Quinta-feira, Novembro 26, 2009

Marcelo de Castro Meneghin



                                          Marcelo de Castro Meneghin







PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 21 de novembro de 2009
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/
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ENTREVISTADO: Marcelo de Castro Meneghin
Esse é um ano especial para a Faculdade de Odontologia de Piracicaba, que comemora o centenário do nascimento do Prof. Dr. Carlos Henrique Robertson Liberalli, instalador e primeiro Diretor dessa instituição de ensino. O dentista Marcelo de Castro Meneghin é vice-diretor da Faculdade de Odontologia de Piracicaba – FOP, unidade integrante da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e professor da área de odontologia preventiva e saúde pública, do Departamento de Odontologia Social. Formado pela FOP, fez a pós-graduação, mestrado e doutoramento na Faculdade de Odontologia de Araçatuba – UNESP.
O senhor é natural de qual cidade?
Sou nascido em Botucatu em 11 de maio de 1965, vim para Piracicaba em 1986, como calouro da FOP.
Os seus pais tinham alguma relação com a odontologia?
Não. Meus pais não cursaram o ensino superior, fui aluno dos bons tempos da escola pública até a oitava série. Tive a oportunidade de fazer o colegial no Colégio Arquidiocesano, após concluir o colegial fiz o exame da FUVEST e tive a honra de vir para Piracicaba. Foi aqui que encontrei Zuleica Pedroso, na época também aluna da FOP, hoje minha esposa e mãe das nossas três filhas.
Como estudante onde o senhor morou?
Inicialmente morei em república onde permaneci até a minha formatura. Passei a trabalhar no meu consultório, e morava no consultório. O dinheiro era curto, nesse inicio ingressei no setor público como dentista. Trabalhava na clínica privada e no setor público, isso me ajudou muito no desenvolvimento das minhas atividades na FOP, por ter a oportunidade de trazer a experiência do setor público para dentro do ambiente acadêmico. O desenvolvimento das atividades de pesquisa dentro da academia foi importante, para sustentar a dinâmica com os alunos, o relacionamento com o setor público. Diversos convênios sou eu quem discute com o Dr. Fernando Cárdenas, com o Prefeito Barjas Negri.
O que o levou a escolher a profissão de dentista?
A escolha não tem um motivo muito definido. Não tenho ninguém na família que tenha sido cirurgião dentista. Sempre gostei muito da área de biológicas como um todo. O que me encantava na profissão de dentista é a questão do sorriso, da estética do ser humano. Hoje a minha área é para preservar, recuperar através de um trabalho estético, como se fosse uma plástica. O sorriso como um cartão de visita das pessoas me instigava. Na escola fui descobrindo a importância da prevenção com relação á saúde. Essa pergunta é interessante, porque sou natural de Botucatu, onde há uma das melhores escolas de medicina do país e meus pais nunca esconderam que gostariam que eu seguisse a carreira de medicina. Só que eu tinha o sonho de fazer a odontologia. Até hoje, meus pais dizem de forma carinhosa: “Você tinha conquistado os pontos necessários para formar-se como médico”. Eu acho que fiz uma boa escolha, formei uma família bonita, escolhi uma boa cidade. Entendo que estou em uma posição bem situada profissionalmente.
O receio do paciente com relação á ida ao dentista é uma característica que ainda persiste?
Esse receio existe por diversos fatores, o próprio desenvolvimento tecnológico da profissão. Antigamente os equipamentos utilizados pelo profissional não eram equipamentos confortáveis ao paciente. Nem mesmo a cadeira oferecia conforto. O receio surge também pela própria dinâmica dos materiais utilizados. O processo de anestesia não tinha a eficiência que hoje existe. A nossa cultura sempre fez a ligação do profissional com um problema existente, e geralmente acompanhado de dor. O tratamento a ser feito não era fácil, era traumático, onde o paciente sofria. Nós temos uma política de saúde bucal a partir da ultima constituição, de 1988. Até então tínhamos o dentista que atendia nas escolas, sendo que muitas vezes era dito ao aluno mais travesso: “-Se você não se comportar eu te mando para o dentista!”. Era uma ameaça, com isso o dentista não era uma figura ligada á questão de saúde. Nesse aspecto abro parênteses, o Professor Miguel Morano Júnior já há 20, 25 anos, falava na questão da preservação da saúde, dentro da sua disciplina Educação Para a Saúde. O resgate do cirurgião dentista como profissional de saúde vem sendo feito aos poucos. Hoje a situação já está se tornando mais agradável, você vai ao dentista para preservar a saúde. É feita uma manutenção da saúde, um diagnóstico precoce de algum problema, o que resultará em tratamento sem o sintoma doloroso. Seguramente deverá levar ainda alguns anos para que essa mudança ocorra de forma mais abrangente.
A popularização do aparelho ortodôntico é positiva?
Como fator estético eu encaro de maneira positiva, enquanto o fator estético não atrapalhe a função saúde. Trabalho na periferia de Piracicaba e vejo a preocupação do jovem sobre a necessidade de usar um aparelho ortodôntico. Muitas vezes eles esquecem que se prevenirem uma carie dentaria terão uma aparência estética muito boa. Aproveito para associar a essa preocupação com a estética indicando um clareamento dental. Sempre que você devolver a auto-estima, confiança a uma pessoa, com seu sorriso bonito, isso será muito importante. Tudo isso deve ser sempre muito bem indicado e controlado.
Há uma faixa da população que luta muito para obter o mínimo necessário á sua sobrevivência. De que forma imagina-se que ele consiga cuidar da sua saúde bucal?
Essa questão é interessante porque muitas condições são oferecidas para que eles cuidem de sua própria saúde. Nossos alunos fazem estagio em um projeto desenvolvido junto com a prefeitura de Piracicaba, com o Ministério da Saúde, sendo que os 80 alunos do curso de graduação estão envolvidos nesse projeto. Muitos dos alunos de pós-graduação também estão envolvidos nesse processo. É importante salientar que entre os alunos de pós-graduação temos alunos de diferentes áreas: farmacêuticos, fonoaudiólogos, psicólogos. O curso é o Programa de Pós-Graduação em Odontologia, abrange algumas áreas específicas desse programa: bioquímica onde há a área de cariologia, de fisiologia, de saúde coletiva, de odontopediatria. Cada um desenvolve a sua linha de pesquisa de uma forma. Temos linhas de pesquisas na área de epidemiologia, que é o estudo da saúde publica. Temos a oportunidade de desenvolver estudos como, por exemplo, quanto um problema de desigualdade ou exclusão social interfere na questão de ter mais chances de desenvolver mais caries. Com relação aos cuidados da saúde bucal, a prefeitura tem seus programas de distribuição de escovas, pasta dental, palestras. O nosso foco é melhorar as condições de acolhimento, ou seja, como conseguir fazer com que essas pessoas procurem o serviço. O paciente idoso tem uma dificuldade maior em procurar o serviço. Uma adolescente gestante a partir do momento em que ela tem o nenê entra toda uma parte odontológica. Os pacientes diabéticos aumentam o risco de desenvolverem certas doenças, se estiver junto com o seu médico uma equipe odontológica é possível desenvolver ações para minimizar ou até evitar transtornos odontológicos. Ajudamos também na questão de organizar e qualificar as demandas, qual é o paciente que deve ser chamado com mais urgência. Qual é o setor que devemos dedicar maior atenção para os problemas não se agravarem. Encaminhamentos para unidades de especializações, um tratamento de canal para onde pode ser encaminhado.
No antigo prédio da faculdade de odontologia funciona uma clinica?
Desde 1998 funciona uma clínica grande onde atendemos uma média de 2.000 crianças por ano. É um projeto em conjunto com a prefeitura de Piracicaba, a Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas, a Fundação Belgo do Grupo Arcelor Mittal. O trabalho é realizado com as crianças das escolas municipais de Piracicaba. Com as crianças da escola estadual algumas incursões estão ligadas á área da Educação Para a Saúde do Departamento de Odontologia Social, onde atuam o Professor Fábio Luiz Mialhe e Professor Miguel Morano Junior.
A Unicamp e o CNPq têm um projeto em conjunto?
É o Programa de Iniciação Científica Júnior, que nós chamamos de PIC Jr., temos 25 jovens do ensino médio que fazem iniciação cientifica, o Prof. Miguel Morano Jr. é que coordena mais essa ação. Recebem aulas e treinamento em diferentes setores da faculdade, e recentemente dentro do Congresso Internacional de Odontologia da FOP apresentaram trabalhos de pesquisas desenvolvidos por eles, foram muito bem avaliados. É um segmento nosso de despertar nesses jovens o interesse pela academia, pela pesquisa, pelo o que é ciência, sem a pretensão de que eles sigam nem a área odontológica ou a área de pesquisa, mas sim despertar essa curiosidade que irá auxiliá-los em suas vidas. Eles recebem uma bolsa do CNPq, estão vinculados á FOP e também a Pró-Reitoria de Pesquisa da Unicamp.
A saúde bucal reflete no estado geral de saúde do indivíduo?
O que está claramente estabelecido é que a boca não é uma estrutura, um órgão separado do corpo humano. Há uma relação de saúde bucal com saúde geral. Algumas pesquisas já estabeleceram a relação da saúde bucal com a saúde de outros órgãos do ser humano, inclusive com o coração. Na há como ignorar a saúde bucal. Antigamente parecia um curso natural ter os dentes, e ao passar do tempo perdê-los. Isso não é um curso natural, é conseqüência de uma doença! Ao cuidar da saúde bucal estará sendo cuidada a saúde geral.
Quando o dentista deve ser procurado?
Vai depender de como a pessoa mantém a sua saúde bucal. Quais são os riscos de cada indivíduo. Uma pessoa diabética tem mais chances de ter uma doença na gengiva, então deve fazer um acompanhamento com o seu dentista. Quem tem pouca salivação aumenta a chance de desenvolver alguma doença. Quem pode orientar é o dentista, ele irá indicar a medicação e procedimentos necessários. Algumas pessoas precisam escovar mais vezes os dentes. Outras têm uma raiz exposta, é um local mais sensível para desenvolver uma carie. Há aqueles que têm os dentes mais agrupados, isso dificulta a higienização, aumenta a chance de desenvolver alguma doença. O retorno ao dentista que era pré-estabelecido de seis em seis meses, pode variar muito de individuo para individuo.
Qual é o numero ideal de escovação a cada dia?
O ideal é que seja sempre após as principais refeições diárias. E também antes de dormir, por ser um período onde há diminuição do fluxo salivar.
A escovação da língua é importante?
É importante como mais um meio de se fazer uma higienização. Temos que observar que a carie está no dente, á placa bacteriana forma-se no dente. Portanto escovar a língua sem escovar o dente não irá resolver nada. O consumo inteligente, controlado do açúcar, é importante. Há mães que para cessar o choro de uma criança mergulham a chupeta em açúcar e dão para que o choro termine isso proporciona o risco dessa criança desenvolver a carie. Ou mesmo os produtos líquidos como leite, achocolatados, que são oferecidos para essas crianças, com muito açúcar, para ficar bem docinho, é uma forma de carinho, só que aumenta o risco do aparecimento de carie.
Qual é a importância do flúor na água?
Os últimos levantamentos realizados no Estado de São Paulo mostram que as cidades que utilizam flúor na água têm menos caries do que aquelas cidades que não utilizam flúor. Bem controlado, essa é a questão, o flúor não traz nenhum tipo de problema. Piracicaba tem um histórico muito positivo nesse controle. A água traz um benefício direto para a população de baixa renda, é mais um veículo barato, que traz um resultado significativo. A FOP tem um mérito muito importante, é na questão da quantidade do flúor na pasta de dente.
Quando irá acabar o barulho do motorzinho no consultório dentário?
Boa pergunta! Um bom engenheiro poderia responder por que não acaba esse barulho!
A raça negra é conhecida no conceito popular por ter dentes bons. Isso é folclore?
É folclore! A estrutura de mineral é a mesma. Se forem submetidas ás mesmas condições terão idênticos desenvolvimentos. O dente dentro do ambiente da boca tem um equilíbrio dinâmico.










Quinta-feira, Novembro 19, 2009

CORCOVADO ANTES DO CRISTO REDENTOR


RARIDADE: FOTO DO CORCOVADO ANTES DO CRISTO REDENTOR
by J. Eduardo

Independente da coloração política, todo trabalho sério merece o apoio da população, em especial do eleitor. Transcrevemos aqui a mensagem do Veredor, militar reformado do Exército Nacional, que tem buscado exercer seu mandato de forma efetiva:
"Na enquete que realizamos no mês de outubro contamos com a participação de 1.600 amigos internautas, dos quais, 864 (54%) responderam que a segurança é o fator que mais preocupa a população, nos dias de hoje.
Na primeira quinzena de novembro, em uma nova enquete, contamos com a participação de 891 participantes, dos quais, 222 (25%) responderam que o desemprego é o fator que mais reflete na violência, seguidos da falta de ensino (25%) e da impunidade (21%).
Pois bem, nesta segunda quinzena de novembro, em uma nova enquete perguntamos se o internauta já foi vítima de algum tipo de violência.
Nesta nova enquete que é fundamental para o relatório que apresentaremos as autoridades governamentais (municipais, estaduais e federais) responsáveis pela segurança da nossa população.
Aos amigos internautas desde já, agradecemos a participação na enquete que está no nosso site
www.camarapiracicaba.sp.gov.br/capitaogomes
Ao término desta relevante pesquisa encaminharemos o nosso relatório final.
Capitão Gomes - Vereador"





Sábado, Novembro 14, 2009

Traditional Jazz Band

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 07 de novembro de 2009
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
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ENTREVISTADOS: Traditional Jazz Band




Alcides de Oliveira Lima “Cidão”


O que é Jazz? Ainda que muitos dicionários e estudiosos tentem definir, talvez a melhor definição esteja na frase atribuída a Louis Armstrong: "Se você pergunta o que é jazz, você jamais saberá o que é". De 1618 até 1808, quando foi legalmente proibida á comercialização de escravos na América, milhões de africanos foram trazidos, sendo a maioria levada aos estados do sul dos Estados Unidos. Grande parte dos escravos vieram do oeste da África e trouxeram fortes tradições da música tribal. No porto de Nova Orleans, estivadores negros ficaram famosos pelas suas canções de trabalho. Essas canções mostravam complexidade rítmica, na tradição africana eles tinham uma linha melódica com o padrão pergunta e resposta. No começo do século XIX, um número crescente de músicos negros aprendiam a tocar instrumentos do ocidente, particularmente o violino. A música era vibrante, quase sempre, improvisada. Diferente do nosso samba, também de origem afro, o jazz sempre se notabilizou, principalmente, por seus instrumentos clássicos: sax, trompete, piano, bateria, trombone, baixo Enquanto no Brasil era permitido aos negros cantarem e dançarem nas senzalas, o mesmo não acontecia nos Estados Unidos. Várias bandas marciais foram formadas, aproveitando a disponibilidade dos instrumentos usados nas bandas do exército. Um pianista negro não podia ser aceito em salas de concertos, mas poderia ser encontrado tocando na igreja ou tinham oportunidades de trabalho em bares, clubes e bordéis. Diversas bandas marciais, encontraram serviço particularmente em funerais luxuosos. Neles, se tocava música solene no caminho do cemitério. Alcides de Oliveira Lima, carinhosamente chamado de “Cidão” relata um pouco da história desse fenomeno musical brasileiro que já dura 45 anos, o Traditional Jazz Band, ou TJB para os seus admiradores.
Cidão você nasceu em que cidade?
Nasci em Sorocaba no dia 7 de julho de 1940, estou com 69 anos de idade mas com um corpinho de 68 anos! Cursei o Primário no Grupo Escolar "Visconde de Porto Seguro" minha primeira professora foi Dona Messias, era muito boazinha. Depois fiz a OSE. Eu fazia teatro amador em Sorocaba, fizemos a peça “Eles Não Usam Black-Tie” de Gianfrancesco Guarnieri. O Guarnieri foi assistir, gostou da minha atuação e me convidou para substituir o Flávio Migliacio que hoje está na Rede Globo. Era para fazer o papel do Chiquinho na peça. Fui, gostei da experiência e com 18 anos de idade, incompletos, eu mudei-me para São Paulo para fazer teatro. Fiz algumas peças, mas vi que a coisa era difícil para manter uma vida financeiramente estável. Acabei concluindo meus estudos e me formei em economia indo trabalhar na indústria automobilística.
Logo que você mudou-se para São Paulo foi morar onde?
Fui morar no bairro Ipiranga. Minha tia tinha a Padaria Silva Bueno, ficava perto do Grupo Escolar Visconde de Itaúna, quando tinha de 11 a 13 anos de idade , ia com meu irmão passar as férias na padaria. Era a minha diversão! As minhas férias mais maravilhosas era ajudar a minha tia na padaria. Eu tenho um carinho especial pelo bairro do Ipiranga.
Em qual escola você formou-se?
Fiz a Escola de Administração de Negócios na FAAP Fundação Armando Álvares Penteado, do Largo São Francisco. Eu já tinha feito contabilidade na OSE Organização Sorocabana de Ensino.
Você já tocava algum instrumento musical nessa época?
Eu tocava bateria desde os 16 anos de idade. Na Orquestra Irmãos Cavalheiro formada por quatro irmãos eu tocava bongô, como se dizia na época eu era “de menor”. O Comissário de Menores ia até o local do show para ver se havia algum menor presente. Os músicos eram pessoas com altura superior a um metro e noventa, eles ao perceberem a presença da autoridade, ficavam em pé e com isso ninguém me via. Dava-se o inusitado acontecimento do “bongô mágico”, ouvia-se o som do instrumento sem que soubessem quem era o artista que estava tocando! Depois passei a tocar tumbodora, que são dois bongôs maiores, juntos. A banda explorava um show de meia hora durante o baile, era um show de chá-chá-chá, mambo. Estava no auge! Passei a tocar tumbadora, maraca, durante o show eu usava aquelas roupas todas coloridas. Com isso passei a ter cada vez mais ritmo. O baterista, João Cavalheiro disse que iria me ensinar a tocar bateria. Aos 16 anos de idade comprei a minha primeira bateria, nacional, marca Gope. Logo depois adquiri uma bateria Pingüim. Um dia o João Cavalheiro me disse: “Cidão, você está pronto para apresentar-se como um bom baterista, já tem 18 anos de idade. Eu gostava muito de um tema do filme “O Homem do Braço de Ouro” é um tema específico para bateria, fiz, e no final chorei de emoção por ter realizado aquele solo.
Em seguida você mudou-se para São Paulo?
Cheguei a São Paulo para fazer teatro, fui fazer a peça “Arena Conta Zumbi”, e nessa peça precisava fazer uns batuques, umas músicas meio misteriosas da África. Disseram-me: “- Batuque você pode fazer, mas precisamos de um clarinete, saxofone, algo assim”. Deram-me uma indicação de que o Tito Martino tocava clarineta, ele já fazia jazz em um quarteto. Ele me convidou para fazer parte de um grupo de jazz. Disse-lhe: “- Só que não tenho bateria, eu vendi a minha quando vim para São Paulo”. Ele então respondeu: “- Vamos até o bairro Ipiranga, tem uma pessoa que tem uma bateria, ele pretende ser o baterista, mas acho que não reúne as condições necessárias”. Fomos até lá, peguei a bateria, passei a tocar, a impressão é de eu já a tocava por uns quinhentos anos! A pessoa emprestou a bateria, eu fazia teatro ao mesmo tempo. Estava concluindo meus estudos, passei a trabalhar no meu primeiro emprego, foi na Ford. Logo depois comprei a minha própria bateria e começamos a tocar.
Você é filho único?
Somos quatro filhos: meu irmão mais velho, com 10 anos a mais do que eu, falecido, outro é o Armando de Oliveira Lima, jornalista em Sorocaba, foi professor de filosofia pura na Faculdade de Filosofia. Outro irmão, nascido dois anos antes de mim, e que é promotor público aposentado. Eu sou o irmão caçula!
Como é o nome dos seus pais?
Meu pai é  Antenor de Vieira Lima e minha mãe Amélia Marchesini Lima.
Seu pai era músico também?
Só o meu tio Agenor, irmão do meu pai é que tocava violão. Mais ninguém na família era músico. Não tenho essa veia musical da família, acho que a inaugurei! Meu filho já toca bateria.
E o músico que faz parte do TJB, o Carlos Lima, é seu parente?
Não é meu parente, mas é meu compadre! Tive o prazer de batizar o filho dele.
Em que ano você casou-se?
Foi em 1964, na cidade de Santos. A minha esposa Vera Lúcia é de Santos. Tudo começou quando fui com um dos meus irmãos fazer uma palestra, eu estava no palco, com meu irmão, na platéia estava a Vera. Olhei para ela e um ano e nove meses depois casamos. Foi em 19 de dezembro de 1964. Dia 19 de dezembro próximo estaremos completando 45 anos de casados. Um único casal completar esse período de tempo casados é marcante. Casar diversas vezes e somar esse tempo de casado é fácil. Temos três filhos maravilhosos: Miriam, Márcia e Marcelo.
Você continua viajando muito ainda?
Trabalho em uma empresa de consultoria, eu visito as distribuidoras Toyota. Acabei de chegar de Feira de Santana. Isso sem falar que viajo com a banda.
Quem fez o logotipo da banda?
Foi João de Deus Cardoso, ele é um artista gráfico. O piston é um instrumento líder da banda e o verde e amarelo são as cores do Brasil. Viajamos bastante com a banda para o exterior.
Como a sua esposa Vera encara a sua profissão de músico?
Quando nos casamos eu já era músico. Voltava tarde para casa, ela foi muito compreensível, sei que não foi fácil para ela, ter um marido que chegava de madrugada. Quando as crianças nasceram, o intervalo de tempo de nascimento entre uma e outra foi próximo. Da Miriam para a Márcia foram 18 meses, da Márcia para o Marcelo foram 13 meses. Com isso eu fiquei afastado da música por um período de sete anos.
Você pratica algum esporte?
Lá no passado, bem no passado, eu joguei futebol na posição de meia-direita, jogava bem mal. Joguei o que chamávamos de pingue-pongue, hoje tênis de mesa. Pouca gente sabe, mas eu fui campeão paulista de futebol de botão! Na Ford tínhamos um clube dos funcionários, cheguei a ser diretor social desse clube e começamos a fazer competições com times de outras indústrias automobilísticas. Existia a Federação Paulista de Futebol de Mesa, envolvendo uma série de outros clubes.
Além do jazz você gosta de outro tipo de música?
Gosto de todas as músicas, para mim só existem dois tipos de música: de boa qualidade e de má qualidade.
Grandes nomes da música nacional estão movimentando-se para diminuir a carga tributária que incide sobre as mídias (CD, DVD), com o intuito de tornar mais acessível para o grande público as obras gravadas. Qual é a sua opinião a respeito?
O problema que existe no Brasil é de natureza cultural. Nós estamos disponibilizando os nossos CDs na internet, no portal UOL. Praticamente paramos de gravar CDs para a venda. Na minha opinião, mesmo diminuindo a carga tributária não irá resolver o problema.
Você ja escreveu algum livro?
Não. Ainda não. Estamos com o projeto de escrever.
O que você sente ao executar uma música de jazz?
Eu não sei explicar. Na primeira vez em que estive em New Orleans me senti em casa. Com essa sensibilidade, quando faço jazz me sinto transportado para essa época, 1910, 1912, 1915, 1930. Acho que sempre fui jazzista e não sabia disso. Executando jazz sinto que preencho a minha vida, não consigo me imaginar sem o jazz tradicional. Quando eu parei de tocar por sete anos, disse para mim mesmo, agora pretendo não parar nunca mais. Após trabalhar por 35 anos na indústria automobilística, me aposentei. Disse a minha mulher: “- Vera! Vou fazer o que eu gosto!”. E comecei a trabalhar com música, 90 dias depois eu estava tocando, fazendo música e infeliz! Perguntei a Vera o que estava acontecendo. Ela disse-me: “- Você precisa fazer uma coisa diametralmente oposta a música para que você possa merecer a música!”. As mulheres são sabias. Passei a trabalhar com consultoria, nunca mais tive esse tipo de problema. Merecendo a música, eu me transportava de novo!
Qual foi a sua mais grata surpresa?
A minha mais maravilhosa surpresa são os meus netos! Filho é maravilhoso, mas netos...
Quantos netos você tem?
Sou um avô babão, tenho três netos, uma menina de 12 anos, a Priscila, um menino de 10 chamado Henrique e uma pequenininha, o nosso encanto, chamada Isabella, que fez um ano em 13 de novembro. No mundo musical a grata surpresa é nós da banda termos conseguido realizar 70 por cento da escola jazzistica.
Qual foi o show mais contagiante?
Existem vários, citar especificamente um é dificil. Um muito marcante foi quando fomos tocar para um hospital nos Estados Unidos, eram crianças com necessidades especiais, montaram tudo para nós, fizeram botons, lembro-me perfeitamente que ao término do show uma criança com um braço muito fininho começou a carregar a cadeira para guardar no lugar correto. Eu quiz ajudar, ao que a menina respondeu: “- Você fez a sua parte muito bem feita, agora é a minha parte!”. Isso foi tocante.
Durante um show sempre tem o indivíduo incoveniente. Você lembra-se de algum?
Tem! Há uma história de tres mulheres incovenientes. Adoro fazer trocadilhos, é um humor inteligente. Nós estavamos tocando no Opus 2004 e dissemos assim: “-Vamos fazer 15 minutos de intervalo e voltaremos mais bebados do que nunca!”. Diziamos isso em tom de brincadeira. Os 15 minutos de músicos não deve ser levado a sério. Foram 35 minutos! Quando voltamos, peguei o microfone, tinha três senhoras, aquelas de tailleur, aspecto de executivas, uma delas passou a mão no meu microfone, não pediu licença e disse para mim: “-Olha, nós consumidores estamos sendo enganados! Esta figura que está aqui no palco mentiu para nós! Disse que o intervalo seria de 15 minutos, eu marquei no relógio exatos 37 minutos! Isso é uma afronta! Eu de posse do microfone disse-lhe: “A senhora tem razão! Em homenagem a senhora daqui para frente vamos fazer menos pausa!” O público não se conteve! Temos também os chatos de plantão.
Tem aquela figura que pede para tocar uma música que não tem absolutamente nada a ver com jazz?
Têm! A música que esse tipo sempre pede é o “Parabéns Á Você”! Nós tivemos até que fazer um arranjo especeial. Dizem: “-Toca poque hoje estou com a minha namorada e é aniversário dela! Ou é a mãe, a sogra. Fazemos jazzisticamente o “Parabéns Á Você”. Os que não entendem de jazz pedem músicas que estão nas paradas de sucesso! Isso nós não fazemos. Em Nova Iorque pediram que fizesemos um sambinha. O Edo Callia sugeriu que fizessemos o “In the Mood” que é o “Edmundo”, a letra em português. Saimos durante o dia, fomos comprar tamborim, pandeiro, e a noite apresentamos. Acabamos incluindo em nossos shows até hoje.
Onde foi o local mais exótico onde vocês tocaram?
Foi em Porto Velho, em um restaurante que ficava em cima de uma árvore. Colocaram entre duas árvores um tabladão, era um restaurante, tocamos lá. Outro local exótico foi dentro do avião da VASP.
Em New Orleans há a tradição de uma banda de jazz acompanhar um enterro. Já ocorreu isso com vocês no Brasil?
Já acompanhamos três enterros e uma missa de sétimo dia. Dois enterros foram no Cemitério da Consolação. Outro falecido deixou em testamento que fosse enterrado nos moldes dos funerais de New Orleans.

