Se alguém ainda duvida da importância de conhecermos o passado para construirmos o nosso futuro, então que revogue todos os conhecimentos acumulados pela humanidade até a presente data. J.U.Nassif

"A força está na serenidade do ânimo e no equilíbrio dos sentimentos."

sexta-feira, maio 10, 2013

ANTONIO CARLOS FIORAVANTE - “BOLÃO”

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
Sábado 04 de maio de 2013.
Entrevista: Publicada aos sábados na Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/
http://www.teleresponde.com.br/


ENTREVISTADO: ANTONIO CARLOS FIORAVANTE - “BOLÃO”




Antonio Carlos Fioravante, o Bolão, canta com alma, coração e espírito. Seu prazer é cantar, afinadíssimo, é capaz de cantar sem nenhum instrumento musical acompanhando-o com o dom supremo de comover seus ouvintes. Com uma memória privilegiada emite suas emoções em letras muito bem elaboradas pelo compositor. Um grande artista piracicabano, que como muitos nos mais diversos setores não são devidamente reconhecidos. Infelizmente valores medíocres, mas com bom marketing pessoal ganharam fama de bons artistas, na música, nas letras ou nas artes. Alguns até “desterraram” na própria cidade verdadeiros gênios, para que eles ocupassem o pedestal da fama. Conforme Marcel Proust: “O tempo passa e um pouco de tudo aquilo que nós chamávamos de falsidade se transforma em verdade” Nascido a 11 de julho de 1941 em Piracicaba, no bairro da Paulista, na Rua Benjamin Constant entre a Rua Joaquim André e Dr. Paulo de Moraes, na “Vila” do Sr. Panfilo Passari, mais conhecido como Pampaluche. Filho de Luciano Fioravante, natural de Rovigo, Sul da Itália, e Rosalina Guizzer Fioravante nascida em Piracicaba. Bolão é o filho caçula, teve os irmãos Luiz Osvaldo Fioravante e Luciano Oneido Fioravante.


Qual era a profissão do pai do senhor?


Ele trabalhava com marcenaria, na Rua Moraes Barros esquina com a Rua Riachuelo, onde hoje há um edifício com um apartamento por andar. Ali meu pai tinha sua oficina. Naquele tempo era muito comum o uso de carroças em Piracicaba, era o segmento que ele mais trabalhava.


A mãe do senhor tinha qual atividade?


Ela por 30 anos trabalhou como parteira na Santa Casa de Misericórdia de Piracicaba. Ela era conhecida como “Dona Nina”.


Aonde a família do senhor foi residir depois de sair da Paulista?


Fomos residir em um antigo bangalô, uma casa com uma área e a frente em arco, que havia na Avenida Independência, perto do Lar Franciscano, onde há uma igreja. Na época era tudo chão de terra, mato, ali passei a minha infância. Lembro-me quando estavam asfaltando a Avenida Independência. Aos sete anos passei a freqüentar o Grupo Escolar Barão do Rio Branco, ia a pé com os colegas. Na época havia dois ônibus, que faziam o percurso em sentidos contrários, um subia enquanto outro descia passando em frente a Santa Casa. Minha primeira professora foi Dona Nena, a segunda Dona Helena, a terceira Dona Mimi e a quarta Dona Eline.


O primeiro emprego do senhor foi em qual local?


Foi na Companhia Cervejaria Rio Claro que tinha um depósito na Praça Enes da Silveira Mello, Largo da Sorocabana. Tinha uns 16 anos, entregava bebida, carregava caixas de madeira, com dúzias de garrafas, a caixa de Caracu vinha com três dúzias, eram garrafas pequenas, tinha uma cerveja que era do Rio de Janeiro a Cayrú, era uma cerveja comum. Mãe Preta era de outra cerveja, era em uma garrafa pequena. Vinha para um depósito grande que havia no Largo Santa Cruz, de propriedade do Sr. Gelindo Lovadini. Meu grande amigo Antonio Goldschmidt Sobrinho que me apresentou à Cervejaria Rio Claro.


