Se alguém ainda duvida da importância de conhecermos o passado para construirmos o nosso futuro, então que revogue todos os conhecimentos acumulados pela humanidade até a presente data. J.U.Nassif

"A força está na serenidade do ânimo e no equilíbrio dos sentimentos."

sexta-feira, setembro 26, 2014

PEDRO LUIZ DEFAVARI - CLUBE DOS VETERANOS


 PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 27 setembro de 2014.
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/




ENTREVISTADO: PEDRO LUIZ DEFAVARI - CLUBE DOS VETERANOS

 

Pedro Luiz Defavari nasceu em Rio das Pedras a 20 de maio de 1959, filho de Izaltino Roque Defavari e Alzira Longatto Defavari (Dona Lila) que tiveram os filhos: Maria José (Zinha), Carlos, Pedro, Valdir e Adilson. Pedro é casado com Da. Rosangela, são pais de Douglas e Amanda. Pedro é o fundador do Clube dos Veteranos de Rio das Pedras, fundado a 23 de outubro de 1989. O que sobressai no Clube dos Veteranos é que é uma reunião de amigos com objetivos de amizade e respeito.

Pedro você além do seu trabalho tem um hobby ao qual se dedica muito.

Meu hobby principal é o futebol. Gosto também da pesca. Posso afirmar que cerca de setenta por cento das amizades que tenho foram feitas por intermédio do futebol.

Você chegou a jogar  em times de expressão no futebol?

Cheguei a jogar no juvenil do Esporte Clube XV de Novembro de Piracicaba. O presidente era Romeu Italo Ripoli, o responsável por nós era o Pedro Sallun.  Jogávamos na preliminar depois jogava o time principal. Viajamos para outras cidades junto com o time titular. Foi um período em que o Esporte Clube XV de Novembro  estava muito bem classificado. Com 15 anos fiz teste na Associação Portuguesa de Desportos em São Paulo, fui aprovado. Foi até curiosa a circunstância, um amigo, o Aristides, que jogava na Portuguesa, levou o Vanderlei para fazer o teste, meu pai estava dirigindo o veículo, eu fui junto, mais por curiosidade. Acabei entrando em campo na hora de fazer o teste, fui aprovado enquanto meu companheiro foi barrado, não pelo futebol, mas pela idade. Na semana seguinte voltamos Aristides, Vanderlei e eu, sendo que o Aristides que tinha 18 anos permaneceu em São Paulo, o Vanderlei com 16 e eu com 15  ficamos retidos na rodoviária pelo fato de termos menos de 18 anos e não estarmos acompanhados de um adulto. Por sorte, encontramos a Da. Lurdinha Vicente, esposa de Vicente Borsatto, ela perguntou o que estava acontecendo. Expliquei. Ela assumiu a responsabilidade sobre nós perante o juizado de menores, assim voltamos. Meu pai e Romeu Gardim tinham ido nos buscar. Isso foi por volta de 1976.  Fiz também teste no Guarani Futebol Clube, passei. Por um ano treinei no Juvenil do XV de Novembro.

Seus estudos foram feitos em Rio das Pedras?

O primário eu estudei no Barão de Serra Negra, o ginásio na Escola Estadual Professor Manoel Costa Neves depois fui estudar contabilidade na Escola Municipal Contador Waldomiro Domingos Justolim, conhecida popularmente como Escola de Comércio. Na época o Zicão era o diretor, tinha os professores Genival, Avelino.

Na época qual era a atividade profissional dos seus pais?

Meu pai tinha um bar e mercearia, que depois passou para mini-mercado. Ficava na Rua Prudente de Moraes, 825. O começo de tudo foi no final da Rua Prudente de Moraes, onde hoje é a rotatória. Do lado direito de onde hoje há um posto de gasolina era o Bar do Gustão Scarassatti, pai do Anésio, do Mário. Ao lado tinha outro bar de propriedade dos irmãos Tota e Quinca, Meu pai transferiu de um lado para outro, depois passamos para um prédio próprio, na Rua Prudente de Moraes mesmo, mais acima um pouco. O Sr. Bussolotti fez um empréstimo ao meu pai que acabou construindo um pequeno barracão. Isso foi por volta de 1970. Em 1980 adquirimos do Comendador Oswaldo Miori o supermercado situado na Rua Pudente de Moraes.

Com quantos anos você começou a ajudar os seus pais?

Com 12 ou 13 anos, no bar e mercearia. A pessoa vinha com a listinha de compras, nós pegávamos a mercadoria e entregava ao cliente. As entregas eram feitas pelo meu pai com uma perua Kombi, de vez em quando eu ia junto também. A Kombi era a condução da família nos momentos de lazer. Na frente iam meus pais e atrás os cinco filhos!

Após deixar o XV de Novembro você continuou jogando?
                                          ASSOCIAÇÃO ATLÉTICA RIOPEDRENSE

Comecei a brincar na Associação Atlética Riopedrense, da Terceira Divisão. Sempre joguei como meia-direita, sempre com a camisa 8. Fiquei um ano, depois o time perdeu a vaga.  Joguei na época em que o presidente era Antenor Soave e o Toninho Bassa era o técnico. Vieram umas normas da Federação Paulista de Futebol, que era necessário construir uma arquibancada para 3.000 pessoas. O time ficou um ano sem disputar o campeonato. A proposta era de ser feita a arquibancada nesse ano, o que não aconteceu e a Riopedrense parou de disputar.

O jovem em Rio das Pedras tem recebido incentivo para praticar esportes?

A situação dos jovens é digna de tristeza. A falta de interesse por qualquer tipo de esporte por parte de alguns mandatários anulou a participação do jovem em atividades esportivas. Já tivemos períodos de intensa atividade esportiva, como na época de Geraldo Bianchin, havia campeonatos, era completamente diferente.

A seu ver qual é a importância da prática de esportes?

Como disse no início, a maior parte das amizades que tenho fiz por intermédio do futebol. Quem gosta de esportes, de futebol, para fazer amizade com outra pessoa que faz a mesma coisa é a coisa mais simples, a gente fala a mesma lingua. Conhece o carater da pessoa mais fácil ainda. Quem pratica esporte só tem a ganhar, quem pratica por algum tempo dificilmente extravia sua conduta. Isso é fato!

As autoridades constituidas, em todos os níveis, federal, estadual, municipal, deveriam incentivar mais a prática de esportes de uma forma geral?

Nós vemos em entrevistas concedidas por atletas o pouco caso com relação a pratica de esportes. Aqui em Rio das Pedras tem um atleta que pratica corrida, o Mazaia, ele se inscreveu em uma corrida em Santos, ele necessitava de um patrocínio de R$ 400,00, a prefeitura da cidade não tinha essa verba. Infelizmente isso ocorre tanto no esporte profissional como no amador na natação, futebol, volei. É só dizer que necessita de patrocínio e não encontra nenhum tipo de incentivo. A única coisa que ainda está em pé em Rio das Pedras é o Clube de Campo, o Banhara que fez, o Comendador Oswaldo Miori é que estava dando-lhe suporte, isso faz 50 anos ou mais. Em 2003 conseguimos fazer o Clube dos Veteranos, o time de futebol iniciciou-se em 1989.

