Se alguém ainda duvida da importância de conhecermos o passado para construirmos o nosso futuro, então que revogue todos os conhecimentos acumulados pela humanidade até a presente data. J.U.Nassif

sábado, abril 18, 2015

EDMA JUSTINA DE OLIVEIRA SOUZA

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS 

JOÃO UMBERTO NASSIF 

Jornalista e Radialista 

joaonassif@gmail.com 
Sábado 18 de abril de 2015.

Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana 

As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:

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ENTREVISTADA: EDMA JUSTINA DE OLIVEIRA SOUZA




Edma Justina de Oliveira Souza, nasceu a 26 de março, nascida em Nipoã, próxima a São José de Rio Preto. Seus pais Jovelino Dionísio de Souza e Maria Ernestina de Oliveira Souza tiveram os filhos Egas Muniz, Edma, Eliezer Carlos. Seu pai era farmacêutico.  
Até que idade você permaneceu em Nipoã?
Morei em Nipoã até os nove anos, quando terminei o Grupo Escolar. Meu primeiro professor foi o Professor Rui.  Nessa ocasião nossa família transferiu-se para São José do Rio Preto. Lá fiz o ginásio no Instituto de Educação Monsenhor Gonçalves. Concluí o ginásio com 14 anos. Dia 6 de janeiro de 1954 mudei para São Paulo. Ano do IV Centenário! Fomos para o centro de São Paulo, não era a cidade que é hoje. Atravessamos o Túnel Nove de Julho a pé!  Chegamos a ver a famosa “Chuva de Prata”. ( Foi lançado no Vale do Anhangabaú triângulos prateados que parecia ser uma chuva de prata). Todas as comemorações que pudemos ver relativas ao IV Centenário nós vimos. O povo comparecia em massa, ao parque do Ibirapuera construído no espaço de dois anos para as festividades do aniversário dos 400 anos. A minha filha, Ana Lúcia de Oliveira Souza, é bailarina clássica, a madrinha artística dela, Neide Rossi, dançou no bale do IV Centenário. Anos depois, a minha filha participou de um festival de dança, no qual se saiu vencedora, além de um prêmio em dinheiro ganhou a coroa do IV Centenário que havia sido da sua madrinha. 











A filha da senhora, Ana Lúcia Souza, é bailarina?
Foi! Ela ganhou uma bolsa de estudos em Brasília, foi para Mannheim na Alemanha. Após dois anos, foi para Stuttgart onde permaneceu por aproximadamente uns seis anos, depois ela foi para Mônaco onde ficou mais dois anos como primeira bailarina. Teve um rompimento de tendão. Foi para Nova Iorque onde fez o curso de jornalismo. Fez cinema no Actors Studio. Fez Pilates, Yoga, ela ficou um mês na Índia com os monges, fazendo um aprimoramento. Atualmente ela está com 33 anos. Ela dançou para a Rainha Elizabeth da Inglaterra, foi trabalhar em Mônaco convidada pelo Príncipe Albert. Ela foi considerada por uma revista francesa como “A Bailarina de Asas da Europa”.
A senhora fez o curso colegial em qual escola em São Paulo?
No Colégio Paulistano, hoje se tornou FMU – Faculdades Metropolitanas Unidas., situado na Rua Taguá. Meu pai freqüentava o Clube Piratininga, eu passei a minha mocidade dentro do Clube Piratininga. Atualmente este clube está na Alameda Barros 376, uma travessa da Avenida Angélica, no nosso tempo ele situava-se no Anhangabaú. Ficava em uma esquina, pelo que me lembro ele foi criado por um pessoal que tinha ligações com a Revolução Constitucionalista de 1932. Grandes obras de arte como as telas da Revolução Constitucionalista, São Paulo Antigo e o painel histórico de 1988, em tinta à óleo, “1a.Missa da Fundação de São Paulo”,  do artista plástico S. Migliaccio enriquecem o hall principal. Muitas outras pinturas, igualmente raras, estão distribuídas em todos os demais ambientes e salões para serem admiradas pelos muitos freqüentadores do clube. O meu pai foi combatente da Revolução de 1932, ele era enfermeiro. Ele ficou nas imediações de Taubaté. Minha mãe é pensionista de 1932!


