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quinta-feira, novembro 05, 2015
sexta-feira, outubro 30, 2015
AURORA UNBEHAUN
Entrevista realizada a 27 de
outubro de 2015
PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E
MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 31 de outubro de 2015.
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 31 de outubro de 2015.
Entrevista: Publicada aos sábados
no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
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http://blognassif.blogspot.com/
Aurora Unbehaun nasceu a 24 de
setembro de 1942, na cidade de São Paulo, na Maternidade São Paulo. A família
residia no bairro Jabaquara, seu pai ainda solteiro já tinha adquirido o
terreno onde mais tarde construiu a casa onde a família morava. Seu pai teve
duas filhas em seu primeiro casamento: Aurora e Inês. Das segundas núpcias
nasceram os filhos: Roberto, Olga e Pedro Ernesto. Sua mãe faleceu quando ela
tinha seis anos, seu pai casou-se em segundas nupcias quando ela tinha 10 anos.
Ele faleceu quando Aurora tinha 23 anos.
Em qual escola você iniciou seus
estudos?
Naquele tempo nem tinha escola no
bairro Jabaquara. Era chão de terra, não havia asfalto. Para chegar ao bairro
Jabaquara embarcava-se no ônibus “12” da CMTC – Companhia Municipal de
Transportes Coletivos que vinha da Praça João Mendes até o Jabaquara passava na
rua paralela a da minha casa, logo acima.
Mais tarde ele passou a ir ate mais para frente, quando fizeram a garagem. Antes ele parava em frente a um comércio que tinha duas portas, um era açougue outro era um mercadinho. Estudei com uma professora que lecionava na sua própria casa, Dona Maria Amélia, na parte da manhã dava aula para os terceiros e quartos anos. Na parte da tarde as aulas eram para os primeiros e segundos anos. Era um bairro novo, a escola um lugar pequeno, devia ter uma dúzia de alunos em cada período. Isso foi no ano de 1949. Eu estudei até o equivalente a primeira série do ginásio. Nesse meio tempo já havia a Escola Paroquial São Judas Tadeu e abriu o Grupo Escolar Almirante Barroso. Fiz o ginásio no Centro da Juventude do Cambuci, o colegial fiz no Curso Anglo Latino.
Mais tarde ele passou a ir ate mais para frente, quando fizeram a garagem. Antes ele parava em frente a um comércio que tinha duas portas, um era açougue outro era um mercadinho. Estudei com uma professora que lecionava na sua própria casa, Dona Maria Amélia, na parte da manhã dava aula para os terceiros e quartos anos. Na parte da tarde as aulas eram para os primeiros e segundos anos. Era um bairro novo, a escola um lugar pequeno, devia ter uma dúzia de alunos em cada período. Isso foi no ano de 1949. Eu estudei até o equivalente a primeira série do ginásio. Nesse meio tempo já havia a Escola Paroquial São Judas Tadeu e abriu o Grupo Escolar Almirante Barroso. Fiz o ginásio no Centro da Juventude do Cambuci, o colegial fiz no Curso Anglo Latino.
Qual era a profissão do seu pai?
Meu pai era marceneiro Todos os
móveis do seu primeiro casamento foram feitos por ele. Ele trabalhou com móveis
sob medida, depois passou a trabalhar na Movelar – Móveis para o Lar. Eles
faziam móveis para televisão Philco, RCA Victor, antes era de madeira, assim
como os móveis de rádio-vitrola, tínhamos uma em casa. Toda aquela caixa de
madeira era feita pela Movelar. Meu pai cuidava da marcenaria, o Seu Oswaldo
era amigo dele, era quem cuidava da pintura a revolver. Diziam que a Philco era
muito exigente, tinha fama mundial pela qualidade. Aos 53 anos meu pai estava
preparando-se para aposentar-se, quando sofreu um acidente , foi atropelado e
faleceu. Na época eu tinha 23 anos, era a irmã mais velha.
Aquela região era praticamente
desabitada?
Quando meu pai adquiriu o terreno
lá no Jabaquara disseram a ele: “Você vai morar aonde tem os macacos?”. Isso
porque havia a mata do Estado, onde há o zoológico. Mas era longe de onde ele
havia adquirido. O chefe geral da empresa em que meu pai trabalhava tinha
adquirido um terreno ao lado, chamava-se Ernesto Kaiser.
Em que ano seus pais se casaram?
Foi no final de 1941 e eu nasci
em 1942. Eles casaram-se na Igreja Santa Generosa, era na praça ainda, onde
hoje é o Centro de Controle Operacional do Metro. Era a Praça Rodrigues de
Abreu, em frente a Catedral Metropolitana Ortodoxa.
Naquela época ali no bairro Paraíso
já tinha água encanada?
Nem pensar! Era água de poço!
Tinha que tirar com manivela mesmo. A bomba para tirar a água do poço foi
colocada quando eu tinha uns cinco ou seis anos. Nós morávamos no lado alto da
rua, o poço ficava no fundo, e a fossa séptica ficava na frente da casa, para
evitar contaminação do poço. Muitas pessoas tinham poço contaminado iam buscar
água na nossa casa.
A água encanada chegou ao bairro quando eu tinha entre 12 a 15 anos. O nosso bairro, Jabaquara, era constituído de muitos estrangeiros: japoneses, alemães, eram cidadãos que não tinham representação pelo voto. Havia bairros mais humildes que já tinham esses melhoramentos, representavam um bom número de eleitores. Aos políticos o que contava era o número de votos que poderia ter em determinado bairro. Depois veio o asfalto.
A água encanada chegou ao bairro quando eu tinha entre 12 a 15 anos. O nosso bairro, Jabaquara, era constituído de muitos estrangeiros: japoneses, alemães, eram cidadãos que não tinham representação pelo voto. Havia bairros mais humildes que já tinham esses melhoramentos, representavam um bom número de eleitores. Aos políticos o que contava era o número de votos que poderia ter em determinado bairro. Depois veio o asfalto.
Você gostava de estudar?
Gostava muito! Meu sonho era ser
professora. Percebi que tinha que trabalhar para ajudar no sustento da casa.
