Se alguém ainda duvida da importância de conhecermos o passado para construirmos o nosso futuro, então que revogue todos os conhecimentos acumulados pela humanidade até a presente data. J.U.Nassif

sexta-feira, novembro 18, 2016

ANTONIO CARLOS FUSATTO

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 19 de novembro de 2016.
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/
http://www.teleresponde.com.br/ 



ENTREVISTADO: ANTONIO CARLOS FUSATTO

Antonio Carlos Fusatto nasceu em Piracicaba a 26 de outubro de 1946. Filho de Armando Fusatto e Cenira Cenicatto Fusatto. Seu pai era pintor de manutenção do Engenho Central e a sua mãe era do lar. Tiveram cinco filhos, Antonio Carlos que é o mais velho, José Eduardo, Carmem Eunice, Terezinha Aparecida e Maria Ângela. Seu pai começou trabalhando na fábrica Boyes, no mesmo serviço, pintura de manutenção, depois ele transferiu-se para o Engenho Central onde permaneceu até aposentar-se.
Você chegou a conhecer o Engenho Central funcionando?
Cheguei! Eu era criança quando ia levar o almoço para ele lá. Nós morávamos no hoje denominado Bairro São Dimas, naquela época era chamado de Vila Boyes e Vila Progresso. A Vila Boyes era apenas o setor onde as casas da fábrica Boyes tinha sido construídas para seus funcionários, eram todas do mesmo estilo. As demais casas formavam a Vila Progresso,  margeando um ribeirãozinho onde hoje é a Avenida Centenário. Um pouco mais além existia a cerca que delimitava a propriedade da ESALQ. Ali havia a família Souza, era uma família muito grande, por esse motivo conhecida como Vila Souza. Eles trabalhavam fabricando o melado de cana-de-açúcar, era uma engenhoca, movida por um burrinho, ele quem girava moendo a cana-de-açúcar. Faziam o melado e vendiam. Lembro-me bem, o líder da turma toda era o Seu Amaral. Ele saia com a carroça, vendendo melado, engarrafado, ele trabalhava a palha do milho e fazia uma espécie de rolha. Com essas rolhas fechava todas as garrafas de melado e vendia pelo bairro.
Como era consumido esse melado?
Era consumido como sobremesa. Uma festa para as crianças, naquela época havia  poucos bares no bairro, e mesmo assim a variedade de doces era bem restrita.  Quem fornecia a maior parte dos doces era a Indústria de Doces Martini. Havia um doce, muito comum na época, denominado de mata-fome. Que doce delicioso! O bendito melado de cana-de-açúcar nós comíamos com pão. A cana era plantada ali, e por uma família de italianos, a família Taglietta, que morava um pouco mais acima. Na divisa desse ribeirãozinho com a ESALQ. Ali era uma região composta por chácaras. Onde eu morava era propriedade da família Fusatto, abrangia uma área equivalente a um quarteirão. Era uma chacrinha também!
A origem da família Fusatto é a Itália?
Meu bisavô, Virgilio Fusatto veio da Itália e se fixou no bairro rural do Godinho. Era casado com Maria Lúcia Fusatto. Lembro-me dela, eu era muito pequeno, na época ela morava na Rua Moraes Barros, nas imediações da Igreja Bom Jesus, e o meu tio Eugenio Fusato,tinha uma carvoaria. Ela morava lá, ficava o tempo todo tricotando, estava bem velhinha, não falava quase nada em português, era tudo “italianado”. 
Ela que me ensinou a comer cocada! Tanto que até hoje sou doido por cocada!  Ela mandava o meu tio comprar uma cocada em uma padaria que existia nas imediações da Igreja Bom Jesus, enquanto eu não rezasse em italiano, tinha que ir repetindo o que ela falava, ao terminar ela dava-me a cocada. Eu era pequenino, minha avó que me levava lá.

Que oração era?
Era mais ou menos assim:
Gesù, Giuseppe e Maria, vi dono il cuore e l`anima mia.
Gesù, Giuseppe e Maria siate la salvezza dell`anima mia.
Gesù, Giuseppe e Maria, assistetemi, nell` ultima mia agonia.
Gesù, Giuseppe e Maria fate che l`ultimo mio pane sia l`eucaristia.
(Observação: pelo depoimento de Antonio Carlos Fusatto a oração aparenta ser a acima.)
Eu tinha que rezar com ela para ganhar a cocada.
Quem morava nessa chácara?
Meus tios moravam no bairro do Godinho. Quem morava aqui era o meu avô, Antonio Fusatto, pai do meu pai, ele morava nessa chácara e trabalhava com carrinho de tração animal, pela cidade, vendendo verduras. Minha “nona” continuou morando ali, a propriedade era de todos os irmãos Fusatto. Com o passar do tempo foram feitas as partilhas, foi sendo loteado, dividido. Naquela época, eu me lembro,quando eu entrei no grupo escolar, ainda não havia luz elétrica lá, eu fazendo lições do grupo escolar a luz de lamparina. Estudei no Grupo Escolar Honorato Faustino, que era na Rua José Ferraz de Camargo, onde hoje é o Colégio COC. Era mantido pela Fábrica Boyes, o Comendador Louis Clement era quem mantinha, foi um grande incentivador, quando chegava os finais de ano ele fazia as festas de formatura do quarto ano escolar. Aos melhores alunos de todas as classes ele dava um valor em dinheiro, já depositado na caderneta de poupança, lembro-me que era uma nota esverdeada,grande. A pobreza do povo era tanta que logo sacava o dinheiro.
Para ir à escola ia a pé?
Ia, era tudo pertinho! Assim como para ir ao centro da cidade, normalmente ia a pé também. Não conheciamos as conduções coletivas como onibus, eram conhecidas como jardineiras. Tinha um morador de uma das casas da Vila Boyes, cujo apelido era “Zé Cavalo”, era motorista dessa jardineira, a partida era dada com manivela. 

                                                DANDO PARTIDA A MANIVELA

Ela descia a Rua Dona Egênia, toda apedregulhada, chegava até onde hoje é o Clube de Campo, era a Chacara do Lara, era tudo apedregulhado também, atravessava o Ribeirão Itapeva que tinha uma pontezinha de madeira, ia para o centro. Da nossa família pouco se usava a jardineira, estávamos acostumados a andar e gostávamos. Descíamos onde depois foi construida a Igreja das Carmelitas. Era tudo mato e cana-de-açúcar e era apedregulhada também desciamos ali em um instantinho.



Após concluir o curso primário qual foi a sua próxima etapa escolar? 
Naquela época havia o “vestibulinho” para entrar no ginásio, fiz o quinto ano primário no Grupo Escolar José Romão, na Vila Rezende. Ia a pé até a escola. Estudava de manhã e trabalhava a tarde.
Como as crianças andavam calçadas naquele tempo?
Andavam descalças alguns que podiam usavam alpargatas. Tinha um par de sapatos para ir às missas de domingo. Quando chovia era um lodo danado. A Vila Rezende era quase uma zona rural.
Qual era o seu trabalho após voltar da escola?
Nós tínhamos horta, eu chegava da escola e ia cuidar da horta, eu tinha uns onze anos. Depois comecei a trabalhar com um tio muito conhecido no meio artístico: Pedro Senicato. Ele era escultor, entalhador, tenor da Igreja dos Frades, eu aprendi a entalhar com ele. Ele tinha uma banca de carpinteiro no quintal da casa do meu avô, aos finais de semana ele fazia os “bicos” dele lá e ficava me ensinando. Ele fazia esses frontões dos móveis. Ele trabalhava na Grande Fábrica de Urnas Mortuárias Irmãos Sbrissa localizada na Rua Governador Pedro de Toledo esquina com a Rua Voluntários de Piracicaba, onde atualmente funciona uma loja de eletrodomésticos, a Casa Cem.  Naquela época as urnas eram feitas com madeira de lei e eram todas entalhadas. Tinha duas cabeças de leões, que o meu tio fez um molde, foi para a fundição, eram feitas em alumínio, e nas urnas de luxo eram parafusadas essas cabeças de leão com a boca aberta e a alça passava pela boca. Eu mandei fazer em bronze e tenho no corrimão da minha escada duas daquelas cabeças de leões. Salvei uma recordação da época, depois a fábrica Sbrissa fechou, não sei aonde foram parar o molde das cabeças de leões que o meu tio tinha feito. Os proprietários da Sbrissa eram os irmãos: Mário, Nilo, Armando e Osvaldo. A princípio eu aprendi com o meu tio a entalhar o chamado “pé de leão”, eram umas garras que pareciam o pé do leão com unhas e tudo. Eram parafusadas e tornavam-se os pés das urnas de luxo. Essas urnas eram caríssimas. Nessa época a Escola Estadual Monsenhor Jeronymo Gallo funcionava no prédio do Grupo Escolar José Romão. Fiz a primeira e segunda série lá. Quando foi inaugurado o prédio novo da Escola Estadual Monsenhor Jeronymo Gallo a minha turma foi a primeira a utilizar. Lá estudei até o segundo ano do curso científico. Interrompi o curso científico e fui fazer a Escola Normal Sud Mennucci onde conclui o curso. Lá tive aulas com professores de renome como Benedito de Andrade, Zelinda, Evaristo, com quem fui ter aula posteriormente na UNIMEP também. Arquimedes Dutra era um fenômeno para lecionar, tinha uma didática fantástica, o aluno fixava a matéria. Eu trabalhava com o meu tio, como entalhador.
Qual madeira vocês utilizavam?
A mais gostosa era o cedro, mas as urnas de aspecto mais bonitas eram as de imbuia. Mais difícil de trabalhar porque ela lascava, tinha que trabalhar com o formão muito afiado, com cuidado, era de fato um trabalho artístico. As pequenas diferenças eram retiradas com o uso da lixa. Usávamos também o pinho. Dependendo das regiões em que eles compravam, de vez em quando vinha mogno. Eles adquiriam carretas de madeira, tinha um depósito onde deixavam a madeira secando, elas vinham “verde” ainda. Usava-se o “tabique”. Era uma fileira de tábuas, um sarrafo em cima para ter passagem de ar por baixo e elas não “empenarem”. Tinham as tábuas de 4 a 6 metros, de 4 metros iam de 3 a 4 tabiques, as tábuas de 6 metros chegava a ir 6 tabiques. Com isso ficava uma pilha enorme de tábuas em um galpão coberto, a frente toda dele era aberta, para ventilar. A madeira chegava a ficar até meses secando. Tinha um segundo depósito próximo a Carpintaria Passini, que existe até hoje. O Seu Sebastião Passini era famoso também por criar a ave araponga.  

