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sábado, setembro 08, 2018
NELSON DE OLIVEIRA BUENO
PROGRAMA PIRACICABA
HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 02 de junho de 2018.
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 02 de junho de 2018.
Entrevista: Publicada aos
sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
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http://www.teleresponde.com.br/
ENTREVISTADO: NELSON DE OLIVEIRA BUENO
ENTREVISTADO: NELSON DE OLIVEIRA BUENO
O advogado e contador Nelson de Oliveira Bueno dá umas
pinceladas da história de Piracicaba, uma cidade onde muitos se conheciam e
eram conhecidos. Herdou do seu pai uma loja de ferragens na Rua Governador
Pedro de Toledo, mas logo viu que tinha vocação para trabalhar com números, e
mais tarde também com leis. Ao sabor da sua memória, lembra-se de algumas
pessoas, fatos, lugares. Mantém um bom humor elogiável, perspicaz, raciocínio
rápido. Como um quebra cabeça, vai contando fatos que se encaixam no grande
painel da História de Piracicaba. Nelson de Oliveira Bueno nasceu a 2 de maio de 1925.
Do alto dos seus 93 anos mantém o bom humor constante, sem perder a
oportunidade de provocar o riso com suas inteligentes, rápidas e inocentes
frases, fazendo com que as pessoas ao seu redor tornem-se mais alegres. Nascido em Piracicaba, a Rua Governador Pedro
de Toledo onde seu pai João de Oliveira Bueno era comerciante, proprietário da
Casa Bueno, especializada em ferragens, situada nas proximidades do Mercado
Municipal, em frente a casa de Inácio Negreiros, entre a Rua D. Pedro II e Rua
Rangel Pestana. Sua mãe era Francisca de Mello Bueno.
Quantos filhos seus pais tiveram?
Tiveram 12 filhos, sendo que 5 faleceram ainda muito
novos.
O senhor estudou em qual escola?
Um ou dois anos estudei no Grupo Moraes Barros, eu
morava perto, na Rua Alferes José Caetano. Depois mudamos para a Rua São João,
passei a estudar no Sud Mennucci.
Tive aulas com grandes professores: Demóstenes
dos Santos Corrêa, conheci Benedito de Andrade, mas não tive aulas com ele. Jethro Vaz de Toledo era professor do Curso Normal. Tive aulas de
química com o músico Erotides de Campos. (Ele era professor de música, mas diz
a lenda que forças ocultas o forçaram a transformar-se em professor de química
lecionando uma matéria que pouco conhecia, fazendo o máximo para dar o melhor
de si). Erotides de Campos era pardo
(afro-descendente), uma pessoa muito boa. Tive aulas com os irmãos Dutra:
Archimedes Benedito e João. Eram bons professores. O diretor era Lamartine
Coimbra. No Sud Mennucci fiz o ginásio.
O senhor foi trabalhar com seu pai na Casa Bueno?
Fui. Ao lado havia a Casa Guerra de José Guerra, um
português, de baixa estatura, usava suspensórios, casado com Mariquinha Guerra.
As chamadas “casas de curta permanência” situavam-se na Rua Benjamin Constant, entre as ruas Cristiano Cleopath e São José isso
na década de 40. Era a rua do pecado. A cidade foi crescendo, e aquela área foi
valorizando-se, empurrando as moradoras para um local mais afastado. Coincidiu
de o Guerra ter construído uma série de casas no local denominado Cano Frio
para onde essas profissionais da noite mudaram-se e viria a ser transformado na
nova zona do meretrício, na rua Silva Jardim substituindo a da rua Benjamin. Quando
menino presenciei muitas vezes as idas dessas senhoras que iam negociar em sua
loja, pagar aluguel. Há um fato muito curioso: em frente a Casa Guerra, atuando
também no ramo de armarinhos, havia a Casa da Paz, de propriedade do libanês Antonio
Sallun, irmão de Elias Sallun.
O senhor permaneceu trabalhando com seu pai até se casar?
Exatamente, casei-me com Lourdes Oliveira Bueno na Igreja
Matriz de Santo Antonio. Tivemos três filhas: Maria de Lurdes, Maria Lígia e
Maria Lúcia.
O senhor assumiu a propriedade da Casa Bueno?
Assumi, mas achei por bem vender a Casa Bueno. Decidi morar
em Santa Bárbara D`Oeste. Tinha um amigo que trabalhava em um banco, ele
indicou uma empresa de tecelagem, fiquei um bom tempo trabalhando lá. Depois
fui morar em São Paulo, na Rua Cardeal Arcoverde quase esquina com a Rua
Fradique Coutinho. Fiquei algum tempo trabalhando lá, mas não gostei. Voltei
para Piracicaba, estudei contabilidade na famosa Escola do Zanin, próxima ao
Cine Politeama. Após formado tinha o meu próprio escritório: Escritório Bueno,
situado a Rua 13 de Maio, próximo ao Museu Prudente de Moraes, em frente a Casa
do Dedini.
O senhor continuou seus estudos?
Surgiu a oportunidade de fazer o curso de Direito, isso na primeira
turma do curso que inicia seus estudos no ano de 1972, na UNIMEP. Cursei a
noite. Peguei um ano em que o curso durava quatro anos, na turma seguinte o
curso passou a durar cinco anos. Como advogado trabalhava em todas as áreas
menos a criminal.