Disse ao meu pai que iria trabalhar. Ele concordou sem questionar se eu queria
continuar os estudos. Eu tinha 13 anos, fui aprender corte e costura. Aprendi
em uma escola próxima cuja proprietária era Toshi Fuji. Lá aprendi a costura
básica. Com quase 16 anos fui trabalhar na Rua 25 de Março, em uma
camisaria chamada Lewis. No inicio fui
ajudar na embalagem, eu queria era trabalhar na máquina de costura. Fiquei
pouco tempo, arrumei outra empresa na Liberdade, situada na Rua Conde de
Sarzedas, travessa da Rua Conselheiro Furtado, onde se fabricava camisa esporte
mas com mais requinte. Meu serviço era fazer a barra do bolso, fazia a barra da
camisa. Vinha tudo cortado. Como eu já estava trabalhando, meu desejo era
estudar a noite, fui dissuadida pela minha madrasta de continuar os estudos.
Após algum tempo fui trabalhar nas Confecções Jamil na Rua Carlos Petit, Vila
Mariana, próximo a caixa d`água, próxima a Rua Joaquin Távora era uma travessa
da Rua Inácio Uchoa. Era confecção de
lingerie, fazia camisolas, peignoar, fazia
muito conjuntos para noivas. O tecido utilizado era o nylon.
A costura com nylon é trabalhosa?
É um tecido muito mole, escorrega fácil. As peças já
vinham todas cortadas. Chegou uma fase que cansei de tomar ônibus. Abriu uma
fábrica de lingerie perto de casa, fui trabalhar lá. Nessa época que meu pai
faleceu atropelado por um Volkswagen vermelho, dirigido por um engenheiro que
estava com muita pressa para ir dar aulas.
A senhora é católica?
Sou. Tinha uma amiga que freqüentava a Igreja Nossa
Senhora das Graças, ela trabalhava na Pull Sport, ele disse-me que estavam
precisando de costureiras. Diziam na época que Bradesco e Pull Sport eram duas
empresas que faziam muita propaganda. A Pull Sport era uma empresa enorme.
Começou em um fundo de quintal. Ficava na Rua Pires da Motta, Aclimação, entre
as Rua Castro Alves e Rua José Getúlio, o comecinho era a Rua Antonio Prudente,
em um prédio de quatro andares, logo depois eles adquiriram um terreno ao lado
e construíram mais um prédio com sete andares. Ficava próximo ao Hospital do
Câncer Antonio Prudente, hoje Fundação Antônio Prudente Hospital A.
C. Camargo Cancerologista, quando eu trabalhava ali, se descesse na Avenida 23
de Maio, vinha a pé pela Rua São Joaquim, era muito grande o número de
ambulâncias do interior que iam levar pacientes ao Hospital Antonio Prudente.
No fundo do hospital havia acomodações para pacientes que estavam em tratamento
e seus familiares.
Quanto tempo a senhora trabalhou na Pull
Sport?
Foram doze anos e
meio. Comecei como costureira. Era roupa 'prêt-a-porter', em termos de moda,
quer dizer pronto para levar, pronto para vestir e usar. Fazia muito redingote (Casaco
ou paletó longo) predominava a cor azul marinho. Tailleur, traje feminino
composto por casaco e saia, é muito difícil de ver. Era uma moda bonita,
elegante. A Pull Sport na época era só de confecção feminina. Eu fazia uma
cópia do que vinha da modelagem para dar para costureiras terceirizadas. Trabalhei
na modelagem, lá eu fazia a primeira peça.
Trabalhei com Dona Eva, uma italiana que era modelista, estilista,
aprendi muito com ela. Fernando José estava em começo de carreira, não era
famoso ainda, trazia seus desenhos, o Seu Sidnei que era o chefe da seção o
ensinava. Eles desenham, mas parece que a mulher é uma tabua. A proprietária
era Milla Libermann, os pais dela
que começaram a empresa. Ela casou-se com David Zeiger, proprietáro das Capas
Goomtex, capas de gabardine.






Na Pull Sport fiquei até 1979, eu já ensinava o serviço de ampliação, antes era tudo manual, hoje tudo é feito pelo computador. Uma amiga saiu, logo depois também sai, fomos trabalhar em uma empresa no Brás. Eram produtos de qualidades inferiores. Permaneci lá uns seis meses. Uma amiga que tínhamos trabalhado juntas na Pull Sport, inclusive foi quem me ensinou o serviço de ampliação, estava precisando de uma ajudante. Assim fui trabalhar na Malhas RM situada na Rua Clímaco Barbosa, no Cambuci. Lá permaneci por três anos e meio. Isso foi em 1983. A costura realiza quem a faz, você sente que fez aquela peça. Sempre fui muito minuciosa. Procurava não errar, era um ponto de honra. Quando a Pull Sport encerrou suas atividades naqueles prédios, em um deles passou a funcionar a Rádio Eldorado, na Rua Pires da Mota, 820.
TIME Magazine, Brazil's President Costa
e Silva, 21/04/1967Em 1967, a revista norte-americana Time publicou uma
reportagem de capa, com a foto do presidente Costa e Silva. A matéria
focalizava no progresso da economia brasileira, e citava exemplos de lideres em
vários campos de atividade. Nela, David Zeiger foi apresentado como industrial
exemplar.
TIME Magazine, Brazil's President Costa e Silva, 21/04/1967
Em 1967, a revista
norte-americana Time publicou uma reportagem de capa, com a foto do
presidente Costa e Silva. A matéria focalizava no progresso da economia
brasileira, e citava exemplos de lideres em vários campos de atividade.
Nela, David Zeiger foi apresentado como industrial exemplar.
Na Pull Sport fiquei até 1979, eu já ensinava o serviço de ampliação, antes era tudo manual, hoje tudo é feito pelo computador. Uma amiga saiu, logo depois também sai, fomos trabalhar em uma empresa no Brás. Eram produtos de qualidades inferiores. Permaneci lá uns seis meses. Uma amiga que tínhamos trabalhado juntas na Pull Sport, inclusive foi quem me ensinou o serviço de ampliação, estava precisando de uma ajudante. Assim fui trabalhar na Malhas RM situada na Rua Clímaco Barbosa, no Cambuci. Lá permaneci por três anos e meio. Isso foi em 1983. A costura realiza quem a faz, você sente que fez aquela peça. Sempre fui muito minuciosa. Procurava não errar, era um ponto de honra. Quando a Pull Sport encerrou suas atividades naqueles prédios, em um deles passou a funcionar a Rádio Eldorado, na Rua Pires da Mota, 820.