Além do colégio, a senhora fez algum outro curso na época?
Fiz o colégio, e simultaneamente fiz o que naquela época era chamado de “Curso Normal”, hoje é o magistério. Fiz na Escola Livre Tamandaré, situada na Rua Tamandaré. Após concluir ambos os cursos, fiz vestibular para medicina. Eu fui criada dentro de uma farmácia, vendo tudo quanto é coisa que você possa imaginar. Meu pai era farmacêutico formado em 1927 pela Escola de Pharmacia, Odontologia e Obstetrícia de São Paulo, situada a Rua Três Rios (parte da antiga chácara Dulley), bairro do Bom Retiro, onde permaneceu até 1965. Hoje é a Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo, da USP.
A senhora cresceu em meio a todos aqueles vidros, potes, utilizados pelas boas farmácias?
Vivi em meio aquilo tudo!  Ele foi gerente da Farmácia Vota, existe até hoje em São Paulo, na Vila Mariana. Meu pai era do interior, era de Santa Adélia, aí ele foi para São José do Rio Preto, adquiriu uma farmácia e lá ele se estabilizou. Naquela época o farmacêutico no interior era um faz-tudo. Tanto que na nossa casa ele construiu uns cômodos, porque não tinha outro farmacêutico na cidade. Isso em Nipoã, por volta de 1935 a 1936.
Ele conheceu sua mãe em Nipoã?
Foi lá que se conheceram e se casaram em 1937. Ele conheceu a minha mãe porque o meu avô materno teve febre amarela, havia uma epidemia de febre amarela. Não havia médico, ele levou para lá o famoso Dr. Montenegro. Nessa época meu avô faleceu. Havia um isolamento dos que tinham contraído a febre amarela, a minha mãe eles esconderam, não a deixaram que fosse para o isolamento. Ela tinha 17 anos.
Seu pai enfrentou alguma outra epidemia que atacou a população?
Na década de 60 tínhamos uma farmácia na Avenida Washington Luiz,  em frente ao aeroporto de Congonhas em São Paulo. Foi um período em que ocorreu a febre asiática. O aeroporto era todo com cerquinha de madeira. A Washington Luiz era uma estrada! Tanto que eu levava da Washington Luiz até onde hoje é a Igreja de Moema, cujo nome é Igreja Nossa Senhora Aparecida, é uma igreja lindíssima, segundo me contaram foi pintada por uma deficiente. Meu pai me levava ao ponto de ônibus as cinco horas da manhã, era chão de terra, São Paulo era São Paulo da garoa, eu ia de luvas, gorro, de “manteaux” (casaco), tomava o ônibus, descia em Moema, lá eu tomava o bonde que vinha de Santo Amaro, passava pela atual Avenida Vereador José Diniz, eu descia na Rua Vergueiro para ir ao Colégio Paulistano. Tinha o bonde aberto e o bonde fechado em suas laterais (o famoso camarão, por ser vermelho). Passavam os dois tipos de bonde. Vinha enxada, enxadão, galinha, porco, tudo dentro do bonde! O povo vinha daquele fundo de Santo Amaro. Na época lá era roça! O meu ônibus para chegar do aeroporto de Congonhas até Moema levava uma hora. Era uma estradinha. Eu entrava as sete horas na escola. Eram duas linhas de bonde, uma que ia outra que voltava, formando dois pares de trilhos. Aquela região, Campo Belo era formada por chácaras daquele pessoal da família Strano, era tudo brejo. O Brooklin Novo era um lamaçal. Se não me engano, onde é hoje a Avenida Bandeirantes havia o Córrego da Traição. O Itaim Bibi era uma área formada com mato.






Você chegou a freqüentar o Parque Trianon?
Freqüentei, era uma delícia! Antes da construção do MASP tinha um belvedere.
Após formar-se professora a senhora passou a lecionar?
Trabalhei muito! Dava aulas, dei aulas por 15 anos, na Vila Joaniza, Pedreira. Dava aulas de manhã em uma escola, à tarde em outra. Dava aulas na Favela do Buraco Quente a noite! A Favela Buraco Quente ficava ali na Washington Luiz. Onde hoje é o Supermercado Extra, aquela região toda era o Buraco Quente.  Eu dava aulas a noite para alfabetizar adultos. Teve uma época em fraturei o tornozelo, eles iam me buscar no colo para dar aulas para eles. Era um povo maravilhoso!
O famoso Salão de Chá do Mappin a senhora chegou a freqüentar?
Muito! Já era na Praça Ramos, em frente ao Teatro Municipal. Freqüentava o Restaurante Fasano na Rua Barão de Itapetininga. Era quase na esquina com a Rua Sete de Abril.
A senhora chegou a conhecer o Quartel do Exército que havia na Rua Conselheiro Crispiniano?
Conheci! Ficou famoso. Quando Jânio Quadros renunciou o Quartel do Exército era lá!
Como se chamava a farmácia do seu pai?
Era “Farmácia Congonhas”, ela ficava em frente a ala internacional do aeroporto, é onde também só desciam as autoridades. Na época o Carvalho Pinto era o governador do Estado de São Paulo. Ele renunciou em Brasília e veio para São Paulo, ele contava que Carvalho Pinto iria apoiá-lo, para tentar dar um golpe. O Carvalho Pinto recuou, o Jânio Quadros meteu o pé no peito do Carvalho Pinto, o Carvalho Pinto subiu a escadinha do avião para encontrar com o Jânio este o derrubou lá de cima. Eu não vi, mas os vizinhos geralmente iam ver a chegada de autoridades. Essa história era relatada pelos nossos vizinhos que diziam ter presenciado.
Ainda em Nipoã o seu pai participou ativamente na sociedade?
Ele fundou o Clube de Nipoã! Fez uma biblioteca muito boa, era uma cidade muito boa e movimentada, nesse clube reuniam-se políticos, como Aloísio Nunes Ferreira,o pai, Ulisses Guimarães, meu pai foi prefeito da cidade. O meu avô, pai da minha mãe, foi para Nipoã vindo da Bahia, em carro de boi! Ao que parece levaram quarenta dias de viagem. A minha mãe é nascida em Ituverava. Na época aquela região era tudo sertão, vieram para desbravar.
Após alguns anos lecionando, a senhora decidiu mudar o rumo das suas atividades?
Fui trabalhar no Banco Mineiro da Produção, depois incorporado ao Banco do Estado de Minas Gerais. Após alguns anos fui transferida para Belo Horizonte. Tive um convite e fui ser gerente no Banco Nacional, em São Paulo, na agência da Rua Sete de Abril. Depois fui abrir a agência da Mooca. Isso em meados da década de 60. Foi na época da Revolução de 1964, do Sindicato dos Bancários, apanhei, fui presa. Meu irmão foi para Santa Rita de Sapucaí, porque lá tinha a melhor escola de eletrônica. Após isso fui estudar direito em Pouso Alegre. Era um curso intensivo, íamos para Pouso Alegre estudar na quinta, sexta, sábado e domingo. Os outros dias eu trabalhava em São Paulo. Foi uma luta tremenda. Terminei meu curso e comecei a fazer especialização, fiz Direito Civil na PUC, pela OAB fiz uma série de cursos.
Em qual segmento do direito a senhora começou a atuar?
No inicio fui criminalista, atuei nessa área muito tempo, uns dez anos, é uma área apaixonante, desgastante e perigosa. Deixei essa área e fui trabalhar em uma empresa especializada em cobranças só de laboratórios. Nessa empresa tive possibilidades que considero a grande escola da minha vida. Advoguei praticamente em todo Brasil. Depois fui trabalhar na área imobiliária, a principio em um grande escritório de advogados, depois montei o meu escritório. Dra. Edma relembra inúmeros casos, cita locais, situações, que deixa bem evidente como a vida do profissional de direito pode ser repleta de dificuldades, situações de alto risco.
Edma em que cidade a senhora se casou?
Casei-me a 26 de maio e 1972 em São Paulo, na Igreja Nossa Senhora do Brasil (A igreja mais procurada pelos noivos, onde são realizados os casamentos das mais requintadas famílias). Foi um casamento estiloso, casei-me com um homem lindo, maravilhoso, músico, Noir Vagner Ribeiro. Quem celebrou foi o Padre Silvio, meu primo, veio de Catanduva especialmente para realizar nosso casamento. A recepção foi em uma choperia que eu e o Noir tínhamos. Era uma casa fechada, que abria as quatro horas da tarde e ia até as duas horas da manhã. Era uma choperia só para empresas. Determinada empresa decidia reunir-se para um jantar comum cardápio de comida russa. Então servíamos comida russa. As empresas que faziam o evento determinavam o cardápio. Situava-se na Avenida do Cursino. Chamava-se “Cheroga”, em tupi-guarani quer dizer “minha casa”. Era uma casa lindíssima, os azulejos foram pintados a mão. O Noir era um músico fantástico, tocava todos os instrumentos.


