Se alguém ainda duvida da importância de conhecermos o passado para construirmos o nosso futuro, então que revogue todos os conhecimentos acumulados pela humanidade até a presente data. J.U.Nassif

"A força está na serenidade do ânimo e no equilíbrio dos sentimentos."

sexta-feira, fevereiro 17, 2017

HÉLIO POMPEU

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 18 de fevereiro de 2017.
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/
http://www.teleresponde.com.br/ 


ENTREVISTADO: HÉLIO POMPEU

Hélio Pompeu narra um pouco da sua história, dos anônimos que enquanto a cidade dormia, eles trabalhavam para o bem estar da comunidade. Nascido em Campinas, a 11 de setembro de 1943, filho único de Zélio e Angelina. Fez seus primeiros estudos no Grupo Escolar Orozimbo Maia, em Campinas, a Rua Andrade Neves.
Em que bairro de Campinas o senhor morava quando era criança?
Eu nasci e vivi uma parte da minha vida a Rua Ferreira Penteado, no centro de Campinas. Morávamos com o meu avô a sua pensão chamava-se Pensão Colombo. Ele sempre teve bar ou pensão em torno da Estação da Estrada de Ferro Companhia Paulista em Campinas. Entre os parentes do lado paterno havia muitos ferroviários, com isso havia os “passes” eu tinha facilidade em viajar de trem, ia muito passear em diversas cidades: Rio Claro, Birigui, Araçatuba, meus parentes do lado paterno moravam nessas cidades. Meu avô paterno chamava-se Rafael Sanches e Maria Garcia, meu avo materno chamava-se Adolfo Pompeu e minha avó materna Maria Orlando.
O meu avô Rafael e a minha avó Maria Garcia, tinham muitos clientes que ficavam na pensão, eram pessoas que ele tinha conhecido em Araçatuba e região e vinham para consultas e tratamentos no Instituto Penido Burnier. Naquela época já era uma clínica famosa.
Ao terminar o curso primário o senhor continuou os estudos?
Como fui um dos três melhores alunos da classe, ganhei dois anos de bolsa integral no Colégio D.Pedro II para estudar na Escola de Comércio D.Pedro II, a noite. Fiz o curso de datilografia. Como eu necessitava trabalhar, deixei a escola.
Qual foi o primeiro emprego do senhor?
Fui trabalhar em uma tapeçaria de propriedade de Hugo Carcani, casado com Dona Irene, quem conseguiu esse emprego para mim foi meu tio chamado Alfredo Roque, eu tinha uns 12 anos. Com uns 14 a 15 anos mudei-me para Capivari. Isso na época em que havia os cinemas Politeama e Íris. O Cine Iris acabou e fizeram o Cine Vera Cruz, que existe até hoje. Em Capivari algumas pessoas da família estavam pensando em me colocar para trabalhar na roça. Foi quando decidi trabalhar em padaria.
O senhor começou o ofício de padeiro em qual padaria?
Comecei em Capivari na então “Padaria de Pedra” dos irmãos Roque, ficava na esquina próxima ao Cine Vera Cruz. O prédio onde era a padaria também permanece, só a padaria que não existe mais.
Que atividades o senhor tinha a fazer quando entrou na padaria?
 Quando comecei, ia buscar os animais no pasto, comecei a trabalhar a noite, sem ganhar nada, para aprender a profissão. Eu ganhava para ir buscar, tratar dos animais e carregar os carrinhos com pães. Eram sempre três, no máximo quatro carrinhos.
Eram carrinhos com carroceria de chapa, com tampa. As rodas eram de madeira com um aro de ferro em volta. As ruas eram de paralelepípedo, o barulho que fazia de madrugada era alto. Cada carrinho era tracionado por um único animal. Eram éguas, tinha a Neguinha, a Pinhona, a Calçada que tinha os quatro pés brancos, ela trotava muito bem. Elas acostumaram-se comigo. No inicio foi um desacerto, no pasto havia outros animais de outras padarias, tinha que trazer na mangueira, jogava o cabresto em uma delas, montava e trazia as outras. No inicio eu trazia, às vezes debaixo de chuva, de vez em quando a um quarteirão da padaria uma delas desembestava as demais acompanhavam. Eu chegava a sentar na guia e chorar quando aquilo acontecia. Naquela época era um trabalho comum. Carregava os carrinhos, eu saia com um pela cidade para entregar pão. Descia correndo, com os pães em uma cestinha, o condutor do carrinho ia para um lado eu ia para outro lado, entregando pães nas casas. O animal era ensinado, já conhecia a freguesia, ia andando sozinho. Nós batíamos a tampa que cobria a carroceria, após retirar os pães, o animal andava e parava logo adiante.
Esses animais eram acostumados a fazer sempre o mesmo roteiro?
Era difícil quando pegava uma égua que fazia outra freguesia, quando nós batíamos a tampa ela saia em disparada. Nesse caso tinha que trabalhar com rédea comprida, onde um de nós ficava segurando senão o animal desembestava. Ia parar na freguesia que estava acostumada a fazer.
Dentro dessa caixa de metal aonde eram acondicionados os pães, quantos pães cabiam?
Eu calculo que filão pequeno, bem arrumadinho, cabia uns mil.
Não era muito peso?
Para o animal não era. Mil filões, se considerarmos 50 gramas cada um, são 500 quilos. Essa éguinha, a Negrinha, na subida de Rafard ela parava no lugar certinho, sem se mexer, meu patrão batia com o cabo do reio na guardinha de madeira que existia no carrinho, ela saia sem dar um solavanco. Do lugar em que ela parava ela saia. Era impressionante a força que ela tinha. Tinha animal que quanto mais peso você colocava, mais valente ele ficava. Eram animais ensinados.
A seu ver, eles tinham algum tipo de raciocínio, ou seja, pensavam?
Essa égua preta tinha que comer amarrada e separada dos demais. Ela era pequena, acaba de comer o embornal dela, vinha, metia o pé em outro animal, tirava-o do lugar, comia o embornal do outro, fazia assim sucessivamente. Tinha algumas pessoas que ela não suportava, eu entregava pão em Rafard, tinha uma vendinha onde eu parava para entregar. Naquele tempo havia muito caminhão que levava o pessoal para cortar cana-de-açúcar, o chamado “caminhão de turma”. As ferramentas iam junto, inclusive na época havia os machadeiros. Uma pessoa carregando o machado caminhou em direção a Negrinha, do outro lado, onde eu estava entregando o pão presenciei a cena. Quando ela ia morder, você percebia que ela murchava a orelha. Ela estava em posição de morder, a pessoa encostou o machado junto a cabeça dela e disse: “-Morda! Morda!”. Devagarzinho ela foi erguendo a orelha, ela entendeu a mensagem. Eu tinha uns quinze anos, lembro-me disso até hoje. Ela era danada, não havia cerca que a segurasse, conseguia passar o chamado mata-burro.
As ferraduras eram trocadas de quanto em quanto tempo?
Quando havia o paralelepípedo, gastavam mais, as ferraduras eram trocadas a cada um mês mais ou menos.
No paralelepípedo, quando chovia, não era difícil andar com o carrinho, os animais não escorregavam?
O pior eram as estradas, o barro! Com as rodas de ferro ainda! Ficava o dobro do peso. Chegava a encostar o eixo da carroça no chão. Tinha que descer do carrinho e  ir ajudar, fazia força para que a roda virasse, empurrando com as mãos os raios da mesma.
Vocês sempre entregavam os pães em duas pessoas ou era um entregador apenas?
No inicio eu saia ajudando a entregar os pães, depois passei a ter um carrinho, ficou uma freguesia para mim.
O senhor deixava os pães nas chamadas vendas, hoje substituídas por supermercados, e deixava os pães em casas particulares. Como era feito o pagamento?
A maioria das entregas era em casas particulares. O acerto das contas era mensal, uns acertavam diretamente com o entregador, outros acertavam na padaria. O cliente marcava e o entregador marcava também, eram duas marcações. Era muito difícil dar alguma diferença.
Havia um pessoal que saia do baile, passava, via o pão fresquinho, apanhava, o cliente reclamava que o pão não tinha sido entregue?
Isso existia, vim ver muito disso aqui em Piracicaba. Lá em Capivari era muito difícil. Uma característica muito comum era quando íamos entregar pão, já sentíamos o cheiro de ovo e lingüiça fritos. Já estavam aguardando o pão. Algumas casas esperavam o padeiro chegar já com o café pronto. Diziam: “- O cafezinho está pronto padeiro!”. Os padeiros em benquistos. Entregávamos pães na Santa Casa de Capivari, a cozinheira, uma senhorinha, quando entrávamos para deixar os pães já tinha duas canequinhas com café nos esperando! Era muito bom, um café quentinho na madrugada gelada. A meu ver, naquele tempo a vegetação ocupava um espaço maior, isso fazia o frio ficar mais intenso.
A que horas vocês começavam a trabalhar?
A entrega de pães começa às três horas, três e meia continuava após o serviço da noite inteira. Só mesmo o pessoal que tinha freguesia é que chegavam só para entregar. Nós fazíamos o pão e íamos entregar isso foi no começo. Quando eu peguei uma freguesia teve um período em que eu fazia o pão e ia entregar. Depois teve uma época em que mudei de padaria, fui trabalhar na Panificadora Moderna na Rua XV de Novembro, quando eu entrei era do Palhares, quem montou a padaria foi um senhor de nome João Casellhas, que depois se mudou para São Paulo. Lá eu trabalhava de madrugada e entregava pão após o almoço. Eu saia com o carrinho, tinha uma buzina, geralmente um freguês fazia parar. Parava, apertava a buzina, vinha a quadra inteira. Ali já tinha a massa doce, o famoso pão doce, levava produtos diferentes. Algumas pessoas encomendavam doces. Quando eram encomendas para festas elas encomendavam na padaria. Começaram a aparecer os doces chamados de cremes, a bomba. Trabalhei na linha de fornecimento por uns dois ou três anos. Decidi parar de fazer a linha e ficar trabalhando só a noite. Entrava às nove e meia, dez horas da noite e saia às sete horas da manhã.
“Desmanchava”, ou seja, usava, quantos sacos de farinha de trigo por noite?
Em média quatro a cinco sacos. Na segunda padaria em que entrei já tinha modeladora. Nas outras padarias o filãozinho era feitos todos na mão ainda. Trabalhávamos em bastantes padeiros em volta da mesa. Um ia picando e os demais iam fazendo.
Como era calculado o peso do filãozinho?
A medida era feita na mão. Tem que prestar a atenção na massa, se ela está mais fina,, mais grossa.
A qualidade do trigo influencia muito?
A qualidade do trigo antigamente era muito boa. A farinha de trigo vinha do Uruguai, Argentina, União Soviética, esta última por sinal uma das melhores.
Quais eram os ingredientes utilizados para fazer o pão?
Trigo, sal, açúcar, fermento e água. Atualmente usam também o chamado “reforço”.
E o Bromato de Potássio?
O Bromato de Potássio é uma substância química que era utilizada por alguns padeiros para fazer o pão crescer. Esta substância é proibida pela ANVISA por causar câncer. Para pesar o Bromato tinha que ir à farmácia, precisava de uma balança de alta precisão. Em um litro de água colocava-se de 20 a 30 gramas de Bromato de Potássio, ele é em pó. A cada dois sacos de farinha de trigo colocava-se um copinho, daqueles utilizados como doses de aguardente. Imagine a força que o Bromato tem. Esse litro de água durava a semana inteira.
Qual era a função do Bromato de Potássio?
Era estufar o pão. Se enfiasse o dedo ele atravessava o pão. O pão feito com Bromato esfarelava muito. Foram feitos estudos, colocaram mais açúcar na massa para deixar mais macio.
O senhor ficou na Panificadora Moderna, em Capivari, até quando?
Até ser dispensado de servir no Tiro de Guerra. A minha mãe de Campinas foi trabalhar em São Paulo como doméstica na casa do juiz Sebastião Caboto Carreta, da família Carreta da cidade de São Pedro. Minha mãe disse-me que viria morar em Piracicaba. Eu tinha dois anos e meio quando meu pai faleceu. Até hoje mantemos os laços familiares com as minhas tias e tios, irmãos do meu pai. Minha mãe foi trabalhar como doméstica na casa do médico Dr Ben-Hur Carvalhaes de Paiva. Eu vim para Piracicaba, para passear, disse à minha mãe: “Angelina! Vou sair de Capivari!”. Eu a chamava pelo nome. Ele disse-me que se quisesse vir para Piracicaba havia como me alojar. Minha tia e meu tio que era aposentado do Engenho Central concordaram. Nisso Benedito Mateus, mais conhecido como Dito Botinha, parecia àquele personagem Amigo da Onça, Morava próximo a minha casa, na Vila Monteiro. Morávamos na Rua Alexandre Herculano. Ele morava descendo a Rua João Bacchi, na primeira casa da Rua da Paz. Ali era tudo mato nos anos 60. Nem asfalto não tinha, a energia elétrica tinha chegado a pouco tempo ali. Minha mãe foi à Capivari e disse-me que o Seu Dito tinha me convidado para vir trabalhar com ele quando eu quisesse. Na realidade em Piracicaba havia uma falta enorme de padeiros.
O senhor veio conversar com o Dito Botinha?
Vim! Fui até a casa dele, sentamos, conversamos generalidades, ele disse-me; “Apronte-se que a noite eu passo e levo você comigo para a padaria”. Fomos de ônibus, naquela época pegava o Ônibus Circular no Cemitério. Lá para baixo, onde morávamos, não havia ônibus.
Em qual padaria vocês foram trabalhar?
Na Padaria Brasileira, situada a Rua Alferes José Caetano, 701. O proprietário era José Ieda, casado com Dona Lucy Cardinalli. Ele não tinha chegado ainda. Entrei, fiquei esperando, dali a pouco ele chegou, o Dito me apresentou, aquela noite mesmo já comecei a trabalhar. No terceiro dia ele disse-me para levar a carteira de trabalho, para registrar. No dia 6 de janeiro de 1963 eu peguei a mão no cilindro. Perdi o dedo polegar após dois meses de tratamento. Fiquei afastado do trabalho por quatro meses. Voltei a trabalhar. No inicio foi difícil, eu tinha 19 anos, andava com a mão no bolso. Um dia o nosso chefe Ernesto Rampazzi comunicou-nos que o Pitangueira, que era o forneiro, ia sair da padaria. Eu disse: “Seu Ernesto, onde eu morava, eu enfornava pão!. Só não tinha essa pilha de tabuleiros de pães!”
Na Padaria Brasileira vocês “desmanchavam” quantos sacos de farinha de trigo por noite?
Em média uns doze sacos! Era bastante, era tabuleiro ainda de madeira, pesados. A padaria tinha dois fornos, um bem grande e outro menor. Quando a pilha de tabuleiros começava a aumentar muito, alguém saia da mesa e vinha enfornar no segundo forno, que era menor. Funcionavam os dois a noite inteira. Comecei trabalhando no forno menor, na folga do forneiro eu passava a trabalhar no forno maior. No fornão iam 12 tabuleiros com 25 bengalas cada um. Eram 600 bengalas a cada enfornada.