Que caminhões eram utilizados para a entrega?


Eram utilizados um caminhão International L180 e um caminhão Thames. Ambos pintados de amarelo com uma inscrição: “Companhia Cervejaria Rio Claro”. A carroceria era especial. Era aberta, com divisória de madeira no meio, e de cada lado uma inclinação no assoalho de tal forma que, as caixas ficavam inclinadas para o centro do caminhão, e as caixas não caissem nas curvas. Entregávamos também refrigerantes, o chope não havia ainda.


A cerveja Caracu passou a ser encarada popularmente quase como um remédio para diversos males?


Naquele tempo batiam Caracu com ovo no liquidificador, sem tirar a casca do ovo. O brasileiro tem essa mania de fazer essas misturas, colocavam de tudo com a Caracu.


Por quanto tempo o senhor permaneceu na Caracu?


Fiquei por quatro anos. De lá fui trabalhar com o Sr. José Alves, da Antarctica. Era um depósito de bebidas muito grande que existia no Largo da Igreja Bom Jesus. Fiquei mais um ano e pouco ali, além das bebidas engarrafadas ele tinha chope e uma fábrica de gelo, ele colocava a água em uma espécie de caixa grande, tinha umas formas para saírem aquelas barras de gelo, na água era colocada uma mistura aonde ia sal. (Para fabricar gelo em barras: a água é colocada em formas especiais de 10 Kg, que são mergulhadas em solução de cloreto de sódio ou álcool hidratado, a uma temperatura de 15ºC. Dez horas depois o gelo está formado). Depois eram tiradas as pedras de gelo, geralmente pesavam uns 15 quilos. Colocava-se um pano no ombro para não molhar e a carregava. O local onde a entrega era mais difícil era no Mirante, tinha que levar o barril de chope e a pedra de gelo descendo as escadas, parava-se longe do local final de entrega. O primeiro Restaurante Mirante era de Rondino Pires Neto. Depois fui trabalhar em um lugar que me deixa muitas saudades, Companhia Industrial e Agrícola Boyes onde fiquei por quatro anos, lá eu era ajudante de contramestre. Contra mestre é o mestre de determinado setor da tecelagem, de determinados tipos de teares, grandes, menores. Como eu era muito forte, trabalhava nesses teares grandes. Produzia tecidos para sacarias de açúcar. A Boyes foi uma grande empresa, naquele tempo, em 1961, quando entrei na Boyes, tinha 1.5000 funcionários.


O senhor fez Tiro de Guerra?


Fiz, começamos a fazer no Ginásio Municipal e depois passamos para o prédio situado na Rua Santa Cruz, esquina com a Avenida Dr. Paulo de Moraes. Inauguramos o prédio. Isso no tempo do Sargento Olavo da Primeira Companhia, eram seis companhias. O Olavo era o homem mais bravo que tinha no Tiro de Guerra. Nesse período, foram 10 meses, não trabalhei, esse tempo foi computado para aposentadoria.


O senhor tem saudades desse tempo?


Muita! Não tem coisa de que eu tenha mais saudade do que da minha mocidade. Alguns me dizem: “Por que o senhor não entra na Melhor Idade?”. Pergunto: ”Qual é a melhor idade?”. Respondem: “Setenta anos, em torno disso.”. Digo-lhes: “ Não tenha dúvida! Dezoito, dezenove anos é que era ruim!”. Em minha opinião essa história de “Melhor Idade” é uma bobagem. Feliz aquele que tem histórias de amores para contar! Esse passou por aqui e viveu. Quem não tem nada disso para contar não viveu, só passou por aqui. Minha esposa, Teresa Contarelli Fioravanti eu conheci na Boyes, onde ela trabalhava.


Após sair da Boyes o senhor foi trabalhar aonde?


