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sexta-feira, setembro 18, 2020
LUIZ AURÉLIO MONTEZANO MARTINS
PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E
MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 19 de setembro de 2020.
Entrevista: Publicada aos sábados
no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços
eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/
http://www.teleresponde.com.br/
O entrevistado
de hoje pelo jornalista João Umberto Nassif é o Deputado Estadual Alexander
Muniz de Oliveira
ENTREVISTADO: LUIZ AURÉLIO MONTEZANO MARTINS
Luiz Aurélio Montezano Martins nasceu dia 1º de junho de
1973, na cidade de São Paulo, na Maternidade São Paulo. É filho de Ângela Maria
Montezano Martins e Luiz Martins. “Um fato curioso ocorreu poucos momentos
antes de eu nascer, meu pai queria registrar o meu nascimento, mas talvez
devido a emoção e adrenalina, ele só então percebeu que estava sem a máquina de
fotografar. Saiu do hospital, atravessou a Avenida Brigadeiro Luiz Antonio e do
outro lado da rua havia uma loja de artigos fotográficos. Adquiriu uma máquina
de fotografia, colocou o filme, não havia ainda máquinas digitais e voltou
rápido para o hospital. Era uma máquina Olympus
Pen. Ela tem uma característica que a diferencia, com um filme de 12 poses você
fotografa de 24 a 27 poses. Com um filme de 36 poses já tirei 83 fotos com ela.
É uma máquina muito rara e ela tem a minha idade 47 anos! E funciona até hoje.
Meus pais tiveram mais um filho: Leandro Vinicius Montezano Martins. ”
Qual era a
atividade do seu pai em São Paulo?
Ele era contador. Ele trabalhou no Banco Nacional. Minha mãe também
trabalhou no banco, por um período curto. Nessa época morávamos no Brooklyn
Velho, na Rua Princesa Isabel. Meu pai passou a trabalhar com vendas: trabalhou
na Bombril; Bozzano e depois trabalhou na Bardahl. Nesta empresa ele teve a
possibilidade de vir para o interior ou ir para o litoral. O sonho do meu pai
era de ir para o litoral. Minha mãe ponderou, achou que seria mais conveniente
para a família residir no interior. Ele veio para a região que abrangia
Piracicaba, Limeira, Rio Claro. Quando ele conheceu Piracicaba, o Rio
Piracicaba, o potencial de crescimento da cidade, como supervisor, ele informa
a Bardhal que tem preferência por Piracicaba, ele foi o responsável por trazer
os produtos Bradhal para Piracicaba. Quando ele veio, ficou hospedado no Hotel
Beira Rio. Na época Piracicaba tinha poucos restaurantes e o melhor hotel era o
Beira Rio. Foi buscar a minha mãe, disse-lhe: “Vamos passar uns dias em
Piracicaba”. Quando ela chegou aqui e viu o Rio Piracicaba, a Escola de
Agronomia e seus parques, almoçou no Restaurante Mirante, ela ficou
deslumbrada: “-Que cidade maravilhosa! ”. Ao sair do Restaurante Mirante, que
na época ficava na beira do Rio Piracicaba, havia uma cigana croata, ela achou
a minha mãe parecida com a sua irmã que havia ficado na Croácia. Ofereceu-se
para prestar seus ofícios graciosamente, leu a mão da minha mãe e disse-lhe que
ela tinha vindo a passeio para Piracicaba, iria mudar-se para cá e aqui teria
dois filhos. Na época a minha mãe fazia um tratamento psicológico para ter
filhos, ela tinha sido testemunha de uma situação muito triste ocorrida com a
irmã dela. A perda precoce de um nascituro em circunstâncias inesperadas.
Como seus
pais se conheceram?