Como surgiu o Clube dos Veteranos?

Quando fiz 30 anos convidaram-me para disputar um campeonato em Cerquilho, jogando pela Meias Selene. O Carlos Hansen, foi talvez o único profissional que sobressaiu na cidade, que jogou no Comercial Futebol Clube de Ribeirão Preto, por sete anos. No caminho pensei em montar um time de veteranos, o Carlos Hansen disse que ajudava.  Escolhi 17 pessoas, não necessáriamente bons jogadores de futebol. O primeiro jogo que fizemos foi em 1989 em Saltinho. Para nós jogar futebol é um pretexto, o gostoso é após o jogo, sentar, bater um papo, criar um ambiente descontraido. Comecei por brincadeira e deu certo. De 1989 até 2002 jogávamos na região, Iamos com vários carros, quando iam muitas pessoas alugávamos onibus.

Que cor era o uniforme?

O primeiro uniforme nosso já existe a 25 anos, está intacto, a camisa nas cores azul, vermelha e branca, cores da bandeira de Rio das Pedras. Até hoje as pessoas que ingressam no time vestem essa camisa e tiram uma fotografia uniformizado.

Você tem um carinho muito especial pelo clube.

Já passaram 63 pessoas pelo clube, jogando bola.

Você tem todas as estatísticas do clube?

Tenho tudo. Desde o primeiro jogo. Quem marcou, quem jogou. Qantos jogos fizemos, quanto tempo o jogador permaneceu. Quantas presenças a pessoa teve. Estou fazendo uma revista onde estou contando a história de cada um.

Isso é uma característica da sua formação como contabilista?

Pode até ser. Mas eu acho que é mais porque gosto. Acho que nunca ninguém fez isso. O profissional tem esses dados porque está documentado em televisão, ou em outra mídia. Agora ter o capricho de pegar um caderninho e marcar o dia do jogo, quem veio jogar, quem jogou, quem marcou gol, digo: é muito dificil encontrar quem faça.

Você é o Rocha Neto (Maior documentarista de esportes de todos os tempos)de Rio das Pedras?

Mais ou menos! Um fato que considero marcante é o de um atleta que sempre saiu vencedor em um esporte de competição individual. Um dia encontrei-o completamente alcoolizado, sem forças para ficar em pé. Conversei rapidamente com ele. Aos poucos ele passou a freqüentar o Clube dos Veteranos. Sentiu-se valorizado. Hoje é um grande companheiro. Essa é uma das historinhas que marcaram.

Qual é a faixa etária dos freqüentadores do Clube dos Veteranos?

O mais novo é o Fernando, está com 29 anos. A norma é ter no mínimo 30 anos para ingressar no clube. Com mais idade, que está jogando, é o Nico Padovese, com 66 anos. Se deixar ele joga o primeiro e o segundo tempo de jogo. A regra é jogar meio tempo cada um, para dar a oportunidade de todos jogarem. O João Morales (João Pitoco), também tem 66 anos e joga só que é 5 meses mais novo do que o Nico Padovese. São pessoas privilegiadas. O meu sonho era também estar jogando até hoje, consegui jogar até os 50 anos, o meu joelho me obrigou a parar.

A que horas começa o jogo?

Aos sábados às três horas da tarde o pessoal começa a chegar normalmente o jogo inicia-se três e meia, quatro horas. São dois tempos de 40 minutos cada um. Após o jogo o pessoal toma uma cervejinha, come um petisco, brincam, conversam. Lá pelas sete e meia da noite o pessoal começa a ir embora.

Em que dia você se casou?

Foi em 18 de setembro de 1988

Como sua esposa vê essa sua dedicação ao Clube dos Veteranos?

Fui um privilegiado. Ela gosta de atletismo, apóia, é companheira mesmo. Vamos fazer 26 anos de casados, nunca discutimos.

Seu filho gosta de futebol?

Gosta, o que o meu pai fez para mim eu fiz para ele. Ele ficou até mais tempo do que eu no Esporte Clube XV de Novembro de Piracicaba. Ficou de dois a três anos, saiu, fez um teste no Noroeste de Bauru, passou no teste, ficou por lá. Quando ia começar o campeonato ele parou e veio trabalhar comigo.

Qual é a área total do Clube dos Veteranos?

São 62.000 metros quadrados. Dividimos em 22 chácaras, entre os 22 jogadores do time, cada um na época adquiriu uma chácara para ele. Acredito que seja algo inédito, um condomínio de 22 amigos. O engenheiro Walmir Marcelo que também fazia parte do time fez a divisão.

Se alguém quiser adquirir um terreno lá, como funciona?

O interessado em vender informa ao conselho do clube. Se ninguém do Clube dos Veteranos quiser, passa a prioridade de venda ao Master.

O que é Master?

É outro time que criei que joga aos domingos, já faz seis anos. Os Veteranos jogam com times convidados. O Master só joga entre eles. Camisa vermelha contra camisa branca. Hoje tem 65 participantes do Master, aos quais dedico o domingo. São dois jogos, acima de 50 anos é uma turma, abaixo de 50 anos é outra turma que joga. Ao todo somando os participantes dos Veteranos e do Master são cerca de 100 pessoas. O jogo começa às oito e meia da manhã para o pessoal com mais de 50 anos, das dez horas em diante o pessoal com menos de 50 anos. Hoje no Master tem o Samuca que está jogando futebol todos os domingos aos 73 anos. O Master joga 35 minutos cada tempo. Muitos fui convidando, eles diziam “- Eh Pedro! Você está louco! Faz 10 anos que parei de jogar futebol, hoje tenho 50 anos!”. Eu dizia “- Começa devagarzinho! Deixa a mulher um pouco sossegada em casa!”.  Hoje tem fila com 10 pessoas esperando uma vaga para poder participar do clube. Tem um médico, Dr. Renan, que joga e faz plantão.

Infelizmente existem alguns pseudo-atletas que usam uma partida de futebol como pretexto para se excederem na bebida na confraternização após a partida. Como você controla isso com um número tão grande de pessoas?

A base de tudo é o respeito. Sinto-me muito respeitado. Acredito que isso seja um dom. Convidar alguém para participar é fantástico. Convidar alguém para se retirar é muito difícil. Infelizmente passei duas vezes por isso. Teve um caso em que a pessoa era muito polêmica, achava que todos estavam contra ele. Eu tentei ajudá-lo, lapidar, não é assim fulano. Isso durou três anos. Chegou a um ponto em que não tinha mais o que fazer, fizemos uma cartinha de dispensa. Outro caso no primeiro dia em que ele foi ao clube já discutiu com um sócio. Tentamos mais algumas vezes, mas ele sempre acabava discutindo com alguém, ao que parece alguns não simpatizavam com ele. Até que fui obrigado a dizer-lhe que parasse de freqüentar por algum tempo. Foi muito difícil dizer-lhe isso.

Vocês jogam boche?