Da RM a senhora foi
para onde trabalhar?
Fui trabalhar com alta costura, com Conceição Vigas. Na época ela estava
na Rua Mello Alves. Depois ela abriu uma confecção na Rua Pinheiros. Ai ela foi
para uma casa grande na Rua Gabriel Monteiro da Silva, Jardins. Era uma mansão
muito bonita. Eu fazia o molde e cortava. Ela que tirava as medidas e passava
para mim.
A senhora chegou a
trabalhar com Clodovil, Dener?
DENER
CLODOVIL
Não trabalhei, mas era muito comum quem estava no meio saber como cada um
deles procedia profissionalmente. A alta costura é um lugar de muito glamour.
As roupas do filme “Roberto Carlos em Ritmo de Aventura” foram todas feitas na
Pool Sport. Possivelmente devo ter costurado algumas delas.
ROBERTO CARLOS EM RITMO DE AVENTURA
O que é alta costura?
É a roupa mais fina, outra forma de costurar. Têm as roupas drapeadas,
tudo com ponto feito a mão. O trabalho das costureiras é um trabalho mais fino.
Você conheceu a
célebre Madame Rosita?
Não a conheci, só ouvi falar. Lembro-me de quando ela estava com a Maison Madame Rosita,na avenida Paulista quase na esquina com a Rua da
Consolação. Ali era um local onde só
freqüentavam carteiras muito bem recheadas. Trabalhei em algumas confecções
pequenas, até ir trabalhar no Atelier Parisiense na Rua Major Diogo, o
proprietário era o Seu André. Lá eu completei 30 anos de serviço, em 1994
aposentei-me. Depois de aposentada passei a trabalhar na Linea Laura. Lá
trabalhei mais 15 anos, mesmo estando aposentada. Morava na Rua José da Fonseca
Nadais, que tinha sido motorneiro de bonde, eu o conheci.
Porque a senhora escolheu Piracicaba para residir?
Eu já tinha duas amigas de São Paulo que tinham mudado
para Piracicaba. Em março de 2010 eu trabalhava ainda em São Paulo, passava de
quatro a quatro horas e meia no trânsito entre ir e voltar do trabalho. Cansava
mais no trajeto do que no trabalho, além da tensão o tempo todo.
Quem é mais vaidoso, o homem ou a mulher?
Nos dias atuais está difícil afirmar, ambos estão
vaidosos.
Até pouco tempo havia um cuidado em vestir com esmero. Este
habito mudou?
Ao que parece quanto mais a vontade sentem-se melhor.
Roupa furada, roupa rasgada. Acho que é relaxo. E são mais caras, dá muito
trabalho Usam pedras para lavar a roupa e gastar o tecido. O cliente compra a
roupa só com meia vida! O brim é um tecido duro, antigamente, logo que apareceu
usavam-se calças bem duras.
Como você vê isso?
Quando começaram a usar a etiqueta da roupa á mostra, eu
fiquei abismada, para mim era o fim do mundo. Estava acostumada a umas roupas
tão clássicas.
A seu ver a exposição explicita do corpo feminino quebra
a magia do romantismo?
Com certeza! Já está tudo a mostra, não há mais o que
ver. Infelizmente a pessoa torna-se vulgar. A pessoa deveria preservar-se mais.
Isso muitas vezes banaliza o que deveria muito importante na vida da pessoa. A
convivência entre casais sem nenhum compromisso, onde não há um vinculo,
torna-se fonte de frustrações sucessivas. Para ter-se uma família unida é
necessário superar eventuais sacrifícios.
A forma de vestir reflete o espírito da pessoa?
Acho que sim. A gente não consegue vestir uma coisa que
não aceitamos.
Sempre existiram pessoas bem vestidas, de ambos os sexos,
porém de caráter e conduta duvidosos?
Isso sempre existiu.
O que mais chama a atenção do homem, o recato ou a
exuberância?
A princípio a exuberância chama mais a atenção dos
homens. Só que com o passar do tempo o homem de forma natural ou forçosamente
percebe que era um engodo. A mulher inteligente usa o recato.
Essas questões têm muito a ver com moda, estilo, enfim o
trato com qual a pessoa veste-se.
Eu trabalhei em lugares que produziam roupas consideradas
como normais. Não conseguiria trabalhar em lugares cuja roupa explorasse a
sensualidade feminina de forma acintosa e desrespeitosa. O bom gosto salienta a
beleza feminina.
Você tem algum passatempo?
Gosto de ouvir rádio! Ouço “Os Comentaristas” da Rádio
Educadora de Piracicaba, ouço “Radioatividade” da Jovem Pan. Às vezes consigo
sintonizar a Rádio Nove de Julho de São Paulo.
ROSA DE LIBMAN nasceu no dia 10 de maio de 1904, no Uruguai. Veio para o Brasil no início de 1935 acompanhada pelo seu marido, Sr. Max Libman.
Em outubro de 1935 inaugurou sua maison com o nome de "Madame Rosita" na Rua Barão de Itapetininga em São Paulo. Trabalhava principlamente com artigos de pele ; visons, martas, raposas e zibelinas.
Fez o primeiro desfile profissional do Brasil em 1944. Mme. Rosita foi uma verdadeira pioneira da Alta Costura feminina no Brasil, apresentando roupas elegantes e muito bem acabadas que conquistou uma clientela fiel. Adaptava alguns modelos de costureiros europeus para a mulher brasileira realizados com exclusividade para suas clientes.
Sua oficina de costura dava trabalho a 50/60 pessoas aproximadamente.
Madame Rosita sempre foi a primeira a lançar toda e qualquer novidade que surgia na Europa nos importantes e badalados desfiles de moda que apresentava no Brasil, como por exemplo o desfile feito no Teatro Municipal de São Paulo no ano de 1938.