Ainda muito jovem a minha mãe não nutria a pretensão de contrair
casamento em sua vida. Até que, um dia na rua em que ela morava apareceu um
caminhão com uma mudança. Dentro tinha um belo jovem, que despertou até
comentários elogiosos a sua beleza por parte da minha avó! O caminhão parou a
uns 50 metros e começou a descer a mudança. Era o meu pai! Eles começam a se
ver. Meu pai era muito bonito, elegante, na época só usava roupa social, terno
e gravata. Minha mãe também sempre foi bonita. Minha mãe faleceu há uns 15
anos, e meu pai faleceu em 2010. Meu irmão nasceu em Piracicaba e foi batizado
em São Paulo. Nessa transição, o meu pediatra, o obstreta eram todos de São
Paulo. Quando eu tinha um ano e meio fui batizado aqui em Piracicaba, na Igreja
Bom Jesus do Monte. Bem em frente a Igreja existe uma padaria tradicional, a
Padaria Bom Jesus. Meu pai a adquiriu mais tarde. Isso foi há 40 anos. Foi um
período em que a receita do meu pai como vendedor era significativa, a
aquisição da padaria foi um investimento a mais. Ele tinha um depósito da
Bardhal e a padaria. Na época ele tinha uma Kombi da Bardhal, guardo até hoje
panfletos da Bardhal. Preservo uma série de brindes que a Bardhal costumava
distribuir, é a preservação da história.
Houve um
período em que a Bardhal investiu maciçamente em propaganda?
A empresa criou a “Turminha Brava” (um bando de
“malfeitores” que costumava atacar os “desprotegidos” motores dos veículos
brasileiros”). Esses terríveis meliantes atendiam pelos sugestivos nomes
de “Chico Válvula Presa”, “Zé
dos Anéis Presos”, “Antonio Sujo”, “Carvãozinho”, “Clarimunda” e o “Detetive
Bardhal” era o herói.
Luiz Aurélio conserva as figuras moldadas em plástico que era
a loucura da criançada na época. A história da cigana foi em que ano
aproximadamente?
Pelos relatos dos meus pais foi por volta de 1968. E tudo que
ela previu realizou-se.
Seus pais mudaram-se para que bairro em Piracicaba?
Vieram residir no bairro Higienópolis. Ficava bem na divisa
entre Jardim Elite e Higienópolis. A casa era alugada, meu pai tinha um projeto
para construir em uma chácara, de sua propriedade, onde mais tarde se instalou
o Jornal de Piracicaba, era uma área bem extensa. Com o tempo ele adquiriu
outros imóveis.
Você iniciou estudando na escola infantil?
Iniciei na Escola de Educação Infantil Canarinho,
depois fui para o Colégio Salesiano Dom Bosco onde estudei por oito anos. Tempo
da Dona Iracema e do Padre Olívio Poffo.
No Dom Bosco você além de estudar
praticava esportes?
Sempre joguei bola, gostava de jogar como atacante e também como
central. Além do futebol de quadra tínhamos um campo de grama. Mais tarde
joguei muito em um time chamado “Toco de Vela”, o uniforme era cor-de-abóbora e
branco. Vinha escrito o nome do time “Toco de Vela”. Joguei bastante futebol de
quadra, no time do bairro. Vinha uma pessoa, o Marcos, da prefeitura para
treinar o time. Eu jogava de ala direita e pivô, fiz as duas posições. Ganhamos
troféus, jogava com o Jaraguá, Noiva da Colina, Chegamos a ir para Limeira,
Americana, Rio Claro, Santa Bárbara D`Oeste. O que impedia a nossa ida mais
vezes e a outros locais era a falta de recursos. Na inauguração da Quadra
Poliesportiva que temos no Bairro Primeiro de Maio participamos dos campeonatos.
No Colégio Dom Bosco tem a Semana Olímpica, eu jogava Dama, Xadrez e Futebol.
Você chegou a
tocar na Fanfarra do Dom Bosco?
Não. No meu tempo a Fanfarra do Dom Bosco era composta por alunos do
Colégio Dom Bosco, mas em sua maioria era composta por integrantes do Oratório
São Mario, unidade coligada ao Colégio Dom Bosco. O prédio enorme do Dom Bosco
ficava ocioso aos finais de semana, minha mãe costumava me levar até lá, aos
sábados pela manhã. Ali também aprendi a jogar bilhar e tênis de mesa.