                                                Araponga cantando
A araponga é uma ave existente no Brasil e também no Paraguai e Argentina, produz som parecido ao de um martelo numa bigorna. As arapongas pertencem à família Cotingidae, género Procnias

                                                     Pássaros com cantos estranhos         
Após o Curso Normal, você foi para a faculdade?
Entrei na UNIMEP para fazer jornalismo, naquela época fazia relações públicas e fazia opção para jornalismo no último ano, quando chegou no último semestre, surgiu a Faculdade de Tecnologia, havia interesse da CESP- Companhia Energética de São Paulo , da CPFL- Companhia Paulista de Força e Luz, que com falta de mão de obra técnica, eles estavam trazendo eletrotécnicos da Itália para trabalhar. Quando vislumbrei essa oportunidade, eu já trabalhava na CPFL, mas na área comercial. Em dezembro de 1967 eu passei no concurso e já fui admitido na CPFL. O concurso era para auxiliar de escritório, fui sendo promovido, o prédio funcionava ao lado da Catedral de Santo Antonio, é um prédio tombado pelo patrimônio histórico. O gerente-geral naquela época era o Sr. Carlos Sachs, o Vice-Gerente era Antonio Coelho Barbosa, o Seu Toninho, era um ambiente muito bom, era gostoso trabalhar na CPFL. Tinha muita gente boa, o Osórinho Pantojo, o Caneto.
A garagem dos bondes era ainda junto a CPFL?
A estrutura era a mesma, só que os bondes já tinham ido para a garagem da Avenida Dr. Paulo de Moraes. Nós usávamos para guardar as caminhonetes da CPFL.
Na CPFL você entrou como auxiliar de escritório e foi sendo promovido?
Eu fui galgando os postos, tinha uma ânsia de saber e de vencer. Sempre achei que através do livro venceria na vida, tínhamos uma vida difícil. Meus pais lutando muito, como filho mais velho sempre trabalhei, ajudando-os. Sempre eu tive sede de saber. Tanto que eu era até certo ponto um “chato” na escola, porque eu queria saber mais e cobrava demais. Cheguei a ser professor também e sei o que é um cidadão cobrando demais do professor. Na CPFL cheguei até ser Gerente Comercial. Eu me formei em Tecnologia em Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica. Fiz especialização em equipamentos de 15.000 Volts, na Ilha Solteira. Fiz especialização em construção de Rede Elétrica de Alumínio, até então era utilizado o cobre. Com o advento do alumínio, que é bem mais barato do que o cobre, além de que o cobre era importado e o alumínio era brasileiro. As redes são bem mais baratas, mas o tipo de construções é diferente. Atualmente não se usa mais cobre em fios de transmissão de linhas de voltagem maiores. Atualmente o cobre é usado somente para enrolamentos de transformadores, enrolamentos de motores.
Algumas vezes vemos noticias de indivíduos que causam enormes prejuízos retirando fios de cobre de locais públicos, como se explica isso?
O melhor condutor é o ouro, o cobre foi por muito tempo utilizado como condutor, a rede telefônica utiliza um fio muito fino, de cobre, para o individuo obter uns poucos quilos de cobre terá que tirar um caminhão de fios. Não compensa comercialmente.
Atualmente qual é a voltagem utilizada nas cidades?
Na realidade são 11.950 volts, e os transformadores têm vários “TAPs”.
O que é um transformador?
É uma Mini Subestação, tem uns enrolamentos dentro dele em que a energia entra em alta tensão 11.950 volts e dependendo dos TAPs, que são as tomadas que eles têm e podem ser regulados. Vou retroceder um pouco na história, quando entrei na CPFL, tínhamos uma usina, atrás da Fábrica Boyes, construída por Luiz de Queiroz. A princípio ela produzia energia que supria a área central toda. Ficava atrás da Fábrica Boyes, onde depois surgiu uma fábrica de gelo e também surgiu uma fundição de metais. Ali tem a Usina Luiz de Queiroz que quando entrei na CPFL em 1967, sua produção de energia supria os bondes e a iluminação pública. Para a indústria e o comércio vinha uma linha de 69.000 volts de Gavião Peixoto e chegava em uma subestação grande atrás da Fábrica Boyes. Quando faltava energia vinda Gavião Peixoto, a energia vinha de Urubupungá. Entrava 69.000 volts, os abaixadores, era o processo inverso, isso porque na usina é gerada baixa, há os transformadores e elevadores, eleva para alta tensão para poder fazer as longas caminhadas aonde será feita a distribuição. Quando chega ao ponto de distribuição há as estações abaixadoras. Hoje chega a 440.000 volts, 590.000 volts depende de onde vem, entra na subestação, e tem aqueles transformadores abaixadores, que reduzem para 11.950 volts. Ai sai a linha denominada de alta tensão, mas que na realidade é de média tensão, na classe de 15.000 volts, alta tensão é a que chegou. Ela é distribuída em torno de 11.950 volts. O transformador nada mais é do que uma micro usina.Entra 11.950 e sai no TAP, no borne de saída com 220 volts de fase a fase ou 127 volts de fase a neutro. Ai sai para a distribuição nas casas, comércio. A eletricidade é bonita
Tanto para a época como para Piracicaba isso tudo era novidade?
Era bastante. Inclusive existe um fato muito interessante, atrás da Fabrica Boyes, essa usina de força foi recuperada, é de propriedade particular, ele gera energia e vende, há um medidor, ele repassa para a CPFL o pouco de energia que ele gera ali. Na realidade naquele local havia três usinas, de importância maior era a Usina Luiz de Queiroz. Foi reformada outra usina que está dentro da Fábrica Boyes, está funcionando, gerando em torno de 1,2 megawatts. Eles repassam para a rede da CPFL e quando for inaugurado o Shopping que estão construindo vão usar essa energia. A CPFL retorna para eles toda essa energia que eles cederam. É uma espécie de poupança de energia. Essa usina já foi reformada, está funcionando E no Museu da Água existe uma micro usina cuja energia que ela gerava era para os motores do SEMAE- Serviço Municipal de Água e Esgotos. Na realidade tínhamos três micro usinas que o cidadão passava ali e nem imaginava.que ali era um ponto de geração de energia, como nosso bendito rio produzindo energia limpa e nós sujando e degradando o rio.
A seu ver Piracicaba teria condições de ser auto-suficiente em termos de energia?
Não! A quantidade de água diminuiu bastante depois do Projeto Cantareira implantado pelo Governador Roberto de Abreu Sodré tendo como um dos seus secretários, Eduardo Yassuda a frente da obra. Para gerar energia teria que haver um represamento onde acabaria com o Salto do Rio Piracicaba, cartão postal da cidade. O que pode ser feito é aumentar o número de micro-usinas para o uso de indústrias que se instalarem ao longo do nosso rio. Isso caso exista, uma vez que os pólos industriais estão distantes do Rio Piracicaba.
Naquela época já existia o famoso “gato”, que nada mais é do que captação de energia de forma clandestina?
Tinha! Havia muito na periferia, embora na área central também existissem algumas ocorrências dessa natureza. Havia uma equipe da CPFL especializada em detectar ligações clandestinas, eles vinham de Campinas e periodicamente faziam uma varredura. Esse tipo de ligação clandestina é considerada como crime. Para os técnicos da CPFL salta aos olhos quando isso ocorre e gera um boletim de ocorrência policial.
A nossa energia elétrica poderia ser mais barata se não tivesse uma pesada carga tributária?
A água é de graça, o que fica caro é construir a infra-estrutura. Se a manutenção for preventiva é barata. Infelizmente, ao que parece, para fazer economia, a manutenção atualmente é mais corretiva. Na CPFL ocupei vários cargos, aposentei-me como Gerente de Projetos e Obras. Nós fazíamos manutenções preventivas, dificilmente havia reclamações com relação a falta de energia. Fazíamos a manutenção preventiva, por exemplo onde havia árvores em contato com os fios, íamos lá e podávamos, não era uma poda radical, procurávamos preservar o meio ambiente. Uma grande preocupação que a CPFL tinha era com a preservação ambiental. Subordinadas à Piracicaba tínhamos: Charqueada, com suas imediações, como o Córrego da Onça. Águas de São Pedro, São Pedro, Saltinho, Rio das Pedras, Mombuca, Capivari e Rafard, essas localidades dependiam de Piracicaba. Tenho um fato interessante que ocorreu comigo quando ainda era técnico. Houve um pedido de extensão de energia em Águas de São Pedro, bem na frente da casa do solicitante tinha um pé de jaca, carregado de jacas pequenininhas, teria que cortar o pé de jaca para poder entrar com a rede até a casa. Era uma árvore de médio porte. Pensei: “-Não vou mexer aqui!”. O que eu fiz? Pulei a rua, atravessando-a com a linha, ficou sem estética, a rede vinha pela calçada, dei uma guinada e joguei do outro lado o poste, para depois trazer a derivação para a casa do cidadão. Iria passar pelo meio da jaqueira, tudo isso para não interferir na árvore. Águas de São Pedro é uma cidade turística, um jornalista esteve com o dono da propriedade, que deu-lhe uma jaca e contou-lhe a história: “O funcionário da CPFL para não mexer nessa árvore, colocou o poste do outro lado da rua”. O jornalista era correspondente do jornal “O Estado de São Paulo”, publicou a história que tinha sido relatada. A diretoria da CPFL queria saber o que estava acontecendo em Águas de São Pedro. Éramos subordinados à gerencia de Campinas, tive que justificar o procedimento. A justificativa foi encaminhada ao diretor que ficava em São Paulo. Apesar da falta de estética não encareceu em nada. Preservei uma jaqueira. O jornalista enalteceu o trabalho da CPFL. Isso mostra a preocupação da empresa em saber o que estava acontecendo com árvores na rua.
A CPFL é propriedade particular?
Quando eu entrei para a empresa tinha sido recém transferida de um grupo canadense para a Eletrobrás. Até na época a Eletrobrás cobrava um subsídio, infelizmente a maior parte dos consumidores não tinha conhecimento disso, por diversos motivos, entre eles o baixo índice de alfabetização na época. Com aqueles recibos de luz pagos, você guardava e trocava com ações da Eletrobrás. Isso porque ao pagar a conta também pagou o subsídio. Alguns elementos que sabiam, iam de casa em casa pedindo os recibos, depois vendiam para corretores de São Paulo. Havia corretoras especializadas em trabalhar com essas ações. Com o passar do tempo a Eletrobrás pegou o equivalente em ações na CESP e deu a CPFL para a CESP. A CPFL passou a ser subsidiária da CESP. A Eletrobrás pegou o equivalente em ações da CESP que estava crescente em produção de energia surgiram os grandes reservatórios: Avanhandava,  Águas Vermelhas, Ilha Solteira, estava uma potência na época. O presidente da CESP era o Professor Lucas Nogueira Garcez.
Quantos anos você permaneceu na CPFL?
Quase trinta anos, aposentei-me lá. Eu me formei como tecnólogo, fiz especialização, fiz um curso de Extensão Universitária pela Faculdade de Bauru. Em 1977 comecei a lecionar onde na época era o Colégio Técnico Industrial. Atualmente é a Fundação Paula Souza. Eu dava aulas de eletrotécnica. Na época o governo tentou implantar no nível colegial alguns conceitos de profissionalização. Na cadeira de física eu dava aulas de eletricidade básica e instalações elétricas no Colégio José de Mello Moraes. Lá eu dei aulas três anos, não deu resultado essa tentativa de introduzir essa metodologia. Dava aulas concomitantemente com o Colégio Industrial, onde dei aulas por quinze anos, de 1977 a 1992, no período noturno.
Você é casado?
Sou casado com Heloisa Maria Marretto Fusatto, temos dois filhos: Giovanna, cirurgiã dentista e André Luiz, engenheiro agrônomo. Tenho três netos.
Ainda na CPFL você deve ter vivido fatos interessantes.

