Se alguém ainda duvida da importância de conhecermos o passado para construirmos o nosso futuro, então que revogue todos os conhecimentos acumulados pela humanidade até a presente data. J.U.Nassif

sábado, agosto 13, 2016

NILCE MOREIRA

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 13 agosto de 2016.
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos: tp://blognassif.blogspot.com/
http://www.teleresponde.com.br/ 



ENTREVISTADA: NILCE MOREIRA

Nilce Moreira nasceu em Piracicaba, filha de Dirceu Moreira e Zoraide Amâncio Moreira, que tiveram 10 filhos: Nilce, Nadia, Nilson, Neusa, Nilton, Nazareth, Nívea, Nanci, Nivail e Nivaldo. Seu pai mudou-se de Sorocaba para Piracicaba com a finalidade de trabalhar nas Indústrias Dedini, no período em que a empresa estava em seu auge, por volta de 1959. Nilce residiu a Rua Antonio Bacchi, estudou no SESI onde teve como diretora Josette Bragion. A seguir estudou como auxiliar de enfermagem na Escola Industrial e o curso Técnico em Enfermagem cursou na Escola da Saúde de Piracicaba - Esaup
Após concluir seus estudos em que área você foi trabalhar?
Entrei para a área da saúde como Técnica de Enfermagem em hospital. Trabalhei em uma empresa de Campinas para a Caterpillar do Brasil em Home Care (No Brasil, o termo Home Care foi adotado como sinônimo de inúmeros serviços oferecidos por uma empresa, tais como: internamento domiciliar de saúde, atendimento domiciliar de saúde, assistência domiciliar de saúde). Eu trabalhava em uma empresa que dava assistência só para funcionários da Caterpillar.
Sua área de atuação era em que cidade?
Era em Piracicaba. A seguir fui trabalhar no Hospital da UNIMED onde permaneci por oito anos, no tempo em que o hospital situava-se ainda na Rua Fernando Febeliano da Costa esquina com a Avenida Carlos Botelho. Um dia me ligaram para atender a uma paciente, indicada pelo Dr. Leandro Sacchetin, médico oncologista que atende no Hospital dos Fornecedores de Cana de Piracicaba – HFC. Fui indicada para atender a paciente Beatriz Algodoal.
Quem era Beatriz Algodoal?
Beatriz Algodoal era filha de Jaime de Andrade Algodoal e Zenaide de Andrade Algodoal. Jayme de Andrade Algodoal formou-se em agronomia pela Escola Superior de Agricultura –ESALQ, por volta de 1920. Jaime e Zenaide tiveram dois filhos: Armando de Andrade Algodoal e Beatriz de Andrade Algodoal.
Qual é a relação do nome Algodoal com Piracicaba?
A origem do nome Algodoal é o algodão. João de Oliveira Algodoal nasceu em 1868 foi casado com Izaura de Andrade Algodoal são os pais de Conceição, Rita, Rafaelina , Jaime, João Batista. Eles eram plantadores de algodão, foram os “reis do algodão” nas redondezas. Em função dessa relação de grandes proporções com o algodão, o nome Algodoal foi incorporado ao nome da família. Eu conversava muito com a Beatriz, ela observava muito o sobrenome da pessoa, através dele ela já tinha referências.
A família Algodoal morava em que local?
Eles saíram de Brotas, foram para Santa Maria da Serra, São Pedro, e o João de Oliveira Algodoal adquiriu por volta de 1900 um imóvel em Piracicaba, que é preservado até hoje em sua forma original, muito bem conservado. Segundo relato verbal, anteriormente o imóvel tinha sido Casa de Farinha da cidade, João de Oliveira Algodoal adquiriu o imóvel da viúva de Fernando Febeliano da Costa. João de Oliveira Algodoal reformou o imóvel, é composto por cerca de 12 cômodos. Ele trouxe os filhos de Brotas para estudar na Escola Normal de Piracicaba, mais tarde denominada Sud Mennucci.
O Bairro do Algodoal tem alguma relação com a família?
Toda aquela área fazia parte de uma enorme extensão de terras que ia até a cidade de São Pedro pertencia à família. A área onde atualmente é a Avenida Carlos Mauro pertencia a um primo. A área onde hoje é o Hotel Fazenda SENAC pertencia aos primos.  A família Algodoal era muito grande, João de Oliveira Algodoal é um dos 16 filhos, sendo que cinco dos seus irmãos faleceram precocemente. A origem da família era a Vila da Constituição, nome dado anteriormente à cidade de Piracicaba. As raízes da família são de imigrantes europeus. Alfonso Agostinho Gentil de Andrade nascido em 1813 e falecido em 1890 é bisavô materno de Beatriz Algodoal. Há indícios de que a origem pode ser de descendentes de judeus, isso me foi dito pela própria Beatriz.
O que a motiva a preservar e resgatar o patrimônio e a memória da família Algodoal?
A princípio manter a tradição da família Algodoal, A casa por ser um imóvel histórico, tombado pelo poder público constituído, desde 2002, é um patrimônio da cidade. Ela está preservada com toda a sua originalidade. É parte integrante da História de Piracicaba, está dentro do corredor cultural da cidade. Entrar nesta casa é uma viagem através do tempo, é a história viva. Traz uma paz, jamais se imagina estar no centro da cidade. Os afrescos nas paredes estão inteiramente preservados. O avô materno de Beatriz Algodoal era Sebastião Nogueira de Lima casado com Zenaide Nogueira de Lima. Quando ele veio para Piracicaba sua residência era em uma chácara no Bairro Dois Córregos. Depois ele adquiriu a casa situada a Rua Santo Antonio, em frente ao Restaurante Monte Sul, no local está a loja de tapetes Porta Larga. O Dr. Sebastião tinha quatro filhas, uma delas era a Zenaidinha, mãe da Beatriz. Quando nasceu o Armando, filho de Zenaidinha e Jaime de Andrade Algodoal o seu pai, Jaime, plantou um pé de ipê, era costume na época, plantar uma árvore quando nascia uma criança. Isso foi registrado em um livro pelo Dr. Sebastião Nogueira de Lima. Esse livro estava no apartamento da Beatriz, um bisneto do Dr. Sebastião resgatou o livro em que narra essa passagem, do nascimento e do plantio da árvore.
Há descendentes da família Algodoal em Piracicaba?
Sim, existem muitos.
Como era Beatriz Algodoal?
Ela gostava muito da arte, ela era uma artista. Era muito interessada por História. Ela estudou na Escola de Belas Artes em São Paulo, morava em um apartamento no Bairro Higienópolis. Lá ela também mantinha um ateliê.
Quantos quadros ela pintou?
Aproximadamente uns 500 quadros! Recebeu muitos prêmios no Brasil e na Europa. Hoje sou a curadora do acervo de Beatriz de Andrade Algodoal. Quando a conheci, vim para exercer a minha profissão, com o passar do tempo percebi que estava diante de uma grande artista, ao mesmo tempo em que ela passou gradativamente a delegar-me tarefas que iam além do meu trabalho inicial. Passei a cuidar de suas tarefas burocráticas, normais ao cidadão comum, até o seu falecimento. A Beatriz pintou vários quadros tendo como tema partes ou cômodos da casa da sua família em Piracicaba. Uma das suas obras é a fachada do Mosteiro da Luz, situado em São Paulo.  