As sextas-feiras uns 10 ou 12 sócios se reúnem, fazem um jantar e jogam boche. Eu tinha 3 anos, meu pai tinha a cancha de boche, e de tempo em tempo é passado o rodo para nivelar a cancha, eu sentava em cima do rodo enquanto meu pai puxava! Essa convivência com o boche é desde a infância. Posso afirmar que jogo bem a ponto, e mesmo atirando a bola. Para conviver com outras pessoas tem que ter autocontrole. Cada jogo é uma história. Antes de jogar costumamos rezar. Aos que vão para somar a porta sempre estará aberta. Os que imaginam em dividir não serão bem vindos. É nossa palavra de ordem. O respeito é o alicerce, nossa base. Estamos sempre lapidando.

A seqüência de quem ingressa é jogar futebol no Clube dos Veteranos, com mais idade passa para o Master e com o passar do tempo passa a jogar boche.

Seria isso mesmo! Hoje o Veteranos está completo, com 22 jogadores, se necessitar de um jogador os 22 escolhem um nome para colocar dentro do clube. O Conselho recebe o nome dessas pessoas e é feita a votação. Não é importante apenas que o atleta seja bom de bola, ele deve vir para somar com suas qualidades pessoais. A confraternização após o jogo torna o evento importante para todos.

É um lugar onde encontramos tranqüilidade, diversão sadia. Em dia de jogo quem quiser conhecer o Clube dos Veteranos é só dirigir-se até lá. Fica a dois quilômetros da Praça da Matriz. Dá para ir caminhando.

sábado, setembro 20, 2014

FELISBINO DE ALMEIDA LEME (BINO)


PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 20 setembro de 2014.
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/


ENTREVISTADO: FELISBINO DE ALMEIDA LEME (BINO) 

Felisbino de Almeida Leme, o Bino, estará lançando o seu terceiro livro que é “Canto de Paz” sendo que o valor apurado na venda dos livros será totalmente revertido para o CECAN. Será lançado no dia 27 de setembro, as 19:30 horas, no salão da Escola de Mães, situada na Rua Prudente de Moraes, 1578, esquina com a Rua Alfredo Guedes. O prefácio é de Selma Ferrato, a apresentação foi realizada por Conceição Pipa Soave. Uma das orelhas do livro foi feita por Maria Helena Corazza, presidente da Academia Piracicabana de Letras e a outra orelha do livro foi feita pelo Padre Antonio Célio Costa Francisco, o Padre Célio da Igreja Bom Jesus.
Felisbino de Almeida Leme nasceu a 27 de setembro de 1944 em Piracicaba na Rua Tiradentes, entre a Rua Voluntários de Piracicaba e Rua Treze de Maio. É filho de  Noemia Godoy Leme e Acácio de Almeida Leme que foi músico por 50 anos, tocou em bandas de Piracicaba, Capivari. Tocava saxofone e clarinete. O casal teve sete filhos: Leonidas, Dirce, Clarice, Rubens, Florivaldo (Chicoca), Antonio e Felisbino (Bino). Bino iniciou seus estudos no Grupo Escolar Moraes Barros, sua primeira professora foi Dona Mariazinha (Maria). Nas proximidades do grupo escolar havia uma venda famosa, com sua vitrine de doces, pertencia ao Bento Chulé, um doce muito apreciado era o pudim de pão popularmente chamado de “mata-fome”.

Bino você guarda muitas lembranças dessa época?

Na Rua Alferes José Caetano em frente ao Grupo Moraes Barros, existia o escritório de um dos grandes advogados que atuou em Piracicaba, Dr. Jorge Canaã, era ali que muitas vezes Jacob Diehl Neto, Noedy Krahenbuhl, Francisco Lagreca também célebres advogados,encontravam-se para confabularem. Na esquina da Rua Treze de Maio com Alfres José Caetano, onde atualmente é a Pizza do Bira, era onde funcionava a agência de correios de Piracicaba. Em frente, ficava a loja de Oscar Elias Neme. Na Rua Alferes José Caetano, esquina com a Rua Voluntários de Piracicaba, havia uma casa enorme, onde por muitos anos funcionou a Biblioteca Municipal, Nas dependências anexas ao casarão morava Dona Diva, mãe da Isalina, Lucia, Rosa, que eram minhas colegas. A Dona Diva era enteada do Seu Joaquim Corre-Corre, casado com Dona Maria. Moravam todos juntos. O casarão da frente era a biblioteca. (Foi derrubado recentemente e está dando lugar a um edifício). Na esquina oposta havia uma funerária, do Longatto, com os esquifes  expostos. Ao lado, adiante um pouco, na Rua Alferes José Caetano havia a Fábrica de Bebidas Andrade, que pertencia a família de Thales Castanho de Andrade. Um fato curioso é quando o esposo da professora entrava na sala de aula nós levantávamos e cantávamos: “ –Bom dia Seu Aldino ! Como vai?”.

O curso primário você concluiu lá mesmo?

Fui transferido para o Grupo Escolar Prudente de Moraes. Ia a pé, passava pelo Córrego Itapeva. Minha mãe faleceu quando eu tinha seis anos. Minha avó Maria Erlinda Hellmeister Godoy ( Dona Cota) , e meu tio Nelson Godoy se incumbiram de cuidar de mim. Morávamos na Rua Luiz de Queiroz, entre a Rua Voluntários da Pátria e Treze de Maio. Ali crescemos juntos, Beto Pianelli, Pedro Arnould, hoje médicos conceituados.

O chão era calçado ou de terra?

Era chão de terra nua. Tinha um campinho de futebol. Mais adiante tinha um parquinho municipal, Dona Cacilda Azevedo Cavagionni era a chefe.

O ginásio você cursou onde?

Fiz no Colegio Estadual e Escola Normal Monsenhor Jeronimo Gallo, na Vila Rezende. O diretor era Helly de Campos Melges, tempo do Professor Lineu Alfredo Cardoso, Professsor Marques, Professor Waldemar. Funcionava no mesmo prédio onde era o Grupo Escolar José Romão. Nosso uniforme assemelhava-se muito a uma farda, na cor caqui. Estudava de manhã, a tarde ajudava a minha avó e meu tio. Levava almoço ao meu tio que trabalhava no Engenho Central, tinha que atravessar a ponte sobre o Rio Piracicaba. Para mim era uma diversão. Cheguei a nadar no Rio Piracicaba, pescava muito peixe cascudo.  O Rio Piracicaba ficava muito próximo de onde morávamos. Havia muito peixe, lembro-me do Tangará, Mário Pinazza, pescavam peixes enormes, jaús, dourados. Um tipo folclórico de Piracicaba que conheci foi o Espetete, seu filho Valdemar é muito meu amigo. Tudo que ele falava terminava com “ete” : cachorrete, cavalete, peixete.

Piracicaba era uma cidade relativamente tranquila, todos se conheciam.

Tinhamos habitos mais caseiros. Para ir ao ginásio ia de bonde até a Vila Rezende. Eu cantei no Coral São Luiz, como tenor, o maestro era Vicente Gimenes. Esaiavamos no prédio da Sociedade Portuguesa, na Rua do Rosário, o prédio existe até hoje.  O coral era composto por cerca de 30 elementos, viajavamos muito, cantávamos em solenidades, casamentos. Ditinho, pai do musico Janu, cantava nesse coral.

