20 de AGOSTO DE 2026
Sejam muito bem-vindos! Hoje vamos viajar no
tempo e conhecer uma história que se mistura com a própria evolução da nossa
região. Vamos conversar com João Telécio Pesato. Ele testemunhou de perto a
época em que o campo era o coração da nossa comunidade, antes de as grandes
usinas de cana-de-açúcar transformarem a paisagem e forçarem a migração para as
cidades. Mas o Seu João se destacou cedo: aos 12 anos, montado numa carroça,
ele já mostrava seu talento para os negócios vendendo mil sorvetes por domingo.
E tem um detalhe impressionante: apesar de ter estudado apenas até o segundo
ano do primário, ele tem uma agilidade mental incrível e faz operações
matemáticas de cabeça em segundos, uma habilidade que mantém até hoje. Fique
com a gente e conheça essa trajetória inspiradora de determinação e
inteligência prática.
Como se chamava o pai do senhor?
Meu pai era Antonio Pezzato, o nome da minha mãe era Maria Dolores
Teixeira, naquele tempo muitas esposas mantinham o nome original, nem todas
acrescentavam o sobrenome do marido.
O senhor nasceu em que dia?
Nasci dia 5 de julho de 1937. Nasci em Tietê! Nasci em um sítio. Depois
morei no que informalmente chamávamos de “Posto de Algodão”. Era um
estabelecimento do Estado, que comercializava e distribuía sementes de algodão.
Meu pai trabalhou lá, então moramos um tempinho nas acomodações próprias para
funcionários. Depois o meu pai comprou um sitiozinho, encostado com o Posto de
algodão. (O que os antigos
moradores de Tietê chamavam de "Posto de Algodão" é o espaço que
hoje abriga a APTA Regional de Tietê (Agência
Paulista de Tecnologia dos Agronegócios), uma fazenda de pesquisa científica
que celebrou o seu centenário). A família
trabalhava no sitiozinho que ficava ao lado, fazíamos melado de cana-de-açúcar,
eu tinha uns 9 a 10 anos.
O
senhor tinha irmãos?
Meus pais tiveram 10
filhos: Antonio Ovídio, Cláudio, Maria, Ivone, João, Israel, Pedro, Iolanda,
Celso e Leonor. Meu pai trabalhava no “Posto de Algodão” e nós trabalhávamos no
sitiozinho. Plantávamos algumas coisinhas, éramos todos pequenos. Depois o meu
pai montou um barzinho em Tietê. E continuava trabalhando no mesmo emprego. Ele
vendeu o sítio e comprou outro sítio no lugar conhecido como Valarine ficava ao
lado do Rio Capivari. Depois meu pai vendeu lá e comprou no Bairro Toledo, o
pessoal chamava de Cafezal. Naquele tempo pertencia a Capivari. Mombuca não era emancipada ainda, meu pai
vendeu o sítio e comprou um bar na Rua do Comércio, em Tietê. Ele vendeu esse
bar e adquiriu outro bar em Sorocaba.
O
senhor lembra-se do racionamento quando houve a Segunda Guerra Mundial?
O povo sentiu a escassez de trigo, óleo, sal. Alguns pegavam sal nos
cochos dos gados de alguns fazendeiros. Foi um tempo difícil para todos. Já
existiam os veículos a gasogênio, nessa época abriu a estrada de Tietê a
Piracicaba. Essa estrada foi aberta com carrocinha de burro! Não tinha
máquinas, basculante! Eu era moleque!
O senhor tinha o espírito de empreendedor desde criança?
Eu tinha uns 12 anos de idade, morava no sítio, domingo, umas sete horas
da manhã, pegava uma carroça de rodas com aro de ferro, encilhava um burro, e o
leiteiro trazia de uma sorveteria de Tietê, barricas de madeira, com pó de
serra e gelo, dentro vinham cerca de 1.000 sorvetes. Tinha a base de água, que
era mais barato e vendia mais, e o sorvete a base de leite. Os sabores que mais
vendiam eram o de abacaxi, coco e creme. Naquele tempo tinha muita gente
morando nos sítios, até meio dia, uma
hora da tarde eu tinha vendido tudo!
A Estrada de Ferro Sorocabana já existia?
Já existia! Vinha até Tietê. Fazia
baldeação em Cerquilho. Para ir até Piracicaba tinha que ir até Itaici para
pegar a estrada de ferro que passava por Rio das Pedras e ia até Piracicaba e
seguia para São Pedro. Para vir de Sorocaba até Rio das Pedras era uma viagem
demorada! De Sorocaba ia até Itaici. Em Indaiatuba eu pegava o ônibus. Levava o
dia inteiro!
O
que trouxe o senhor para Rio das Pedras?
Eu arrunhei uma namorada daqui
a Cleonides Cezarim de Rio das Pedras. Enamoramos uns seis anos. Casamos, tivemos
dois filhos: Eliana e João. Nós casamos
e ficamos morando uns dois anos em Sorocaba. O meu sogro quis que eu viesse
morar em Rio das Pedras. Ele era sócio com um irmão dele, que veio a falecer.