O senhor conheceu o Teatro Santo Estevão?
Frequentei o Teatro Santo Estevão. Foi uma demonstração de
ignorância a sua demolição. Diz a lenda que a freqüência, o barulho noturno, a
falta de banheiros suficientes que obrigava aos freqüentadores a se aliviarem
na parte externa ao teatro, incomodava vizinhos poderosos que moravam nas
proximidades. Estes com o aval de pseudo-intelectuais, subornados, apresentaram
um projeto de demolição à Câmara Municipal. Estando o prefeito ausente da
cidade, em questão de horas aprovaram a demolição e colocaram abaixo um
monumento cultural. Eu ia muito ao Teatro Santo Estevão a noite, lá nós
tínhamos um clube, no terceiro e último andar. Jogávamos ping-pong.
O senhor conheceu Jacob Diehl Netto?
Conheci! Tinha mais idade do que eu. Foi um advogado muito
famoso, político, jornalista, poeta, colaborou no “Jornal de Piracicaba” foi um dos fundadores do “Diário de
Piracicaba”. Presidiu o E. C. XV de Novembro e o Clube de Regatas Piracicaba.
Foi consultor jurídico da Prefeitura Municipal de Piracicaba e fez parte da
Câmara Municipal. Participou do 1º Batalhão Piracicabano com a esposa e o filho
Paschoal, na Revolução Constitucionalista de 1932
Lélio Ferrari foi seu conhecido?
Conheci Lélio
Ferrari, era proprietário da torrefação e moagem do café “Brasil”. Inaugurou o
Café Haiti na rua Moraes Barros, perto da Galeria Brasil, onde instalou o
primeiro café de máquina da cidade. Foi proprietário do Armazém Brasil, que nos
anos 60 se tornou no primeiro supermercado do interior paulista.
Advogado era uma profissão rentável?
Não ganhava muito não. Fiz a faculdade depois de casado, na
Rua D.Pedro, no prédio do Colégio Piracicabano, tem um pilar com uma placa onde
consta o nome de todos os formandos daquele ano. Havia muitos professores que
vinham de outras cidades lecionar aqui.
Lembra-se de Getúlio Vargas?
Meu pai e minha mãe tinham muitas idéias divergentes, a
única coisa em que se entendiam bem era na política, quando Getúlio foi
candidato eles o apoiaram, logo que ele tomou posse eles se decepcionaram com
ele. Quando Getúlio era bom o povo era contra, depois Getúlio ficou ruim o povo
resolveu ficar a favor.
Será que é por causa das Leis Trabalhistas criadas por Getúlio?
As Leis Trabalhistas, disciplinando os direitos trabalhistas
não foi Getúlio Vargas que fez, foi a época! Essa mudança foi mundial.
A nossa Constituição já foi mudada por oito vezes, qual é a sua
opinião?
Não sabiam o que queriam! Até hoje não sabem! Já acompanhei
muito a política, nunca quis me candidatar, hoje já não acompanho como antes.
Conheci Jânio Quadros pessoalmente, ele vinha à Piracicaba eu subia no palanque.
Adhemar de Barros nasceu em Piracicaba, eu era contra ele. A mais espetacular
ação da luta armada no Brasil foi anunciada ao resto do mundo pelo capitão
Carlos Lamarca, um dos líderes da guerrilha contra o regime militar instalado
em 1964. "Depois de uma longa investigação, localizamos uma parte da
famosa ‘caixinha’ do ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros, enriquecido
por anos e anos de corrupção. Conseguimos US$ 2,5 milhões. Esse dinheiro,
roubado do povo, a ele será devolvido", disse Lamarca à agência internacional
France Presse. Ele se referia a um cofre retirado na sexta-feira 18 de julho de
1969 da mansão onde morava o irmão de Ana Guimol Benchimol Capriglione, que
fora amante de Adhemar de Barros, morto quatro meses antes. Conhecida nos meios
políticos pelo pseudônimo de Dr. Rui. Na realidade, a guerrilha tinha
informações de que o ex-governador deixara oito cofres, mas só conseguiu
colocar a mão em um deles. (Depoimento complementado por informações da
“Revista Isto É” Edição nº 2527 de 21de julho de 1999).
O senhor conheceu Mário Dedini?
Conheci, ele tinha um filho Armando Dedini, eu tinha um
amigo, Antonio Carlos Teixeira Mendes, o Dedini incentivou a viagem dos dois
para os Estados Unidos, seu objetivo era que o seu filho conhecesse novas
realidades.
O senhor nadou no Rio Piracicaba?
Nadei! Eu freqüentava o Clube de Regatas Piracicaba,
cedinho, quando levantava ia para o Regatas. Remava catraia, tinha também um
sandolin.
O senhor fez o Tiro de Guerra?
Fiz! Na época ficava na Praça
Industrial, onde funcionou o Tiro de Guerra nº 270,
Escola Industrial e Delegacia de Ensino. Na rua do Rosário esquina com a rua Monsenhor Francisco Rosa. Lembro-me do trem da Sorocabana, da Paulista. Com a Sorocabana ia para São Pedro, passear. Com a Paulista ia para São Paulo.
Escola Industrial e Delegacia de Ensino. Na rua do Rosário esquina com a rua Monsenhor Francisco Rosa. Lembro-me do trem da Sorocabana, da Paulista. Com a Sorocabana ia para São Pedro, passear. Com a Paulista ia para São Paulo.