Uma bengala equivale a quantos filões de 50 gramas?
Em média cada bengala pesava 250 gramas, equivale a cinco filões.
O forno era a lenha, quem colocava a lenha?
Nós mesmos! Era forno continuo. Trabalhava dia e noite. Enquanto outras padarias tinham forno de descanso.
O que é forno de descanso?
O forno de descanso você tem que queimar ele durante o dia, por exemplo, queima a manhã inteira, até quando chega lá pelas duas horas da tarde. Acabou de queimar, você fecha o forno. A noite você o limpa por dentro, retira a cinza que sobrou da lenha queimada, coloca de três a cinco latas com água, essa água vai evaporar dentro do forno, ai passa a enfornar até o próximo dia pela manhã. Aos poucos ele vai enfraquecendo, então é colocado mais açúcar na massa para corar o pão. A lenha é colocada de novo só no dia seguinte a fornada. O forno que usávamos na Padaria Brasileira já tinha o marcador de temperatura. A maior produção da padaria era bengala e filãozinho.
Como era feita a entrega dos pães feitos na Padaria Brasileira?
Na época já eram três peruas Kombi. Havia um ou outro “frangueiro” que ia buscar pães para negociar na zona rural, mas eram poucos. 
A padaria Vosso Pão situava-se onde hoje é o Edifício Canadá, era gerenciada por uma senhora?
Era a Dona Augusta, que foi proprietária da Padaria Inca, muito tradicional. Ela foi proprietária da Fábrica de Bolachas Júpiter, uma indústria alimentícia que marcou época.
Quando o senhor saiu da Padaria Brasileira foi trabalhar em qual padaria?
Fui para a Padaria Nossa Senhora Aparecida – PANSA, situada na Avenida São Paulo. Na época era uma padaria com uma portinha só. Quem montou a padaria foi o Benzico, que era motorista de praça (taxista). Ele vendeu para  José Micheletti casado com Dona Domingas, eles tinham uma família grande, muitos filhos, todos trabalhavam muito na padaria. A PANSA “desmanchava” em média 15 a 16 sacos de farinha de trigo por dia. Eram 4.500 bengalas por dia. Por um longo período foi a padaria mais conceituada da cidade. Eram muito detalhistas e cuidadosos com os produtos que fabricavam. Eles contrataram um mestre italiano para fazer biscoitos de polvilho. Criaram uma fama enorme com o biscoito de polvilho.
Quantos forneiros trabalhavam na PANSA?
Tinha dois forneiros que trabalhavam regularmente, um terceiro forneiro que era o folguista, cobria a folga de um dos forneiros, dois cilindreiros, um masseiro, um mestre e um ajudante.
A que horas abria a PANSA ?
Às cinco e meia da manhã e ficava aberta até as dez horas da noite. Nós que trabalhávamos na produção chegávamos para trabalhar com o balcão aberto ainda, as dez horas da noite e trabalhava até as seis, sete horas da manhã.
A parte de confeitaria o senhor nunca fez?
Nunca gostei! Em Capivari, na esquina da Igreja Santa Cruz tinha o Bar da Bepa que só fazia doces caseiros: mamão verde, abóbora, batata doce, uma grande variedade, era só pegar algum dinheiro e o pessoal corria para o Bar da Bepa. De bar não tinha nada, só tinha doces, um mais gostoso do que o outro.
O senhor trabalhou na padaria Jacareí?
Trabalhei, o proprietário era o Adão Roque, a esposa dele era professora no Colégio Piracicabano.
É muito comum o padeiro sair e voltar a trabalhar em determinadas padarias?
É bastante comum, eu trabalhei em poucas padarias, porém entrei e sai várias vezes. Houve uma época em que o Faganelllo adquiriu as padarias Bom Jesus, Jacareí e Takaki e deixaram para o João Jorge administrar. Com isso eu passava uma semana em cada padaria.
A Padaria Jacareí é uma das mais antigas de Piracicaba?
Das padarias antigas que ainda estão abertas, acho que a Jacareí e a Central são as mais antigas. A Padaria Popular, no inicio trabalhava só como confeitaria. O José Ieda não se conformava de confeiteiro ficar junto com padeiro, saia muita briga, por causa do uso de forno. Os dois queriam usar o forno ao mesmo tempo. Ele abriu a Padaria Popular, mandava pão para lá e trazia doces para a Padaria Brasileira. Quem entregou pão com carrinho de tração animal, por muito tempo, foi o filho do dono da Padaria São José situada na Avenida Madre Maria Teodoro esquina com a Rua MMDC, o Alexandre Sacchi e seu irmão Roberto Sacchi. Depois foram donos da Pão Quente, da Padaria Independência.
Atualmente é mais fácil fazer pão?
Tem muita facilidade para fazer. É só jogar a farinha, água e fermento já faz pão!
A sua vida sempre foi em função de proporcionar a alimentação à população?
A minha vida sempre foi essa. E continua até hoje. Amanhã cedo mesmo eu vou trabalhar. Já faz 12 anos que me aposentei na Padaria Delicia, do Castilho.
O senhor ainda faz uns biquinhos por prazer?
Eu gosto de trabalhar na minha profissão! Antigamente o saco de farinha era de 60 quilos, hoje tem de 50 e de 25 quilos. Logo acaba o de 50 quilos. Era saco de tecido, hoje é de plástico. Antigamente quanto saco vazio eu vendi na Vila Monteiro para as pessoas fazerem lençóis, camisa, piquá (bolsa) para as crianças levarem material escolar.
O senhor tinha alguma forma de laser?
Tinha! Fui praticante de futebol. meia esquerda. Em Capivari cheguei a disputar o Campeonato Amador. Primeiro no infantil e juvenil do Capivariano Futebol Clube depois o time dispersou, fui parar no Rossi onde fui bi-campeão. Quando vim para Piracicaba comecei a brincar um pouco no Lusitano, da Vila Monteiro. A bola era pesada, matava ela no peito ficava a marca!
                                            CAPIVARIANO FUTEBOL CLUBE  
Qual outra atividade o atraia?
Eu gostava muito de cinema, de bailes, musica. Clássicos como Casablanca, E o Vento Levou, Ben-Hur, quando era criança gostava dos filmes mexicanos da PELMEX-Películas Mexicanas com Libertad Lamarque. Assisti Marcelino Pão e Vinho, depois de dois dias estava passando em Capivari, levei a minha avó para assistir no Cive Vera Cruz, que existe até hoje. Assisti muitos filmes fantásticos, como Amar é Sofrer . Têm pessoas que não gostam de filmes brasileiro, eu gosto muito de filme brasileiro. Principalmente da Atlântida Cinematográfica e Vera Cruz. Dificilmente teremos outro ator como Milton Ribeiro. Tornou-se conhecido por suas interpretações de homem mau do cinema brasileiro, vai ser dificil surgir um canastrão como ele interpretava. Um dos maiores sucessos do cinema brasileiro, que encontra-se na galeria mundial da fama é O Pagador de Promessas um filme brasileiro de 1962, um drama escrito e dirigido por Anselmo Duarte e baseado na peça teatral de Dias Gomes.Conheci Anselmo Duarte, ele era de Salto. A família Duarte é grande, ele tinha vários primos em Capivari.
O senhor conhece a história que Anselmo Duarte contava em suas palestras, sobre o milésimo gol do Pelé?
Em uma partida amistosa, realizada em uma longa excursão do Santos pela Europa, o time era uma máquina de fazer gols, até que com uma celebre goleada sobre o adversário o técnico brasileiro atendeu o apelo do time que estava passando por um vexame em sua própria casa e tirou Pelé do campo, durante a partida.  O ator Anselmo Duarte (que viajava com os santistas, numa espécie de cicerone do elenco), entrou em campo e marcou um gol!!!! Para não dar problemas com a CBD, o SFC informou que o gol tinha sido de Pelé. Isso foi narrado pelo próprio Anselmo Duarte em palestra proferida no SESC de Piracicaba. Essa excursão ele fez com o Santos já promovendo o filme “O Pagador de Promessas”. O filme já estava pronto, ele não tinha mandado para o festival ainda. ‘O Pagador de Promessas’, dirigido por Anselmo Duarte, conquistou o prêmio máximo do Festival de Cinema de Cannes, na França. A Palma de Ouro em 1962.
O senhor gosta de ler?
Gosto muito, um livro que gostei muito é Os Fantoches de Deus, de Morris West, Gosto de Jorge Amado, adoro as poesias de Pablo Neruda.
Assim que cheguei o senhor estava ouvindo una musica muito bonita.
Eu não sou musico, mas gosto de boa música. Estava ouvindo o show do Andrea Bocelli na Toscana, Itália. Ele montou um teatro em meio das montanhas na Itália.
O senhor toca algum instrumento?
Instrumento de couro eu bato bem sim. Já sai na escola de samba Unidos da Cidade Alta, era cordão depois passou a ser escola de samba, eu tocava tamborim, surdo. Conheci Bonga, Nardão.  Gostava muito de sair no coro dos puxadores de samba. Comecei a cantar em escola de Samba quando morava ainda em Capivari, saia na escola Pedrinho Motta.
O senhor vive momentos distintos, a arte de trabalhar com alimentos e o amor pela arte, com uma predileção intelectual muito seleta.
Na padaria, os meus colegas ficavam loucos com isso. Enquanto eles cantavam ou ouviam músicas do gosto popular, geralmente impostas pela mídia, eu chegava e cantava, por exemplo, Chico Buarque, Milton Nascimento, Ivan Lins, destoando totalmente doa preferência da maioria. Diziam: “-Esse rapaz está louco!”.
O senhor estava adiante do seu tempo!
Minha mãe dizia que eu estava além do meu tempo. E eu a considerava um pouco além do tempo em que ela vivia.
Uma análise do mundo atual e de uns 30 anos passados, o mundo mudou muito?