Seus filhos eram pequenos. Eu vim para ajudá-lo no sítio. Ele comprava
pimentão, cebola, levava tudo em um caminhão para São Paulo. Levava para o
CEASA que na época era no centro de São Paulo. Eu levava em um caminhão
Chevrolet, a estrada era um trecho de terra, a Via Anhanguera era asfaltada,
mas não era duplicada. Eu levava
mercadoria para vender. Eu tinha que sair daqui em torno de meio dia para
chegar no CEASA depois da meia noite. Lá no CEASA encostava o caminhão e já
tinha comprador. Vendia toda mercadoria para um comprador, é o que chamamos de
“caminhão fechado”. Às vezes já passava a mercadoria para outro caminhão que ia
para outro estado. Naquele tempo o caminhão levava 6.000 quilos. Era pequeno.
Eram raros os caminhões grandes. Quando abriu o CEASA logo na entrada de São
Paulo, eu parei com esse serviço. Meu pai plantava pimentão, legumes,
hortaliças. Como os meus irmãos eram mais velhos, casaram, ficamos eu e a minha
irmã, para ajudar. Nessa época resolveram plantar cana-de-açúcar. Foi o início
do plantio de cana na nossa região. O sítio antigamente era do meu sogro, nós
plantávamos para ele. Com o passar do tempo fomos parando, meu pai já estava
cansado, tinha que carregar caminhão, no fim era só eu que tinha ficado para tocar tudo, carregar
caminhão. Meu pai decidiu: Vamos parar!
E o senhor foi trabalhar com o
que?
Nós mudamos para o lugar
conhecido como “Canal Torto’ pertencente ao município de Tietê. Ficamos um ano
lá, e o resultado foi inexpressivo. O meu irmão mais velho comprou um bar em
Sorocaba. Ele disse ao meu pai: “-Pai! O bar dá mais resultado do que ficar
aqui!”. Eu disse ao meu pai: “-Vamos para Sorocaba!”. Compramos um botequinho
lá e graças a Deus estava indo bem”. Meu pai não conseguia acostumar-se. Eu
perguntei ao meu pai “-Está faltando alguma coisa aqui para comer? Fique
sentadinho lá na porta, o senhor vai se acostumar aqui!” Nós não tínhamos mais
como voltar para o sítio, tínhamos vendido animais, carroça, ferramentas,
vendemos tudo! Além do que, é um serviço pesado! Aí ele começou a conversar com uns velhos que
iam no bar, e gostou! E pegou firme no bar! E trabalhou até aposentar-se! Ele
aposentou-se e eu fiquei tocando o bar! Depois eu casei, vim embora para o
sítio e ele com a minha irmã ficaram tomando conta do bar.
Em
Rio das Pedras o senhor trabalhava em qual atividade?
Comprei um caminhão Ford
e passei a puxar cana de açúcar para a Usina Santa Helena e Usina Bom Jesus. Eu
trabalhava por minha conta. Só que estava ruim
de trabalhar com cana. Fui trabalhar em Porangaba, na construção da
Rodovia Castelo Branco. Lá o serviço era bom. Por algum motivo político ou
administrativo, parou a obra. Aí comecei a puxar pedra em uma pedreira
existente nas proximidades de Sorocaba. Carregava navio com pedra que iria ser
transformada em cimento. Trabalhei para a Votorantim, para tirar terra das
pedreiras, e estourar o calcáreo apropriado para fabricar o cimento. Esse
processo de tirar a terra que está em cima é a decapagem, feita com caminhões.
Da Votorantim fui puxar minério em Minas Gerais, lá em Bom Despacho, era terra
misturada com pedrinhas, eles tiravam com peneira naquele tempo. Tinha uns
peões que faziam aqueles montes, eu carregava uma viagem por dia. Da pedreira
eu levava para Bom Despacho. Eles colocavam em um forno, depois que eles
derretiam no forno, uma vez por mês eu ia carregar aquelas barras de ferro, os
lingotes, eu trazia para o Dedini, para Romi de Santa Babara d`Oeste.
Era
uma carga ruim de levar?
Era ruim de descarregar!
Lá eles carregavam e aqui tinha quem descarregava. Eu trabalhei uns dois anos
lá. Aí estourou o forno do homem, ele pediu para parar. Por volta de um mês
depois, o dono da empresa de transformação de minério em lingotes, me chamou de
volta. Eu não quis. Coloquei um barzinho em Rio das Pedras. Naquela época eu já
tinha mudado para uma casa em Rio das Pedras. Naquela época eu ia mudar para
Minas, eu tenho uma casa lá que ficávamos eu e meu irmão. Nós fazíamos a
comida. Foi nessa época que o dono da fundição pediu para que esperasse por
dois meses pra ele consertar o forno. Eu não quis ficar dois meses parado.
Em Rio das Pedras o senhor
abriu o barzinho aonde?