O senhor atuou no fórum da Rua do Rosário
esquina com a Rua Prudente de Moraes?
Exatamente, era um prédio
imponente.
Havia uma personagem famosa em Piracicaba, famoso pelos exageros
verbais que cometia. Muitos senão inverossímeis próximos da inverdade, o João
da Curva.
Eu o conheci! Não tinha amizade, mas o conhecia.
O senhor assiste televisão?
Não assisto, ouço um pouco de rádio. Considero a televisão
um mal necessário.
Qual é a sua opinião sobre a violência?
É normal, em todo lugar existe. Onde está o homem há
violência. Ela se manifesta das mais diversas formas. Explicita ou implícita. O
problema é o homem.
No seu tempo de menino o Córrego do Itapeva, que em grande parte está
coberto pela Avenida Armando Salles de Oliveira, ainda era a céu aberto?
Era tudo a céu aberto! Havia uma nascente, próxima ao
Seminário Seráfico São Fidelis chamado de Olho de Nhá Rita. Quando era criança
entrava no Itapeva, a água era limpa, tinha peixinhos que pegávamos. No Rio
Piracicaba, um dia estava nadando quando um redemoinho que existe no local
chamado Poção, estava me levando para o fundo, meu primo Vladimir me puxou, ou
eu teria morrido.
Era moda quadrar jardim.
Quadrei muito jardim.
Arrumou bastante namoradas?
Namorava bem! Tenho uma coisa comigo, levo tudo na
brincadeira. Conheci muita gente: Tuffi Elias, José Cançado, Haldumont Nobre
Ferraz, os proprietários da famosa Livraria Brasil: Ari, Oswaldo. Tinha um
amigo Jorge Brasil Caruso, faleceu repentinamente. Conheci Jorge Coury,
advogado, seu irmão, Raul Coury, Pedro Cobra, proprietário da CICOBRA. Doutor Noedy Kràhenbühl Costa,
advogado muito conhecido na cidade: um gênio em linguagens antigas e modernas,
culto, autor de muitos artigos para o "Jornal dePiracicaba. Marcos Toledo
Piza, Salvador de Toledo
Piza Júnior.
Conheci muitas pessoas. Havia
uma farmácia famosa, a São Luis, ficava na Rua Governador Pedro de Toledo, ao lado
de um posto de gasolina na Rua Prudente de Moraes. Conheci Monsenhor Rosa, tem
um fato muito engraçado que aconteceu com ele. Naquela época os padres usavam
batina. Tinha um cego sentado na calçada pedindo esmola. Sem dizer nada ele
deu-lhe uma moedinha. Grato o cego disse-lhe: “-Nossa Senhora do Bom Parto a
proteja”. O cego havia confundido a batina com vestido. Quando o Monsenhor Rosa
ia organizar procissão determinava a posição das Filhas de Maria.
Qual era a padaria da sua preferência?
A INCA que ficava na Rua Governador Pedro de Toledo. A AVA-
Auto Viação Americana tinha um ponto de venda de passagem e ponto de partida e
chegada de ônibus na Rua Prudente de Moraes, em frente a Praça José Bonifácio.
Piracicaba não tinha rodoviária ainda. Ao lado ficava a Padaria Vosso Pão.
NILDA BORGES VIDAL
PROGRAMA PIRACICABA
HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 26 de maio de 2018.
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 26 de maio de 2018.
Entrevista: Publicada aos
sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
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ENTREVISTADA: NILDA BORGES VIDAL
ENTREVISTADA: NILDA BORGES VIDAL
Nilda Borges Vidal é nascida a 12 de março de 1938, no município de
Barretos, mais propriamente em um sítio, filha de Marcondes Borges da Silva e
Laurentina de Azevedo Borges que tiveram 14 filhos, sendo que três faleceram
com pouco tempo de vida.
Qual era a
atividade do pai da senhora?
Ele herdou da minha avó um cafezal, a mãe dele tinha uma fazenda muito
grande.
A senhora
trabalhou no cafezal?
Trabalhei! Tinha uns 10 anos de idade já apanhava café. Puxava os grãos
da vara (galho), saia os grãos e com uma peneira embaixo onde eles caiam.
Quando a peneira está cheia, você separa o joio do trigo. O trigo é o café bom.
Tirava folhas, ciscos, e algum grão de café inservível. Ao abanar a peneira já
é feita a separação. ( Da. Nilda faz gestos de quem está levantando e abaixando
uma peneira, abanando).
De que cor é o
café quando é apanhado?
É vermelho. O desenvolvimento do fruto exige cerca de seis meses
e, quando maduro, tem uma cor vermelho profundo e é conhecido como
"cereja". Após a colheita no
campo, possui certa umidade, que irá variar de acordo com o estado de maturação
sendo necessário fazer sua secagem para que não ocorram fatores que venham a
prejudicar a qualidade do produto. Nós usávamos o processo mais comum de
secagem que é feito em terreiro exposto ao sol para retirar a umidade dos
grãos. O tempo de secagem poderá variar de 8 até 30 dias de acordo com o tipo
de café, terreiro e condições climáticas.