Mudou para pior! A tão decantada tecnologia eu não sei aonde irá nos levar. O povo brasileiro já não tem história. Tudo que aprendemos na escola foi desmitificado agora! Tiradentes não era o que disseram que era! A História que nos contaram não era a verdadeira! Tivemos um herói na Guerra do Paraguai que não saiu do Rio de Janeiro! Fabricamos um herói! Um país sem história, sem memória não é um país. Uma cidade que preserva sua história é a cidade de Itu. Lá você encontra história. Há a preocupação da cidade em preservar a sua memória. O Engenho Central, o Lar dos Velhinhos, estão onde se encontram graças a coragem de homens que lutaram e lutam pela sua preservação. A ambição sem escrúpulos e especulação desenfreada já teriam alterada a geografia da cidade. 

NOTAS:






Cervejaria Columbia

Publicado 21/05/2014 por lcs2308


  O italiano Ângelo Franceschini, veio da Itália para o Brasil em 1875 e, em 1880 junto com Ângelo Belluomini, seu sócio, fundou sua primeira fábrica de cerveja, a fábrica de Cerveja Guarany, na Rua Cônego Scipião (antiga Rua Vinte e Quatro de Maio), n. 19, prédio que até 1988 ainda resistia ao tempo. 

      Em 22 de agosto de 1885, o jornal Gazeta de Campinas, publicou que foi realizada nos salões da Faculdade de Direito, em São Paulo, a Exposição Provincial e que obtiveram prêmios nessa exposição diversos expositores de Campinas. Entre os produtos premiados constava a cerveja branca de A. Franceschini & A. Belluomini.

  Em 1906, através de seu fundador Ângelo Franceschini, a fábrica de cerveja e “Gelo Columbia”, começou a funcionar  no prédio de tijolo da  Avenida Andrade Neves, 103. Esse prédio construí­do em 1873 para abrigar a Cia. MacHardy, primeira fundição de Campinas. Foi comprado pela Columbia quando a Cia. MacHardy enfrentou problemas financeiros no final do sécu lo 19 e se transferiu para próximo de sua concorrente, a Fábrica Lidgerwood. 

        O capital empregado foi de 1,727:091$736 (1 milhão, 727 mil, 91 contos e 736 reis), todos os produtos eram elaborados com matéria-prima alemã£. Seus produtos receberam medalhas de ouro e diploma de honra nas exposições de Torino em 1911 e em Roma em 1913. 

        Fabricava entre outras, as cervejas: Franciscana, Duqueza, Colúmbia, Negrita e ainda o Guaraná Cristal. 

        A produção anual de cerveja, refrescos, gasosas, água mineral e xaropes eram de 15 mil hectolitros. Seu movimento era de cerca de 1500 contos por ano. A fábrica utilizava 70 empregados e tinha importação anual de 100:000$000 (cem mil contos de reis).