Têm muitos. Houve uma época em que a periferia nossa era bem deficitária em rede de iluminação pública, nas ruas. Então surgiu uma idéia do governo, financiada pelo BNDS, a sigla era “LPP” – Luz Para a Periferia. Fazíamos uma varredura em toda periferia aonde havia aglomerado de casas, sem luz na rua, fazíamos o levantamento, o projeto, ia para a aprovação da diretoria, e fazíamos a extensão de luz na rua. Começamos a perceber que poucas casas pediam a ligação de luz. O poder aquisitivo era baixo. Então surgiu outro programa o “PPM” – Padrão Popular Mínimo, também financiado pelo BNDS. A CPFL fornecia o postinho, a caixa com medidor de consumo de energia, toda fiação e prontinha a entrada. O cidadão fazia só a fiação dentro da casa dele e a CPFL interligava para ele. Sempre gostei de vencer obstáculos, houve um caso em que o cidadão me procurou, o nosso gerente na época era Benedito Vasconcellos. Essas campanhas ele pedia que eu coordenasse. Veio um cidadão falar comigo. Disse-me: “- Moro na Vila Industrial, o terreninho é meu, está quase pago, eu ganhei um baú de um caminhão das Balas Nechar”. Já estava bem amarelado pelo tempo de uso, ele continuou dizendo: “- Eu moro com a minha família, dentro do furgão, fiz um puxadinho onde a minha mulher cozinha do lado de fora. Durmo dentro do furgão e por ter criança pequena a lamparina fica acesa a noite toda e está fazendo mal a saúde, não tem janelas no furgão. Será que é possível ligar a luz para mim?”. Disse-lhe que ia até lá para ver. E fui. Ele tinha vindo à Piracicaba já há algum tempo, trabalhava na aciaria do Dedini, um serviço pesado, puxar ferro quente do forno. Durante o dia ele descansava para trabalhar a noite. Vi que o terreninho estava bem limpinho, demarcado. Ele disse-me: “-Aqui na frente vou fazer a minha casinha ainda”. Tinha uma criançada, todos seus filhos. Eu disse-lhe: “- É a sua casa! Dá para ligar a energia elétrica sim!”. Fiz a medição de um trecho da rua para poder encontrar o número equivalente a casa dele. Escrevi o número, e disse-lhe que arrumasse alguma tinta e escrevesse o número da sua casa, aquele que eu tinha anotado após medir. Marquei o local aonde iria o postinho e disse-lhe para abrir o buraco aonde iríamos colocar o postinho. Assim foi feito, a energia foi ligada. Naquela época fazíamos inspeção a noite onde havia foco de luz. Havia muita malandragem da molecada, quebrar lâmpada da rua com estilingue. O pessoal da inspeção passou e viram o furgão aceso, fizeram uma série de comentários em tom de brincadeira. Chegou ao ouvido do meu chefe, Dr. Benedito, ele disse-me: “Isso que você fez é louvável!”. 

Em 1931, o espírito empreendedor do jovem Agostinho Martini Netto fez com que a produção de doces caseiros, que aprendera com sua mãe, se tornasse um sucesso comercial na cidade de Piracicaba - SP.
Com apenas 16 anos, Agostinho mobilizou sua família em torno da produção caseira de doces. Em sua casa "Seu Neguinho", como era conhecido, e sua mãe faziam confeitos de abóbora, batata e a famosa cocada, que eram vendidas por ele, a pé, em cestos de palha. Era o início de uma tradição que começava a fazer parte da vida da cidade.
Em 1935 "Seu Neguinho" casou-se com Joana Rocha, a qual passou a confeccionar doces e bolos para casamento. Companheira de todos os momentos teve parte importante nessa longa caminhada. Em pouco tempo, com a aquisição de uma charrete os doces passaram a estar presente em muitas comemorações locais. Casamentos e festas eram saborosamente enriquecidos com os doces e bolos da família Martini, que trabalhava diariamente para adocicar a vida das pessoas e atender com prontidão as inúmeras encomendas.
Em 1938 foi adquirido o primeiro veículo, um Chevrolet 1928 e em 19 de Abril de 1940 foi criada a  Doces e Conservas Martini Ltda.
A preocupação em manter a qualidade dos produtos e a rapidez na distribuição, dava a Doces Martini uma posição de destaque nacional.
Na Segunda Guerra Mundial e durante parte do regime militar Brasileiro, a Doces Martini enfrentou momentos amargos de racionamento, mas com dedicação e perseverança foram transpostas todas as dificuldades. Já passado o período de racionamento, em 1970, a linha de produtos foi modificada. A fabricação de bolos e doces para casamento foi acrescida por uma vasta linha de doces cremosos e em conserva, totalizando mais de 100 produtos diferentes entre confeitos, compotas e doces cremosos.
Manter a produção de doces e compotas, com sabor de feito em casa, é orgulho e tradição dos Martini.
Hoje a empresa, que está na quarta geração, tem seus produtos distribuídos para pizzarias, hotéis, restaurantes industriais, supermercados, padarias e diretamente ao público em âmbito nacional e internacional.
O segredo desse sucesso está na seguinte fórmula: 
- Mais de 80 anos de dedicação e trabalho;
- Frutas frescas e açúcar misturados com muito amor;
É por isso que a  história desta indústria é considerada UMA DOCE TRADIÇÃO!


Fábrica de tecidos “Boyes”

A fábrica de tecidos “Boyes”, fundada como Fábrica de Tecidos Santa Francisca, teve a sua origem a partir do empreendedorismo de Luiz de Queiroz. A fábrica se tornou a primeira grande indústria originalmente piracicabana, recebeu a primeira linha de telefone da cidade e, ainda, obteve o seu processo de produção por meio da força hidráulica do Rio Piracicaba. Por falta de tecnologia para subsidiar a produção demandada pela fábrica, todos os maquinários eram importados da Inglaterra.
O Jornal de Piracicaba, datado em 27 de dezembro de 1900, apresenta o discurso pronunciado pela aluna da Escola Luiz de Queiroz, Adelaide Peregrina, em ato de encerramento dos trabalhos daquele ano, onde destaca a importância da fábrica para os trabalhadores locais:Não é um edifício sumptuoso, não prende a atenção o seu trabalho artístico, não tem arquitetura custosa, nem colunatas, nem ogivas, não tem frontispícios a trabalhosos labores ou delicados rendilhados mas ante ele o passeante deve descobrir-se com respeito, porque é uma Sinagoga do trabalho, que a sua sombra angusta e sagrada abriga dos rigores do infortúnio famílias e famílias, a quem distribui o trabalho do qual a recompensa e o bem estar, o sossego e a paz de muitos lares”.
A fábrica de tecidos, após ser adquirida por Rodolpho Miranda em 1902, altera o nome e passa a ser identificada como “Arethusina”. No Jornal de Piracicaba, de 1903, uma nova matéria detalha as atividades e estrutura da fábrica, inclusive da Vila, conjunto residencial que servia de moradia para os seus operários:
Em uma quadra, fazendo faces para a rua Luiz de Queiroz, Prudente de Moraes, Vergueiro e 13 de maio, tem a fábrica 14 confortáveis casas para operários, na primeira das ruas descriminadas, e nas segundas excelentes habitações em que reside o guarda-livros”.
Também próximo a fábrica se encontra o palacete de Rodolpho Miranda, que ainda naquela edição do Jornal, é ilustrado como um espaço:
Situado num dos pontos mais pitorescos da cidade encontra-se elegantíssimo palacete ao centro de deslumbrante parque onde, a par esmerado capricho na escolha e conservação de frondosos e raros arvoredos, assim como de belíssima flores o seu proprietário faz coleção de aves nacionais e estrangeiras”.
Em 1927, definitivamente, a fábrica foi adquirida pela Cia Industria e Agrícola Boyes, o qual leva o nome da empresa e da Vila até o fim de suas atividades.

