Se alguém ainda duvida da importância de conhecermos o passado para construirmos o nosso futuro, então que revogue todos os conhecimentos acumulados pela humanidade até a presente data. J.U.Nassif

"A força está na serenidade do ânimo e no equilíbrio dos sentimentos."

sábado, agosto 07, 2010

LUIZ ANTONIO COPOLI

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 07 de agosto de 2010
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/
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http://www.teleresponde.com.br/

                                                                                            Foto by JUNassif
Luiz Antonio Copoli e sua esposa Terezinha Aparecida Furlam Copoli
ENTREVISTADO: LUIZ ANTONIO COPOLI
A imaginação humana sempre criou um fascínio pelo desconhecido. Basta ver a atração que as chamadas redes sociais da internet exercem sobre milhões de pessoas. O rádio sempre foi um dos grandes elementos que aguçam a criatividade do seu ouvinte, como foram os célebres contadores de história ao correr do tempo. Versos de Camões, modinhas, repentes, desafios, histórias de cordel, são relatos que estimulam o imaginário, cada individuo dá forma própria aos fatos relatados. O cérebro, esse nosso desconhecido, atua de forma maravilhosa, expande fantasias, dá seu colorido próprio, a cenografia e a sonoplastia são características de cada individuo. O bom orador sabe trabalhar muito bem com seu público, estimula ao máximo o exercício de criatividade de cada ouvinte. Saber trabalhar de forma interativa com sua audiência é a grande magia do apresentador de rádio. Transforma o comunicador em alguém muito próximo do ouvinte, passa a ser quase intimo do individuo. Essa é uma das razões pela qual ao conhecer um locutor o ouvinte parece estar revendo uma pessoa de suas relações mais próximas, mesmo sem nunca o ter visto antes, para aquele que acompanha um programa de rádio, o apresentador é uma pessoa que integra o seu cotidiano. Saber interpretar esses sinais de interação, conduzir o imaginário do ouvinte, despertar emoções é a grande habilidade de um apresentador de rádio. Muito diferente de uma pessoa que simplesmente fala ao microfone. Piracicaba tem um grande apresentador de rádio, que com seu “Programa da Amizade” encanta seus ouvintes há quase 30 anos. Conduz seu programa com maestria, tem um público extremamente fiel, é um Midas da propaganda. Titio Luiz é o alter ego (outro eu) de Luiz Antonio Copoli. Assim como Pelé é o alter ego de Edson Arantes do Nascimento. Titio Luiz acumula grandes performances, quer desenvolvendo campanhas de arrecadação ou motivando centenas de ouvintes a viajarem de navio pela primeira vez na vida. Se alguns torcem o nariz ao ouvirem seu programa, muitos o escutam de forma apaixonada, já o integraram em suas vidas, ele é uma extensão da família de cada um deles. Luiz Antonio Copoli nasceu em 22 de dezembro de 1946, é um homem de estatura elevada, que se veste de maneira clássica, esbanja simpatia, sempre atento aqueles que se dirigem a ele. Refere-se ao Titio Luiz como uma terceira pessoa, o cidadão Luiz Antonio Copoli tem plena consciência de que ele é responsável pelo ídolo Titio Luiz.
Quando foi o inicio do programa que o senhor apresenta?
O Programa da Amizade que apresento pela Rádio Educadora, fará em janeiro próximo 30 anos de existência, iniciei em janeiro de 1981. A estréia do programa foi em uma segunda feira, no domingo à tarde ainda não tinha encontrado o nome que daria ao programa. Dirigi-me á uma estante, para pesquisar alguns nomes, quando me deparei com o título do livro “A Amizade” pensei: “- Esse é o nome!”. O formato do programa foi sempre o mesmo, o fato de ser improvisado torna-o cada dia um novo programa. Não produzo nada antes de apresentá-lo, não crio nenhum roteiro prévio, não sou a favor disso, mas pelo fato de ser sozinho posso ter esse privilégio. Tudo acontece de forma natural, e assim transcorre a cada programa, apresentado diariamente das nove horas da manhã até ao meio dia.