                    Acima o edifício da fábrica na Avenida Andrade Neves, números 80 e 82;

 Acima laboratório químico, vendo-se os Srs. Ângelo Franceschini, proprietário; Guido Franceschini, auxiliar; Luiz Helmpel, diretor técnico

                                       Acima seção de engarrafamento


                             Acima a seção de pasteurização, rotulagem e selagem


                                               Acima seção de fabricação de gelo.

A partir de 1930, foi fabricada uma cerveja preta, criada em homenagem ao cavalo de nome “Mossoró” que ganhou o 1º Grande Prêmio do Brasil, no rótulo da garrafa de cerveja estava estampada a cara do cavalo campeão.
          Em 1957, a fábrica foi incorporada pela Antarctica, transformando o prédio em deposito de sua fábrica que já existia ao lado. Gradativamente os produtos da Columbia deixaram de ser produzidos, a Antarctica ainda produziu por um certo tempo a cerveja preta Mossoró.
 No dia 1 de outubro de 2004, envolvendo a Prefeitura, a Sanasa e a AmBev; O terreno que tem 2.736,30 m2, dos quais 1.691,20 m2 de área construída e que se encontra vazio e abandonado desde 1989, foi desapropriado por decreto, pela Prefeitura.      
Cervejaria Columbia, e, 1921. Na foto da esquerda para direita: José Strazzacappa, Arthuro Santucci, Duílio Franceschini e Ângelo Franceschini.
Acervo Nelson Santucci Torres:
          Cervejaria Columbia. 1- Angelo Franceschini; 2- Artguro Santucci; 3- Orlando Santucci:


Theresa Gava Francheschini, Carolina Izabel Franceschini Santucci, Ida Franceschini Strazzacappa, Orestes Franceschini e Ângelo Franceschini (fundador da Cervejaria), por volta de de 1895/96: 



Pequena história dos cinemas em Capivari
por Arnaldo F. Battagin, março 2015


Todos (ou quase todos ) conhecem a história do Cine Vera Cruz, inaugurado em 21.5.1955 e que constitui o único cinema em funcionamento atualmente na nossa cidade. Recomendo o vídeo especial de 50 anos para os que ainda não o viram.




 Mas a história do cinema em Capivari começa muito antes. Em 10 de fevereiro de 1885, Capivari recebia a visita honrosa do grande republicano, Dr Prudente de Moraes Barros, que veio de Piracicaba. À noite, o ilustre deputado e futuro presidente da República, foi alvo de uma grande manifestação de apreço por parte de seus correligionários, oferecendo-lhe um lanche no Teatro Rinque (depois, Teatro São João). Em 1904, no dia 7 de fevereiro, inaugurou-se no Teatro São João a iluminação a gás acetileno. Esse fato concorreu para que o teatro, que ficava na praça central, na esquina das ruas XV de Novembro e Saldanha Marinho fosse palco das atividades cinematográficas em Capivari, por muitos anos. Foi sucedido em denominação por Cine Iris, que os capivarianos de mais de 70 anos, chegaram a conhecê-lo, como palco de diversão e muitos namoros. Assim noticiava a imprensa local: ”Em abril de 1908, tendo o Sr Amadeu Castanho adquirido em São Paulo um cinematógrafo, deu o primeiro espetáculo na noite de 23, tendo sido o primeiro cinematógrafo instalado definitivamente nesta cidade e que muito agradou ao povo, principalmente a revista cômica A PRANCHA, repetida mais de 20 vezes”. Outra noticia dava conta que em 1905, no dia 6 de fevereiro, tinha estreia no Teatro São João o cinematógrafo da empresa J.J. Martinelli. Em 29 de maio desse mesmo ano Capivari era brindada com o primeiro espetáculo de cinema falante, da empresa Candburg e assim reagiu a imprensa: De todos os cinematógrafos que vizitaram (sic) a nossa cidade, foi esse o mais aperfeiçoado, distinguindo-se os dois números ”Au Clair de la Lune” e “Ao telefone” Outra noticia, de 1909, mostrava empreendedores capivarianos dessa área. “ A 4 de abril de 1909, os senhores Benedito Pereira da Cunha(bisavô de Ricardo Cruzatto e ex prefeito) e Joaquim da Silva Jr instalaram no Teatro São João um cinematógrafo Pathé.( Essa empresa francesa, juntamente com a Lear e Melliés e outras americanas e inglesas ganharam o mundo a partir de 1895, quando Lumière “inventou” o cinema). Os primeiros espetáculos apanharam enchentes à cunha”. O equipamento não resistiu ao tempo, nem a gíria, que não entendemos mais. O empreendimento mudaria de mãos, conforme mostra anúncio de funcionamento em 1910 da empresa cinematográfica de Antonio Coelho, instalada no Teatro São João, com o nome de Cinema Brasil. Haveria ainda o Bijou Cinema, do mesmo Antonio Coelho, inaugurado em 27.8.1911 no local onde mais tarde foi construída a residência da Família Jarjura, na Rua XV de Novembro, logo abaixo da atual Prefeitura. Em 8 de janeiro de 1914, o Bijou Cinema passou a chamar-se Radium Cinema, sob a firma de Artur Afonso de Toledo, projetando a película Os Noivos, de Pasquali Film. O cine Politeama somente seria inaugurado em 12.10.1923.
Vinicio Stein de Campos, no seu livro Menino de Capivari II, edição de 1982, nos conta interessante historia sobre as origens do Politeama. O motivo da construção do prédio para abrigar o cinema deveu-se à disputa dos dois partidos políticos capivarianos na década de 20: o Maragato e o Democrata. O cine Iris pertencia ao Maragato e a rivalidade se acirrou quando ficou pronto o novo cinema. Certo tempo depois houve um congraçamento entre os partidos, mas a disputa entre os cinemas continuou por muito tempo. Nas noites em que o Politema exibia um filme de estreia ou de melhor qualidade e, portanto se cobrava mais por isso, o Iris, projetava de suas janelas no paredão da Câmara Municipal, filmes mais populares, curta metragens, etc., sessões que eram chamadas de “Cine Reclame” Essa sessões grátis despertava grande interesse do público em detrimento das sessões mais caras do Politeama. O processo continuou, com sessões regulares às sexta feiras agora não mais com aquela característica de disputa e concorrência, até que resultou por desgaste no desaparecimento do chamado ”cine reclame”.Infelizmente nessa disputa só houve perdedores, pois o Iris “morreu” no início da década de 50 e o Politeama nos anos 70 ou 80 (não consegui apurar) O certo é que eles morreram em nome do “progresso”, juntamente com o Coleginho, a Câmara Municipal, o Mercado. Uma pena!



Capivariano Futebol Clube

O Capivariano Futebol Clube é um clube brasileiro de futebol da cidade de Capivari, interior do estado de São Paulo. Fundado no dia 12 de outubro de 1918, suas cores são vermelho e branco e a mascote é o "Leão". Atualmente disputa a Série A2 do Campeonato Paulista. Fundado em 1918, o Capivariano Futebol Clube é uma das equipes mais antigas da Região da Sorocabana, que era abastecida pela Companhia Estrada de Ferro Sorocabana. A linha ligava a capital paulista ao Oeste do Estado, chegando até a divisa com o Mato Grosso. Nos anos 1950, o Capivariano, que foi um tradicional participante de competições amadoras, montou um verdadeiro esquadrão e se tornou praticamente imbatível nos campeonatos do Interior, vencendo 32 títulos zonais. Devido a este extraordinário desempenho, começou a ser chamado de “Leão da Sorocabana”, apelido pelo qual é conhecido até hoje.[2]
Durante muitos anos, o Capivariano mandou os seus jogos no Estádio Municipal Fernando de Marco, próximo à estação da Sorocabana, hoje desativada. Atualmente, o clube joga na Arena Capivari (antigo Estádio Carlos Colnaghi), inaugurado em dezembro de 1992, reformado em 2014 e que tem capacidade para suportar até 19 mil torcedores segundo contagem da Federação Paulista de Futebol.
Sua primeira competição profissional foi em 1958, no Campeonato Paulista da Terceira Divisão (equivalente a atual Série A3), onde permaneceu até 1963 sem nenhum resultado expressivo.
A partir de 1964, o clube esteve por 11 anos licenciado, e retornou somente em 1976, na Segunda Divisão (Série A3). Em 1980, a nomenclatura dos campeonatos foi mudada e, a partir desse ano, o Capivariano disputou a Terceira Divisão (Série A3), onde permaneceu até 1984, quando foi campeão e promovido à Segunda Divisão (Série A2).
A equipe de Capivari permaneceu na Segunda Divisão até 1987, quando houve mais uma outra reordenação dos campeonatos e a "Segundona" passou a ser a Série Especial. Nesse ano, o clube foi rebaixado, disputando no ano seguinte o Campeonato Paulista da Segunda Divisão (que equivale à atual Série A3), conquistando o título e o acesso à Série Especial (Série A2), onde permaneceu até 1991.
Após ficar o ano de 1992 sem disputar competições profissionais, o Capivariano retornou em 1993 na Série A2 do Campeonato Paulista. Entretanto, caiu duas divisões e no ano seguinte esteve inscrito na Série B1A (equivalente a atual Segunda Divisão), onde permaneceu até 1997.
Também em 1997 foi novamente rebaixado, desta vez à B1B (quinto nível, sem equivalência no sistema atual), divisão que disputou até 1999. A partir daí, participou do Campeonato Paulista da Segunda Divisão B2 (quinto nível) até em 2005, quando houve nova reorganização na estrutura do futebol paulista e as então séries B1, B2 e B3 foram unificadas na atual Segunda Divisão Estadual.
No ano de estréia na nova Segundona, o Capivariano conseguiu avançar à segunda fase, mas acabou eliminada na seqüência. Também disputou a Segunda Divisão em 2006 (novamente eliminado na segunda fase), 2007 (eliminado na primeira fase) e em 2008 (eliminado na segunda fase), mas sem sucesso.
Ascensão e acesso à elite
Entre 2011 e 2012, o Capivariano conquistou um feito histórico, dois acessos consecutivos, em 2011 acesso à Série A3 de 2012 e em 2012, acesso à Série A2 de 2013.
Em 2013 na Série A2, o Capivariano fez uma boa campanha na fase inicial e terminou na 6ª posição, com 30 pontos, garantindo, assim, vaga no quadrangular final, num grupo com Portuguesa, Comercial e Catanduvense. Entretanto, no quadrangular final o Leão da Sorocabana fez uma campanha regular e terminou na 3° colocação do grupo com 7 pontos, o mesmo número de pontos do Comercial, porém a equipe de Ribeirão Preto ficou com o acesso por ter o saldo de gols maior: +5 a -1.
Em 2014, o Capivariano fez uma excelente campanha e conseguiu o acesso inédito para o Campeonato Paulista da Série A1 de 2015 com duas rodadas de antecedência em cima do Guarani, de virada por 2 a 1, gols de Silas aos 46 minutos do primeiro tempo e Rodolfo virando a partida aos 43 minutos do segundo tempo. O título veio na 19ª e última rodada, após bater em casa o Itapirense por 3 a 1, garantindo, de quebra, uma inédita vaga para a Copa do Brasil de 2015.