                                       Empreendedor Luiz de Queiroz. Acervo da USP/ESALQ

Fábrica de Tecidos Santa Francisca. Acervo do IPPLAP (Instituto de Pesquisa e Planejamento de Piracicaba)

                                     Louis Clement
Século 20. N. Bélgica, f. São Paulo, SP, 1990-95? Engenheiro têxtil, administrador de empresa. C.c. Eloá Clement. Ff.: Achilles, Astrid, Therezinha. Durante muitos anos, foi diretor da Companhia Industrial e Agrícola Boyes em Piracicaba, originada da fábrica de tecidos D. Francisca (mais tarde Arethuzina) que Luiz Vicente de Souza Queiroz (v.) criou em 1877. Nomes de destaque na sociedade piracicabana de meados do século 20, o casal Clement esteve ligado a numerosas entidades e iniciativas relevantes. Por ocasião da criação da Associação Atlética Vila Boyes, Louis Clement foi eleito presidente de honra. Deve-se a ele a doação de terreno da Companhia Boyes no qual foi construído e instalado o novo mosteiro das Carmelitas Descalças de Piracicaba, cuja pedra fundamental foi lançada e benzida a 15.8.1954. Grande benemérito, destacou-se em numerosas obras de benfeitoria, como a construção da segunda torre da catedral piracicabana. Foi quinzista devotado e conselheiro do E. C. XV de Novembro em seus áureos tempos 
Pfromm Netto, Samuel, 1932-2012. Dicionário de Piracicabanos / Samuel Pfromm Netto. — 1. ed. — São Paulo : PNA, 2013  

terça-feira, novembro 15, 2016

MARIA DO CARMO BROCHINI ALVES MARINO

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 12 de NOVEMBRO de 2016.
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/
http://www.teleresponde.com.br/ 



ENTREVISTADA: MARIA DO CARMO BROCHINI ALVES MARINO


Maria do Carmo Brochini Alves Marino nasceu na cidade de Rio Claro a 17 de julho de 1934. Seus pais são Pascoal Hercules Brochini e Guiomar Baumgartner Brochini, tiveram nove filhos: Maria do Carmo, Mário Jesuino, Maria Helena, José Sérgio, Pascoal Roberto, Maria Isabel, Antonio Fernando, Luiz Nicolau Virgilio, Paulo Henrique.
Qual era a atividade do pai da senhora?
O meu avô Virgilio Brochini casado com a minha avó Irma Barbogian Brochini, vieram da Itália em viagem de núpcias para o Brasil. Ele e o meu pai que construíram toda a indústria da Caracu. Meu pai fazia desenho técnico, fazia as plantas e meu avô também. Quando chegaram da Itália, desembarcaram no porto de Santos, meus avôs foram para São Carlos e de lá vieram para Rio Claro. Construíram uma casa na Avenida 7 entre a Rua 9 e Rua 10. A casa que eles construíram existe até hoje. Eu nasci nessa casa. Ali meus avós criaram todos os filhos, meu pai comprou uma casa na Rua 9 entre a Avenida 7 e Avenida 9. Depois meu pai adquiriu uma casa e reformou, existe até hoje. É um sobrado com duas casas no fundo.
Com quantos anos a senhora começou a estudar?
Naquele tempo não existia pré-primário. Eu tinha seis anos, queria estudar, chorava porque queria ir para a escola. Até que minha mãe decidiu ir comigo falar com o Professor Marciano Toledo Pizza que era o diretor da Escola Estadual Coronel Joaquim Salles. Hoje há uma escola com o nome desse diretor na entrada do antigo Horto de Rio Claro. Minha mãe foi ver com o diretor se eu poderia ser aluna assistente do primeiro ano. O Professor Marciano Toledo Pizza afirmou que não podia me matricular, a lei do ensino não permitia, por causa da minha idade, eu era muito nova. Sentei-me na escada que havia para ir à diretoria e fiquei chorando. Meu pensamento era não ir embora, iria ficar ali naquele dia. O Professor Marciano ficou com dó e me colocou como aluna assistente. As aulas já tinham começado há seis meses, eu tinha que ser educada! Em um instante fiquei alfabetizada, ele me matriculou, com sete anos fiz o segundo ano primário. Guardo até hoje o boletim escolar, do quarto ano primário. Minhas notas são 90, 95, 100 ( a nota máxima era 100). Guardo esse boletim porque amei a escola.



A seguir a senhora continuou seus estudos?
Fui estudar piano com a Professora Francisca Lemenhe, era compositora, com dez anos comecei a tocar na igreja, lembro-me que foi no dia 10 de maio, eu não fazia o ginásio, entrei na Escola Técnica de Contabilidade. Meu pai tinha muitos filhos, não podia pagar a escola de piano e a escola técnica. Ele disse-me: “- Você deixe de estudar piano!” Dona Francisca Lemenhe, se eu tocasse uma notinha errada, da cozinha ela falava “-Preste atenção Maria do Carmo!”. Quando eu disse-lhe que teria que parar de estudar piano, ela se pôs-se a chorar e disse-me “-Dou-lhe aulas de graça, mas você não irá sair do piano!”. Eu sai da Escola Técnica e passei a freqüentar a escola do Estado, saiu uma lei que sem o ginásio eu não me formaria em piano. Deixei a Escola de Contabilidade e fui estudar na Escola Joaquim Ribeiro, de Rio Claro, naquele tempo tinha o “vestibulinho” para entrarmos. Fiz seis meses de curso para prestar esse exame, entrei para o ginásio, com a finalidade de fazer o conservatório, continuar estudando com a Dona Francisca Lemenhe, carinhosamente chamada de Dona Chiquinha. Ela me incentivou muito. Meu pai passou a tomar conta de uma igreja, a parede era de barro, tinha quase um metro de largura de parede! Ele fundou a Congregação Mariana dessa igreja, fez funcionar a igrejinha! E essa igrejinha ele reformou e ela está lá até hoje. Só trabalhando a noite após o trabalho dele na Taracom. Chamava-se Igreja da Venerável Irmandade da Nossa Senhora da Boa Morte e Assunção. O Padre, hoje Monsenhor, Jamil Nassif Abib gostava muito do meu pai, confiava nele, todas as reformas ele chamava o meu pai para fazer. O meu pai reformou os vitrais que tinham sido colocados em determinada altura, e o Padre Jamil os colocou mais abaixo. Eu tinha até a pouco tempo, um recibo dos tijolos que o meu pai adquiriu para reformar a igreja. O Padre Jamil pediu os documentos que eu tinha, eu estava preparando e não entreguei a tempo para ele, quando saiu o histórico da igreja, não entrou o trabalho do meu pai, por falha minha, eu não entreguei com antecedência os programas e os santinhos que ele pedia. Toquei desde os 10 anos naquela igreja, formei um coral de 40 vozes masculinas. Fui fazer a primeira Faculdade de Canto Orfeônico na PUC em Campinas. Para poder reger o coral direito e fazer arranjos nas músicas.
A senhora morava em Campinas nessa época em que fazia a faculdade lá?
Eu trabalhava na Caracu durante o dia, no escritório em Rio Claro e a noite ia e voltava de trem para Campinas.


Quem eram os proprietários da Caracu?
Eram o Seu Francisco e o Seu Nicolau Scarpa. O Scarpa foi meu padrinho de casamento.


Então a senhora conheceu o Chiquinho Scarpa?
Conheci bastante, eu tomava conta do arquivo das plantas, das fábricas, quando ele vinha ia direto comigo para pegar as plantas. Com dois meses de serviço na Caracu, na época eu tinha 16 anos, fui promovida a auxiliar da Procuradora da Caracu, Wanda Brunini. Ela trabalhava na empresa já há 25 anos, nunca tirava férias, ele disse às irmãs da Igreja Nossa Senhora da Boa Morte, que ela nunca tirava férias, mas na minha mão ela deixava o escritório. Ela tirou férias e a Irmã Elvira veio e me contou esse fato. Francisco Scarpa é pai de Chiquinho Scarpa e Nicolau Scarpa é pai de Nicolauzinho Scarpa. Dona Alicia Mosso Scarpa era esposa de Nicolau Scarpa. Um dia a Dona Alicia telefonou-me perguntando se eu poderia levar a sua filha Analicia na Casa das Novidades, e deixá-la escolher uma agulha de crochê e de linha, ela deveria aprender para saber mandar. Isso para ver como ela tomava cuidado com a educação da filha.
A Caracu era um produto muito comercializado?
Eu era conferente do caixa, conferia as cargas. Naquela época não havia latinhas, eram apenas garrafas eu fazia o controle das garrafas que entravam e saiam. O João Tróia era o correspondente, ele fazia o boletim onde colocava todas as ocorrências do dia. Ia para o escritório em São Paulo, onde trabalhava o Nicolauzinho. Eles tinham uma chácara denominada Chácara Scarpa, hoje foi dividida, em uma parte foi construída a Igreja Bom Jesus. Venderam outra parte da chácara, mas existe ainda essa chácara em Rio Claro.
A senhora conheceu a mansão deles em São Paulo?
Conheci muito a avó do Chiquinho Scarpa, a Dona Joaquina, um dia fui até a casa dos meus tios em São Paulo, junto com duas primas minhas, fomos visitá-la. Fomos de taxi. Ela não deixou que nos voltássemos de taxi, deu dinheiro para nós três, fez o motorista dela nos levar até a casa do meu tio, no Cambuci. Ela durante a nossa visita fez questão de mostrar até o guarda-roupa dela. Era uma mansão, que existe até hoje, assim como existe ainda a Chácara Scarpa. Eles eram proprietários da Fazenda São Bento também, que fica entre Rio Claro e Santa Gertrudes, o pai deles foi muito amigo do meu avô Virgílio. Essa amizade continuou com o meu pai e os filhos dele. A Dona Joaquina chamava o meu pai de “Fióide”, fique quer dizer “Filhinho”. Quando o Seu Francisco foi candidato a prefeito de Rio Claro, ela chamou o meu pai e disse-lhe: “-Por favor, aconselha o Francisco a não entrar para a política”. Ele à custa da Caracu canalizou um riacho que servia de esgoto a céu aberto. Disso eu sou testemunha, era eu quem recebia as notas e pagava. Ele tinha sido eleito com um bom número de votos, e foi um bom prefeito, a cidade de Rio Claro não esquece o nome de Francisco Scarpa.