Beatriz de Andrade Algodoal
Nilce conheceu uma grande artista natural de Piracicaba: Beatriz de Andrade Algodoal nascida a 28 de janeiro de 1943, tendo como nome artístico Beatriz Algodoal.  “Que desde cedo se dedicou a pintura e ao desenho, estudando na Fundação Armando Álvares Penteado e Associação Paulista de Belas Artes, teve como professores Inocêncio Borghese e Salvador Rodrigues Jr. Fez cursos de Arte no Brasil e na Europa. No campo do desenho trabalhou com bico-de-pena e guache, tendo como tema principal a arquitetura colonial brasileira. Com sua pintura impressionista (Pinturas que não tinham preocupação com o preceito do realismo ou da academia, surgiu na França no século XIX, em 1872 com Claude Monet) “Beatriz buscou sempre uma integração com a natureza, retratando sua vibração, luminosidade e cores. Beatriz Algodoal foi uma artista de grande senso estético, dominando com perfeição a escola acadêmica-impressionista e dotada de enorme sensibilidade. Seus quadros, poeticamente interpretados, transmite-nos uma agradável sensação de paz e alegria.” Isso foi dito pelo artista plástico Celso Coppio a 17 de junho de 1988 em uma exposição realizada em Curitiba. Beatriz Algodoal participou das exposições: Salão da Paisagem Paulista realizado pela Associação Paulista de Belas Artes em 1976 onde recebeu a “Medalha de Bronze”; Salão de Arte de São Bernardo do Campo em 1976 onde obteve a “Grande Medalha de Bronze”; Salão de Artes Plásticas da Aeronáutica em 1977 no Rio de Janeiro; Salão de Artes Plásticas da Sociedade Artística Batista da Costa em 1977 no Rio de Janeiro; Salão da Primavera APBA em 1978 foi premiada com o “Troféu Rosa de Bronze”; Salão de Artes de Embu em 1978 onde conquistou a “Pequena Medalha de Prata” e “Prêmio Luiz de Almeida Carvalho”;  Feira Internacional das Artes em 1978 em Nova Iorque; Salão Paulista de Belas Artes em 1978 “Menção Honrosa”; Salão Sociedade Amigos do Salão Paulista em 1978 “Pequena Medalha de Bronze”; Exposição Coletiva na Galeria “Mestre das Artes” em São Paulo no ano de 1978;Salão de Maio da Sociedade Brasileira de Artes em 1979 no Rio de Janeiro; Salão de Artes Plásticas de Itu em 1982 “Grande Medalha de Bronze”; Coletiva de Artistas Brasileiros no “Centre Internacional d`Art Contemporain” em 1984 em Paris “Grande Medalha de Bronze”; I Mostra de Arte Contemporânea Brasileira em Portugal 1985 – Lisboa “Pequena Medalha de Prata”; Academia Brasileira de Arte,Cultura e História em 1985 “Medalha da República” realizada em São Paulo; XVI Salão da Primavera APBA 1985 “Troféu Durval Pereira”; XVII Salão da Primavera APBA em 1986 “Troféu Deputado Estadual Luiz Carlos Santos”; 43º Salão Livre da Associação Paulista de Belas Artes 1986 “Troféu Ettore Federichi”; 49º Salão Paulista de Belas Artes 1987 “Pequena Medalha de Prata; I Salão Nacional de Artes Plásticas São Paulo Rio Grande do Sul 1987 “Premio Secretaria Municipal de Cultura” São Paulo; Individual Club Athletico Paulistano 1987; Individual Club Athletico Paulistano 1988;  Coletiva Sociarte Club Monte Libano; 46º Salão Livre A.P.B.A.  “Troféu Ettore Federighi”1988; Membro do Juri  XIX Salão da Primavera A.P.B.A. 1988; Membro do Juri I Salão de Arte Contemporânea de Ubatuba em 1989; Individual São Paulo Hilton Hotel 1989. Conforme noticiado em “A Tribuna Piracicabana” de sábado, dia 3 de abril de 2004: “Na Galeria do Engenho Central foi feita a abertura da exposição as 11h30 da artista plástica Beatriz Algodoal, também professora de arte”. O Jornal de Piracicaba em matéria assinada por Celiana Perina, também anuncia a exposição complementando: “Apesar de ser filha da terra, é a primeira vez que realiza uma exposição individual no município, já que sua carreira foi bastante difundida em São Paulo. A prática diária e a habilidade natural, despertada na infância, lhe conferem uma intimidade com a pintura ao ponto de criar uma obra em cada duas horas, espontaneidade chamada de “Alla prima” (pintura espontânea). Beatriz também faz questão de criar ao vivo cada um dos quadros que confecciona já que gosta de expressar em suas telas o que sente e vê no momento. “Minha pintura é bastante intuitiva e tem uma relação forte com a natureza. Gosto de retratar a luminosidade do por do sol e usar cores vibrantes”. Na mostra foram expostos 52 quadros em óleo sobre tela e em estilo impressionista, pintados em marinhas de Itanhaém, paisagens de parques paulistanos como Ibirapuera, Jardim da Aclimação, Parque da FAU-Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo, Horto Florestal, além de interiores, flores,e naturezas mortas. Beatriz também pintou as belezas do Rio Piracicaba Em sua opinião a cidade tem tradição em artes plásticas. A pintora atuou por dez anos como professora de história da arte”. 
Beatriz de Andrade Algodoal preencheu Ficha de Adesão de Novos Sócios da Associação Piracicabana dos Artistas Plásticos tendo como principal atividade artística Artes Plásticas – Pintura. Outra modalidade declarou a Pesquisa Histórica. A ficha foi preenchida a 15 de fevereiro de 2004 tendo como sócio proponente Eduardo Borges de Araújo.
A repercussão da mostra de Beatriz Algodoal em Piracicaba foi grande. Artistas e público se manifestaram em louvor a grande artista que fazia a sua primeira exposição na cidade em que nasceu após conquistar outras terras. A seguir um dos comentários:
“A vida diária é um aprendizado sistemático. É a “lei do menor esforço”, nós a praticamos sistematicamente devido ao nosso comodismo inato. Por isso o hábito, visceralmente em nós arraigado, de condenar tudo e todos. É mais fácil condenar do que julgar. Em se tratando de “obra de Arte”, mais que especialmente, os nossos polegares se voltam para baixo, num pronunciamento tácito mas irreversível. Difícil, porém, é julgar com retidão e equilíbrio, de maneira justa e perfeita.Mas em se tratando da obra pictórica de Beatriz Algodoal, que ora expõe na Galeria do Engenho Central, em Piracicaba, o nosso espanto é o nosso julgamento: uma surpresa, uma “epifania” no verdadeiro sentido etimológico da palavra. A mencionada artista se revela com um verdadeiro ex abrupto, surpreendendo a todos nós pela ousadia da sua temática, a coragem de suas pinceladas marcantes, sinceras e nítidas como um autentico stacatto dentro de uma frase musical. Toda essa exposição nada mais é do que uma sinfonia no estilo de Brahms, com todos os seus fortes e pianos, os seus solos e seus tutti num vibrante uníssono em que a cor e o desenho, a matéria e a forma se encaixam dentro da moldura do Belo” Lupo da Gubbio, AD 2004”.





