Principais artilheiros:

Romão foi um dos principais artilheiros dos últimos tempos na era profissional do Capivariano Futebol Clube. Hoje com 25 anos, o atleta viveu suas melhores fases dentro da equipe de Capivari. Em 2011, onde o Leão da Sorocabana dava início a uma arrancada heróica, da última divisão do Estado à Elite de São Paulo, o jogador fez 27 gols e tornou-se o maior artilheiro da "Segundona" do Paulista. Ao todo, ele marcou 49 gols com camisa da equipe profissional até aqui.

Silas foi outro nome importante na super arrancada leonina. Ele marcou 30 gols pelo clube. Mas no ano de 2015, em exame de rotina, o atleta teve problema com Leucemia detectado, e infelizmente, não foi possível disputar o Campeonato Paulista de Futebol 2015 - Série A1.

Principais revelações


A agremiação já revelou diversos atletas que já jogaram e que estão jogando em grandes times, como por exemplo o goleiro Zetti, o meio-campista Amaral que retornou a equipe em 2015, o lateral-direito Cicinho (atualmente no Sevilla) e o zagueiro Dante (atualmente no Bayern de Munique).

sábado, fevereiro 04, 2017

ANA ELISA PIEDADE SODERO MARTINS

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 04 de fevereiro de 2017.
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/
http://www.teleresponde.com.br/



ENTREVISTADA: ANA ELISA PIEDADE SODERO MARTINS

Ana Elisa Sodero Martins nasceu em Piracicaba a 4 de janeiro de 1977, filha de Paulo Sodero Martis e Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins.
Você realizou seus estudos em Piracicaba?
Estudei até a época do colegial no Colégio CLQ, situado a Rua Hide Maluf, lembro-me muito dos professores entre eles Newman Ribeiro Simões. Shunhiti Torigoi, José Arthur de Andrade, e outros professores que foram muito importantes para a minha formação.
Qual era a profissão do seu pai?
Professor universitário, tendo tornado-se um cientista na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz – ESALQ. Minha mãe é pedagoga e professora. Agora, aposentada, é poetisa. Na realidade ela sempre gostou muito de poesia, mas os afazeres do cotidiano impediam que ela se dedicasse integralmente a poesia. Eu sou bisneta, neta, filha de professores. Teve um período em que pensei muito sobre a profissão, se de fato era isso que eu gostaria de fazer.
Você teve a oportunidade de viajar bastante ainda muito jovem?
Meu pai nos levou para os Estados Unidos, na Califórnia, onde permanecemos por um ano. Lá tive a oportunidade de freqüentar a High School (Ensino Médio). A partir desse momento decidi viajar, fazer intercambio. Na época eu estava com 12 a 13 anos. Os intercâmbios são a partir dos 18 anos. Nesse período meu pai dizia: “Estude muito, se tudo der certo, você estudar, fizer tudo direitinho, você vai!”. Foi assim que começou a questão de viajar, de conhecer o mundo.
Você foi para que país?
Fui para a Índia! Os caminhos são traçados, há coisas que vem porque tem que ser. Eu queria fazer intercambio, independente de para onde iria, queria conhecer novos lugares, novas pessoas, línguas, eu fui através do Rotary. Comecei a fazer as seleções, as avaliações, Na época eu estava com 16 anos. Aos 17 anos, já concluindo o terceiro colegial, havia três opções: Alasca, o México e a Índia. Na época meu pai ficou muito temeroso, uma menina com 18 anos em um país tão diferente, como será? O Rotary é muito organizado, há muitos anos fazem o intercambio para que a juventude se una queremos um mundo unido. Que tenhamos essa amizade.  O modelo padrão de amizade consiste em compartilhar interesses e fazer coisas juntos, desfrutando de companhia e cuidando uns dos outros e fornecendo apoio o friendship interchange. Para que se conhecçam as culturas, os jovens façam esse intercâmbio e construam um mundo melhor.
Você foi para a India e ficou na casa de uma família?
Fiquei na casa de várias famílias. A cada três meses no ano eu mudava. Tanto que nas férias de lá eu já tinha feito um ano de faculdade, eu já falava inglês, foi um ano excelente.
Você foi para que local da Índia?
Fiz escala em Londres, desci em Calcutá.
Qual foi o primeiro impacto que você teve quando chegou à Índia?
Duas coisas que ficaram gravadas: o som, o barulho, música, muita gente, muitas buzinas, outra coisa os odores, de especiarias, perfume, esgoto.
Como eles a viam? Com curiosidade?
Eles me olhavam com muita curiosidade, percebi que me destacava como estrangeira, a questão da cor da pele, As pessoas olhavam mesmo. Eu nunca saia sozinha, não era autorizada a sair só. O pessoal do Rotary, as famílias tinham muito cuidado com isso. Se fosse sair ou era com as moças que cuidavam da casa, mesmo para ir para a escola nunca ia sozinha. E mesmo assim eu andava e as pessoas olhavam. Ficavam paradas olhando. Na época na Índia toda havia só quatro intercambistas do Rotary. Uma argentina, que ficou mais uma semana e estava terminando o intercambio e voltando, ai chegaram mais dois argentinos e um americano que chegou uns meses depois. Poucos jovens iam para a Índia, pelo menos os brasileiros queriam ir para a Europa.
Como é a casa de uma família indiana, tem padrões semelhantes aos nossos?
Como fiquei na casa de famílias rotarianas, que já são pessoas aculturadas, uma das famílias já tinha morado nos Estados Unidos, em duas casas em que morei, mesmo sendo famílias de posses, o banheiro era diferente, eram latrinas. O que eu achava interessante foi com a família mais tradicional com quem morei lá, era a hora de servir o almoço e o jantar, tinha o cozinheiro, mas quem servia era a minha mãe (a família que recepciona o intercambista o trata como membro da família). Meu pai sentava-se a cabeceira da mesa, depois o filho,que era o caçula, mas por ser o homem, sentava-se ao lado do pai, sentavam-se as filhas. A mãe não, só ficava servindo, cobria a cabeça para servir, servia o pai, o menino, depois me servia e por fim as meninas, era um ritual diário. Ela não se sentava a mesa conosco. Ela comia depois. Era uma pessoa culta, Tinha colegas da faculdade, indianas, estudando se formando, já estavam com os casamentos arranjados em andamento, as famílias já negociando, elas não tinham a mesma visão que eu tinha a respeito daquilo. Quem está de fora julga os modelos ou padrões de uma cultura. Elas diziam: “-Minha família me ama, eles querem o melhor para mim, vão encontrar um marido que esteja a minha altura!”. Como as famílias com quem fiquei eram famílias de posses, estudadas, por exemplo, a menina que ia se casar era engenheira. Elas tinham a chance de dizer que não iriam se casar. Poderiam. Elas não podiam definir com quem iriam se casar, os pais arranjavam um encontro, sempre com a família presente.
E na faculdade como era?
Na hora do lanche eram separados, meninos e meninas. Mesmo nas salas de aulas as meninas ficavam de um lado e os meninos de outro, separados.
Você foi ao cinema na Índia?
Ia muito ao cinema! Por conta de Bollywood. O nome Bollywood surge da fusão de Bombaim onde se concentra esta indústria e de Hollywood nome dado à indústria cinematográfica americana. Os filmes são muito alegres, dançam, cantam, coloridoss e sempre de amor. Os que eu assisti ou eram romances ou eram de lutas. Os romances são casamentos arranjados também, mantendo essa questão cultural. Isso foi em 1995, pode ser que hoje esteja mudado. Cinema era um lugar que gostávamos de irmos.
Como é a reação deles diante dos animais?
Nas ruas as vacas são livres, bem tratadas, os carros desviam, as pessoas param. Os cães também são bem tratados. As vezes eu pensava: “As vacas são melhores tratadas do que seres humanos!”. Tem muita gente nas ruas, muitos mendigos, muitas crianças, principalmente em Calcutá. Por isso que pensamos quando lemos a história de Madre Teresa de Calcutá, realmente ela fez um trabalho necessário.
Você conheceu a Madre Teresa de Calcutá?
Quando cheguei a Calcutá, o coordenador do Rotary veio para me receber junto com essa argentina, a Samanta, ela é muito cristã, de fazer trabalho voluntário, participativa, ela estava voltando para a Argentina e no dia seguinte iria chegar um argrntino. Dormimos, pela manhã, antes de ir até ao aeroporto buscxar o Juan. Entendi que estavamos indo para o aeroporto, só que o carro entrou por umas ruelas, até chegarmos a um determinado local, descemos, havia uma parede cheia de portas, era uma casa de três andares, vi várias irmãs, abrimos uma porta, era uma casa com muitos assentos, cheia de pessoas, foi quando vi que a minha frente estava a Madre Teresa de Calcutá! Eu não conseguia acreditar! A Samanta tinha pedido e o Rotary faz muito trabalho junto com as irmãs da caridade ela nos recebeu.