Sempre foi considerada a "primeira dama" da Alta Costura Brasileira e conquistou grandes prêmios e troféus tais como: "Sapatinho de Ouro", "Agulha de Ouro" e muitos outros. Também foi a primeira representante feminina da Alta Costura a ser membro da "Chambre Sindicale de la Haute Couture Francaise".
Quando a Barão de Itapetininga deixou de ser um ponto considerado chique na cidade de São Paulo, Madame Rosita mudou-se para a Av. Paulista, primeiramente no Conjunto Nacional e em 1965 a antiga "Peleteria Americana" situada no n. 2.295 passou a se chamar "Madame Rosita". Uma casa nos moldes de "Celina", em Paris, com tapetes orientais, cadeiras forradas de veludo, e antigos móveis.
As vitrinas expunham de forma tradicional e exibiam vestidos clássicos e uma malharia que lembrava muito Chanel.
Atualmente a oficina conta com oito costureiras, que fazem modelos exclusivos com tecidos, na maioria das vezes, importados.
Na linha prêt-à-porter, do "casual ao chique" as roupas são importadas, principalmente da etiqueta italiana "Emilio Pucci" enquanto representantes exclusivos no Brasil.
Rosa de Libman teve a assessoria de sua filha "Dorita" e sua neta "Suzana" que criou a "Mademoiselle Rosita" propondo uma moda mais jovem.
Madame Rosita ou a Sra. Rosa de Libman faleceu em maio no ano de 1991.
É o Dr. Saul, seu filho, que cuida da parte administrativa e da importação a 10 anos e sua outra neta "Daniela Libman" que administra a parte comercial da "maison".
A "maison" mudou-se da Av. Paulista para a Alameda Jaú n. 1.725 onde continua até hoje.
Mantem disponível o serviço de armazenar trajes em pele para suas clientes em câmeras frigoríficas que conservam e protegem as "peles".
David Zeiger, personalidade publica
David Zeiger (São Paulo, 21 de fevereiro de 1918 — São Paulo, 10 de maio de 1981) foi uma personalidade publica do século 20. Filantropo,
industrial, colecionador de arte e paulistano inveterado, ele
participou ativamente do desenvolvimento de São Paulo. Uma escola
estadual e uma rua prestam homenagem ao cidadão de São Paulo.
Desde jovem David Zeiger demonstrou tendências progressistas. Apesar
de criado e educado dentro de uma comunidade de imigrantes judeus no Bom
Retiro, o David adolescente já mostrava um bom domínio da língua
portuguesa e uma curiosidade pela cultura brasileira que o levou a
procurar amizades for a do pequeno núcleo de europeus onde vivia.
Para atingir esse objetivo, ele se tomou sócio dos clubes Espéria,
Floresta e Regatas do Tiete, no qual participou como remador em
competições. Por ser naturalmente comunicativo David se tomava popular
em qualquer ambiente que frequentava. Para aprimorar o seu estilo de
escrita, ele se associou ao clube Portugália, que publicava um jornal
com textos de autoria dos vários sócios. Em pouco tempo os seus textos
de reportagem e ficção passaram a ser regularmente publicados sob a
orientação do poeta Mario Gallo, que se tomou o seu mentor de gramática e
estilo. Apesar de trabalhar em tempo integral no negocio de seu pai,
David Zeiger finalizou a sua educação na Escola Técnica de
Contabilidade.
Durante a segunda guerra mundial, os judeus exilados da Europa
aceleraram seus esforços visando a criação do estado de Israel, para o
qual se destinariam os refugiados sem cidadania. Em São Paulo, assim
como em varias cidades do mundo foram criadas organizações que visavam
arrecadar dinheiro para o sustento de judeus que já moravam na
Palestina.
Uma vez criado o estado, novas contribuições continuaram a ser
enviadas, para financiar a construção da infraestrutura. Foi nesse
contexto que David Zeiger iniciou suas atividades filantrópicas,
ajudando a arrecadar e contribuindo com seus próprios fundos.
Apesar desse foco inicial no exterior, a maioria de seus esforços por
causas sociais se concentrou no Brasil. Ele participou habitualmente de
bazares, reuniões e festas beneficentes. O ímpeto de David era mais
voltado a saúde e ao acesso a instituições médicas de qualidade.
Para isso ele auxiliou D. Carmem Prudente no estabelecimento do
Hospital do Câncer, e nas campanhas beneficentes que se seguiram.
Ele se distinguiu também como doador inicial do Hospital Israelita Albert Einstein.
Com os funcionários da fabrica e os empregados domésticos, ele aplicou os mesmos princípios de bem estar social provendo a todos acesso familiar a uma clinica medica.
m termos filosóficos, David Zeiger acreditava num Brasil que
funcionasse no modelo de economia de mercado dos Estados Unidos, com uma
vasta classe media, acesso geral a educação e serviços médicos.
Durante o governo Juscelino Kubitschek
(1956 a 1961), ele encontrou um clima favorável para esse tipo de
pensamento, que ajudaria o Brasil a sair do estado de uma economia
agrária para se tornar um gigante industrial.
Nessa época David conheceu o deputado Antônio Sílvio Cunha Bueno, com o qual ele desenvolveu uma longa amizade, e através do qual começou a participar mais ativamente da vida política do Pais.
O Brasil experienciou um grande crescimento econômico nos anos 60,
propulsionado por uma generosa injeção de capital dos Estados Unidos.
Nesse clima de prosperidade, os negócios de David Zeiger prosperaram com
velocidade, e a sua confecção (Cia Pullsport de Malharia) cresceu para
dois prédios de sete andares e 500 funcionários.
Em 1967, a revista norte-americana Time]
publicou uma reportagem de capa, com a foto do presidente Costa e
Silva. A matéria focalizava no progresso da economia brasileira, e
citava exemplos de lideres em vários campos de atividade. Nela, David
Zeiger foi apresentado como industrial exemplar.
Apesar de todo sucesso, David tinha um comportamento despretensioso e afável, que se manifestava igualmente com os indivíduos mais humildes de sua empresa, ate as personalidades mais importantes que conheceu.