domingo, agosto 07, 2016

MARIANA CANCILIERO VALENTINI

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS 
JOÃO UMBERTO NASSIF 
Jornalista e Radialista 
joaonassif@gmail.com 
Sábado 06 agosto de 2016.

Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana 
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos: tp://blognassif.blogspot.com/

http://www.teleresponde.com.br/ 


ENTREVISTADA: MARIANA CANCILIERO VALENTINI


Mariana Canciliero Valentini nasceu em Piracicaba a 4 de agosto de 1928, na Avenida Independência, em frente ao Seminário Seráfico São Fidélis, Seu pai trabalhava na reforma do Seminário, moravam em uma casa em frente ao Seminário. Seus pais são Ludovico Canciliero e Maria Virginia Casonato Canciliero. Foram pais dos filhos: Raul, Cecília, Adelina, Ângelo, Evaristo, Filomena, Mariana, Terezinha, Roselis.
Qual era a profissão do pai da senhora?
Era ferreiro, ele trabalhava na empresa Krahenbuhl, fazia todo tipo de ferragem, A Krahenbuhl é uma empresa que tem uma tradição centenária. A sua história tem início no ano de 1870, data da sua fundação. A empresa começou como uma pequena oficina de troles e carroças e com o passar dos anos conseguiu crescer e ganhar prestígio através da construção de veículos de tração animal premiados que tinham fama a nível nacional. Meu pai passou a ter uma oficina no quintal, fazia desde a roda até a montagem completa da carroça.Minha mãe, para ajudar o meu pai, no começo lavou roupa.
Em que escola a senhora estudou?
No Grupo Escolar Barão do Rio Branco. Minha primeira professora foi Dona Orlandina Sodero Pousa, foi minha professora no primeiro e segundo ano, no terceiro foi Dona Gessy, no quarto ano eu tive três professoras: Dona Maria José Aguiar Ayres que faleceu no meio do ano, ai ficou Dona Jocila e depois veio Dona Otilia.
Após concluir o grupo escolar qual foi a sua próxima atividade?
Minha cunhada Benedita, conhecida como Tica, faleceu, ela era esposa do Raul. Ela deixou duas crianças: Raquel e Rutênio, a Raquel foi ao médico pela manhã, era o Dr. Tito, a tarde ela faleceu de gastrenterite. Como eu era pequena mamãe disse-me que era para tomar conta do Rutênio, por dois anos ele e a Raquel ficou morando em casa. Ao completar 13 anos fui aprender costura com a minha irmã Adelina. Eu queria usar a máquina de costura, ela dizia-me que eu deveria primeiro aprender a fazer hachuras ou popularmente “achuriar”, fazer barra, pregar botão, essas coisas. Eu a ajudava muito nas tarefas domésticas. Ela sempre foi um sonho de irmã. Lá permaneci até meus 15 anos. Minha irmã Ângela trabalhava na loja “A Porta Larga”, eu disse â minha mãe que queria trabalhar também na “A Porta Larga”. Com a interferência de um irmão meu, aos 15 anos fui ser balconista da “A Porta Larga”.
Quem eram os proprietários na época?
Seu Phelipe, Salum, Adib, Jamil, Carlito. Na loja eu trabalhava na seção de miudezas, linha, botão, novelo. Éramos três mocinhas trabalhando em um balcão. Ela já era grande, considerada a maior loja da cidade. Funcionava no prédio onde hoje está a loja Torra-Torra. Quando completei 18 anos fui fazer a minha carteira profissional em Campinas, em Piracicaba ainda não tinha como fazer. Lembro-me que fomos eu e a Terezinha Azevedo. Nós duas trabalhávamos na “A Porta Larga”. Fomos de trem pela Companhia Paulista de Estadas de Ferro. Estava trabalhando na loja, mas queria melhorar. Tentei entrar na loja Singer. E consegui! Ficava na Rua Governador Pedro de Toledo. Sempre fui uma lutadora, nunca tive medo.
Em que local ficava a loja Singer?
Ficava na Rua Governador, próxima a Casas Pernambucanas. A Terezinha e a Hilda Braga trabalhavam lá. Um dia li no jornal que no Colégio Piracicabano estavam precisando de uma secretária. Fui ver o que era. Fiz uma prova e fui aprovada. Passei a trabalhar lá. Meu serviço era calcular as médias das notas dos alunos da quarta série, o diretor do Colégio Piracicabano era o Professor Josaphat de Araújo Lopes. Eu tive uma oferta de emprego, um serviço bem diferente. Dr. Raul Machado era médico pediatra, Minha mãe conhecia Da. Lourdes Bacchi, esposa do Dr. Irineu Bacchi, Dr. Raul havia dito que precisava de uma pessoa para ajudar no laboratório, ser atendente no consultório. O Dr. Raul procurou-me na minha casa. Minha mãe recomendou-me que eu fosse com a minha irmã Cecília que morava na Rua Governador Pedro de Toledo, o meu cunhado Elpidio, era gerente da loja “O Rei das Roupas Feitas”.O Elpidio era uma pessoa maravilhosa, faleceu relativamente moço, faleceu contando dinheiro obtido em óbolo ofertados para a Catedral. Fui com a Cecília para ver o que o Dr. Raul queria. O Dr. Raul contratou-me com um salário que era quase o dobro do que eu ganhava como atendente na loja. Eu fui não sabia nada do novo trabalho, em um ano aprendi tudo.
Fazia exames de urina, fezes, sangue, bacterioscopia. (Por exame bacterioscópico compreendemos o exame microscópico do material)
Após feitos os procedimentos, normais, o Dr. Raul verificava, acompanhava, via se estava tudo sendo feito da forma correta, fazíamos exame de tuberculose, tinha que coletar, colocar em uma lamina, curar, secar, colocava óleo de cedro e verificava através do microscópio de tinha bacilo. Fazia exame de olho, para saber se o paciente poderia operar se não tinha bacteroscopia. Urina fazia exame do tipo 1.
A senhora fazia coleta de sangue?
Coletava! Ia à casa do doente para coletar sangue. Antes de começar a trabalhar no laboratório do Dr. Raul, ele me mandou para a Santa Casa onde fiquei um mês trabalhando e aprendendo. Lá aprendi a fazer injeção, a coletar sangue, a fazer exame de urina mais rudimentar. Pesquisa de albumina, glicose.
Já havia problema de altas taxas de glicose na época?
Já!
Estamos falando de aproximadamente 1948?
Eu tinha uns 20 anos de idade. Trabalhei no laboratório seis anos quando era solteira e seis anos depois de casada. Quando tinha quatro filhos o Dr. Raul achou que seria melhor eu dedicar-me a família.
Como se chamava o marido da senhora?
Era Willians Antônio Harry Valentini. Era mecânico de tratores, meu sogro, Gabriel Valentini, tinha uma oficina para conserto de tratores e máquinas agrícolas na Rua Alferes José Caetano, 2170, entre a Rua Joaquim André e a Avenida Dr. Paulo de Moraes. Chamava-se “Mecânica Irval” (Irval tem a origem em Irmãos Valentini). Eram quatro moços, quatro filhos, que trabalhavam lá. O setor passou por uma crise. Meu marido foi trabalhar como concursado na Escola de Agronomia, consertava tratores e quando o professor ia dar aulas de máquinas e equipamentos meu marido era o assistente do professor.
Quantos filhos vocês tiveram?
Tivemos oito filhos: Willians, Wilson, Maria Clara, Marcos, Walter, Maria Aparecida, Maria de Lourdes (Ude) e Maria Virginia.
Como a senhora conheceu o seu marido?
Eu era Filha de Maria, na Igreja dos Frades, a Silvia, minha cunhada era minha amiga, ela namorava o irmão do Willians, o Wilson, eles eram muito bonitos. Altos, tinham 1,80, naquele tempo usava-se paletó e chapéu. Na saída da Igreja dos Frades, encontramo-nos e o Willians veio conversar comigo. Naquele tempo íamos até o centro, quadrar o jardim. Um dia eu estava quadrando ele veio falar comigo. Passamos a namorar, quando fazia um mês de namoro um dia perguntei-lhe a idade, ele disse que tinha 18 anos. Eu disse-lhe: “-Então vamos terminar, eu tenho vinte anos!”. Ele apenas disse que dois anos não significava diferença. Continuamos namorando por mais de quatro anos, meu pai dizia: “-Moça tem que casar até 25 anos, senão não casa mais!”. Eu não queria ficar solteirona! Casamos no dia 26 de setembro de 1953, na Igreja dos Frades, acho que foi Frei Estevão quem nos casou. Passamos duas semanas em lua-de-mel em Santos. Fomos morar em uma casa na Rua Madre Cecília, o fogão era a lenha. A casa era novinha, fomos os seus primeiros moradores.
E para almoçar como fazia?
Ia comer em casa, comia de marmita. O consultório onde eu trabalhava era na Rua Rangel Pestana, próximo ao Colégio Piracicabano.
Quando nasceu o meu primeiro filho eu disse ao Dr. Raul que iria sair.
Ele perguntou-me porque eu queria sair, disse-lhe que era para olhar o meu filho. A coisa mais maravilhosa do mundo é ser mãe! Eu olhava-o no bercinho e chorava de dó em ter que deixá-lo para ir trabalhar. O Dr. Raul perguntou-me: “-Se a Lazinha for trabalhar para você?” Ela era empregada da esposa do Dr. Raul, Dona Helena. Ele mandou a Lazinha ir trabalhar em casa, e eu permaneceria trabalhando no laboratório. A Lazinha era uma cabocla muito boazinha, trabalhou quatro anos comigo. Quando meu primeiro filho saiu do primário, pensei agora ele vai trabalhar. Fui ver emprego para ele na Sapataria Santos, situada na Rua Governador Pedro de Toledo.  Tinha falecido meu cunhado, Líbio Duarte, ele era aviador, tinha taxi aéreo, um dia ele foi levar um passageiro que ia a um casamento, era um fiscal do INPS, o Abreu, o tempo estava nublado, houve um acidente, morreu ele, o Abreu e o filho do fotografo Lacorte. Minha irmã Rosélis era esposa do Líbio, estava grávida. A Zaira Bottene, que também era aviadora, a noite inteira não dormiu, para que ninguém fosse dar a noticia a Rosélis. Quem foi avisar foi o meu cunhado Elpideo, chegou lá umas sete e meia, era dia primeiro de maio. A Roselis era uma menina muito boa, tinha trabalhado uns cinco ou seis anos na Livraria Brasil.
Após residir na casa da Rua Madre Cecília a senhora mudou-se para que local?
Fui morar perto da minha mãe, achava uma falta dela! Fomos morar na Rua José Pinto de Almeida. Com financiamento da Caixa construímos uma casa de 7 por 30 metros na Rua Santa Cruz, 1756.
A senhora tornou-se uma cozinheira cujos pratos eram muito requisitados. Como isso aconteceu?
Criança quando vai estudar acaba perdendo o amor a escola, com isso a preocupação maior deles foi sempre estudar. O pai é quem trabalhou. E a mãe. Após sair do consultório passei a fazer bolos, Terezinha Azevedo me ajudou muito com os salgados. Eu não sabia fazer coxinhas, croquetes. Uma das primeiras encomendas feitas por uma amiga foi de 100 croquetes, eles dançavam no prato! Eu fazia esfirra, foi o meu forte no trabalho no fogão. Fazia para a Escola de Música, lá eu tinha meus filhos estudando. Hoje tenho dois filhos que são músicos profissionais, o Walter que toca contrabaixo, com pós-graduação nos Estados Unidos. A Maria Virginia foi à Itália para complementar seus estudos de viola barroca.
Qual é o seu sentimento em ver seus filhos todos com curso superior, médico, engenheiros, jornalista?
Faria tudo de novo! Os oito têm curso superior completo, para uma mãe é uma tranqüilidade.
Como os filhos tratam essa super-mãe?
Cada um se manifesta da sua forma. Já fui duas vezes para a Itália.
O que a senhora faz para passar o tempo?
Rezo! Meu santo de devoção é Jesus Misericórdia e Santa Faustina. Uma pessoa trou-me um folheto sobre Santa Faustina, quem era devota dela era Dona Maria Figueiredo, que foi proprietária da Rádio Difusora de Piracicaba e que viveu mais de um século com muita saúde e lucidez.   
A senhora tem uma psicologia muito apurada!
Sabe o que é? Conviver com oito filhos, estar sempre no ambiente de juventude.
Nessa vida de muitas lutas e vitórias o que a marcou muito?
A Providência Divina! Chiara Lubich fundadora do Movimento dos Focolares, um movimento que tem como finalidade a construção de um mundo unido, o "que todos sejam Um" foi uma pessoa muito importante em minha vida. Eu cheguei a escrever para ela. Eu acredito que se devem educar os filhos em Deus. Hoje muitas dificuldades existem pela ausência de Deus na vida da pessoa.
A vida simples de algumas décadas passadas tinha suas compensações?
Lógico! Hoje a humanidade tem maiores recursos material, e menos espiritualidade, humanismo.



sexta-feira, julho 29, 2016

ROGÉRIO LEME

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 30 de julho de 2016.
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/
http://www.teleresponde.com.br/ 