Sábado, Novembro 07, 2009

A presença masculina no ballet

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 07 de novembro de 2009
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
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Legenda da Fotografia:
Da esquerda para a direita:
Sentadas: Cinthia Andriota Corrêa, Giulia Achek Torquetto, Mariana Etezarife de Toledo Ferreira. Logo atrás seus pares: Danilo Chiodi, Cesar Augusto Stenico da Silva, John Albert Almeida Machado da Silva. Em pé os professores: Marcelo Rodrigues de Moraes, Jussara Maria Siqueira Sansígolo e Dayane Keller Ribeiro . Foto: João Umberto Nassif.
ENTREVISTADOS: ALUNOS DO BALLET CLÁSSICO JUSSARA SANSÍGOLO
(A presença masculina no ballet)
Em Piracicaba a escola Ballet Jussara Sansígolo se empenha em desmistificar o balé para os rapazes. É emocionante ver a compenetrada Mariana Etezarif dançando com o pequeno John Albert. A dupla formada por e Giulia e Cesar Augusto parece estar dançando em meio a nuvens, hipnotizam a atenção de quem assiste. A sincronia de movimentos precisos, técnica perfeita da dupla Cinthia e Danilo mostra uma dança de muita expressão, grande vigor, fruto de provavelmente muitas horas de ensaio. Os professores de ballet Dayane e Marcelo formam um belo casal, já na fase dos preparativos para o casamento, entreolham-se de forma apaixonada na vida real, retratando o que ocorre no palco. John Albert Almeida Machado da Silva nasceu em 28 de julho de 2001 em Salvador, Bahia, é soteropolitano como faz questão de afirmar. Em poucos instantes percebe-se que é um garoto espontâneo, desinibido. Cesar Augusto Stenico da Silva nasceu em Piracicaba em 13 de abril de 1995, está em plena fase de adolescência. Danilo Chiodi é natural de Piracicaba, nascido em 8 de março de 1992, já planeja seu futuro com todas as opções que visualiza.
John Albert você é um bom aluno?
Sou! Estudo na segunda série. Sou capoeirista, jogo futebol no Pinta de Craque, onde sou meio de campo. Terça-feira meu time ganhou de 3 a 1, eu fiz 2 gols. Sou surfista, tenho uma prancha de um metro e meio, ela é vermelha e branca. Pratico o surf quando vou á praia, costumo freqüentar Iguape. Treino judô também.
O que você pensa em ser quando crescer?
Jogador de futebol da Seleção Brasileira, e pretendo continuar a dançar ballet.
Cesar Augusto como você descobriu o ballet?
Eu fazia dança de salão, quando a minha amiga e colega de escola, Luana, começou a falar sobre ballet. Faço a oitava série do estudo fundamental.
Danilo quando você conheceu o ballet?
Eu já nasci dançando! Desde que me conheço por gente eu já dançava, em casa, era só tocar uma música eu já estava dançando. Minha mãe conta que ainda muito pequeno eu gostava de dançar. Praticamente dançava dentro do berço! A minha atenção despertou para o ballet quando eu tinha 15 anos de idade, ao assistir a uma apresentação pela televisão. Passei a procurar uma escola de ballet, estou aqui com a professora Jussara já faz um ano. Estudo no terceiro ano colegial. Quando estou praticando o ballet despejo toda a pressão, stress do dia-a-dia. Se eu ficar uma semana sem ensaiar passo a me sentir estressado. A minha relação com o ballet é muito intensa. Eu trabalho dançando! É só estar tocando uma música que eu gosto e passo a ensaiar algum passo, não de forma tão explicita como na escola de ballet. Ao ouvir uma música posso criar um passo, e naquele exato momento tento ensaiar esse passo, se não fixar no momento exato mais tarde é difícil de lembrar. Isso as vezes pode ocorrer em meio a uma multidão!
Ao ouvir uma música sertaneja você acompanha os compassos da música dançando ballet?
Acompanho! Não que seja a minha música preferida para dançar, mas sou bem eclético.
Danilo, nessa fase da sua vida, existem inúmeras opções de carreiras a seguir, você já definiu alguma?
Há um leque de opções, tenho alguns planos. Para tomar a decisão acertada tem que ser fruto de uma análise cuidadosa. Trabalho em uma empresa já há dois anos.
Danilo, você percebe algum tipo de preconceito pelo fato de praticar ballet?
É interessante observar que da parte dos jovens da minha idade eu não sinto um preconceito efetivo, isso não significa que foi totalmente eliminado, mas as manifestações de preconceito são quase inexpressivas. Houve uma evolução da cultura, a geração atual está mais liberal. Algumas pessoas de gerações anteriores ainda conservam certos conceitos da sua época, onde havia um forte preconceito em relação ao ballet.
Cesar você recomenda o ballet como atividade física?
Para quem gosta de dançar eu recomendo. Para mim o ballet é mais do que uma dança.
Quando pratico o ballet me desligo bastante dos problemas do cotidiano.
Você já se pegou distraidamente ensaiando algum passo em plena rua?
Já! E bastante. Quando eu saio da aula de ballet, vou embora á pé, caminho ainda “viajando”!
Quando você está em casa, ao surgir uma cena de dança na televisão seus familiares o chamam para ver?
Esses dias em uma novela a Ana Botafogo, primeira-bailarina do Teatro Municipal do Rio de Janeiro estava participando. Minha avó e meu pai me chamaram para ver a apresentação dela.
John quem foi a primeira pessoa que você viu dançando ballet?
A minha mãe, que é professora de ballet. Eu disse que também queria dançar, isso foi em Salvador, só tinha eu como aluno, o resto da turma era formada por meninas.
Você achou bom em ser o único garoto entre tantas meninas?
Achei. Elas falavam que eu era bonitinho.
Quando você realizou sua primeira apresentação pública?
Eu tinha três anos de idade, foi “Soldadinho de Chumbo”. Dançar ballet me deixa muito feliz.
É fácil apoiar-se nas pontas dos dedos dos pés?
É só ficar na ponta dos dedos dos pés e ter postura, deixar á costa reta.
Mariana Etezarife de Toledo Ferreira, você nasceu em 1 de agosto de 2002, hoje tem sete anos de idade.
O John é seu parceiro de dança, qual é sua opinião sobre ele?
Ele é legal, muito divertido, acompanha meus movimentos.
Giulia Achek Torquetto você nasceu em Piracicaba em 18 de março de 1999. Quando você descobriu o ballet?
Eu sempre gostei muito de dança, a minha mãe freqüentava um curso, comecei a fazer-lhe companhia, foi quando vi uma moça dançando ballet. Curiosa, perguntei que dança era aquela. Logo depois passei matriculei-me na escola Jussara Sansígolo, e estou aqui já faz sete anos. Estudo na quarta série escolar.
Como é o Cesar Augusto como parceiro de dança?
Muito legal! Uma simpatia imensa.
O que as suas amigas acham do fato de você dançar ballet?
Todas as minhas amigas praticam algum tipo de dança. Elas me prestigiam bastante, vão assistir ás minhas apresentações.
Você faz algum tipo de regime alimentar?
Não faço nenhum tipo de regime. Como de tudo.
Você recomenda o ballet para manter a forma física?
Recomendo!
Cinthia Andriota Correa, você nasceu em Piracicaba a 31 de março de 1989, é parceira de dança do Danilo. Qual faculdade você freqüenta?
Estou cursando o terceiro ano de Direito.
Seus colegas de faculdade sabem que você dança ballet?
Sabem, eles adoram! Sempre me perguntam quando será a minha próxima apresentação.
Você pretende exercer a profissão de advogada?
Quero atuar na área, mantendo a também a minha dedicação ao ballet, pretendo ser professora de dança.
Em sua opinião, a atuação masculina no ballet tem alguma descriminação?
Acredito que o fator cultural influencia muito, mas vejo que há um preconceito, são pessoas que falam de um assunto que não conhecem.
Como é o ambiente com a participação dos rapazes?
É uma delícia! A cada dia sentimos sentimo-nos em uma família. Somos amigos em todos os momentos, nos dias felizes, em nossos desabafos.
Seu namorado não é uma pessoa que pratica ballet. Qual é a opinião dele?
Ele me apóia muito.
Qual é a sensação de se apresentar em um palco como bailarina?
É uma sensação inexplicável. Sinto tudo ao mesmo tempo, medo de errar, alegria, cada coreografia passa um sentimento.
A vida de uma bailarina é disciplinada?
Os hábitos devem ser os mais saudáveis possíveis. O consumo de álcool e o uso do tabaco são totalmente excluídos. Durmo cedo. O ballet reflete o estado de saúde da pessoa.
Como é o Danilo, seu parceiro de dança?
Faz tudo certinho! Ele tem uma estatura ótima para dançar com um metro e oitenta e cinco centímetros de altura.
Marcelo Rodrigues de Moraes, você é nascido em São Paulo, em 28 de novembro de 1973. Você chegou a Piracicaba quando?
Minha família veio residir em Piracicaba quando eu tinha 3 anos de idade. Fiz os estudos básicos, fui aluno da escola Sud Mennucci, fiz o curso de Tecnólogo em Sistemas Produtivos, conclui o curso de pós-graduação na área.
Como você conheceu o ballet?
Houve uma apresentação para os funcionários do então Banespa, no Teatro Municipal de Piracicaba, a minha tia era funcionária do banco e me convidou para assistir o espetáculo. Eu gostei do desempenho do artista, saltando, girando, até então eu tinha praticado caratê, jogava futebol. O que me despertou a atenção foi o fato de perceber que não era apenas uma seqüencia de movimentos mecânicos, a pessoa colocava a alma naquilo que estava apresentando. É inexplicável. Em 1992 iniciei o curso de ballet, em 1995 a Jussara precisava de um bailarino e eu vim para esta escola.
No inicio, passou pela sua cabeça o fato de haver quase que só mulheres como alunas?
No começo, que foi em outra academia, eu não comprei nenhum dos itens necessários á prática de ballet. Eu queria ter a certeza de que era isso mesmo que eu queria. Após 3 meses, percebi que o ballet estava me beneficiando, fui fazendo aulas, gostando. Em 1992 o preconceito era muito mais pesado do que é hoje, nem se compara. Senti isso até por parte do meu pai. Ele dizia que isso não é coisa que homem faz.
Isso é coisa que homem faz?
É. Qualquer coisa é permitida ao ser humano realizar. Temos mulheres dirigindo ônibus, jogando futebol. Para a pessoa fazer sua opção sexual ela não tem a necessidade de dançar ballet.
Dayane Keller Ribeiro com quantos anos você iniciou o ballet?
Eu tinha seis anos de idade, foi em 1985. Meu tio que também era meu padrinho me fez estudar ballet clássico, violão, depois me matriculou no curso de piano. Aos dez anos de idade ele achou que eu deveria fazer uma opção, pois eu estava já com muitas atividades simultâneas. Eu escolhi o ballet clássico. Meu inicio já foi na Academia Jussara Sansígolo.
O ballet é uma atividade que exige muita disciplina?
O ballet motiva tudo: disciplina, postura, educação. Amo o ballet, a minha terapia é a dança. Limpa o corpo, a alma. Não é apenas dançar, tem que ser trabalhado o corpo e a mente, é necessário o uso do raciocínio. Ballet é saúde, paz de espírito.
Você e o Marcelo são professores da escola, como é conviver com essas idades tão diferentes que freqüentam os cursos?
Eu dou aula para pequenos como o John, para adolescentes, e é interessante observar que os adolescentes que são nossos alunos não se enquadram na denominação “aborrecentes”. Isso dentro e fora da escola.
Quando você conheceu o Marcelo?
Foi em 1995, quando ele foi convidado para dançar aqui na academia, eu fazia o papel principal e era necessário ter um bailarino. Na época ele tinha uma namorada. Em 1996 dançamos o ano todo juntos, no final do ano, em novembro ele deixou a namorada. Até então éramos apenas bons amigos. No dias 26,27 e 28 de novembro de 1996 dançamos juntos. Em 1997 começamos a namorar.
Marcelo como você idealiza a cerimônia do seu casamento com a Dayane?
Nós queríamos dançar Pas de Deux de Quebra Nozes no Teatro Municipal. Hoje existe uma burocracia na igreja que impede a vinda do padre até o local. Há também a questão financeira relativa á locação do teatro. Nem que seja necessário ensaiar por seis meses, eu desejo realizar meu sonho.

Domingo, Novembro 01, 2009

PALESTRA IMPERDÍVEL

Dia 28 de Novembro, palestra de Jean-Claude Relegieux tendo como tema: “Engenho Central e Presença Francesa na Região de Piracicaba”



Local: Museu Pedagógico Prudente de Moraes, Rua Santo Antonio, 641


Horário: 9:00 horas da manhã. Entrada Franca.



                                          PEDRO CALDARI



PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 31 de outubro de 2009
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://www.tribunatp.com.br/
http://www.teleresponde.com.br/
http://blognassif.blogspot.com/

ENTREVISTADO: PEDRO CALDARI

O presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba, Pedro Caldari narra parte de sua trajetória desde o seu nascimento no bairro da Vila Rezende até os dias atuais. Pesquisador, escritor, cronista, carrega em sua memória os tipos e locais característicos de uma Vila Rezende que segundo ele afirma em sua apaixonada narrativa “por muito tempo foi a locomotiva de Piracicaba no aspecto econômico e financeiro”.



O umbigo de Piracicaba está na Vila Rezende?



Sim! Quando o Capitão Povoador Antonio Correa Barbosa veio á Piracicaba já existiam alguns moradores no local onde mais tarde foi construído o antigo Engenho Central. Eles aproveitavam as benesses do Rio Piracicaba, às facilidades ali existentes, entre elas as de pesca e caça.



A sua paixão pela Vila Rezende resultou nos seus dois volumes escritos sobre o bairro?



A minha paixão pela Vila é natural, eu nasci lá em 5 de setembro de 1938 sou filho de Catarina Furlan Caldari e Ricieri Caldari, ambos brasileiros e filhos de italianos. Sou formado em Contabilidade pela “Faculdade” do Prof. Antonio Zanin, a Escola Técnica de Comércio Cristóvão Colombo, nós dizemos que era uma faculdade porque a escola foi sempre um referencial na formação profissionalizante. Na época Piracicaba contava apenas com a Escola de Agronomia Luiz de Queiroz como curso de ensino superior, a faculdade de odontologia havia desaparecido para depois ser reinstalada. O curso primário eu fiz no Grupo Escolar José Romão, na época o diretor era o Prof. Leontino Ferreira de Albuquerque , mais tarde fomos companheiros de Rotary Club, ele no Rotary do centro e eu no Rotary da Vila Rezende, clube que ele foi um dos fundadores, junto com Losso Netto. Embora eu não tenha sido um dos fundadores do Rotary da Vila Rezende, eu fui um dos primeiros a serem admitidos no seu primeiro ano de existência. Aos dezessete anos de idade formei-me na Escola de Comércio. Um dos colegas de turma, de carteira escolar, é Tarcisio Mascarim, ele nasceu dois anos antes de mim, convivemos durante todo esse período até hoje como quase siameses. Ele trabalhou na Dedini eu trabalhei na filial ou filhote da Dedini, que é a Codistil. Permaneci na Codistil por 52 anos!



Com qual função o senhor entrou na Codistil?



Tanto eu como o Tarcísio entramos na mais humilde função, o que hoje se denomina office boy . Éramos entregadores de correspondência, ajudante de telefonista, naquela época ficávamos atrelados a telefonista. Os telefones eram muito poucos, precários. Não havia a profusão de ramais telefônicos como existem hoje. A telefonista era uma figura de proa dentro de uma empresa.



Com quantos anos de idade o senhor passou a trabalhar na empresa?



Eu tinha uns 10 anos de idade, usava calças curtas, pés descalços. Hoje falando que iniciei trabalhando dentro de uma oficina de caldeiraria de pés descalços, os defensores da política de erradicação do trabalho infantil encontrariam motivos para realizarem um tremendo processo. Essa postura dos que bradam contra o trabalho infantil é um grande mito. O trabalho sempre foi salutar e dignificante e continuará sendo.



Por quanto tempo o senhor trabalhou descalço?



Logo depois que entrei ganhei um par de alpargatas, porém continuava utilizando as calças curtas. Na naquela época a Vila Rezende era um bairro de operários, a hoje Avenida Rui Barbosa, era uma rua de terra, os trilhos dos bondes estavam assentados em dormentes a flor da terra, com pedriscos, pedregulhos. Sobre o leito da Avenida Rui Barbosa trafegava o bonde, logo abaixo existiam os trilhos da Sorocabana, e mais abaixo os dois trilhos da via férrea do Engenho Central.



Havia tempo para o lazer?



Para as crianças de hoje, rua é um perigo e os pais se preocupam muito com isso. No meu tempo de infância, a rua era a extensão da casa. Permanecíamos praticamente dia e noite na rua, com liberdade total. Era o local de convívio entre amigos e familiares. Nas noites de verão, em frente ás casas, nas calçadas ficavam rodas de famílias conversando, trocando idéias.



O senhor ainda criança nadou no Rio Piracicaba?



Nadei.



O senhor pertencia ao grupo que deixava as roupas á beira do rio, para não molhá-las e nadavam de forma naturalista?



Pertencia também!



Algum dia sumiu as suas roupas das margens do rio?



Isso era comum acontecer! Naquela época a criançada não se apertava muito, não havia nenhum atentado ao pudor. A Vila Rezende era um bairro operário.



Quando o senhor menciona Vila Rezende, na época como era delimitada?



Os traçados das principais avenidas permanecem até hoje, foram encomendados pelo próprio Barão de Rezende, isso permitiu com que a Vila Rezende surgisse como um bairro de Piracicaba e se desenvolvesse. Havia a Igreja Matriz, o Instituto Baronesa de Rezende ao lado, a igreja primitiva foi tristemente demolida. Era um monumento histórico. Eu mesmo ali fui batizado e ali também me casei. A maioria dos vilarezendinos teve a assistência religiosa do Monsenhor Gallo e depois do Monsenhor Jorge, nosso eterno Padre Jorge. Monsenhor Gallo morreu sendo chamado pela maioria dos fiéis como padre, uma questão de habito adquirido pela comunidade. São figuras que tiveram uma atividade espiritual e social muito acima da média, são verdadeiros exemplos.



Como surgiu essa sua vontade de escrever?



Sempre gostei de escrever, fazia meus artigos e publicava no Jornal de Piracicaba, do qual sou um dos mais antigos colaboradores. Em determinada ocasião fui solicitado pelo jornal para fazer uma matéria sobre a Vila Rezende. Fiz despretensiosamente um artigo sobre a Vila Rezende, nessa época eu já era integrante do Rotary Club, Diretor Financeiro e Administrativo da Dedini, á essa altura dos fatos eu já pertencia a diversas instituições de benemerência. O piracicabano tem muito dessa vocação de pertencer, integrar, participar de entidades de benemerência, filantropia, instituições culturais. Após escrever essa matéria, em trinta dias escrevi o primeiro volume de “Memória da Vila Rezende”, o primeiro volume foi publicado em 1980, depois de nove anos fiz o segundo volume. Mais dez anos completei o terceiro volume, ainda não publicado. Já está pronto para ser editado, e aí vem outra dificuldade, a de financiamento.



Como presidente do IHGP o senhor encontra dificuldade em ter seu livro publicado?



O meu livro passa uma enorme dificuldade em ser editado, e não poderá ser editado pelo IHGP, embora seja um livro histórico. Por uma questão de ética, não posso publicar um livro sob os auspícios do IHGP. Deverá levar a chancela do Instituto.



Esse princípio ético é aplicado á diretoria da gestão do senhor?



Não. O IHGP sob a minha presidência e graças aos companheiros de diretoria que tenho hoje, profissionais da mais alta competência, historiadores, escritores, de uma cultura bastante privilegiada, que bem dignifica e exemplifica o que é Piracicaba no meio cultural, nos permitiu instituir uma comissão de publicação, que rege e disciplina todas as publicações do IHGP. As matérias são passadas por um crivo de análise e avaliação feita por uma comissão. Com isso passamos a ter um alto nível nas publicações, aumentamos e consolidamos as obras editadas pelo IHGP. Quando se vê uma matéria com a chancela do Instituto, independente do autor pode ter-se a segurança de que se trata de um trabalho merecedor de crédito e será referencia bibliográfica a partir da sua publicação. Trata-se de um critério utilizado pelas mais conceituadas instituições do gênero.



Qual é a forma predileta do senhor escrever, utilizando máquina de escrever, computador?



É uma mania minha, faço tudo manuscrito. Prefiro escrever á lápis ou com caneta tinteiro. Sempre fui exímio datilógrafo, entrei para a Escola de Datilografia Moraes Barros aos 10 anos de idade, a professora era a Dona Rosinha do Canto Braga. Fui companheiro do Sr. Ricardo Ferraz de Arruda, hoje nome da nossa biblioteca municipal.



Ele era oficial maior, dono de cartório em Piracicaba, e não sabia datilografar! Embora já tivesse até sido prefeito de Piracicaba, á essa altura fomos colegas de escola de datilografia. Eu com meus dez anos de idade e ele com setenta e tantos anos de idade! O Sr. Ricardo era de uma personalidade marcante, que dá orgulho de sermos piracicabanos e lembrar esse episódio.



O senhor tem um livro de crônicas?



Meus amigos dizem que sou um bom cronista, embora eu me considere um aprendiz de cronista, e serei sempre. Foi quando escrevi “O Cantar Do Passarinho”. Revela o lado do cronista para os aspectos do cotidiano. Ao meu entender, o cronista é o historiador nato, ele é o grande colaborador da história de todo e qualquer povo. Retrata com uma sutileza fenomenal os aspectos do cotidiano. Capta aquilo que escapa para a maioria das pessoas, que vê, mas não enxerga. O cronista vê enxerga e sente, e passa para o papel essa sua visão.



Embora o senhor seja um homem de números, demonstra ter uma sensibilidade aguçada.



Á medida que você trabalha com números, surgem números que não são de expressão monetária. Esses números podem representar vidas humanas, feitos humanos.



O senhor publicou um quarto livro?



Foi sobre os 50 anos de vida do Clube de Campo de Piracicaba. Como sócio assíduo, fui convidado a escrever esse livro. Abordei não só os aspectos esportivos e recreativos, mas também os aspectos culturais do Clube de Campo de Piracicaba. Eu já tinha sido diretor cultural do clube, ocasião em que dei a minha contribuição ao clube com a realização de eventos e instituição de eventos que passaram a ser oficiais do clube. Tive o privilégio de me responsabilizar pela reconstrução e preservação do palacete do Conde Rodolfo Lara Campos.



Como era o Conde Lara Campos?



Foi um fazendeiro, um homem de posses, era carioca, estabeleceu-se em Piracicaba, casou-se por duas vezes, construiu esse palacete que é uma bela obra arquitetônica, com o apoio da diretoria procedemos ao tombamento do imóvel justamente para preservá-lo, para que não corresse o risco futuro de vir abaixo, como já houvera intenção nesse sentido, só não foi por intervenção nossa. Foi alegado que o espaço após a demolição seria útil para outro tipo de construção. Como lamentavelmente ocorreu com a casa do Barão de Rezende, antiga prefeitura, veio abaixo a troco de nada. Hoje o que existe naquele local? Um estacionamento ridículo, que fica ao lado da Câmara Municipal e atrás da Igreja Matriz de São Benedito. Colocou-se abaixo uma obra digna de ser tombada não só pelo patrimônio histórico de Piracicaba, mas do Estado de São Paulo.



Como artista plástico, quantos quadros o senhor já pintou?



Essa é outra faceta minha. Devo ter duas centenas!



As suas obras têm um tema central?



Sempre fui passarinheiro. Acho que todo vilarezendino por influência herdada dos próprios índios paiaguás tem gosto pela natureza. Os animais silvestres são a grande riqueza nacional. Todo piracicabano, e em especial o vilarezendino tem paixão pelo papa-capim. Para minha surpresa, um vereador, que não sei se é piracicabano, tomou a iniciativa de formalizar por lei municipal, elegendo a ave símbolo de Piracicaba o curió.

A derrubada de matas para dar lugar aos canaviais, e o uso indiscriminado de herbicida e inseticida, pôs fim a maioria dos animais silvestres.



Qual é a árvore símbolo de Piracicaba?



A árvore símbolo de Piracicaba chama-se Tamboril (N.J. Enterolobium contortisiliquum. Nome Popular: Tamboril, timburi, timbaúva, tambori, timbíba, timbaúba, timboúva, timbó, tambaré, ximbó, tamburé, tamboi, tambor, tamburil, tamburiúva, tambuvé, tambuvi, timbaíba, timbaúva, timbori, timboril, timboúba, timbuíba, timburil, timbuva). Madeira de lei, frondosa, historicamente foi umas das responsáveis pela fixação do povoamento de Piracicaba, porque essa madeira presta-se para a construção de barcos. Os próprios indígenas faziam suas embarcações dessa madeira. È uma árvore frondosa, imprópria para calçadas, mas ideal para praças públicas. A Dra. Waldiza Capranico, é ambientalista, nossa associada, proporcionou nosso primeiro contado com o Sedema, através do Dr. Rogério, presidente do Sedema e a bióloga do Sedema Dra. Gisele, e já em janeiro será iniciada uma campanha de plantio do tamboril, as mudas já estão reservadas.



Sob a presidência do senhor, o IHGP instituiu uma série de palestras pré-determinadas?