Nessa época você já estava trabalhando em alguma empresa?

Passei a trabalhar como continuo no Banco Paulista do Comércio situado bem em frente a loja A Porta Larga, na Rua Governador Pedro de Toledo esquina com a Rua Moraes Barros. Ao lado era a “A Musical” do Walter Pousa. A seguir passou a se chamar Banco América. O Banco Itau assumiu. Logo em seguida eu fui fazer o Tiro de Guerra que ficava na Avenida Dr.Paulo de Moraes, eu ia de bonde, em pé no estribo. Após um ano terminei de servir o Titode Guerra.

Você foi fazer o que em seguida?

Fui para São Paulo, isso foi em 1966, fui de trem. Fui até a casa do meu tio Antonio Godoy, o sogro do meu sobrinho, Helio Pianelli trabalhava na Editora Abril, um primo do meu primo trabalhava na TV Excelsior, na Vila Guilherme, onde eram feitas as novelas, eles tinham um estúdio na Rua Nestor Pestana, centro de São Paulo. Conduzido pelo meu primo entrei na Excelsior como escriturário, fui evoluindo, me aproximando mais no núcleo de novelas, acabei dando assistência a produção e direção.

Qual foi a primeira telenovela que você deu assistência?

Foi “Redenção”. Uma novela que ficou quase dois anos no ar. Na época tinha que ter o visto da censura. Cheguei a levar uma gravação para pegar o visto em Brasília. Nessa época eu morava na Rua Augusta. Dona Gê era costureira da TV Excelsior, ela abrigava em seu apartamento alguns artistas que vinham do Rio para São Paulo. O Rony Cócegas ficou muito tempo nesse apartamento. Moravamos todos nesse apartamento, e era próximo da TV Excelsior. Da Nestor Pestana era transmitida a Luta Livre, a Hora do Bolinha, Show Riso, Os Adoráveis Trapalhões que quando começou era formado pelo Renato Aragão, Didi,  o Wanderley Cardoso, Vanusa, Ted Boy Marino, Ivon Curi. Mais tarde saiu esse quarteto e entrou Muçum e Zacharias. Com onibus ou perua da TV Excelsior íamos até os estúdios da Vila Guilherme, era um dos melhores estúdios da América do Sul.

A Luta Livre era um show?

Era um show já ensaiado. Quem assistia em casa ficava nervoso, mordia a unha. Isso em uma época em que poucos tinham televisão, e era em branco e preto. Quando terminavam a luta, saiam do estudio e dirigiam-se a um barzinho que existia em frente  ao prédio da TV Excelsior, iam tomar cerveja, bater papo. O Show Riso estorou em São Paulo, vinha o pessoal do Rio de Janeiro para fazer o programa. Ary Leite criou o “Saraiva”, personagem característico por ser neurótico.

Para um rapaz que saiu do interior o impacto foi muito grande?

Na época mergulhei no meio artistico, cheguei a ter muitos amigos. Na TV Record quando o Agnaldo Rayol fez “As Pupilas do Senhor Reitor” , com Fulvio Stefanini, Dionisio Azevedo interpretava o reitor,  o Agnaldo viajava muito, eu pegava seu texto, marcava sua fala, levava para a casa da sua mãe, Dona Rosinha, seu pai era Seu Agnelo, deixava lá. Quando ele chegava de viagem já estava tudo pronto para ele decorar o texto. Muitas vezes um ator fazia o ensaio para gravar imediatamente. O “script” era rodado em mimeografo a alcool! Era uma dificuldade! Para fazer uma cena externa ia trator, caminhão, jipe. Na Excelsior permaneci dois anos. Ela faliu e nós fomos para a TV Record. Dr. Paulo Machado de Carvalho era o comandante. Ele tinha escritório na Rua Quintino Bocaiuva, mas passava diariamente na emissora. O Vicente, que era o barbeiro, fazia sua barba. Depois ele ia ao escritório. Seus tres filhos: Paulo Machado de Carvalho Filho, o Paulinho, cuidava da parte artística, o Tuta, cuidava da parte técnia, é pai do Tutinha que comanda a Jovem Pan, o Alfredinho cuidava da parte comercial. Tive a felicidade de trabalhar com quatro diretores bons: Dionizio Azevedo, Valter Avancini, Regis Cardoso e Ivan Mesquita. O Pagano Sobrinho pediu que eu fizesse Juri Popular  no programa “É Proibido Colocar Cartaz” , programa de calouros, nesse programa que levei o Beto Surian. Consegui levar vários valores artísticos para iniciar carreira. Na Record surgiu a Joven Guarda, depois a Praça da Alegria com Manoel da Nóbrega, depois veio o Festival da Musica Popular Brasileira. Elis Regina, Jair Rodrigues, Chico Buarque de Holanda, Gilbeerto Gil.

Você permaneceu por quanto tempo em São Paulo?

Foram cinco anos. Na época a febre que contagiou a juventude era viajar como mochileiro. Conhecer novos lugares. Eu e um amigo decidimos percorrer a estrada. Chegamos até a Argentina. Eu deveria ter por volta de vinte e poucos anos. Era muito jovem. Viajei sabendo que podia contar com a ACM, Associação Cristã de Moços. O espírito do mochileiro era de percorrer a rota através de qualquer meio de transporte, a pé, de carona. Permanecemos uma semana na Argentina. Decidimos retornar.

Você voltou à Piracicaba?

Cheguei e procurei o Tiquinho como era conhecido Haldumont Nobre Ferraz. Ele era assessor do Prefeito Cássio Paschoal Padovani. O SEMAE- Serviço Municipal de Águas e Esgotos estava sendo criado. A sede era na Rua São José, entre a Praça José Bonifácio e a Rua Alferes José Caetano. Fiz a Faculdade de Serviço Social. Com essa formação desenvolvi e implantei vários projetos visando qualificar e aperfeiçoar a condição de vida dos funcionários, que na época eram em torno de 600. Alfabetização de adultos, grupos de recuperação de auto-estima, diversas iniciativas que beneficiaram e beneficiam até hoje os funcionários. 

Quando você se casou com a sua esposa Rosaly Aparecida Curiacos de Almeida Leme?

Casamos a 24 de maio de 1979 na Igreja dos Frades o celebrante foi Frei Augusto, dessa união nasceu nosso filho José Alexandre.

Bino você teve alguma ligação com o escotismo?

Logo após ingressar no SEMAE passei a participar do Grupo de Escoteiros Tamandaré, já na função de chefia. Praticamente fundamos esse grupo, junto com meu irmão, com o Shirley Prado, da Receita Federal.

Quantas obras editadas você já tem?

Meu primeiro livro foi “Encantos de Outrora”, lançado em 2008. O segundo livro foi “ O Relato de Minha Vida” lançado em 2011, que narra minha vida, minha infância, minha juventude e meu trabalho ligado a televisão. E agora estou lançando o terceiro que é “Canto de Paz” sendo que o valor apurado na venda dos livros será revertido para o CECAN. São 120 poemas, simboliza meus 70 anos de vida, mais 50 anos de comunicação, no total de 120 anos. Será lançado no dia 27 de setembro no salão da Escola de Mães, situada na Rua Prudente de Moraes, 1578, esquina com a Rua Alfredo Guedes.