Nessa época a senhora já estava em uma posição elevada dentro da empresa?
Estava!
A senhora tinha uma idéia aproximada de quantos caminhões saiam por dia, carregados de cerveja Caracu?
Não sei dizer. Só sei que vinham caminhões do Brasil inteiro.: Mato Grosso, Paraná. Vinha de todos os lugares. A Caracu tinha um nome muito forte, era proprietária também da cerveja Pilsen que foi vendida para a Antártica. Era feita por um mestre cervejeiro alemão muito bom. Tínhamos amizade com esse pessoal pelo fato de o meu pai ser chefe das construções, nós conhecíamos todos os chefes. Cada funcionário do escritório que fazia aniversário, fazíamos o que era chamado de “Cerração”. A Caracu dava um barril de chopp. (Na verdade schopp é apenas o nome de uma medida de volume, em alemão, com o tempo em nosso país essa medida acabou passando a ser o nome desse tipo de bebida).  Nós comprávamos salgadinhos, o aniversariante comprava salaminho, azeitonas, e parávamos uma hora antes de terminar o expediente dos chefes e do escritório, reuniamos todos em uma sala que era utilizada para reuniões com o presidente da empresa quando ele fazia reuniões conosco. Essa “Cerração” era uma  grande amizade que tínhamos.
A senhora se lembra quantos funcionários tinha a Caracu?
Não me lembro! O Seu Ernani Fittipaldi era o chefe do Departamento Pessoal. Todo natal eles davam presentes à todos os funcionários, eles eram proprietários de uma tecelagem em Sorocaba, quando havia missa lá eu ia representar a Caracu em Sorocaba. Eles davam três ou quatro cortes de tecidos para todos os empregados, o processo começava em julho, eu tinha que pegar uma programação, colocar nome de cada funcionário, quantos filhos cada um tinha, a dona Wanda mandava fazer roupas para os meninos e para as meninas, era uma costureira que fazia, começava a fazer em julho para distribuir em dezembro. Era distribuído o 13º salário, as roupas, e para cada funcionário quatro ou cinco corte de tecido. Naquele tempo era muito utilizado o tecido de algodão.
Quem trabalhava lá tomava Caracu à vontade?
Tomava! Meu pai era chefe, ganhava toda a semana Caracu e refrigerante.




Na fábrica o funcionário podia beber?
Tomavam também., quando havia a cerração. Quem estava trabalhando não podia beber. Só após o horário de trabalho. A empresa deixava tomarem, mas havia um controle. Sós os chefes que tomavam, os funcionários não bebiam dentro da empresa. Essas bebidas que eram consumidas dentro fábrica, ficavam em geladeiras.
Quem criou a Caracu?
Foi Nicolau Scarpa, pai de Nicolau Scarpa Filho e avô de Nicolau Scarpa Junior. O outro dono da cervejaria era Francisco Scarpa, casado com Dona Patsy, pais de Chiquinho, Fátima e Renata.  
Quantos anos a senhora trabalhou na Caracu?
Quando fiz dez anos de serviço, pedi a minha demissão sem ganhar um tostão. Por razões profissionais divergentes das de um funcionário graduado da empresa e seu procedimento que causava prejuízo à mesma. Não quis ser conivente com o que tinha a convicção de estar sendo feito de forma a lesar a empresa. Preferi perder os anos de casa a agir de forma incorreta. A empresa tinha filais no Rio de Janeiro e em Santos.
                                                       Vista da Fazenda Scarpa
A senhora saiu da Caracu e foi trabalhar com o que?
Eu não queria mais trabalhar! Na Unesp tinha uns professores que faziam tese de doutoramento, eu era a mais rápida datilografa no tempo em que trabalhei na Caracu. Um deles que me conhecia da Caracu perguntou-me se eu poderia datilografar uma tese. Era para fazer na minha casa, acabei pegando, mas sem cobrar nada. Batia as teses e não cobrava nada, era apenas pelo prazer em fazer. O diretor da Unesp João Dias da Silveira, queria que eu fosse trabalhar lá, o professor Heitor de Souza era chefe do departamento da Física. Eu trabalhava com matemática e física. O professor da área de matemática, Humberto D`Ambrozio, disse-me: “-Você vem aqui até a uma hora! Vai bater ponto hoje!”. Meu irmão trabalhava na Unesp aconselhou-me a ir. Em pouco tempo eu coordenava os dois cursos: de física e de matemática. O Dr. João Dias da Silveira saiu, veio o novo diretor, Aparecido, vinha muitos pedidos para empregar pessoas que eram formadas pela Unesp. Eu encaminhava os pedidos para os chefes, assim muitos dos que saíram formados, já saíram com emprego. O novo diretor aumentou o número de alunos por classe, para 50 alunos. Os professores saíram e foram para Goiânia, queriam me levar para lá. Eu já era casada.
Em que ano a senhora se casou?
Casei-me com Edmundo Alves Marinho no dia 22 de abril de 1967, em Rio Claro, na Igreja Boa Morte Assunção. Tivemos um filho: Rodrigo. Eu tinha conhecido um rapaz quando eu tinha 17 anos, namoramos oito anos, seu nome era Lourenço Francisco Lamonato, ele teve um acidente. Era filho de italiano, o Seu João, que trabalhava como gerente na Fiação de Seda Matarazzo, onde hoje funciona o Shopping de Rio Claro. O meu noivo, Lourenço era professor, dava aulas em São Paulo, ele vinha de trem para Rio Claro, em uma dessas viagens aconteceu um acidente que foi motivo do seu falecimento. Meu pai queria muito bem ele, sentiu muito a sua morte.
No magistério a senhora formou-se em que época?
Eu trabalhava ainda na Caracu quando me formei como professora primária. Depois passei a fazer faculdade, primeiro de Canto Orfeônico, depois fiz Arte Musical a seguir fiz Educação Artística. Fiz extensão Universitária de Antropologia Humana e Extensão Universitária de Higiene Mental. Também fiz Pedagogia em Amparo. Quando completei 18 anos de Unesp pedi a minha demissão. Eu trabalhava diretamente com o Professor Landim. Eu comecei a dar aulas em escolas particulares, trabalhava meio dia na Unesp, até que decidi sair da Unesp e dar carga integral no Estado e ficar com o Objetivo, o Integrado e o Puríssimo Coração de Maria.
A senhora deu aula no Colégio Objetivo?
Dei aulas no Objetivo de Rio Claro. Quando abriu o Objetivo fui convidada para dar aulas lá, de Educação Artística para alunos do segundo grau. Atuei 25 anos no magistério. Aposentei-me em 2002.
Qual era a atividade do marido da senhora?
Ele era industrial, proprietário da Indústria Metalúrgica e Fábrica de Móveis EM (E de Edmundo e M de Maria) foi acometido de uma doença grave, teve que fechar a indústria. Ele faleceu dia 23 de fevereiro de 1998.
A senhora continua tocando órgão até hoje?
Eu tocava na Igreja da Boa Morte em Rio Claro, tempo em que o Padre Jamil Nassif Abib era pároco em Rio Claro. Minha mãe tinha-o como a um filho. Continuo tocando durante as missas.
A senhora aderiu a informática?
Tenho meu e-mail, uso o facebook. Não gosto de ficar parada, meu pai era assim.
A senhora é descendente de imigrantes europeus?
A minha avó materna Joana Lundin Baumgartner era sueca e meu avô materno era Guilherme Baumgartner. Vieram da Suíça. 
Além da música a senhora gosta de alguma outra área da arte?
Gosto de pintura, eu pintava muito. Eu dava aulas na Escola Industrial nas matérias de mecânica e eletricidade. Ensinava as letras técnicas, que são letras mais elaboradas, fazia apostila, distribuía.
A senhora é uma pessoa muito feliz.
Eu me realizei em tudo que fiz, porque eu punha a minha alma no que estava fazendo. As minhas apostilas sempre foram muito didáticas, os livros adotados tinham um alcance desnecessário, longo. Meu marido me deu um mimeografo a álcool, tinha noites que eu não dormia, ficava datilografando a aula e passando no mimeografo.
A senhora acredita na recuperação do individuo?

Acredito sim. Eu vivi uma experiência dessa natureza em uma das escolas em que lecionei. Um aluno rebelde, quando tratado com carinho e firmeza pode tornar-se um excelente aluno. 