Ingressei na Guarda Civil de São Paulo. Sai da Boyes em 1964, a Guarda Civil já estava presente em Piracicaba em 1963, eu tinha um irmão que era Guarda Civil, ele me incentivou muito para ingressar na corporação. Fui para São Paulo, fiz os exames para ingressar, a escola de polícia ficava no bairro da Liberdade, na Rua São Joaquim, a sede administrativa ficava na Avenida Angélica próxima a Praça Buenos Aires. Prestei o exame, passei, fui chamado e permaneci por um ano. Entrei para a Guarda Civil no dia 15 de março de 1965. Após um ano em São Paulo vim para Campinas. No fim de 1965 vim para Piracicaba.


Como era o uniforme da Guarda Civil?


Azul marinho, poderiam ser colocados os botões dourados, no estilo da polícia norte –americana. Quepe com os dizeres: “Guarda Civil de São Paulo”. Havia uma cinta de lona cuja fivela tinha o emblema da guarda, e tinha sobreposto o cinturão, no último cinturão que usamos estava escrito “GC” Guarda Civil. Usávamos sapatos pretos, muito bem engraxados. A farda tinha que ser muito bem passada. Usávamos as divisas: Uma divisa pertencia a Terceira Classe; Duas divisas pertenciam a Segunda Classe; Três divisas eram para a Primeira Classe; Quatro divisas eram para a Classe Especial. Depois tinha uma divisa para quem tinha feito a escola de sargento, que nós denominávamos de Classe Distinta. Acima vinha Sub Inspetor, Inspetor, Chefe de Divisão e Chefe de Agrupamento. Sai como Guarda Civil. Em 1970 o Presidente Emílio Garrastazu Médici extinguiu as guarda civis do país. Não era toda cidade que tinha Guarda Civil, a de São Paulo além da capital tinha em Campinas, Sorocaba, Piracicaba, Ribeirão Preto, Marília, Santos e Jundiaí. Era muito difícil ter uma unidade da guarda civil em uma cidade.


O senhor usava arma de fogo?


Usava um revolver calibre 38, Taurus, só podia ficar de posse da arma após dois anos de estágio probatório. Usava também cassetete de madeira. Se trabalhasse em Rádio Patrulha levava algemas, a Guarda Civil tinha Rádio Patrulha, as viaturas eram preto e branco, já eram Volkswagen.


Quais eram as áreas de atuações básicas da Guarda Civil?


Transito e diversões públicas. Eu gostava muito de trabalhar em cinemas. Mantinha a ordem na fila, rondava o cinema intermente durante as sessões. Trabalhei muito em campo de futebol. Naquele tempo ainda não existia a postura de ficar voltado para o público, assisti muitos jogos. Cheguei a ver Pelé jogando, tinha autógrafo dele. Trabalhamos em muitos bailes de carnaval em Piracicaba.


Onde foi a primeira sede da Guarda Civil em Piracicaba?


Era na Rua Moraes Barros, no prédio da antiga biblioteca. Depois ela passou para a Rua Voluntários de Piracicaba esquina com a Rua Alferes José Caetano, em um casarão antigo que resiste até hoje. Nessa época bem próximo havia a fábrica de bebidas do Andrade, que fazia as famosas Gengibirra e a Cotubaina. O Dario Correa já era um guarda muito antigo quando eu entrei.


Como Guarda Civil em Piracicaba quano tempo o senhor permaneceu?


Foram cinco anos. Fazia todo serviço de policiamento, menos trabalhar na cadeia. Trabalhava junto ao Fórum.


Havia aquelas ocasiões onde a Guarda Civil comparecia com sua roupa de gala, como era o procedimento para requisitar a presença da Guarda Civil e como era o uniforme?