Eu e meus companheiros! Fiz questão de ao postular pela segunda vez a presidência do instituto que nós constituíssemos uma diretoria bastante aberta ao diálogo e transparente, para imprimir ao instituto uma idéia de atividade em grupo, desenvolvida coletivamente. Sem a individualidade de impor na condição de ser o presidente.



Embora tome dianteira a decisão do senhor nunca é a única?



Ao assumir a presidência a diretoria constituída passou a ser convocada em reunião permanente, os oitos diretores devem atuar determinar e deliberar as providencias a serem tomadas pelo IHGP.



Porque cultura tem dificuldades em obter recursos?



O primeiro aspecto é que não dá votos ao político! O nosso país está dirigido por grupos que não condiz com o anseio popular, anseio do brasileiro em si. Todos os escândalos que hoje se vê na política nacional, esta vergonha chamada Congresso Nacional, que incorpora o Senado e a Câmara dos Deputados Federais, a base da legislatura brasileira, passa por um período crítico da sua história. Nunca foi tão crítico como hoje! A corrupção que se ouvia antigamente eram migalhas, perto do que vemos hoje, em termos de valores, de efeito social, de mortalidade. Da desgraça da humanidade sai a riqueza de uma minoria. As grandes potências mundiais não estão preocupadas em erradicar os males que acometem o mundo. Grande parte de seus governos são corrompidos. As guerras no mundo não ocorrem por acaso.



Onde entra a cultura nessa história?



Á medida que o povo evolui culturalmente, á medida que se têm melhores escolhas melhores índices educacionais, profundidade na qualidade de ensino, incorpora-se tudo na cultura. Há interesse de quem prima pelas pequenas coisas que ocorrem no dia a dia, há interesse dos cidadãos responsáveis, conscientes, para quem deseja um mundo melhor.



Um psiquiatra da USP afirmou recentemente que o consumismo está empurrando os jovens em uma direção desenfreada enquanto um conhecido economista defendeu o consumo como maquina geradora do progresso. Qual é a visão do senhor?



Formei-me em Economia em 1967, na primeira turma da ECA, por oito anos fui professor de Introdução á Economia e Macroeconomia. Do ponto de vista econômico o consumismo é uma forte alavanca para o desenvolvimento econômico do país. Através do consumo movimenta-se a riqueza. O consumo não exagerado pode trazer benefícios á todos. A crise de 1929 foi saneada pelo Presidente Roosevelt da mesma forma que hoje é feito no Brasil: a distribuição de subsídios á população. Nada se cria tudo se copia.



CICLO DE PALESTRAS:



Hoje, sábado, 31 de outubro, palestra do médico oncologista DR. Rodrigo Ribas Dias Reis tendo como tema: “A Importância do Brasil nas Grandes Navegações do Século XV”.



Local: IHGP á Rua do Rosário, 781



Horário: 9:00 horas da manhã. Entrada Franca.











Dia 28 de Novembro, palestra de Jean-Claude Relegieux tendo como tema: “Engenho Central e Presença Francesa na Região de Piracicaba”



Local: Museu Pedagógico Prudente de Moraes, Rua Santo Antonio, 641



Horário: 9:00 horas da manhã. Entrada Franca.















                               Prof. Dr. Francisco Haiter Neto


PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista / joaonassif@gmail.com
Sábado 17 de outubro de 2009
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://www.tribunatp.com.br/
http://www.teleresponde.com.br/
http://blognassif.blogspot.com/

ENTREVISTADO: Prof. Dr. Francisco Haiter Neto



A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em Piracicaba, realizou, entre 5 e 9 de outubro próximo passado, o 5º Congresso Internacional de Odontologia. Paralelamente, ocorreu a 16ª Jornada Odontológica de Piracicaba. O evento prestou uma homenagem ao Prof. Dr. Carlos Henrique Robertson Liberalli, primeiro diretor da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), em comemoração ao centenário de seu nascimento. Ele foi nomeado por Jânio Quadros em 21 de setembro de 1955 para exercer as funções de instalador e diretor da faculdade onde permaneceu até o final de 1967. Faleceu no dia 26 de setembro de 1970.


O Prof. Dr. Francisco Haiter Neto é o atual diretor da FOP.


Dr. Haiter o senhor é natural de Piracicaba?


Sou de Leme, adoro Piracicaba e principalmente a faculdade. Vim á Piracicaba para fazer mestrado, fiz doutorado em Bauru, o pós-doutorado eu realizei nos EUA. Voltei á Piracicaba, passei a ser o professor titular da área de radiologia odontológica e estou no cargo de diretor da FOP já há três anos e que deve se estender até dia 29 de agosto de 2010.


Qual é a idade do senhor?


Nasci no dia 12 de março de 1964, tenho 45 anos de idade. Para registro, sou o diretor mais novo a ocupar o cargo. Assumi a função aos 42 anos. Desde quando surgiu a FOP sou o décimo primeiro diretor. Sempre gostei da parte administrativa, em 2005 quando estava na defesa do meu concurso de titular, fui questionado quais seriam os meus projetos futuros, visto que estava alcançando o grau máximo dentro da escola, o de professor titular, com pouca idade. Na ocasião eu disse que meu objetivo era de ser o diretor da FOP. Eu adoro a escola, considero que ser diretor muito mais do que conferir importância ou poder, é ter a oportunidade de servir a unidade que tanto prezo.


A atuação do diretor da FOP é semelhante á de um prefeito de uma pequena cidade?


Praticamente é isso! Temos um orçamento, funcionários, dificuldades, a parte administrativa política, a nossa participação junto a toda administração da universidade em Campinas. Além das necessidades fundamentais para o funcionamento físico da unidade, existem os problemas acadêmicos, funcionais, de relacionamentos interpessoais.


Um bom administrador tem que escolher colaboradores com elevado grau de competência?


É importante que o administrador saiba sempre ouvir. Ter calma, ponderar. Toda história tem sempre três versões: a versão do narrador, uma segunda versão de outra fonte, e a terceira que é a de fato o ocorrido. Nessas situações a ponderação é fundamental para conseguir o discernir a versão correta. È essencial ter excelentes auxiliares. Não há tempo suficiente para o administrador abraçar todas as áreas e fazer tudo que deve ser feito.


A clássica figura do “chefe”, diretor de empresa, que passa junto aos subordinados ignorando-os formalmente, é uma postura ultrapassada?


Totalmente ultrapassada! Recebo em meu gabinete o aluno, o funcionário, o professor, a qualquer momento, desde que a agenda esteja livre. Hoje não existem funcionários, são colaboradores. A faculdade gira em função dos docentes, dos funcionários e dos alunos. Considero que é um tripé impossível de ser dissociado. A faculdade não existiria se não tivessem os alunos, funcionários e docentes.


O senhor concentra poder e delega poder, Um ditado popular diz que: “Se quiser conhecer uma pessoa dê-lhe poder”. Isso acontece de fato?


Sim, muito! Esse é um ditado extremamente verdadeiro! Nessas ocasiões é que você realmente conhece as pessoas. Muitas vezes, com um mínimo de poder a pessoa começa a extrapolar, julgam-se donas do mundo, que podem passar por cima das pessoas. Inclusive desrespeitando seus subordinados. Por outro lado, pessoas extremamente humildes, que apesar de deterem poder de decisão, ela não usa da sua posição para obter benefícios pessoais. Isso é próprio da personalidade do indivíduo.


O primeiro diretor da FOP foi o professor Liberalli?


O primeiro diretor foi o Prof. Dr. Carlos Henrique Robertson Liberalli. A história da FOP é muito bonita. Já tínhamos uma faculdade de odontologia. A 18 de novembro de 1914, em reunião no Theatro Santo Estevão, foi fundada a Escola de Pharmácia e Odontologia de Piracicaba, posteriormente chamada de Escola de Odontologia Washington Luiz. Depois de funcionar em vários locais, funcionou na Rua Santo Antonio, 641, antiga casa de Prudente de Moraes, hoje Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes, passando então a chamar-se Escola de Odontologia Prudente de Moraes. Após a Revolução Constitucionalista de 1932, Getúlio Vargas mandou fechar a Escola de Odontologia que funcionou até 1935, formando a sua última turma. Na década de 50 a sociedade piracicabana se mobilizou para que voltasse a ter uma faculdade de odontologia na cidade. A FOP veio de um ensejo, da vontade das forças vivas da época, de voltar a ter uma faculdade de odontologia. Na época ela chamava-se Faculdade de Farmácia e Odontologia, mas nunca chegou a ter o curso de farmácia. Considero como sendo os fundadores todas as entidades e pessoas envolvidas no processo de criação da faculdade: o Jornal de Piracicaba, com Losso Netto, o prefeito Luciano Guidotti, entidades de classe, que batalharam para que a faculdade fosse fundada. O Prof. Liberalli foi chamado para ser o primeiro diretor. Na época o Prof. Liberalli já era um expoente, uma pessoa muito culta, um líder na parte acadêmica, tinha muita credibilidade.


Colocaram a pessoa certa para evitar desacertos?


Exatamente. Foram buscar a pessoa certa porque na fase de iniciação era necessário ter uma pessoa com punho, com respeito, reconhecidamente com poder dentro da sociedade acadêmica.


O prédio utilizado fica na esquina das Ruas D, Pedro I com Rua Alferes José Caetano?


O prédio foi uma doação do prefeito Luciano Guidotti, a prefeitura adquiriu o prédio e passou para a faculdade. A própria faculdade em si era um instituto isolado. Somente após 10 anos de funcionamento ela acabou sendo incorporada a Unicamp. A FOP é um caso bastante peculiar, ela é 10 anos, mais velha do que a própria Unicamp! Quando foi criada a Unicamp existia a Faculdade de Medicina em Campinas e a Faculdade de Odontologia em Piracicaba, na época o Prof. Zeferino Vaz que é o criador da Unicamp junto ao governo estadual, decidiram que iniciariam a Unicamp já com as duas faculdades. O início da Unicamp foi com essas duas faculdades. A FOP sempre foi, e acredito que sempre será uma das unidades mais fortes dentro da Unicamp.


O prédio onde anteriormente funcionava a faculdade pertence a quem?


O prédio da Rua Alferes com a Rua D. Pedro I, foi doado á Unicamp. Ali hoje se realizam dois trabalhos: o curso de Prótese Dentária, gratuito, para a formação de protéticos. E temos a parte social, que é um convenio entre a FOP, a APCD, Arcelor Mittal e a Prefeitura Municipal de Piracicaba, aonde são atendidas 3.000 crianças na faixa etária de 6 a 10 anos de idade, que pertencem á rede municipal de ensino. É um projeto muito interessante, as crianças vão de ônibus fretado para o prédio, lá existe uma sala de aula, a professora vai junto. A matéria do dia é ensinada normalmente, os alunos se revezam na saída da sala de aula dirigem-se até o consultório onde tratam dos dentes, e voltam para a aula normal. A classe inteira trata dos dentes. Há uma merenda que é servida para eles. Esta sendo construído no prédio um novo centro de especialidades odontológicas e faz parte de um projeto grande, que começou com o projeto Pró-Saúde do Governo Federal. A FOP foi contemplada com recursos, estamos atuando com sete Unidades Básicas de Saúde, as UBS, onde colocamos consultórios, nossos alunos vão até lá para atender, fazer parte dos atendimentos á família. Os atendimentos básicos são feitos nas UBS. Os atendimentos mais complexos deverão ser encaminhados para a unidade do centro, onde dentistas e alunos estarão trabalhando em 20 consultórios recém adquiridos.


Nesse prédio deverá existir um museu?


Temos um acordo com a APCD, que já tem um museu odontológico. Estamos cedendo um espaço para a instalação desse museu naquele prédio. A parte superior do edifício está precisando de alguns reparos que estão sendo providenciados pela faculdade e pela diretoria do museu.


O senhor considera relevante a existência desse museu?


Considero que o povo que não tem história não tem futuro. O museu sempre trás ensinamentos. É possível conhecer a odontologia do passado, os equipamentos que eram utilizados assim é que podemos projetar o que existirá no futuro.


Entre as atividades executadas pela FOP existem várias especialidades, uma delas é a Identificação Humana?


Temos diversos setores que presta serviços que chamamos de extensão a comunidade. Um deles é a Identificação Humana, que implica em exames de DNA, de ossadas encontradas em cemitérios, valas. É um processo muito interessante realizado pela área de Odontologia Legal. Temos o atendimento ás gestantes e bebes, até mesmo antes do nascimento é dada a orientação necessária ás gestantes. O Centro de Radiologia Odontológico, que faz exames radiológicos, para os dentistas externos. Atendemos pacientes especiais Em outra área há tratamento oncológicos e de doenças infectocontagiosas, portadores de AIDS, sífilis. Há uma prestação de serviços onde são feitas medições de flúor na água e em dentifrícios. São feitas analises de flúor em água para mais de 40 cidades.


A FOP é o “Hospital de Clinicas” odontológico?


É! Temos uma área de cirurgia bastante atuante, que atende aos pacientes poli-traumatizados, pacientes que colocam implante, pacientes que tem a necessidade de fazer alterações da face. Correções de mandíbulas.


O aumento expressivo de condutores de motocicletas teve como conseqüência um maior número de intervenções?


Temos convênios com hospitais de Piracicaba e região. Nosso serviço é bastante atuante, temos convênios com hospitais de Limeira, Rio Claro, Piracicaba.


O senhor disse que faz parte de seus planos, ao encerrar o período na direção da FOP voltar as suas atividades acadêmicas. Existe a possibilidade de o senhor considerar um convite para ser reitor da Unicamp?


Reitoria! Todo dirigente que gosta de dirigir, gosta de estar presente. Nunca digo não. Digo talvez! Gosto do que faço, sinto-me extremamente realizado como diretor.


Como é a relação da FOP dentro da Unicamp?


A FOP sempre foi muito forte dentro da Unicamp, o nosso segundo diretor o Dr. Plínio Alves de Moraes foi o segundo reitor da Unicamp. Temos um excelente relacionamento com o atual reitor, Dr. Fernando Ferreira Costa, com os pró-reitores, chefes de gabinetes, isso tem trazido um bom andamento dentro dos serviços. Eles costumam dizer que se a administração de um diretor for positiva reflete na própria Unicamp e se for negativa irá refletir também na administração da Universidade.


Existe a construção de uma obra no campus da FOP?


Estão sendo construídas mais duas clínicas, visando a aumentar o atendimento á população carente da região. Como somos uma entidade mantida por recursos arrecadados através de impostos no Estado de São Paulo, temos que dar o retorno para a população mais carente. Posso afirmar que a parte de recursos que são encaminhados ás universidade são muito bem empregados.


O senhor permaneceu por dois anos nos EUA, quais são os comparativos que podem ser feitos tanto de recursos materiais como formação profissional?


Morei na cidade de Seattle trabalhando na Universidade de Washington, de 1997 a 1999. No meu departamento não tínhamos nenhum equipamento tão avançado que nós não teríamos aqui. O que tínhamos era um pouco mais de organização e mais tranqüilidade para trabalhar. Lá tínhamos mais funcionários do temos aqui. Uma das coisas que acredito que ajudou muito o Brasil no desenvolvimento das universidades é a estabilidade da moeda. Principalmente na área odontológica não devemos nada a nenhum país. As faculdades possuem equipamentos de ponta para pesquisa em relação ao mundo. A odontologia no Brasil produz mais de dez por cento dos trabalhos publicados no mundo! Isso mostra o quanto á odontologia brasileira é desenvolvida.


Há estrangeiros estudando na FOP?


Cada vez mais está havendo esse intercambio de estrangeiros. Temos muitos alunos latino-americanos que vem fazer pós-graduação, mestrado, doutorado. Temos alguns alunos latinos americanos e africanos na própria graduação. Cada vez estamos aumentando esse intercambio.


O material utilizado na odontologia em grande parte ainda é importado?


Ainda é importado. O grande problema na odontologia é que o material utilizado ainda é caro. A indústria nacional ainda não consegue fornecer. Na graduação cada vez mais estão ingressando pessoas de baixa renda. A Unicamp tem um programa de afirmação social chamado PAAIS que é um programa de apoio a inclusão social, porém isso gera outro problema, o curso de odontologia é um curso caro, o estudante precisa adquirir seu ferramental. Em conjunto com a reitoria, conseguimos recursos para adquirir kits que são emprestados para esses alunos pelos quatro anos que permanecem aqui. É uma ajuda muito significativa. Em conjunto com a reitoria foi criado para a FOP um auxílio moradia. Após uma triagem, os alunos reconhecidamente carentes recebem esse incentivo.


A Unicamp estabelece cotas para o ingresso do aluno conforme sua ascendência?


Não existem cotas. Acredito que a Unicamp tem o processo de inclusão social mais inteligente possível. Ela fornece para os alunos carentes, que tem toda sua formação na rede pública, são pardos, negros, de origem indígena, pode ser branco mais tem que ser carente. Na média é necessário que o aluno atinja 500 pontos para ingressar na Unicamp, para essas pessoas a universidade oferece de 30 a 40 pontos. Essas pessoas entram para a universidade porque realmente merecem. Um estudo mais interessante é feito pela Unicamp, que acompanha esses alunos depois que entraram. Um ano após o seu ingresso eles não têm nenhum tipo de defasagem com relação aos que entraram sem nenhum tipo de pontuação inicial. Inclusive a maioria esforçou-se tanto que passam a ser os primeiros alunos da sala.





Segunda-feira, Outubro 19, 2009

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS



JOÃO UMBERTO NASSIF


Jornalista e Radialista


joaonassif@gmail.com






Sábado 17 de outubro de 2009


Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana


As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:


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ENTREVISTADOS: ALINE INOCÊNCIO E SILVINO INOCÊNCIO


























A alma básica do ser humano é uma alma nômade. O espírito de busca do desconhecido sempre foi uma mola propulsora da humanidade. Quantos já não se colocaram a olhar para a lua, para o mar, para o infinito, dando corda á imaginação. Nos dias atuais, as notícias correm o planeta no momento em que ocorre o fato. Convivemos com o cotidiano de pessoas das mais diferentes nações. Essa familiaridade nos aproxima de nossos sonhos, e cada ser humano tem o seu. Os cruzeiros marítimos que até pouco tempo eram exclusividades de milionários tornaram-se acessíveis em até suaves prestações mensais. Há algumas décadas o programa de muitos paulistanos era ir até o Aeroporto de Congonhas para ver os aviões saírem ou chegarem. Tornam-se cada dia mais comum embarcar nos aviões e não apenas admirá-los. Algumas passagens de determinados vôos domésticos são mais baratas do que o mesmo trajeto de ônibus. Ir á Europa, Estados Unidos, Oriente, era apenas para os ungidos pela fortuna. Hoje temos muitos conhecidos, que graças a uma programação bem elaborada, conhecem dezenas de países. A similaridade de condições de vida, transporte, alimentação, hotelaria, hospedagem, propiciou a quebra de muitas barreiras estabelecidas pelos idiomas. É interessante falar a língua de outro povo, mas não é fator que impeça uma viagem á qualquer parte do mundo. Profissionais com experiência decidiram oferecer para a cidade de Rio das Pedras e região a possibilidade de acessarem as maravilhas do nosso país e concretizar o sonho de conhecer o exterior. Entre os pioneiros desse empreendimento, destacamos Silvino Inocêncio e Aline Inocêncio.


Silvino você é natural de qual cidade?


Nasci em Piracicaba, no dia 30 de setembro de 1960.


Aline e você?


Sou mineira de Poços de Caldas nasci no dia 12 de junho de 1980. Aos dezoito anos de idade fui ser comissária de bordo, anteriormente denominada aeromoça. Meu início foi na Varig, vim para Piracicaba onde fiz o curso de pós-graduação em Administração Hoteleira no Senac em Águas de São Pedro. Trabalhei em gerencia de hotel, em seguida fui trabalhar em uma conhecida agencia de turismo de Piracicaba. Com isso acumulei 10 anos de experiência na área de turismo.


Aline, seus pais são da área de turismo?


Não, meu pai é oficial do Exército Brasileiro e minha mãe dona de casa.


Qual foi a reação da sua mãe quando você disse que iria ser comissária de bordo?


Minha mãe quase morreu! Ela não gostou, achou que eu não teria família, que era um trabalho muito perigoso. Só que eu não me via fazendo outra coisa.


Quais são os pré-requisitos para exercer a atividade?


É feita uma pré-entrevista, é necessário ter um conhecimento básico de inglês, no mínino 18 anos de idade, 1,60 metros de altura. Muitos vêem o glamour da profissão, acham que são moças simpáticas e sorridentes atendendo as solicitações gastronômicas do viajante. E não é nada disso, o carrinho onde são conduzidos os lanches e bebidas é muito pesado. A chefia geral da aeronave é do comandante, mas as situações de pânico, de atendimento á alguém que está se sentindo mal, situações corriqueiras, isso fica a cargo da comissária. O próprio curso de formação de comissária implica no ensino de primeiros socorros até situações de maiores dificuldades. A profissão exige um controle emocional muito grande.


Antes só os ricos voavam?


Era muito elitizado, hoje voar é um turismo de massa. A relação custo-benefício é muito importante. Até Fortaleza se gasta via terrestre três dias. De avião gasta-se menos tempo e menos dinheiro.


Você realizou muitas viagens ao exterior?


Trabalhando em agencias de viagens, além das viagens de natureza pessoal, já estive em muitos países. Existe um programa chamado fantur aonde eu ia para conhecer os hotéis, os locais em que ficariam hospedados os viajantes clientes da nossa agencia.


Silvino, o brasileiro viaja muito?


Não sei precisar exatamente qual posição ele ocupa na escala de turistas, mas sei que está entre os cinco povos que mais viajam. Nós tivemos a oportunidade de fazer novas amizades, na França, na Itália, em Mônaco, Buenos Aires, sendo que nessas viagens também encontramos pessoas de Rio das Pedras, Piracicaba. Na hora pensamos: Nossa! Aqui encontramos essas pessoas da nossa cidade!


È clássico o turista brasileiro tentar fazer entender-se de qualquer maneira?


Isso é um fato que ocorre muito. Temos um amigo que chegou á uma loja, e em portunhol mostrou ao dono da loja que ele queria um tênis e tentava usando de todos s seus recursos comunicar-se com a pessoa. O dono da loja permaneceu quieto, escutando. Meu amigo disse para mim: “Ele não está me entendendo!”. Eu disse-lhe: “fale de novo!”. Até que o proprietário da loja falou no mais perfeito português: “Eu falo português!”.


Qual é de uma forma geral a sensação do brasileiro em viagem?


Vou dizer pelo que sinto. Primeiro que dá saudade do Brasil. Mas é uma sensação gratificante estar no Champs Elysée, em Paris. Mesmo sabendo que ali para tomar um café e uma água você paga 18 euros, equivalente a 54 reais! O que irá permanecer será a lembrança de que um dia você esteve no Camps Elysée, sentou em um bistrô e tomou um café!


Silvino você já esteve na China?


Já! Estive em Cantão, Dongwan, Hong Kong, Macau. (ex-colônia portuguesa na Ásia), na China o transito é extremamente complicado. Não existe contramão, não há conversão proibida, não tem placa pare, o semáforo tem as três cores mais ninguém respeita nenhuma. A primeira vez em que pegamos um taxi era uma van que nos conduzia do aeroporto para o hotel, o motorista chinês não conhecia a localização do hotel. Quando chegou ao pedágio ele perguntou. A pessoa informou-lhe que ele tinha que voltar, o hotel ficava do outro lado. O motorista simplesmente deu marcha ré por uns trezentos metros! Outra característica curiosa, o pedágio não tem cancela, o responsável pela cobrança após o pagamento feito sinaliza com a mão para seguir em frente. Do hotel onde estávamos filmávamos os carros, as manobras são feitas de tal fora que em determinada hora para tudo! E é interessante que dificilmente você vê uma batida de carros.


Você comeu algum prato típico na China?


Comi. Até por curiosidade. Foi uma serpente, que eles preparam á sua vista.


Cada país tem um aroma característico?


De certa forma sim. Os restaurantes chineses, eu acredito que por usarem óleo de soja não refinado, deixam um forte cheiro de óleo de soja. Em Paris sente-se uma fragrância de perfume. Na Itália, o aroma de pizza, que por sinal é bem diferente da nossa, eu prefiro a nossa!


Aline qual foi o motivo que a levou deixar de ser comissária de bordo?


Eu era muito jovem quando entrei quase uma menina ainda, a imagem que se tem é de um glamour, uma coisa muito linda. Na realidade é uma vida de muito sacrifício. Além de deixar a sua família, não existem dias certos para estar em casa. Você tem que abrir mão da sua vida pessoal.


Em determinada hora a pessoa cansa de ouvir turbinas de avião?


Cansa. Vira uma rotina Muitas vezes você vai até o local de destino, dorme em um hotel e volta. Não há a possibilidade de conhecer o lugar, passear. Hoje trabalhando com turismo, vamos a determinado local conhecer hotéis, ou conhecer um navio. Há pessoas que dizem: “Nossa que gostoso, que delícia!”. Só que nossa atenção está toda voltada para os detalhes do que é oferecido ao cliente. Temos que preencher relatórios é uma vista técnica. Conhecer o tamanho do quarto, a qualidade dos serviços oferecidos. Nós temos que estar super atentos, porque há locais que fazem uma maquiagem para nos impressionar. O que eles nos oferecem durante o período em que estamos avaliando o local não é oferecido ao nosso passageiro.


A capacidade da agencia de avaliar e selecionar torna-se muito importante?


Vemos muitas pessoas vendendo viagens como se vende calça jeans. Isso não existe. Há a necessidade de sentir o que realmente o passageiro precisa, do que ele gosta. O que pode ser um sonho para uma pessoa, para outro pode ser um pesadelo. É interessante não vender baseando-se somente pelo destino para onde todos estão indo. E sim o que ele quer o que irá gostar. Muitas vezes eu gasto duas horas com um passageiro só, entrevistando, pesquisando o que ele realmente espera da viagem. É um trabalho que exige uma psicologia muito grande da parte do profissional da agencia. Não basta mostrar uma imagem de um local, de um hotel. Tem que ser traçado um perfil do viajante, um filtro para saber se ele gosta de um hotel fazenda, onde há múltiplas atividades. Pela própria natureza da pessoa, às vezes ela não quer simplesmente permanecer em estado contemplativo da natureza. É importante satisfazer o passageiro, e não simplesmente atender aos apelos da mídia.


O perfil dos clientes da agencia é para viagem doméstica ou internacional?


Temos tido um pouco de tudo. Hoje saiu um grupo grande para a visita á Maria Fumaça. Viagem para Europa tem vendido bem.


Porque a agencia foi criada na cidade de Rio das Pedras?