ENTREVISTADO: ROGÉRIO LEME 

Rogério Leme nasceu em Piracicaba a 9 de outubro de 1976, filho de Paulo Leme e Doralice Vinagre Leme. Seu pai é Primeiro Tenente, militar da reserva, foi bombeiro, teve como uma das suas funções ministrar aulas de Segurança no Trabalho junto a empresas de Piracicaba. Foi muito conhecido como Sargento Leme, em função do cargo que ocupava. Os pais de Rogério Leme tiveram quatro filhos: Paulo, Eduardo, Andrea e Rogério.
Você é casado?
Sou com Juliana Leite Leme. Tenho dois filhos, Gabriel e Giovana.
Você é religioso?
Sou, pertenço a Igreja do Evangelho Quadrangular, e já faz 10 anos que vi uma nova realidade na minha vida. Temos uma mídia na Igreja, onde transmito o culto ao vivo, pode ser sintonizado através da internet no endereço https://www.youtube.com/user/marcaoieqpira.com
Seus primeiros estudos foram em que escola?
Estudei no SESI 164 na Paulicéia até a quinta série. Costumo afirmar que sou um dos primeiros da geração Y. (A Geração Y, também chamada geração do milênio ou geração da Internet. Essa geração desenvolveu-se numa época de grandes avanços tecnológicos e prosperidade econômica, facilidade material, e efetivamente, em ambiente altamente urbanizado, imediatamente após a instauração do domínio da virtualidade como sistema de interação social e midiática, e em parte, no nível das relações de trabalho). Não gostava do estudo formal, porém sou muito autodidata. Iniciei trabalhando como Office-boy em um escritório de contabilidade, era nosso vizinho, o Salvador, foi quem me deu a primeira oportunidade de trabalho. Também foi o meu primeiro contato com a informática, com a qual tenho uma forte ligação, quando tive que trabalhar com computador identifiquei-me muito. Isso na época em que o monitor era integrado a CPU, era uma peça só, a tela em fósforo verde, monocromática.Era o que tinha de moderno na época.
Você ficou até que idade no escritório de contabilidade?
 Após algum tempo, já com 18 anos, trabalhei como Inspetor da Zona Azul, isso na época em que se anotavam os papeizinhos colocados nos para brisas dos veículos. Lembro-me que a empresa era a Provac Drim. Com o meu salário passei a pagar um curso de informática, se não me engano era o Office-95. Era mexer no Word, Power Point a escola chamava-se Bit Company, do Marcelo. Infelizmente não via nenhuma perspectiva na empresa em que trabalhava na Zona Azul. Eu gostava mesmo era de informática, conversei com o Marcelo, diretor da empresa. Disse-lhe: “-Quero um serviço na área de informática”, Isso foi em 1997. Uma área com a qual me identificava e tinha muita facilidade em aprender. Ele me trouxe até a Rádio Educadora de Piracicaba e me apresentou ao diretor da rádio na época, o Celso Melotto.O antigo operador que trabalhava na rádio era o Adalberto (Dal) Yamanaka, ele estava mudando para o Japão. Ele ia ficar trabalhando só mais uma semana, eu tinha apenas uma semana para aprender. Nessa semana eu aprendi tudo que foi possível, com o passar do tempo fui me aperfeiçoando. Assim tornei-me Operador de Gravação. Já passei por estúdio, como experiência, mas iniciei trabalhando na gravação. Há diversas formas de denominar o meu trabalho, cada um determina o termo que preferir: Operador de Gravação, Produtor de Áudio. Sou o responsável pela parte técnica, toda parte de gravação da rádio. Entrei para trabalhar na Rádio Educadora de Piracicaba em 5 de março de 1997.



Quando você começou a trabalhar na rádio, a informática estava dando os seus primeiros passos no Brasil?
Na realidade ela estava iniciando. A rádio já possuía computadores, já estava informatizada. Em 1997 já existiam alguns softwares que gerenciavam os comerciais, eram baseados no sistema DOS (Disk Operating System ou sistema operacional em disco). A captação dos comerciais antes de 1997 era feitas em cartucheiras de som, quando entrei estavam começando a eliminá-las, eu estava passando tudo para o computador.
Você chegou a utilizar fitas em rolo?
Usei rolo! Gravei muitos programas em rolo. Marcava o ponto certo de inicio de gravação com um papelzinho, isso era uma pratica comum a todas as rádios do Brasil. Eu só não editei programas em fitas de rolo, alguns diziam que até “giletavam”: passa a gilete, tira o pedaço que não interessa e cola geralmente com fita adesiva. Eu não peguei essa época, já entrei no período novo.
O uso da informática no seu trabalho proporciona um uso quase ilimitado?
Tanto os recursos da informática como a chegada da internet facilitou muito. Como eu peguei o inicio da informatização da rádio, lembro-me que precisávamos passar as musicas, temos uma discoteca muito grande na Rádio Educadora. Muitas vezes precisava de uma música tinha que ir correndo até a discoteca. Procurar o disco, a faixa que continha a música, colocava no toca-discos, gravava em tempo real no computador, dava uma editada, alguns softwares conseguem tirar ruídos, chiados, é o que chamamos de remasterização, digitilizava a musica e passava para o computador. Hoje através do computador você entra no YouTube e encontra a musica que desejar. Muitos artistas já colocaram suas musicas na internet, com isso formou-se um acervo muito grande. Lembro-me que nosso diretor ia para Las Vegas em feiras voltadas á área de rádio, e ele trazia CDs com efeitos especiais, trilhas sonoras. Eu ficava ouvindo horas e horas, pesquisando, vendo o que ele tinha trazido de novo para utilizar nas propagandas. Hoje com a internet é feita uma pesquisa, encontrado o som procurado ele está disponível. Existem sites especializados em trilhas sonoras.