Todas as noites, porém, são juntadas e cobertas com lonas para protegê-las do
orvalho, pois a umidade neste estágio seria prejudicial. No dia seguinte,
esparrama-se o café somente quando o orvalho do terreiro já tiver evaporado. Quando
o café está totalmente seco, a película externa torna-se quebradiça e pode ser
removida facilmente. Cada arbusto produz anualmente até um quilo e meio de
café, depois do quarto ou quinto ano. Os cafeeiros podem produzir até os 100
anos de idade, mas seu período mais produtivo vai do 5º ao 50º ano. A folhagem
é de um verde escuro brilhante. As flores são pequenas em formato de estrelas,
perfumadas, e crescem em cachos. No meio
do cafezal plantávamos melancia, que é rasteira, pé de mamão. Para o uso em
casa, os grãos de café que tinham ficado secando ao sol eram colocados em um
pilão de madeira e socados. Coava em uma peneira e deixava o café limpo. Eu
mesma muitas vezes soquei café no pilão. Depois esse pó era torrado. O artefato era
feito de metal e madeira, em formato esférico, movido por uma manivela, que
girava lentamente os grãos, em movimentos circulares, para evitar que eles
ficassem queimados; além de garantir uma torra uniforme. O recipiente esférico que tinha
contato com o fogo, era ligado à manivela em aço, que ao final dela tinha uma
proteção madeira, que o fazia girar. A proteção era de madeira para proteção
das mãos de quem a movia. Minha mãe já sabia a hora que estava pronto, dava um
aroma delicioso. Após torrado era guardado em uma lata. Todo dia quando ia
fazer o café moía os grãos em moedor próprio para moer café. Lembra um pouco
uma máquina de moer carne. Tenho um tio, Augusto, que mora na região de
Olímpia, ainda usa esse processo para consumo próprio. As melancias e os mamões
muitas vezes nós consumíamos na própria roça.
E para tomar água?
Levávamos
moringas que ficava na sombra, a água fresquinha. Tínhamos uma plantação de
arroz, feijão, quanto algodão eu apanhei! Apanhava e punha em um balaio. Eu
trabalhava com uma égua chamada Bainha, com ela arava a terra. O pessoal dizia ao meu pai em tom de
admiração: “ A Nilda é o filho homem que você não teve!”. Isso porque eu
trabalhava como um adulto, isso aos 15 anos. Sempre ajudei muito o meu pai.
Sempre comi de tudo.
A senhora estudou no período em que
morou no sítio?
Estudei! Na Fazenda Cachoeira
da minha avó e na Fazenda Lagoinha que era do meu tio, os meus pais mudaram
várias vezes de residência, sempre em busca de progresso. A minha avó paterna
chamava-se Ana, mas todos a chamavam de
Donana. Nunca a chamei de avó e sim de madrinha. O meu avô materno chamava-se
Nestálio. Não conheci meu avô paterno e nem a minha avó materna. Eram todos
brasileiros. Fiz o primeiro ano primário na Fazenda Cachoeira, as professoras
eram terríveis! Tinha uma régua de bambu, eu estava na classe “A” que era a
melhor. Um dia baixei a cabeça na carteira, a professora bateu com a vara na
carteira, levei um tremendo susto. Ela chamava-se Taís. Você vê como foi tão
marcante que não esqueci nem o nome da professora. Nessa escola estudei o
segundo ano. No ano seguinte mudamos para a Fazenda Lagoinha, Meu pai fez um
armazém na beira da estrada. Tinha campo de bocce. Ao lado da nossa casa era a
escola, em seguida a igreja. Nessa escola estudei o terceiro ano. Era um
vilarejo. A minha professora precisava de alguém que a ajudasse em casa. Eu
tinha uns 10 anos. Sai da escola e fui trabalhar como empregada doméstica. Lá
eu trabalhei até o meu pai mudar com a família para outro lugar.
Foram morar em que local?
Fomos para São José do Rio
Preto. Continuei trabalhando como empregada doméstica. Éramos pobres. Meu pai
tinha conseguido comprar uma casa. Algum tempo depois mudamos para Barretos.
Foi lá que a senhora
conheceu o seu futuro marido?
Eu tinha uma prima, de nome
Batista, era comum chamá-la de Tita que morava em São Caetano do Sul, foi em
casa e disse-me: “Nilda, eu vou para São Paulo, você quer ir comigo?”.
Disse-lhe: “Lógico!” Eu queria fazer a minha independência, ter uma renda
melhor, e tinha a curiosidade de conhecer São Paulo. Pedi para o papai, ele
disse-me: “-Você não vai! São Paulo é perigoso! Só se você pedir para a mamãe,
se ela deixar também deixo.” Mamãe era a mãe dele. A Ana, fazendeira. Minha avó
morava do outro lado de Barretos. Eu fui imediatamente até lá a pé. Disse-lhe
“Madrinha, a senhora me deixa ir para São Paulo?” Ela respondeu “-Minha filha,
lógico que eu deixo! Quem sabe você não encontra um bom casamento por lá?” Eu
estava com 18 anos. Abracei-a, ela ficou feliz, anteriormente eu tinha tido um
namorado que não era a pessoa certa. Viemos para São Paulo, de
trem, fiquei na casa dela, no sábado fomos ao cinema, estávamos minha prima
Tita, eu, suas filhas de 11 e 12 anos. O filme era impróprio para a idade
delas. No cinema seguinte também o filme era proibido. Fomos ao Cine Lido, isso
em São Caetano do Sul. A Tita disse que ia comprar os ingressos, para
esperarmos ali mesmo na ante-sala do cinema. Nisso eu vi um moço comprando um
ingresso, falei para a minha prima: “-Vou namorar esse moço!”. Eu sempre fui
muito brincalhona. Quando ele virou nossos olhares se encontraram! Nessa época,
antes de entrar para assistir o filme, havia uma sala onde as pessoas ficavam
esperando o horário de inicio do filme. Eu olhava para ele, ele olhava para
mim. Na hora de entrar ele fez um movimento de cabeça, significando afirmativamente,
eu correspondi com o mesmo movimento. Ele sentou-se ao meu lado e permanecemos
juntos por sessenta anos.