Rio das Pedras abriga pessoas naturais de outras localidades e que precisam adquirir passagens para seus locais de origem. Boa parte da população que trabalha nas empresas de Rio das Pedras viaja para outras cidades, outros estados.


Há muita procura de passagens para o Rio de Janeiro?


Bastante, e com o Brasil sediando as Olimpíadas deverá haver uma procura maior. Uma das conseqüências deve ser o aumento da infra-estrutura para o turismo.


O europeu ainda tem a imagem de que no Brasil há cobras atravessando as ruas?


Infelizmente ainda pensa! Acha que só existem índios, carnaval, mulheres nuas. Essa imagem do Brasil com o evento das Olimpíadas deve melhorar. O turismo no Brasil tem que crescer muito, principalmente na mão de obra qualificada. O turismólogo não tem a sua profissão reconhecida.


O que é um turismólogo?


É a pessoa que faz a Faculdade de Turismo, um curso com quatro anos de duração. Fiz a faculdade de turismo em Minas Gerais. O turismólogo planeja os roteiros. Quando escolhemos a cidade de Rio das Pedras para montar a nossa agencia de viagem, fizemos um estudo, pesquisamos estradas, meios de transportes. O turismólogo qualifica as pessoas que vão trabalhar em hotéis, dá o treinamento, gerencia alimentos e bebidas. Se em um hotel os eventos não estão apropriados ele irá formar uma equipe para melhorar esses eventos. É uma faculdade muito abrangente, onde se aprende economia, administração, geografia, história, direito.


Aline, cada povo tem seu habito, isso é muito importante que o turista saiba?


Se uma turista brasileira for a Dubai, não poderá usar o seu habitual biquíni. No curso de comissária foram dadas aulas sobre costumes de alguns países, teve uma comissária que uma vez viu uma linda criança, e passou a mão no rosto dela, um habito nosso de mostrar carinho. Essa comissária levou um tapa no rosto, porque para a cultura daquela mãe a criança é pura, uma pessoa adulta é impura, não pode passar a mão no rosto da criança.


Aline é comum o brasileiro que viaja querer ingerir alimentos semelhantes ao que come aqui?


Tem muitas pessoas que desejam viajar e não querem usufruir da comida do local para onde vão, não querem saborear novos paladares. A idéia de viajar é sair da sua rotina e vivenciar coisas novas. Você deve experimentar o que o local está oferecendo, depois de determinado tempo, se quiser pode comer um arroz, feijão, para matar a vontade.


Silvino completa: “- O prato mais famoso que você encontra em diversos países é a feijoada.”


É uma feijoada igual a que se faz no Brasil?


Não! Em Macau as ruas e alamedas são todas escritas em português. Mas são muito poucos habitantes que falam português. Encontramos dois gaúchos que trabalhavam em um restaurante, fomos lá para comer feijoada. Não dá para dizer que se tratava de uma feijoada. É o mesmo que querer comer acarajé em Macau. O nome pode ser acarajé, só que não é o acarajé que conhecemos. Aline diz: “-Procuramos dar orientações sobre tudo, vestuário, que lugares que são interessantes para conhecer, os passeios que nós denominamos de “tabajara”, é aquele passeio que você perde tempo e é horrível.


O turista gosta de vez em quando fazer um passeio “tabajara”?


Não é por gostar, mas para dizer que esteve lá! Para visitar o Arco do Triunfo em Paris, você paga, sobe uma escada razoável, quando está lá em cima não tem mais nada para ser visto. É uma canseira, um lugar escuro e frio. Se me perguntarem se subiria de novo eu diria que não. Mas existem sempre os que vão pela primeira vez, pagam sete euros e sobem. Se você subir no portal que existe na entrada de Rio das Pedras deve ser mais bonito. Só que lá você está na França!


Silvino, o visto no passaporte de um viajante para a China tem uma particularidade?


Há uma observação, de que se o turista for pego portando droga sofrerá pena de morte.


Já há algum projeto para atender o publico que irá assistir á Copa de Futebol e para as Olimpíadas?


Trabalhamos em conjunto com as operadoras, e elas devem começar a montar os roteiros, a estrutura.


O ex-prefeito Galvão afirma com muito bom humor, que Piracicaba faz parte da Grande Rio das Pedras, assim como Saltinho, Mombuca e localidades próximas. Vocês irão montar uma programação especial envolvendo essa população?


A idéia é dar a oportunidade para que todos que puderem usufruam dessa estrutura, e desfrutem dos grandes eventos que devem se realizar no Brasil. Nunca foi tão fácil viajar. O parcelamento das viagens dá a oportunidade para viajar sem comprometer o orçamento.

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

“ZÉZINHO DA FARMÁCIA DA VILA REZENDE”





PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF

Jornalista e Radialista

joaonassif@gmail.com



Sábado 10 de outubro de 2009

Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana

As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:

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ENTREVISTADO:
JOSÉ ARANTES DE CARVALHO - “ZÉZINHO DA FARMÁCIA DA VILA REZENDE”










Há duzentos anos não havia escolas de medicina e nem de farmácia no Brasil. Quando alguém precisava de tratamento, procurava os boticários ou os hospitais dos jesuítas, que mantinham boticas e produziam medicamentos com produtos que vinham de Portugal e fórmulas aprendidas com os pajés, feitas a partir de plantas medicinais. As primeiras escolas de medicina e farmácia foram fundadas com a vinda de D. João VI e a família real, em 1808. Os médicos a principio aprendiam com os farmacêuticos a arte de formular e manipular cientificamente. Todas as receitas de fórmulas manipuladas traziam a sigla FSA, que significa “Faça-se Segundo a Arte”. Nas cidades tradicionais brasileiras, a farmácia era um ponto de encontro, o lugar de conversa onde se reuniam os "homens bons da terra", as pessoas representativas da administração municipal, o padre, o juiz, funcionários públicos. A farmácia foi, sem dúvida, o embrião de clubes, de sociedades literárias, de partidos políticos etc. Alguns participavam visando melhorar seu status social, estando e sendo sempre visto na roda de conversa dos "importantes" da terra. Com o aparecimento do cinema, e outras formas de diversão esses encontros foram rareando.


Em Piracicaba uma das pessoas mais populares é o Zezinho da Farmácia. Hoje com diversas unidades espalhadas pela cidade, Zezinho com seu carisma pessoal conquistou com sua equipe de farmacêuticos, um grau elevado de confiabilidade da população. O exercício da ética profissional o faz respeitado entre seus pares e junto à classe médica.


Zezinho você nasceu em Piracicaba?


Não. Eu sou de Monte Aprazível, na época a comarca era Mirassol. Meus documentos todos são de Mirassol. Sou filho de Antonio Lopes de Carvalho e Nair Arantes de Carvalho. Meu pai era lavrador, tenho um irmão e quatro irmãs. Nasci no dia 5 de abril de 1930. Fiz o curso primário em Monte Aprazível, depois meu pai comprou um sítio em Tupã para onde nos mudamos. Lá estudei no Instituto de Ciências e Letras Guarani, cujo diretor era o Dr. Sebastião Lins, um advogado.


O seu primeiro emprego foi onde?


Fui trabalhar em uma farmácia, tinha doze anos de idade, usava calça curta ainda. Iniciei como varredor da farmácia, lavador de vidros, naquela época lavava-se muitos vidros para fazer manipulações, lavava-se cálices, grals, gral (terrina, pequeno vaso) de vidro, gral de porcelana com pistilo (espécie de pequeno pilão), eram utilizados para fazer pílulas, pomadas. Havia um jacaré de ferro, com diversas ranhuras em medidas diferentes, com uma dobradiça junto a sua cabeça, usando a sua cauda como alavanca, nós amassávamos rolhas de cortiça para caber no vidro. Isso porque na época havia diversos tipos de vidros e de rolhas e nem sempre o tamanho da rolha era idêntico á boca do vidro á ser tampado. No início pede-se dizer que comecei como servente dos manipuladores.


Qual era o nome dessa primeira farmácia onde você trabalhou em Tupã?


Era a Farmácia São Jorge, o proprietário era Juvenal Arantes Dias, apesar de ser Arantes, não era meu parente!


Com isso você passou a ir aprendendo o ofício?


Fui aprendendo, ajudando os farmacêuticos a fazerem os medicamentos, observando como eles trabalhavam. Após dois anos, um dos farmacêuticos, chamado João Machado Lopes, conhecido como Jango, disse-me: “-Zé você tem condições de fazer esta fórmula?”. Respondi “-Tenho!”. Fiz como ele costumava fazer, ele gostou, eu então fui promovido, passei a ser o titular daquela fórmula. Toda vez que era receitada eles a passavam para que eu fizesse. Era uma fórmula que muitos não gostavam de fazer, dava trabalho, tinha que triturar os sais, triturar a goma, colocar as tinturas, extratos, era bem trabalhosa. Com isso fui me aprimorando e passando a fazer praticamente todo tipo de fórmula.


Com que idade você passou a aplicar injeção?


Acredito que tinha quatorze anos.


Como os adultos viam uma criança aplicando injeção?


A cidade era pequena, todos se conheciam. A farmácia era muito conceituada, e os adultos tinham confiança. Por volta de 1943 a 1944, apareceu a penicilina, com isso a pneumonia, doenças venéreas, tiveram um tratamento mais eficaz. Na época a penicilina era sódica administrada de três em três horas. Passei muitas noites sem dormir, tinha 10 a 12 casas para aplicar injeções. Em determinada época houve um surto de pneumonia em Tupã, com isso eu passava a noite toda trabalhando. Ás seis da manhã, outro funcionário vinha me substituir. Em Tupã começaram a desbravar uma região, inclusive onde meu pai comprou o sítio, quando passaram a derrubar a mata, onde havia o Córrego de Iacã, começou a dar tanta maleita que morria gente na calçada. O hospital estava em construção, a pessoa que já estava doente, caia na calçada e lá morria. Não havia remédio para maleita. Aplicava-se Maleitosan, Maleisin Azul, uma injeção de quinino com azul de metileno, as nádegas da pessoa ficavam toda roxa. Alguns reagiam, mas a maioria morria. Hoje cura-se maleita com apenas cinco comprimidos!


Na época havia médicos em Tupã?


Existiam bastantes médicos, um deles Dr. Valter Montanha Peixoto da Silva, era um baiano, ele fez um ambiente em seu consultório, que era hermeticamente fechado, esterilizado, e operava ali apendicite, cirurgias mais simples, ou de urgências. Ele me chamava para ajudá-lo nas cirurgias.


Você nunca pensou em ser médico?


Pensar, eu pensei. Querer eu queria. Mas não tinha condições financeiras. O curso de medicina exige dedicação de tempo integral e infelizmente meu pai não tinha condições para me manter.


Quantos anos você permaneceu na atividade farmacêutica em Tupã?


De 1942 a 1946, de lá mudamos para Charqueada. Um primo da minha mãe, Seu Cristiano, era farmacêutico, proprietário da Farmácia Luz em Charqueada, ele que nos trouxe. Trabalhei três anos em Charqueada. Após esse período eu vim trabalhar com o Dr. Abério Sampaio, era dentista, professor da faculdade, químico e físico. Era uma pessoa muito importante. Isso foi em 1950.


Qual era a sua atividade?


Era a de manipular fórmulas. A farmácia do Dr. Abério ficava na Avenida Rui Barbosa, na Vila Rezende, chamava-se Farmácia Nossa Senhora Aparecida. Em 1954 ele mudou-se para São Paulo e vendeu a farmácia para mim. Arrumei um sócio e continuamos a trabalhar. Até 1959 continuamos com a Farmácia Nossa Senhora Aparecida.


Foi quando você montou outra farmácia?


Montei a Droga Vila.


Você é uma pessoa conhecida e estimada por muitos habitantes de Piracicaba, particularmente os da Vila Rezende.


Construímos um nome, procuramos sempre tratar as pessoas com bastante amizade, não temos tratamento diferenciado, sempre procurando atender com cortesia, lealdade, honestidade.


Você conheceu a família Papini?


O local onde é a farmácia da Avenida Rui Barbosa, eu comprei do Papini. Quando ele fechou o restaurante eu adquiri os fundos do restaurante e instalei a Droga Vila lá. O restaurante do Papini era ao lado, onde havia o restaurante, o jogo de bocha. Conheci a esposa dele, a Dona Gigeta.


Você conheceu personalidades ilustres da Vila Rezende?


Conheci o Comendador Mário Dedini. Comendador Humberto D`Abronzo vinha ás vezes até a farmácia.


Monsenhor Jorge é seu cliente?


É meu cliente e meu amigo! Ambos somos corintianos!


Você tem lembranças do bonde que passava na Avenida Barbosa?


Lembro-me sim. Havia o trem da Sorocabana passava no fundo da farmácia. O trem do Engenho Central cuja linha ficava abaixo, mais próxima do Rio Piracicaba. A estação do trem Sorocabana mais próxima era a Barão de Rezende.


Você chegou a conhecer os franceses que administravam o Engenho Central?


Fui fornecedor deles por muitos anos.


Conheceu Mário Áreas Vitier?


Conheci muito, era meu cliente.


Você conheceu a Avenida Manoel Conceição no tempo em que era um descampado?


Eu ia fazer injeções de bicicleta. Saia ás sete horas da manhã, levava o álcool para ferver. Era um estojo de metal com um suporte onde acendia o fogo e esterilizava a seringa de vidro.


Você chegou a fazer ou auxiliar algum parto?


Quando vim para Piracicaba Dona Maria (Mariquinha) Caldari, tia do Dr. Pedro Caldari, estava para dar a luz. Quem veio fazer o parto foi o Dr. João José Correa. Ele então orientava: “Zé aplica pituitina”, ou então “Zé aplica orastina”, que são medicamentos indicados para estimular a contração uterina, para facilitar o parto. Ele fazia o parto eu aplicava os medicamentos. Em Charqueda quando as parteiras tinham um parto complicado pela frente chamavam o Dr. Correia, meia hora depois ele estava lá, não tinha chuva ou temo ruim que o detivesse. Eu ia com ele na casa do paciente. Ele nunca deixou de me atender quando eu o chamei. Na época a maioria dos partos era feita em casa.


Quais são as doenças que hoje mais atormentam a humanidade?


A AIDS, o câncer. No momento a H1N1, popularmente conhecida como gripe suína é uma doença perigosa, principalmente para quem adquire o vírus sem estar com suas condições físicas satisfatórias. As pessoas que faleceram já tinham algum tipo de problema, de deficiência. Os demais que contraíram o vírus após o tratamento próprio, saram.


Qual é a sua opinião sobre a homeopatia?


Tenho um amigo, médico, que é grande defensor da homeopatia. Ela produz reações no organismo. É uma medicação centenária, mas é valida, porque ainda funciona.


O principio ativo dos remédios são derivados das plantas?


Nem todos. Hoje existem sintéticos. Mas a maioria é das plantas. A Ipeca (Psychotria Ipecacuanha), por exemplo, é muito comum no Mato Grosso. Ela tem várias ações: expectorantes, diarréicas e tem ação para provocar o vomito. O confrei (Symphytum officinale), utilizado muito pelo Dr. Walter Radamés Accorsi, a canela (Cinnamomum zeylanicum), servia muito para fazer poções.


Atualmente há uma procura muito grande por farmácias de manipulação?


O sal é o mesmo que é utilizado no produto ético. Só que sai bem mais barato. Com isso cresceu muito o número de farmácias de manipulação.


Qual é a receita para a pessoa ter uma boa saúde?


Em primeiro lugar evitar o uso do tabaco e da bebida. Saber comer, e comer regularmente.


O que é saber comer?


É não comer aquilo que possa lhe fazer mal, como carnes muito gordurosas. A digestão a noite é mais difícil. Comer com moderação. Comer muitas frutas, legumes, verduras. A carne tem proteína, só que a soja também tem muita proteína. Tenho amigos que não comem carne de forma alguma, só que eles repõem as proteínas com outros tipos de alimentos. Sabendo comer adquire-se mais saúde.


Está havendo uma conscientização da juventude a respeito?


Acho que a nossa juventude está melhorando. Há exceções.


Existe uma corrente de pensamento afirmando que a o ser humano está doente motivado pela velocidade com que a vida lhe imprime. É comum que as pessoas acometidas por sintomas típicos de ansiedade o procure?


Pelo fato de eu ser muito conhecido na cidade eles vem pedir a opinião da gente. Hoje o stress é muito grande. Aconselho que procurem um psiquiatra.


No conceito popular ainda persiste para alguns desinformados a idéia de que psiquiatra é “médico de louco”?


O psiquiatra é um médico que atende ao paciente procurando conhecer o intimo da mente da pessoa.


Quando a pessoa sofre uma fratura óssea procura um ortopedista, um problema ocular procura um oftalmologista, o brasileiro é muito preconceituoso, e quando está com stress, fica sem saber o que fazer?


Aconselho sempre que procure um médico psiquiatra.


O povo tem condições de ser atendido por médicos psiquiatras?


Infelizmente não tem. Nem todos possuem um sistema particular de saúde. O INPS oferece esse tipo de assistência, mas pela demanda torna-se muito demorado o atendimento.


Você acredita que a paz de espírito adquirida em uma crença religiosa, filosofia de vida, pode suprir a necessidade de um atendimento psiquiátrico?


Pode ajudar muito. A pessoa que acredita em Deus tem uma força muito grande.


Como surgiu o Cesário Mota em Piracicaba?


Teve muito da participação da minha mãe que era espírita.


Abrigava quem?


Pessoas com necessidade de tratamento mental.


O alcoolismo ainda é um dos fatores que provoca doenças mentais?


Cigarro e alcoolismo continuam sendo fatores de grande relevância. O alcoolismo é motivado por ser muito barato, e ambos, tabaco e alcoolismo são socialmente aceitáveis.


Hoje já se inicia uma conscientização, as famílias pressionam. Os médicos ajudam muito.


O terror do farmacêutico é a letra escrita pelo médico na receita?


Era! Hoje vem tudo digitado. Dr. Samuel Neves tinha uma caligrafia terrível, nem ele lia o que ele mesmo escrevia.



Qual é o seu hobby?


Pescar! No ano que vem vamos pescar no Rio Paraguai.


Qual foi o maior peixe que você pescou?


Foi um jaú de uns 40 quilos, no Mato Grosso, Rio Paraguai, eu e meu amigo que estava junto pescando levamos meia hora para tirar ele da água.



Domingo, Outubro 04, 2009

Grupo Oficina Literária de Piracicaba

Caros escritores, amigos e membros do Golp







O Grupo Oficina Literária de Piracicaba - Golp - tem a honra de inaugurar seu blog, um espaço virtual para divulgar a produção literária do grupo que completa vinte anos de atividades em 2009.


O blog também está aberto aos escritores que desejarem publicar seus textos em prosa - contos, crônicas ou artigos - que passarão por uma seleção prévia.






http://golp-piracicaba.blogspot.com/
 





PROFESSORA CONCEIÇÃO WALDIRA BRASIL VIEIRA JOSÉ




PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com


Sábado 3 de outubro de 2009
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://www.tribunatp.com.br/
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ENTREVISTADA: PROFESSORA CONCEIÇÃO WALDIRA BRASIL VIEIRA JOSÉ


O Rotary Club congrega líderes das comunidades em que vivem ou atuam ajudando a estabelecer a paz e a boa vontade no mundo, prestam serviços voluntários não remunerados em favor da sociedade. Fundado por Paul Harris, em Chicago USA, em 23/02/1905, tem hoje representação em 207 países congregando 1.228.910 sócios. É membro permanente das Nações Unidas. Uma Assembléia Internacional de países, só tem três membros que não são países, mas que, pela sua importância, têm assento naquela Assembléia: a Cruz Vermelha, o Vaticano e o Rotary. (Fonte: Haroldo Rodolfo Zacharias, do Rotary Club de São Paulo – Leste. - Distrito 4430). O Rotary Club Piracicaba – Paulista tem como seu presidente Walmir José Rodrigues. Um dos seus diretores é Adalberto Barrichello. Em uma brilhante iniciativa, O Rotary Club Piracicaba – Paulista decidiu homenagear uma personalidade que através do seu trabalho impecável e dedicação exemplar exerceu influência de forma efetiva no aprimoramento moral e intelectual de muitos profissionais que hoje atuam não só em Piracicaba, mas também muito além de nossos limites geográficos. Agraciada pelos méritos dos seus excelentes serviços prestados, tem uma presença marcante, profissionalismo incomum, e que de forma indelével marcou a trajetória dos seus mais de 10.000 alunos. Trata-se da Professora Conceição Waldira Brasil Vieira José, a Da. Conceição, assim que todos a chamavam durante as aulas.
Professora Da. Conceição, onde a senhora nasceu?
Sou filha de Mario Vieira que pertencia á família tradicional de Capivari, minha mãe é Zoraide Brasil Vieira, sou nascida em 29 de setembro, na parte central de Piracicaba, na Rua Santa Cruz.
A senhora foi a única filha do casal?
Tenho a minha irmã Clélia, também professora, hoje aposentada, e meu irmão Waldemar formado como engenheiro agrônomo e que reside em Fernandópolis. Meu outro irmão é o Dirceu, também engenheiro agrônomo e que mora em Limeira.
Qual era a atividade do pai da senhora?
Ele trabalhava na Companhia Telefônica e mamãe era professora primária, lecionava em Taquaral. Primeiro ela foi lecionar em Itu, em uma linda fazenda.
Seus primeiros estudos foram feitos em que escola?
Comecei fazendo o jardim de infância no Assunção, em seguida fui estudar com a minha tia Hermantina Brasil. A minha primeira professora, foi a minha mãe. Pela pouca idade, eu era considerada como ouvinte, até que o inspetor resolveu me matricular na escola. De lá saí e fui para o Sud Mennucci. Depois fui para o Assunção outra vez.
A senhora conheceu Thales Castanho de Andrade?
Ele era amigo do meu tio. Tive aula com Benedito Dutra, Seu Rossini.
O que a levou a seguir a carreira de professora?
Foi por influencia do meu tio Dario Brasil. (N.J. Advogado e professor de latim, Dr. Dario Brasil foi o primeiro presidente do Centro Cultural e Recreativo Cristóvão Colombo de Piracicaba.) Ele que me levava ao seu escritório e fazia ler as lições em latim. Isso me motivou a ir estudar Letras na Pontifícia Universidade Católica em Campinas, onde tive um grande professor de latim, Francisco Ribeiro Sampaio.
A senhora é uma das poucas professoras que na época cursaram uma faculdade?
Daqui era eu e a Maria Tereza Coelho, que atendeu a um convite que fiz á ela.
Durante o período em que estudou na PUC em Campinas, onde a senhora residia?
Morava no Pensionato Nossa Senhora de Lourdes. Por quatro anos freqüentei a faculdade. Já que eu saí de lá prestei o concurso para lecionar, quem fez a escolha do local onde eu iria dar aulas foi o Sr. Luiz Schimidt, que foi até São Paulo, levando uma procuração minha autorizando-o a escolher a localidade. Acho que ele gostou do nome Santa Rosa de Viterbo e escolheu lá. Uma cidade boa, gente muito acolhedora. Permaneci por uns três anos em Santa Rosa do Viterbo. Nessa época saiu à relação de vagas em Piracicaba, e uma das cidades com vaga disponível era Porto Feliz. Meu tio Dario Brasil disse: “Porto Feliz é um porto feliz! Meus antepassados nasceram lá, gostaria que você escolhesse essa cidade”. Eu disse-lhe: “– Eu não gostaria!”. Na verdade eu não queria sair de Santa Rosa de Viterbo. Para agradar o padrinho, escolhi Porto Feliz. E foi meu porto feliz! Lá eu permaneci mais tempo, eu sempre gostei de lá!
Antes de ir lecionar em Santa Rosa do Viterbo, por indicação do Sr. Mello Ayres, eu fui dar aulas no Externato São José, que funcionava no prédio onde mais tarde foi a Faculdade de Odontologia. Quando eu estava subindo as escadarias logo na entrada, uma irmã disse-me que eu era ainda muito criança para lecionar. Eu disse-lhe: “- A senhora é tão jovem e já é diretora!”. Não sei de que forma ela resolveu o assunto, mas passei a ser professora da escola.
Por qual motivo Porto Feliz a conquistou?
Achei o Jamil! Foi lá que eu conheci o Jamil. Ele tinha um sistema de alto falantes. Depois ele mudou-se para Aparecida, onde ficou por vários anos.
Como foi o seu encontro com o Jamil?
Foi bonitinho! Éramos várias professoras que morávamos em uma casa, na rua principal, inclusive a Professora Flordelis morou lá. Havia um restaurante quase em frente a nossa casa, nós tomávamos nossas refeições lá. Tínhamos uma empregada que cuidava da casa. Era uma casa grande de uma senhora que a repartiu e alugou metade para nós. Na frente morava uma família de sírios. Muitos amigos dessa família iam visitá-los. O Jamil José Neto era parente dessa família, um dia ele veio de Aparecida. Foi assim que o conheci.
Assim começou o namoro, conforme as regras da época, que eram bem rígidas?
O Jamil morava em Aparecida, aos sábados eu vinha para Piracicaba. Casamos depois de um ano.
O que a impressionou mais no Jamil, a voz ou a aparência física?
O coração dele!
Onde foi o casamento?
O casamento civil foi em Piracicaba e o religioso na Basílica de Aparecida do Norte, o celebrante foi o Padre Galvão, do mesmo ramo da família de Frei Galvão. Foi um casamento muito bonito, obedecendo aos rigores da liturgia.
A senhora sentiu-se realizada?
Eu me senti realizada. Digo sempre ás crianças (filhos), que eu tive uma infância feliz, meus pais era muito bons, adolescência também, embora tenha ido muito nova para Campinas, de 15 a 16 anos de idade.
Para a época a senhora era destemida?
Eu era porque o meu tio Dario dizia que se tinha idade para fazer o curso deveria fazer, se não tinha idade iria fazer o curso do mesmo jeito! Ele providenciou a minha emancipação para que eu pudesse estudar.
Em Aparecida do Norte a senhora permaneceu quanto tempo?
Por dois anos aproximadamente. A seguir vim para Piracicaba, lecionei no Sud Mennucci, substituindo meu tio Dario Brasil. Depois prestei concurso, passei, e escolhi o Colégio Dr. Jorge Coury, que funcionava no prédio ao lado da Igreja dos Frades. Depois de uns meses chegou o Seu Arlindo Rufatto como diretor.
A senhora é uma das pioneiras do Colégio Dr. Jorge Coury?
Acho que das professoras efetivas devo ser.
O Diretor Arlindo Rufatto era muito rígido?
Era sim. Eu gosto disso, acho que precisa para andar tudo na linha. Comecei lecionando para a quarta série, depois passei a dar aulas para o colegial, e assim sempre dei aulas no colegial.
A senhora tem noção de quantos alunos já teve?
Eu tinha as anotações com o nome dos alunos, mas na mudança de residência extraviou-se. Cada classe tinha em média quarenta alunos, eram várias turmas, eu lecionava de manhã e a tarde, quarenta anos trabalhando, eu acredito que foram mais de 10.000 alunos.
Como era a relação da senhora professora de português com o seu marido Jamil que sempre trabalhou na área de comunicação?
Interessante! Eu admirava no Jamil a sua capacidade de se expressar muito bem, falava muito bem. Ás vezes ele titubeava um pouco quando escrevia. Mas como ele falava bem!
A senhora ficava ouvindo-o?
Eu ficava! Eu gostava muito do programa que ele apresentava na rádio em Aparecida. Era música ao entardecer. Esse programa eu ouvia desde Porto Feliz.
A senhora morava em Porto Feliz e sintonizava o Jamil Neto transmitindo pela rádio em Aparecida do Norte?
Era isso. Só que não éramos casados ainda.
Ele dizia-lhe algo no ar, durante as suas transmissões?
Quando ia a algum lugar longe ele dizia sim.
Era do seu agrado as narrações de futebol feitas pelo seu marido Jamil Neto?
Eu gostava muito, achava que ele narrava muito bem.
Ele torcia para que time?
Ele torcia pelo Palmeiras e eu pelo São Paulo. Cheguei a visitar o Maracanã.
E carnaval a senhora gostava?
Ah! Carnaval! Gostei de carnaval, dançava. O Jamil foi diretor da escola de Samba Equiperalta, juntamente com meu irmão Dirceu, mais tarde foi diretor da Zoom-Zoom.
Alguns dos seus alunos eram orientados para se apresentarem em público?
Tenho muito a agradecer ao Dr. Jairo Ribeiro de Mattos, eu levava os alunos para apresentarem peças no Lar dos Velhinhos. Acredito que isso ajuda a educar. Ele foi muito atencioso, colocou o Lar a disposição para levar os alunos para as apresentações. Há pouco tempo recebi a visita de uma aluna que mora em uma cidade do sul do país, ela não sossegou enquanto ela não fez uma apresentação na cidade onde reside da peça Os Saltimbancos. Isso de tanto que ela gostou quando se apresentou no Lar dos Velhinhos.
Seus ex-alunos a visitam muito?
Após a minha mudança de residência diminuiu o número de visitas, acredito que seja por não conhecerem o meu novo endereço. Gosto de receber os amigos.
Nos dias atuais, lecionar em algumas escolas tornou-se uma tarefa quase impossível, o que mudou?
Acho que um pouco da culpa é dos pais. Eles não ensinam aos filhos que devem respeitar o professor, sobre a necessidade de estudar direitinho. Isso vem do berço, as famílias têm que amparar as suas crianças. Estabelecer liberdade com limites.
Qual é a visão da senhora sobre as mudanças gramaticais?
Sinceramente só li o comentário de um professor dizendo que essas mudanças foram desnecessárias.
Temos uma figura pública de grande destaque, que em suas falas comete erros grosseiros, isso é reflexo da cultura popular?
Em parte sim. Mas acho que também depende da própria pessoa. Se eu ocupo um cargo importante eu tenho a obrigação de me preparar para exercê-lo.
O brasileiro gosta de ler?
Infelizmente não. Eu sempre fiz meus alunos lerem, para despertar o costume da leitura.
Os jovens atualmente preocupam-se em comunicarem-se em mais de um idioma, motivados pela concorrência profissional. Alguns não conhecem o próprio idioma. É uma atitude sem sentido?
Acho que devemos trabalhar primeiro a nossa língua. Tem alguns dizendo “Nóis vai” e depois falam inglês! Será que os naturais de outros países fazem isso por lá? Tive vários correspondentes quando estava na faculdade, inclusive uma do Hawai, o nome dela era Eisel, ela escrevia alguma coisa em português e não errava. Falta dedicação de nossos alunos.
Quem são seus autores brasileiros prediletos?
Primeiro Machado de Assis. Tenho outros. Em cada autor encontro alguma coisinha. A leitura faz com que o leitor imagine os personagens e dê vida á eles.
O livro é sempre melhor do que o filme?
O livro é melhor! Tem que fazer a imaginação trabalhar.
Dizem que a língua portuguesa é complexa para quem não a conhece, a senhora concorda?
Eu acho que sim. Realmente é uma língua difícil, mas é tão bonita! Um autor que eu sempre admirei foi Camões, o professor exigia que lêssemos Os Lusíadas.
Lembra-se de um trechinho?
“As armas e os Barões assinalados / Que da Ocidental praia Lusitana”, e ai vai! Gosto do episódio da Inês de Castro, Adamastor. Para mim Camões foi o autor completo. Ele conhecia bem a métrica, para fazer aquelas rimas, conhecia bem o português, conhecia geografia, história, conhecia a humanidade. Eu sempre admirei Camões.
A senhora tem algum hobby?
Até pouco tempo me apaixonei pelas orquídeas. Adoro mexer com plantas.
A senhora gosta das novelas transmitidas pela televisão?
Geralmente não assisto. Quando passou a novela “Caminho das Índias” eu assisti, achei muito interessante.
A senhora sempre foi considerada uma professora “linha dura”, qual sua visão a respeito?
Eu tinha prazer em ensinar, e ficava feliz quando o aluno se interessava pela matéria. Tive excelentes alunos.
O que a senhora acha dos autores Jorge Amado e Paulo Coelho?
Uma vez eu estava na biblioteca do Colégio Jorge Coury, juntamente com a professora Bernadeth Balás, chegou uma professora e disse para ela: “Porcaria esses livros aqui! Isso para “O Tronco do Ipê” de José de Alencar, outro era “O Guarani”, do mesmo autor. Eu disse-lhe: “- Você já escreveu algum livro?”Ela respondeu: “-Não!”Eu falei: “Eu também, nunca escrevi um livro, mas como gostaria de escrever! Se eu tivesse um pouquinho do José de Alencar, seria tão bom!”. Acho que se a gente não é capaz de escrever um livro de tal monta, não deve criticar.