Como é a convivência da internet e o rádio?
A meu ver, se complementam. Se você mora em uma zona rural, onde às vezes não tem nem eletricidade, e isso ocorre no Brasil, o que irá chegar ao ouvinte do rádio de pilha é o rádio. Em uma cidade grande, com a facilidade da internet, do smartphone, você consegue ouvir a sua rádio preferida através do smartphone.
Ainda é utilizado rádio de pilha?
Conheço diversas localidades rurais, inclusive em outros Estados, aonde eles ouvem muito o radinho de pilho. É algo muito interessante. O rádio tem ainda uma penetração muito grande.
Aqui você opera para a rádio em AM e em FM?   
Sou produtor das duas, faço tanto a produção para a Rádio Educadora de Piracicaba como para a Jovem Pan FM. No caso da Jovem Pan FM, como é uma rádio via satélite, nós não realizamos uma programação local, toda programação vem de São Paulo. Temos um horário comercial local, cuja produção eu que faço. O Departamento Comercial vende a propaganda e eu faço a produção do comercial vendido. Já a Rádio Educadora, como é uma rádio local, não só as propagandas como as vinhetas, toda a plástica da Educadora é feita por mim.
Há casos do anunciante que deseja fazer uma propaganda, mas não tem a mínima noção de que forma poderá fazer?
Isso é muito comum acontecer. A pessoa quer anunciar, mas não entende de que forma poderá fazer isso para ter o sucesso esperado. Nesse caso damos toda infra-estrutura, ao conversar com a pessoa já se capta a mensagem que ela quer transmitir. Consigo fazer todo acompanhamento desde a venda, criação e finalização. Só não faço a programação porque não é responsabilidade minha, tem uma pessoa responsável por fazer a programação.
O oposto também ocorre? Onde o cliente conhece o assunto e exige muito da produção?
Temos que entender que a rádio é uma retransmissora de comercial e não uma produtora. O que é comum acontecer, por exemplo, o cliente quer que coloque a voz de uma criança, nós não temos estrutura para isso. Conseguimos fazer muitas coisas, mas no limite. A propaganda cantada, que denominamos jingle, não há uma estrutura á disposição, isso por vários motivos. Para se criar uma musica tem que ser um maestro. Há a necessidade de entender de musica. Já fui músico, mas não sou maestro e nem realizei estudos para fazer composições musicais com finalidade comercial.
Você teve uma banda?
Tive uma dupla sertaneja. Cresci ouvindo musica sertaneja, minha mãe sempre gostou desse estilo de música. Na época eu tinha uns treze a quatorze anos, mudou-se em frente de casa um vizinho, devia ter uns sete anos. Quando foi inaugurado o Shopping Piracicaba veio uma dupla cantar, eram Clayton e Cristiano. Esse meu vizinho foi cantar. Ele sempre gostou de musica, começou a cantar, e por brincadeira começamos a cantar juntos musicas sertaneja. Fui aprendendo a cantar a segunda voz. Interessei-me cada vez mais, a medida que ia crescendo ia me informando mais. O tempo passou, eu passei a trabalhar na rádio onde tínhamos um programa com o Maestro Cidão. Ele tinha um programa aos domingos em que tocava musicas de banda de corinho. Ee tinha uma escola de música. Um dia perguntei-lhe se conhecia alguém que estava precisando de uma segunda voz. Coincidiu que um rapaz chamado Alex, com quem formamos uma dupla, era aluno do Cidão. E o Alex estava precisando de uma segunda voz. Assim montamos uma dupla sertaneja: Alex e Marcos. Cantamos de 2000 a 2006, fizemos muitos shows, em Piracicaba, cidades vizinhas até em outros Estados. Cantamos em diversos eventos da cidade de Piracicaba, como a Festa de São João em Tupi. Fizemos a abertura para muitas duplas. Eu fazia vocal e tocava vilão, tínhamos bandas que nos acompanhavam.
Qual foi o motivo de não continuarem?
Talvez a principal causa tenha sido que para dedicar-se a esse mundo artístico tem que abrir mão da família. Em 2006 houve uma grande transformação em minha vida, na forma de ver o mundo. Decidi que estava no momento de parar. Conversei com o meu parceiro, decidimos juntos, sem nenhum problema. A meu ver foi a melhor escolha da minha vida.
Você continuou na rádio?
Sempre na rádio! Coloco o meu serviço na rádio em primeiro lugar, honro meu trabalho.
Ai surgiu outra paixão, que é a fotografia?
Já estou a quatro anos fazendo fotografia. Tudo começou com uma conversa com um amigo onde despertou a minha curiosidade e o meu interesse. Sou amigo de um professor que tem uma escola de fotografia na cidade, o Jefferson Palladino, fiz o curso com ele, comecei a me aperfeiçoar, me identifiquei muito com a fotografia como com a pós-produção. Fotografia digital não é apenas tirar a foto, tem a pós-produção. Na própria escola fiz outro curso com o Ricardo Moraes, sobre filmagem e edição de vídeo. Como conheço um pouco de áudio penso que posso juntar o áudio com o vídeo. Tem um pessoal que trabalha com filmagem que diz que cinqüenta por cento da qualidade é o áudio, se o áudio não estiver bom o vídeo perde muito sua qualidade. Hoje faço filmagem e edição de vídeo também.
O que é pós- produção?
É editar as fotos, colocar os efeitos, realizar fotos artísticas. Fazer o álbum.
E o famoso “Book” que algumas modelos gostam de fazer?
É o ensaio, já fiz book para lojas.
Você algumas vezes tem que tirar as imperfeições naturais da modelo?
Isso faz parte da pós-produção! Eu mesmo que faço.
Qual é o maior problema comum nas modelos?
Não existe um problema em comum. Cada foto é tratada de uma maneira, cada modelo de uma maneira,
Ombros caídos, por exemplo?
Isso na realidade na hora de fazer a foto tem que ter um olho meio clínico e já acertar na hora, porque depois a pose errada você não tem como consertar. Uma gordurinha a mais no Photoshop dá para tirar. Algumas vezes uma imperfeição na pele dá uma tratadinha. Existem casos e casos. Se você vai fazer fotografias para uma loja de roupas e tem uma agência por trás, é a agência que irá fazer as exigências. No caso de fazer um ensaio para uma pessoa comum, você pede para ela contratar uma boa maquiadora, acerta o cabelo, escolhe umas roupas bonitas e faz a foto no momento.
O ideal é fazer fotos coloridas ou pretas e brancas?
Não existe uma regra. Algumas vezes após tirar a foto descobrimos que ela fica ótima em preta e branca. Coloca-se em preta e branca.
Isso significa que foto em preta e branca não está defasada?
Não! Muito pelo contrário! Sebastião Salgado só faz fotos em preto e branco.
Como funciona a revelação?
Hoje como a fotografia é digital, existem softwares de edição de fotografia, basta pegar o cartão de memória da máquina fotográfica e colocar no computador. Ali que você irá colocar contraste, luz, tirar sombra, colocar sombra, por um efeito, faz a produção toda no computador. Para revelar existe um grande numero de empresas que revelam. As fotos são enviadas por e-mail.
Como fotografo você realiza fotos de casamentos, qual é a maior dificuldade em fotografar um casamento?
Um fato me incomoda muito. Com o avançar da tecnologia, principalmente com o advento do smartphone, é fácil todo o mundo fazer fotografias. O pior fato é quando o fotografo vai fotografar a entrada da noiva a igreja, e todos os convidados entrarem com o celular na mão. Imagine o corredor, a noiva vindo, com o pai, e todos os convidados que estão no corredor, colocarem o braço para tirar fotos da noiva! Isso atrapalha o fotografo! Tem uma cláusula no meu contrato em que coloco que a foto do bolo dos noivos com os padrinhos, só após o fotografo contratado tirar as fotos iniciais, fica após isso livre para quem quiser tirar suas respectivas fotografias. Se eu for tirar foto e tiver pessoas ao lado fotografando, eu paro de fotografar. Isso porque aparece o pessoal fotografando, os noivos não olham para o fotografo, olham para quem está com um celular de um lado ou um tablet do outro lado. Faço fotos de aniversário, aniversário de criança também.
Aniversário de criança é trabalhoso?
É! Isso também depende da criança, da faixa etária, criança com um ano de idade fica no colo da mãe o tempo todo. Já fiz fotografias de crianças na faixa de uns sete anos, onde corri muito. A criança não para e você tem que correr atrás dela. Você pode imaginar uma criança com sete anos e eu com quarenta anos correndo atrás da criança!
Há também casos de jovens, que aos quinze anos em média, fazem festas grandiosas, e algumas podem achar que a fotografia foi inferior a sua beleza?
Toda mulher é vaidosa! Cada caso é um caso, pelo fato de ser muito comunicativo. Quando me procuram para fazer fotos, como de casamento, por exemplo, acima de tudo sou o mais profissional possível, no entanto procuro me aproximar como amigo deles. A foto quanto mais espontânea será melhor. Procuro não causar tensão, constrangimento, nos noivos, na debutante. Deixo que eles se sintam a vontade. Por isso quando realizo um contrato para fotografar um casamento faço o que denominamos de pré-wedding (do inglês wedding, que significa casamento). Ou seja, um ou dois meses antes da data oficial do evento, o casal realiza fotos mais despojadas, em locais que os identifiquem. Com roupa habitual, nesse pré-wedding cria-se um vinculo entre o fotografo e os noivos, para no dia do casamento eles ficarem a vontade. Isso pode ocorrer também com debutantes.
Quem é mais vaidoso, o homem ou a mulher?
A mulher é mais vaidosa!
O que é ensaio de gestante?
Esse final de semana eu fiz um ensaio de gestante, é a fotografia da mulher grávida. A mulher tem a vaidade de estar segurando uma vida ali. No ensaio que fiz, a gestante foi com uma roupa adequada, onde aparece a barriga saliente, fiz um ensaio dela e de seu marido, como se os dois estivessem namorando, porém tem o terceiro elemento que é a barriga. Na fotografia consigo dar um destaque na barriga. O inusitado é que pedi para que ela levasse umas roupinhas de bebe e fiz uma composição, coloquei as roupinhas de bebe em uma árvore e pedi que ela sentisse o odor das roupas. No que ela fez esse gesto, apareceram espontaneamente oito sagüis, eu não sabia que na ESALQ tinha sagüis. Acabou por tornar-se uma foto artística.
Quantos profissionais são necessários para fotografar um casamento?
Cada caso é um caso. Há casamentos onde um único fotógrafo faz o trabalho, assim como grandes casamentos que exigem uma equipe.
Você é o profissional que realiza o programa “Pulsares”, um programa realizado pelo Lar dos Velhinhos de Piracicaba e levado ao ar pela Rádio Educadora, 1060 khertz aos domingos ao meio dia. Qual é a sua visão a respeito de um programa feito por idosos?

Esse é um dos melhores programas que já fiz em minha vida. É um programa tão bom de ouvir, traz uma paz tão grande, tenho uma grande satisfação em produzir Pulsares. 

terça-feira, julho 26, 2016

ELDA NYMPHA COBRA SILVEIRA

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 23 de julho de 2016.
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:tp://blognassif.blogspot.com/
http://www.teleresponde.com.br/
ENTREVISTADA: ELDA NYMPHA COBRA SILVEIRA
    

                                        
Elda Nympha Cobra Silveira nasceu a 22 de março na cidade de Piracicaba, filha de Antonio Cobra Filho. Ele veio da Itália, da região de Treviso, completou um ano de idade no navio, durante a viagem. Antonio Cobra Filho casou-se com Eduarda Garcia Cobra, filha de espanhóis, tiveram os filhos: a primeira filha que faleceu precocemente, em seguida nasceu a filha Aneli, depois nasceu Adair, falecida ainda muito nova, em seguida nasceu Amires, nasceu o Esmeraldo, que também faleceu muito jovem, a seguir nasceu Elda Nympha. Quando seus avós paternos chegaram foram para a localidade rural de Paraiso, na região de Piracicaba.
Em que local você nasceu Elda?
 Eu nasci no Bairro Alto, na Rua Manoel Ferraz de Arruda Campos, esquina com a Rua Moraes Barros, em um sobrado, no térreo era um armazém. Quem tomava conta do armazém era a minha mãe. Meu pai tinha a Serraria Cobra, situada onde hoje é a casa de plantas Nativa, na esquina da Rua São Francisco de Assis com a Rua Governador Pedro de Toledo. Aquela área toda pertencia ao meu pai e ao meu tio Pedro. Assim como a área onde hoje se situa o Teatro Municipal Dr, Losso Netto que ao que me consta pertencia a nossa família.
O que o famoso seresteiro Cobrinha era do seu pai?
O meu tio Victório Ângelo Cobra, popularmente conhecido co “Cobrinha” era irmão do meu pai.




