perguntar: sabem nossos governantes governar? A resposta mais sincera disponível , diante do alarmante índice de criminalidade e insegurança pública, diz que não. Mas: sabem ao menos em que consiste governar? Repetir a negativa seria tremendo e espantoso. E sem embargo parece ser essa a impressão que dão à sociedade. Talvez fosse bom recordar a respeito algumas trivialidades. A primeira, que se governa sobretudo por meio de uma participação e um compromisso integral dos dirigentes das instituições públicas estatais. A segunda, que somente por meio de instituições permanentemente atuantes, vigilantes e eficazes é possível viabilizar o florescimento e o crescimento de comunidades éticas. A terceira, que a ausência de segurança por detrás de qualquer interesse meramente político ou desinteresse institucional, condena qualquer tipo de formação ética e liberdade à ruína . Enquanto olvidemos essas verdades, o fracasso do Estado brasileiro estará garantido.
E se continuarmos a dar essa situação por normal, se não fazemos nada para corrigi-la, talvez possamos economizar os gastos que se investem em segurança pública porque, de uma maneira ou outra, não servirão de grande coisa. Assim que me preocupa a atitude de nossas instituições e governantes quando, ainda diante de casos como o do pequeno João Hélio (6 anos), continuam a insistir em um modelo de Estado que não trata de defender nossa liberdade, de proteger-nos frente aos abusos e a inércia dos poderes públicos , de prevenir e condenar com eficácia a ação delitiva, de inviabilizar qualquer forma de existência indigna ou de criminalidade, de promover a igualdade entre os indivíduos, de tutelar e garantir (de forma incondicional) a inviolável segurança de toda criança, de por fim a um modelo de sociedade que se encontra a mercê de uma violência descontrolada, enfim, de atuar como agente construtor de uma comunidade de homens livres e iguais , unidos por uma comum e consensual adesão ao direito e em pleno e permanente exercício de sua cidadania. E por aí poderíamos seguir.

Mas podem nossos governantes ter ainda a pretensão de não olvidar a vinculação necessária entre suas atuações e a dignidade humana? Parece que sim, desde que considerem que a atividade de governar deve estar permeada pela pretensão de que suas atuações sejam moralmente corretas, justas e sem solução de continuidade. A ela (atividade) lhe corresponde a intenção e o dever de agir pronta e corretamente , de que não é suficiente para resolver o atual, alarmante e desconcertante problema da criminalidade e da insegurança pública o recurso a acontecimentos trágicos , sempre permeados por uma retórica dessorada, inoportuna e vazia de conteúdo.

Neste caso, o ato de governar carrega consigo a virtuosa intenção e disposição de mudar um Estado de coisas de conformidade com algo que se pretenda justo , isto é, com a idéia de que todo cidadão brasileiro, ao invés de se converter em objeto de estatísticas estatais, sempre deve ser respeitado como um fim em si mesmo e não como instrumento de episódicos e injustificados interesses políticos. Somente sob essa perspectiva poderá vir o Estado brasileiro a afirmar-se como instituição preocupada com a justiça e com a Constituição da República , não somente controlando toda a desregrada maquinaria estatal em suas funções administrativas e legais , senão também assegurando de forma efetiva os princípios , direitos e garantias constitucionais. Em resumo, como diria Rawls, do que “deve ser” próprio da atividade de uma instituição justa.

É preciso reconhecer que enquanto houver indivíduos vivendo na miséria gerada pela total falta de segurança e com o permissão de outros - “no pior de todos os mundos possíveis”, para usar a expressão de Schopenhauer –,ética, liberdade e igualdade , não são para eles sequer meras possibilidade humanas. Depois, para ser um bom governante não basta com ter capacidade argumentativa ( “de palanque eleitoral”) , senão que é necessário também ter outras virtudes como sentido da justiça , compaixão , determinação e valentia – aliás, como bem alertado pela mãe do pequeno João Hélio.

Mas se em realidade nada disso importa, pior para todos. Sem embargo, a mensagem que há que enviar àqueles que estão governando é que não é insignificante ou “sem sentido” o que está sucedendo: que a indiferença, a pusilanimidade e a falta de uma adequada atuação e vigilância estatal não são ( e não devem ser) a regra. Que a simples suspeita de que algo vai mal (e vai) já constitui razão suficiente para ficar atento e pressionar as instituições públicas até averiguar o que efetivamente está ocorrendo. E que, depois de tudo, se obrará em conseqüência.

Afinal, o ato de governar não é apenas uma questão instrumental, mas acima de tudo reflexo do imperativo moral ( e constitucional) de que capacitar o ser humano para o exercício virtuoso da cidadania, como valor primeiro, somente se afirma a partir do respeito incondicional por sua vida e sua dignidade: não somente do cidadão como objeto de interesses e oportunismos meramente políticos, mas de um ser humano com plena aptidão para sentir, reagir, amar, eleger, cooperar, dialogar e de ser, em última instância, capaz de autodeterminar-se livremente no âmbito de sua secular e peculiar existência.

Parafraseando Charles Darwin : se a miséria de nossos cidadãos não é causada por leis da natureza mas por nossas próprias instituições, imenso é o nosso pecado. O resto é mitologia.
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*Professor, Advogado e Membro do MPU (aposentado)

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