David Zeiger era um paulistano inveterado. Para ele, a cidade de São
Paulo tinha o potencial de se tornar a metrópole mais importante da
América Latina.
Para isso, ele participou desde o principio das feiras industriais estabelecidas por Caio de Alcântara Machado, dos painéis da Bienal Internacional de Arte de São Paulo] e de um projeto que visava integrar um centro cultural com teatros e salas de concerto no parque Ibirapuera.
Ávido colecionador de arte, para ele a cultura artística exprimia a verdadeira riqueza de urna sociedade. Ele não chegou a viver para ver a inauguração da escola com o seu nome[ , mas teria grande orgulho de estar associado com esta instituição.

sexta-feira, outubro 23, 2015
ELIZABELTE CASAGRANDE
PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E
MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 24 de outubro de 2015.
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 24 de outubro de 2015.
Entrevista: Publicada aos sábados
no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
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ENTREVISTADA: ELIZABELTE CASAGRANDE
ENTREVISTADA: ELIZABELTE CASAGRANDE
Elizabelte Casagrande é filha de
Orlando Casagrande e Francisca Maria da Silva, nasceu a 8 de outubro de 1936. Seu
bisavô paterno era italiano, sua bisavó paterna era austríaca, seus avós
paternos eram italianos, da região de Treviso, vieram para o Brasil em uma das
primeiras levas de italianos que imigraram logo após a abolição dos escravos.
No Brasil eles moraram inicialmente aonde?
Segundo o meu avô contavam, eles
foram morar nas senzalas que era anteriormente ocupada pelos escravos, só
caiaram (passaram cal) e colocaram os italianos lá. Alguns escravos
permaneceram na fazenda, mesmo após a abolição. Eles vieram da Itália para
Tietê, era uma fazenda pertencente a um patrão muito bom, conhecido como
Chiquinho Antunes. Meu nono (avô) contava muitas histórias interessantíssimas
sobre os negros. Há um aspecto interessante, os italianos e os negros se davam
muito bem, os italianos aprenderam muito com os negros sobre a lavoura do café.
Não sei se é muito significativo, mas uma das histórias que gravei foi quando
meu avô contou sobre um negro com fama de feiticeiro, tinha conhecimento de
magia. Era uma pessoa boa, segundo meu nono todo o mundo gostava dele. Esse
negro teve um desentendimento com uma pessoa, ele disse: “-Vamos fazer o
seguinte, vá até a minha casa amanhã a meia noite!” A pessoa foi ao chegar
encontrou o negro estendido sobre uma mesa, com duas velas acesas ao lado e uma
coruja sobre seu peito. Ele estava morto. O seu desafeto chegou, olhou, mexeu,
ele estava durinho. Ele saiu correndo! No outro dia o negro estava já de manhã
trabalhando. Parece ser uma daquelas histórias dos zumbis que eles contam, eles
possuem a capacidade de entrar em estado letárgico. Meu avô era um homem muito
inteligente, aprendeu a escrever embaixo do pé de café. Meu avô falava conosco
em português, em italiano geralmente falava com outros italianos,
principalmente com os padres italianos que nos visitavam. Minha avó falava
muito em dialeto vêneto. Uma vez fui para a Itália, de lá fui até a Hungria,
que na época era comunista, hospedei-me em um hotel cujo proprietário era
italiano, falava o mesmo dialeto que a minha avó usava no Brasil! Isso
facilitou a nossa comunicação, praticamente me adotaram! Levaram-me para
conhecer aqueles jantares com musica, violino. Em Budapeste me levaram a todos
os passeios a que foram.
E seus avôs maternos?
Meu avô era português de origem
judaica, conhecido como cristão-novo.
Seus bisavós paternos
permaneceram em Tietê?
Eles mudaram-se para Palmital,
nessa época meu pai era um bebê ainda. As primeiras levas de italianos que
vieram para o Brasil não receberam terras do governo, outras que vieram mais
tarde, e que em grande parte foram para o sul, o governo brasileiro
comprometeu-se a dar uma pequena área de terras para eles. Os italianos que não
ganharam terra trabalharam duro durante anos e conseguiram guardar algum
dinheirinho. O patrão, Chiquinho Antunes, sabia que eles queriam ter seu
pedacinho de terra. Ele tinha um amigo advogado de nome Cardoso que tinha uma
fazenda e muita terra em Palmital, que era uma localidade muito pequena, um
arraial, era sertão, isso foi por volta de 1920. Com isso meu nono, seu
cunhado, irmão da minha nona, mais algumas famílias foram para lá. A terra que
eles compraram era mato, derrubaram, o casarão antigo foi construído com boa
parte da madeira que eles retiraram do local. Foi um período em que não havia
quase granjas, meu nono começou a criar galinhas, mandava para São Paulo,
mandava ovos. Meu avô e minha avó tiveram cinco filhos. Uma curiosidade, ele
consertava e também fazia sanfonas. Ele mandava vir o material de São João da
Boa Vista, onde tinha uma fábrica de sanfonas. Aos poucos foram adquirindo mais
terras, até passar a cultivar café também.
PALMITAL SÃO PAULO
Seu
pai continuava em Palmital?
Meu pai
cresceu, esteve na frente de batalha na Revolução Constitucionalista de 1932,
ele era da artilharia. Ele ficou na região entre Aparecida do Norte e Rio de
Janeiro. De Palmital voltaram ele e um amigo.
Você
lembra-se da sua primeira professora em Palmital?
Lembro-me sim!
Era Dona Zenaide Badim de Souza. Depois foi Dona Heloisa, que era esposa do
Cardoso ou do seu filho. A terceira professora foi Dona Maria Diaz, o pai dela
era coletor da receita, a professora seguinte foi Dona Marta. Conclui o Grupo
Escolar de Palmital entrei para o Ginásio Estadual de Palmital, o curso normal
fiz em Assis, que ficava a uns trinta ou quarenta quilômetros distante de
Palmital. Ia e voltava todos os dias pela Estrada de Ferro Sorocabana. Era uma
viagem gostosa, íamos em uma pequena turma, cantávamos, dançávamos, naquela
época não havia passe de estudante, adquiríamos o bilhete, o chefe de trem
passava para picotar o mesmo e anunciava a próxima estação: “-Palmitar!”, outro
dizia “-Palmital!” e um terceiro falava “Parmitar!”. Nós ríamos muito!