ANTONIO CELSO RIBEIRO DA SILVA

                                                      



PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com


Sábado 26 de setembro de 2009
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://www.tribunatp.com.br/
http://www.teleresponde.com.br/
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ENTREVISTADO: ANTONIO CELSO RIBEIRO DA SILVA


O Dicionário da Comunicação de Carlos Alberto Rabaça e Gustavo Barbosa define como sonoplasta: “o profissional responsável pela sonoplastia, que por sua vez consiste na seleção e adequação de todas as sonorizações e efeitos sonoros, editados previamente, gravados ou montados ao vivo, necessários à produção de filme, peça teatral, programa radiofônico ou de TV, de acordo com as exigências do roteiro”. A grande magia do rádio que tanto encanta o ouvinte é a sua própria imaginação. Ao ouvir o locutor, os efeitos sonoros executados no momento correto e de forma adequada, a incrível e pouco conhecida atividade do cérebro humano cria um mundo imaginário indescritível e peculiar, único para cada um dos milhares de ouvintes. O número de ouvintes será sempre maior quanto maior for sua identificação com o programa apresentado. Um conceito simples, que exige uma boa produção, momentos corretos de intervenções, sincronia perfeita entre o locutor e o sonoplasta. Antonio Celso Ribeiro da Silva, o Celso Ribeiro, é uma figura lendária do rádio piracicabano. Com criatividade está sempre procurando algo de novo. Respeitada as dimensões de cada veículo de comunicação Celso Ribeiro é o Hans Donner piracicabano, que criou a marca da Rede Globo e é o responsável pelas vinhetas e peças de abertura de muitos dos programas da Rede Globo. Em um clássico programa da Rádio Difusora de Piracicaba, Celso criou para a abertura o ranger de uma porta se abrindo. Apareceram várias empresas querendo colocar seu nome “colado” ao ruído.
Celso Ribeiro você nasceu onde?
Nasci em 25 de março de 1948, aqui em Piracicaba, bem em frente a Igreja dos Frades. Tive o previlégio de ser batizado logo que nasci, pelo fato da proximidade da igreja, Frei Evaristo foi quem me batizou. A casa do meu pai ficava onde hoje é o jardim defronte a Igreja dos Frades, era uma pequena praça com algumas casas ao fundo. Meus tios cuidavam das roupas, tanto dos frades como da igreja. Eles tinham uma casa cedida pelos frades para residirem. Eu sou filho de Antonio Ribeiro e Ana Luiza Ribeiro. Meu pai era pedreiro, com o tempo passou a ser empreiteiro de obras. Em 1968 ele foi convidado para fazer uma reforma na igreja da Penha, em São Paulo. Depois passaram a construir a matriz nova da Penha, ele passou a morar em uma casa atrás da igreja com uso vitalício. Lá ele faleceu assistido pelos padres.
Você chegou a residir lá?
Não, porque eu já tinha minha vida profissional encaminhada aqui em Piracicaba. Eu ia visitá-lo regularmente.
Você tem algum apelido?
Tive quando era moleque, eu jogava “bem” bola! Me apelidaram de Pé-de-Rodo. Quando chegava aos meus pés eu chutava, e a bola saía, indo as vezes parar em um riacho próximo. Quem me colocou esse apelido foi o Ademar Lorenzi que era colega de infancia.
Você estudou onde?
Estudei no Grupo Escolar Barão do Rio Branco, juntamente com Edirley Rodrigues, famoso jornalista e radialista de Piracicaba. Estudei por um período também no Dom Bosco.
Com quantos anos você começou a trabalhar?
Com oito anos de idade eu era obrigado a sair do Grupo Barão do Rio Branco, vir para casa, coletar esterco para a horta mantida pelo meu pai na Rua Riachuelo. Depois pegava um carrinho de pipoca e ficava vendendo em frente a Catedral até umas cinco horas da tarde. Aos doze anos de idade fui trabalhar na Fábrica de Bebidas Del Nero, de propriedade do Seu Armando Del Nero, alí na Rua Boa Morte, em frente ao Lar Escola .
Fui designado para engarrafar a Caninha 21. Existia uma espécie de cone que era aberto por um mecanismo, as garrafas vinham por uma esteira. Muitas vezes o cone enroscava, eramos obrigados a submeter o cone a uma determinada pressão, isso feito com a boca!
Das sete horas da manhã até as onze horas quando minha mãe trazia o amoço, involuntáriamente eu já tinha ingerido uma boa dose de aguardente pelas vezes que tinha que intervir no sistema de engarrafar.
Em seguida você trabalhou onde?
Do Del Nero fui trabalhar em uma fábrica de beneficiar algodão, propriedade do Seu Benedito Grisotto, a fábrica ficava na Rua Alfredo Guedes, próximá Rua Riachuelo. Isso foi em 1961. Em 1963, um amigo, o Jair Lacava trabalhava como operador de som na Rádio Voz Agrícola do Brasil, que ficava na Rua XV de Novembro, bem na praça, onde hoje funciona um supermercado. Na época era uma padaria, a rádio ficava no andar superior. Eu fui visitá-lo. Ele perguntou-me se eu gostaria de trabalhar em rádio. Disse-lhe que sim. O gerente era o famoso José de Oliveira Garcia Neto. O Jair, em uma brincadeira, colocou-me ao telefone, falando com um seu amigo, da Rádio Difusora de Piracicaba, imitando a voz de Garcia Neto. O pseudo Garcia Neto disse-me: “-Você quer trabalhar comigo na Rádio Voz Agrícola, lá pelas duas e meia, tres horas da manhã, você vem e me espera que eu logo chego”.
Qual foi a sua reação?
Voltei para minha casa, muito entusiasmado, dizendo para a minha mãe: “-Vou trabalhar em rádio”. E fui dormir, Á meia noite minha mãe me acordou, deu a minha melhor roupinha, e ás duas horas da madrugada eu estava na Rua XV de Novembro, esperando o Seu Garcia, que chegou por volta das dez horas da manhã! Quando ele chegou, contei á ele, que tinha recebido a sua ligação convidando para trabalhar na rádio. Foi uma risada só! Provavelmente comovido pelo fato ele disse-me: “Pode começar a trabalhar hoje mesmo!”. O prefixo da Rádio era “ZYR 209 Rádio A Voz Agrícola do Brasil de Piracicaba uma das emissoras da Rede Piratininga”.
Qual foi a sua primeira função?
Aprendi a operar a mesa de som, e logo em seguida o Dalgo Migliori que fazia o famoso programa chamado “Manhã na Roça” me colocou fazendo a mesa e ao mesmo tempo a locução. Passei a exercer mais a locução do que a mesa. A música que fazia maior sucesso era “Banho de Lua”!
A rádio mudou de local?
Isso foi um pouco antes do Comurba cair, a rádio mudou para a Rua Moraes Barros, 1191. A Voz Agrícula era da Rede Piratininga de São Paulo, que competia na época com a Rede Panamericana de Rádio, hoje Jovem Pan, com a Rede Tupi de Rádio, 1040 e com a Rede Bandeirantes.
Quando você decidiu dedicar-se á sonoplastia?
Eu era muito jovem tinha 17 anos de idade, havia um rigoroso critério para as palavras ditas no ar. O que provavelmente hoje passaria como brincadeira, na época foi motivo de critica de alguns companheiros. Troquei as palavras “tomar sopa” por “comer sopa”.
Foi o suficiente para que eu me sentisse pouco a vontade diante do microfone. Passei então a dedicar-me a mesa de som, a ponto de ser classificado por Roberto Moraes Sarmento como o primeiro sonoplasta da cidade. Eu gostei tanto que permaneço até hoje.
Celso como eram os discos da época?
Peguei o período do acetato, do 78 rotações, compacto duplo, compacto quadruplo que eram duas músicas de cada lado.
E para achar o ponto certo, onde iniciar a música?
É onde entra a arte! Lembro-me de uma ocasião em que Roberto Moares Sarmento me chamou, assim como a Enedes Faustino e o Jean Baron. O pai do Jean Baron passava filmes aos domingos no Oratório São Mário. A proposta do Roberto Moraes Sarmento era a de fazer a primeira rádio-novela do interior do estado. Fiquei encarregado da sonoplastia, os capitulos eram feitos ao vivo. A Enedes Faustino fazia diversos papéis femininos. Isso foi em 1964. Eu fazia a sonoplastia, fundo musical, isso que hoje vemos nas novelas de televisão. Havia o improviso, por exemplo um cavalo. (Celso com muita habilidade batuca com as mãos o trote de um cavalo). No estúdio criávamos chuva com o barulho de papel celofane. Era tudo improvisado. Isso foi na Voz Agricola, onde permaneci até 1967. Depois fui trabalhar no Frigorifico Piracicaba , do Seu Altamiro Garcia doNascimento, como faturista, o Rui Fernando Coutinho que trabalhava na rádio comigo foi quem me levou para lá.
Quando você voltou para o rádio?
Waldemar Bilia era o diretor artístico da Rádio Difusora e eu fui pedir serviço para ele em 1968. Ele disse-me que eu era bem indicado, havia trabalhado com Ari Pedroso, Moraes Sarmento, Dario Correia. Em 1 de abril de 1969 entrei na Rádio Difusora de Piracicaba, onde estou até hoje. São 40 anos de Rádio Difusora. Quando entrei a diretora era Dona Maria Conceição Figueiredo, depois ela passou a rádio para o seu sobrinho José Roberto Soave, falecido em 1997 e atualmente suas filhas Daniela, Andréia e Roberta comandam a rádio.
A Difusora teve um período onde os programas de auditório ficaram famosos?
Trabalhamos juntos com Nhô Serra, Pedro Chiquito, Parafuso. A minha falecida sogra adorava ver Pedro Chiquito cantar a bíblia. Ele escolhia um trecho da bíblia e cantava. Eu o levava para a minha casa, minha sogra fazia o jantar para ele, e não o deixava sair antes das 10 a 11 horas da noite. Ele morava no Jupiá, eu o levava para a sua casa. Outros também frequentavam o auditorio da rádio, como Barbosinha, Moacir 70, que é o Moacir Siqueira.
Por que o chamavam de Moacir 70?
Ele era jovem na éoca, diziam, está ai o homem da virada da década!
Quais eram os programas de grande sucesso na época?
Eram o cururu, o programa do Waldemar Bilia “Rádio Atrações Morro Grande”, que distribuia muitos premios, havia um conjunto musical. O programa infantil que o Atinilo apresentava aos domingos pela manhã, foi onde surgiram muitos talentos, conjuntos, o Som Eco 2000 apareceu ali, assim como o The Finders.
Voce tomou lanches no Karamba`s?
Ficava embaixo do Clube Corenel Barbosa, na esquina. Era do Celsinho Elias, da Renata Elias, do Toninho Elias. Existia o Bar Nova Aurora, do Chacrinha, fechavamos a rádio a uma hora da manhã e íamos para lá. O Bola Sete que ficava na Rua São José entre a Rua Governador Pedro de Toledo e a Rua Benjamin Constant. O Bar do Tanaka, que ficava na Rua São José, em frente ao Teatro São José, foi um dos bares mais famosos, além das boas companhias, tinha o famoso: “Tanaka marca ai pra mim”. Em 1969 fui ver a descida do homem na lua no Restaurante Brasserie. Era talvez o único restaurante da cidade que tinha televisão, ainda no sistema preto e branco. Coloquei um LP para rodar na rádio e fui correndo ver.
O que você diz do gravador de rolo?
Lembro-me do gravador Akai 4000 DS. Em uma partida de futebol, cada vez qua era marcado um gol colocavamos na fita do gravador um papelzinho, para ter a noção do lugar da fita onde tinha sido narrado o gol. Depois veio o gravador com o conta giro. Zerava o conta giro e marcava, no giro 400 tem o gol do XV. Tem uma passagem curiosa, um operador de som que eu ensinei, hoje ele exerce a função de advogado, durante uma partida de basquete ele marcou com papelzinho cada cesta, voce pode imaginar a quantidade de papelzinho que havia no rolo de fita. Rádio era uma diversão, não existia rádio em FM, a televisão era em preto e branco e pegava mal, muitas antenas tinham um bombril em cima para sintonizar melhor. O profissional de rádio era bem quisto, e nós tinhamos que corresponder á esse respeito.
Hoje você continua trabalhando na Rádio Difusora?
Estou trabalhando no horário da meio dia ás seis da tarde, já uns 32 anos. Faço a mesa de som e ajudo a produzir o programa. Crio teste musical, piadas. Infelizmente muitos programas deixam muito a desejar na parte artística. O lucutor faz a locução e opera a mesa. Como pode ainda exercer a sua criatividade? Eu, Robson Valério e Dinho Morelli, fazemos horários juntos, criamos diversas formas de interagir com o ouvinte. Esse diferencial é que atrai o ouvinte e eleva o nível de audência.
Você é perfeccionista?
Sempre fui e continuo sendo até hoje. O conceito social de rádio mudou muito.
Provavelmente voce deve ter conhecido muitas pessoas em início de carreira e que tornaram-se astros?

Conheci sim, entre eles Francisco Milani , Fiori Giglioti que chegou a transmitir vários jogos para a Difusora, Gil Gomes que morava em uma pensão na Rua Boa Morte, foi embora de trem para São Paulo. Ari Pedroso, Waldemar Bilia, Antonio Sérgio Piton, Idalício Castellani, Ulisses Michi, Roberto Cabrini, Julio Galvão, o famoso Trio Itujuval.. O Atinilo José tinha o Show das Três, em uma época o programa passou a premiar quem cumprisse uma tarefa. A disputa foi tomando tal proporção que se formaram até escuderias para participar, criando equipes com a EkypéXato, Zoom-Zoom, EkyPeralta e Ekypelanka, que passaram a disputar a Gincana Difusora.. De escuderias passaram a formar escolas de samba. A Banda do Bule foi criada embaixo da Rádio Difusora, tanto que se chamava Banda do Bule porque o Balassini, que era um dos sócios da Agencia Gianetti, tinha também uma lanchonete chamada Café “O Bule”. O falecido Alceu Righetto, o Fagundinho, João Sachs, criaram ali a Banda do Bule.
Na Praça José Bonifácio, na esquina com a Rua Prudente de Moraes havia a Sorveteria Paris?
Era do Keiji e do Show, são nomes de origem japonesa, mas que pronunciavamos assim por ser mais próximos da nossa lingua. Era sorveteria e pastelaria. Onde hoje é o Edifício Canadá havia a Padaria Vosso Pão.
Você conheceu Roberto Carlos?
Ele adquiriu um rancho em Artemis, era muito amigo da família Rossi de Piracicaba, Seu Narciso Rossi e Dona Semiramis Rossi eram proprietários do Bar e Café Seleto, na Rua Prudente de Moraes entre a Praça José Bonifácio e a Rua Governador Pedro de Toledo. Eles eram tios da Eunice Rossi que foi a primeira esposa de Roberto Carlos. Na época ele chegava em Piracicaba, parava na Agencia Gianetti, isso por volta das oito a nove horas da noite, comprava as revistas que falavam dos artistas. Ele vinha de Cadilac. Muitas vezes trazia a Wandeléia, a Martinha, Erasmo Carlos que é uma pessoa muito atenciosa. O Gato que era o baterista do conjunto RC-7. Eu apresentei uma tarde de autografos do Don da dupla Don e Ravel no Clube Regatas.

Domingo, Setembro 20, 2009

"Não é o tempo que nos falta - é a serenidade para pensar noutra coisa além do alarmante assunto de todos os dias."
Euclides da Cunha

Sábado, Setembro 19, 2009


ORIVALDO TRIMER




PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS


JOÃO UMBERTO NASSIF

Jornalista e Radialista

joaonassif@gmail.com



Sábado 19 de setembro de 2009

Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana

As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:

http://www.tribunatp.com.br/

http://www.teleresponde.com.br/

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ENTREVISTADO: ORIVALDO TRIMER





Orivaldo Trimer é descendente de russos que imigraram para o Brasil, mantém características físicas típicas, com um metro e oitenta centímetros de altura, conserva o corpo em forma, dono de uma grande força física. Os imigrantes da Letônia, considerados russos eram bons agricultores. A vinda dos primeiros contingentes de Letos para Nova Odessa foi em 24 de junho de 1906, abrangia terras que hoje compõem Nova Odessa e municípios vizinhos. A saga da família Trimer se assemelha a de muitos imigrantes que lutaram contra muitos obstáculos: língua, costumes, clima e a luta infindável pela sobrevivência. Orivaldo é filho de Alfredo Trimer e Paschoa Grivol Trimer. Nascido em Tupi, em 22 de julho de 1939 é casado com a piracicabana Neusa Helena do Amaral Trimer desde 1968, casamento realizado na Matriz da Vila Rezende pelo Monsenhor Jorge.


Seu pai Alfredo Trimer foi proprietário de um estabelecimento em Caiubi?


Meu pai tinha um armazém em Caiubi, Foi lá que ele se tornou um grande amigo de José Nassif. O Seu José transportava açúcar da Usina Furlan e passava diariamente pelo armazém do meu pai. Eu saí de Caiubi com 11 anos de idade e fui para a Fazenda Cachoeira em Artemis. A nossa família toda se mudou para lá, fomos plantar cana de açúcar, a propriedade era do Dr. Freitas. Em 1956 fui campeão de ciclismo em Artemis, com uma bicicleta suíça, marca Nata, acho que foi a única que existiu no Brasil! Nós vínhamos de Artemis até Piracicaba de trem, descíamos na Vila Rezende e apanhávamos o bonde para economizarmos. O preço do trem da Vila Rezende até o centro era mais caro do que o bonde. Essa economia era importante para nós naquela época.


O armazém em Caiubí não prosperou?


No início era um bar, ia indo bem, vendia-se muito bem pão, “frangava” (negociava com os famosos “frangueiros”, comerciantes que percorriam as localidades rurais levando principalmente armarinhos, pães doces, muitas vezes até cortes de tecidos. Uma característica peculiar é que o carrinho de tração animal tinha abaixo do seu piso uma gaiola, onde eram transportados os frangos vivos. As negociações eram feitas por permutas com frangos, ovos, queijos, produtos da roça Seu Alfredo abastecia esses frangueiros). O que definiu o fim do armazém foi quando meu pai decidiu ampliar as instalações e infelizmente o investimento não deu o retorno esperado. Outro fator que pesou muito foi o excesso de confiança que ele tinha na honestidade das pessoas que compravam a crédito. Muitos não corresponderam a essa confiança.


Tem uma passagem pitoresca, que mostra a determinação do seu pai para o trabalho?


Meu pai era muito trabalhador. A lavoura dele era equivalente a lavoura cultivada por uma família com maior número de pessoas. Ela plantava algodão, na época o serviço na terra era feito com a utilização de burros, até ao meio dia ele trabalhava com uma parelha de burros, minha mãe levava o almoço e outra parelha de burros descansada, e quando era tempo de lua cheia ele ia até mais tarde. Meu pai levantava sempre ás quatro horas da madrugada, era ele quem fazia o café e tirava leite. Minha mãe tinha o costume de por uma pitada de sal no leite. Quem bebia dizia: “-Que leite gostoso!”.


Como a família Trimer passou a tomar conta da Chácara Morato?


Meu estava procurando um lugar para morar. Encontrou um conhecido que morou na Fazenda Cachoeira, e que lhe disse: “Estou morando em tal lugar, lá está muito bom, vamos lá você vai ver”. Meu pai veio, encontrou o administrador Antonio Massoca. Ele então disse ao meu pai: “Estou saindo Alfredo, aqui é bom para você que é trabalhador”.


Na época que idade você tinha?


Eu tinha uns 18 anos de idade, mudamos para lá no final da década de 50 e saímos em 1978.


Quem era o proprietário da Chácara Morato?


Era do Dr. Celso Leme, ele era casado com Dona Cenira Leitão, filha do Dr. Francisco Morato.


Qual era a área da Chácara Morato?


Eram 50 alqueires paulistas. (Cada alqueire paulista mede 24.200 metros quadrados). Hoje é cidade! Está ali o Carrefour, o condomínio Terras de Piracicaba.


A Chácara Morato abrangia que região?


Em uma extremidade ficava a uns 100 metros abaixo do Castelinho (Propriedade em forma de castelo, projetada pelo arquiteto Dr. João Chadad, que deu origem ao nome do Bairro Castelinho). Pela antiga Estrada Boiadeira ia até o café da Chácara Nazareth.