Edma você casou-se em alto estilo!

Fui Miss Bancária, fui Miss Aeroporto, trabalhei na Real Aerovias no controle de vôo. 













sexta-feira, abril 10, 2015

GUSTAVO GUEDES BORTOLETTO (GUSTAVO BOLEIRO)

Entrevista realizada no dia 31 de março de 2015 A Rua Prudente de Moraes, 470
PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS 

JOÃO UMBERTO NASSIF 

Jornalista e Radialista 
joaonassif@gmail.com 
Sábado 11 de abril de 2015.

Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana 

As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:

http://blognassif.blogspot.com/
http://www.teleresponde.com.br/ 

ENTREVISTADO: GUSTAVO GUEDES BORTOLETTO 

                                               (GUSTAVO BOLEIRO)


O artista Gustavo Guedes Bortoletto é conhecido no meio artístico como Gustavo Boleiro, um cognome que adquiriu quando se dedicou ao futebol, esporte ao qual dedicou desde cedo muitos anos de treinamento e aperfeiçoamento, chegando mesmo quase a ser tornar um profissional do futebol. Desde os doze até os dezoito anos sempre jogou, tendo integrado os quadros dos times XV de Novembro de Piracicaba, Rio Branco de Americana, União de Araras, União Barbarense. Entre 17 e 18 anos foi para a Turquia onde fez um teste em um time local, foi aprovado, só que decidiu não permanecer naquele país. Gustavo nasceu a 10 de março de 1986, em Piracicaba, é filho de João Luiz Bortoletto e Rosangela Nogueira Guedes Bortoletto que tiveram os filhos Thaísa e Gustavo.  


Com que idade você já praticava esportes?
Acho que com três anos eu já chutava bola. A seguir entrei na escolinha de futebol do Clube de Campo, tive aula com o Américo, com Armando Bala (Filho do Cícero fotógrafo) permaneci lá até os 13 anos, quando comecei a jogar mais profissionalmente, fui jogar no mirim do XV. Hoje jogo como lateral direito, já joguei de meia, volante.
Você estudou em qual escola?
Estudei no Dom Bosco Assunção ate a oitava série, depois estudei em várias escolas: COC, Anglo Portal, Dr. Jorge Coury, em função da minha dedicação ao futebol. Fiz o curso de jornalismo na Unesp em Bauru. No segundo ano da faculdade comecei a me interessar por humor. Participei de grupos de teatro, extracurricular. Volteia à Piracicaba, fiz um curso de Arte Dramática no SENAC local. Eu queria dedicar-me a alguma coisa ligada ao teatro, em especial ao humor.

                                                        GUSTAVO E SEU PAI
Você tem a percepção de quando surgiu essa sua atração pelo humor?
Sempre gostei de piada, embora nunca tenha pensado em ser o apresentador das mesmas. Quando surgiu o stand-up (do inglês stand-up um termo que designa um espetáculo de humor executado por apenas um comediante, que se apresenta geralmente em pé), é um humor de cara limpa, você está sozinho no palco, o comediante, o microfone, contando fatos do cotidiano. Diz-se que stand-up é um termo utilizado não pelo fato de se estar em pé, mas sim por posicionar-se sobre um assunto. Tem que ser usado o texto autoral, são textos que o próprio apresentador cria, é permitido imitações. Tenho textos sobre o meu pai, sobre a minha mãe. Tenho piadas sobre Marcelo Rezende, Datena, eu abordo as coisas do cotidiano. (Nesse momento Gustavo imita Marcelo Rezende com grande semelhança.). A piada é relativa a forma como ele fala, O Marcelo Rezende vai falando de uma forma que você percebe que ele está sempre com o nariz entupido. Parece que está com rinite! E ele vai falando e vai perdendo o fôlego! Acho isso muito engraçado! Acabo levando para o palco observações do que vejo no cotidiano. Tudo pode virar piada, desde um celular que a pessoa não atende até um mosquito, uma notícia da política. Mantém a lente do humorista sempre atenta.