Naquela
época mulher praticava esporte na escola?
Eu jogava
basquete, aprendi a jogar no ginásio. O uniforme era um short azul marinho e
blusa branca, com, o emblema da escola, tênis e meia. Lembro-me da professora
de Educação Física, Areco, foi uma excelente professora. Na época a Escola
Normal de Assis era considerada uma das melhores do Estado. Formei-me
professora, que era o máximo que se tinha no local. Voltei à Palmital, lecionei
na roça por uns três anos. Teve um período em que eu ia e voltava até a escola.
Já cheguei a andar dez quilômetros a pé para ir lecionar, isso ocorria em
situações especiais, quando chovia muito, aquela lama, não passava carroça,
bicicleta, nada. Normalmente eu ficava no sitio, na casa da fazenda onde
lecionava. Lembro-me de uma casa onde fiquei da Dona Hermantina, quando eu
estava lá nasceu seu décimo filho. Era da família Monteiro. Geralmente no
começo da semana eu ia de bicicleta até a fazenda, permanecia lá e voltava de
bicicleta no final de semana.
ASSIS - SÃO PAULO
Você
teve o desejo de cursar uma faculdade?
Tinha uns
fazendeiros em Palmital cujos filhos estudavam em São Paulo. Minha irmã
Therezinha Casagrande gostava muito de escrever, ela começou a escrever sobre a
história de Palmital. Foi uma cidade que teve uma história muito conturbada.
Houve uma rixa muito grande entre duas famílias, uma que já residia no local e
outra que veio morar na cidade. Por razões políticas, houve uma tocaia onde
morreram sete pessoas.
Em
que cidade você fez a faculdade?
Tinhamos
parentes em Londrina, e lá já existia a faculdade que eu pretendia fazer. Fui
para lá de ônibus, era ainda estrada de terra, tinha que passar o rio pela
balsa, cheguei em Londrina no final da década de 58. A cidade era toda em ruas
de terra, acho que nem a Avenida Paraná era calçada. Fiquei no Distrito de
Irerê onde tinha uns primos e prima que era da família Ronch.
Quantos
idiomas você fala?
Falo o
português e o italiano. Mas entendo espanhol, inglês, francês, alemão uma
palavra ou outra, como Weltanschauung (termo alemão que se pronuncia
"vèltanxauung"), palavra de origem alemã que significa literalmente "visão
de mundo".
HISTÓRIA DE LONDRINA PARTE 1
HISTÓRIA DE LONDRINA PARTE 2
HISTÓRIA DE LONDRINA PARTE 3
HISTÓRIA DE LONDRINA - PARTE 4
Você fez faculdade de qual curso?
Comecei
estudando história e geografia, mas depois surgiu a pedagogia, eu já era
professora, sou da primeira turma de pedagogia, da Faculdade Estadual de
Londrina foi em 1965. Fui para Irerê, era a primeira professora formada de
Irerê. Vim para Londrina, lecionei e tornei-me diretora dessa escola. Vi uma
notícia de que estavam precisando de professores no Amapá. Na época era
Território. Encontrei o professor de administração no correio, ele disse-me que
o INEP - Instituto Nacional de Estudos
Pedagógicos de São Paulo estava selecionando pessoal para mandar para os
estados do Norte e do Nordeste.
Fiz a
prova na USP, passados uns 10 dias recebi um telegrama de que havia sido
aprovada para participar do programa do INEP. Em janeiro me chamaram para vir
para a USP para fazer a preparação de dois a três meses, o José Mário era o
coordenador. Fomos preparados para sair para o Norte e Nordeste. Fui para
Rondônia. Lá fiquei hospedada em hotel. Isso na época áurea da cassiterita.
Como
era a relação dos habitantes locais com vocês?
De
forma geral era bem aceita, embora houvesse certa reserva. Fazíamos o
planejamento, fazíamos pesquisas, montávamos os planos, era uma beleza. De tudo
que fazíamos se 10% eram aproveitados era muito. Entrava o jogo político
interferindo. Tinha verba, só não era aplicada em sua finalidade. Íamos dar
cursos para professores leigos na redondeza.
Em Guajará-Mirim demos um curso de 60 dias. Infelizmente havia uma visão de só realizar se fosse uma vantagem política. Depois fui para o Maranhão. Viajávamos naqueles aviõezinhos sem pressurização, saiamos com os ouvidos estourando. Mais tarde fui para Alagoas. Trabalhamos como camelos, o secretário ia para os Estados Unidos, queria apresentar o projeto, trabalhávamos na época com mimeografo. Ele foi, apresentou o projeto e politicamente destacou-se. Implantar mesmo o projeto que fizemos isso nunca foi feito. Sai do programa, voltei para São Paulo.
Em Guajará-Mirim demos um curso de 60 dias. Infelizmente havia uma visão de só realizar se fosse uma vantagem política. Depois fui para o Maranhão. Viajávamos naqueles aviõezinhos sem pressurização, saiamos com os ouvidos estourando. Mais tarde fui para Alagoas. Trabalhamos como camelos, o secretário ia para os Estados Unidos, queria apresentar o projeto, trabalhávamos na época com mimeografo. Ele foi, apresentou o projeto e politicamente destacou-se. Implantar mesmo o projeto que fizemos isso nunca foi feito. Sai do programa, voltei para São Paulo.
Qual
foi seu próximo destino?
Minhas
colegas da faculdade tinham ido à Brasília, decidi ir também. Comecei a
lecionar matemática em uma das escolas do centro. Recebi um telegrama da Indústria e Comércio de Minérios S.A.