Onde o senhor busca inspiração para motivar o seu público?
É algo que me perguntam, posso dizer que devo muito ao Padre Jorge iniciei com ele na década de 60, acredito que foi em 1964 ou 1965, o Padre Jorge me ensinou muito, a Igreja Católica Apostólica Romana me ensinou demais, além dos meus pais quem me educou foi o Padre Jorge. A minha educação é muito católica, apesar de hoje eu não freqüentar mais a igreja devo muito a igreja católica. Acredito que Jesus deixou uma doutrina, não deixou uma religião, visito locais de outras religiões sempre que me convidam. Gosto muito de ouvir padres, pastores, pregadores, acompanho pela televisão os pregadores que me despertam a atenção, tenho acompanhado o R.R. Soares, alguns pastores da Igreja Universal, Padre Jonas Abib da Canção Nova, Padre Eduardo da TV Século 21, Padre Zezinho, acompanho os bons pregadores. Deus para mim é você. Hoje meu Deus é o meu próximo. Digo às pessoas que se nós perdêssemos a bíblia e ficássemos apenas com “Amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo”, nada estaria perdido, meu Deus é o amor ao próximo. Começo na minha família, não adianta amar seu irmão de caminhada se não amar a sua família. Não somos santos, e nem a minha família é perfeita, a minha família é composta por pessoas imperfeitas. Na minha profissão, na ótica do meu filho, procuro respeitar as pessoas, aceita-las como são. Há um bom tempo eu queria mudar as pessoas, mas não queria mudar a minha maneira de ser. Hoje procuro mudar a mim mesmo e não aos outros, cada um tem os seus direitos, não existe uma única verdade, cada um tem a sua verdade, temos que lutar pela nossa verdade.
Algum dia o senhor pensou em tornar-se padre?
Quando eu era moço foi cogitada a possibilidade de tornar-me missionário passionista, fui convidado por uma congregação de Curitiba. Pelo fato de ser o filho mais velho, portanto arrimo de família e de meu pai ganhar pouco, em hipótese alguma eu poderia ir ao seminário. Somos cinco irmãos, renunciei a ser missionário passionista em função dos meus pais e meus irmãos. Acredito que hoje o meu trabalho é tão importante quanto ao de um padre ou de um pastor, tenho o privilegio de falar para um numero maior de pessoas através do radio.
Qual é a faixa etária do público que o acompanha?
São pessoas com mais de vinte e cinco anos, poucos jovens ouvem o meu programa, porque poucos o entendem, o perfil dos jovens da minha época e os atuais, mudou muito, mesmo que eu queira que os jovens ouçam o meu programa eles não saberão o porquê de me ouvirem. As minhas palavras ajudam, àqueles que não a entendem atrapalha um pouco e até incomoda.
Seus ouvintes o procuram para conversar fora do horário do programa?
Diariamente atendo a pessoas que dizem: “-Seu programa mudou a minha vida!”, “-Seu programa mudou a minha família”, “-Seu programa me tirou da depressão, me tirou do fundo do poço”. São pessoas com mais de vinte cinco anos. Recebo em minha sala pessoas que me procuram, são pelo menos dez pessoas a cada semana. Muitas vêm com problemas sérios, acredito que o que o padre escuta no confessionário eu escuto aqui. A minha sala foi feita especialmente para isso, tem uma porta mais larga, é só o espaço vazio, não tem as folhas da porta, está permanentemente aberta. A minha esposa Terezinha fica logo ali, ao lado. Converso de portas e coração aberto.
Já houve muito choro na sua sala?
Muitas lágrimas foram derramadas, já trouxeram muito desespero, mas eu tenho tido a Graça de Deus, um presente de Deus, que as pessoas saem daqui confortadas. Com toda minha pequenez diante de Deus e pela misericórdia dele ele me dá a palavra, a palavra vem.
São problemas de origem financeira?
Não! Atualmente os grandes problemas da humanidade são os ciúmes e a desconfiança. Ninguém mais acredita em ninguém! Quando se trata de marido e mulher não é diferente, e isso tende a crescer, aqueles que não conseguem administrar alimentam as desconfianças e os ciúmes.