Qual era o nome dele?
Meu marido chamava-se
Divino Vidal. Ele era divino, maravilhoso de corpo e de alma. Inteligente. Não
havia uma pessoa que não gostasse dele. Ele era muito bom. Uma benção de Deus.
Casamos no dia 18 de maio de 1960 em Barretos. Só que era do tipo “machão”. Nunca
mais nos separamos.
Qual era o
trabalho dele?
Ele trabalhava em uma retífica de motor a diesel. Era especialista em
motores a diesel. Levantava as cinco horas da manhã para ir de trem até o local
de trabalho.
A senhora
trabalhava?
Não! Ele dizia: “Mulher minha não trabalha”. Com o passar do tempo, de
tanto a minha sogra falar com ele, acabou permitindo que eu comprasse uma
máquina de costura Singer. Eu tinha aprendido a costurar quando morava em
Barretos. Durante o dia eu trabalhava como cozinheira em uma casa e a tarde, lá
pelas 3 horas, começava a aula.
A senhora deve
cozinhar bem?
Cozinho muito bem, graças a Deus! Não essas comidas modernas, mas a
tradicional sei fazer com muita habilidade. O ritmo de vida das mulheres
atualmente faz com que elas comprem o alimento pronto. E há uma grande
diferença no sabor, na composição dos alimentos feitos em casa e em escala
empresarial.
Vocês tiveram
filhos?
Tivemos três: Ezilda, Elisabete e Divino Vidal Júnior.
O seu marido
continuou na mesma empresa?
Além de trabalhar na retífica o meu marido, foi jogador de futebol,
jogava no Cerâmica
São Caetano Futebol Clube, era um homem bonito, quando ele teve uma filha o pai
dele disse-lhe: “-Você vai sustentar sua família como? No futebol você não
ganha nada, você joga porque gosta”. Ele então parou de jogar. Como ele era um
bom mecânico diesel, muito dedicado, alguém da Cofap viu o seu trabalho e
levou-o para trabalhar na Cofap Companhia Fabricadora de Peças. Passou a
ganhar mais, entrar um pouco mais tarde.
Como a costura entrou em sua vida?
Desde criança eu sempre gostei muito de costurar, e a minha
mãe com essa filharada toda, costurava para nós. Eu era pequena e dizia: “Mãe,
dá a tesoura!” Minha mãe mandava eu ir brincar. Eu disse-lhe: “Quando eu
crescer vou trabalhar tanto na máquina que a senhora vai ter que levar água
para mim!”. Quando eu estava grávida da minha primeira filha, minha sogra e eu
fomos juntas e compramos a máquina de costura. Fiz roupa para uma cunhada, para
outra, fazia para mim, camisa para meu marido, Após um ano mudamos, fomos morar
no Bairro Marlene, em São Caetano do Sul, moramos ali por 19 anos. Compramos
uma casa na Rua Marlene, 713 em São Caetano do Sul. A casa precisava ser
reformada, era um terreno de 450 metros quadrados. Reformamos ela todinha.
Nessa época meu marido tinha um bom salário. Morei 38 anos nessa casa.
Quando a senhora começou a pedalar a máquina de costura?
Pedalei pouco tempo! Mandei adaptar um motorzinho na máquina! As
roupinhas da minha primeira filha eu que fiz. Casaquinho de tricô, as roupinhas
eram feitas de um paninho macio,
A sua fama
como boa costureira logo se espalhou?
Após ter as minhas duas filhas, passei a ser costureira profissional,
tinha uma moça que morava perto, chamava-se Rita, disse-lhe que costurava, ela
achou ótimo. Um dia ela veio com um lenço grande, disse-me: “-Nilda, eu vou
para a praia, você faz um vestido desse lenço?”. Eu fiz, estilo “Tomara que
Caia”. Ela amou. A freguesia foi aumentando, eu ia guardando o dinheiro. Meu
marido não sabia que eu costurava. Não tinha geladeira, não tinha televisão.
Mas era muito feliz! (Dona Nilda emociona-se ). Arrumei uma menina para brincar
com as crianças e eu poder costurar. Eu costurando e ganhando dinheiro. Um dia
disse a ele: “- Olha o que eu ganhei!”. Ele disse-me: “- Onde você ganhou
isso?” Disse-lhe; “Costurando!”. Expliquei que desejava ajudá-lo. Enfim o
convenci e ele concordou. Tinha uma cliente chamada Marli, dona de uma empresa,
toda semana eu fazia um vestido para ela. Eu ia até a Tecelagem Vânia, trazia a amostra
do tecido, ela escolhia, eu ia lá, ganhava no pano e na confecção.