(ICOMI)
JK INAUGURA A ICOMI EM 1957
SERRA DO NAVIO
DR. ANTUNES - ICOMI/ CAEMI
e explorava minério de manganês na Serra do Navio, Amapá. Depois passou a chamar-se Caemi e se uniu a Bethlehem Steel, americana. Não dei atenção ao telegrama. Um dia bateram na porta da minha casa, um representante da ICOMI que morava em Brasília perguntou se eu não tinha recebido o telegrama, que eles gostaria que eu participasse. Eles queriam implantar o curso de ginásio voltado para o trabalho, na Serra do Navio. Eles tinham uma vila maravilhosa. A parte dos operários era uma beleza, na época os melhores recursos hospitalares eram deles. O lazer era dançar e o cinema. Quando saiu o filme “Uma Odisséia no Espaço” levei todos os meus alunos para assistirem. Só se entrava lá no trem pertencente a companhia. Ia de avião, descia no aeroporto, ficava hospedada no melhor hotel de primeiríssima, ai eles vinham de carro me buscar, levavam-me para o trem e ai íamos até a Serra do Navio. Tinham construído uma vila em Macapá, viajávamos no trem de minério, no final eles tinham um ou dois vagões destinados aos passageiros. Permaneci lá por três anos. Em 1969 quando o homem foi à lua eu estava lá! Só tinha um engenheiro que tinha uma televisão, a Eliete Covas era Secretária da Educação, tinha amizade com eles, ela que me levou ao Amapá.
ICOMI
e explorava minério de manganês na Serra do Navio, Amapá. Depois passou a chamar-se Caemi e se uniu a Bethlehem Steel, americana. Não dei atenção ao telegrama. Um dia bateram na porta da minha casa, um representante da ICOMI que morava em Brasília perguntou se eu não tinha recebido o telegrama, que eles gostaria que eu participasse. Eles queriam implantar o curso de ginásio voltado para o trabalho, na Serra do Navio. Eles tinham uma vila maravilhosa. A parte dos operários era uma beleza, na época os melhores recursos hospitalares eram deles. O lazer era dançar e o cinema. Quando saiu o filme “Uma Odisséia no Espaço” levei todos os meus alunos para assistirem. Só se entrava lá no trem pertencente a companhia. Ia de avião, descia no aeroporto, ficava hospedada no melhor hotel de primeiríssima, ai eles vinham de carro me buscar, levavam-me para o trem e ai íamos até a Serra do Navio. Tinham construído uma vila em Macapá, viajávamos no trem de minério, no final eles tinham um ou dois vagões destinados aos passageiros. Permaneci lá por três anos. Em 1969 quando o homem foi à lua eu estava lá! Só tinha um engenheiro que tinha uma televisão, a Eliete Covas era Secretária da Educação, tinha amizade com eles, ela que me levou ao Amapá.
Após três anos você decidiu sair de lá?
Voltei a Brasília. Fiz dois meses de curso, passei. Entrei como Especialista em Educação. Permaneci lá por 15 anos. Nesse meio de tempo fui ao Acre dar um curso, veio o reitor da Universidade do Acre convidou-me para ministrar esse curso. Permaneci lá por seis meses. Em Brasília eu trabalhava muito com a parte de currículo, planejamento e supervisão Fizeram a programação introduzindo arte nos currículos, fui para a Itália onde fiquei um ano, fiz o curso de História da Arte. Voltei ao Brasil. Como tinha uma licença premio, férias, fui de novo para a Itália onde estudei Gemologia.
O que é Gemologia?
É o estudo
das pedras preciosas, das gemas. É um ramo da mineralogia.
Você chegou a estudar o diamante?
Estudei!
Diamante é a pedra mais preciosa por ser a pedra mais dura. E que dá mais
brilho. Temos no Brasil a famosa pedra de diamante conhecida como Getulio
Vargas.
Das pedras tipicamente brasileiras qual é a considerada de grande valor?
As
turmalinas. Também tem as esmeraldas, mas as esmeraldas colombianas são
melhores do que a nossa. Temos algumas boas, as melhores são as da Bahia.
Encontram-se algumas muito boas, mas é muito pouco.
TURMALINA
Se trouxerem uma pedra você consegue identificar seu valor?A primeira coisa que aprendemos no curso de gemologia é nunca dizer o que é uma pedra sem antes passar por todos os exames. Temos pedras sintéticas que imitam quase todas elas. Tem pedras que tem características uma da outra, mas é de outra família. Você trabalha com cinco ou seis instrumentos para reconhecer a pedra. A balança, o epidiascópio (aparelho para projetar imagens de corpos opacos na luz refletida ou transmitida), ácidos, balança.
Se trouxerem uma pedra você consegue identificar seu valor?A primeira coisa que aprendemos no curso de gemologia é nunca dizer o que é uma pedra sem antes passar por todos os exames. Temos pedras sintéticas que imitam quase todas elas. Tem pedras que tem características uma da outra, mas é de outra família. Você trabalha com cinco ou seis instrumentos para reconhecer a pedra. A balança, o epidiascópio (aparelho para projetar imagens de corpos opacos na luz refletida ou transmitida), ácidos, balança.
O que a levou a gostar da gemologia?
Isso começou quando eu estava em
Rondônia tinha um topógrafo que gostava de pedras, uma vez ele veio com algumas
pedras, eram granadas, é uma pedrinha vermelha, preciosa também, está entre as
gemas. Não compensa fabricar o diamante, o maior uso é na indústria, ele não
precisa ser especial. O diamante é formado em altíssima pressão e por volta de
1.000 graus de calor. Ai depois vem a família dos coríndo: a safira e o rubi. O
rubi está em extinção. Há diamantes azuis, verdes, mas são raridades.
A senhora aprecia essas pedras pela
sua beleza?
Exatamente! Só que para ser possuidor
de uma dessas pedras envolve uma quantia de valor que é privilégio de poucos.
Ou seja, gosto, entendo, mas não tenho posse de nenhuma delas. Conhecê-las é um
hobby.
Quais são os países que são mais
meticulosos quanto a qualidade das pedras?
Acho que é a França, a Itália. Os
americanos também são exigentes. Só um gemolista pode dar atestado de
autenticidade de uma pedra. Uma conhecida um dia disse ter adquirido um topázio
para presentear uma pessoa querida, ela adquiriu no exterior, disse: “- Vou lhe
mostrar!”. Peguei, pelo peso já vi que não era, disse-lhe: “-Estou achando que
está muito leve. Quanto você pagou?” Ela disse-me o valor pago, eu disse-lhe
que era mais uma razão, se fosse um topázio de verdade valeria muito mais. Ela
levou no joalheiro era um citrino! De um valor bem abaixo.
