Se alguém ainda duvida da importância de conhecermos o passado para construirmos o nosso futuro, então que revogue todos os conhecimentos acumulados pela humanidade até a presente data. J.U.Nassif

"A força está na serenidade do ânimo e no equilíbrio dos sentimentos."

domingo, janeiro 27, 2008

GUSTAVO JACQUES DIAS ALVIM

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
Rádio Educadora de Piracicaba AM 1060 Khertz A Tribuna Piracicabana
Sábado das 10 ás 11 Horas da Manhã Publicada ás Terças-Feiras

JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com

Entrevistado: Gustavo Jacques Dias Alvim




A primeira impressão que algumas pessoas têm ao conhecer o Dr. Gustavo Jacques Dias Alvim é de ser uma pessoa rígida, reservada, de poucas falas. Após algum tempo, descobre-se tratar-se de um daqueles seres humanos com raras qualidades, dos que nascem em pequeno número a cada século. A sua humildade, sua fé inabalável aos seus princípios religiosos, complementados pelo conhecimento acadêmico e experiência de vida, faz com que o piracicabano nascido em Vera Cruz, seja sempre muito respeitado, e estimado pelos que o conhecem. Graduado em Sociologia e Política, Direito, Administração e Jornalismo, além de Mestrado em Educação, Doutorado em Comunicação e Semiótica e Especialização em Administração Universitária. Advogado, jornalista, esportista, escritor. Ex-vereador e ex-presidente da Câmara de Vereadores de Piracicaba. Em maio de 1972, Gustavo Jacques Dias Alvim, assumiu a presidência do XV de Novembro de Piracicaba. Recebeu o título de Cidadão Piracicabano.Vice-presidente do Panathlon Clube de Piracicaba, Vice-diretor Geral do IEP de 1991 a 2006, Vice-reitor administrativo da Unimep de 1991 a 2002 Foi reitor da Universidade Metodista de Piracicaba de 2003 a 2006. É também membro da Academia Piracicabana de Letras, do Instituto Histórico Geográfico de Piracicaba e do Clube dos Escritores de Piracicaba.
Ao ouvir Dr. Gustavo cumprimentando o ouvinte foi impossível deixar de perguntar se ele tinha sido radialista.
Em um pequeno período da minha vida fiz comentários esportivos em jogos do XV de Novembro na Rádio Difusora de Piracicaba.
A sua aparência física é divergente da sua idade cronológica, o senhor não aparenta a idade que possui. Ao que o senhor atribui sua boa condição física?
Eu nasci em 27 de setembro de 1936, em uma querida e pequena cidade na Alta Paulista, próxima a Marília, chamada Vera Cruz. Meu pai Candido de Faria Alvim era médico e minha mãe Nair Dias Alvim foi professora. Acho muito difícil estabelecer uma fórmula única para que se tenha uma condição de vida saudável. Cada um tem a sua. A pessoa que tem uma vida regrada consegue controlar seu stress nas horas difíceis, mantém uma atividade física regular, e também entra como fator a questão genética que acaba influindo. É importante ter uma tranqüilidade de espírito.
Recentemente o senhor participou de um torneio de basquete?
Existe há mais de vinte anos no país um campeonato de veteranos! Reúne um grande número de equipes, nesta última tinha 89 equipes, mais de 800 atletas, que são divididos em faixas etárias: a partir de 35 a 40 anos, até os chamados “mais de setenta” que é a ultima categoria. Piracicaba tem uma forte tradição de basquete, existe um grupo que até hoje pratica o esporte apesar da idade. Tenho comparecido a esses torneios, em 2006 estivemos em Natal, jogando pelo Estado de São Paulo, na oportunidade voltamos campões! No ano passado o campeonato foi realizado em Caxias do Sul, dessa vez fomos classificados como terceiro colocado. Não conseguimos voltar com o bi-campeonato!
Seus estudos básicos foram feitos em Vera Cruz?