Quando você pediu a mão da Rosaly em namoro foi com algum poema?

A Rosaly me conheceu quando eu estava dando uma palestra sobre o livro de Erich Fromm abordando o tema “O Amor é Vida”. Ela achou minha voz bonita, e ela precisava de uma pessoa que falasse na inauguração da escola EE Profa Maria Guilhermina Lopes Fagundes em Santa Bárbara D`Oeste. A direção da escola queria alguém que fizesse a oração de agradecimento em nome de Jesus pelo material como cimento, cal, às pessoas que trabalharam na obra como o pedreiro por exemplo. A Rosaly conversou com a Ana Maria, esposa do Ary Camolesi. O Ary é um dos fundadores do VEA, e eu fazia parte do VEA.

O que significa VEA?

Forma uma cruz  Vá de Espírito Aberto e Volte Espalhando Amor. A Rosaly me convidou, fui até a casa dela que morava com sua família, nisso chegou sua irmã Helena e disse que me convidasse para ficar para o almoço. A Rosaly disse que me conhecia muito pouco. Nisso a sua irmã Helena retrucou: “-Ele será seu namorado!”. Acabamos nos conhecendo e casando.

Você participou de muitas instituições em Piracicaba, pode citar algumas delas?

Primeiro foi o escotismo. Depois fui para o VEA, onde era um grupo formado por adultos. Funcionava no Seminário do bairro rural Nova Suiça. Ia na sexta-feira a tarde e voltava no domingo. Era no formato de um cursilho. Foi em uma época em que havia vários movimentos jovens cristãos, como Geração Nova, Topada.  Participei da Associação Piracicabana de Assistência Carcerária (APAC). Atuei no Centro Cultural e Recreativo Cristovão Colombo como Diretor de Comunicação ( Gestão José Domingos Cristofoletti) Diretor Cultural (Gestão Milton Marcos Ducatti), época em que criei o coral do Cristóvão, com o Maestro Joaquim Bonilo, o coral existe até hoje. Criei a “Nossa Mostra” que existe até hoje, eram apresentadas obras de artistas plásticos que eram associados do clube. Foram criados cursos de pintura, escultura. Fui Diretor Ouvidor ( Gestão Orlando Antonio (Tato) Pereira. Fui Vice-Presidente do Clube do Escritor do Carlos de Moraes Júnior. Fui diretor da Sociedade Beneficente Sírio Libanesa, com Alexandre Neder e com Jorge Sallum Nassin (Jorginho). Por dois anos fiquei como Diretor Social na gestão de Elia Youssef Nader e Silvana Zen Boaventura. Estamos na Academia Piracicabana de Letras ha muitos anos, onde sou o primeiro secretário e a Rosaly é a segunda secretária. Fiz parte dos Amigos do Museu da Odontologia com o Dr. Waldemar Romano. Tenho matérias publicadas em O Diário, no Jornal de Piracicaba, A Tribuna Piracicabana, Gazeta de Piracicaba, Capivariano, Laranjal Paulista, Cosmópolis Jornal de Aparecida do Norte. Nas revista Brasil Rotário ( Rio de Janeiro) e Família Cristã. Fui membro das Comissões organizadoras dos Salões InternacionaL do Humor de 1977 e 1978. Presidi a Comissão Organizadora dos Prêmios Escriba: de Contos, de Poemas e de Crônicas., com nivel nacional e internacional. A primeiro de agosto de 2008 recebi o título “Piracicabanus Praeclarus” e no dia primeiro de agosto de 2013 a “Medalha de Mérito Legislativo” e várias “Moções de Aplauso” pela Câmara Municipal dos Vereadores de Piracicaba.

Como você vê a situação cultural do nosso país?

A tecnologia veio e deu uma alavancada em tudo. A juventude de hoje é bem diferenciada da época da minha juventude.  A velocidade de informações é imediata. Acredito que os valores efêmeros podem e deve ser mudado, o que deve ficar são os valores permanentes: o amor, o respeito.

Rosaly cita uma frase de seu pai, José Curiacos, que foi pessoa de grande sabedoria.

Meu pai sempre dizia que se você tiver uma lata de tinta cor-de-rosa e se cair um pingo de tinta verde todos irão dizer que estão vendo o pingo de tinta verde. Enquanto isso acontecer, significa que a maioria não está em evidência. Pior seria se fosse ao contrário. Se o mal fosse maior do que o bem. O que está é muito difícil de manter os valores perenes com a juventude atual. A propaganda dessas outras coisas todas é muito grande. 

Bino, o livro terá uma embalagem especial?

Foram feitas 200 sacolinhas de tecido com o poema “Seja Você Mesmo” da Madre Tereza de Calcutá impresso.

Seja Você Mesmo

Dê sempre o melhor...
E o melhor virá.
Às vezes as pessoas são egocêntricas,
Ilógicas e insensatas...
Perdoe-as assim mesmo.
Se você é gentil, as pessoas podem
Acusá-lo de egoísta e interesseiro...
Seja gentil assim mesmo.
Se você é um vencedor, terá alguns
Falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros...
Vença assim mesmo.
Se você é honesto e franco,
As pessoas podem enganá-lo...
Seja honesto e franco assim mesmo.
O que você levou anos para construir,
Alguém pode destruir de uma hora para outra...
Construa assim mesmo.
Se você tem paz e é feliz,
As pessoas podem sentir inveja...
Seja feliz assim mesmo.
O bem que você faz hoje
Pode ser esquecido amanhã...
Faça o bem assim mesmo.
Dê ao mundo o melhor de você,
Mas isso pode nunca ser o bastante...
Dê o melhor assim mesmo.
E veja você que, no final das contas,
É entre você e Deus...
NUNCA SERA ENTRE VOCÊ E ELES!

JACQUELINE SANTANA


PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 13 setembro de 2014.
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/

                                        ENTREVISTADA: JACQUELINE SANTANA
 
Jacqueline Santana assumiu a Rádio Educativa FM como Diretora-Presidente no dia 02 de janeiro de 2013. A emissora conta com 13 funcionários, somando aos que prestam serviços voluntários à equipe é composta por 30 membros. Formada em Comunicação e Pós–Graduada em Administração Pública e Gerência de Cidades.

O que são voluntários de uma rádio?

São pessoas que apresentam programas ou trabalham nos departamentos, voluntariamente.  Essas pessoas assinam um termo de voluntariado que significa que elas não têm nenhum vinculo empregatício com a emissora e nos ajudam no decorrer dos trabalhos. Elas compõem a comunicação da Rádio Educativa de forma voluntária. Para trabalhar na Rádio Educativa ou é através de concurso público ou ocupa cargo de confiança. Estamos tentando mudar isso agregando grupos de voluntários, e conseguimos isso no decorrer desse tempo, desde 2013, a trazer mais voluntários.

Há alguns critérios para ser voluntário?

Existem critérios rigorosos, diretrizes. Estabeleci a minha estratégia para comunicação da rádio de 2013 a 2016. Desde que assumi fizemos um grande investimento em tecnologia. Temos todo o apoio e empenho do Prefeito Gabriel Ferrato. A Rádio Educativa é uma rádio pública mantida pela prefeitura, ela está locada na Secretaria da Educação. A ordenadora de despesas da Rádio Educativa é a Secretária de Educação, Professora Ângela Corrêa.