Em Piracicaba,
sua mãe teve alguma atividade profissional?
Ela tornou-se funcionária pública.
O Colégio Dom
Bosco marcou a vida de grandes personalidades que ali estudaram e hoje tem
situação de destaque nas mais diversas áreas.
Foi um marco muito gostoso, muito bom, agradeço o esforço dos meus pais
por terem me colocado no Colégio Salesiano Dom Bosco, no qual eu sempre fui
enfronhado na religião. Fui coroinha dentro do Colégio, fiz a Primeira Comunhão
dentro do Colégio, sempre fui ligado a religião, desde pequeno. Minha mãe
estudava muito a religião. Ela teve contatos com a espiritualidade também,
ainda moça. Após determinados acontecimentos ocorridos em nossa casa só a
espiritualidade explica. Por exemplo, no auge da Padaria Bom Jesus, meu pai com
sete imóveis aqui em Piracicaba, apareceu um menino de uns 14 a 15 anos na
padaria pedindo pão com leite. Ele estava com muita fome. Minha mãe com pena
deu o pão com leite. No outro dia ele voltou e disse: “- A senhora tem um pão
de novo? Só que me dá uma vassoura que eu varro aqui fora! ”. Minha mãe ficou
abismada com a disciplina do menino. Ela deu-lhe a vassoura e ele varreu toda a
esquina e os lados da padaria. Minha mãe deu um prato de comida. No terceiro
dia minha mãe falou: “-Você não vai mais fazer isso, você quer trabalhar aqui
comigo? Eu pago um salário você lava os copos, arruma a cozinha! ”. Minha mãe
fazia café, pão na chapa. Ele respondeu-lhe: “-Quero sim! ”. Só que na hora de
ir embora ele sempre demorava, ficava. Minha mãe dizia-lhe: “-Pode ir embora!
”. A resposta dele era: “ Não tenho pressa! ”. Foi quando descobrimos que ele
já morava na rua, não tinha para onde ir. Ele tinha uma tia que cuidava dele,
mas ele tinha horror em voltar para casa. Após essa constatação, minha mãe
colocou uma cama no porão da padaria, disse-lhe: “-Se você quiser, você fica
aqui! ” Para a época isso foi uma afronta, um negócio muito estranho.
Como o seu
pai viu essa situação?
Ele não se conformava. E fechou o menino lá dentro da padaria., ele
deveria ter de 17 a 18 anos. Quando a minha mãe abriu a padaria no dia seguinte
as gondolas da padaria estavam perfeitamente arrumadas, tudo em ordem, tudo
limpinho, a padaria estava cheirosa quando ela ergueu a porta. Tudo lavado,
arrumado. Com um bilhete no caixa escrito: “ Muito obrigado! Nunca tive uma
noite tão confortável na minha vida! ” Só que por praticamente tudo que ele fez
na padaria, minha mãe percebeu que ele nem dormiu! A padaria ali sempre foi
grande, ele arrumou tudo, ajeitou tudo. Tirou produtos das caixas colocou nas
gondolas. A minha mãe o adotou como filho. Deu cama, roupa, matriculo-o no
Curso Supletivo. Ele tirou carteira de motorista. Com o tempo, foi se
aproximando, até que foi indagado quem era o seu pai, ele disse que não sabia,
mãe ele não tinha. “-E a tia que você falou? ” Ele disse quem era. Minha mãe
pesquisou e descobriu que era uma prostituta de luxo que recebia seus clientes
em sua própria casa. Minha mãe a procurou, e contou os fatos acontecidos,
dizendo que ele estava sob os cuidados dela. A tia do rapaz disse-lhe: “- É a
melhor coisa que você faz! A mãe dele faleceu quando ele era pequeno e o pai
nunca ligou para ele”.
Ele passou a
viver com a sua família?