Como a senhora criava o modelo do vestido?
Eu tinha uns figurinos, mas geralmente as clientes
não gostavam de ver. Eu criava, nasci para isso. Até hoje tenho vontade de
criar, costurar.
A senhora desenhava o vestido?
Desenhava, mas não como estilista. Fazia um risco do
meu jeito. Tirava a medida, fazia o molde, fiz o Curso Vogue em Barretos, com a
mesma professora fiz o Curso Prático. Eu fazia o molde da frente e das costas
em um molde só. Rendia tempo e papel.
Quanto tempo a senhora demorava em fazer um vestido?
Depende. Do tecido, do modelo. Na segunda–feira eu cortava
na terça-feira eu armava os vestidos, cheguei a fazer 10 vestidos por semana.
Sozinha. Ai eu arrumei uma moça para churiar, não havia máquina Zig Zag ainda. Fazia
barra de vestido a mão, Saia Godê Guarda-Chuva, que agora voltou a moda. O meu vestido de noiva eu
mesma fiz. Eu fazia vestido para casamento, vestido para madrinha, de noiva. Só
de criança que eu nunca gostei de fazer, só fazia para minhas filhas.
Trabalhava com costura fina.
Quais eram os tecidos mais
usados na época?
Tafetá, organza,
linho, seda, algodão também. Eu ia na Tecelagem Vânia e comprava. Nessa época
as moças faziam de tudo para ficar com a cintura fina, tinha umas moças que
até usavam corpete. Eu tinha que seguir
a moda. Fazia o vestido Godê Guarda-Chuva ficava exuberante, muito bonito.
Algumas moças tomavam vinagre para emagrecer! Costurei por 35 anos, parei por
aconselhamento médico, tinha muita dor no pescoço. Tenho desgaste nas
vértebras.
Suas filhas gostam de
costurar?
Não, nenhuma das
duas.
O seu marido aposentou-se
com quantos anos?
Aposentou-se com
45 anos. Chegou em casa, pegou meu filho no colo e disse: “-Papai
aposentou-se!” Eu disse-lhe: “Parabéns que você conseguiu aposentar-se, mas só
que com essa aposentadoria não vai dar não! Temos que trabalhar!” As crianças
eram adolescentes.
O que ele fez?
Foi trabalhar na
empresa de Evaristo Comolatti,
fundador do Grupo
Comolatti. Lá ele ganhou uma perua para trabalhar, permaneceu lá até
60 a 65 anos. Ai parou de vez. Nossos filhos casaram, a casa era grande, tinha
que dar manutenção. Meu marido era muito católico, dava palestras. Vendemos a
casa e compramos um apartamento no Bairro Nova Gerty em São Caetano
do Sul. Após oito anos meu marido faleceu. Fiquei mais dois anos no
apartamento. Através da Maria Fornari, amiga da minha filha, mudei para
Piracicaba, estou amando!
ROSA MARIA FURONI
PROGRAMA
PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 19 de maio de 2018.
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 19 de maio de 2018.
Entrevista:
Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
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http://www.teleresponde.com.br/ ENTREVISTADA:ROSA MARIA FURONI
O Escritório Experimental "Dr. Geraldo Bragion"; Juizado Especial Cível (JEC) com Cartório Anexo e Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) são três setores de prática real coordenados pelo Núcleo de Prática Jurídica (NPJ), o Escritório Experimental difere por ser direcionado à comunidade carente. O JEC e o Cejusc funcionam por meio de convênio entre a Unimep e o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), vinculados aos tipos de ações encaminhadas. A prática leva à perfeição e na Unimep, o trabalho realizado no Núcleo, permite que os alunos do curso de direito coloquem em prática a teoria das disciplinas e ajudem a comunidade.
Rosa Maria Furoni é professora orientadora do Escritório Experimental. Dinâmica, ágil, com sua liderança natural, recebe e atende, pessoas carentes, onde de forma clara e delicada orienta àqueles que buscam justiça, são pessoas de parcos recursos, e geralmente de estrutura familiar fragilizada. Os alunos, orientados por ela, desenvolvem a tarefa, sob o seu olhar atento e prestativo.
O Escritório Experimental atende só a parte cível?
O Escritório Experimental atende tanto o cível como o criminal. O cível, onde atendemos em sua maioria dos casos Direito de Família, é de responsabilidade do Professor Rui Pereira Barbosa e minha, na parte penal o Professor José de Medeiros, é o professor orientador da parte criminal.
Há algum padrão de renda para a pessoa ser atendida?
O Escritório Experimental é como a Defensoria Pública, o usuário pode ter renda máxima de até três salários mínimos. Diferente do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) que qualquer pessoa, com qualquer rendimento pode utilizar-se desse setor. É feito um pedido, marcada uma audiência, saindo o acordo é marcado pelo juiz e tem força executiva. Vale como se fosse uma sentença. Um acordo judicial. A assistência judiciária da Unimep existe há mais de 40 anos.
Os custos são por conta da Unimep?