O humor é a forma mais eficaz de se fazer uma crítica?
Pelo menos acho que é uma forma eficaz de manter a atenção da pessoa, de elas entenderem e prestarem a atenção. Faço shows em empresas com caráter educativo sobre determinado assunto. A aprendizagem dos funcionários, dos colaboradores, é muito maior quando se transmite uma mensagem através do humor do que fazendo uma abordagem apenas técnica, sem um atrativo que prenda a atenção do ouvinte. Não tenho os dados precisos no momento, mas está confirmado que se utilizando do humor pode-se aprofundar por mais tempo uma exposição técnica sem que haja perda de interesse de quem assiste. A abordagem deve ser bastante técnica, bem elaborada, com consistência, dar consciência da importância do assunto, porém de forma extremamente agradável. Tenho uma apresentação destinada a corretores de imóveis, é muito interessante como os clientes valorizam termos em inglês utilizados pelos corretores. Aguça o interesse do cliente. Nesse meu show dou instruções adversas, com o objetivo de conscientizar o profissional. Crio situações inusitadas, totalmente absurdas, em um limite ridículo, para que o profissional examine como tem sido seu procedimento, possivelmente nunca tenha chegado a essas situações extremas, mas pode correr o risco de inadvertidamente perder uma negociação por um pequeno detalhe.


Você era o típico aluno que era o mais engraçado da turma?
Não muito, eu era muito tímido. Acho que descobri isso A minha faculdade tinha um projeto chamado Web Rádio Unesp Virtual, era uma rádio gerenciada somente pelos alunos. No primeiro ano entrei participando d um programa de esportes. No segundo ano criei um programa de tênis chamado “Top Spin”. Desde os onze ou doze anos que eu jogo tênis. Criei um programa de humor, chamado “Errando o Furo”, baseado no “furo” jornalístico, um radio jornal com notícias inventadas, onde era criador, redator, locutor, editor e editor geral. Nessa mesma época comecei a ter contato com vídeos de “stand up”, foi quando ele estava começando no Brasil. Quem fazia praticamente era o Rafinha Bastos, o Danilo Gentili.
Quais temas você aborda em seus shows?
Gosto muito de falar sobre família, profissões, coisas básicas do cotidiano. Tenho um texto sobre siglas. Que usamos no cotidiano. Temos siglas para tudo na vida. “Por exemplo: “Meu nome é Gustavo, nasci em BH, fui criado no ABC, moro no CDHU da ZL que fica na PQP e faço ADM na GV mas estou de DP. Estava na minha BMW ouvindo um CD do RPM no MP3 tomando energético TNT mexendo no GPS quando um PM pediu minha CNH. Como eu só tinha RG e CPF estava vencido o IPVA o PM me levou para a DP me botou no SPC fez um BO. Lá eles me torturaram passei 10 horas vendo numa TV de LCD em FULL HD todos os CDs do KLB”. Claro que é uma história fictícia.
Quem quiser entrar em contato com você pode fazer como?
Tenho meu e-mail:  contato@gustavoboleiro.com.br Faço shows, palestras, focadas em determinado assunto, mas com o humor sempre presente.

Você participa de peças publicitárias
Faço comerciais para a televisão. Acabei de fazer um teste para a Renault. Fiz comercial com o Rubinho Barrichello. Já fiz diversos comerciais que são veiculados pela Rede Globo.



Você faz shows em Piracicaba?
Aqui faço na “Cachaçaria Água Doce” uma vez por mês, todos os meses, isso já há uns 18 meses. Stand Up já faço há quase seis anos. O CQC surgiu quando encontraram o pessoal apresentando-se em um bar. Os produtores argentinos do “Quatro Cabezas” que são os produtores do “Gora é Tarde” do “CQC”, o Diego, se não me engano, foi ao bar, assistiu ao show de Stand Up do “Clube da Comédia” apresentado por Oscar Filho, Rafinha Bastos, Danilo Gentili, e Marcela Leal acho que Marcelo Mendes estava no elenco nessa época. Ele gostou e levou esse pessoal para fazer um teste. Ai surgiu o CQC que é um marco no humor brasileiro.
O que você acha do humor feito pelo programa Pânico?
Em minha opinião só quem trabalha com humor sabe como é difícil obter conteúdo para gerar um programa de duas a duas horas e meia por semana. Tem quadros mais elaborados, que eu gosto, assim como tem quadros que passam a impressão de que foram colocados para completar o programa.
O publico brasileiro aceita passivamente programas de qualidade duvidosa?
Isso é uma questão de cultura popular. Muitas vezes não têm nem outra programação para usar como referência. A revista Piauí é uma revista de humor só que grande parte da população nem sabe da existência dessa revista.
Durante uma apresentação há pessoas que são inconvenientes?
Todo artista tem muita história sobre o comportamento do seu público, inclusive de alguns raros inconvenientes. Normalmente apresento espetáculo com outros artistas que também se apresentam. Um comediante apresenta-se, em seguida chama o próximo, e assim todos se apresentam, individualmente. Aqui em Piracicaba desempenho o papel de mestre de cerimônias. Entro, coloco o publico a vontade, busco descontrair o ambiente, e assim vou chamando os comediantes a cada intervalo. O nome do show chama-se “Gustavo Boleiro Convida”. Todo show trago três convidados diferentes, normalmente faço o show na terceira ou quarta semana. O espetáculo dura de uma e quinze minutos a uma hora e meia. Meus vídeos estão todos no You Tube. Co relação a interação com a platéia, certa vez estava realizando um show em uma casa noturna de uma cidade próxima, um dos clientes, excedeu-se na ingestão de bebida, e tornou-se inconveniente, interferindo sempre que podia. Foi quando perguntei ao público: “- Após conhecer uma garota, após quanto tempo é recomendável que se telefone para ela?” Imediatamente o sujeito embriagado, com voz pastosa disse: “-Imediatamente!” Respondi-lhe: “-Está vendo porque você está desacompanhado?”. O publico veio abaixo. Foi um delírio só! O show em si é baseado em um texto. Esse é o roteiro básico, se alguém falar alguma coisa eu não posso ignorar. Há o contato direto com o público. Fiz um curso de improviso durante três anos.