Era feito um ofício ao comandante pedindo a presença de dois ou quatro guardas civis. O uniforme de gala constava do próprio uniforme azul, com polainas brancas, talabarte branco e espadim do lado direito. Não se usava armas de fogo nessas ocasiões. Eram ocasiões de muita pompa. Fui a muitas ocasiões solenes, casamentos, no Clube Coronel Barbosa, Igreja dos Frades, Igreja Bom Jesus, Igreja Matriz da Vila Rezende, fui a muitas procissões de Corpus Christi, ia à frente vestido de gala, a pé, muitos anos antes a Guarda Civil chegou a ter cavalos. Fiz a guarda de honra das pompas fúnebres do prefeito Luciano Guidotti. Ficava em posição de sentido em média umas duas horas, não podia se mexer, conversar, cumprimentar amigos.


Quem era o comandante da Guarda Civil em Piracicaba?


O primeiro comandante chamava-se Durval Nazeozeno Lopes era Inspetor, o comandante que mais permaneceu aqui e nos comandou por vários anos, foi um dos maiores homens que eu conheci na minha vida; Elias Domingos da Silva, o Sub- Elias. Ele era Sub-Inspetor da Guarda Civil.


Com a incorporação da Guarda Civil pela Polícia Militar o senhor passou a ser policial militar?


Permaneci por sete anos na Policia Militar em Piracicaba, o quartel já era onde está atualmente. Fizemos um treinamento, trocamos a farda. Passei muitas noites guardando presos, na época ficava na cadeia situada na Rua São José, ali passei muitas e muitas noites trabalhando. Um dia conversei com Ulysses Michi, ele era diretor da Itelpa. Foi mais difícil sair da polícia do que entrar. Eu era um bom elemento, não era vantagem à corporação se desfazer de um elemento bom. Sai em 1977. Em dois de fevereiro de 1977 entrei na Itelpa como chefe de segurança. Permaneci na Itelpa até 1993, quando me aposentei.




Como se iniciou a sua paixão pela música?


Francisco Alves, Silvio Caldas, Orlando Silva e Carlos Galhardo formavam o quarteto de aço. Tínhamos uma eletrola marca Arrow com capacidade para colocar 12 discos. Eram tocados em seqüência. Colocava-se 12 discos em um braço da eletrola, caia um por vez. Meus irmãos traziam muitos desses discos e também discos de tango. Eu adorava essas músicas, eu tinha uns 12 a 13 anos, fui aprendendo. A música ficou impregnada em mim. Gostava muito da Elizeth Cardoso.


O senhor toca algum instrumento?


Nenhum. Eu gosto mesmo é de cantar.


Há pessoas que sonham com o passado, paixões juvenis, em sua maioria platônica, o senhor como conhecedor da sensibilidade da alma o que diz a respeito?


Nessa vida não teve quem não amou, às vezes pode existir em alguém uma vontade louca de rever determinada pessoa, só que o tempo é uma máquina de fazer monstros. Peça a Deus para não encontrar-se com essa pessoa, caso isso aconteça você terá uma decepção danada. Isso sempre acontece. Sempre, invariavelmente. Bolão canta: “Tua imagem permanece imaculada/Em minha retina cansada/De chorar por teu/amor/Lábios que beijei/Mãos que eu afaguei/Volta, dá lenitivo à minha dor” (Composição: Leonel Azevedo uma das músicas interpretadas por Orlando Silva)

O senhor imagina quantas serenatas já fez?


Fiz serenatas por uns 30 anos. Pode ter gente que fez serenata igual a mim em Piracicaba, mas mais do que eu não. Fazíamos serenatas quase todos os fins de semana, naquele tempo todo mundo trabalhava aos sábados. As serenatas eram feitas aos sábados à noite. A nossa cidade era provinciana, dez e meia, onze horas da noite, já estavam todos dormindo. A cidade era um silêncio. Era uma maravilha. Todos com os instrumentos afinadinhos. Parava o carro uma quadra longe da casa da moça que era a homenageada pela serena
Ela abria a janela?