Ao ver a Madre Teresa de Calcutá qual foi seu sentimento?
Foi muito comovente! Ela era miúda, pequenininha. Ela nos deu a mão, nos abraçou. Agradeceu. Deu a sua benção. Senti uma paz muito grande. O olhar dela era de caridade mesmo. Ela já estava com uma idade bem avançada. E o local cheio de pessoas, conforme nos informou o nosso coordenador isso ocorria diariamente. Ela nunca se negava a atender ninguém.
Há uma diversidade religiosa na Índia, como você sentiu isso?
Há uma minoria católica. Há os muçulmanos, não cheguei a ficar em casa de muçulmanos, eles não recebiam estrangeiros. Tinha contato com mulçumanos na escola, Como nosso intercâmbio era cultural, cada um ficou em uma cidade, quando havia congresso do Rotary ou encontro dos jovens nos reuníamos. Incluindo os jovens do Rotary indiano formávamos grupos de 30, 50 jovens. Íamos aos clubes fazer palestras do que era o intercâmbio, cada um falarmos um pouco do seu país, da nossa cultura. Falávamos em inglês.
De Calcutá você para alguma outra cidade?
Ainda no Estado de Bengala cuja capital é Calcutá, fui para Ranchi, como era intercâmbio de estudos não podia faltar as  aulas, por isso não viajávamos muito. Antes de ir para a Índia recebi uma carta desse coordenador, dizendo que eu não esperasse viajar, por ser mulher, pelo fato de ser um intercambio de estudo e não de turismo. Teria freqüência na escola, faria os congressos, junto havia uma lista da forma adequada de como me vestir, até mesmo para minha proteção. Deveria levar roupas de mangas longas, saias longas, calças compridas não eram recomendadas. Fui com a minha mãe até uma costureira que fez várias saias longas. Chegando lá, na primeira semana de aula eu estava usando essas roupas longas, bem fechadas. A minha “mãe” de lá me disse: “-Vamos vestir você com roupas indianas!”. Têm dois tipos os sari, que é um pouco desconfortável para ficar vestindo, principalmente eu que não tinha prática.  O Salwar Suit como eles chamam, é uma calça bem folgada, e um vestido em cima. E ainda um pano com o qual pode-se cobrir a cabeça.
Você andou com a cabeça coberta?
Quando entrava em algum templo era necessário.
Aprendeu a dançar as danças típicas?
Um pouco. Nesse ínterim chegou o jornal “Estadão” com o meu nome, eu tinha sido aprovada no vestibular que havia feito para entrar na Universidade do Estado de São Paulo – USP. Meu pai fez a minha matrícula, embora estivesse sendo reprovada por falta, uma vez que estava na Índia! Quando voltei já estava inscrita.
O que você achou da alimentação indiana?
No começo eu achei dificil ! Picante, os gostos diferentes. Tudo muito temperado. Depois me acostumei. Vai se desenvolvendo o gosto, tanto que agora gosto muito de pimenta. Era uma comida linda de se ver, quando a minha mãe indiana cozinhava os pratos eram muito coloridos. Comem bastante frituras.


                                                       SOM PROMORDIAL
È comida vegetariana basicamente?
Sim. Na maioria das famílias com quem vivi eram estritamente vegetarianas. Não eram veganas, comiam queijos, bebiam leite. Durante as minhas férias escolares, eu e um argentino fomos para o nordeste da India, em Hassan. Que é uma região bem mais asiática, próxima do Butão, país que faz fronteira com a Índia Até os traços da fisiononomia dos habitantes são diferentes, a pele mais clara, olhos mais puxados. Lá eles já comiam frango, carneiro. Visitimaos umas cahoeiras, que dizem que são eternas porque naquela região chove muito.Visitamos um templo, muito antigo, era um senhor que cuidava. Era um professor universitário, que depois que se aposentou, abandonou tudo, para viver esse voto de pobreza e cuidar do templo. Eu tenho a tatuagem do OM,  , é um mantra.

E o Rio Ganges ?
Nós nos banhamos no Rio Ganges!
Não é um rio poluído?
Só que é um rio sagrado ! Não tivemos nenhum problema, é um rio abençoado. É uma quetão de fé, tem que acreditar. Vimos os crematórios a margem do rio, as cinzas eles jogam no Rio Ganges. Todo lugar tem suas belezas, na Índia eu vivi com famílias muito abastadas. Às vezes até sentia-me constrangida. Ia para a escola com o motorista dirigindo o carro e me levando. Uma das casas em que fiquei era uma mansão com três andares. Eu saia de lá com o motorista que me levava de carro até a escola, em contraste havia nas ruas muitas pessoas pobres. Esse contraste muito grande sempre me causou questionamento. Na Índia andei muito de Tuc Tuc, bicicleta.




O período de intercâmbio terminou e voce voltou ao Brasil, já tinha sido aprovada na USP, qual curso voce fez?
Fui fazer História. Só que decidi trancar a matrícula e voltei para Piracicaba. Acabei prestando vestibular de Hotelaria em Águas de São Pedro. Era um curso rápido, dois anos, e daria a chance de viajar mais. Tive a oportunidade de estar mais perto do meu pai nesses meses que voltei de São Paulo e permaneci em Piracicaba.,Ele faleceu no dia em que eu estava prestando vestibular para Hotelaria.
Isso também proporciona uma excelente chefe de cozinha em sua casa?
Eu era mais da área de governança do que da área de cozinha, mas gosto muito de cozinhar, sempre faço comidas diferentes: mexicana, indiana. O arroz e feijão deixo para o meu marido fazer. Sou casada com Gabriel Mantoni Salvador, professor de História.
Ao terminar o curso de Hotelaria qual foi o seu próximo passo?
Fui fazer estágio nos Estados Unidos, em Dallas, onde fiquei por quatro anos. Dois anos fazendo estágio no hotel francês Le Meridien Dallas Hotel, bem no centro de Dallas. Fiz mais dois anos de College, um curso superior de tecnologia. Nos Estados Unidos é pré-universidade.  Dependendo das suas notas você pode escolher alguma universidade para fazer.

Em Dallas você percebeu que os seus moradores são conservadores?
São muito conservadores! Tive muita sorte, mesmo sendo latina, o fato de ser branquinha de olhos claros, raramente tinha problemas. Quando viajava com uma amiga brasileira, de ascendência negra, eu passava e ela passava por uma maratona, exigiam uma série de documentos, quando viam o nome diferente e o sotaque ambas éramos examinadas com mais rigor. Usávamos normalmente a carteira de motorista para nos identificarmos. Eu estava dentro da sala de aula quando as Torres Gêmeas foram atingidas, ai ficou mais difícil ainda. Foi uma das razões pelas quais eu voltei ao Brasil. Como eu fazia faculdade e tinha o visto de estudante, começou uma pressão muito grande. No Texas houve vários casos de retaliações a comerciantes indianos, que não tinham nada a ver com a tragédia que aconteceu.
Com relação ao porte da arma de fogo pelo americano o que você teve a oportunidade de observar?
Em uma época eu trabalhei em uma pizzaria, o meu chefe tinha arma de fogo, ele sempre dizia que desde criança sempre fez tiro ao alvo. Dizia: “Nós temos que nos protegermos!”.; Esse é o lema: “Defender a Pátria, a Família e a Propriedade”. Da época da hotelaria tem uma história engraçada, eu era assistente de gerente, na parte de governança, tinha uma equipe de umas 30 camareiras. Um dia recebi uma mensagem no rádio: “-Ana venha aqui no quarto número tal”, era a camareira chamando. Tinham deixado no quarto uma pistola. Não coloquei a mão, chamei a segurança, que chamou a polícia. O hospede foi localizado, chamaram-no para entregar a arma, ao mesmo tempo verificar se tinha toda a documentação em ordem, referente a arma. Era uma senhora de setenta anos! Com porte de arma e tudo! A polícia entregou-lhe a arma de forma muito natural. Tive a oportunidade de viajar bastante dentro dos Estados Unidos, minha irmã mudou-se para Indiana, um ano antes da minha volta. Todo ano eu ia esquiar no Colorado. È interessante ver tudo que é bom das culturas, o ser humano é capaz de criar coisas maravilhosas. Os norte-americanos têm uma vocação muito forte para descobrir, produzir. Muitas vezes são pequenas utilidades, mas a idéia criativa foi aplicada.Há a contra partida, eles de uma forma geral, julgam-se superiores, ou seja, os melhores.
Dos Estados Unidos você mudou-se para que país?
Vim para o Brasil. Fui cursar pedagogia na UNESP em Rio Claro. Conclui o curso e comecei a dar aulas de inglês em Piracicaba.
Você passou a trabalhar como pedagoga em que localidade?
A primeira escola regular mesmo foi no Acre.
E como surgiu essa mudança para o Acre?
Foi meu esposo, por amor. De todos os lugares do mundo em que sonhei ou desejei ir o Acre nunca esteve na lista. Ele terminou o curso de História uns três anos antes que eu terminasse o curso de pedagogia. Ele trabalhava aqui como professor substituto, ele tinha um amigo que he disse que tinha aberto um concurso em Rio Branco para professor e o convidou para irem juntos. Na brincadeira foram, pegaram um ônibus, viajaram 60 horas, isso foi em agosto de 2007. Esse amigo foi trabalhar em um projeto chamado “Asas da Florestania” que é um projeto para levar o professor para escolas de difícil acesso. Viajava de barco, mais 40 quilômetros de “ramal” que é estrada de terra mesmo. Ele ficava o mês todo em uma casa cedida por dos habitantes do local. Ali ele tinha o quarto dele. E dava aulas em outra sala.




