Se alguém ainda duvida da importância de conhecermos o passado para construirmos o nosso futuro, então que revogue todos os conhecimentos acumulados pela humanidade até a presente data. J.U.Nassif

"A força está na serenidade do ânimo e no equilíbrio dos sentimentos."

sábado, outubro 02, 2010

César Lasaro Ferreira Costa

JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
Sábado 02 de outubro de 2010
Entrevista: Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/
http://www.teleresponde.com.br/
   Cesar Costa em seu estúdio                                          J.U.Nassif
ENTREVISTADO: César Lasaro Ferreira Costa
Um carvalho pode viver entre 500 a 1000 anos, os silvicultores cultivam o carvalho durante 250 anos para vender a sua madeira, ou seja, quem planta não conhece quem irá beneficiar-se da madeira. Acumular informações para futuras gerações tomarem conhecimento do que ocorre em nossos dias é uma tarefa muito interessante e de grande importância. O jornalista César Costa comemorou no mês de setembro 18 anos do programa Piracicaba em Destaque que apresenta pela televisão, com cerca de 15.000 entrevistas realizadas nesse período. As imagens desses anos todos estão armazenadas em mídias que permitirão consultas futuras. Politicos de grande expressão no cenário nacional, como o então Ministro das Relações Exteriores Fernando Henrique Cardoso, pouco antes de assumir o Ministério da Fazenda e lançar o Plano Real, assim como o Senador Mario Covas, concederam entrevistas exclusivas a Cesar Costa. Pessoas, locais, eventos, isso tudo reunido, registram um passado recente, mas que já se integra á história de Piracicaba. César Lasaro Ferreira Costa nasceu em Piracicaba á 15 de setembro de 1961, é filho de Jandira Ferreira Costa e Benedito Evangelista Costa. Na infância divertiu-se como a criançada da época, que entre as muitas brincadeiras a de pescar “peixinhos”, na verdade girinos, no Itapeva, era uma delas. Acionar a campainha que avisava a chegada do trem da Sorocabana era uma brincadeira comum de muitos garotos. Foi aluno do renomado Instituto de Educação Sud Mennucci, que obedecia aos rigores disciplinares e pedagógicos vigentes. Se o fato do pai ser o diretor da instituição deu-lhe algum prestígio junto aos colegas, também trouxe-lhe maiores responsabilidades. Formou-se em jornalismo pela UNIMEP, atuou no Jornal de Piracicaba, na Rádio Difusora, EPTV, filiada á TV Globo, TV Manchete, e TV Beira Rio, de Piracicaba. Cesar Costa tem seu estúdio próprio, amplo, com diversos ambientes, infra-estrutura semelhante e até maior á de algumas emissoras de televisão com alcance regional. Cesar Costa foi audacioso ao estabelecer novas formas de comunicação para uma cidade em transição rumo á industrialização. Uma decisão tão acertada que favoreceu a vinda de novos programas e apresentadores com o mesmo formato.

Seu pai, Benedito Evangelista Costa, lecionou em ouras cidades além de Piracicaba?

Pelo fato dele ter sido professor de escola publica, foi percorrendo algumas cidades até voltar á Piracicaba. Em Laranjal Paulista ele permaneceu por oito ou nove anos, chegou a ser vereador de Laranjal Paulista, foi um dos fundadores da "Escola Técnica de Comércio Municipal de Laranjal Paulista", tendo sido o seu primeiro diretor, em 1961, atualmente a escola é denominada de Escola Municipal “João Salto”. Em 1963 meu pai assumiu a cadeira de Desenho Geométrico no Instituto Sud Mennucci, chegando a ser o diretor da instituição.


Fachada da escola "João Salto"                                              
Com quantos anos você começou a freqüentar escola?
Com 5 anos já estava no Jardim de Infância Peixinho Vermelho, na Rua XV de Novembro, de lá fui fazer o pré-primário no Sud Mennucci onde fiquei até concluir o terceiro ano colegial.

Como você se sentia tendo o seu pai inicialmente como professor e depois como diretor?

Eu me sentia incomodado, qualquer pequena falha, próprias á idade, as sanções que eu sofria tinham que ser exemplares. Eu era cobrado pelos alunos de uma forma e pelos professores de outra forma. O meu pai foi diretor por quase 10 anos, com isso durante boa parte do período em que estudei, ele ocupou o cargo de direção. Após concluir o colegial, fiz o Cursinho CLQ e prestei vestibular para a faculdade de jornalismo.

A decisão de tornar-se jornalista surgiu quando?