Você costuma assistira gravações de artistas que fizeram sucesso?
Às vezes ocorre sim. Tem um vídeo do Chico Anísio fazendo a entrega do Prêmio Roquette Pinto fazendo Stand Up mesmo. Sensacional! Ronald Golias era muito bom também. É um pessoal de outra escola. O Golias era engraçado naturalmente, o Oscar Filho disse que encontrou o Golias uma vez, e um consultório aguardando para ser atendido. O Golias com seu jeito característico de falar disse-lhe: “- Sabe meu amigo o que eu queria agora? Queria dormir!”. Ri muito só de ele ter falado isso! A própria Dercy Gonçalves, não era moldada para os padrões da televisão, era muito ela mesma.

Quantos comediantes de Stand Up existem hoje no Brasil?
Estávamos discutindo isso esses dias! Acho que vivem mesmo de comédia não existem nem mil.
É bastante?
Não é bastante! Quantos dentistas, médicos existem? Basta imaginar quantos bares, teatros, casas de shows existem em todo o Brasil. Tem espaço para todo mundo que quiser, que é bom. Cada um cria seu espaço também.
A comédia é melhor para quem apresenta ou para quem assiste?
Comecei a fazer de tanto gostar de assistir. Para mim a comédia é uma necessidade. Não me imagino parara de fazer teatro, comédia. Acredito que não consigo. Mesmo que pare de fazer profissionalmente vou ficar todo dia postando uma piada no face book.
Você acredita que exista talentos ainda não descobertos?
Penso que não adianta ter apenas talento. Tem que haver dedicação.  Em Piracicaba meu show está bem, lotado, mas estamos sempre cuidando para que continue assim. Só ter talento e não dedicar-se para escrever uma piada nova, não produz um show, ai fica difícil. Tem comediante que está com o mesmo show há 10 anos.
Existe apresentador de stand up que usa serviços de algum redator?
Eu já escrevi algumas coisas para alguns amigos. Escrevi uma série de humor chamada “Consultor de Carreira”. O consultor Max Gehringer responde dúvidas corporativas. Fazíamos um consultor aconselhando o  contrário da maneira correta de ser feita. Algo sem lógica.   
Gustavo você aceita convites para shows em eventos domésticos?
O humor é semre bem vindo em qualquer evento. Tenho essa disposição para estar presente em confraternizações, celebrações, onde houver um público. Basta entrar em contato pelo e-mail contato@gustavoboleiro.com.br. Atualmente tenho três shows corporativos, u é especializado na área imobiliária. Outro que é voltado pró-atividade, segurança do trabalho. Outro show é o Happy Hour que faço junto com Jansen Serra, focado principalmente em segurança do trabalho. Temos outros shows abordando espírito de equipe, produtividade, liderança. São shows com orientações corporativas.
Você tem um grande admirador, é uma pessoa especial em sua vida e em sua carreira?
É meu pai João Luiz Bortoletto! Admirador e fonte de inspiração! É onde busco boa parte das minhas piadas! As coisas louças que ele faz! Eu tinha piadas sobre ele e não tinha sobre a minha mãe, ai descobri que ela fala sozinha quando lava louça. Na hora pensei: “-Preciso contar isso!”.
Gustavo, você tem uma sensibilidade aguçada?

Tem que treinar! Criatividade é muito treino! Já é muito difícil fazer rir. Eu faço o humor que eu acho engraçado, não me preocupo em passar determinada mensagem. O show corporativo é diferente, através do humor são passadas as mensagens. 

sexta-feira, abril 03, 2015

JOÃO DE OLIVEIRA

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 28 de março de 2015.
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/
http://www.teleresponde.com.br/
ENTREVISTADO: JOÃO ANTONIO TEODORO DE OLIVEIRA

                                 JOÃO DE OLIVEIRA)