Ele ficou tão próximo da família que foi padrinho de batismo do meu
irmão! Ele conservava umas maneiras estranhas, como por exemplo, dormia no
tapete da sala atrás da porta, sendo que ele tinha a o quarto dele, com cama. Minha
mãe acordava e dizia para ele ir para a cama dele. Era difícil, ele foi se
adaptando aos poucos.
Isso era bem
peculiar.
Era bem esquisito! Minha mãe tinha um amigo japonês que falava
português, mas conservava um pouco de sotaque. Um dia ele disse para a minha
mãe: “-Ângela! Leva esse menino no Centro de Umbanda! Porque espirito está
rondando ele! Espirito tem que vir igual a borboleta! Tem que vir bem! Ele está
dominado, está com problema sério! ”
Qual foi a
reação da sua mãe?
Minha mãe o levou em um terreiro famoso na época o da “Moreninha”.
Quando ele entrou ele saudou, bateu cabeça.
O que é “bater
cabeça”?
É saudar. Quando entramos na igreja católica fazemos o sinal da cruz.
Quando entramos em um terreiro fazemos também o sinal da cruz, também somos
cristãos, e literalmente batemos a cabeça, tem uns que batem cabeça no chão (a
semelhança de uma outra crença muito conhecida no Oriente Médio), o chão ali é
considerado sagrado. Outros vão até o Congá, onde estão as imagens, e batem
cabeça por três vezes. O que despertou espanto em todos é que ele fez todos os
procedimentos regulares da Umbanda como tivesse sido iniciado a não sei quantos
anos. Ele é orientado e começa a fazer os trabalhos de benzimentos, curas.
Dentro da casa da minha mãe! Monta um altar. Aí tenho o primeiro contato com a
egrégora espiritual da Umbanda.
Seu pai como
reagia a isso tudo?
Esse rapaz era tão amigo do meu pai que saiam juntos, ele cuidava do
meu irmão, cuidava de mim, meu pai começou a viajar, queria que ele fosse
junto, como companhia, minha mãe dizia: “-Não, ele me ajuda na padaria, não vai
leva-lo não! ”. Nessa mesma época quem trabalhou muito na minha casa, que a
minha mãe acolheu, com os problemas todos, foi a “Madalena”, como é
carinhosamente chamado e querido pelos piracicabanos o cidadão Luiz Antonio
Leite, que mais tarde exerceu o mandato de vereador em Piracicaba. È uma grande
figura, respeitado e estimado por quem o conhece. Ele é extrovertido, sabe
brincar, mas sabe se impor e respeita todo mundo.
Na sua casa
ele fazia o serviço doméstico?
Ele fazia todo serviço doméstico, na cozinha ficava a minha mãe que gostava
muito de cozinhar. Ele também cozinhava junto com ela. Madalena fazia tudo.
Tocava o telefone na minha casa ele atendia e dizia: “-Residência da Dona
Ângela Martins, pois não? ” ou dizia: “Residência do Sr. Luiz Martins, pois
não?” Se fosse algum conhecido que porventura fosse mais expansivo, ele
mantinha o mesmo tom solene e dizia: “-Pois não, senhor? ” Lembro-me de que ele
sempre estava com um lenço na cabeça. (Madalena trabalhou por muitos anos na
casa da vereadora Maria Benedita (Ditinha)
Pereira Penezzi. Madalena é tida como cozinheira de forno e fogão). Ele
trabalhava todos os dias em casa, almoçava e jantava conosco. Ia para a sua
casa. No dia seguinte voltava. Ele morava ali perto do Juumbo-Eletro, atual Pão
de Açúcar do Bairro Altp. Madalena é um ícone de Piracicaba.
Quanto
tempo vocês ficaram com a padaria?