A senhora é dançarina?
Sou apenas uma principiante. Hoje faço
parte de um grupo da Ana Paula Minari, professora formada pela Unicamp. Somos a
primeira turma dela da terceira idade de dança flamenca.
Há quanto tempo a senhora dança flamenco?
Há cinco anos. Não podemos ficar
presos, precisamos de desafios e caminhar pelo lado positivo. Fiz um curso de
Bio Ética quando mudei na ultima vez para Londrina. Faz 16 anos. É uma
disciplina que está em alta, a preocupação é preservação da vida e do planeta.
Não só a vida animal e vegetal como a natureza. Um dos Bio Eticistas é da Corrente
da Ética da Responsabilidade, ele diz: “- Age de tal maneira que as
conseqüências das suas ações possibilitam a permanência de uma vida verdadeiramente humana na face da Terra” .Seu
nome é Hans Jonas.
O diamante Presidente Vargas
Foi no Rio Santo Antônio do Bonito que, no dia 13 de agosto de 1938, foi encontrado o maior diamante já formado no solo do Brasil. A pedra de 726,6 quilates foi batizada com o nome de Presidente Vargas, em homenagem ao então presidente da República, Getúlio Dornelles Vargas. Por algum tempo, ele ocupou o posto de quarto maior diamante do mundo. Hoje, está em sexto lugar na lista dos maiores. Os garimpeiros Joaquim Venâncio Tiago e Manuel Domingues venderam o diamante por US$56 mil para um corretor, que, logo em seguida, o revendeu por US$235 mil. Algum tempo depois, ele foi negociado com o banco Dutch Union Bank, de Amsterdã (Holanda).Enquanto o diamante estava guardado nos cofres do banco holandês, o famoso lapidador Harry Winston - responsável pela clivagem do diamante Jonker - tomou conhecimento da existência do magnífico diamante brasileiro. Winston viajou para Amsterdã e comprou essa pedra preciosa. O preço pago não veio a público, mas se sabe que Harry Winston adquiriu um seguro no valor de US$750 mil.O jornal O Imparcial, de 11 de junho de 1939, anunciou: O diamante "Presidente Vargas" vendido por 2.550 contos adquirido pelo industrial norte-americano Harry Winston, o célebre diamante "Getúlio Vargas", achado no rio Santo Antônio em Minas, levantou grande celeuma, não só devido à avaliação então feita pela Casa da Moeda, como ainda pelo seu tamanho, considerado, acertadamente, o quarto do mundo.O Imparcial, aliás, em tempo, occupou-se pormenorizadamente do assumpto, referindo-se à classificação fita a 7 de outubro de 1938 pela Casa da Moeda, de 871:920$ para efeitos de exportação, muito aquém do seu valor.O diamante "Getúlio Vargas", como "specultivestone", foi, então, exportado pelo Correio Geral, via marítima, a 26 de outubro para Amsterdam, na Holanda, o maior centro de pedras preciosas do mundo.Segundo notícias agora chegadas ao nosso conhecimento, a preciosa pedra foi adquirida a 23 de maio último, pelo grande industrial norte-americano sr. Harry Wisnton, antigo amigo do Brasil, que já aqui esteve algumas vezes, e um incansável propagandista das nossas riquezas minerais, aproximadamente pela importância de 2.500 contos de réis, ou seja, o triplo da avaliação feita pela Casa da Moeda."Notícias sobre a questão da venda também ocuparam as páginas dos jornais.A Noite - 4 de novembro de 1940 Agita o Fôro Mineiro o diamante "Getúlio Vargas e Patos a Patrocínio e de Patrocínio a Nova York - Dois garimpeiros e um lavrado discutem por causa de seiscentos e cinquenta contos - E a preciosa gema já está avaliada em 20.000 contos de réis.Belo Horizonte, 4 (da sucursal de A Noite) - O famoso diamante "Getúlio Vargas", que ora agita os tribunais de Londres e Nova York, repercutindo na imprensa mundial, continua a movimentar também os tribunais de Minas, sua terra de origem.O litígio despertado no fôro mineiro pela preciosa gema remonta à data da sua descoberta e resume-se no seguinte: É hábito dos garimpeiros e faiscadores que exploram a fortuna em terras alheias dividirem com o proprietário desta o produto de sua descoberta. Os felizardos garimpeiros que encontraram o "Getúlio Vargas", Manoel Miguel Domingues e Joaquim Venâncio Thiago, alegando que o venderam a Oswaldo Dantes Reis, por 700 contos, depositaram a metade dessa quantia num banco, a favor do dono das terras, Sebastião Rodrigues Amorim.Este, sabedor de que a primeira venda do diamante rendeu não setecentos, mas dois mil contos, protestou que tinha direito a mais seiscentos e cinquenta contos e intentou imediatamente uma ação judicial para a cobrança dessa importância...Diário da Noite - 11 de novembro de 1940O diamante "Getúlio Vargas" vale vinte mil contos será dividida em doze partes, a famosa pedra Nova York, 11 (Reuter) - Segundo declarações da firma proprietária do famoso diamante brasileiro, conhecido como Getúlio Vargas, terminou a controvérsia judicial em torno da propriedade da mesma pedra. O bello diamante, avaliado em um milhão de dólares, será cortado em doze partes.O diamante Presidente Vargas foi, então, clivado e lapidado. O diamante bruto deu origem a 29 diamantes menores. Entre eles, havia 16 com lapidação esmeralda, um com lapidação pear ou gota, um marquise, e, entre as gemas menores, 10 trillions e uma baguete.Após a clivagem, a maior pedra, um diamante corte esmeralda de 48,26 quilates, foi denominada Presidente Vargas. Acredita-se que hoje ele pertença ao joalheiro Robert Mouawad, de Beirute.As gemas trocaram de mãos com o passar dos anos. No entanto, nas últimas décadas, alguns pedaços reapareceram em leilões da Sotheby's. Em abril de 1989, o Presidente Vargas IV, com 28,03 quilates, foi vendido por US$781 mil, e o Presidente Vargas VI, com 25,4 quilates, por US396 mil, em 1992.
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