CARACU
Fundada em 1899, pelo major Carlos Pinho, ela representou o início do processo de industrialização de uma cidade que até então baseava sua economia na agricultura, com destaque para a produção de café, e nos empregos oferecidos pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro.
Em 1902, o major Carlos Pinho arrendou a fábrica para o alemão Julio Stern. O arrendamento transformou-se, no ano de 1910, em sociedade anônima, sob a denominação de Cervejaria Rio Claro – Companhia Industrial. Mais tarde, voltou a ser uma companhia limitada, tendo como diretor o Sr. Oscar Batista da Costa.
Na época, além da Caracu, produzia-se as cervejas Pilsen, Rio Claro e Extrato de Malte, os refrigerantes Maçã, Guarani, Café e Limonada, e a água mineral Artezia. O negócio registrou períodos de crescimento e dificuldades até 1929, quando os efeitos da crise econômica mundial eclodida a partir da quebra da bolsa de valores norte-americana foram devastadores para a empresa.
Por sorte, no ano seguinte, o empresário italiano naturalizado brasileiro, Nicolau Scarpa, adquiriu a indústria e deu início a um processo de modernização e consolidação da marca Caracu no mercado.
O comendador Nicolau Scarpa investiu em  máquinas capazes de produção em larga escala e construiu prédios para a gerência, diretoria, refeitório, conferência, setor de vasilhames e adegas, bem como um galpão para as caldeiras. Quando faleceu, em 1942, deixou um sólido patrimônio para os filhos Francisco Scarpa e Nicolau Scarpa Júnior, que foram para a Alemanha fazer cursos de engenharia e química especializadas no setor cervejeiro.
A eles deve-se o aumento da produção da Caracu, cerveja escura que substituiu no Brasil e britânica Guiness. Paralelamente ao aprimoramento tecnológico, os irmãos Scarpa deram sequência aos projetos de ampliação física iniciados pelo patriarca da família. Eles construíram o prédio da Avenida 4 com rua 8, que abrigava a fábrica de gelo e a ferramentaria, e o anexo de três pavimentos, onde ficavam a casa de máquinas e os resfriadores de água.
Na sequência, avançaram para o interior da quadra com 8 mil metros quadrados de área e ergueram outro prédio, todo de cimento armado, com três andares e arguido para comportar máquinas compradas no exterior. No local, instalaram ainda a nova carpintaria, o engarrafamento e o armazém.
Cada vez mais ousados, Francisco Scarpa e Nicolau Scarpa Júnior construíram um edifício de oito andares, o mais alto de todas as indústrias paulistas da época. No último andar, ficava o moinho da cevada e, logo abaixo, os tanques para produção de cerveja. Na parte de baixo, os demais setores, entre eles o de envasamento. Uma das características marcantes da construção – que existe até hoje – era a chaminé de 40 metros de altura, que durante décadas exalou o aroma de cevada por toda a cidade.
Ao completar 50 anos de fundação, em 1949, a fábrica possuía 307 funcionários e uma posição consolidada no segmento cervejeito. Um dos segredos do sucesso de seus produtos sempre foi a excelente qualidade da água ultilizada, originária de três profundos poços artesianos.
Por ocasião do cinquentenário, o jornalista José dos Santos Ferro escreveu um texto que demosntrava a importância da empresa para o município. “Dezenas de dezenas de milhar de garrafas de produtos da Cervejaria Rio Claro, principalmente de Caracu, que é soberana e ninguém ousa destronar, saem todos os dias do quadrilátero fabril, rumando por aí além, até onde haja um paladar que os eleja para constante uso.”
No ano de 1967, a Cervejaria Rio Claro patenteou no Brasil a Skol, sob licença da fábrica dinamarquesa Carlsberg, que três anos lançara a marca na Europa. Em 1971, a cervejaria lançou a primeira cerveja em lata do Brasil, a Skol-Caracu, com embalagem produzida a partir de folha de flandres. Na época, a família Scarpa detinha 46% do controle acionário do grupo, 26% eram capital estrangeiro e os 28% pertenciam a acionistas diversos. Houve uma fase de grande crescimento, com fábricas em Rio Claro, Londrina, Rio de Janeiro e Santos.
A lata de alumínio, em 1989, e a garrafa “long neck” com tampa de rosca, logo em seguida, são outros exemplos do pioneirismo e dinamismo da empresa, que manteve suas atividades em Rio Claro até 1992, quando a Brahma – hoje integrante da Ambev – transferiu toda a linha de produção para Agudos.

Morre aos 103 anos o industrial sorocabano Francisco Scarpa
20/06/13 | Equipe Online - online@jcruzeiro.com.br
José Antônio Rosa

O industrial sorocabano Francisco Scarpa morreu ontem aos 103 anos em São Paulo, onde morava. A família pediu para que a causa da morte não fosse revelada. Scarpa sofreu um AVC depois que sua esposa, Patsy faleceu, no ano passado e, desde então, não se recuperou. Francisco Scarpa nasceu em Sorocaba a 6 de março de 1910, comandou um dos maiores conglomerados empresariais do país e atuava em inúmeros setores produtivos. De cerveja a óleo e sabão, passando por tecidos e criação de gado, Scarpa trabalhou praticamente com tudo, como costumavam dizer os que o conheceram. 

Uma dessas pessoas é o jornalista Walter Rinaldi Leite, que atuou como assessor de seu filho, Chiquinho Scarpa, na fábrica Nossa Senhora do Carmo. E ele relaciona algumas das atividades empresarias que o industrial comandou. "Foi diretor da Sociedade Brasileira de Máquinas, 1938; presidente da Companhia Cimento Brasil, no Rio Grande do Sul, 1943; sócio da Companhia Imobiliária Morumbi, da Companhia Agrícola Contendasi, da Fiatex, da Exportal, da Companhia Interestadual de Seguros e da Companhia de Seguro Auxiliadores; diretor-presidente do Banco República, da Empresa de Eletricidade Avaré, do Banco Continental São Paulo e da Rádio Cosmos; diretor das Cervejarias Skol Caracu (em 1972 tornou-se primeiro-vice-presidente da mesma cervejaria); diretor da Cervejaria Skol Paranaense, da Sistemas - Engenharia e Consultoria de Sistemas e da Companhia Eletrolux, entre outros". 
Scarpa também foi prefeito de Rio Claro e deputado federal na década de 60. Sempre que perguntado como conciliava tantas responsabilidades, costuma dizer que "um dos segredos da vida é saber controlar o tempo". O tino e a vocação foram herdados do pai e do avô que, junto com o comendador Pereira Ignácio, fundaram o grupo Votorantim. Scarpa administrou a fábrica de tecidos Nossa Senhora do Carmo, também conhecida como "Fonseca", em referência ao português Manoel José da Fonseca que a instalou em 1881. 
Benemérito, adquiriu o terreno onde foi construída a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, na avenida General Osório, bairro Trujillo. Antes disso, criou a Fundação Scarpa. Também contribuiu para a construção da Faculdade de Medicina. Nos anos 50, durante a gestão do prefeito Artidoro Mascarenhas, o "doutor Pitico", Scarpa emprestou dinheiro ao governo do município que, diante do aperto financeiro, não tinha como pagar o salário dos servidores. 
Consta que os juros da dívida foram doados a entidades assistenciais. Scarpa formou-se, na Alemanha, como mestre cervejeiro. Com esse know-how otimizou a produção da marca Caracu, uma das mais conhecidas do mercado que, mais tarde, se associaria à Skol. Francisco Scarpa deixa os filhos "Chiquinho", Fátima e Renata. O local e o horário do sepultamento também não foram informados. 



sexta-feira, novembro 04, 2016

JOÃO BAPTISTA DA SILVA JÚNIOR

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 05 de novembro de 2016.
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/
http://www.teleresponde.com.br/
ENTREVISTADO: JOÃO BAPTISTA DA SILVA JÚNIOR

João Baptista da Silva Júnior nasceu a 2 de janeiro de 1940 em Pindamonhangaba, filho de João Baptista da Silva e Vicentina Machado da Silva que tiveram os filhos Inês, João Baptista, Claudio e Janete.
Qual era a atividade do seu pai?
Meu pai era ferroviário, trabalhou 27 anos na Estrada de Ferro Campos do Jordão, morávamos em Pindamonhangaba, até Campos do Jordão, de bondinho levávamos 45 minutos para percorrer a distância entre as duas cidades. Naquela época não existia a estrada que existe hoje, era uma estrada de terra muito ruim. O acesso a Campos do Jordão era feito por um bondinho elétrico que subia a serra, percorria 45 quilômetros. O meu pai era bagageiro, cuidava das passagens, das bagagens, ele faleceu muito novo, aos 46 anos, trabalhou 27 anos na Estrada de Ferro Campos do Jordão. A minha mãe faleceu com 85 anos.