Acredito que uns cinco a seis anos. Quando a padaria estava com todas
as dívidas saneadas, que o dono anterior havia deixado, o proprietário pediu o
préo no prazo de 30 dias. Meu pai, meu irmão e o rapaz, filho adotivo, foram
comprar um peixe no Mercado Municipal, na Peixaria Mori. Ao retornar, estavam
com um Dodge Polara amarelo, o rapaz dirigindo, na Rua Boa Morte esquina com a
Rua Gomes Carneiro, houve um violento choque do automóvel com um ônibus. Meu
pai permaneceu 15 meses internado na Santa Casa de Misericórdia, realizou
cirurgias, fisioterapia. Ele foi quem se feriu gravemente. Os demais ocupantes
tiveram ferimentos superficiais. Isso tudo impactou no orçamento familiar. Além
das complicações legais, pois embora habilitado, quem dirigia ainda não tinha
recebido a carteira de motorista.
A situação da
família ficou delicada financeiramente?
Tínhamos propriedades em terra nua, mas não tínhamos recursos para
construir, acabamos optando por financiar uma casa modesta. Minha mãe prestou
concurso e foi trabalhar na Justiça do Trabalho, onde permaneceu por 17 anos.
Meu pai recuperou sua saúde, prestou concurso público na Prefeitura e no
Estado. Foi aprovado nos dois. Por dois anos foi inspetor de alunos no Sud
Mennucci, até que foi convidado a ser Supervisor de Direção na Escola Estadual Professor Benedito Ferreira da Costa.
Eu fui estudar lá, onde terminei a oitava série. Ia e voltava de carro com ele.
Em seguida matriculei-me por iniciativa própria no COTIP Colégio Técnico
Industrial de Piracicaba. Em 1992 me formei em Processamento de Dados.
Você seguiu a carreira?
Em paralelo com isso surgiu a religiosidade da Igreja Messianica instituição religiosa
fundada em 1 de janeiro de 1935, no Japão, por Mokiti Okada cujo nome religioso é Meishu-Sama (Senhor da Luz). Em Piracicaba fica na
Avenida São João esquina com a Rua Campos Salles. Quando eu era pequeno minha
mãe me levava lá. Com 18 a 19 anos lembrei-me daquilo, me encantei e quis
estudar. Fui selecionado para fazer o Seminário da Igreja. O padre na Igreja
Católica não pode casar, na Igreja Messiânica há um pensamento ao contrário,
chega uma época em que o ministro adjunto deve casar-se. Para ser ministro tem
um seminário de quatro anos e meio, dos quais fiz quatro anos. Fiquei dois anos
interno aqui, em Rio Claro, em Sãç Paulo no Solo Sagrado de Guarapiranga,
aprendi a falar algumas palavras essenciais em japonês, tem aula de japonês, Cooloquei
na minha cabeça que só iria estudar, embora não houvesse o celibato. Esse foi
um grande problema, dentro da Igreja conheci uma moça, nos apaixonamos, estava
dentro das regras, mas por força do destino rompemos o namoro. Continuei na
Igreja, porém já não tinha mais o mesmo entusiasmo. Permaneci por algum tempo
na Igreja, mais para um período de reflexão.
O que você fez em seguida?
Conheci uma pessoa que viu mediunidade em mim, e me encaminho para um
Colégio de Teologia de Umbanda, em São Paulo. Um dos mestres era Alexandre
Cumino, Sacerdote Umbandista. Me aprofundei na Teologia da Umbanda, fiz o
recolhimento no Candomblé. Fui iniciado na Umbanda e me encontrei. Fiz três
anos Gnose. Hoje sou Candomblé e Umbanda.
Qual é a
diferença entre Candomblé e Umbanda?
O Candomblé é de raiz africana, e a umbanda é brasileira. Os dois se afunilam em similaridades pelo sincretismo que a umbanda usa da Igreja Católica, com relação aos santos. Por exemplo: o nome do santo do candomblé é o mesmo nome do santo da umbanda. A Umbanda cultua São Jorge como São Jorge, Ogum. No candomblé não fala São Jorge, só de Ogum. Na umbanda São Sebastião é denominado como Oxóssi e no candomblé Oxóssi é Oxóssi! Não rezam no candomblé Pai Nosso, Ave Maria. Na umbanda rezam.
Tem algum
padre que participa dos cultos?