                                                             ASAS DA FLORESTANIA
Como fazia com alimentação?
Ele tinha muita ajuda das pessoas da localidade, comia carne de caça, macaxeira.
E o seu esposo?
Ele ficou em Rio Branco, em um projeto do governo chamado “Poronga”. É um projeto de aceleração de ensino. Ele acabou sendo chamado para trabalhar em uma escola de freiras, a Imaculada Conceição, em Rio Branco, foi até uma Irmã, a Madre Elisa, uma italiana que deu o inicio a educação no Acre.




                                                    
                                                    PROJETO PORONGA
Atualmente você é professora no Acre?
Sou professora do Estado, dou aulas em uma escola rural chamada Santa Maria II. Fica a 700 metros da minha casa. Nós moramos na zona rural. Eu e meu esposo decidimos, já que estamos na floresta vamos ver um pouquinho como é.
Como é viver na floresta no Acre?
Ainda tem muita gente isolada. Rio Branco tem cerca de 400.000 habitantes. Boa parte utiliza água de poço, que é bombeada para uma caixa de água e distribuída pelas torneiras e chuveiros. Há ainda muitas fossas sépticas. Quando meu marido chegou a Rio Branco, há 10 anos, estava aquele processo de urbanização. O Governo Federal investiu no Acre. Os acreanos têm um senso de comunidade muito grande, tem senso de família. Eu as vezes até brinco que mantenho hábitos de paulista, minha casa é uma das poucas das casas cercadas.
Como o acreano vê o paulista?
Muito acelerado! Eles têm outro conceito de tempo. Eu e meu esposo somos bem felizes, todos os dias almoçamos juntos, vou para o meu trabalho de bicicleta, e agora está asfaltado! A pé levo sete minutos para chegar até a escola que leciono. Nós temos uma filha, a Agnes, em homenagem a Madre Teresa de Calcutá, ela tem a infância que eu tive em Piracicaba. Hoje aqui eu não vejo mais criança na rua, não há mais ninguém na rua, todos se fecham em suas casas. Lá ela com 4 para 5 anos brinca na rua, vai para a casa da vizinha, ela está tendo uma infância de criança.
A seu ver quais são as perspectivas de evolução para o Acre?
Eu espero que seja uma evolução que não afete a qualidade de vida. Qualidade de vida está diretamente ligada a floresta, o pessoal reclama: “-O clima está mudando”. Constatamos a olhos vistos. Principalmente quando faço trabalho com os meus alunos, entrevistamos os mais antigos, pessoal que veio do Ceará, muitos têm avós que estão bem velhinhos, foram os migrantes que vieram, “Os Soldados da Borracha”. Na década de 40.
Tem muitos “Soldados da Borracha” no Acre?
Tem! Eles já estão bem velhinhos, muitos já morreram. Eu faço questão de todos os anos entrevista-los. Oriento as crianças para que elas façam essas entrevistas.



                                                     SOLDADOS DA BORRACHA

Você faz um jornal em conjunto com seus alunos?
Eu faço jornal em folha de papel sulfite.
E recursos materiais?
É difícil! Para a escola é muito difícil, depende muito de ser amigo das escolas, das professoras, nós fazemos muita coisa com recursos pessoais, as professoras arcam com muitas despesas do próprio bolso. Como coordenadora da escola eu tenho a sorte de ter um gestor que é um ótimo administrador. Com o mínimo do mínimo “per capita” por criança temos uma escola que tem Wi-Fi do ano passado para cá, com acesso a internet usamos vídeos, temos trabalhado muito com as professoras. É difícil o acesso delas a museu? Mas na internet tem museu! Vamos visitá-los! Usar a tecnologia, mas para que se mantenha muita coisa da cultura. Eu brinco com as crianças: continuem se alimentando de macaxeira, abóbora arroz, Nada de tomar refrigerantes, o quintal de vocês tem cupuaçu, tem acerola, vamos fazer sucos. Eles não têm acesso a comida industrializada pelo alto custo, nisso eles tem sorte. A falta de recursos nesse sentido é positiva. Eles comem o que plantam.
O índice de doenças pode ser comparado às crianças de regiões mais ricas?
Eu os vejo mais saudáveis pela qualidade de vida que tem. Pela alimentação, atividade física, as pessoas caminham muito. Ou é de bicicleta ou é de “pés” como eles falam!
Aqui nós temos um mal chamado “stress” que já está sendo diagnosticado entre jovens, ou até mesmo com adolescentes, isso acontece também no Acre?
Bem pouco! Eu que às vezes falo quando vou ser acreana a chegar nesse ponto, de ficar tranqüila, de conseguir deitar na rede, de vez em quando, depois do almoço. Aquela meia horinha na rede. Eles descansam, estão sempre reunidos em família. Aquelas famílias grandes.
Tem alguma data festiva onde ocorrem grandes comemorações?
A questão religiosa está mudando muito. Há a Festa de São Sebastião, por conta dos rios, A cidade de Xapuri que é a cidade de nascença de Chico Mendes tem uma festa muito grande que é a Festa de São Sebastião. Tem a Festa de Tarauacá e uma que temos visto pouco que é a Marujada. O meio de locomoção no Acre são os rios. Agora tem uma quarta ponte, até recentemente eram poucas as pontes. Em vez das pessoas caminharem, pega um barquinho que cruza o rio, do Primeiro Distrito para o Segundo Distrito, o barquinho, chamado catraia, vai e vem atravessando o rio, essas catraias tem os condutores. 
                                                               MARUJADA
Além de você e seu marido tem mais algum piracicabano em Rio Branco?
Piracicabano não. Tem muitos paranaenses, alguns gaúchos,
E exploração de madeiras nobres, queimadas tem ocorrido?
Havia diminuído muito, infelizmente nesse último ano a população percebeu que começou de novo. As pessoas mais antigas contam que na década de 70 ficavam embaixo de uma fumaça que causavam muitos problemas respiratórios. Não há como descrever, só vivenciando como foi. Às vezes eu prefiro que não se desenvolva na área material, sempre falo para meus alunos estudem engenharia florestal, biologia, química, para vocês aproveitarem, daqui a alguns anos as riquezas do mundo serão a água e as plantas.
Há algum coral que você tenha montado com os alunos? 
Quando fui professora da Fundação Bradesco consegui montar um coral com os alunos. Eu gostava muito, era uma fundação de excelência. A gente sente o que é o ideal de uma escola. De quem acredita na educação e tem recursos para investir,
O Ensino Profissionalizante em Rio Branco como está?    
Tem o Instituto Federal do Acre – IFAC, o SENAC, o SESI. O número de indústrias é pequeno, concentra-se mais na fabricação de móveis. Houve tentativas em outras áreas, mas a distância encarece os produtos.
Há algumas negociações entre o Brasil e o Peru para que se estabeleça uma saída do Acre para o Oceano Pacífico?
Há uma relação amistosa, o governador do Estado do Acre tenta abrir um corredor entre o Acre e o Pacífico, só que há muitos entraves políticos e comerciais. Há dois anos houve uma grande enchente no Rio Madeira, não chegava nada daqui de São Paulo. Ou os grandes supermercados mandavam por avião os produtos. O único lado positivo é que abriu temporariamente o comércio livre entre Peru e Acre, recebíamos batatas peruanas, cenouras. Essa saída para o Pacífico se limitasse a trazer produtos alimentícios já seria de grande impulso para o Acre.
Vocês pensam em voltarem para São Paulo?
As vezes a gente pensa. Eu me sinto muito segura na cidade. Quanto mais tempo eu passo lá, mais futilidades, materialidades, eu vejo quando venho para cá, Até me assusto.
Pode-se dizer que nas grandes “cidades civilizadas” vivemos um mundo artificial?       
Complemente de ilusões! Tenho alunos de 6 a 10 anos, você vê que determinada criança tem um enorme potencial, apesar de todo esforço a escola não tem um laboratório de informática, não tem uma biblioteca. Rio Branco tem uma biblioteca de excelência, só que a criança tem que pagar seis reais por dia, ela não tem!
Há uma disseminação de religiões nunca vista antes, esse fenomeno ocorre também no Acre?
Muito! A ponto de fazer com que festas religiosas tradicionais sejam ameaçadas por preconceitos gerados por novas crenças. Até mesmo o folclore riquissimo em sua essência está ameaçado de extinção por influencias e visões distorcidas. O que fica evidente é que a visão individual sobrepoem-se ao credo, duas pessoas de uma mesma crença podem agirem de formas opostas.
Um dos pontos que está massificando o povo são os recursos eletrônicos. Em particular os celulares, autenticos caça-níqueis com jogos e outros atrativos cada dia mais sofisticados e que exigem pouco ou nenhum raciocínio. Esse modernismo já chegou no Acre ?