A Unimep arca com todas as despesas: professores, materiais, funcionários, instalações, manutenção. Em contrapartida ela reverte aos alunos as vantagens de colocar em prática o que aprenderam em sala de aula sem contar os benefícios aos usuários. Este estagio faz com que o aluno saiba como é realmente a advocacia, aqui o aluno consegue fazer atendimento, orientar, fazer uma petição inicial, fazer procuração, declarações, acompanhar as audiências, verificar como é o posicionamento na sala do juiz, como é o acompanhamento do processo até a sua sentença. Se houver a necessidade de recurso também apresentar esse recurso, no TJ, no STJ, o aluno sai com uma bagagem de como é advogar.
De certa forma é como a residência médica para o formando em medicina?
A residência obedece a regras, aqui o aluno vai saber como fazer o atendimento, como direcionar, fazer a inicial.Buscar os fatos jurídicos, as normas que o Direito pede.
O formando verá que o que estudou é muito importante.
E que a realidade é dura e crua! Enquanto o aluno tem a teoria na universidade, na prática ele verá o que é realmente exercer a profissão.
O publico que é atendido em boa parte é composto por pessoas carentes?
Exatamente! Algumas vezes o problema tem origem na composição familiar, ou seja, a raiz do problema são causas diversas de infra-estrutura familiar, econômica, social, cultural.
Ao final do dia você sai satisfeita, cansada, “carregada”?
Você sai cansada, carregada porque muitas vezes você absorve o problema para si. Não os levar para casa é um ponto importante, você tem que trabalhar consigo para não levar os problemas vivenciados aqui. Há muitos casos que causam uma profunda comoção, penso no que posso fazer para ajudar. Às vezes estamos de mão atadas. Muitas vezes as pessoas trazem uma sobrecarga de sentimentos, necessidades. Isso tudo tem que ser trabalhado pelo profissional, para que tenha estrutura e tentar ajudá-los. Controlar a própria emoção.
Como um médico que se perder o autocontrole diante uma situação inusitada pode colocar em risco o sucesso de uma cirurgia?
O advogado tem que controlar suas emoções, se perder o controle talvez não faça uma defesa como seria necessária. Perder a linha técnica em decorrência da emoção. Deixa de ser advogado e passa a ser parte. Não pode misturar as coisas, de forma alguma.
Como é a relação do Núcleo com as autoridades?
Somos bem vistos, respeitados, é um serviço que a Unimep presta à comunidade, é muito importante, necessário. Muitas vezes as pessoas que buscam o Escritório Experimental não tem onde se apoiarem. É o último recurso dessas pessoas. Aqui eles sabem que irão ser atendidos.
Quantos alunos estão realizando trabalhos no Escritório Experimental?
Existe uma divisão: O Escritório Experimental tem X alunos, o Juizado tem Y alunos, o Cejusc Z alunos e existem os conveniados. Em média 10 alunos por dia. Já preenchem o espaço físico de que dispomos.
Rosa você nasceu em que cidade?
Nasci em Piracicaba, no bairro da Paulista, a Rua José Ferraz de Carvalho, esquina com a Rua Alferes José Caetano.Minha mãe não foi à maternidade. Nasci em uma casa em forma de castelo.
Você nasceu no famoso castelo que havia na Rua Alferes
Nasci! Era de propriedade da família Sabino. A minha avó, Anita Cizilin Pandolfo morava na Sociedade Italiana, havia um busto de Mussolini no jardim da frente da Sociedade. Na época da Segunda Guerra Mundial pegaram esse busto e levaram para enforcar na Praça José Bonifácio. Isso minha mãe me contava.
Como era esse castelinho?
Era uma casa muito grande, tinha porão, parte
superior, em forma de castelo. Com todos os detalhes. Eu não tinha nascido
ainda quando a minha avó começou a trabalhar, lá mesmo, constituindo uma creche
em conjunto com Branca de Azevedo, ficava na parte de baixo da casa. Na entrada
da porta principal da casa tinha um jardim, havia um repuxo, (construção
para a condução da água que sai em jato contínuo), uma escadaria, era
maravilhoso! Entrando havia uma sala, quatro quartos, sala de jantar, cozinha
com fogão a lenha, a casa era muito grande, morávamos nós, minha avó, meu tio José,
minha tia Maria Lúcia. Esse castelinho era um universo maravilhoso.
Qual é o nome dos seus pais?
Minha mãe é Maria de Lurdes Pandolfo Furoni, meu pai José Furoni. Tiveram seis filhos: João, Ângela, Rosa, José, Ana e Luiz. Nasci a 7 de novembro de 1959.
Você freqüentava a Igreja dos Frades?
Freqüentava a Igreja dos Frades e o Colégio Assunção onde ia brincar no jardim muito bonito que existia lá. Eu era muito feliz lá! Andei de bonde! Fiz a primeira comunhão na Igreja dos Frades, em períodos sacro-festivos, era comum a menina vestir-se como anjo, inclusive com asas. Eu fui uma delas! Fui anjo! Lembro-me do tapete vermelho que ia da entrada da igreja até o altar, era por onde as noivas passavam. Eu ia assistir aos casamentos! Tinha cinema, teatro no salão de festas da igreja.
O curso primário você estudou em qual escola?