Tem! Aqui em Piracicaba mesmo tem um que se une aos umbandistas, assiste
ao candomblé. Ele vem aqui se consultar com entidades. Tomar passe. Se
carregarem de energia. Tem dois padres que vem na minha casa. Tem um pastor
também que vem.
Aquilo mexe com a gente de uma forma, estamos ligados a um todo, que é universalista, é partícula do Universo, o Universo são partículas em movimento. O Universo é musicalidade. O tempo não para, tudo é movimento. Quando toca o Tambor Sagrado, que invoca os Orixás, invocam os Santos, é inevitável um ser vivente não sentir absolutamente nada. Claro que existe pessoas que estão em um desequilíbrio harmonioso tão grande consigo mesmo, com seu eu interior, que passam para o efeito contrário, ela se irrita com a musicalidade.
A música é
praticada nos dois ritos?
A música é tocada nos dois ritos. Mas existe um aprofundamento no candomblé, ele tem muitas etnias. Que são regiões africanas: “mina”, “angola”, “jeje”, “nagô”., “congo”, “angola, “macua”, “benguela” e outras. Cada uma fala um dialeto e cada uma é um toque diferente. No candomblé, toca “Angola”, só fala em africano. Mas o som é atabaque, do mesmo jeito. O mesmo instrumento da Umbanda e do Candoblé. Os mesmos Orixás.
Qual é o título que você detém hoje?
Sou um Sacerdote Umbandista Outorgado
pelo Superior Órgão de Umbanda do Brasil. Sou federado a Federação
Espiritualista Reino dos Orixás que é presidida por Juberli Romão Soares Varela que é o
meu Pai de Santo. Ele é de São Paulo e reconhecido no mundo inteiro como
Sacerdote e Ministro da Paz, pelo Parlamento da Paz.
O que você faz é um trabalho espiritual
positivo, mas existe o negativo também?
A negatividade está ai solta na rua, com
você, comigo. Há um conhecido ditado que diz que temos dois lobos dentro de
nós. Qual você alimenta? A maldade foi introduzida dentro da religiosidade por
desvios de caráter hoje praticados por algumas pessoas.
Essas oferendas colocadas em encruzilhadas, tem objetivos
negativos?
Não necessariamente. O que vale é a intenção. Às vezes você
vê uma oferenda que é para a saúde da pessoa. Pode ser um agradecimento. Tem
várias vertentes, o que pode aconteceu é que foi demonizado por algumas religiões
tradicionalistas que não queriam aceitar outras formas de manifestações. Nesse
aspecto entra o desejo humano do poder. O objetivo de muitas crenças é agregar
o maior número possível de pessoas com objetivos claramente financeiros.
Qualquer outra crença significa concorrência material. Incute na pessoa crenças
absurdas.
O que é magia negra?
É magia! É manipulação negativa. Ela não é o folclore que o
povo fala. Quando alguém deseja mal a outro, na maioria das vezes nada mais é
do que a Lei do Retorno. Algo, alguma coisa, provocou uma mágoa profunda em quem
deseja mal ao outro. “Ori” é sua cabeça, “Xá” é sagrado. Orixá é Cabeça
Sagrada. Quando você vê uma vela preta, você acabou de colocar algo preto em
sua cabeça, pela tradição secular uma vela preta é símbolo de negatividade.
Isso significa que ao olhar você coloca negatividade em sua cabeça. E se a
tradição fosse vela rosa como negatividade? Em ambos os casos você já está em
desvantagem imaginária. Há correntes filosóficas que dizem que a cor preta nada
mais é do que um isolante! Vamos falar de coisa ruim? Vamos falar de Lúcifer!
Era o anjo mais bonito!
Quando você iniciou o seu trabalho com fotografia?