Foram realizados no Grupo Escolar Castro Alves. A minha primeira professora foi a minha mãe! A relação era de professora e aluno na sala de aula. E não de mãe e filho. Eu vim para Piracicaba para fazer o ginásio, Vera Cruz era uma cidade pequena, para prosseguir nos estudos ou viajava de trem para Marília, uma viagem que oferecia algum risco, de acordo com o pensamento dos pais. Colocaram-me no Colégio Piracicabano como aluno interno. Morei no internato que ficava no único prédio que restou de toda aquela área que pertencia ao Colégio Piracicabano. É um prédio que foi reformado recentemente e fica exatamente aonde termina Rua D.Pedro II, na Rua do Rosário. Ali naquele prédio ficavam os meninos mais novos. Na época eu tinha 11 anos de idade. Aquela área toda tinha sido um clube, era uma praça de esportes, tinha piscina, quadra de basquete, campo de futebol, havia locais para a prática de vários esportes. Eu sempre gostei de esporte, desde criança, portanto achei o local muito interessante. Permaneci morando no internato por um período de um semestre. Em julho de 1948 os meus pais realizaram a sua mudança para Piracicaba. Consolidou-se a realização de um sonho antigo da minha mãe, porque a família da minha mãe, meus avós maternos residiam em Piracicaba. Eu continuei estudando no Colégio Piracicabano, só que na condição de aluno externo. Ao final desse período, acabei transferindo-me para o “Sud Mennucci” aonde completei o ginásio e o curso científico. Eu precisava fazer uma faculdade. Na época Piracicaba oferecia como opção o curso de agronomia, uma carreira fora do meu interesse. Assim fui para São Paulo.
Em São Paulo o senhor foi morar aonde?
A denominação “república de estudantes” era muito comum em Piracicaba. Em São Paulo a denominação era pensão! Era muito parecida com uma república porque morávamos sem que o proprietário residisse no local. Fui buscar um local próximo onde estava estudando: a Escola de Sociologia e Política de São Paulo era uma fundação complementar á USP, criada na década de 30. Existe até hoje a Fespsp (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo) é uma escola de renome. Ela nasceu quando uma liderança paulista pensava em preparar pessoas com capacidade para administrar o país. Tive aulas com professores de renome. Destaco a oportunidade inesquecível de ter sido examinado por professores como Sérgio Buarque de Holanda e tantos outros expoentes da intelectualidade brasileira. Residi sempre na região. Em um período de tempo morei na Rua Nestor Pestana quando a Associação Cristã de Moços inaugurou o prédio e alugou apartamentos. Fui um dos primeiros a mudar para lá, eu tinha um interesse muito grande em esportes. Curiosamente, enquanto morei lá por alguns meses, nunca pratiquei esporte! Pouco depois comecei o curso de direito no Mackenzie. Nessa época eu era funcionário do Banco do Brasil na Lapa, em São Paulo.
Na agência da Lapa o senhor teve uma grande idéia?
Naquela época a indústria automobilística brasileira estava se desenvolvendo. O sonho de todo mundo era ter carro. Mas era difícil. Ninguém tinha dinheiro para comprar um carro a vista. Não havia as facilidades que existem hoje. Fui uma das pessoas que participou da criação dessa idéia e acabei sendo o primeiro gerente desse grupo formado, a primeira pessoa que liderou esse processo. Na hora do nosso intervalo de trabalho estávamos sempre discutindo idéias. Como será que a gente consegue comprar um carro? O que nos inspirou foi o sistema de cooperativas habitacionais que existiam em Rio Claro e em Santos. A partir daquilo é que começamos a trabalhar a idéia do consórcio. Em um determinado dia anunciamos a possibilidade de iniciarmos o consórcio. Quando anunciamos, um grande grupo se entusiasmou com a idéia, mas na hora efetiva, apenas 21 assinaram. Com isso não havia sorteio todo mês! Chamava-se Cooperativa Lapa. Quando começaram a aparecer os primeiros carros o pessoal se entusiasmou com a idéia e passou a querer formar novos grupos. Formamos outros grupos. Juntamo-nos com os funcionários da agência do Bairro Luz e formamos o Laluz. Na época havia fila para adquirir um carro popular. O primeiro grupo foi de Volkswagen. O segundo grupo foi de Gordini.