Qual é o foco da grade de programação da Rádio Educativa?

Quem acessar o site educativafm.com.br poderá acessar todos os programas, lá é descrito um pouco de cada programa, tem a fotografia dos comunicadores. Está tudo no site. Quando assumi a idéia era de que a Rádio Educativa era uma emissora voltada para o público acima de trinta anos, classes A e B. Meu objetivo é mudar isso, fazer com que pessoas de todas as idades e cada vez um número maior de ouvintes, optem também pela Rádio Educativa. Não somos concorrentes de ninguém. Não temos anunciantes. Desde que assumi a Rádio Educativa não tem apoio cultural de empresas particulares. Quem mantém a rádio é a prefeitura, então quando eu preciso de recursos recorro a autorização do prefeito. Tenho todo apoio e respaldo dele, não se justifica ter o chamado apoio cultural de terceiros.

Há uma afirmação que não se sabe ao certo contabilizar, de que muitos magnatas norte-americanos deixam uma sólida formação cultural aos filhos. A maior parte dos bens materiais eles doam à fundações com fins filantrópicos. Alguma vez isso ocorreu com a Rádio Educativa?

Nós nunca tivemos esse tipo de contato. Caso surja uma proposta dessas, iremos registrar essa doação, documentar de forma legal e oficial. O que nós já recebemos em doação na minha gestão, foram LPs, os discos de vinil.

Vocês aproveitaram esse material?

Digitalizamos esse material, estamos digitalizando todo nosso acervo que é composto por mais de 70.000 músicas, é uma das discotecas mais completas da região. Nós registramos com fotografias as doações de LPs. Utilizamos as músicas desde que atendam os critérios da rádio. Desde que assumi a Rádio Educativa fez um grande investimento em tecnologia, mudamos todo o sistema de informática da rádio, substituímos equipamentos por outros tecnologicamente mais avançados, aumentamos a velocidade de internet da rádio. Ampliamos a equipe de jornalismo e comunicação com a participação de voluntários. Dentro do nosso objetivo de aproximar a Rádio Educativa do público, temos levado a emissora para fora dos estúdios. Geramos o som da Sapucaia e transmitimos o evento na integra, pela primeira vez produzimos o som que ia ser levado ao ar lá, Sapucaia é um evento que antecede ao carnaval. Quem organiza a Sapucaia é a Secretaria de Turismo. O som é gerado em trios elétricos. Transmitimos o carnaval na integra, pela primeira vez na história da Educativa. Montamos um estúdio na Festa das Nações este ano, e antes desse estúdio elaboramos na rádio um programa aonde todas as barracas vieram até aqui, com antecedência contaram o que iriam oferecer no dia da festa. Divulgamos a Festa da Polenta. Organizamos junto a Secretaria de Turismo o Show de Aniversário da cidade. Fizemos a abertura ao vivo do 41º Salão Internacional de Humor de Piracicaba.

O site da Educativa tem recebido muitas visitas?

O site da Educativa foi lançado em outubro do ano passado, 10 meses após o seu lançamento temos cerca de 200.000 acessos por mês. Quase 7.000 pessoas acessam a educativafm.com.br todos os dias para ouvir a programação. A Educativa alcança um raio de 80 quilômetros ao redor da sua antena de transmissão que fica no SEMAE, chegando a uma potência de 1.000 WATTS. Com isso atinge um grande número de cidades localizadas nesse limite. Divulgamos eventos de outras cidades, desde que nos procurem. Teve um show de Cezar e Paulinho em Santa Barbara D`Oeste, fomos até lá, eles concederam uma entrevista exclusiva para a Rádio Educativa. Recebemos representantes de cidades vizinhas, nesta semana estará conosco a Sra. Clarissa Chiararia ela é Secretária de Turismo da Cidade de São Pedro. A Educativa está atraindo o interesse das autoridades da região, mas o foco é a população local e regional.

Embora não seja assistencial a Educativa é uma rádio de prestação de serviços. Nós estamos aqui para atender a demanda do público. Temos uma página também no face book Rádio Educativa FM de Piracicaba 105,9.

Como é a relação da Rádio Educativa com outros veículos de comunicação?

Isso é fantástico! Eu não me recordo de algum veículo de comunicação local em que a Radio Educativa não esteve presente desde o ano passado. È muito bom poder contar com esses parceiros que tornam a rádio viva, presente. O jornal da Ordem dos Advogados do Brasil colocou na capa do jornal uma matéria sobre a Educativa. A revista Trifatto colocou uma página da rádio destacando o apoio do prefeito Gabriel Ferrato para todas as ações que foram realizadas. Criamos a Galeria de Fotos da Rádio, as pessoas que nos visitam gostam de serem incluídas nessa galeria. Em termos de programação, a pedido de ouvintes a Educativa toca MPB e musica internacional em todos os horários. Inserimos as locuções musicais, o ouvinte está acompanhado até de madrugada, ele não fica apenas ouvindo musica, sozinho. Há um locutor até nas madrugadas. O rádio é uma boa companhia.

Vocês têm pesquisa de audiência?

Não temos pesquisa de audiência, o custo é levado, trabalharmos com o dinheiro público. Com isso medimos a audiência de outras formas, como o número de acesso ao site, o número de visitantes que deixam suas imagens registradas na galeria de fotos. Há pessoas de todas as faixas etárias que desejam conhecer a rádio. Muitos acompanham a rádio pelo face book, pelo site. O número de visitante é tão grande que já pensei em estabelecer um horário de visitas. Temos recebido crianças de escolas, recentemente representantes de fanfarras. Vamos ter o Whatsapp (Um programa que colocado no celular permite escrever e mandar a mensagem imediatamente). A Rádio Educativa terá também um aplicativo no celular, é só baixar o aplicativo pelo site e ouvir no celular a Rádio Educativa. É uma rádio que está atualizada com o avanço tecnológico.

Temos pessoas que são praticamente anônimas em Piracicaba, mas de grande projeção em outras localidades, como por exemplo, um ciclista com 350 medalhas ganhas em competições. Como a Educativa pode valorizar esse atleta?

Fantástico exemplo. Essa pessoa pode nos procurar. Visitei uma academia na cidade que chamou a atenção o número de troféus. Olhei muitos deles, pelo número era difícil visualizar todos. Nenhum deles tinha o nome de Piracicaba. A minha indagação foi por que não constava o nome de Piracicaba em nenhum dos troféus. O responsável respondeu que em nenhuma das conquistas desses troféus tinha tido apoio da prefeitura da nossa cidade. Isto estava errado. Fiz uma reunião com o Secretário de Esportes e com o apoio do prefeito Gabriel Ferrato hoje essa equipe de atletas que é composta inclusive por tri-campeão mundial de levantamento de peso fará um evento aqui no Ginásio Waldemar Blatkauskas dia 14 de setembro as 13:00 horas com todo apoio da prefeitura. Após essa reunião os atletas já receberam apoio da prefeitura com transporte e alimentação para competir em diversas vezes em cidades da região. As vezes a única coisa que falta são essas pessoas virem até nós. Podem entrarem em contato comigo através dos telefones 34334430 ou 34322051 vou agendar uma reunião com a pessoa interessada e tomar as providências cabiveis.  O Espaço Seresta é um exemplo de programas solicitados pela população.