Na infância eu já brincava de fazer rádio juntamente com o saudoso Sérgio Oba-Oba e Reinivaldo Ferraz que era primo em segundo grau. Um amigo fabricou um pequeno transmissor com alcance de até 100 metros, a antena era o varal que a minha mãe utilizava para dependurar a roupa para secar, isso na Rua Alfredo Guedes. Lembro-me também de ter pegado com a peneira no Itapeva o que imaginávamos serem peixinhos, eram girinos. O trem da Sorocabana passava a uns duzentos metros da minha casa, vi muito trem passar por aqui, as crianças desenvolveram uma técnica rudimentar para acionar o sinal que avisava a chegada do trem, era muito comum essa peraltice. O meu bisavô, Francisco Arthur Mariano da Costa, foi chefe da Estação Sorocabana de Piracicaba, e o meu avô Benedito Mariano Costa foi ferroviário nessa empresa, embora o meu pai tenha se formado em agronomia pela ESALQ, ele conviveu com a Sorocabana, a ponto de saber operar o telégrafo. Lembro-me que íamos à sessão Zig-Zag no Cine Politeama, localizado na Praça José Bonifácio, onde hoje se situa o Bradesco. A sessão começava por volta de 10 horas da manhã, lembro-me de ter assistido lá um filme com a Branca de Neve.

O seu pai dizia alguma coisa a respeito da sua opção em tornar-se profissional da área de comunicação?

Meu pai também gostava dessa área, o serviço de alto falante público de Laranjal Paulista foi uma obra sua. Ele gostava de rádio, de musica, montava os quites de rádio, gostava da técnica. Eu cresci ouvindo musica clássica.
 
                                    Cesar Costa tendo ao fundo as telas pintadas pelo seu pai.
Quando você passou a trabalhar na profissão?

Ainda estudante de comunicação, encontrei-me com Antonio Carlos de Mendes Thame, que havia sido meu professor no Cursinho CLQ, fui convidado a fazer o programa “O Povo quer saber”, apresentado por ele na Rádio Difusora, ao meio dia, eu atendia telefone, escolhia música, esse foi o meu primeiro emprego. Nesse período passei a trabalhar na empresa Carthas Outdoor, foi ali que comecei a me inteirar do meio. Um dia surgiu uma arte de um outdoor que deveria ser oferecida e vendida á alguma empresa. O Jornal de Piracicaba estava comemorando os seus 85 anos de existência, consegui com que eles anunciassem no outdoor. Acabei sendo convidado á trabalhar na área comercial do Jornal de Piracicaba. Deixei a Carthas, continuei na Rádio Difusora, e á noite fazia faculdade.

Como foi a sua primeira participação ao microfone de uma rádio?

O programa “O Povo quer saber” estava sendo apresentado na Difusora, quando surgiu a comunicação de um juiz eleitoral, determinando que a partir daquele exato momento não fosse mais permitida a participação de candidato em programas de rádio, em função do horário eleitoral gratuito. Calmamente o Thame levantou-se, com o programa no ar, disse aos ouvintes, que a partir daquele momento o César Costa passaria a apresentar o programa, e retirou-se do estúdio. O sonoplasta Celso Ribeiro percebeu o meu desespero em ser pego de surpresa, colocou um disco junto ao vidro que divide o estúdio da mesa de som, e apontando para o relógio indicou-me o que eu deveria fazer. Imediatamente falei: “São doze horas e quinze minutos, vamos ouvir Moacir Frango!” Essa foi a minha estréia no rádio, dando ao célebre cantor o sobrenome Frango. Algum tempo depois esse programa deixou de ser apresentado na rádio e eu continuei trabalhando no Jornal de Piracicaba. Em 1989 fui trabalhar no “O Diário”, na área comercial, com Cecílio Elias Neto, Gabriel Elias, o gerente comercial era o Raul Nardin, permaneci por oito ou nove meses. Fiz uma campanha muito bem sucedida, eu tinha mandado meu currículo para a EPTV, surgiu uma oportunidade para ir trabalhar no Sul de Minas Gerais, meu pai tinha acabado de falecer, decidi que seria melhor permanecer com meus familiares naquele momento. Algum tempo depois fui chamado para ir até a EPTV, e para a minha surpresa recebi o convite para trabalhar na área comercial, pela experiência que eu já tinha acumulado.

Qual é o segredo do sucesso em vendas na área da comunicação?

Deve ser uma venda efetuada da forma mais clara possível. Tudo o que vendi e vendo até hoje o cliente sabe por que está comprando, quanto e quando ele deverá pagar, eu me mantenho nesse mercado já por 25 anos. Tem que haver ética, transparência, o cliente deve saber que está comprando um produto que dará retorno á ele. Os grandes centros já fizeram um ajuste nesse sentido, o que deverá ocorrer nas cidades médias e nas menores. Todos os veículos de comunicação dependem da publicidade, porém existem inúmeras formas de comercializar essas publicidades.

Você foi trabalhar fora de Piracicaba?