Você chegou a andar no trem da Estrada de Ferro Campos do Jordão? 
Muitas vezes! Naquela época começou a surgir a televisão, quando ele estava em Campos do Jordão tomava conta de um clube. Ele perguntava-me: “-Quer assistir um jogo lá pela televisão do clube?”. Eu dizia: “- Quero sim!”. Eu pegava o bondinho de passageiros, tinha a capacidade de levar uns 40 passageiros, saia as 11 horas da manhã, eu ia na cabine de trás com um senhor que trabalhava no correio, eu tinha uns 10 a 12 anos. Eu assistia Oberdan jogando, assistia jogos do Palmeiras, às vezes via meu pai jogando futebol.
Seu pai foi um incentivador para que você sempre praticasse esportes?
Meu pai brincava muito comigo, um dia ganhei uma medalha e disse-lhe “- Olha pai! Ganhei esta medalha!”. Em tom de brincadeira ele dizia: “Ah! Essas medalhinhas eu jogava birosca (bolinha de gude) com elas!” Só que o meu pai gostava de me ver jogar futebol, principalmente quando aos 16 a17 anos comecei a disputar o campeonato amador.
Você estudou em Pindamonhangaba?
Em Pindamonhangaba a Estrada de Ferro Campos do Jordão tinha uma escola nos moldes do SENAI, fiz ali o curso de marceneiro, conclui o curso aos 14 anos. Esse curso equivalia na época até a terceira série ginasial. A Estrada de Ferro Campos de Jordão tinha uma oficina muito grande, eu pensava em fazer um estágio nessa oficina. Isso não aconteceu.
A Estrada de Ferro Campos do Jordão era propriedade particular?
Ela pertence ao Estado. Infelizmente quando meu pai faleceu a empresa não agiu a altura, foram indiferentes a um funcionário que dedicou a vida à empresa e em momento algum foi solidária com a família enlutada. Graças a Deus superamos todas essas decepções.  Eu servi o Exército em Pindamonhangaba, de 1958 a 1959, tinha 18 anos. Foi uma época tranqüila, apenas uma vez que teve um aviso de prontidão, quando dormimos com farda, coturno, prontos para sair em ação a qualquer momento.
Quando você começou a trabalhar?
Meu primeiro emprego foi com 15 anos, em uma loja de calçados, eu vendia sapatos. Tinha registro em Carteira de Trabalho. Hoje dizem que o menor trabalhar é escravidão, a meu ver não é não. Eu estudava e trabalhava. Nessa época eu já tinha concluído o Grupo Escolar. Chamava-se Grupo Escolar Dr. Alfredo Pujol. Lembro-me do nome de todas as minhas cinco professoras. No primeiro ano foi Dona Margarida Homem de Mello. No segundo ano foi Dona Saturnina; no terceiro ano foi Dona Edite; no quarto ano Dona Nair Imediato; no quinto ano foi Dona Vanda que foi substituída por Dona Benedita. Muitos anos depois, eu trabalhei na construção de uma fábrica, como almoxarife, o engenheiro era sobrinho dessa professora. Eu o conhecia desde menino. Ele perguntou-me se eu sabia realizar determinada tarefa, disse-lhe: “Se sua tia não me ensinou errado eu sei! Disse-lhe: “Eu o conheço, Roberto, desde pequenininho”. Ele então se lembrou de mim, disse-me:” Não acredito! Você é o Joãozinho!. Quando terminou a obra ele queria que eu fosse trabalhar com ele em Pindamonhangaba. Eu preferi permanecer em Piracicaba.
Quem nasce em Pindamonhangaba é denominado como?
Quem nasce na cidade de Pindamonhangaba é chamado de Pindamonhangabense.Só que o usual é Pindense. Terra do Governador Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho.
Após trabalhar como vendedor de calçados qual foi o seu próximo serviço?
Ainda como vendedor de calçados, tem uma passagem muito engraçada. Tínhamos um código entre os vendedores. Quando aparecia um freguês chato o dono da loja me ensinou que ia dizer: “João, pegue aquele sapato, Solis!” Isso significava que era o tipo do freguês que fazia tirar muitos sapatos da prateleira e não levava nada. Meu patrão disse ainda “Se eu disser para você: - Pegue a marca Solingen! A pessoa é chatérrima!”. Um dia entrou uma freguesa e falou: “- Joãozinho eu queria ver um par de sapato, eu fui no Antonio, (Que era dono de outra loja de calçados e irmão do dono da loja onde eu trabalhava.) ele mandou vir aqui, disse que vocês tem a marca de sapatos que eu quero”. Eu perguntei-lhe: “-Que marca que é o sapato que a senhora quer?”.  Ela então me respondeu: “-É Solingen!”. Eu não sabia se estourava uma gargalhada, o dono da loja estava para explodir de rir. Muito sério perguntei ao meu patrão: “-Ainda tem Solingen, Seu Silvio?”. Ele, contido, disse: “-Não tem, estamos para receber!”. Os dois irmãos, proprietários das duas lojas se entendiam, quando era Solis ou Solingen.
O período em que você serviu o exército foi difícil?
Eu tive sorte, o quartel era na minha terra, eu tinha muito conhecimento com sargentos, oficiais, porque eu jogava basquete, futebol de salão, com eles. Às vezes eu ia sair, um sargento me dizia: “-Não vai embora não! Vai jogar basquete conosco!”. Outras vezes ia sair o major me dizia: “Garoto! Vem cá! Fique a vontade! Troque de roupa, põe o uniforme de educação física, você vai apitar o jogo! Vamos jogar oficiais contra os sargentos da oficina! Pode ficar tranqüilo, você vai apitar o jogo, quem manda é você!” No meio dos oficiais, estava eu, soldado, reco (soldado novato). 
Quando você começou a desenvolver o seu interesse pelo esporte?
Foi quando eu estudava no SENAI, comecei a me interessar pelo basquete, aos 14 anos, jogava na defesa e já jogava no Infantil do Ferroviária que tinha em Pindamonhangaba. Naquela época era muito difícil existir pessoas altas, após algum tempo apareceu um tenente chamado Gedeão, ele era alto. Eu gostava de assistir quando ele jogava só para ver a facilidade com que ele fazia pontos “enterrando” a bola no cesto. Eu também jogava vôlei, só que menos do que o basquete. No futebol jogava como goleiro.
Você era um bom goleiro?
Tinha hora que sim, outras que não, falhava. Havia horas em que ajudava a ganhar o jogo. Até a pouco tempo eu voava na quadra dando uns “peixinhos” que é aquele momento em que você vê que a bola vai cair você voa e dá um tapa nela para não deixar ela cair, isso no vôlei. No futebol fazia as pontes, que é voar e pegar a bola com as duas mãos. Eu tinha facilidade pesava 60 e poucos quilos. Treinava duro, jogava no time de uma fábrica de alumínio que tinha em Pindamonhangaba. Logo após servir o Exercito trabalhei em uma loja de móveis por pouco tempo, montava móveis para Farah, Zaiter e Cia. Vendiam móveis, fogões, rádios, tinha uma seção que vendia roupas. O meu próximo emprego foi na fábrica de alumínio, comecei como ajudante geral, com o tempo fui promovido para trabalhar na portaria fazendo apontamento, cuidava dos cartões de ponto, no final de mês eu fechava, encerrava os pontos, entregava para ser feita a folha de pagamentos. Nessa fábrica permaneci por cinco anos. Sai de lá para vir para Campinas. Eu estava noivo e o meu futuro sogro veio trabalhar em uma fábrica de papel, disse que eu iria com ele. Eu era tratado por ele como um filho. Arrumei a mala e vim embora. Trabalhei como escriturário. De lá saímos e fomos trabalhar na Papelão Andrade, situada em Anhumas, dentro de Campinas. A seguir fui trabalhar na Rhodia em Paulínia Como segurança. Lá permaneci por três anos. Fui trabalhar na Racz Construtora S/A, após algum tempo, me transferiram para Piracicaba, onde foi construído o Racz Center. Fui morar na Vila Independência. Da Racz Center me transferiram para a Avenida Luciano Guidotti, logo em seguida a auditora veio e disse que ia me levar para Campinas, para tomar conta do almoxarifado da fábrica, fiquei na Racz até ela encerrar suas atividades, em seguida trabalhei na Tem de Tudo no Shopping Piracicaba. Após três anos fui trabalhar na empresa Comercio de Madeiras Naléssio Ltda. Um dos locais em que trabalhei foi com o Carvalho Materiais de Construção, foi com o Carvalho que aprendi muita coisa sobre material de construção. Antes de trabalhar com ele eu tinha um bar e restaurante, ficava na Avenida Cássio Paschoal Padovani, junto a um posto de gasolina logo após a Pirasa, revenda de caminhões Mercedes-Benz. Ali eu fazia uma feijoada muito famosa, aos sábados. Houve uma época em que uma chuva destruiu uma ponte, o fluxo de transito para São Paulo foi desviado, e de uma hora para outra diminuiu muito a clientela. Isso afetou muito a situação do restaurante. Sou pai de dois filhos: João André e Alessandra.
Após sair do Naléssio você trabalhou em algum outro lugar?
Eu estava procurando emprego, quem é que dava emprego para uma pessoa com 57 anos? A experiência não conta, olham apenas a idade. Uma vez vi anunciado em um jornal a procura de um almoxarife com experiência em material de construção. Fui até o local, preenchi uma ficha, a moça que estava atendendo olhou, e disse-me que a minha idade estava acima do que eles procuravam. Queriam pessoas com até 25 anos. Eu disse-lhe: “-Com experiência e com essa idade você não irá encontrar!”. Após alguns dias vi o mesmo anúncio no jornal. Um dia encontrei um amigo, ele convidou-me para ir jogar uma bolinha no SESC, fui. Aí começaram a me chamar, fui convidado para participar da Seleção Piracicabana da Terceira Idade jogando vôlei, aos 60 anos. Joguei 12 anos em Piracicaba. Devo ter umas 250 medalhas, troféus. Viajamos para muitas cidades para disputar jogos. Em São Pedro tem um time composto por integrantes de setenta anos, é tetracampeão regional e tricampeão estadual. Hoje um tem 84, outro tem 82, eles vão treinar conosco.
Para uma pessoa com 80 anos qual é a importância do esporte?
Acredito que seja um grande estimulo para a pessoa, em todos os sentidos.
Há uma doença que acomete muitas pessoas, a famosa depressão, como você isso?
(Em tom de trocadilho, João comenta). “Às vezes alguém pergunta: “João você tem depressão?”Eu respondo: “-Nem devagarzão quanto mais depressão”. Tive um período difícil quando me separei da minha primeira esposa, até que conheci Jovelina Góia, casamos em segundas núpcias já há 28 anos. Eu acredito que toda pessoa tem que fazer algum esporte. Acabei aposentando-me.
Como começou a história do Quimball ou Quimbol?
Uma vez estávamos treinando vôlei, na Vila Rezende, no ginásio. Chegou o Joaquim Bueno de Camargo, conhecido como Quim com umas raquetes, perguntou se queríamos aprender a jogar Quimbol, peguei a raquete e me dei bem com ela. Há uma rede com dois metros e quarenta centímetros, é a altura do vôlei, a malha é mais fininha para a bola não passar. A quadra é do mesmo tamanho da quadra utilizada no vôlei. A bolinha pesa 35 gramas. Esse esporte foi difundido, fazíamos muitas vezes clinicas, mostrar o que é o quimbol, ensinar, fizemos em três unidades do SESC em São Paulo, Santos, Sorocaba e São Carlos.

“QUIMBOL – uma Brincadeira , um Jogo, um novo Esporte”

O “Quimball ou Quimbol, é um novo jogo construído a partir das idéias do “Quim”- Joaquim Bueno de Camargo (falecido aos 78 anos, em 2004, na cidade de Piracicaba/SP), daí seu nome, pois quando surgiu (1947) seus amigos denominavam a nova prática como o “Jogo do Quim”.
Retomado nos últimos anos (2000) evoluiu e hoje já é praticado por um grande número de pessoas em Piracicaba e já se dissemina por outras cidades e estados.
Este release visa proporcionar uma oportunidade para que todos interessados possam conhecer a origem deste jogo, suas regras, seus fundamentos técnicos, os equipamentos utilizados e sua constante evolução.
Todos poderão conhecer este novo esporte e perceber que é uma prática destinada a cativar crianças e jovens, atletas, adultos e pessoas da terceira idade; pois é um jogo que já nasceu adaptado a todas as faixas etárias e certamente vai começar a fazer parte de sua vida a partir de agora.
Venha conhecer e difundir esse jogo de identidade nacional.
Você vai gostar e se surpreender com as possibilidades do jogo.

HISTÓRIA

“Há muitos anos, por acaso, criei e desenvolvi uma brincadeira que foi chamada ‘Jogo do Quim’. Depois de várias décadas, com a certeza de que o jogo poderia se transformar num esporte praticado por todas as pessoas adaptei suas regras e materiais para que fosse jogado nas quadras de voleibol.
Nasce, então, o QUIMBOL, esporte cujas regras lembram os fundamentos do voleibol, tênis de campo e até do futebol.
Na prática, pude constatar que minhas crenças estavam certas.
Por não exigir muito o uso de força física, mas sim, boa coordenação motora, habilidades, raciocínio rápido, muita comunicação e disposição, o QUIMBOL é um esporte para todas as idades sem a necessidade da adaptação.”