A Rádio Educativa busca trazer cursos a seus profissionais?

Recentemente trouxemos uma palestra sobre administração financeira. É uma forma de valorizar o profissional. Para exigir um trabalho de qualidade tem que oferecer ferramentas. É importante oferecer elementos de motivação. Na Rádio Educativa uma das características é que todos trabalham e bastante. O próprio voluntariado tem um comprometimento natural. A Rádio Educativa oferece projeção e eu acho que essa projeção é uma forma minima de agradecer aqueles que trabalham voluntariamente. Confiança e credibilidade significam consciência. Encerro meu expediente com a certeza de que fiz o melhor de mim.

Entre os novos programas colocados este ano você pode citar mais algum?

Colocamos o programa “Pensando Rural” voltado ao homem do campo. Tem musica, receitas de queijadinha, bolo de fubá. É uma parceria do Pira-21 com a Esalq. Outro programa que foi incluido na grade é o “Giro Educativa” apresentado pelo Kal Mattus, vem logo após o programa “Bom Dia Cidade”, o objetivo é arejar a programação, é um bate papo descontraido, muita música, risada, ele vem após um jornalismo mais denso. É apresentado das 10:00 às 11:00 de segunda a sexta feira. O “Espaço Seresta” que é apresentado aos domingos, esse ano teremos novos programas que farão parte da grade. Recebi muitos pedidos para que eu apresentasse um programa, existe a intenção de lançar “O Perfil” com Jacqueline Santana. Se esse projeto nascer será a pedido de um número considerável de ouvintes. Já fui apresentadora em mais de uma emissora, na verdade o microfone é uma ferramenta que faz a comunicação ter um acesso maior, o importante é você saber desenvolver a informação que irá colocar no microfone. Gosto muito de desafios. A Rádio Educativa procedeu ainda reparações na estrutura física da rádio, limpeza das espumas acusticas, instituiu a reciclagem de materiais como procedimento padrão.

MERCEDES VECCHINI


PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 06 setembro de 2014.
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/

ENTREVISTADA: MERCEDES VECCHINI 

A professora Mercedes Vecchini simboliza milhares de professoras que exerceram o ensino como uma missão. No anonimato da sua função, percorreram escolas transpondo obstáculos de toda natureza. Ensinaram gerações, estabeleceram bases para o desenvolvimento do nosso país através da educação. Sem nenhum recurso tecnológico tinham como objetivo fazer com que os alunos raciocinassem. Analisassem e interpretassem conceitos pré-estabelecidos. Nascida em Piracicaba, a 6 de fevereiro de 1935, filha de Eugênio Vecchini e Irene Razera Vecchini, que tiveram também o filho Tarcísio.

Em que bairro de Piracicaba você nasceu?

Segundo minha mãe dizia, nasci nas proximidades de onde atualmente é a Avenida Dona Jane Conceição, na época essa região era tomada em grande parte por plantação de algodão, pertencente à família Conceição. Andava-se mais utilizando atalhos, as ruas praticamente eram diferentes dos traçados atuais, o chão era de terra. Onde é atualmente a Rua Sud Mennucci havia uma rua sinuosa, de terra, e existia uma Santa Cruz muito reverenciada. (A construção de uma Santa Cruz é um hábito de origem cristã trazido com os colonizadores, cuja função é sinalizar o lugar onde uma pessoa faleceu, quase sempre em circunstâncias trágicas, seja por morte natural, por assassinato, um acidente qualquer ou queda de raio). Na Rua Sud Mennucci esquina com a Avenida João Conceição havia uma fundição, onde hoje funciona uma imobiliária, o prédio é o mesmo, foi reformado. Ao lado havia uma escolinha isolada, composta por uma classe apenas, o prédio era do Sindicato dos Ferroviários da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. A professora que lecionava chamava-se Diva, a casa em que ela morava na Rua Alferes José Caetano, existe até hoje.

Qual era a atividade do seu pai quando se mudaram para a Paulista?

Ele era comerciante, tinha uma venda (ou armazém) onde atualmente é a Loja do Italiano, na Rua do Rosário esquina com a Avenida do Café. A nossa venda era na frente e a nossa residência era anexa, na parte de trás do prédio. Em frente onde é a loja Paulistinha existia uma máquina de beneficiar arroz de propriedade do Grella. Vizinho a nossa venda era o Bar do Geep (José Tozzi). Na esquina da Rua do Rosário com a Avenida Dr. João Conceição era o armazém do Bortoletto, na época era um dos raros donos de telefone nas redondezas. Atualmente é a agência do Bradesco. Na esquina da Rua do Rosário com a Avenida Dona Jane Conceição era o campo do Jaraguá Futebol Clube, o campo do MAF ( Abreviatura de Manoel Ambrozio Filho) era mais adiante.

A Família Mori, que teve importante atuação no comércio de pescados em Piracicaba, estabeleceu-se no bairro após a Familia Vecchini?

Quando eles construíram a casa que pertence a Família Mori nós já estávamos aqui.
Meu pai e meu tio Pedro tinham uma máquina de beneficiar arroz e fazer fubá, situava-se no Bairro Santa Terezinha. Ao lado passava o trem da Estrada de Ferro Sorocabana.
Meu “nono” (avô) Luiz Razera,deu à nossa família uma casa muito bonita, que existe até hoje, situada um quarteirão abaixo da Santa Casa de Misericórdia. A Avenida Independência não tinha calçamento. Moramos um tempo ali. De lá fomos morar em uma região rural entre a Nova Suissa e o Pau D`Alhinho. Meu pai adquiriu um sítio que tinha pertencido a família Gozzo. Eles foram muito laboriosos, cultivaram todos os tipos de frutas. Meu pai levava frutas, beringelas, laranja, banana ao Mercado Municipal, com uma carroça tracionada pelo cavalo “Lambari”. Nessa chácara permanecemos por uns quatro anos. Íamos a Escola do Pau D`Alhinho, inclusive membros da família Totti formávamos um grupo de 7 a 8 crianças que iam juntos até a escola. Ficava a uma distância de uns cinco quilômetros que percorríamos a pé. Quando tinha usava chinelo, senão ia descalços. A minha primeira professora era Dona Araci, ela morava na Rua Boa Morte. Dona Idalina Alcantara Gil também foi minha professora naquela escola. As duas professoras iam dar aulas de charrete.

Após quatro anos a sua família mudou-se para Piracicaba?

Inicialmente meu pai adquiriu um terreno próximo ao hoje Teatro Municipal, construiu uma casa um dos nossos vizinhos era o Rapetti. Nesse período eu passei a estudar na Escola Normal, depois Sud Mennucci. Lembro-me da nascente Olho da Nhá Rita, ficava próximo a Avenida 31 de Março. Íamos pescar guaruzinho com peneira no Ribeirão Itapeva, era bonito, piscoso, chorei muito quando o cobriram. Em uma determinada época estava faltando água fizeram um poço artesiano, próximo a Rua da Glória, ficou conhecida como “Bica do Morlet”. Funciona até hoje. Meu pai comprou o terreno na esquina da Avenida do Café com a Rua do Rosário e construiu o armazém e a casa. Isso foi por volta da década de 40.