João Antonio Teodoro de Oliveira nasceu a 19 de setembro de 1950 em Tomazina, estado do Paraná. João de Oliveira, como é muito conhecido, é filho de Antonio Teodoro de Oliveira e Maria Aparecida de Oliveira que tiveram o s filhos João Antonio, Maria Francisca, Maria das Graças, José Teodoro e Isabel e mais dois outros filhos falecidos ainda muito novos.
Até que idade você permaneceu em Tomazina?
Até meus treze anos. Meu pai era agricultor, cultivava arroz, feijão, frutas, minha mãe trabalhava em nossa casa. Estudei até o segundo ano de ginásio em Tomazina, no Grupo Escolar Carlos Gomes. Embora fosse uma cidade pequena, tinha também uma escola de comércio.
Você lembra-se do nome do seu primeiro professor?
Lembro-me! Foi um tio meu, Alcides, irmão do meu pai, pai do Teodoro da dupla Teodoro e Sampaio! Era uma classe mista, onde estudavam alunos do primeiro, segundo, terceiro e quarto anos, todos na mesma sala. Não foi em Tomazina! Foi em Sertão de Cima, era um povoado, ficava a seis léguas de Itararé. Nós moramos em várias cidades do Paraná, o meu pai era telegrafista substituto antes de dedicar-se a agricultura. Ele trabalhou na Estrada de Ferro Sorocabana. Pelo fato de ser telegrafista substituto ele ficava três meses em uma localidade, seis meses em outra. Eu tinha de sete para oito anos.
Você ia ver seu pai trabalhar como telegrafista?
Ia! Meu pai tentou me ensinar o código Morse, Ele trabalhava muito bem com o telegrafo, eu não me adaptei.
Você então é primo do Teodoro da dupla Teodoro e Sampaio?
Sou primo do Teodoro (Aldair Teodoro da Silva) tanto que meu nome é composto pelo sobrenome Teodoro. Às vezes tenho contato com ele. Ele fazia o terceiro ou quarto ano do grupo escolar eu fazia o primeiro, isso em Sertão de Cima. Estudamos na mesma sala de aula. Lá estudei só o primeiro ano, em seguida fomos morar em outro patrimônio: Euzébio de Oliveira, no fim do ramal da Sorocabana. Nessa época meu pai era feitor de uma turma que dava manutenção na estrada de ferro. Meu pai trabalhou por dois anos lá, onde fiz meu segundo ano escolar, a professora chamava-se Dona Inês Marques Leal. De lá fomo morar em Arapoti onde fiz o terceiro ano primário. De Arapoti fomos para Tomazina onde estudei o quarto ano primário, o professor era Seu Manoel de Almeida, um excelente professor. Ele também dava aula de matemática para o primeiro e segundo ano de ginásio. Tenho muita saudade dele. Ele cobrava muito dos alunos, mas a classe sabia muito também.
Isso era no tempo em que o aluno ficava em pé assim que o professor entrava na sala de aula?
Exatamente! E só sentávamos depois que ele mandava.
Quanto tempo seu pai permaneceu na atividade rural?
Acredito que tenha sido por uns dois anos.
Por que seu pai escolheu Piracicaba para vir morar?
Meu pai já conhecia Piracicaba. Ele tinha pessoas da família que moravam em Piracicaba, seus pais viveram e faleceram aqui.
Em que local vocês vieram morar quando vieram do Paraná para Piracicaba?
Fomos morar no Rancho Alegre. Na casa da Dona Joaninha, casada com o Seu Luiz Acs, o húngaro. Essa história foi muito interessante, viemos para cá com o nome e a roupa do corpo! Conseguimos alugar uma casa de dois cômodos nas dependências do Rancho Alegre, que era uma chácara enorme. Conheci a filha deles a Magali, esposa do Zezo, que até hoje moram ali, em frente onde foi o Rancho Alegre, em uma casa de esquina que eles construíram. Morei 10 anos ali. A minha mãe ajudava Dona Joaninha e Seu Luiz, eles trabalhavam com festas.
Que tipos de festas eram realizadas no Rancho Alegre?
Eram eventos finos, os casamentos mais chiques da época eram comemorados ali. O Seu Luiz Acs trabalhou como confeiteiro no tradicional restaurante Fasano em São Paulo antes de vir para Piracicaba. Ele gostava de fazer palavras cruzadas que vinham impressas na Gazeta Esportiva. O Rancho Alegre ficava a uns trinta ou quarenta metros de distância dessa casa que a Dona Joaninha alugou para nós. Ela foi até a nossa casa e disse: ”- Estou vendo a família aí, mas não vi chegar caminhão de mudança!”. Ela não sabia que não tínhamos nada. Ela olhou, viu a situação em que estávamos e disse à minha mãe: “-Aparecida, não se preocupe, vamos dar um jeito!”. Não sei se ela era espírita ou tinha muita amizade com pessoas ligadas ao espiritismo, em dois dias tínhamos de tudo dentro de casa! Tinha coisas novas, outras usadas, mas em excelente estado de conservação, Dona Joaninha foi uma santa para nós! É por isso que gosto tanto de Piracicaba! Eu só cresci aqui em Piracicaba! Desde a época em que cheguei.
Qual era o acesso para o Rancho Alegre?
Você descia a rua da Mausa, passava em frente a Mescli, passava a linha da Estrada de Ferro Paulista, entrava na Rua Higienópolis, ali tinha um caminho que cortava, passava a linha da Estrada de Ferro Sorocabana, e entrava no Rancho Alegre. Dava também para seguir pela linha de trem da Sorocabana e sair logo abaixo do Seminário Seráfico São Fidelis, onde tem a praça, próxima ao Teatro Municipal Losso Neto.
Você conheceu o Olho da Nhá Rita?
Conheci. Era a nascente de água. Não existia a Avenida 31 de Março. Lembro-me quando abriram a Avenida 31 de Março, onde o trator passou íamos jogar bola. Cheguei a pegar o trem da Sorocabana para ir jogar bola em Rio das Pedras, cheguei a fazer esse trecho com a Maria Fumaça. Era uma viagem demorada. Parava em todo quanto é lugar.
Nessa época seu pai trabalhava em que atividade?
Ele trabalhava com o engenheiro Alberto Coury. Eles estavam fazendo a fundação do Edifício Bandeirantes, aquele prédio ao lado do então Cine Broadway, na Rua São José entre a Praça José Bonifácio e a Rua Alferes José Caetano quando caiu o Edifício Luiz de Queiroz (Comurba) isso foi em 1964. Meu pai estava na obra quando o Comurba caiu, a distância entre os dois edifícios era de uns 100 metros mais ou menos. Naquela época telefone era uma raridade, mas o Rancho Alegre tinha, e meu pai conseguiu avisar a família que estava tudo bem com ele. A telefonia era tão precária que para pedir um interurbano e falar com alguém em São Paulo levava umas seis horas!
Que idade você tinha?
Eu estava com uns treze anos quando vim do Paraná para Piracicaba. Surgiu uma oportunidade para trabalhar com o meu primo Garcia Netto, que veio da Rádio Piratininga de São Paulo para trabalhar em Piracicaba, ele era gerente da Rádio “A Voz Agrícola”, ele me chamou, entrei como Office boy, ia buscar jornais, revistas, a Dona Joaninha que me levou até o juiz para que me autorizasse a trabalhar, eu não tinha 14 anos ainda. Fomos até o juiz de ônibus. O fórum ficava na Praça José Bonifácio, onde hoje funciona o Banco do Brasil, na esquina da Rua Santo Antonio com a Rua Prudente de Moraes. Naquela época desde que tivesse o diploma do primário o juiz autorizava a trabalhar mesmo que fosse menor de 14 anos. Devo ter essa autorização guardada até hoje. Na rádio pela manhã eu ajudava a Dona Maria Navarro, que era a mulher que cuidava da limpeza, lá pelas nove horas ia até as agências buscar os jornais e revistas.