Fui para a EPTV de Campinas, em 1989, montei o seu escritório comercial em Piracicaba, que existe até hoje no mesmo local. Após algum tempo recebi o convite do Fausto Rocha para assumir a gerencia comercial da TV Manchete em Campinas. Acabei aceitando, um dos fatores que fez com que eu me decidisse é que ele me sinalizou que em seis meses eu deveria ter um programa meu. Na TVFR (Manchete) fiquei até outubro de 1982, há 18 anos, a TVFR lançou o programa “Painel Piracicaba”, que podia ser sintonizado em 80 cidades da região, inclusive Campinas. O Fausto conseguiu regionalizar a televisão regional. Ele apresentava o “Painel Campinas”, outro jornalista apresentava o “Painel Limeira”. Cada dia da semana era apresentado um painel de uma das cidades integrantes do programa Painel. Era um programa de entrevistas, em Piracicaba eu gravava no Hotel Antonio`s, a equipe vinha de Campinas, montava o estúdio e eu levava as pessoas que já tinha agendo para serem entrevistadas. O meu primeiro entrevistado foi Antonio Carlos de Mendes Thame, na época recém eleito prefeito de Piracicaba. O segundo foi o Dito Gianetti que estava inaugurando a BG Import. No primeiro ano entrevistei 104 pessoas. Após algum tempo passei a gravar em Limeira. Nessa época é que entrevistei Fernando Henrique Cardoso, então Ministro das Relações Exteriores e o senador Mário Covas, eles estavam fazendo campanha para instituir o parlamentarismo. Com FHC aconteceu um fato curioso, fiz algumas perguntas abordando o tema economia, percebi que ele tinha muita influência na área econômica, isso no governo do Presidente Itamar Franco. Ele se esquivava dessas perguntas, não queria ser questionado com temas da economia nacional. Passamos a falar da situação dos dentistas brasileiros em Portugal. Quinze dias depois ele passou a ser Ministro da Fazenda. Na época o Mário Covas era muito mais assediado do que o Fernando Henrique Cardoso. Até chegar nas 15.000 entrevistas que eu realizei nesses 18 anos, aprendi muitas coisas com as pessoas que entrevistei pessoas dos mais distintos pensamentos, correntes políticas, sociais, cada um trazendo uma lição de vida.
 Cesar Costa entrevistando o então Ministro Fernando Henrique Cardoso pouco antes dele lançar o Plano Real
                                      Cesar Costa com o então senador Mário Covas
Quem você gostaria de entrevistar novamente e que já é falecido?

(Cesar Costa faz uma ligeira pausa, e responde). Gostaria de entrevistar novamente o seresteiro Victório Ângelo Cobra, o Cobrinha.

Quem você não entrevistaria novamente?

Vamos censurar essa pergunta! (Muitos risos). Não entrevistaria novamente um palestrante que entrevistei há alguns anos, ele é de São Paulo e veio proferir uma palestra em Piracicaba. Das 15.000 entrevistas que realizei essa é a única que eu não gostaria de fazer novamente, pela completa falta de postura do entrevistado.
                                  Lembranças do Painel Piracicaba na TV Manchete
As entrevistas são transmitas ao vivo?
Não, elas são sempre gravadas. As pessoas dirigem-se até o meu estúdio, a característica do programa ter nascido em estúdio continua. A matéria em estúdio dá para trabalhar mais o assunto. As condições em que a entrevista é realizada são mais favoráveis. Walterly Accorsi, filha do cientista Walter Accorsi, certa ocasião disse que seu pai deveria entregar medalhas para 20 cientistas da ESALQ, e a seu pedido entrevistei a todos, cada um doutor em sua especialidade, as perguntas tinha que ter coerência, começo, meio e fim. Foi um bom desafio para mim.

Qual é o formato atual do programa Piracicaba em Destaque?

Tem a parte de estúdio que é basicamente voltada á programas de interesse público, á comunidade, com prestação de serviços. São abordados assuntos de educação, saúde, entidades assistenciais que necessitam de divulgação, clubes de serviços, muitas dessas entidades necessitam de um espaço para divulgações. Há o lado empresarial, o bloco TV Acipi é levado ao ar a cada 15 dias em um bloco de 10 minutos de duração, é realizado há 10 anos. Piracicaba em Destaque é apresentado uma vez por semana com a duração de uma hora.

Quando você casou-se?

Foi no dia 28 de maio de 1993, na Catedral de Santo Antonio, a festa foi no Teatro São José.

Além do programa Piracicaba em Destaque você realiza outras produções?

A Cesar Costa Vídeo Produções, além de realizar o programa Piracicaba em Destaque produz vídeos promocionais, empresariais. O estúdio pode ser locado para outros programas que queiram utilizar. O equipamento também pode ser locado.










Arquivo do blog