Homens ou mulheres o procuram mais?
Os problemas afetam a ambos, só que o homem é mais resistente a buscar ajuda, uma atitude machista, quando me procuram é por problemas com a família, filhos envolvidos com drogas. Atendo a todas as pessoas que me procuram.
Na maior parte do tempo o senhor escuta ou aconselha?
Geralmente eu só escuto a pessoa que me procura, assim como a que procura a um padre ela necessita falar, são poucas as que estão prontas para ouvir. A cada dez ou vinte palavras que ouço, falo apenas duas! Ouço coisas terríveis. Em minha casa às vezes Terezinha diz que estou muito quieto. É tão cansativo ouvir, que por isso admiro os padres, que não tem com quem conversar, não a respeito do problema, mas simplesmente conversar após ouvir por muito tempo problemas geralmente muito sérios. A falta de dialogo é muito grave atualmente.
A depressão é a moda do momento?
Depressão é uma forma de fugir da realidade. Você faz a opção por ela. Para depressão não existe remédio, você a cura. Existem casos em que é mais fácil optar pela depressão do que estar de bem com a vida, estar deprimido é uma forma de fugir de um problema, só que problemas existirão sempre! Temos que aprender a resolvê-los! Colocar acima de tudo a humildade, a paciência, a renuncia, o que não é fácil! Nos dias de hoje uma das coisas mais difíceis é renunciar. Por que os casamentos atualmente não vão bem? Porque nenhum dos dois quer renunciar. “- Eu tenho razão, eu mando, eu faço!”. Com isso surgem os atritos que acabam em separação.
A atual tendência para um individualismo mais acentuado pode acarretar em problemas?
Algumas pessoas acham que são donas da verdade, do mundo e das coisas. Só elas estão certas. Estabelecem normas, não aceitam que podem ter motivos para erros, ou que tem problemas.
A pessoa pensa: “-Eu sou único, sou verdadeiro, eu sou eu, sou bom pai, bom marido...”, isso tudo é bobagem! Somos todos iguais, Deus não estabeleceu diferenças para ninguém. Nós é que fazemos com que as pessoas sejam diferentes.
Alguma vez já ocorreu do senhor considerar seu ingresso na política?
Não! Já fui convidado para fazer parte de alguns partidos, á concorrer para cargos eletivos, mas penso que o radialista que se envolve com política tem vida curta no radio, e acaba tendo vida curta na política. Os colegas que entraram para a política pararam no meio do caminho. O radialista não pode se envolver com política. O radialista tem a fisionomia que o ouvinte gosta. O excesso de exposição da imagem pode atrapalhar a audiência do programa. Se Titio Luiz for candidato os eleitores não estarão elegendo o Luiz Antonio, eles estarão elegendo Titio Luiz. O Titio Luiz é perfeito, Luiz Antonio é imperfeito.
Como é a convivência do Titio Luiz com o Luiz Antonio?
Não é fácil, mas eu convivo. O Titio Luiz exige muito de mim. Ele é perfeito, e luta com a imperfeição do Luiz Antonio. Para mim o Titio Luiz existe das nove horas da manhã até ao meio dia, dentro da Rádio Educadora. Permaneço trabalhando no rádio muito pela gratidão que tenho á Dona Ana Maria Meirelles de Mattos, eu era torneiro mecânico, quando ela e seu pai, Dr. Nelson Meirelles me tiraram do torno para trazer á Rádio Educadora.
Quantos anos de rádio o senhor completou no dia 3 de agosto?
São 35 anos de rádio.
Qual é receita que o senhor dá para ser bem sucedido na vida?