O primário eu estudei no Grupo Escolar Barão do Rio Branco, o ginásio estudei no Jorge Coury, onde tive aula de português com Da. Conceição, aulas com Da. Arlete, lembro-me da Da. Margarida, José Salles. Lembro-me da Da. Alcina, do Prof. Argemiro Ramos, sua esposa Profa. Jandira, eu adorava-a. Lembro-me da biblioteca, hasteamos muitas vezes a bandeira nacional cantando o hino nacional. O prédio era ao lado da Igreja dos Frades, existe até hoje. Conclui o colegial no Dom Bosco da Cidade Alta. Comecei a trabalhar, fui vendedora da Ultralar, ( Uma das gigantes da época). Trabalhei nas Casas Buri, (Uma das mais famosas em todo Brasil). Eu resolvi que tinha que trabalhar, meu pai era caminhoneiro. Quando eu era criança subíamos na carroceria do caminhão e meu pai nos levava para passear, era uma delicia! Minha mãe era professora.
Qual foi seu próximo trabalho?
Tarbalhei na Colina Mercantil de Veículos S/A, com seguros. Fui para a Usina Santa Helena, para ser secretária da Diretoria de Produção. O pessoal gostou muito de mim, decidiram levar-me para uma entrevista, na Usina Bom Jesus. Em 1982 comecei a fazer a Faculdade de Direito, tive que interromper os estudos até 1988 quando voltei a estudar, por razões de saúde, interrompi novamente, e em 1996 voltei para a faculdade. Me formei em 2000.
Você escolheu essa área de Direito por algum motivo especial?
Sempre gostei muito de artes cênicas, de teatro, música, meu sonho era ir para São Paulo fazer artes cênicas. Só que diante das condições na época, isso não era possível. Foi quando me encontrei no Direito. Em minha opinião todo mundo deveria estudar Direito, para conhecer os seus direitos. Tem muitas pessoas que não sabem o que é uma Constituição.
Você é a favor de já no ensino básico iniciar noções de direito, de forma lúdica?
Há a necessidade de desenvolver a consciência de cidadão. Logicamente de acordo com sua faixa etária.
Infelizmente, muitos desenvolveram a consciência de seus
direitos, mas não desenvolveram na mesma proporção a consciência dos seus
deveres.
Acho
que é exatamente isso, eu questiono se as noções de direito e deveres deve ser já ministrada no curso primário.
A seu
ver a escola particular que colocar o ensino de básico de Direito como matéria
complementar (além do currículo oficial) ela pode captar mais alunos?
Eu
acredito que sim!
Muitos pais preocupam-se
que seus filhos aprendam artes marciais. Isso é muito saudável e louvavel.
Porém nem todos lembram-se da frase autor inglês Edward Bulwer-Lytton "A caneta é mais
poderosa que a espada"
.
Concordo plenamente, muitos conflitos graves podem ter
solução racional, conforme estabelece a Lei.
Após você formar-se em Direito foi advogar?
Formei-me, sai da Usina, e fui convidada a trabalhar como
gerente administrativa de uma Factoring (Atividade comercial caracterizada pela
aquisição de direitos creditórios, por um valor à vista e mediante taxas de
juros e de serviços, de contas a receber a prazo).Eles me autorizavam a
trabalhar no escritório deles quando eu tivesse necessidade. Havia uma vaga na
monografia da Unimep, fui admitida e entrei na Unimep em 2001. Como
funcionária. Trabalhei na Coordenação de monografias com o Prof. Rolim e com o
Prof. João Miguel que era da prática processual. Meu horário na Unimep era pela
manhã e a noite, a tarde eu trabalhava no meu escritório. Em 2007 tive a
oportunidade de vir para o Escritório Experimental, que na época funcionava de
manhã, a tarde e a noite. Eu ficava no período da noite. Foi extinto o período
da noite, passei a ficar no período da tarde no Escritório Experimental. Fiz o
mestrado, pediram que eu fosse professora em tempo integral. Fiz o concurso e
estou aqui até hoje! Sou Conciliadora Judicial pela Escola de Magistratura. Fui
uma das primeiras conciliadoras.
O brasileiro sempre teve o habito de opinar, discutir
futebol. Tínhamos milhões de “técnicos” de futebol. Houve uma migração para a
área do Direito após a Operação Lava-Jato? Ou seja, hoje temos milhões de
“magistrados”?
Acho que a Operação Lava-Jato trouxe a tona, inúmeras
situações irregulares que aconteciam em todos os setores, de uma forma mais
discreta. Trouxe a conscientização da realidade à todas as classes.
Isso trouxe um pouco de glamour ao operador do direito?
Um pouco! Principalmente a alguns que a mídia expõe mais.
Pessoas mais maduras, a seu ver, devem estudar?
Nunca é tarde para fazer qualquer curso. Nunca é tarde
para estudar. As portas sempre estão abertas para o conhecimento. Você tem que
se reinventar, e estudar é uma das formas.
Rosa o que é Deus?
Deus é uma força maior. Eu tenho a certeza de que Deus
existe. Fui até o Vaticano. Estive no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em
Portugal.
Você tem algum hobby?
Adoro viajar! Gosto muito de ler. De uma boa música,
minha preferência é por MPB e músicas clássicas
Você tem algum livro escrito?
Tenho um capítulo de livro escrito. Sobre os Refugiados
Ambientais. Como fiz o Mestrado em Direito Internacional, os Refugiados
Ambientais são aqueles que em decorrência de catástrofes não tem os direitos
que são dados aos refugiados de guerra.
Refugiado ambiental pode ser como do caso Samarco?
Exatamente!
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