Uma das características próprias da Chácara Morato, eram suas frutas, em especial a variedade de tipos de mangas?


Tinha muitas espécies de mangas, não sei dizer quantas, mas chegamos a estimar em trinta espécies diferentes. Tinha pé de manga enorme, que precisava de três a quatro homens para abraçar. Havia uns pinheiros que tinham sido plantados e que naquela época (1970) os registros dos mesmos marcavam 105 anos de existência.


Para chegar á “cidade” qual era o caminho percorrido?


O lugar mais próximo era a Paulista, passávamos pelo pasto, pela invernada, iamos até a Igreja dos Frades. Minhas irmãs e eu íamos assistir a missa bem cedo. Era um trilho, só se passava a pé, Lá em cima havia uma porteira fechada com cadeado, nós passávamos entre os fios de arame da cerca e saíamos no aterro da Estrada de Ferro Paulista, onde hoje existe uma empresa de terraplanagem, próxima a rotatória da Avenida Dr. Paulo de Moraes com Avenida Nove de Julho.


Foram feitos bailes no tempo em que a família Trimer trabalhou na Chácara Morato?


Eram realizados bailes no terreirão, fazíamos o palizado. A Cerâmica tinha uma colônia de trabalhadores cujas casas ficavam onde hoje há uma padaria em frente ao Condomínio Colinas, próximo ao Carrefour.


Quem cuidava do casarão da Chácara Morato?


Era uma funcionária, Dona Nerina. A família do Dr. Celso vinha passar as férias no casarão.


Havia construções remanescentes de uma senzala que existiu no passado?


Nós morávamos na casa que foi habitada pelos escravos. Era uma casa em forma de “Z”, muito comprida mais de cem metros de comprimento, paredes feitas com pedras com a espessura das paredes de quase um metro de largura, os caibros do telhado feitos com coqueiros, telhas feitas nas “coxas” (Telhas fabricadas com barro moldado nas coxas dos escravos). Algumas vezes minhas irmãs iam ver uma novela na televisão do casarão, era preciso que uma pessoa as acompanhasse, quando voltavam, no escuro da noite era muito fácil imaginar vultos ou ruídos assustadores.


Você chegou usar que tipo de condução para entregar algodão que era plantado pela família?


Meu pai, Alfredo, tinha muita experiência no plantio de algodão. Existia uma terra vermelha, em um pedaço da chácara, lá pelos lados da Paulista, o terreno era bem plano. Deu um algodão muito bom, foi à primeira planta que “endireitou a costela nossa”. Foi vendida para o Seu José Nassif, na primeira vez que fiz a entrega, engatei dois burros na carroça e subi para a Paulista, era o trilho da invernada, o administrador da chácara me deu a chave do cadeado e passei pela porteira do Jaraguá. Ali havia uma estrada que chegava até a Rua do Rosário, levei nessa viagem umas 50 arrobas (Cada arroba pesa 15 quilos).


Vocês plantaram cana de açúcar na Chácara Morato, como era carregada essa cana?


O carregamento era manual. A terra sempre foi muito boa, resultando em uma cana bem desenvolvida. Chegamos a colher até 2.000 toneladas de cana que eram entregues no Engenho Central.


Quantos feixes de cana você cortava por dia?


Eu cheguei a cortar e amarrar 411 feixes. Em uma cana boa, a “77-Brasil”, até o meio dia eu tinha 300 feixes amarrados. Depois do meio dia eu ia para 500 feixes. Ninguém nunca conseguiu cortar essa quantidade. O meu podão de cana eu amolava dos dois lados. O administrador Luiz Trevisan dizia que não conhecia alguém que cortasse aquela quantidade. Comia e já ia mastigando trabalhar. Naquele tempo o Engenho Central não aceitava que a cana fosse queimada.






Onde era o local chamado Matão?


Iniciava nas Glebas Califórnia e ia até a Pedreira Equipav.


Você atravessava a estrada em frente á Chácara Morato e já estava no Rio Piracicaba?


Meu pai gostava de pescar. Quando moramos em Artemis não saia do rio. Era bom nadador e mergulhador. Quando o Rio Piracicaba enchia, subia no então trampolim do Clube de Regatas, pulava, e ia até a Barra do Rio Corumbataí nadando, sem bóia, sem nada. O corpo acostumado a trabalhar no pesado desenvolveu uma disposição física impressionante.


Quando a família comprou o primeiro veículo automotor?


Foi uma Kombi. Fomos para Santos, a família toda, oito pessoas, que alegria! Isso foi na década de 62 a 63. Era de segunda mão. O teto era branco, e o resto da pintura na cor café com leite. Deu problema na volta, o relê não funcionou mais, e de Americana á Piracicaba viemos sem luz! Na época o movimento nas estradas era pequeno.


Quando encerrou o período de trabalho na Chácara Morato qual atividade você passou a exercer?


Com meu primo montamos uma pequena empresa de terraplanagem. Fomos para a cidade de Itapeva, aqui havia muita concorrência. Na época o então proprietário da Padaria Jacareí tinha uma fazenda em Itapeva, fomos realizar um serviço para ele, começaram a aparecer serviços bons.


Você tem muita habilidade para o conserto e manutenção de máquinas pesadas?


Ainda aqui na Chácara Morato, trator, caminhão eu mesmo consertava. Em Itapeva eu tinha uma oficina onde eu recondicionava do motor até a parte rodante dos tratores de esteira. Quando descobríamos defeitos de fabricação em uma máquina escrevíamos ao fabricante sobre o assunto. Na máquina Fiat a bomba de embreagem fundia muito pela sua localização. O modelo seguinte já veio com a bomba melhor localizada. Esse é um exemplo, muitos outros aconteceram, inclusive com outros fabricantes de máquinas pesadas. Chegamos a retificar motores em pleno mato fechado. Isso foi uma grande vantagem para a nossa empresa, que ganhava muita agilidade. Tínhamos um veículo que era praticamente uma oficina completa, e sempre mantivemos prontas para o uso reservas de partes e peças mais estratégicas para o funcionamento das máquinas.


No início da cultura de cana na Chácara Morato você transportava a cana de açúcar com qual veículo?


Era um caminhão “toco” á gasolina, F-600 ano 1958.


Os caminheiros ficavam esperando em uma fila, a vez de descarregar a cana na usina. Era comum tomarem um aperitivo antes do almoço?


Existia esse hábito na época. O caminhão F-600, tinha um espaço atrás do banco onde podíamos levar nossos pertences pessoais. Eu costumava levar dois vasilhames. Em um deles tinha o aperitivo para meu consumo. O outro era para aqueles caminhoneiros que vinham “serrar”. No trajeto que fazíamos para ir até o Engenho Central havia um local onde era habito serem feitos os chamados “despachos” com diversas oferendas para as entidades, entre elas aguardente. Eu e meu ajudante abastecíamos com a pinga deixada ali o vasilhame destinado aos colegas que gostavam de filar um aperitivo. Por muitos anos eles se deliciaram com essa cachaça, até que acabei contando á eles a origem do que eles consideravam um produto de sabor excepcional! Na época a fila era enorme, as últimas viagens iam até de madrugada. Cheguei a ficar esperando por oito horas na usina para descarregar a cana de açúcar. Isso no Engenho Central. O caminho que eu fazia seguia pela Rua do Porto, era estrada de terra. Onde foi o Clube Regatas o caminhão não passava, era obrigado a ir por cima, pela Rua do Sabão.


A subida que há na Rua do Porto atrás do Palacete Boyes não existia?


Não havia, era tudo propriedade da Fabrica Boyes. Onde hoje é a Nova Piracicaba era plantação de cana. No bairro Nhô Quim, hoje existe a Avenida Manoel Conceição, foi propriedade do Mário Áreas Vitier, conhecido como Mário da Baronesa, por ter sido criado por ela.


Você chegou a transportar cana com o bonde ainda funcionando em Piracicaba?


O caminho para levar a cana para o Engenho Central obrigatoriamente tinha que ser pela Ponte do Mirante, hoje Ponte Irmãos Rebouças. Quando o bonde ia, nós íamos atrás do bonde. Quando ele vinha da Vila Rezende para o centro, na cabeceira da ponte havia um funcionário em cima de um poste, sentado em uma cadeirinha com uma manivela ele apagava o farol de um lado e acendia de outro lado. Tínhamos que esperar, não havia porteira, entravamos pela Avenida Maurice Allain. Descíamos até o local próprio para descarregar e lá o guincho descarregava. O pai da minha esposa, Seu Osvaldo do Amaral, trabalhou muitos anos lá como cosedor de vácuo, que é uma etapa onde passa a garapa para ser processada. Um dos balanceiros era o Seu Joaquim.


No hoje Bairro Jaraguá como era?


A Chácara Nazareth era toda formada por invernada, existia só gado praticamente. Havia muita codorna. O plantio de café era feito só mais para cima, e dava serviço para muita gente, eles apanhavam o café escolhido, selecionado, eu até acredito que era para servir como semente. As mulheres e as crianças quando passavam para fazer a colheita era um número muito grande de pessoas, duzentas a trezentas pessoas. Quando voltavam do trabalho apanhavam do nosso canavial, uma ou duas canas, isso todos os dias, você pode imaginar ao final de um mês quantas toneladas eram apanhadas para consumo deles.


Havia roubo de gado na época?


Existia sim, perdemos um cavalo e uma parelha de mula.


Alguns ciganos eram negociantes de animais?


Houve uma época em que apareceram uns ciganos, com tropa de animal. Meu pai trocou uma égua velha e Seu Clemente que era da Gleba Califórnia, ele tinha um barzinho lá, com jogo de boche, era muito conhecido, também fez uma troca de animal com os ciganos. Os dois foram para a Paulista. Meu pai disse: “Clemente, essa aqui eu comprei do cigano.” O Clemente disse: ”Eu também comprei essa”. Na outra semana deu uma chuva e lavou os animais. Os ciganos passavam algum produto, talvez cinza de fogão nos pontos estratégicos das montarias. Isso porque quando é velho o queixo dos animais fica branco. Eles tinham maquiado os animais! Meu pai e o Clemente deram boas risadas.




Quinta-feira, Setembro 10, 2009

GASOGÊNIO,


um quebra-galho do tempo da guerra para a falta de gasolina
Muitos ainda se lembram do trabalho exercido pelos automobilistas do tempo da guerra, misto de carvoeiros e mecânicos; às voltas com sacos de carvão, grelhas, filtros, ventoinhas, tudo sob uma densa poeira negra.
Havia gasogênios de todos os tipos: traseiros, tipo reboque; dianteiros, à lá Cirano de Bergerac; enormes, como caldeiras; compactos, tipo apartamento; escondidos no porta-malas. Alguns bons. Outros, deficientes. Demonstrando que seus construtores desconheciam por completo os princípios de seu funcionamento.
A LENHA
O produtor do gás pobre era o carvão vegetal. Sua fabricação era feita primitivamente. A lenha, cortada em pedaços de 50cm de comprimento, aproximadamente, após ter sido amontoada na forma de cupim, é coberta com grossa camada de terra ou barro úmido. O fogo é ateado pelo furo “A” (veja a figura 1) onde foi deixado um espaço vazio.
A Arte do fabricante de carvão reside em deixar queimar somente a quantidade de lenha suficiente para a produção do calor necessário para que a “matéria-prima” carbonize. Obtém-se isto, regulando a tiragem através dos furos “B”, que permitem a entrada de ar. Este processo é uma verdadeira destilação a seco da lenha, durante a qual a quase totalidade da umidade, bem como de ácidos e resinas, evapora. Perdem-se assim grande quantidade de “gases” que não podem ser aproveitados no processo.
Para que se tenha uma idéia do que representa a parte perdida, é bom que se conheça o que um metro cúbico de boa lenha, destilada por um processo mais perfeito pode produzir: 120kg de carvão de primeira; 150 kg de ácidos diluídos; 20 kg de produtos alcatroados e uns 90 metros cúbicos de gases, à pressão atmosférica.
para cima, para baixo e transversal (veja a fig.2). Examinaremos apenas o primeiro (2A), por ser de mais fácil compreensão.

A preliminar é enche-lo de pedacinhos de carvão, de dimensões as mais uniformes possíveis, bem “socados”. Em seguida fecha-se a tampa da grelha pela qual as cinzas serão eliminadas. É necessário, de início, provocar a tiragem com a ventoinha “V”.
Forma-se assim uma zona de queima onda o oxigênio do ar e o carbono do carvão reagem, formando dois gases: o bióxido e o monóxido de carbono. Este último, insaturado, queima facilmente numa bela chama azul, igualzinha à do gás engarrafado ou de rua, que são seus primos ricos.
O bióxido de carbono, por se encontrar próximo ao fogo e em contato com mais carvão, é reduzido, isto é, transforma-se novamente em monóxido. Este fato permite melhorar o rendimento da produção do gás pobre e deve ser levando em conta no projeto dos geradores.
Um dos principais problemas do sistema é a presença do oxigênio, um sujeitinho muito ativo. A única maneira de evitar que faça estrepolias é agir como o fabricante de carvão: regular o fluxo do ar que ativa a zona do fogo. Nos motores de regime constante, como os estacionários, isto é um pouco menos difícil, se bem que as cargas a que estão sujeitos também variam. Nos automóveis, porém, a coisa é bem mais difícil pois além da variação das cargas, varia também, e enormemente, o regime de rotações.
Daí se conclui que, nos motores estacionários, o controle de ar deveria ser feito por um dispositivo automático, ao passo que nos motores de automóveis tal controle somente poderia ser efetuado a “ouvidômetro”.
Os dispositivos que geram o gás pobre, basicamente, podem ser de três tipos: tiragem para cima, para baixo e transversal (veja a fig.2). Examinaremos apenas o primeiro (2A), por ser de mais fácil compreensão
Quando alguém vai descer de um ônibus muito cheio, costuma levar consigo outros passageiros. Assim, o nosso gás pobre, ao sair do gerador, carrega pó de carvão, cinzas e destilados ácidos, além de vapor d’água. Sua temperatura, inclusive, é de cerca de 800º C nessa situação, sendo mister esfria-lo.

Em primeira instância, o gás pobre atravessa um “ciclone”, (veja fig. 3) no qual as impurezas mais pesadas depositam-se pelo efeito da força centrífuga, sofrendo, inclusive, abaixamento de temperatura.
Em seguida, passa por um ou dois filtros, que retêm as impurezas menores, resfriando-o ainda mais.
Na figura 4 vemos o esquema de um filtro, grande saco de algodão ou flanela, que deve ser facilmente acessível para limpeza. Outros tipos existiam, como os de banho de óleo, análogos aos filtros de ar.

Finalmente, o gás pobre, limpo, está pronto para ser aspirado pelo motor, estando a aproximadamente uns 20º C acima da da temperatura ambiente.
peso de ar, para formar a mistura combustível e isto é feito pelos “misturador”, de funcionamento análogo ao carburador. Deve, porém, receber de 1 a 1,5 partes em peso de ar, para formar a mistura combustível e isto é feito pelos “misturador”, de funcionamento análogo ao carburador.


Existiam vários tipos de misturadores, sendo o que aparece na fig. 5, de mistura anular, bastante eficiente. Observemos que o motor a gasolina ao ser adaptado para gasogênio, devia ter seu avanço aumentado, porque o gás pobre queima mais devagar. Inclusive, a taxa de compressão devia ser acrescida. Mesmo assim, o motor a gasogênio produz até pouco mais de 60% de sua potência original.



                                            Veículo andando com gasogênio (São Paulo, década de 40)


                                         Ônibus (Chevrolet Tigre) com gasogênio (Rio, 1944)


Ônibus da Empresa Viação Garcia, utilizando gasogênio (Londrina-PR, década de 40)






Banco Central adota medida para elevar a oferta de troco


A distribuição de notas de baixa denominação e de moedas será ampliada para melhorar a qualidade do meio circulante e a disponibilidade de troco
Brasília – Com o objetivo de ampliar o volume e melhorar a qualidade das notas de R$ 2 e R$ 5 em circulação e também facilitar a distribuição de moedas metálicas, o Banco Central, durante o mês de setembro, vai fornecer às instituições financeiras cédulas e moedas por meio de trocas diretamente em suas dependências. Os bancos terão acesso a esse serviço, excepcionalmente sem custo, durante esse mês. As cédulas de R$ 2 e de R$ 5 são as que mais se desgastam, em função da intensa circulação. Em relação às moedas, o hábito de entesouramento da população faz com que, em algumas regiões brasileiras, os comerciantes reclamem da dificuldade para fornecer troco.
Aos comerciantes também será disponibilizado atendimento especial. A partir do dia 14/09, haverá, em todas as capitais do país, guichê de fornecimento de moedas e de notas de R$ 2 e R$ 5 em kits de R$ 100, de modo a facilitar e agilizar o atendimento. Os endereços serão divulgados no site do Banco Central. Essa medida visa a dar acesso a troco aos pequenos comerciantes. Os grandes comerciantes devem recorrer aos bancos comerciais que os atendem.

As solicitações de troca, por parte dos bancos, ao Banco Central devem ser feitas por telefone com, no mínimo, 48 horas de antecedência, quando serão informadas as quantidades de cédulas ou moedas demandadas. Em Porto Alegre e Salvador, onde não é possível realizar as operações diretamente no BC, as trocas serão efetivadas pelo Banco do Brasil. Para os bancos, a unidade mínima para fornecimento de cédulas será o maço, constituído por cem unidades de cédulas de R$ 2 e/ou R$ 5. No caso das moedas, a unidade mínima é o saco, com quinhentas ou mil unidades, dependendo da denominação, de R$ 0,05 a R$ 1,00.

O BC possui estoque suficiente de moedas para esses atendimentos, já que encomendou dois bilhões de moedas a mais para 2009, volume 56% maior que em 2008. O volume de cédulas também é superior ao do ano passado. Em 2009, houve um aumento de 67% na produção de cédulas de R$ 2, passando de 420 milhões para 700 milhões. A produção de cédulas de R$ 5 saltou de 255 milhões em 2008 para 400 milhões em 2009, um aumento de 57%. Mais da metade dessa produção já foi entregue pela Casa da Moeda e se encontra pronta para fornecimento ao público mediante troca.

As medidas adotadas visam não somente aumentar a oferta de troco mas também melhorar a qualidade do meio circulante, em especial das notas de baixa denominação que circulam muito e têm vida útil mais curta. O desgaste nas notas também torna mais difícil o reconhecimento das marcas de segurança.








Quarta-feira, Setembro 09, 2009

VEÍCULO DIFERENTE


ESTE "VEÍCULO" FOI DE UM PROPRIETÁRIO DE PIRACICABA.

É UM DOS RAROS, SE NÃO FOR O ÚNICO EXEMPLAR QUE CIRCULOU NO BRASIL.

ALGUÉM  SABE  O 

NOME DO "VEÍCULO"  ?