“Em qualquer tempo é tempo de realizar!!!” ( Joaquim Bueno de Camargo – O Quim )

O QUIM
Sou Joaquim Bueno de Camargo, o “Quim”, moço com 78 anos de idade. Sempre gostei de aventuras e esportes. Nunca fumei e droga para mim é droga mesmo; veneno que vem matando muitos valores de vida e separando pessoas que poderiam estar construindo como vencedores. Mas como é sabido, o esporte é mais um meio de agrupar e conciliar pessoas no mundo todo.
Portanto, pratique esporte. Valorize seu corpo. Aprenda a gostar mais de você. Conserve o espírito leve. Colecione amigos.   Defenda a natureza. Cuide bem do ar que você respira pois ele é a vida no planeta, a alma da natureza e a presença de Deus.

“Sejam sempre moços de 60, 70, anos ou mais e nunca velhos de 60, 50 anos ou menos.” ( Quim)

O JOGO

O QUIMBOL é praticado por duas equipes de 4 pessoas (cada), em quadras de voleibol, utilizando o poste de fixação da rede como limitação de jogo aéreo.
O jogo é dividido em quatro tempos de dez minutos cronometrados. Em cada tempo é permitido ao técnico da equipe em desvantagem, um pedido de paralisação de um minuto.
Ao término do primeiro e do terceiro tempo são realizados intervalos de três minutos e ao final do segundo tempo, um intervalo com duração de seis minutos, quando ocorre a troca de lado na quadra.
A partida termina no quarto tempo com a vitória da equipe que obteve maior número de pontos. Em caso de empate, realiza-se um quinto tempo (melhor de cinco pontos) sem troca de lados, iniciada pela equipe que marcou o último ponto.
Outra opção é realizar a contagem tradicional por “set” de pontos (similar ao voleibol).
Os participantes praticam o jogo com raquetes de madeira emborrachada, golpeando uma pequena bola de aproximadamente 25 gramas. O jogo consiste basicamente em sacar, receber, executar o levantamento e efetuar o ataque na quadra adversária.
 



Tem regras por escrito?
Tem! Algumas por exemplo: não invadir o campo adversário com a raquete, não pode bater na rede, se receber o saque não pode devolver com um toque só para o outro lado, tem que passar ao menos duas vezes a bola um para o outro jogado da mesma euipe antes de arremessar para o lado adversário. São três toques antes de arremessar. Pode deixar a bola pingar quando o adversário ataca. É um jogo interessante. Nosso técnico é o Secretário Municipal de Esportes de Piracicaba, que também gosta de jogar Quimbol, João Francisco Rodrigues de Godoy, o Johnny.
Vocês têm uma ligação muito próxima com o SESC?
Temos! Tenho uma relação muito boa com o José Roberto, que é o gerente. Assim como tenho uma grande amizade com o Adriano que cuida do pessoal da terceira idade. A unidade do SESC de Bertioga é um paraíso, já fomos mais de 20 vezes para lá. Sou um dos sócios mais antigos do SESC de Piracicaba.
Atualmente um das suas atividades é o artesanato em madeira?
Vi em algum lugar uma casa de passarinho projetei e construí uma. Passei a fazer como passatempo. Faço também comedouro para passarinhos, é bem protegido com folha de flandres. O telhado do comedouro eu faço com tábua de forro. Coloco uma folha de folha de flandres na cumeeira da casinha.
Você conheceu grandes jogadores?
Sou palmeirense, cheguei a conversar com Baltazar “O Cabecinha de Ouro”, Bauer, Poe, De Sordi, Leonidas “O Diamante Negro”, Luizinho “O Pequeno Polegar”, Pelé, Gilmar.
O que você acha desses jogadores atuais que ganham grandes fortunas?
Infelizmente o nosso futebol, comparado ao que já foi no passado, é pobre demais. O dinheiro fala mais alto do que o amor pela camisa. Antigamente o jogador tinha um salário modesto, cada um levava a sua chuteira, joguei no infantil do Ferroviário de Pindamonhangaba e depois no amador do Aeroclube da cidade.
O que você como esportista achou das Olimpíadas?
Gostei, achei que o Brasil tem uma criatividade que muitos povos não têm. As paraolimpíadas foram fizeram apresentações incríveis.
Você tem uma caligrafia muito bonita, usa letras góticas, inclusive nas raquetes onde de um lado está escrito o seu nome “João” e do outro lado “Soberano” e em outra raquete “João” e do outro lado “Fabuloso”
Aprendi a escrever essas letras sozinho, já escrevi por encomenda muitos diplomas. Uma amiga que joga conosco, um dia ela disse “-João você é Fabuloso”, disse-lhe “Você deu uma ótima idéia”. E Soberano eu disse: “Vou ser o soberano do quimbol”. 
Você já foi Papai Noel?
O técnico nosso, o Orlandinho, convidou-me para ser Papai Noel do Shopping de Piracicaba. Fui entrevistado pela pessoa responsável. A primeira pergunta que ela fez: “Então o senhor quer ser Papai Noel?” Disse-lhe: “Eu não quero ser, convidaram-me para ser!” Ela fez uma série de perguntas e eu fui respondendo. Até que ela questionou-me o que eu iria perguntar às crianças. Eu disse-lhe que para crianças até três anos eu sei o que vou perguntar. Agora para crianças acima de três anos eu vou ter que estar preparado para responder as perguntas delas. Ela olhou-me e disse: “Você vai ser o Papai Noel do Shopping”. Por 42 dias fui Papai Noel das duas da tarde às dez horas da noite. Com uma hora de intervalo.
Tem algum fato que marcou muito para você?

Muitos! Cenas que me emocionaram, cenas que me fez rir, algumas me fizeram chorar. Uma delas, a meu ver foi um milagre, um dia tinha um senhor dizendo a um menino: “Vai!” o menino respondeu várias vezes “Não vou!” Levantei-me e fui até lá. Perguntei se ele não queria conversar com o Papai Noel. Coloquei a mão no ombro dele e ele foi comigo. Sentou-se ao meu lado e começamos a conversar. Perguntei o porquê ele não queria falar com o Papai Noel, ele respondeu: “- Sabe, meu pai é pobre, ele trabalha em um posto de gasolina e ganha pouco, e minha mãe está desempregada, se eu vier conversar com o senhor eu não vou ganhar brinquedo meu pai não tem dinheiro para pagar. Eu nunca disse pede ao Papai Noel que ele vai te dar. Disse-lhe: “Você não pode ficar triste por causa disso, você vai ganhar um presente, mas não fique triste por causa disso não. Conversei um bom tempo com ele sem tocar nesse assunto de presente. Disse-lhe: “Quando chegar a sua casa reze para o Papai do Céu para Ele dar um presente para você.”. Ele respondeu-me: “Esta bem Papai Noel, obrigado!”. E foi embora, dália a uma hora mais menos, entrou um garoto correndo com um pacote enorme e disse “Papai Noel ! Papai Noel!! Obrigado pelo presente que o senhor me deu!”. Era o menino, eu não tinha reconhecido-o. Ele disse-me que gostou do presente, fez questão de mostrar-me a caixa, era uma caminhonete enorme dentro da caixa e em cima da carroceria da caminhonete tinha um carrinho. O menino disse-me: “Viu Papai Noel, foi a mãe do senhor que me deu!”(João emociona-se muito neste momento). Eu ouvi o pai dele dizer: “Esse homem é homem de Deus!” E perguntou-me o que eu tinha dito ao seu filho, respondi que não tinha dito nada. Então o pai do menino explicou que ele saiu dali, uma senhora o abordou e perguntou o que ele tinha pedido ao Papai Noel, em seguida disse-lhe, vem aqui comigo, levou-o nas Lojas Americanas e disse-lhe: “-Escolhe o que você quiser!”. (João Baptista emociona-se muito ao lembrar-se) . Aquilo me emociona até hoje, não sei quem é essa senhora. Outra ocasião tinha duas menininhas que disseram que queriam tanto tirar uma foto ao lado do Papai Noel, só que não tinham maquina. Chamei uma das Mamães Noel, eram duas mocinhas, pedi que tirasse uma foto, anotasse o endereço delas, mandei revelar e enviei pelo correio, eu tinha levado a minha máquina. Um dia foi um grupo de crianças cantarem para o Papai Noel. Tive que segurar. As crianças foram embora. Nisso chegou uma senhora muito distinta com uma menininha. A menina sentou-se ao meu lado. A senhora me olhou e disse-me: “Papai Noel está emocionado, né! Perguntei-lhe se podia pedir um favor, que ela me desse um minuto. Ela ajoelhou-se a meus pés, segurou as minhas mãos e disse-me: “O senhor chora porque o senhor tem oração!” No ano seguinte fui chamado pelo Shopping para ser de novo Papai Noel. Foi uma grande experiência para mim. O ultimo dia, quando acabou, cheguei em casa e disse “-Venci um desafio!”. Ai desabei, chorei muito. Fui Papai Noel nas Casas Pernambucanas, era chamado de Papai Noel terrorista, pelo fato de brincar muito com os vendedores. 

Um dos principais atrativos do chamado Circuito da Mantiqueira é a quase centenária Estrada de Ferro Campos do Jordão, cuja operação iniciou-se em 1914.

Desde 1916 ela é de propriedade do Governo do Estado de São Paulo, sendo atualmente administrada pela Secretaria dos Transportes Metropolitanos.

Concebida pelos médicos sanitaristas Emílio Ribas e Victor Godinho, seu objetivo inicial era o transporte de doentes tísicos para os sanatórios de tratamento, então localizados em Campos do Jordão


Santo Antônio do Pinhal é lembrada pela grande quantidade de hotéis, chalés e charmosas pousadas, além de belos restaurantes, que no inverno trazem o fruto do Pinhão em vários de seus cardápios.



Campos de Jordão é famosa por seu clima de serra, com características semelhantes às dos melhores climas europeus de altitude.
O que diferencia Campos do Jordão é o seu clima tropical de montanha, acrescido à presença do sol em praticamente todo o ano.

                          Estação Emílio Ribas - Parque do Capivari - Campos do Jordão


A “Princesa do Norte”, ou simplesmente Pinda, é uma cidade de clima ameno, localizada às margens do rio Paraíba do Sul, rio que até o século XIX constituía-se em importante via de comunicação.


                          Estação Pindamonhangaba, sede da Estrada de Ferro Campos do Jordão






   





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