O seu pai formou um conjunto musical?
Ele montou o “Chorocobra”, era composto pelos seus filhos e mais duas pessoas que não pertenciam a família.
Você estudou em que escola?
Estudei no Colégio Nossa Senhora da Assunção, usava saia plissada, gravata, meia três quartos, manga cumprida, com aquele calor não sei como agüentávamos !
Como você ia para a escola?
Eu sempre ia e voltava a pé, na época morávamos na Rua Ipiranga quase esquina com a Rua Boa Morte onde atualmente é a Imobiliária Jorge Martins. Foi meu pai quem construiu aquela casa. Nessa época o Colégio Nossa Senhora da Assunção funcionava no prédio do Externato São José, na Rua D.PedroII esquina com a Rua Alferes José Caetano, onde mais tarde funcionou a Faculdade de Odontologia. Fazíamos as aulas de Educação Física acima do Colégio Nossa Senhora da Assunção, era a praça de esportes, era acima do Lar Escola Coração de Maria Nossa Mãe.
Até que ano você estudou no Colégio Assunção?
Em 1951, com 18 anos, me formei em magistério na Escola Normal Livre Assunção. Lembro-me que nas festas que havia na escola eu cantava. Uma delas era (Elda põe-se a cantarolar o Hino Oficial Da Marinha Brasileira (Cisne Branco): Qual cisne branco que em noite de lua/Vai deslizando num lago azul/O meu navio também flutua/Nos verdes mares de Norte a Sul/Linda galera que em noite apagada/Vai navegando num mar imenso/Nos traz saudades da terra amada/Da pátria minha em que tanto penso/Quanta alegria nos traz a volta/À nossa Pátria do coração/Dada por finda a nossa derrota/Temos cumprido nossa missão/Linda galera que em noite apagada/Vai navegando num mar imenso/Nos traz saudades da terra amada/Da pátria minha em que tanto penso/Qual linda garça que aí vai cortando os ares/Vai navegando/Sob um belo céu de anil/Minha galera/Também vai cortando os mares/Os verdes mares/Os mares verdes do Brasil”. 




Cantava também outras musicas.
Você iniciou lecionando em que escola?        
Fui lecionar no Grupo Barão do Rio Branco, em Piracicaba, como professora substituta. Inscrevi-me para lecionar fora de Piracicaba. Lá eu fazia de tudo, organizava desfies, tocava piano, ajudava no canto orfeônico.
Nessa época você já tinha conhecido o seu futuro marido?
Eu conheci Pedro José Silveira Lara em 1954. Fomos a um noivado de uma pessoa conhecida da família, em uma fazenda. Ele me acompanhou até o carro do meu pai.
A lua-de-mel foi em qual localidade?
Foi em Santos, no Atlântico Hotel. Fomos de carro do pai dele. Ele era muito novo ainda, tinha 21 anos.
Vocês tiveram filhos?
Tivemos três filhos: Silvana, Fábio e Gustavo. Hoje além dos filhos tenho sete netos e um bisneto!
Qual era a profissão do Pedro?
Ele era empresário do setor de ônibus. Quando ele se casou aos 21 anos de idade já tinha uma empresa de ônibus. Seus irmãos, todos eram empresários do setor de ônibus, eles tinham atuação na cidade de Sorocaba.
O Pedro foi um dos pioneiros na área de transporte público em Piracicaba?
Acredito que a família Marchiori iniciou antes. O Beneton veio depois. Eram muito amigos, o Pedro e o Beneton, na cidade de Laranjal Paulista.
Seu marido, Pedro José, montou algumas linhas de ônibus em Piracicaba?
Montou a linha que ia até Santa Terezinha, para Rio das Pedras, a linha Jaraguá com dois percursos, via Brasílio Machado e via Avenida 9 de Julho, teve ainda uma empresa que ia para Anhumas cujo terminal ficava na fazenda do meu sogro, a Fazenda Graminha. Por alguns anos a garagem de ônibus da Viação Silveira era no local onde mais tarde estabeleceu-se a Nossa Caixa Nosso Banco, atualmente Banco do Brasil, na Avenida Dr. Edgard Conceição, entre a Rua do Rosário e Rua Sud Mennucci, propriedade de José Nassif, logo acima na esquina morava o Padre, hoje Monsenhor Luiz Giuliani. Havia personagens, funcionários, que fizeram com que a empresa crescesse. Um dos fatos brilhantes era quando fundia o motor de um dos ônibus, aos quais chamavam de “carros”, tinha que fazer o motor, pelo fato da frota ser reduzida, assim que era dada a última volta, o ônibus encostava e os mecânicos passavam a noite fazendo o motor do mesmo, para no dia seguinte o veiculo estar rodando logo bem cedo. Foi uma grande luta. Os funcionários dessa época eram o José, primo do Pedro, o Luiz, o Osvaldo (Vardão), o Xuxu, o Esquisito, o Fusco, o Bento e outros cujo nome não me vem a memória, isso faz décadas. Na lateral de dois ônibus ele escreveu o nome dos filhos, uma estava escrito Fabinho em outra Silvana.




Uma das grandes inovações em termos de conforto foi um novo modelo de ônibus?
Era o ônibus monobloco, cujo motor ficava na parte traseira do ônibus. As cores que prevaleciam nos ônibus eram azul e branca. Da Paulista, a garagem foi para a Avenida São Paulo, onde permanece até hoje. O importante é o pioneirismo, trabalharam muito, os empregados o queriam muito bem.




Como foi a construção do barco em cima de tambores?
Na verdade era uma balsa, em cima da balsa colocaram a carcaça de um ônibus, e navegou por muitos anos pela represa que chamávamos de “Represa do Pontão” mais tarde o Pedro tirou a carcaça do ônibus e construiu uma casa em cima da balsa, com dois quartos, sala e banheiro. A sala e a cozinha eram conjugadas. Freqüentei muito aquela casa em cima da balsa, navegando pelas águas, nós adorávamos passear naquela embarcação. Além do Pedro tinha três sócios na embarcação, eram dois diretores da Alvarco: o Alvaro e o Marcos. O Antonio (Gegé) Beneton também era um dos sócios.
Qual era a sua relação com o seu tio Cobrinha?
Era muito boa. Cantei com ele, ele era muito exigente, tinha que ser perfeita. Cantava em casa, todo aniversário do meu pai ele ia lá, meu pai gostava de dar uma festa, nada era adquirido fora de casa, nós tínhamos que fazer tudo, fazíamos coisas bem caprichadas. O meu tio Cobrinha ia cantar, eu me aventurava a cantar com ele, cantávamos mais serestas. Ele tocava violão, não havia mais nenhum instrumento musical. Eu toquei piano por muitos anos, toquei em casamentos, cantei diversas vezes no Colégio Assunção. Cantei muito na Igreja dos Frades (Igreja Sagrado Coração de Jesus), era um grupo com o Frei Alexandre.  Já cheguei a cantar no coro do Maestro Ernst Mahle.
Atualmente você faz parte de vários movimentos literários?
Faço parte de vários grupos literários como o CLIP – Centro Literário de Piracicaba, o GOLP- Grupo Oficina Literária de Piracicaba, Sarau Literário Piracicabano, sob a coordenação de Ana Marly de Oliveira Jacobino, do Clube dos Escritores cadeira 23 sendo o patrono o meu tio Victório Ângelo Cobra, da Academia Piracicabana de Letras cadeira 21, cujo patrono é José Ferraz de Almeida Júnior. Sou integrante do Lions Club de Piracicaba Leste.
Você é também artista plástica?
Eu pertenci a APAP Associação Piracicabana dos Artistas Plásticos, recebi vários prêmios: medalha de ouro, prata, bronze, sendo o prêmio maior o “Troféu Hors Concurs” recebido na Mostra Almeida Junior, promovida pela Associação dos Artistas Plásticos de Piracicaba.Estudei pintura por vários anos fui formada pelo Ateliê de Geraldo Nascimento e pelo Ateliê Joji Kussunoki, onde permaneci por dezesseis anos.Uso as técnicas: óleo sobre tela, massa sobre Duratex, técnica mista, aquarela, pastel e espátula.
Você tem livros lançados?
Lancei o livro de poesias “Limiares”. Recentemente lancei o livro de crônicas “E...a Vida Passa”.
Elda o que a motiva a envolver-se nessa intensa atividades em diversas áreas  intelectuais?
Eu sempre me dediquei a família. O meu marido sempre se colocou no lugar do provedor, com isso minhas atividades eram voltadas à família. Com o passar do tempo, houve mudanças em nossas vidas. Foi quando afloraram meus sentimentos voltados a arte. Posso dizer que de certa forma tive uma vida privilegiada.
Existiu uma empresa em Piracicaba que foi muito famosa, a Cicobra. Qual é a sua relação com ela?
Era uma loja com material voltado a indústria pesada. Situava-se na Avenida Armando Salles esquina com a Rua Rangel Pestana.  Era de propriedade do meu tio Oswaldo Cobra, mais conhecido como Picchina, porque os pais diziam que ele era picchinin, pequenino. Sua filha, Nilva, é quem tomava conta. Esse meu tio escrevia seus artigos e publicava no jornal. Ele foi motorista de praça, hoje denominado taxista, ele foi empregado do meu pai. Meu pai e meu tio tinham um barco a vapor no Porto João Alfredo, hoje Artemis. 




Meu pai comprava o mato, retirava a madeira.  Eles tinham um guincho que colocava as toras de madeira que eram derrubadas em sua balsa, diga-se de passagem, que a família Cobra toda se reunia de tempos em tempos para fazer piquenique nessa balsa. Meu pai dizia: “-Escolha o peixe que você quer comer filha!” Dava para ver os peixes, ele acabava pescando um peixe, que não era necessariamente o que eu tinha escolhido, mas na minha imaginação era o próprio. Eu devia ter uns cinco anos. Essa balsa vinha carregada de madeira, parava no Porto João Alfredo, com o guincho tiravam da balsa e colocavam no caminhão e vinha para a Serraria Cobra situada na Rua Governador Pedro de Toledo esquina com a Rua São Francisco de Assis. Ali no Porto João Alfredo, do lado havia a Estação da Sorocabana, meu pai e meu tio eram proprietários de uma chácara nas imediações, ali eles colhiam as frutas que a chácara produzia e vinha pela Sorocabana duas caixas de frutas. Tinha uma amiga que dizia: “- Vocês são chiques!” Eu não me lembro se também vinha madeira de trem. A estrada de Piracicaba até o Porto João Alfredo era toda de terra. Nós tivemos um rancho, todo feito em madeira, que se situava no mesmo local onde mais tarde o Roberto Carlos alugava casa para passar temporadas.