O estagiário justiceiro

Mauro Tavares Cerdeira*
Conhecido como Ricão, era um dos milhares, talvez milhões de estagiários dos cursos de Direito deste Brasil que já se disse varonil. Carreira que serviu a galgar pessoas ilustres à história desse País e do mundo todo, como o célebre Rui Barbosa, o fato é que Ricão, hoje em dia, não se sentia lá com a bola toda, nem com ela pela metade.
Saído do interior para a Capital de São Paulo, tinha em seu peito até então era um bastião de saudades, algumas misérias, umas raivas ou outras, umas pernas já engrossadas de tanto andar de cartório em cartório pra ver e pegar processos, quando não pra tomar broncas e nãos de respostas, e bem na sua lida profissional ficava sempre em dúvida quando lhe perguntavam o que é que fazia lá no escritório e onde iria chegar nessa vida.
A esperança remoçou, no entanto, quando Ricão encontrou uma oportunidade em uma grande empresa, do setor de telefonia móvel, destas que saem a toda hora na televisão e no mundo. Coisa grande, muita gente, salário para mais de duzentos maior; agora a coisa vai que vai!
Contratação imediata, pois que os negócios nestas empresas grandes andam como anda mesmo o mundo todo. Não há tempo para nada. Faz um ano a vida nova começou. Parece que foi mesmo ontem. E não deu tempo de nada. Ao Ricão não apresentaram nem o pessoal da empresa. Aliás, não tinha empresa. Era um escritório mesmo, mais ou menos igual àquele em que trabalhara antes, pois disseram que o jurídico funcionava ali mesmo, e a empresa, lá dentro, ele nunca viu, nem ninguém viu também.
E chegavam pilhas de processos, todos iguais, ou muito parecidos. Parecia que os demandantes combinavam entre si as demandas. E não havia tempo para nada. O Ricão fazia contestações, que eram iguais as outras contestações, e recebia "da central" propostas para acordos, que eram iguais a outras propostas para acordos, e corria para audiências, que eram iguais a outras audiências. E algumas vezes "era preposto", e outras vezes "era advogado", e corria por tribunais de bagatela por toda São Paulo, conhecia cada vagão de metrô e cada ônibus.
Passava o tempo e vez em quando chegavam regras novas. Agora Ricão não era mais preposto ou advogado, mas "preposto e advogado", tudo isso concentrado em um "estagiário", já que a lei agora isso permitia. E o Ricão, vez em quando, passava o dia rodando cartórios na lida de retirar e devolver processos. E vez em quando o dia passava mas parecia que não tinha passado, e por vezes o Ricão chegava à faculdade, à noite, e ficava em dúvida se tinha mesmo ido trabalhar durante o dia. E outro dia, na quinta, se dava conta de que estava no escritório desde segunda sem ter ido para casa ainda, mas não sabia mesmo muito bem se isso era verdade ou não, mas não confiava em ninguém para perguntar se realmente estava acontecendo.
E foi em fevereiro que uma coisa começou a mudar. Não eram só os juízes e cartorários que começaram a repetir. Nem as causas todas. Parecia que os demandantes, irritadiços, cansados, sempre olhando para ele com cara de "saco cheio", começaram a se repetir. Eram sempre os mesmos, todos os dias. E isso era ruim demais, pois passara a ter receio de encontrá-los. Era como se estivessem a cobrar-lhe uma mesma conta todos os dias. A conta do leite ou do pão, ou do telefone, no caso.
Em uma madrugada de março, já bastante esgotado, e depois de assistir umas palestras sobre contabilidade e balanço e economia das empresas, teve a nítida impressão de que todo mundo estava sendo enganado. Ele estava sendo enganado, o judiciário estava sendo enganado, incluindo a cartorária bonitinha que um dia lhe ofereceu um chocolate, o cara do estacionamento em frente ao fórum, o consumidor, os próprios autos, todo mundo! Na verdade, todo aquele seu mundo profissional talvez sequer existisse e fosse apenas a representação de um drama mesquinho para ocupar o cotidiano!
Na realidade, pensara, aquele teatro é apenas uma farsa, como qualquer outra! E sua razão não poderia ser facilmente descartada. A sua cabeça girava com a seguinte equação:
1) a empresa tem como certo, em um País com instituições falhas, a lesão recorrente de consumidores;
2) a empresa tem como certo também, em um País como o Brasil, com excesso de tarifação, mão de obra barata e baixa concorrência – alto grau de monopólio – alto grau de corrupção, uma elevada rentabilidade;
3) as indenizações no País, oriundas do Judiciário, por tradição e jurisprudência, e dada a média de renda da população, e considerando que em geral são oriundas dos tribunais de pequenas causas, são de nível muito baixo, ou muito inferior às de países democráticos desenvolvidos;
4) as despesas com o setor jurídico de massa, defesa – acompanhamento de audiência etc, são baixas e controladas
5) conclusão: a prestação e manutenção, pelas empresas, de um serviço de péssima qualidade, nestas circunstâncias, é altamente compensatório, mesmo com um elevado índice de resultados negativos nos processos de reclamação judicial, bastando para isso manter uma pequena (em relação ao passivo total) provisão de risco no passivo.
E a conclusão final do Ricão : para a companhia em questão, não interessa e nunca interessou o que o juiz vai decidir ou o que eu vou fazer ou se alguém vai reclamar ou se vai processar ou se o prédio da justiça vai terminar de cair. Está tudo contabilizado em uma pequena nota de passivo. Nós, de fato, não existimos. O que existe é um "numerinho" insignificante dentro do passivo. Eu, se existir, sou um pedaço microscópico da perna de um número do passivo escrito no balanço daquela empresa que está me matando.
E foi nessa madrugada que tocou o telefone da casa do Miltão, o único filósofo que o Ricão conhecia, apesar do Miltão ser meio beberrão e meio "amaconhado", e ainda estar, há uns quatro ou cinco anos, no primeiro ou segundo do curso da Unicamp; mas falar o que é, o Miltão sabe um tanto das coisas da vida, e serve a dar uns conselhos, daqueles de se ficar pensando.
O Miltão ainda estava acordado, que de fato dormia melhor durante o dia. E foi escutando toda a história do amigo, não deixando de se impressionar com aquela revolução que se passava na cabeça do Rico. Como é que nunca havia percebido a existência de vida inteligente dentro daquele projeto de engravatado? E o Ricão narrava suas conclusões e se indignava cada vez mais até que, num inesperado, narrou seu plano para o amigo, o plano para o qual precisava da opinião do Miltão, do seu aval, para o qual não sabia muito bem se tinha coragem ou se poderia fazer ou se era certo ou errado. Aquele negócio de linha ética que aprendera na faculdade, ou medo mesmo de ser preso ou coisa parecida, justo neste país que todo mundo faz bem o que quer, e uma raiva danada do danado do Renan, e do Palocci, enfim.
O Miltão ouviu o interlocutor, que amigo que não faz nada é mesmo para estas coisas, localizou a situação no tempo e no espaço, se permitiu uma pergunta, sobre se o amigo estava seguro das consequências do que faria, e sem resposta disse o seguinte :
"Sócrates tomou cicuta sem medo, pois em sua consciência, sabia o que encontraria após sua morte ! Caso você esteja em paz com sua consciência, siga o caminho traçado e você será feliz."
E o porra do Miltão desligou o telefone.
"Grande merda esse Miltão! Deu na mesma e ainda atrapalhou um pouco. E quem é que quer morrer ! Mas quer saber; se tem alguém que tem de resolver a vida da gente é a gente mesmo, e eu tô nessa !"
A partir dali, o plano foi seguido meticulosamente. Ricão esperou o dia em que teria seis audiências no mesmo dia, no Fórum Vergueiro, na mesma Vara, e em que estava escalado para fazer as seis sozinho, e mais, nenhuma audiência mais haveria naquele Fórum naquele dia, ou seja, somente ele, da sua companhia ou escritório, estaria lá. Esse dia demorou uns 40 dias e mais umas quarenta noites para chegar.
Chegou cedo, com seu melhor terno, e também o único, e um bolo no estômago. Ficou lá em pé, pois lugar para sentar pra variar não tinha. Esperou ser chamado. Entrou. Sentaram do outro lado uma moça e seu advogado. A Juíza se virou para ele e perguntou, como sempre: "Tem proposta doutor?" E ele disse: "Sim, Excelência, hoje as propostas são boas, e são por minha conta!". Ela sorriu, mas sem entusiasmo, logicamente pensando que era só uma brincadeira. Ela disse: "De quanto é?" E o Ricão:
"A proposta é de R$ 15.000,00 para a Requerente, e caso aceita, a Companhia estará também doando R$ 15.000,00 à Casa da Criança Feliz, R$ 15.000,00 ao Juizado para aquisição de novos equipamentos de informática, e R$ 15.000,00 para que o Juizado direcione a uma instituição de beneficência de sua preferência."
O susto foi mesmo grande e a Juíza perguntou se o estagiário tinha certeza daquilo antes de confirmar o aceite da requerente, que foi imediato. A ata foi feita e assinada rapidamente, e o estagiário requereu se seria possível adiantar a sua próxima audiência, fazendo todas em sequência, o que foi deferido. A escrevente foi ao toalete e a Juíza somente pediu licença para dar um telefonema. O advogado presente pediu para cumprimentar um colega lá fora antes mesmo da ata ter ficado pronta, tendo voltado após alguns minutos, e a autora da ação passou a fazer algumas ligações no celular, sem que ninguém se importasse. O Ricão ficou lá, conferindo se cortara mesmo as unhas naquela manhã. Naquele momento lhe passou pela cabeça um pensamento engraçado: era a primeira vez que realmente sentia, por alguns momentos, fazer jus ao seu apelido, ainda que com o dinheiro dos outros, sabe-se lá de quem.
A segunda audiência foi apregoada, antes mesmo da escrevente retornar do toalete. Lá fora o movimento já parecia bastante anormal. Pessoas agora se aglomeravam e se acotovelavam. Funcionários de outras varas conversavam em frente aos elevadores e muitas pessoas chegavam a todo momento pelas escadas. Outros demandantes e advogados que teriam audiências naquele dia contra a mesma companhia falavam alto e animados ao celular.
A Juíza, uma jovem de nem trinta anos, bastante simpática, deu sequência à sessão, iniciando a audiência seguinte, indagando animada ao estagiário se havia proposta no caso e se seria tal e qual ousada. O Ricão disse que sim, que aquele era um bom dia na companhia, que passara a rever alguns dos seus conceitos:
"Neste caso estamos sugerindo R$ 25.000,00 para a cliente da companhia, que mesmo em face da demanda não nos abandonou até hoje, continuando fiel, e caso haja concordância mais R$ 20.000,00 para o Lar de Idosos sediado aqui no bairro; R$20.000,00 para uma confraternização dos servidores deste Fórum, e R$ 35.000,00 para "a" ou "as" instituições indicadas pelo Juízo."
A escrevente engasgou com uma barra de cereais que comia, passou a tossir, encheu os olhos de lágrimas, e saiu correndo da sala se desculpando com a Juíza com uma expressão de "não tem outro jeito" e abanando as mãos. A Juíza confirmou o aceite com uma requerente boba-alegre e um advogado nas nuvens, uma funcionária da secretaria entrou para conferir a informação; a Juíza então disse que agora ela que precisaria usar o banheiro, antes pedindo para a mesma funcionária presente indicar outra instituição beneficente diferente da anterior, e umas onze ou doze pessoas que estavam na sala assistindo a audiência saíram e abriram seus celulares. Quem passou a fazer ligações animadas foi também a cliente do advogado, que ganhou um beijo desse e deu também uma beijoca no Ricão.
Nessa altura, em que a Escrevente voltava para fazer a ata, com muita dificuldade para entrar na sala, e a Juíza falava ao celular no meio das escadarias entre os andares, já havia um congestionamento em uma das vias da Av. Vergueiro e uma movimentação incomum de pedestres na calçada, e acabara de chegar um carro de uma TV local. A terceira audiência então foi chamada.
Terminada a quinta audiência, o Ricão já havia gasto da empresa R$ 720.000,00, afora custas e despesas processuais. Não havia mais condições de continuidade das audiências. O tumulto era geral. Os funcionários da companhia enviados para barrar ou matar o Ricão, a qualquer custo, não tinham conseguido chegar até o oitavo andar, onde ele estava. A parte e o advogado da sexta audiência estavam, juntos, para ter um ataque cardíaco. A Av. Vergueiro estava intransitável. Toda a imprensa de São Paulo estava lá. O Ricão pediu para a Juíza para constar, pelo menos, a proposta de acordo da sexta audiência em pauta, mas o corpo de bombeiros ordenou o início da evacuação do prédio, e então nada feito. Três advogados dos que haviam sentado à mesa com o Ricão momentos antes fizeram questão de escoltá-lo na saída, cuidando assim da sua segurança.
Até sair finalmente do Fórum, devidamente escoltado juridicamente, o Ricão demorou mais cerca de 50 minutos. Lá embaixo, a TV, Rádios e Jornais diversos. Ao sair, o herói foi reconhecido e rodeado por repórteres. Queriam saber o que tinha ocorrido, a razão de sua atitude, logicamente não autorizada pela empresa. O que levara um estagiário a agir daquela forma? E até isso o Ricão já tinha em seu plano!
Para cerca de trinta ou quarenta microfones postados em seu redor, naquele final de tarde de quarta feira, o Ricão prestou as seguintes declarações:
"Pessoal, peço sua compreensão e vou ser rápido, pois o dia tem me sido um pouco pesado. Vou falar e depois infelizmente não poderei responder a perguntas no dia de hoje. Simplesmente cansei de tudo isso. Cansei de ver as mesmas pessoas com os mesmos problemas que deveriam ser tratados de forma sistêmica, com uma atitude séria e coordenada, terem de vir aqui individualmente, repetir um a um o drama de todos. Cansei de ver a movimentação diária de todo um sistema por causa de um aparelhinho celular, em uma atitude egoísta, coisa que poderia ser resolvida apenas com um pouco mais de respeito. Cansei de fazer tudo igual todo dia, de nunca criar, de só repetir. Cansei de só pensar, todos os dias, no Charles Chaplin dizendo "não sois máquina, homens é o que sois", e no entanto não poder fazer nada com minha inteligência, além de transformá-la em algo maquinal. Cansei de não ser gente, de viver pelas contas, pelos cálculos, de advogar pelos cartórios, de contar processos. Sou muito novo para tudo isso. Meu mundo ainda é novo. Eu ainda tenho um amanhã. Obrigado por toda atenção e por seu precioso tempo !"
E o estagiário foi andando sozinho ! No caminho foi pensando em quem mesmo teria tomado cicuta, se era o Sócrates ou o Sófocles, ou até o Tales, aquele de Mileto. Não importava mais ! A sua escolta ficou parada meio pensativa, olhando; e depois foi tomar um chope, que ninguém é de ferro.
Não se sabe ao certo do destino do estagiário da nossa história. Uns dizem que andou pela Ana Maria Braga e Hebe Camargo, passando pelo Jô Soares. Outros que teve ele com o Delegado Protógenes dando palestras por aí. Há ainda os que dizem que por trás dele havia interesses transnacionais, da concorrência voraz e até terroristas. Há comentários de que trabalha para escritórios de advocacia do consumidor, nos USA. Alguns dizem que o nosso estagiário nunca existiu, que de fato não existem estagiários famosos. Outros ainda dizem que os processos não existem, são instrumentos de resolução de lides não materializados.
O que eu sei e posso dizer com certeza, é que pelo menos em algum lugar da minha mente, no subconsciente ou inconsciente, ou seja lá onde for, o estagiário justiceiro existe, e talvez eu tenha um pouco dele, ou tenha me parecido um pouco com ele um dia, só um dia, ou todos nós tenhamos.
_________________________

*Advogado do escritório Cerdeira Chohfi Advogados e Consultores Legais




Segunda-feira, Setembro 07, 2009

mudança de lay-out

Sábado, Setembro 05, 2009

SECADOR DE CABELO PORTÁTIL DÉCADA 60


ALBERGUE NOTURNO - PIRACICABA

OSMIR VALLE

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS


JOÃO UMBERTO NASSIF Jornalista e Radialista


joaonassif@gmail.com
Sábado 05 de setembro de 2009
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://www.tribunatp.com.br/
http://www.teleresponde.com.br/




ENTREVISTADO: OSMIR VALLE - (ALBERGUE NOTURNO)

Um prédio situado a Rua Prudente de Moraes, 1900 tem escrito sobre a sua entrada: “Albergue Noturno”. A pergunta que vem em seguida é como funciona? Quem dirige? Quem freqüenta? Uma janela com grade, tem escrito bem acima “RECEPEÇÃO”. Exibe um pouco mais acima um aviso em letras bem visíveis: “1ª Noite das 19:00 ás 23:00 hs. 2ª e 3ª noite chegar ás 19:00 hs.” Separado por um traço, o mesmo aviso diz: “A cada 3 meses (90) dias o migrante terá o direito a pousar 3 noites (consecutivas).” Ao lado, na altura da janela outro cartaz adverte: “NÃO RECOLHEMOS PESSOAS ALCOOLIZADAS”. Para que tudo fique bem claro já na entrada do albergado o Núcleo Espírita Vicente de Paula, Albergue Noturno de Piracicaba coloca o seu regulamento, frisando que o mesmo deve ser seguido por todos que o freqüentam: diretores, funcionários, voluntários e colaboradores, visitantes e freqüentadores de trabalhos religiosos. E segue-se uma série de recomendações. O local em si impressiona o visitante pelo seu tamanho, pelo excelente estado de conservação. Em todos os detalhes, são notados muito zelo, higiene e ordem. Os quartos são espaçosos, arejados e compostos por três camas individuais. A cozinha tem seus utensílios muito bem cuidados, o alumínio brilha como novo, embora se perceba que já é bastante utilizado. As alas são distintas, femininas e masculinas, bem como os banheiros. A individualidade dos homens e das mulheres é preservada, sendo o refeitório a única área que pode ser utilizada em comum. A construção foi sendo feita ao longo dos anos com doações. O fundador foi Osmir Valle, que nasceu em Capivari, em 11 de agosto de 1932, hoje com 77 anos de idade, advogado com 33 anos de profissão. Osmir foi criado em Porto Feliz, aos 18 anos de idade mudou-se para Piracicaba. Seu pai João Valle casou-se com sua mãe Sebastiana Herrerias Valle. Eles tinham um sítio, depois montaram uma modesta empresa de artefatos de borracha que funcionou de 1949 até 1996. Sua ultima denominação social foi Irmãos Valle Indústria de Artefatos de Pneus Ltda., aqui em Piracicaba. Osmir Valle é casado com Nadir de Bertolla Antonietti Valle. O Albergue Noturno durante o período de funcionamento tem a necessidade de uma figura chave?
O Albergue sem a presença de um guarda civil não funciona! Recebemos pessoas das mais diversas origens, e só a presença de uma autoridade oficial impõem o respeito no processo de triagem. A Prefeitura Municipal de Piracicaba tem dada a devida atenção, e particularmente o atual prefeito Barjas Negri tem sido muito atencioso conosco. Desde o prefeito Francisco Salgot Castillon nós temos a presença de um guarda durante o expediente aos abrigados. Aqui foi a primeira sede da Guarda Civil em Piracicaba.
Estamos em um salão bastante amplo ele é utilizado para outras atividades?
Entre outras funções, ele é utilizado para um curso sobre educação alimentar. Com o objetivo de levantar recursos alugamos também para ser utilizado como salão de festas. Promovemos chás beneficentes, cujas prendas vão para a nossa Feira da Economia. Tudo é feito para levantarmos os fundos necessários ao funcionamento do Albergue.
Atualmente quem preside a entidade?
A nossa presidente é Teresinha Ott Vale. O marido dela é o engenheiro civil Nelson Valle que se dedicou muito para que o albergue tenha a situação atual de instalações físicas.
Qual é o objetivo principal do Albergue Noturno de Piracicaba?
É assistencial. Em média atende 350 pessoas por mês.
Como foi a origem do Albergue?
Fundado em 1948, tínhamos pensado em construir um sanatório espírita. Começamos a construir um salão com essa finalidade, com a criação do albergue foi afastada a possibilidade de se criar o sanatório. Os quartinhos para os albergados começaram a ser construídos em 1964. Hoje são oito dormitórios masculinos com três camas individuais para cada um e três dormitórios femininos também com camas individuais.
Como esse pessoal chega até o albergue?
O nosso atendimento é voltado só para o migrante. O morador de rua já tem um órgão da prefeitura que o acolhe. O migrante vem á procura de trabalho, muitas vezes não tem recursos para se hospedar em uma pensão.
Quais são os procedimentos para a entrada do albergado?
Eles devem ter os documentos pessoais. Na falta desses a delegacia de polícia emite uma declaração atestando a idoneidade do albergado.
Como é que os interessados descobrem a existência do albergue?
O fato de já existir a muitos anos torna-o conhecido. Também recebem a orientação da Assistência Social da Prefeitura, a própria Guarda Municipal os encaminham.
O albergado passa pela triagem e a seguir quais os procedimentos?
É feito o registro de entrada do albergado, a maioria são homens sozinhos. Há também a vinda de famílias. As crianças menores, e as moças, permanecem com a mãe, os filhos maiores permanecem com o pai. Ao entrar tomam um banho quente, recebem chinelos, um pijama limpo, que é lavado diariamente, a roupa de cama e as toalhas também são lavadas diariamente. Os pertences que eles trazem são deixados em local próprio, não são levados para o quarto. É servida uma sopa, suculenta, com carne, em seguida alguns permanecem por um pouco tempo no pátio e em seguida vão dormir.
Os que de fato são casados podem ocupar o mesmo quarto?
A regra é manter a individualidade dos homens e das mulheres, para não criar constrangimentos aos demais abrigados. Portanto as alas são distintas: masculina e feminina. Ás vezes eles acham ruim a existência dessa regra.
As roupas que os abrigados usam no cotidiano quem lava?
São eles mesmos. Fornecemos o sabão. Para dormir, eles recebem as roupas de propriedade do albergue, limpas e passadas, toalha, sabonete.
Tem algum horário para dormirem?
Depois de jantaram, lá pelas nove ou dez horas eles costumam se recolherem.
Assistem á televisão?
Há uma pequena televisão que ás vezes alguns assistem.
A que horas eles acordam?
Ás seis horas da manhã eles tem que levantar. O guarda bate na porta. Alguns já se levantam antes. Acordam, levantam-se, fazem a higiene pessoal no lavatório, em seguida tomam o café da manhã, com pão, manteiga, leite. Em seguida vão para a rua.
Qual é o perfil mais comum do abrigado?
A maioria, conforme as palavras de uma assistente social da prefeitura são pessoas que andam pelo mundo. Já recebemos também famílias, uma delas composta pelo casal e cinco crianças. Vieram do Mato Grosso e permaneceram em Piracicaba onde se dedicaram com afinco ao trabalho, constituindo uma nova vida. No início dormiram algumas noites aqui no albergue, em seguida compraram um barraco na saída para Botucatu, e aos poucos se estabeleceram. Outro caso de família que se hospedou aqui foi uma que veio do norte, e também conseguiram vencer os obstáculos.
Há casos de pessoas embriagadas que desejam passar a noite no albergue?
Tem muito disso. Só que pessoas alcoolizadas não podem ser recebidas, causam todo tipo de confusão. Há casos em que o guarda civil é obrigado a recorrer à vinda de viatura para a remoção do indivíduo que algumas vezes torna-se agressivo. Há até alguns que tem contas a ajustar com a justiça.
A origem do albergue foi iniciativa de um casal?
São pessoas importantes, que eu sempre admirei, foi o casal fundador do albergue, Álvaro Mesquita Filho e sua esposa Dona Aurora dos Santos Mesquita, eles se empenharam na construção de diversas entidades em várias cidades, radicaram-se em Piracicaba. O prefeito Luciano Guidotti ajudou muito ao albergue.
A sociedade piracicabana colabora com o albergue?
Recebemos donativos, roupas, camas, cobertores.
Qual é o período de funcionamento do albergue?
Todos os dias do ano, inclusive Natal e Ano Novo. Nós temos a presença de uma assistente social, funcionária da prefeitura, que está presente todas as noites aqui na instituição.
O abrigado paga alguma coisa para o Albergue?
Não pagam absolutamente nada. Tudo é gratuito.
Quais são os problemas mais comuns entre os abrigados?
O alcoolismo é um dos fatores graves aqui. A assistente social procura dar um atendimento profissional, orientação, isso é necessário, muito importante. Tem passado por aqui pessoas que chegamos até a admirar. Filósofos, pessoas com profundo grau de conhecimento espiritual.
Os abrigados recebem aqui algum tratamento de saúde?
Existem órgãos de saúde da prefeitura que cuidam desse aspecto. Aqui recebemos as pessoas em boas condições de saúde. No caso de alguma eventualidade, há a remoção do albergado, com transporte apropriado, para um dos centros de saúde municipal, sempre acompanhado da assistente social.
Quais são os cargos compõe a diretoria do albergue?
Presidente, vice-presidente, primeiro secretário, segundo secretário, primeiro e segundo tesoureiro, um estatuto muito bem elaborado.
Há algum tipo de remuneração para a diretoria?
É um trabalho voluntário, ninguém recebe nada.
Hoje basicamente o abrigado é o migrante, como isso é visto por algumas facções da cidade?
Infelizmente não é visto com muita simpatia por alguns setores. Alguns imaginam que esse trabalho incentiva a vinda de migrantes. Alguns se sentem incomodados.
Se o migrante for bem recebido aqui ele poderá trazer outros?
Eles se comunicam!
(N.J. o direito de ir e vir é cláusula pétrea na Constituição Federal, o que significa dizer que não é possível violar esse direito. Todo o brasileiro tem livre acesso em todo o território nacional).
Existe a possibilidade de utilizar as instalações no período em que não há a ocupação pelos albergados, principalmente nas dependências onde há um espaço disponível?
Sacrificamos tempo da nossa vida pessoal para dedicarmos no cuidado com a manutenção do albergue. Pelo fato de ser um albergue noturno facilita a conciliação das nossas atividades profissionais com a dedicação ao trabalho voluntário. Se nos dedicarmos a outras atividades diárias deixaremos de lado o trabalho que nos sustenta.
Há uma tendência para o fechamento dos albergues noturnos?
Há uma tendência nesse sentido.
Os membros do Centro Espírita que congregam nas dependências do albergue realizam alguma reunião periódica?
Toda terça feira nos reunimos em nossa sala de reunião, a partir das oito horas da noite, para o estudo do evangelho, realizamos as nossas preces, é totalmente aberta ao público.
Qualquer cidadão pode dormir no albergue?
Se tiver um motivo relevante é possível pernoitar aqui. Já aconteceu. A triagem é que pode dar o aval final.
Como é a noite de Natal no albergue?
Geralmente tem poucas pessoas. Fazemos uma comida diferente, como uma ceia, com macarronada, frango.
Tem troca de presentes?
Não!
Maria Helena Medinilha Niquito participa da diretoria do Albergue. Como é que a senhora vê o abrigado?
Nos três dias regulamentares que eles permanecem aqui procuramos oferecer conforto, carinho humano.
Os albergados retribuem?
Tem pessoas muito boas.
O guarda responsável pela portaria passa situações delicadas?
Todos aqui passam por situações difíceis. Ser firme sem humilhar é difícil. Principalmente quando a pessoa chega muito embriagada e sua entrada é barrada. Alguns querem entrar durante o dia, o que não é permitido pelo nosso regulamento.
Há quantos anos a senhora está aqui?
Já faz mais de 30 anos.
Seu Osmir, qual é a satisfação que o senhor sente com o Albergue?
O ensinamento espírita, de Alan Kardec, nos ensina: quem somos de onde viemos, e para onde vamos. A partir desse conhecimento a pessoa passa a pensar no próximo. Fora da caridade não há salvação. O espírita abraça isso com muito empenho, ele sabe quem ele é. O espírita não se ilude com aquilo além de necessário para a sua sobrevivência. É o meio e não um fim. Passamos a sentir mais o sofrimento do próximo, e queremos ajudar da melhor forma possível.
Após firmarem-se em uma nova vida, o migrante retorna ao albergue para agradecer?
Já houve vários casos, falam muito bem de nós.
Seu Osmir qual é a mensagem que o senhor gostaria de enviar á comunidade piracicabana?
Quero agradecer a colaboração que recebemos do povo piracicabano, agradecer a prefeitura que nos tem ajudado desde o tempo do prefeito Francisco Salgot Castillon. Pedimos que todos que possam, colaborem conosco, a entidade tem uma história. Estamos aqui de braços abertos.




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(by Roberto)



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Quarta-feira, Setembro 02, 2009

Professores e alunos alemães visitam ESALQ

Um grupo de 19 alunos de graduação e pós-graduação, além de 4 professores da Universidade Técnica de Munique (Alemanha), campus Freising, visita a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ), durante essa semana, para trocar conhecimento nas áreas de fitopatologia e ciências florestais. Os pesquisadores alemães chegaram ao Brasil no último domingo (30/8) e ficaram até esta terça-feira na Estação Experimental em Itatinga (SP), onde professores e alunos da Escola mantém pesquisas na área florestal. O, que conhecerá a estrutura dos cursos de graduação e dos programas de pós-graduação, permanece em Piracicaba até a próxima sexta-feira. Na Escola, participa de uma série de palestras abordando a produção de etanol, doenças de plantas.



Na parte da tarde, o grupo fará uma visita à Usina Costa Pinto. No dia 3/9, a delegação irá para o município de Matão (SP), para conhecer a produção de citrus e café e, na sexta feira (4/9), os integrantes seguem para os estados de Minas Gerais e Paraná, sempre participando de visitas técnicas no setor florestal.



Na ESALQ, essa ação é coordenada pelos professores Sérgio Florentino Pascholati, do departamento de Fitopatologia e Nematologia (LFN) e José Leonardo Moraes Gonçalves, do departamento de Ciências Florestais (LCF). Da instituição alemã, coordena o grupo o professor Wolfgang Osswald.



Programação



(September 02, 2009 - Wednesday)



8:00 – 8:10 – Welcome (Room Ferdinando Galli – Plant Pathology Section)

8:00 – 8:30 - Producing energy from sugarcane (ethanol) in the state of Sao Paulo

(Prof. Dra. Heloisa L. Burnquist – Esalq/USP)

8:30 – 8: 50 – Energy production by biogas and others in Germany (TUM)

8:50 – 9:10 – The New Bachelor and Master in Forestry at the TUM (TUM)

9:10 – 9:40 – Main diseases of woody plants in the state of Sao Paulo (Prof. Dr. Edson Furtado – UNESP, Botucatu)

9:40 – 10:00 – Main Phytophthora diseases of woody plants in Europe (TUM)

10:00 – 10:20 – Coffee break

10:20 – 10:50 – Producing “clean” citrus plants in nurseries (Pq C Dr. Eduardo Feichtenberger – Apta / Sorocaba)

10:50 – 11:20 - Use of stable isotope in environmental studies in Amazon” (Prof. Dr. Plínio B. de Camargo – CENA/USP)

11:20 – 12:40 – Lunch at Esalq (Professor´s restaurant)

12:40 – Departure from Esalq to Costa Pinto mill

13:00 – Arrival at “Usina Costa Pinto” – sugarcane and ethanol mill

17:30 – Leave Costa Pinto Mill

18:30 – Barbecue with Brazilian and German students / professors at Sinfesalq


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Terça-feira, Setembro 01, 2009

"A diferença entre o dinheiro miúdo e o dinheiro graúdo é que este, naturalmente, fala mais alto."
Millôr Fernandes

“Pesquisa propõe sustentabilidade ambiental em pólo moveleiro”

A partir da estruturação dos
Arranjos Produtivos Locais (APL) Madeira-Móveis em diversas regiões do país, as indústrias moveleiras começam a se articular para discutir os principais desafios comuns
que precisam enfrentar para elevar o crescimento do setor. Dentre eles, a questão da sustentabilidade ambiental como valor corporativo tem sido indicado como
um dos mais importantes, tanto para reduzir as perdas e os riscos na atividade, como para aumentar a rentabilidade e atingir
novos segmentos de mercado.

Com objetivo de mapear o processo de desenvolvimento de produtos no setor moveleiro, a
designer Patrícia Azevedo concluiu a pesquisa. “Estratégias e requisitos ambientais no processo de desenvolvimento de produtos na indústria de móvel sob encomenda”. Orientada pelo
professor Geraldo Bortoletto e com a co-orientação da professora Adriana Nolasco do departamento de Ciências Florestais da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Patrícia fez um estudo de caso em
18 empresas do pólo moveleiro de Itatiba/SP.

O estudo promoveu uma análise descritiva e qualitativa fundamentada em ferramentas de ecodesign para o processo de
desenvolvimento de produtos (PDP). A análise abordou os três níveis de decisão nas empresas: diretoria (planejamento estratégico), designer (planejamento de projeto
) e gerente de produção (produção).

Segundo a pesquisadora, na década de 1980 Itatiba foi considerada a capital do móvel no Brasil e, de lá pra cá ela
perdeu essa característica por alguns fatores. “Os móveis produzidos ali são da linha colonial, utilizam madeira maciça, proveniente no norte e nordeste do
País. Com as mudanças na legislação ambiental, as empresas do Pólo de Itatiba passaram a enfrentar entraves legais no que se refere à extração e transporte do material”. Além
disso, a designer lembra que a massificação da produção moveleira, na qual temos um produto menos durável, feitos a partir de painéis de aglomerado
ou MDF, barateou a produção. “Há uma mudança de comportamento do consumidor, que passa a preferir móveis mais baratos, ainda que
sua durabilidade seja bem menor e mesmo que não apresente o viés da exclusividade”.