Nesse período em que estudava, também trabalhava?

Fui trabalhar no Laticínios Piracicaba, o Cabrini era o proprietário. Meus pais gostavam de jogar baralho, jogavam com o casal Cabrini, pais do famoso repórter. A seguir estudei da quinta até a oitava série no Sud Mennucci. Tive aula com o Professor Otávio, de matemática, Evaristo, que dava aulas de português, Benedito Dutra Teixeira deu aula de música.

Você fez o magistério em que escola?

Fiz na Escola Normal Rural “José de Mello Moraes”, funcionava no prédio da Zootecnia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. Formei-me professora em 1966.  Nós deveríamos escolher escola rural após nos formarmos.

Qual foi a primeira escola em que você foi lecionar?

Fui dar aulas em Franco da Rocha, vizinho a São Paulo. Ia de trem pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Em Franco da Rocha pegava um ônibus e ia até a escola. Lembro-me de um professor de educação física, muito entusiasmado, montamos uma peça de teatro chamava-se “Os Loucos Vem de Fora”, os atores eram os professores. Durante a semana eu permanecia em Franco da Rocha, voltava na sexta feira a tarde. Eu lecionava de manhã. Nesse período morei em uma residência que tinha dependências fora do corpo principal da casa. Nessa época comecei a estudar a noite o curso de  Administração Escolar no bairro da Lapa, em São Paulo. Ia com o subúrbio. Fui removida para Várzea Paulista, junto com outra professora, a Eurides, ficamos em uma casa de uma senhora que tinha duas filhas. Na Escola Experimental de Jundiai fiz o segundo ano de Administração Escolar. Eu decidi fazer um curso de Pedagogia, em Piracicaba, viajava todos os dias. Saia às cinco e meia da manhã de Piracicaba, embarcava no Expresso Piracicabano, descia na entrada de Jundiaí, lá eu tinha em uma garagem, um automóvel Dauphine, quatro portas, preto. Naquela época a moda era carro de duas portas. A seguir removi para Campinas, inauguramos o Colégio Costa e Silva situado a caminho da Via D.Pedro I. Lá eu morei em um pensionato, perto da Igreja do Carmo. Após dois anos, removi para a Usina Furlan, na SP-304, Rodovia Luiz de Queiroz onde permaneci uns três anos.

Você chegou a ser diretora de escola?

Por 10 anos fui diretora substituta. Onde a diretora tirava licença ou férias eu ia substituir. A escola no Campestre eu que montei. É uma escola de primeira até a quarta série. A merendeira era Dona Deolinda, filha do Mellega.

E quando você se aposentou o que você foi fazer?

Uma das decisões que tomei foi ficar sócia da Friendship Force International, em bom portugues significa A Força da Amizade.  Conheci muitos países, sendo que falo apenas um pouco de espanhol.

E através dessa associação você conheceu praticamente o mundo todo?

Quem me recebe em outro país nem imagina como sou. Quando chego em visita a outro país fico hospedada na casa de uma família que faz parte da Friendship Force International. Procuro agir com muita educação, respeitando os hábitos e costumes dessa família. Sempre fui muito bem recebida em todos os paises em que estive. O tempo de permanência é de sete dias, e eles fazem questão de mostrar todos os detalhes da cidade que estamos visitando. Um país que me marcou muito foi a Hungria, em particular sua capital Budapeste (em húngaro Budapest) Localiza-se nas margens do rio Danúbio Sua região metropolitana, também chamada de Grande Budapeste. Budapeste foi fundada em 1873 com a fusão das cidades de Buda na margem direita do Danúbio, com Peste, na margem esquerda.

Você recebeu visitantes internacionais em sua casa?

Recebi, inclusive uma australiana muito simpática. Quando estive na Austrália também fiquei encantada com os país, o eucalipto cor de rosa, plantado em jardins, praças. Fui para Itália, fiquei um mês em Genebra, já por iniciativa minha. Estive na França. Na Inglaterra me perdi, lá eu fiz o sistema opcional. Funciona da seguinte forma, uma semana você permanece na casa de alguém como convidado, caso queira fazer o opcional dai é por conta própria. Como turista normal.

Estou vendo que você tem um carro em excelente estado de conservação, você dirige ainda?

Dirijo! O maior problema é sair da garagem, a rua em que moro tem um trânsito intenso e muito rápido. Infelizmente muitos motoristas não se importam com nada. Dou sinal de braço, perna (risos), ninguém respeita! A circulação urbana está muito agressiva. Para a área rural eu vou, visito familias amigas.

Você pratica alguma atividade física?

Na Estação Idoso “José Nassif”, na Estação da Paulista, existe uma academia, eu andei frequentando. Uma das atividades que gosto muito é participar do coral.

Que voz você faz?

Sou soprano no Coral da Terceira Idade na Estação. O ensaio é toda segunda feira das duas horas até as quatro horas da tarde.

Você se considera uma pessoa ativa?

Acho que estou meio limitada, talvez o fato de não estar em contato com tantas pessoas como sempre estive também ajuda a criar uma zona de conforto, a uma certa acomodação, que não é muito saudável.

Você está com uma camiseta do Projeto Rondon, qual é a razão?

É que em 1973 eu fiz parte do Projeto Rondon, sou da turma 33. O Projeto Rondon foi criado em 1967 e durante as décadas de 70 e 80, permaneceu em franca atividade, tornando-se conhecido em todo Brasil. O projeto promovia atividades de extensão universitária levando estudantes voluntários às comunidades carentes e isoladas do interior do país, onde participavam de atividades de caráter notadamente assistencial, O Projeto Rondon foi retomado pelo governo federal em 2005, mais de quinze anos depois de sua extinção.

Para qual localidade você foi?

Fui para Cruzeiro do Sul, no Acre. Tenho minha familha lá! Eles já ficaram uma semana na minha casa, eu já fui duas ou tres vezes de volta para lá. Fiz uma grande amizade com a Gisalda, que conheci lá e mora em Cruzeiro do Sul. Ela é paisagista do municipio. É mães de dois filhos padres: um marista e um espiritano. Agora se quiser ir por via rodoviária para Cruzeiro do Sul já é posssível. Ficou pronta a ponte do Rio Juruá, é muito linda!

Pelo Projeto Rondon quanto tempo você permaneceu lá?

Ficamos um mês. Fui na área da educação.

Como eram as coisas lá naquela época?

Lá existe o Campus Avançado. Fomos em doze pessoas: duas da área de educação, dois agrimensores, dois engenheiros, dois dentistas, e mais quatro pessoas de outras áreas. Fomos de avião, a Força Aerea Brasileira que nos levou. Foi a primeira vez que entrei em um avião. Tive a oportunidade de conhecer a cabine dos pilotos, os instrumentos do avião. Foi uma aula de aviação!

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