Voltei à Piracicaba, meus amigos tinham se dispersado, encontrei
alguns, entre eles o Anystime, o Nysta. Grande amigo. Comecei a trabalhar com
seguro de vida, saúde e previdência. Trabalhava no Bradesco, no setor de
seguros. Me especializei no negócio, meu cargo era tão bom que foi extinto. Com
o valor do ticket comprei um carro. Vendendo seguro, fui até a um lugar onde
meu irmão fazia um bico de Cabo Man. Era uma festa para a molecada, todos com
12 a 14 anos, faziam a festa quando iam trabalhar, comiam salgadinhos, doces,
de tudo que havia em um casamento, refrigerante tudo grátis e ainda ganhavam um
dinheirinho. Na época havia quatro fotógrafos requisitados, o Henrique
Spavieri, Christiano Diehl, o fotografo com quem meu irmão trabalhava e um
outro. Na época eu tinha uma moto, vendia consórcio de moto e seguro. Fui vender
para esse fotógrafo. Ele perguntou quanto eu ganhava por mês. Ofereceu o dobro
para ir trabalhar com ele. E me orientou: você vai vender eventos de formatura.
Ele me deu a chave de um carro, disse-me: “-Você vai de carro, não vai de
motocicleta não! ”. Disse-me: “-Vai na UNIMEP.”. Fui. Foi onde enfrentei o
Silvio da Sagae, era o maior e único concorrente. Fechei o negócio para
realizar as fotografias, cerimonial, tudo que envolvia essa área da formatura
das turmas de Educação Física, Fisioterapia e Direito. Eu iria ganhar uma
comissão de 6% do valor da formatura inteira. Lembro-me que dava para adquirir
uma casa e um automóvel Brasília. Só que ele nunca me pagou! Com muito esforço,
consegui pegar algum dinheiro, tudo em parcelas. Deu só para trocar a minha
moto por uma melhor.
O que você fez a seguir?
Pensei: “-Sempre gostei de fotografia, vou comprar uma máquina! ”. Fui
ajudar um fotógrafo, ele me admitiu para vender formaturas e fazer uns bicos
junto com a molecada. Jogou uma máquina na minha mão e disse-me: “É assim que
tira o foco. Faça, quero ver depois! ”. Isso na época do filme ainda. Comecei a
fotografar casamentos. No terceiro casamento ele disse-me: “-Você vai ter que
fazer sozinho, suas fotos estão maravilhosas. Pode ir. ” Levei 15 filmes de 36
poses e quase precisei mais! No próximo casamento levei 25 filmes de 36 poses. Ele
adorava as minhas fotos. Aí comprei a minha máquina, usada.
Atualmente os
custos para fotografar são menores?
Os custos são menores, só que os preços finais dos álbuns são maiores. A
responsabilidade é muito grande, de tirar fotografias, organizar, posicionar o
noivo, a noiva, o nível de exigência das fotografias, das formalidades
aumentou.
Qual máquina
você usa hoje?
Hoje tenho diversas máquinas, todas Cannon. Tenho máquinas com recursos
bem avançados. Mantenho uma carteira de clientes, alguns estão comigo há anos.
Eu não filmo, só fotografo. Tem certos momentos que é importante ter uma segunda
pessoa. Minha esposa, Rosana Andreia de Moraes Montezano, também é fotógrafa,
ela me acompanha se for necessário, e tem uma terceira pessoa que se for
preciso também me ajuda.
As
fotografias de um casamento deixaram de ser apenas aquela clássica?
O casamento em si começa desde o making of da noiva,
toda a produção para o casamento, desde o penteado
e a maquiagem até a troca para o vestido e vai até quando ela joga o buquê de
flores. Há casamentos em que também são feitas fotos do noivo em sua fase de
preparação para o evento.
Deve haver fatos hilários que
aconteceram, principalmente em casamentos?
Muitos! Alguns inacreditáveis! Eu não me
limito a fotografar, posiciono o cortejo, a sequência natural da cerimônia, eu
me envolvo muito, gosto disso! Isso também dá muita segurança aos
participantes, noiva, pais, padrinhos. Essa é uma característica que conservo
em todas as situações: casamento, formaturas. Eu me envolvo muito, sou
perfeccionista. Procuro cuidar de cada detalhe, por menor que seja. Essa é a
razão porque tenho clientes que permanecem comigo em todos os seus eventos.
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