Ela acendia a luz e apagava. Era quando sabíamos que a homenageada estava ouvindo. Eu não fazia só para a minha namorada, fazia para muita gente, o enamorado ficava eufórico. No dia seguinte era aquele comentário da moça; “ – Nossa como gostei, tem que ver o que a vizinhança falou!’ Era um acontecimento muito bonito. Imagine uma moça adormecendo ouvindo alguém com uma voz considerada expressiva, cantando: “Ò linda imagem de mulher que me seduz / Ah se eu pudesse tu estarias num altar/ És a rainha dos meus sonhos, és a luz/ És malandrinha não precisas trabalhar”.Muitas famílias nos recebiam. Quantas noites eu não passei em casa de família cantando, a noite inteirinha, só saia quando tinha raiado o sol. Acabava tomando café e indo embora.


Nunca tinha um pai mais nervoso?


Tinha, mas nós fazíamos a serenata na casa ao lado, geralmente conhecíamos quem morava ao lado.


Os seresteiros tinham um ponto de encontro?


O Quatizinho foi o reduto das serestas de Piracicaba. Tem um menino em Piracicaba que canta muito bem, está gravando um CD é o Roberto Mahn. Esta semana, ele vai cantar em um teatro no Rio de Janeiro. Conheci um extraordinário flautista, Carlos Poiares.


O que é ser boemio?


É uma pessoa que gosta da noite, de bares, mulheres. Não precisa necessáriamente beber. Tenho um amigo que andou comigo por 30 anos nunca o vi tomar um copo de cerveja. Hoje já não sou mais um boemio, mas se fosse seria boemio sem beber, ontem saí do Quatizinho a meia noite, tinha bebido duas garrafs de refrigerantes zero.


Quantos componentes tem uma serenata?


Uma serenata bonita tem que ter um bandolim, dois violões, um de seis cordas outro de sete, naquele tempo não tinha violão de sete cordas, e uma flauta. E um cantor que cante razoavelmente bem.


O senhor aprendeu a cantar aonde?


Não se aprende a cantar, é um dom, nasce com a pessoa. Você pode aprender divisão, alguém que lhe ensine, como Sérgio Beluco me ensinou muito, foi um dos maiores violãonistas daqui, foi professor do artista Alessandro Penezzi.


O senhor se apresenta regularmente em algum local?


Gosto muito do Teatro Municipal, Teatro do Engenho e Teatro do SESC. Em barzinho não canto mais, já passei muitas noites cantando em bares. No Largo dos Pescadores quantas e quantas noites não passei cantando embaixo daquela árvore! A Rua do Porto não tinha quase nada, tinha o bar do Largo dos Pescadores, o Bar do Otsubo que era o mercadinho da Rua do Porto e o bar do Hélio Pecorari, naquele tempo ainda não era a Arapuca. Quem levou muito movimento para a Rua do Porto foi o Tanaka. Ele montou um bar e levou conhecidos frequentadores da noite. Hoje a Rua do Porto vive essa efeversencia principalmente voltada ao turismo. Na década de 70 foi um ponto de reunião da noite piracicabana.


Qual é a sua musica predileta?


Conheço mais de mil músicas, mas tenho predileção por Chuvas De Verão: “Podemos ser amigos simplesmente/ Coisas do amor nunca mais/ Amores do passado, do presente/Repetem velhos temas tão banais/ Ressentimentos passam como o vento/ São coisas de momento/ São chuvas de verão/ Trazer uma aflição dentro do peito./ É dar vida a um defeito/ Que se extingue com a razão / Estranha no meu peito/ Estranha na minha alma/ Agora eu tenho calma/ Não te desejo mais/ Podemos ser amigos simplesmente/ Amigos, simplesmente, nada mais”. Bolão embalado pela sua voz notável interpretou diversas músicas, mostrando que ainda consegue comover qualquer platéia, e fez isso sem nenhum instrumento musical o acompanhando.




















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