Trabalhar! Trabalhar e Trabalhar! Eu não era nada, não tinha nada. Há 41 anos casei-me com Terezinha Aparecida Furlam Copoli, na Igreja da Vila Rezende, o celebrante foi o primo da Terezinha, Padre José Mainardi, fomos morar na Rua Ângelo Bachi, 6, Vila Bachi, ali na Curva do “S”. De lá mudamos para a Rua Dr. Koch, 340, era uma casa muito velha que compramos para pagar em cinco anos, isso foi em 1978. Os pais têm que ter objetivos para os filhos também terem. Aos 13 anos o meu filho Flavinho começou a trabalhar na Ótica Piracicaba. Passei momentos dificílimos no inicio do meu trabalho no rádio, de sentar em um banco na praça, com a pasta de propaganda e chorar. O grande erro do homem é ao pegar o salário, achar que é mixaria, por menor que seja deve agradecer a Deus. Abençoar aquilo que conseguiu.
O veículo de comunicação é mais importante do que o apresentador?
Não adianta a rádio me colocar no ar se não tenho talento, eu irei ser mais um. Se você não tiver talento só a radio não irá torná-lo um bom profissional. Algumas vezes os interesses comerciais de algumas emissoras prevalecem independentemente de ter talento ou não. Já faz alguns anos que os anunciantes do meu programa me procuram no meu escritório ou na rádio. No inicio da minha carreira já bati muito na porta de clientes, foi muito difícil. Devo gratidão a muita gente, o Ermelindo Sturion da Casa do Papai foi o meu primeiro anunciante, no dia 3 de agosto fez 35 anos que ele anunciou comigo. Sou grato a Ótica Piracicaba, do Norival Favaro, ele me ajudou muito, a Charm Cosméticos do Toninho, me ajudou muito, eu não tinha um nome ainda conhecido, eles fizeram pela nossa amizade. A propaganda é um produto, ela tem que dar um retorno ao anunciante. Deus me deu tanto quanto eu mereço, mais do que preciso, guarde essa frase.
No Programa da Amizade há um momento especial, o momento da consagração, o senhor pode falar a respeito?
Aprendi a Consagração de Nossa Senhora com o Padre Vitor de Almeida Coelho, o Jair de Souza Palma gravou e colocou na internet, pelas suas mãos recebi um certificado dado pelo Papa Bento XVI, seu secretariado está fazendo uma pesquisa para santificação do Padre Vitor, e encontrou a minha apresentação da consagração que é de autoria do Padre Vitor. Conheci o padre Vitor em Aparecida do Norte, ele fazia um programa chamado Marreta na Bigorna, era um programa muito bonito, duro.
O senhor é tímido?
Sou muito tímido! Falo em publico quando faço uma palestra uma vez por ano, geralmente em alguma igreja que me convida.
Seus fãs solicitam seu autógrafo?
Já pediram, mas não gosto de dar autógrafos, fico muito tímido, abraço a pessoa dou um beijo. Tiro muitas fotos, geralmente com senhoras da terceira idade.
Como são os passeios de navio que o senhor promove?
Para mim foi uma vitória. Promovo uma viagem por ano, em 2008 levei 1380 pessoas, já estamos promovendo pelo sexto ano, fico no navio como passageiro, tiro muitas fotos.
Muitos ouvintes colocaram em seus filhos nomes inspirados pelo seu programa?
Existem muitos rapazes que levam o nome de Flávio por seus pais assimilarem o nome que dei ao meu filho, agora tem ocorrido com meninas cujos pais inspiram-se no nome da minha neta Luisa.
A naturalidade com que o senhor apresenta o programa é perceptível!
Todos falam isso, até o Marcos Turolla, nosso colega da Rádio Difusora, com 38 anos de rádio, diz sempre para mim: “-Titio Luiz eu ouço o seu programa no meu carro, parece que você está sentado ao lado, no banco do passageiro!”. Isso me honra muito, principalmente vindo de um profissional como o Marcos Turolla. O rádio tem me dado muitas alegrias.
O senhor recusa-se a fazer propaganda de algum produto?
Não faço propaganda de motocicleta e nem de bebida alcoólica. O que não serve para a minha família não serve para a sua.
Qual seu prato preferido?
Ultimamente tenho comido muito pouco, mas gosto de arroz e feijão bem temperado.
O senhor já narrou alguma partida de futebol?
Eu não aprendi a gostar de futebol. Até o Mário Luiz fala que o sonho dele é me levar para o estúdio para comentar uma partida.

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