O senhor transferiu-se para Piracicaba como funcionário do Banco do Brasil?
Vim transferido para a agência do Banco do Brasil em Piracicaba. Eu tinha o objetivo de advogar. Não pensava em continuar trabalhando no banco. Em Piracicaba, já formado como advogado eu fiz uma espécie de estágio com o Dr. João Ribas Fleury, a quem devo uma gratidão muito grande, foi ele quem me deu uma mão nesse momento. Nessa época eu tinha uns 27 anos de idade, casei-me com Vera Baggio Dias Alvim. Na época o escritório do Dr. Fleury era um escritório muito conceituado. E ali as portas foram se abrindo para mim. O escritório trabalhava com o Grupo Dedini, e lá eu passei a me envolver também com questões administrativas, resolvi voltar á escola e fazer a graduação em administração.
O senhor a essa altura dos fatos ainda estava no Banco do Brasil?
Aqui em Piracicaba eu trabalhei por um curto período de tempo. Eu tinha um sonho e a determinação de chegar lá. Eu queria advogar! Ninguém concordava comigo. O pessoal achava que eu estava delirando, mas era isso que eu queria. Minha esposa me deu apoio, eu acreditei que ia dar certo. Nessa altura surge algo que me ajudou muito. A organização do primeiro curso superior em Piracicaba do que vem a ser hoje a Unimep. Fui convidado para lecionar sociologia. Quase concomitantemente passei a ser diretor da faculdade! Tive o privilégio de ser o primeiro diretor da primeira faculdade criada em Piracicaba pelo Instituto Educacional Piracicabano. Era um curso á noite, era uma atividade paralela, isso ao mesmo tempo em que me ajudava, também exigia um esforço muito grande. Trabalhava de manhã, á tarde, á noite, tinha que preparar as aulas, corrigir as provas.
O senhor permaneceu trabalhando como advogado por quanto tempo?
Na Dedini trabalhei por 17 anos, quando saí da Dedini montei escritório de advocacia. Depois disso fui trabalhar na Romi. Voltei depois a trabalhar mais 16 anos na universidade.
Como o senhor se envolveu com futebol?
Eu sempre gostei muito de esporte. E futebol é o esporte do brasileiro. Embora futebol eu jogue muito pouco, joguei mais vôlei e basquete. O cidadão tem que dar alguma coisa para as instituições da sua cidade, é necessário doar-se. Deve escolher a área que se julgue capaz, que se identifique mais, enfim tem que fazer uma escolha. Quando voltei á Piracicaba, fui parar no conselho do XV, na direção do conselho, e em uma crise muito forte que o XV teve, acabou deixando o time sem presidente. Ninguém queria ser presidente! Achei que deveria assumir a presidência do time, tendo como vice-presidente o professor Rubens Braga. A situação era calamitosa. Até os cabides do time estavam penhorados!
Mito, lenda, ou verdade, tinha um pessoal do time que gostava de assar papel?
(risos) Quando assumi a presidência, passado um pouco tempo, um dia um apareceu um rapaz no XV querendo falar comigo. Eu atendi. Ele me disse: “Vim aqui para perguntar se o senhor vai continuar usando o forno da padaria?” Eu perguntei: “O que o XV faz no forno da padaria?” Ele respondeu: “É que o pessoal costuma levar de tempo em tempo uns papéis para serem queimados no forno!”. Respondi que não teria necessidade. Na minha gestão os documentos foram preservados.
O senhor é uma pessoa de espírito irrequieto, deixando o cargo de Magnífico Reitor da Unimep, está se lançando em uma nova empreitada?
Depois de já maduro, fiz o bacharelado de jornalismo por prazer. Estabeleci uma empresa com impressão digital e uma editora. A grande novidade é que essa empresa tem a possibilidade de fazer pequenas edições. Uma pessoa que queira publicar um livro pode determinar a quantidade que desejar, nem que seja apenas um exemplar! A vantagem principal é que o escritor não imobiliza capital. A impressão digital é muito veloz, a máquina colorida faz 55 impressões por minuto, e a preto e branco, 110 impressões por minuto. É muito ágil.

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