Os resultados da pesquisa
indicam que os fatores econômicos ainda ditam a forma das empresas responderem às questões ambientais, buscando continuamente adequação às leis e regulamentos ou a redução dos custos de
produção, principalmente por se tratarem de micro e pequenas. Além disso, a ausência planejamento de negócios ou uma organização administrativa estruturada dificulta a
inserção de requisitos ambientais no PDP. Além da falta de profissionais capacitados na área de desenvolvimento de produtos propiciando o aumento das dificuldades em estruturar o setor
. “Algumas acreditam que já fazem aproveitamento das sobras, confeccionando puxadores de gavetas, tábuas de carne e faqueiros, etc. Mas o bom planejamento
é aquele que considera o conceito da redução das sobras e não simplesmente continuar reaproveitando. O ideal é planejar para não sobrar”. O
baixo nível escolar desses profissionais é um fator que dificulta o aprimoramento das estratégias de planejamento e o aperfeiçoamento da produção. Há na maioria dos casos
apenas a reprodução de um desenho trazido pelo cliente em um recorte de revista, mas raramente existe um questionamento
do melhor uso da matéria prima. “É nessa falta de planejamento que se encontram as perdas. Pedaços de mogno usados em parte
estrutural, sendo pintados de branco e ou empregados em local em que não se aproveitaria o aspecto estético da madeira
maciça”, comenta Patrícia.

Como retorno aos produtores de móveis, a pesquisa propõe que as empresas passem a atuar dentro de uma estrutura
empreendedora e que empreguem requisitos ambientais em seu planejamento. Uma das questões levantadas foi a atuação do projetista. “Se o profissional responsável por essa função tiver a mínima
formação na área de desenvolvimento de produto, ele consegue perceber logo no projeto maneiras de interferir na idéia de modo a
reduzir perdas com um simples planejamento de corte dos painéis ou peças maciças, estudo da qualidade do material, do tipo
de encaixe ou junção, o emprego de adesivos químicos menos tóxicos”, pondera a autora do trabalho.

A pesquisa indica que
o planejamento estratégico daria subsídios para que os produtores se informassem de maneira clara sobre a minimização de sobras. “Uma das empresas, por
exemplo, faz doação das sobras para uma panificadora, mas acontece que nessas sobras encontramos MDF, que concentra substâncias tóxicas do seu processo de produção
e, ao ser queimado, acaba liberando essas toxinas a céu aberto”, conta Patrícia Azevedo.

Finalizando, a pesquisadora enviou um relatório individual para
cada empresa, tanto para as que contam com 180 funcionários, quanto para aquelas que tocam suas atividades apenas
com 3 pessoas da mesma família. “Nas informações repassadas procuramos destacar a importância de atuarem de forma planejada, avaliando todo o processo, desde a origem da
matéria prima até o descarte final. A intenção era trabalhar o conceito de que é possível obter o mesmo
rendimento a partir da preocupação com seu entorno e com o emprego de estratégias de sustentabilidade ambiental. Para esses produtores, essa é uma postura
que contribui inclusive com a imagem do seu empreendimento, podendo aumentar sua cartela de clientes. É possível criar benefícios
praticando apenas algumas alterações de conduta. Esse foi o grande desafio da pesquisa”.

Domingo, Agosto 30, 2009

BRASILEIROS VÃO ACESSAR INTERNET PELA TOMADA


BRASILEIROS VÃO ACESSAR INTERNET PELA TOMADA
Os brasileiros poderão acessar a rede mundial de computadores pela tomada. A medida foi aprovada pela diretoria colegiada da Aneel na última terça-feira (25), e criou as regras. A decisão vai beneficiar 63,9 milhões de unidades consumidoras de energia elétrica, interligadas por mais de 90 mil quilômetros de transmissão e distribuição, com as regras para o uso da tecnologia Power Line Communications (PLC). A efetiva implantação do sistema agora depende das empresas e distribuidores de energia, que devem apresentar os projetos. Assim que implementado, o serviço de acesso à internet e a TV por assinatura será realizado por meio da rede elétrica - já presente em quase 100% das residências do Brasil. O prestador do serviço de PLC deverá seguir os padrões técnicos da distribuidora, o disposto em Resolução da Aneel e na regulamentação de serviços de telecomunicações e de uso de radiofrequências da Anatel. A implantação e exploração do PLC não poderão comprometer a qualidade do fornecimento de energia elétrica para os consumidores e se houver necessidade de investimento na rede, o custo será de responsabilidade da empresa de telecomunicações.O regulamento determina as condições para a utilização da infraestrutura das empresas distribuidoras de energia elétrica para implantação do sistema que permite a transmissão de dados por meio da rede de distribuição. A norma delimita o uso das redes elétricas de distribuição para fins de telecomunicações, garantindo a qualidade, confiabilidade e adequada prestação dos serviços de energia elétrica, gerando incentivos econômicos ao compartilhamento do sistema e zelando pela modicidade tarifária.Economia - O emprego da tecnologia possibilita novos usos para as redes de distribuição de energia elétrica, sem que haja necessidade de expansão ou adequação da infraestrutura já existente. A economia representa a redução de custos aos consumidores, que serão beneficiados com a apropriação de parte dos lucros adicionais obtidos por meio da cessão das instalações de distribuição, o que poderá baixar as tarifas.A Agência prevê que a apuração da receita obtida pelas concessionárias de energia com o aluguel dos fios para as empresas de internet será revertida para a redução de tarifas de eletricidade, nos termos de legislação específica estabelecida pela Aneel. Esse critério já é utilizado no aluguel de postes para passagem dos cabos da telefonia. Embora seja utilizado o mesmo meio físico (as redes de distribuição de energia elétrica), a tecnologia permite o uso independente dos serviços e, portanto, a concessionária poderá também utilizar a infraestrutura do prestador de serviço de PLC para atender às suas necessidades e interesses.Ao disponibilizar a sua rede de distribuição, a concessionária deverá dar ampla publicidade por um prazo mínimo de 60 dias para a manifestação dos interessados. A escolha do prestador do serviço deverá ser divulgada em até 90 dias após o pedido.
E-mail :
emquestao@secom.planalto.gov.br

Sábado, Agosto 29, 2009

MUSEU DO LAR DOS VELHINHOS - PIRACICABA















































































MÁRIO ANDRÉ

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com

Sábado 29 de agosto de 2009
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
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ENTREVISTADO : MÁRIO ANDRÉ


Segundo estudos conduzidos por pesquisadores da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, as pessoas otimistas são as que vivem mais e melhor. O que a ciência explica com dados estatísticos, a sabedoria popular já ensina faz tempo: rir é o melhor remédio. Os sentimentos positivos e o bom humor, além de fazerem bem à saúde, facilitam e melhoram os relacionamentos entre as pessoas. Afinal, ninguém agüenta por mais de alguns minutos aquele sujeito de cara feia, cuspindo fogo pelas ventas e incapaz de rir de si mesmo. Otimismo, alegria e bom humor são justamente os antídotos contra o câncer e problemas infecciosos graves, contra a temida aterosclerose que pode provocar um acidente vascular cerebral, infarto do miocárdio. Procurar viver com alegria, evitar o mau humor, buscar contornar os conflitos sem muito desgaste, ter uma atitude positiva diante dos desafios da vida, e cultivar boas relações com a família e os amigos é o caminho para as emoções saudáveis. È impossível permanecer mais do que alguns instantes com Mário André sem perceber o seu bom humor contagiante. A vida é um palco onde ele atua com raro brilho. Nascido na cidade de São Manoel em 20 de agosto de 1920, filho de Mansueto Andrello e Lúcia Bertoncin Andrello imigrantes italianos, Mário surpreende a todo instante. Raciocínio e memória perfeitos. Desloca-se com facilidade inclusive em escadas.
Como seus pais vindos da Itália foram morar em São Manoel?
As famílias dos meus pais conheceram-se ainda no navio que os trouxe para o porto de Santos. Na ocasião meu pai veio com 10 ou 12 anos de idade e a minha mãe com 9 ou 10 anos de idade. Após o desembarque, seguiram para São Paulo, e depois rumaram para São Manoel. Casaram-se e tiveram oito filhos, cinco mulheres e três homens.
Qual era a atividade do seu pai?
Era agricultor. Em 1940 a família veio para São Paulo, fomos morar no bairro da Mooca. Meu pai faleceu pouco tempo depois. Estudei em São Manoel no Grupo Escolar Dr. Augusto Reis, a minha primeira professora chamava-se Margarida, a segunda foi a Isabel, a terceira foi Dona Odete César Calvinet, com quem tive aulas no terceiro e quarto ano. Foi uma professora que foi uma mãe para mim, eu a ajudava na conferência de lições de casa dos alunos. Ela tinha muita consideração por mim. No final do quarto ano ela me presenteou com o pagamento das fotos e do diploma de grupo, na época mesmo em escola estadual o diploma era pago e custava cada um, sete mil e quinhentos réis. Comecei a trabalhar muito novo, aos cinco anos de idade eu levava a cabrita para pastar, cortava capim, rasgava palha.
O que é rasgar palha?
Vinha só o cartucho da palha de milho, sem o sabugo, tínhamos que desmanchar aquilo tudo e tirar o nó, para depois desfiar e fazer o colchão de palha. Ficava um colchão muito bom. No calor não esquentava e no frio não se sentia tanto frio. Era um colchão bem alto, para se fazer um colchão eram rasgados quatro sacos de palha. A cada dois ou três meses, minha mãe fazia uma revisão nos colchões, os mais gastos eram jogados no lixo.
Não ia nenhum inseto junto com a palha de milho?
Nós tínhamos que tirar todo tipo de elemento estranho. Isso era feito folha por folha de palha.
Quando foi o seu primeiro emprego?
Primeiro trabalhei em uma loja de música e discos da minha professora, passava o dia todo tocando música. Lembro-me de várias músicas (Mario passa a cantarolar algumas), a mais antiga que eu conheci foi (ele canta): “Tu não te lembras da casinha pequenina/Onde o nosso amor nasceu/Tu não te lembras da casinha pequenina/Onde o nosso amor nasceu/Tinha um coqueiro do lado/Que coitado de saudade já morreu”. Depois fui trabalhar como aprendiz em uma fábrica de calçados. Aprendi a fazer sapatões, botina de futebol, sapatinhos de criança. No meu tempo os pregos de madeira utilizados para fazer sapatões estavam sendo extintos. Primeiro era feito o furo, depois fixado o prego de madeira. A prefeitura comprava muitos sapatões com pregos de madeira, o prego de metal enferrujava e estragava logo. Não era usada graxa, eram feitos de um tipo de camurça grossa. Os números mais vendidos eram de 40 para cima. Trabalhei na Fábrica de Calçados Melilo, dos irmãos José e Rafael Melilo, ambos italianos. Eles gostaram muito de mim, e da fábrica fui trabalhar na loja deles.
O senhor saiu dessa loja com que idade?
Tinha uns doze anos, andava ainda de calça curta, logo passei a usar calça comprida. Fui trabalhar na Casa União, maior casa de São Manoel, um verdadeiro shopping, ali tinha desde alfinetes, guarda-roupa, cereais. Os sitiantes compravam lá, no dia de pagarem as compras eles vinham de caminhão, jardineira. Com as famílias de imigrantes italianos, eu tinha que procurar falar em italiano. No sábado seguinte vinham famílias de outras fazendas que tinham recebido imigrantes espanhóis, eu tinha que aprender a falar o espanhol.
O que eles mais consumiam?
Os imigrantes praticamente compravam no armazém açúcar, trigo e sal. O resto eles mesmo produziam. Plantavam, criavam porcos, frangos, faziam o vinho. Houve um tempo em que os fazendeiros tiveram suas lavouras tomadas por pragas. Os pés de café morriam em pé. Em três anos os imigrantes mudaram em grande número para São Paulo. São Manuel diminuiu a sua população.
Por quanto tempo o senhor permaneceu trabalhando na Casa União?
Entrei com doze anos e saí com vinte anos de idade, permaneci lá por oito anos. Prestei o serviço militar, no dia 7 de setembro de 1939 jurei á bandeira. No dia 15 de setembro fui para o encontro da minha família que já estava em São Paulo. No dia seguinte meu pai faleceu. Naquele tempo a viagem era feita pela Estrada de Ferro Sorocabana, de São Manoel á São Paulo a viagem durava 8, 9 até 10 horas. Eram trens com 15 a 20 vagões, havia um movimento bem grande de trens naquela época. A locomotiva era a vapor. Na época eu usava terno de brim, fui usar linho depois, linho era roupa de gente de posses.
No período em que o senhor ainda solteiro permaneceu em São Manuel quais eram as suas formas de lazer?
Eu gostava de dançar. Cheguei a participar da diretoria do Grêmio Recreativo Sete de Julho. Era um teatro famoso com frisa, camarote. Antes de trabalhar no comércio, na Casa União eu gostava de jogar uma bolinha. Também fui coroinha um bom tempo, na Igreja Matriz de São Manoel. Teve um caso pitoresco que ocorreu nesse período. O padroeiro da cidade era São Manoel. Por uns 10 anos foi feita a veneração á imagem do santo que ficava no altar, até então para todos simbolizava São Manoel. Com a vinda de uns padres italianos, eles imediatamente perceberam que a imagem venerada não era a de São Manoel e sim de São Sebastião! Imediatamente foi trocada a imagem!
O senhor conheceu a família Mellão em São Manoel?
Eles foram fazendeiros fortes! Meu pai trabalhou para eles. Era uma gente muito boa. Havia a família Barros também de São Manoel. Tive amizade com Adhemar Pereira de Barros, ele foi interventor de São Manoel, isso no governo Getulio Vargas. Eu freqüentava a casa dos pais do Dr. Adhemar.
Indo morar em São Paulo, por quantos anos o senhor morou lá?
Morei uns 20 anos em São Paulo. Logo que mudei fui trabalhar em uma loja de calçados na Rua Piratininga. Quando fui trabalhar na Rua Piratininga, em 1940, estava começando a se transformar em uma rua com uma grande concentração de lojas de peças para veículos. Até pouco tempo antes tinha sido uma rua com muitas lojas de roupas. Um conhecido convidou-me para ir trabalhar em um chalé de jogo do bicho, na época era uma atividade legal. O governador Lucas Nogueira Garcez foi quem colocou a atividade do jogo de bicho na ilegalidade. Fui trabalhar em uma casa de frios na Rua Paula Souza, eu tinha conhecimentos de contabilidade, e qualificações para trabalhar no escritório da empresa. Fui trabalhar como faturista. Eu ia trabalhar de bonde.
O senhor conheceu Gino Amleto Meneghetti ?
Foi o maior ladrão do mundo! Não conseguiam prende-lo. Cheguei a vê-lo pessoalmente. Era um sujeito alto, forte, sempre com um sorriso. Ele fugia de qualquer cadeia, os populares gostavam dele, Meneghetti virou notícia e ganhou grandes espaços nas páginas policiais tinha a fama de tirar dos ricos para dar aos pobres.
Da casa de frios da Paula Souza aonde o senhor foi trabalhar?
Fui trabalhar na Serraria Maluf, que ficava na Rua da Mooca quase esquina com a Rua Piratininga, de propriedade de Nagib Maluf. Usando uma máquina de calcular manual, aquelas de manivela, fiz o cálculo cúbico de madeira para ser embarcada em um navio, com essa máquina. A história do Nagib Maluf é bastante curiosa, ele morava no Rio de Janeiro, por alguma razão ele mudou-se para São Paulo, ele então abriu várias barbearias, sete ou oito, sendo que ele não sabia fazer barba, mas contratava e pagava muito bem os barbeiros. Com isso conseguiu comprar essa serraria. Ensinei o filho dele, o Ivan, a calcular preços de madeira conforme a medida. Sai de lá e fui trabalhar com os irmãos De Lorenzzi, na venda de máquinas agrícolas, baterias, diversos tipos de máquinas. De lá eu fui trabalhar na Fabrica de Cofres Nascimento, que era a maior fábrica de cofres da América do Sul, ficava na Rua Siqueira Bueno. O Seu Nascimento era o chefão da firma. Havia na empresa um piloto de automóveis que fazia parte de uma equipe de corridas. Quem sempre aparecia por lá era o famoso corredor de automóveis (piloto) Carlo Pintacuda. O Nascimento passou a fazer equipamentos de gasogênio para veículos. Chegaram a fabricar até 500 unidades em um mês. O motor tinha força, não tinha velocidade, os caminhões à gasogênio subiam a serra de Santos, carregados. Nesse tempo até carro de corrida foi feito para correr usando gasogênio.
Da fábrica de cofres o senhor foi trabalhar aonde?
Montei uma sociedade com meu irmão para fabricarmos móveis provençal, na Rua Siqueira Bueno. Chegamos a fabricar 40 conjuntos de dormitórios por mês, a nossa fábrica chamava-se Indústria de Móveis Lumar Ltda, a origem do nome Lumar era Lu de Luiz e Mar de Mario. Fazíamos colchões com capim, existiam os fornecedores de capim. Depois passamos a fabricar os colchões de algodão. Permaneci na fábrica por uns 10 anos. Morei na Vila Formosa, na Avenida Dedo de Deus.
Quem comprava esses móveis?
Os nossos maiores clientes era lojistas, geralmente judeus. Vendi para Benjamin Lafer, Benjamin Kaufman. Os móveis eram feitos com a madeira canela-sassafráz.
O senhor foi mariano em São Paulo?
Fui mariano na Igreja Nossa Senhora de Lourdes, no Bairro Água Rasa. Cheguei a ser presidente da congregação mariana. Entrei como aspirante, passei a ser mestre de noviço. Uma vez por mês, no segundo domingo do mês havia a hora de guarda, hora santa, com o Santíssimo exposto, das duas horas ás três horas da tarde. O padre dava a benção do Santíssimo e ia embora. Uma vez por mês havia também a missa da Congregação Mariana. A Irmandade do Santíssimo era quem carregava as tochas nas procissões, e o pálio. Quem puxava a procissão era a Irmandade de São Benedito. Ocorreu um fato interessante, houve uma mudança de padre, e o que assumiu resolveu quebrar uma tradição de 50 anos, colocou outra irmandade com outro santo para puxar a procissão. A Irmandade de São Benedito foi deslocada para o fim da procissão. Ás cinco horas da tarde choveu bastante. Foi adiada para outro domingo a procissão. No domingo seguinte choveu outra vez. Novamente foi adiada a procissão. Só depois da terceira vez que foi adiada, é que o padre decidiu manter a tradição de São Benedito retornar á frente da procissão, e assim foi realizada sem uma gota de chuva. Estou vivo para contar a verdade.
Como o senhor conheceu a sua esposa?
Ela foi para São Paulo para tratar-se do estomago, e ficou hospedada na casa da sua irmã. O cunhado dela era congregado mariano, e um dia me convidou para ir até a sua casa. Ele então me apresentou para ela: “Mario, esta é a Maria, irmã da Natividade!”. Na hora de voltar para casa, perguntei á Maria se poderia voltar a vê-la no dia seguinte. Ela consentiu, eu voltei. E assim foi um mês. Uma noite o meu sogro que tinha viajado de Piracicaba para lá, viu que estávamos conversando. O meu sogro chamava-se Silvio Assalin e a minha sogra Adélia Micheletti. A minha esposa chama-se Maria Assalin André, ela é família Micheletti, que foi proprietária da Padaria Pansa.
O senhor e sua esposa casaram-se em que ano?
Foi no dia 5 de junho de 1948, na Igreja São Benedito, a catedral de Piracicaba estava em reforma. Continuei trabalhando em São Paulo. Depois meu irmão Luiz e eu montamos uma padaria no Arraial de São Bento.
Quantos filhos o senhor tem?
São três: Mario José, Mansueto Antonio, Martha Aparecida.
Quando o senhor veio definitivamente para Piracicaba?
Foi em 1967, mudamos para a Rua Prudente de Moraes, próximo a linha da Sorocabana. Passei a fazer a contabilidade da padaria Pansa, que na ocasião estava em franco desenvolvimento. A razão social da Pansa era José Micheleti e Filhos Ltda.
O bolo de Santo Antonio foi feito pela primeira vez na Pansa?
O meu filho Mario José e o Sr. Altafin fizeram o primeiro Bolo de Santo Antonio.
O senhor é poeta?
Sou poeta! Tenho uns sessenta trabalhos entre poesias, contos, histórias, sonetos, crônicas.
Onde o senhor busca inspiração?

Desde os meus 12 anos de idade, ainda morando em São Manuel, já estava escrevendo. Sou um dos sócios fundadores do Clube do Escritor de Piracicaba.
Entre seus muitos poemas, o das Moedas Escurecidas é muito curioso.
Em São Manoel existiam os hansenianos, eles pediam esmolas, montados em um cavalo e com uma canequinha. Os negociantes que adquiriam essas moedas colocavam-nas em um braseiro, para fazer a assepsia das mesmas. Elas ficavam escuras por passarem pelo calor. As moedas voltavam a circular, porém escurecidas. Por minha mão passaram muitas delas. É importante saber que a hanseníase tem cura hoje.

Quinta-feira, Agosto 27, 2009

RUAS DE PIRACICABA











Senador Inácio Arruda elogia PEC que restitui diploma no Jornalismo
O senador Inácio Arruda (PcdoB-CE) elogiou, na última terça-feira (25), a Proposta de Emenda Constitucional (PEC), criada pelo senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), que restitui a exigência do diploma no Jornalismo. Segundo ele, a iniciativa do parlamentar sergipano irá reverter uma "decisão equivocada do Supremo Tribunal Federal".
Arruda - que é relator da PEC no Senado - ressaltou que a proposta de Valadares servirá para "reparar uma decisão equivocada do Supremo ao decidir que para produzir e transmitir a informação não se precisa de um profissional adequadamente formado, preparado para conduzir o processo de transporte das informações ao povo brasileiro".
A iniciativa de Valadares também foi elogiada pelo senador Paulo Paim (PT-RS), que pediu a realização de uma audiência pública no Rio Grande do Sul para debater o tema. Na última segunda-feira (24), Inácio Arruda e Valadares estiveram presentes em encontro na Universidade Federal do Ceará (UFC) para debater os caminhos ao retorno da obrigatoriedade do diploma no exercício do Jornalismo. A informação é da Agência Senado.

Quarta-feira, Agosto 26, 2009

O Prédio do Banespa e sua torre
Neuza Guerreiro de Carvalho

Na década de 30 a rua João Brícola sofreu grandes alterações com a chegada do edifício sede do Banco do Estado de São Paulo S/A (Banespa, como é conhecido). O banco, em grande expansão na época procurava um edifício mais de acordo com sua situação de então. Adquiriu um terreno na Praça Ramos de Azevedo, em frente ao Teatro Municipal (onde foi o Mappin) e aí construiu seu edifício sede. Mas, longe do centro bancário que se concentrava no triângulo central, encontrou dificuldades e entrou em entendimentos com a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, que era possuidora do de três edificios na rua João Brícola: o Edifício João Brícola que sediava a Companhia Brasileira de Seguros, a famosa Confeitaria Castelões desde 1893 e a Chapelaria Alberto. Feita a troca dos edificios da João Brícola com o edificio da Praça Ramos de Azevedo, e comprados mais prédios ao redor daqueles da rua João Brícola, começou-se a construção da nova sede do Banco do Estado de São Paulo nas proximidades da rua Boa Vista, 15 de Novembro, Praça Antonio Prado, dentro do coração financeiro da cidade.

O Prédio foi projetado por Plínio Botelho do Amaral e construído pela firma Camargo e Mesquita. Levou oito anos para se construído e foi inaugurado em junho de 1947. É todo em concreto armado, 17.951 metros quadrados constuido, tem 161,22 metros de altura, 35 andares, 14 elevadores, 900 degraus e 1119 janelas. Durante 20 anos foi o prédio mais alto da cidade. Recebeu o nome de Edifício Altino Arantes em homenagem ao primeiro presidente brasileiro do banco.

Depois da privatização em 2000 quando passou para o grupo Santander - Banespa, deixou de ser sede bancária. Ao seu lado hoje há o banco Santander em uma construção super moderna, toda em vidros pretos com heliporto dotado de sistemas de seguran

Agora é ponto turístico e instituição cultural.
Seu saguão principal tem quase 400 metros quadrados, paredes de mármore de 16 metros de altura e piso de granito decorado com brasões de bronze. Muito belo é o seu grande lustre de cristal nacional em estilo "decô-eclético" com 13 metros de altura, 2 metros de diâmetro e dez mil peças de cristal pesando uma tonelada e meia.
O edifício abriga ainda um Museu, que preserva a memória de instituição, uma Biblioteca.

Ponto turístico obrigatório é a visita à sua torre, de onde se pode observar grande parte da cidade. E identificar muitos dos lugares. Numa última visita à torre do Banespa neste 2004, pude observar esses pontos, fazendo uma "viagem" rotacional de 360 graus em sentido horário e identificando: logo à saída da porta, em direção Oeste, pode-se ver: a descida da Av. São João partindo da Praça Antonio Prado; os altos do Edifício Martinelli com a casa que pertenceu e onde morou o Comendador Martinelli; um pedacinho
do Vale do Anhangabaú com o chafariz decorativo; a Avenida São João e uma pequena parte do Correio.
Ainda para o lado direito vê-se o Viaduto Santa Ifigênia, com seu belíssimo piso decorado recentemente; a continuação do Vale do Anhangabaú com a passagem subterrânea (vulgo buraco do Ademar) em direção ao Norte.

Continuando à direita dá para ver o Mercado Central, o Edifício São Vito, o Parque Dom Pedro com os viadutos que compõe o sistema viário da região; o Palácio das Industrias que até o começo de 2004 abrigou a Prefeitura; a Casa das Retortas que no fim do século XIX pertencia à The São Paulo Gás Company e onde o carvão era queimado em altíssimas temperaturas para desprendimento de gás usado entre outras coisas na iluminação pública; o complexo para a Av. Rangel Pestana com a Secretaria da Fazenda, e mais longe a rua da Figueira (antiga chácara da Marquesa de Santos) com o antigo hospital Dom Pedro II

Continuando à direita vê-se o Páteo do Colégio, a rampa que leva a uma rua de ligação, as atuais Secretarias de Justiça, o Primeiro Tribunal de Alçada; toda a Praça da Sé, com o Palácio da Justiça à esquerda sobressaindo atrás dele o Fórum novo, já na Praça João Mendes; A bela Catedral em todo seu esplendor; o principal Corpo de Bombeiros da cidade.

Continuando à direita está o Edifício Joelma, em um ponto "fantasmagórico" da cidade: cenário de um crime famoso em 1948, anos depois quando no terreno já existia o prédio foi sede de um grande incêndio onde morreram mais de 300 pessoas. Na frente o "Banespinha" antigo Prédio dos Condes Matarazzo, depois sede do Banespa e atualmente sede da Prefeitura Municipal da cidade de São Paulo. No seu topo um jardim, em pleno centro que ocupa uma área aproximada de 300 metros quadrados com vegetação exuberante.
O edifício do Banco do Brasil, bastante alto, fecha o círculo.
Infelizmente não se vê o Teatro Municipal e só se vislumbra pare final do viaduto do Chá.