                                           LOCAL EM QUE ROBERTO CARLOS FICAVA

E carnaval?
No carnaval éramos muito participativos, fizemos blocos, freqüentávamos o Clube Coronel Barbosa. Lembro-me do carnaval de rua, Piracicaba por um período tornou-se célebre com seu carnaval, vinham muitas pessoas famosas, como Pepita Rodrigues, Décio Piccinini, lembro-me que em um ano fizeram uma réplica de um bonde. O Pedro foi da comissão de frente, sabe aqueles homens bonitos, que ficavam na frente, ele fazia parte. Eu não desfilei na rua. Eu me fantasiei. Ele me chamando: “-Elda, você não vem?”. Eu era magra, minha mãe era gordinha, dei uma volta na saia, prendi, coloquei a cartucheira do Pedro, coloquei uma blusa e escrevi atrás: Bonnie e Clyde . Quando desci a escada ele disse-me: “-Você está louca?”. Vai, vai....Eu era criativa, sempre fui assim. No dia em um amigo da família, hoje médico, Dr. Luiz Henrique, foi em casa, eu estava fazendo a fantasia da minha filha Silvana, com papel alumínio. apropriado, eu prensei tudo, colocava uma vela acesa por trás para dar a noção de relevo, com essa fantasia ela desfilou de egípcia. E também desfilou no Grupo Escolar Barão do Rio Branco, onde ela foi aluna. Quando teve a procissão de Corpus Christi eu enfeitei a rua, um trecho da Rua do Rosário entre a Rua Gomes Carneiro e a Rua José Ferraz de Carvalho. Fiz a minha casa como sede, havia a lavanderia na parte externa, fiz toda aquela mistura de materiais, eu já tinha o dom para a arte.
Vocês chegaram a receber o Divino em casa?
O Divino ia a fazenda do meu sogro, Pedro Joaquim Silveira, a Festa do Divino era maravilhosa. Tinha tachos enormes, acredito que era o Crocomo que fazia, ali era cozidos carne moída com batata, eram muitas pessoas que participavam em tudo. A Irmandade do Divino entrava na casa, agradecia, depois levantavam o mastro do Divino. É algo que não se esquece.
E música da época você chegou a freqüentar alguma rádio?
Tem um acontecimento engraçado! Eu era bem mocinha, gostava de cantar, eu morava na Rua Ipiranga quase esquina com a Rua Boa Morte. Ali tinha um salão de barbeiro cujo proprietário tocava violão na PRD-6. Ele achou que eu cantava bem e me convidou para cantar na PRD-6. Toda escondida, fomos eu, ele e o violão, a pé. Eu cantei. Meu pai estava em um estabelecimento comercial na esquina da Rua Moraes Barros com a Praça José Bonifácio, no local mais tarde funcionou a famosa lanchonete Daytona, hoje é ocupado por um banco. Papai escutou quando o apresentador anunciou: “-Vamos ouvir Talita Rubia! “ Era eu! Na hora ele percebeu, chegou em casa com um sorriso, foi logo perguntado: “- Aonde você foi?” Disse-lhe que tinha ido ao cinema. Ele não me disse que ouviu. Minha mãe é quem disse: “-Seu pai sabe o que você fez!”. Foi a única vez em que me apresentei em rádio. Quando eu era bem novinha, lembro-me que tinha o tanque de lavar roupa, feito de cimento, eu fiz uma poesia ali, com musica. Eu era menina, nisso chegou um fã, um menino, ele entrou, ouviu, eu era muito tímida. Eu era muito amiga da família Cassab, o Luiz era o irmão mais novo, íamos a bailes juntos com suas irmãs. Em uma madrugada ouço alguém assobiando a minha música! Era o Luiz Cassab, que fez isso para me assustar!
Piracicaba cresceu muito, naquela época muitos se conheciam.
Hoje praticamente não conheço mais ninguém! É aquela história do filho do filho de fulano de tal. Antes eu conhecia muitas pessoas e muitas me conheciam. Ainda acredito que sou muito conhecida, mas às vezes a pessoa mudou muito e torna-se difícil lembrar-se daquela pessoa que você conheceu há muitos anos e preserva a imagem daquele tempo dessa mesma pessoa. Então você mantém um dialogo mas se a pessoa não se identificar por fatos ou até mesmo pelo próprio nome fica um dialogo meio estranho.
Você andava de bonde?       
Adorava! Andávamos de bonde só para passear. Ir ao cinema era uma delicia!
Você é religiosa?
Sempre fui, gostava muito também de ouvir as palestras do Dr. Walter Accorsi. Fiz muitas reuniões de oração em minha casa. Quando começou a Igreja Carismática freqüentei muito o Dispensário dos Pobres.
Você fez cursilho?    
Fiz cursilho, Cantei muito no Recolores (O Recolores é uma pequena continuação do Cursilho Encontro). Cantava com o meu cunhado ao violão e com a minha irmã. O Pedro também fez cursilho.
O que você sente quando escreve uma poesia?
Sou muito romântica!
Você também contribui com ações sociais executando inclusive peças em tricô?
Além das que trouxe recentemente, hoje trouxe umas 50 peças, que eu mesma fiz. São doações que faço diante de um inverno rigoroso como estamos passando. Procuro me manter informada, sempre com aquilo que me acrescenta alguma coisa, por isso seleciono o que leio e o que assisto. Uso muito o computador. Uso muito imagens. Gosto de escrever, pintar, fazer tricô. Gosto de novidades. Se estou indo para casa mudo o percurso só para variar. Dirijo muito na cidade, só evito estradas.


IGNEZ VIEIRA E SILVA

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS 
JOÃO UMBERTO NASSIF 
Jornalista e Radialista 
joaonassif@gmail.com 
Sábado 15 de julho de 2016.

Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana 
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:

http://blognassif.blogspot.com/
http://www.teleresponde.com.br/ 

ENTREVISTADA: IGNEZ VIEIRA E SILVA


Ignez Vieira e Silva nasceu em Piracicaba a 4 de de janeiro de 1936, no bairro da Paulista, na Rua Joaquim André, 1134.  Filha de Manoel Vieira e Silva e Maria Prates Vieira,
Seus pais são nascidos no Brasil?
Meu pai nasceu em Portugal, em 17 de janeiro 1889, na região de Leiria em Fátima, veio para o Brasil com 10 anos, junto com meus avós. Desceram do navio em Santos, passaram pela Casa do Imigrante em São Paulo e vieram a residir inicialmente no bairro dos Marins, em Piracicaba.
Sua família é católica praticante?                                              
Além do meu pai, meus avós tiveram outros filhos entre os quais três filhas freiras franciscanas: Irmã Bernadete, Irmã Cesarina que trabalhou na Santa Casa de Piracicaba e Irmã Joana que ajudou o Lar Escola por mais de 50 anos trabalhando com promoções, a busca de donativos. Fora o seu trabalho interno com as crianças. Ela sempre foi muito ativa.
Quando chegaram a Piracicaba o seu avô e a família foram trabalhar no que?
Meu pai foi trabalhar com meu avô como pedreiro, um dos locais onde trabalharam foi no Engenho Central. Em seguida foram morar em uma propriedade das Irmãs Dominicanas, em um colégio na cidade de Amparo. Isso foi em 1917.
O Seu Manoel, seu pai, já mocinho, foi trabalhar em que local?
Meu pai não tinha completado 20 anos quando uma tia que trabalhava na Santa Casa veio buscá-lo para trabalhar na enfermagem. Ele fez um curso em São Paulo onde se diplomou como enfermeiro. Isso tudo ocorreu na Santa Casa quando ela era ainda na Rua José Pinto de Almeida entre a Rua XV de Novembro e a Rua Moraes Barros.  Ele foi um dos primeiros enfermeiros, foi um dos funcionários que fez a mudança para o prédio recém-construido na Avenida Independência, na época toda de terra, onde é atualmente a Santa Casa de Misericórdia de Piracicaba. As árvores eram ainda pequenas, atrás da Santa casa havia pés de eucalipto. No local onde era a conhecida “Santa Casa Velha” passou a ser o Centro de Saúde. Toda a mudança de pacientes, equipamentos, foi realizada pelo meu pai e outros enfermeiros. Meu pai tinha orgulho da sua profissão. Em 1943 o Provedor da Santa Casa na época era o Dr.. Coriolano Ferraz do Amaral, pai da Dona Levica Meirelles, avô da Professora Ana Maira Meirelles de Mattos, esposa do Dr. Jairo Ribeiro de Mattos. Meu pai trabalhou com Dr. Nelson Meirelles, que na época era um jovem médico, trabalhou com Dr. João Correia. Lembro-me que eu ia com a minha tia Joana, que era freira, pedir donativos na casa da Dona Levica, que na época morava na Rua XV de Novembro, entre a Rua Boa Morte e Rua Alferes José Caetano. Principalmente na campanha da Festa do Sorvete.
Como o seu pai conheceu a sua mãe?
Meus avós maternos eram também portugueses, meu avô era José Coelho Prates e minha avó Maria Prates, eram pais de Florisvaldo Coelho Prates, naquela época a minha mãe morava na Rua Moraes Barros, entre a Rua Bernardino de Campos e a Rua Visconde do Rio Branco. Por lá passava todos os enterros, procissões, penso que a Rua Moraes Barros já era calçada com paralelepípedo, mas as ruas adjacentes eram todas de terra. Penso que meu pai conheceu minha mãe em uma dessas épocas. Era uma época em que o carro funerário do Libório ia à frente e atrás ia o caixão carregado por amigos do falecido ou falecida. Todos os homens iam de terno, um calor medonho. Isso eu vi muitas vezes. Lembro-me de quem morava em frente à casa da minha avó era a Teresa Bragion. O marido dela era dono da Casa Becari.
Quantos filhos seus pais tiveram?
Tiveram quatro filhos: Lourdes, Luis, Valdemar e Ignez.
Você estudou em qual escola?
Estudei o curso primário por pouquíssimo tempo na Escola Normal, lembro-me que no avental tinha as letras E N (Escola Normal), mais tarde é que passou a se chamar Sud Mennucci. O Dr. José Rodrigues de Almeida estava trabalhando na Usina Monte Alegre da família Morganti, estava sendo formada a parte de saúde. Quando ele soube que o meu pai tinha saído da Santa Casa, imediatamente ele foi lá em casa, meu pai estava com tudo arrumado, pronto para mudar para São Paulo. Na época eu tinha sete anos. O médico Dr. José Rodrigues de Almeida precisava de um enfermeiro para trabalhar na Usina Monte Alegre. O meu pai já tinha trabalhado com ele na Santa Casa. Mudamos para lá e passei a freqüentar o Grupo Escolar Marquês de Monte Alegre. Meu pai assumiu como chefe da parte de enfermagem. Ele era conhecido como Manoel Enfermeiro. Muitos médicos o conheceram, ajudaram principalmente o Dr. Lula. Meu pai aplicava injeções, ele trabalhava dia e noite naquela época. Chegou a morar na Santa Casa, em função do plantão. Tinha até o quarto dele na Santa Casa, mesmo depois de casado. Ele ficava uma noite sim e outra noite não, trabalhando. Fui estudar na Escola Baroneza de Rezende, outros dois anos fiz em Amparo, com as irmãs da escola de Amparo. A minha primeira comunhão foi na Capela São Pedro, em Monte Alegre, a preparação foi feita pelas irmãs franciscanas. Foi no dia 29 de junho de1943, dia de São Pedro, era a data máxima. Minha adolescência foi toda em Monte Alegre. Quando eu saí de lá tinha 22 anos. Fui morar com meus pais na Rua Joaquim Andre, entre a Rua Governador Pedro de Toledo e Rua Boa Morte. Em frente a casa de José Osoris. O Bellotto era nosso vizinho. Onde hoje é a Assagio era um armazém do Seu Lauro Arthur, mais conhecido como Raul. Em uma das esquinas, em um sobrado morava o professor Lineu Cardoso, na esquina oposta era o Hotel Paulista, que foi demolido. Isso na esquina da Rua Joaquim André com a Rua Boa Morte. Até hoje chamo de “minha padaria” a Padaria Jacareí.

Qual era a doença mais comum na época?

Não era como hoje, onde há especialistas em cada área, o médico tinha que atender o paciente em todas as áreas. Meu pai acompanhou vários médicos moços, fazendo a residência: Dr. Alcides Aldrovandi, Dr. Alfredo de Castro Neves, mais conhecido como Dr. Alfredinho, Dr. Garboggini. Dr. André Ferreira dos Santos mais conhecido como Dr. Preto, meu pai saiu da Santa Casa em 1943.

Seu pai tinha uma irmã que morava próximo a sua casa na Rua Joaquim André?

Era a Tia Emília! Ela foi enfermeira na Usina Monte Alegre. Mãe da Nilza e do Luiz, eles moram até hoje na mesma casa, na Rua São Francisco de Assis, no quarteirão onde fizeram um edifício enorme, da família Cobra e família Coury. Na Rua Governador Pedro de Toledo, esquina com a Rua São Francisco de Assis havia uma pensão, com um porão habitado também por hospedes, foi demolida para dar lugar a um prédio. Na quadra de cima havia a sapataria do Joanim, como era conhecido o João Fustaino. Na esquina oposta existe até hoje uma casa com uma escadaria imponente, foi onde morou o Angeli, irmão do Dr. Jorge Angeli, que residia na metade do quarteirão da Rua Joaquim André. A esposa desse Angeli era Dona Matilda, mãe da Edelza. Ele tinha plantação de fumo. O Francisco Angeli também trabalhava com fumo. O José Osoris é pai da Maria José, Maria Luiza e João José. O Professor Lineu Cardoso sempre dizia: “Vizinha, este quarteirão é o “filé minhom” de Piracicaba. Éramos como uma família. Naquele tempo a criançada jogava bola naquele quarteirão, o sobrinho do Dr. Jairo de Mattos, o Paulinho, filho da Dalva, hoje um dos renomados arquitetos de Piracicaba, Paulo Bellato, era um desses garotos que jogava bola. O Dr. Caio Leitão morava ali.

A Casa Três Irmãos quando surgiu você a conheceu?

Eu morava no Monte Alegre, apareceu uma lojinha pequena, meu tio dizia, vai lá, que aqueles meninos são todos católicos, são todos marianos. Eram o Mario, o Ermelindo e o Otávio. Na Rua Gomes Carneiro morava a Santa Morato, era doceira e organista. A Cidona, Maria Aparecida Ferraz, irmã do Quincas, morava em uma casinha na Rua São Francisco, tinha como vizinho uma horta. A Cidona era a cozinheira dela, ela era excelente cozinheira, isso fez a fama da Dona Santa, que com ônibus para fazer os bufê dela, viajava. A casa onde ela morava era do Lelio Ferrari, a sogra dele tinha morado ali. Vizinho a minha casa morava o João Tedesco, pai do Norival Tedesco, do Nestor. Lembro-me da Casa NÊ, um armazém que ficava na Rua Benjamin Constant esquina com a Rua São Francisco. As filhas dele foram minhas colegas como Filha de Maria. Lembro-me da Zulmira.

Você guarda lembranças da Estação da Paulista?

Dava para acertar o relógio com o apito do trem, tal a pontualidade. Tinha uma caixa de cartas na Estação da Paulista. O meu irmão Luiz morava na Rua Sud Mennucci, foi o braço direito na construção da Igreja São José. Ele foi presidente do Grêmio Dramático da Igreja dos Frades. Foi presidente da Congregação Mariana. Havia teatro no coléginho.


E as quermesses da Igreja dos Frades?

Quando eu era “Filha de Maria”, o que trabalhava nas quermesses! Primeiro com a Dona Ester na barraca das “Filhas de Maria”, depois com Dona Orlandina Sodero que era presidente do Apostalado da Oração, tinha a barraca do Apostalado. Como eu era esperta, vendia muitas rifas, dei a alma naquela barraca de São Francisco. Tomei conta das crianças na missa das oito horas da manhã aos domingos, isso no tempo do Frei Saul, Frei Frederico. O Frei Honório era muito amigo da nossa família. Ele tinha o habito de chamar as senhoras todas de Dona Maria.

Você lembra-se quando foi construída a garagem da prefeitura, em 1954?

Lembro-me sim, foi construída na Avenida Dr. Paulo de Moraes, assim como a primeira  sede dos bombeiros ao lado, construída mais tarde.

Você ajudou muito nas obras sociais, em especial no Lar Escola?

O Lar Escola foi a minha segunda casa. E a congregação minha segunda família. A primeira pedra do Lar Franciscano de Menores foi meu pai que colocou.

O seu pai foi muito ativo nas obras sociais.

Ele foi fundador da Creche São Vicente de Paula. Na Rua Visconde do Rio Branco esquina com a Rua D.Pedro. Ele que montou quase todas as conferências vicentinas de mulheres. João Scudeller foi o Presidente Geral das Conferências Vicentinas. Meu pai que montou a Conferência Vicentina da Matriz da Catedral de Santo Antonio, assim como da Igreja Bom Jesus.

De onde você acha que veio essa vocação dele em ajudar o próximo?

Meu pai foi o vicentino mais velho de Piracicaba. Ele tinha um enorme prazer em poder ajudar quem necessitava. O Pedro Grossi era presidente do Conselho Geral, inclusive das casinhas na Rua D.Pedro, e meu pai fazia parte do conselho, um dia ele chegou em casa com Tereza Nilza Machado. Havia pessoas importantes que eram vicentinas como Maria Helena Chiarinelli, Bia Lacorte, Irene Corazza prima da Maria Helena Corazza. Cecília da Elmo Magazine. Maria Dulce Lordello. O Pedro Grossi foi em casa e disse: “-Seu Manoel, vou fundar uma creche onde estão as casinhas em que moram os pobres. Vamos transferi-los para outro local” Antonio Sallun, proprietário da Casa Paz foi o presidente. Meu pai foi diretor.

Você cantou no coral da Igreja dos Frades?

Cantei, era segundo contralto, o regente era Ditinho Januário, pai do Marcos Januário, o Janu. As vezes eu acho que nasci na Igreja dos Frades!