Era a famosa época do “Gillete Press” recortavam-se as notícias publicadas em jornais, colava numa folha de papel jornal e entregava no estúdio, para o locutor do horário ler com aquele entusiasmo que dava a impressão de que o fato estava acontecendo naquele exato momento e na presença do repórter. As revistas da época eram a Fatos e Fotos, Cruzeiro, Manchete, Intervalo. Horóscopo de Omar Cardoso (Homar Henrique Nunes mais conhecido por Omar Cardoso). Trazia tudo para a rádio.  O Celso Ribeiro fazia o horário da uma hora da tarde às sete horas da noite. Ele disse-me: “-João, vem cá, você vai trabalhar na mesa!”. Fiquei lá uns quinze ou vinte dias. Fui pegando o jeito. Trabalhava com picape, era muito mais difícil de trabalhar. Gravador Akai. Para que o som não ficasse muito ruim, cortava-se a fita original e emendava-se com durex.

Tinha que ser meio mágico?

Tinha que gostar muito. Se passasse de um gravador para outro, o original já era ruim! O outro você nem entendia então. Na época futebol utilizava a linha física, se tivesse uma chuva forte no meio do caminho acabava a transmissão.

Pode-se dizer que Celso Ribeiro é o seu padrinho?

Foi o Celso quem me ensinou. Isso foi no final de 1964, começo de 1965.

Você conheceu figuras históricas nesse período todo que vem trabalhando com rádio?

No começo de 1965, eu já sabia trabalhar na mesa. O Garcia Neto ia para São Paulo, para a Rede Piratininga. Ia ser comentarista esportivo da Rede Piratininga junto com Wilson Brasil. Quem assumiu a Rádio “A Voz Agrícola” em Piracicaba foi Pantaleão Pirillo Júnior. O Celso de Moura ia sair de férias, o Pirillo Junior pediu para que eu cobrisse as férias dele. Até então eu não tinha carteira de trabalho assinada. Ele disse-me que iria providenciar minha carteira e eu iria trabalhar na rádio. Na época eu trabalhava com Garcia Neto que era comentarista, Ary Pedroso, que era o primeiro narrador, Jamil Netto que narrava basquete, vi absurdos acontecer no basquete, vi cesta contra, a parte técnica sempre acompanhava o locutor.

João, alguma vez você viu algum locutor narrando uma partida sem ver o jogo?

Já! Ouvindo outra rádio e transmitindo como se estivesse no local! Já vi locutor deixar de narrar um gol porque não viu.

Em que rádios você já trabalhou?

Na “Voz Agrícola”, que mudou de nome diversas vezes, lá eu trabalhei 25 anos. E depois trabalhei na Rádio Educadora. E desde 1999 eu trabalho também na Rádio Educativa.

João de Oliveira, você é um operador, um sonoplasta, que qualquer locutor sente muita segurança para trabalhar com você, qual é o segredo?

Os bons técnicos que eu conheci foram aqueles que nunca tiveram a ambição de ser locutor. É muito comum o técnico usar a mesa como um trampolim para a locução.

Uma grande parte do sucesso de um programa de rádio está na qualidade e profissionalismo do técnico?

Acredito que depende de ambos: operador e locutor, ambos tem que falarem a mesma linguagem. Um tem que olhar para o outro e conhecer. Trabalhando juntos se entendem pelo olhar.

O técnico sabe quando o locutor terá sucesso ou não?

Sabe! Alguns têm muita vontade, mas não tem futuro.

Com sua experiência, quais qualidades você acredita ser importante para um locutor ter sucesso?

A humildade é indispensável. Ler muito. Estar muito bem informado sempre. Isso dará um campo enorme para ele trabalhar. Fazer o rádio para os ouvintes e não para ele. A meu ver esse é o pecado maior do radialista, querer fazer o programa para ele. Quem tem que achar que o programa está bom é o ouvinte. O operador é a mesma coisa, não vou deixar de colocar uma música porque não gosto, não estou fazendo o programa para mim.

Houve uma grande evolução na parte técnica, no momento você está administrando quatro monitores, além de todo complexo de chaves e botões, isso requer uma qualificação muito especializada?

No inicio o técnico aprende o principal. A medida que vai evoluindo ganhará mais segurança para ir desenvolvendo seu aprendizado. Não dá para queimar etapas!

Você é o braço direito e esquerdo de uma figura muito importante do rádio piracicabano: Titio Luiz.  Como é trabalhar com um mito?

Damo-nos muito bem Com Titio Luiz trabalho já há 15 anos, temos uma excelente relação, ao entrarmos no estúdio já o fazemos de forma muito alegre, brincamos muito um com o outro, para descontrair um pouco. São três horas de programa ao vivo., diariamente. Titio Luiz não tem nada redigido, é tudo de improviso. É uma característica que poucos têm. Sempre dizemos que o locutor de AM é capaz de fazer o FM. O locutor de FM não faz o AM. Não é culpa dele, é o sistema em que ele trabalha.