As crianças com quem trabalho não tem acesso por falta de recursos principalmente. Os poucos que tem me fizeram pensar: “-Até aqui!”Já vou dizendo: “- Vai brincar, vai bater bola menino!” O meu marido que leciona em uma escola cujo padrão dos alunos em média é elevado, ele tem problemas . Há crianças que chegam com três celulares! Crianças de sete anos com celular. Nessas horas penso que a falta de dinheiro ajuda! As crianças lá brincam, tem que ter criatividade. Sobem em árvores, estão juntos, não estão isolados como uma pedra. Se reunem, um quer conversar com o outro. Andam muito de bicicleta.  


NOTAS
O Alasca (em inglês Alaska e em russo Аляска) é um dos 50 estados dos Estados Unidos e o maior em extensão territorial, sendo maior do que os estados americanos de Texas, Califórnia e Montana juntos (respectivamente o segundo, o terceiro e o quarto mais extensos). É também o estado mais escassamente povoado dos Estados Unidos, com uma densidade populacional de 0,42 hab/km², a menor entre todos os 50. Tem menos habitantes do que qualquer estado americano com exceção de Wyoming, Dakota do Norte e Vermont. Se fosse um país independente, o Alasca seria o 17° maior país do mundo em extensão territorial. Relativamente isolado do restante do país, é considerado parte dos Estados do Pacífico. Nos dias atuais, a discussão sobre a sua independência tem ganhado força. É certo também que algumas ameaças de mísseis do extremo oriente só podem atingir os Estados Unidos pelo Alasca.
O Alasca é o estado mais setentrional e ocidental dos Estados Unidos. É também considerado por alguns como o estado mais oriental do país, uma vez que duas das ilhas do Arquipélago dos Aleutas estão localizadas no Hemisfério Oriental. A maior parte da população do Alasca vive na região sul e sudeste do estado. Muito do Alasca é escassamente povoado. Por causa disso, o seu cognome oficial é The Last Frontier ("A Última Fronteira"). O Alasca é uma península e faz fronteira somente com o Canadá, através do território de Yukon e da província de Colúmbia Britânica. É um dos dois estados americanos que não fazem parte da área contínua dos Estados Unidos, os 48 estados localizados entre o Canadá e o México. O segundo estado é o Havaí.[5]
O nome Alasca provém da palavra Alakshak, que significa "grande terra"[6] ou "grande península" em aleúte, um idioma esquimo-aleutiano falado em partes do seu território; essa palavra foi depois traduzido em russo Аляска para acabar na língua inglesa.[7] O Alasca foi comprado do Império Russo em 1867, graças à insistência do então Secretário de Estado americano William Henry Seward, por 7,2 milhões de dólares. À época, Seward foi criticado por outros políticos e ridicularizado pela maioria da população americana pela sua decisão, uma vez que boa parte da população americana acreditava então que o Alasca não passava de uma região coberta de gelo imprestável e que só servia para morada de ursos. Porém, descobertas de grandes reservas de recursos naturais desde então atraíram milhares de pessoas à região. Em 3 de Janeiro de 1959, o território do Alasca foi elevado à categoria de Estado, tornando-se o 49º estado americano

Bandeira do Alasca durante o domínio Russo



                                                       
                                                         Bandeira atual do Alasca 

Madre Teresa de Calcutá

Madre Teresa de Calcutá (1910-1997) foi uma missionária católica albanesa.Logo cedo descobriu sua vocação religiosa. Com dezoito anos entrou para a Casa das Irmãs de Nossa Senhora do Loreto. Criou a Congregação Missionárias da Caridade. Dedicou toda sua vida aos pobres. Em 1979 recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Foi Beatificada pela igreja católica em 2003 e canonizada em 2016.
Agnes Gonxha Bojaxhiu (1910-1997) nasceu no dia 26 de agosto na Albânia. Foi educada numa escola pública da atual Croácia. Ingressou na Congregação Mariana. Com o consentimento dos pais, entrou no dia 29 de Setembro de 1928 para a Casa das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, em Dublin, Irlanda. O seu sonho era a Índia, onde faria um trabalho missionário com os pobres. Em 24 de maio de 1931, fez votos de pobreza, castidade e obediência, recebendo o nome de Teresa.
Da Irlanda, partiu para Índia. Foi enviada para Darjeeling, local onde as Irmãs de Loreto possuíam um colégio. De Darjeeling a Irmã Teresa foi para Calcutá onde passa a ensinar História e Geografia no Colégio de Santa Maria, da Congregação de Nossa Senhora do Loreto, em Calcutá. Mais tarde foi nomeada Diretora.
Em setembro de 1946 durante uma viagem de trem, ouviu um chamado interior que a fez decidir abandonar o noviciado e se dedicar aos necessitados. Depois de apresentar seu plano, recebeu a autorização do Papa Pio XII, no dia 12 de Abril de 1948. Embora deixando a congregação de Nossa Senhora de Loreto, a Irmã Teresa continuava religiosa sob a obediência do arcebispo de Calcutá. Só em 08 de Agosto de 1948 ela deixou o colégio de Santa Maria.
Madre Teresa dirigiu-se para Patna, para fazer um breve curso de enfermagem. Em 21 de dezembro obtém a nacionalidade indiana. Data que reuniu um grupo de cinco crianças, num bairro pobre e começou a dar aula. Pouco a pouco, o grupo foi aumentando. Dez dias depois eram cerca de cinquenta crianças. Tendo abandonado o hábito da Congregação de Loreto, a Irmã Teresa usava um sari branco, debruado de azul e colocou-lhe no ombro uma pequena cruz. Ia de abrigo em abrigo levando, mais que donativos, palavras amigas e as mãos sempre prestáveis para qualquer trabalho.
Em 19 de março de 1949, as vocações começaram a surgir entre as suas antigas alunas do colégio. A primeira foi Shubashini. Filha de uma rica família, disposta a colocar sua vida ao serviço dos pobres. Outras voluntárias foram se juntando ao trabalho missionário. Mais tarde chamadas de "Missionárias da Caridade". Em 1949, a constituição da irmandade, começou a ser redigida.
A Congregação de Madre Teresa, foi aprovada pela Santa Sé em 07 de outubro de 1950. Em agosto de 1952, é aberto o lar infantil Sishi Bavan (Casa da Esperança) e inaugurado o "Lar para Moribundos", em Kalighat, auxiliando pobres, doentes e famintos. A partir dessa data, a sua Congregação começa a expandir-se pela Índia e por várias partes do mundo.
Madre Teresa de Calcutá recebe o Prêmio Nobel da Paz, em outubro de 1979. Nesse mesmo ano, João Paulo II recebe a Madre, em audiência privada e a nomeia "embaixadora" do Papa em todas as nações. Muitas universidades lhe conferiram o título "Honoris Causa". E em 1980, recebe a ordem "Distinguished Public Service Award" nos EUA. Em 1983, estando em Roma, sofre o primeiro grave ataque do coração. Tinha 73 anos.
Em setembro de 1985, é reeleita Superiora das Missionárias da Caridade. Nesse mesmo ano, recebe do Presidente Reagan, na Casa Branca, a Medalha Presidencial da Liberdade, a mais alta condecoração do país. Em agosto de 1987, vai à União Soviética e é condecorada com a Medalha de ouro do Comitê Soviético da Paz. Em agosto de 1989, realiza um dos seus sonhos, abrir uma casa na sua Albânia, sua terra natal. Em setembro de 1989, sofre o seu segundo ataque do coração e recebe um marca-passo. Em 1990, pede ao Papa para ser substituída no seu cargo, mas volta a ser reeleita por mais seis anos, até 1996.
Madre Teresa de Calcutá morre no dia 05 de setembro de 1997, depois de sofrer uma parada cardíaca. Seu corpo foi transladado ao Estádio Netaji, onde o cardeal Ângelo Sodano, Secretário de Estado do Vaticano, celebrou a Missa de corpo presente. O mesmo veículo que, em 1948, transportara o corpo do Mahatma Gandhi foi utilizado para realizar o cortejo fúnebre da "Mãe dos pobres". Em 19 de outubro de 2003 Madre Teresa de Calcutá é beatificada pelo Papa João Paulo II. No dia 4 de setembro de 2016 foi canonizada pelo Papa Francisco.




                     OITO HORAS DE MÚSICA RELAXANTE PARA ADORMECER






Arquivo do blog