Essa mudança que está havendo de tudo passar para FM, você acha que é bom para o rádio?

O radio em AM irá ganhar em qualidade. Poderá perder em alcance, se for ver que a internet permite com que seja sintonizada no mundo todo, então não perderá seu alcance. No receptor comum irá diminuir seu alcance. Creio que será mantida a rádio em AM. São dois segmentos diferentes com a mesma qualidade.

Você chegou a trabalhar com Nadir Roberto?

Trabalhei! Era fantástico! Era um grande companheiro, um grande vendedor, excelente profissional, eu trabalhei bastante tempo com Nadir. Tenho muita saudade dele. Com Marcio Terra trabalhei bastante tempo fazendo esporte, no olhar um para o outro eu já sabia o que ele queria. Ele também já sabia o que eu estava fazendo. Fiz esporte com Mario Luiz também. É mais agitado. É um ótimo narrador, ele fica preocupado às vezes com a transmissão. Quem está em casa não tem a menor idéia dos problemas que enfrentamos com linha de som. Temos que ir bem cedo para o estádio para deixar tudo em ordem. Com o Mário Luiz eu sempre consegui fazer uma excelente transmissão. Deixava tudo pronto, testadinho, dizia: “_Mário, pode vir !”.

João em sua trajetória, já aconteceu de estar o microfone aberto e a pessoa falar aquilo que não deseja que o ouvinte escute?

Isso acontece sempre! Para nossa sorte e também pelo próprio ambiente, o que vai para o ar geralmente é conversa sem nenhuma importância ou que cause impacto ao ouvinte.

Por muito tempo trabalhei com o Rubens Lemaire de Morais que cobria a polícia. Ele transmitia do carro, naquele tempo tinha muito ruído, dependendo do lugar não funcionava. Trabalhei com Roberto Cabrini, na rádio “A Voz Agrícola de Piracicaba” no tempo em que o Caldeira comandava a rádio. O Cabrini dizia: “- João eu vou para casa agora, qualquer noticia que chegue, seja a hora que for eu venho para a rádio.” Cabrini sempre teve o jornalismo no sangue. Era magrinho e alto. O Francisco Silva Caldeira trabalhou muito tempo como gerente da Rádio Difusora, foi trabalhar como diretor comercial da rádio “A Voz Agrícola”, era uma rádio bem mais simples e tinha certa dificuldade para vender publicidade. Situava-se na Rua Moraes Barros, 1191. O telefone da rádio era 27491. Era 590 Khertz, uma freqüência fantástica. Não sofria pressão de nenhuma outra rádio de São Paulo, ela pegava com 250 watts onde outra rádio precisava de 500 ou 1.000 para ir ao ar. Quem trouxe a radio para o meio do dial foi o Caldeira.

Isso foi em um tempo em que a audiência do rádio era muito grande?

Sem dúvida! Mesmo porque a transmissão da televisão era um desastre! Imagem ruim, em preto e branco. Saía fora do ar.

A internet ajudou ou atrapalhou o rádio?

Acho que ajudou. Se souber usar é uma das melhores ferramentas disponíveis. Para você fazer um programa de duas horas de jornalismo, é só selecionar o material que está a sua disposição. Coloca em uma pasta só para você, na hora em que abrir o programa é só abrir a pasta. Você não tem a menor dificuldade do mundo.

João você é casado?

Sou casado desde 1973 com Maria de Fátima Teles de Oliveira, nos casamos na igreja velha de São Judas Tadeu. Quando me casei o piso da igreja era terra. Eles estavam construindo a igreja nova por fora. A igreja velha estava dentro. O vestido de noiva da minha mulher ficou uma beleza! O véu arrastando na terra vermelha! Temos um sobrinho que é praticamente nosso filho, Rodrigo Teles, trabalha em rádio também.

Você tem algum hobby?

Gosto de futebol, sou corintiano, joguei futebol por alguns tempos, a turma do Rancho Alegre me conhecia pelo apelido, acho que poucas pessoas que moraram lá me conhece pelo nome.

Qual era o seu apelido, João?

Ratinho! Naquela época eu era pequeno. Desenvolvi-me bastante depois de fazer o Tiro de Guerra, que na época já estava na Avenida Dr. Paulo de Moraes. Eu era da turma do Sargento Guatura. Era muito enérgico, mas estava sempre de bom humor. Eu fazia o Tiro de Guerra das cinco às sete horas da manhã.

Você conheceu inúmeras personalidades trabalhando em rádio?

Principalmente cantores. O cantor Daniel, o próprio Nelson Gonçalves, Perla, Altemar Dutra, Nelson Ned, Cezar e Paulinho, João Mineiro e Marciano, Moacyr Franco, Milionário, Teodoro e Sampaio. Os principais nomes passaram pelo rádio. Além do talento esse pessoal lutou muito para vencer. Conheci a maioria dos políticos de renome que vieram a Piracicaba.

Pode-se dizer que hoje o sonoplasta recebe a programação praticamente pronta, com isso seu poder de decisão fica bem limitado?

Antes ficávamos bem mais a vontade.

João se você não trabalhasse em rádio em qual outra área você gostaria de trabalhar?

Bom, eu só fiz isso! Rádio para mim está no sangue! Mas antes de fazer rádio eu pensava em ser engenheiro. Sempre tive muita facilidade com ciências exatas. 

Atualmente você é o técnico de som, ou sonoplasta, com mais tempo de trabalho e que continua trabalhando?


Acho que sou! No dia 4 de abril vou completar 51 anos de trabalho em técnica de som.