Instalei na Rua Prudente
de Moraes. Eu abri o bar em nome da minha esposa e continuei com o caminhão, só
que não aparecia serviço para o caminhão. Era só puxar areia para um, para
outro. Só serviço pesado, tudo na pá! Eu ia até o CEASA para buscar mercadoria
para o bar. Eu comecei a inventar um pouco, colocando mais produtos. Virou um
armazém. No começo eu sofri, o Miori abriu um supermercado. Ele vendia por ano!
Ele vendia para pagar depois
de um ano?
É! Nós vendíamos para o
cliente pagar após três meses! Eu não podia vender para receber após um ano! Eu
estava começando! Naquele tempo tinha a plantação de algodão, de pimentão. Os
clientes pagavam direitinho. Naquela época não existia inflação! Eu comprava
das firmas de São Paulo, para pagar em dois meses fora o mês em que eu
comprava! Praticamente eu tinha crédito de quase três meses para pagar! Eu
tinha crédito na Matarazzo, Santista, Gessy Lever, praticamente em todas
empresas grandes. A mercadoria vinha pelo trem para Rio das Pedras. Depois
pararam de mandar por trem porque começaram a roubar mercadorias. Vinha
faltando mercadorias nas caixas. As mercadorias passaram a vir por caminhão. O
barzinho era pequeno, meu sogro comprou uma casa do outro lado da rua. A casa
tinha um salão na frente e fui ocupar esse salão. Tinha um pouquinho mais de
espaço. Eu tinha um barracão em casa e guardava a mercadoria lá. Naquele tempo,
os vizinhos criavam animais de pequeno porte. Eles compravam ração que eu vendia.
A ração eu guardava no barracão em casa. Depois abriram supermercados, acabou comigo!
Com o tempo, graças a Deus, fui levantando de novo! Minha esposa tinha um
pedacinho de terra em Mombuca, tinha interessado em comprar, era baratinho, mas
eu pensei bem e achei que com esse dinheiro eu poderia sortir o meu armazém.
Vendi o caminhão. E fui tocando, melhorou a minha situação.
Atualmente
o senhor e sua família tem um comércio que é uma referência em Rio das Pedras.
Crescemos! Meus filhos
estudaram, casaram, os netos um é médico, um advogado e uma advogada. Infelizmente
fiquei viúvo, por uns anos morei sozinho, até que uma viúva, a Eugênia, que
também estava sozinha, decidimos morarmos juntos.
O
senhor dirige ainda, vai para a praia, gosta de pescar no ribeirão aqui perto.
Ultimamente tenho achado
o trânsito daqui até a praia, um pouco pesado, particularmente durante a
semana. Nos finais de semana, desde que não seja junto com feriado, o trânsito
fica melhor.
O
senhor chegou a usar guarda-pó para dirigir o seu caminhão?
Cheguei a usar quando era
moço e vinha namorar aqui em Rio das Pedras! Eu vinha por estrada de ferro,
vinha por Porto Feliz. Usava o guarda-pó, tinha muita poeira. Os trajes usados
naquele tempo eram diferentes: gravata, chapéu, paletó.
Dirigir
caminhão na época em que o senhor trabalhava, era uma vida difícil?
Não tínhamos estradas
como se tem hoje. Geralmente a noite eu dormia na cabine do caminhão. Quando
pegava uma estrada de terra, às vezes tinha aquelas pedras que cortavam o pneu.
Era uma vida sofrida.
Para
São Paulo o senhor ia sempre pela Via Anhanguera?
Carregava aqui, saía por
Capivari, seguia até chegar na Via Anhanguera, na época era pista simples. O
trecho até a Anhanguera era de terra, às vezes chovia, ficava encalhado, era um
trecho difícil.,
O
senhor conheceu Rio das Pedras quando era bem pequena?
Quando eu era moço, às
vezes vinha passear em Rio das Pedras, as ruas eram todas de terra, inclusive a
Rua Prudente de Moraes, hoje uma rua comercial, em frente da igreja tinha um
barranco enorme! Nas festinhas faziam umas barracas cobertas com sapé! Tinha um
coretinho, aos sábados uma bandinha tocava. Era bem movimentada, tinha muitas
pessoas que vinham dos sítios próximos.
Tinha
baile de carnaval?
Existia, mas era ainda
sem o movimento que tomou conta dos carnavais em Rio das Pedras. No começo,
Dona Judite, uma senhora negra, organizava um cordão para o desfile, o Bairro Batistada
já existia. Sobraram na região os sitiantes maiores, pequenos não tem mais
nenhum. A Usina Santa Helena está sendo desmontada, outra usina funciona um
pouco e pára. O preço da cana de açúcar caiu. Hoje o investimento em uma
lavoura de cana é um risco muito alto.
O
senhor acha que há um grande número de pessoas que moram em Rio das Pedras e trabalham
em Piracicaba?
Acredito que sim. A
distância entre Rio das Pedras a Piracicaba é de 17 quilômetros, de carro o
tempo gasto do percurso é de 21 minutos. Há um serviço de ônibus constante
ligando as duas cidades. As construções industriais e condomínios praticamente
já estão ligando as duas cidades. Hoje Piracicaba é sede de Região
Metropolitana de Piracicaba, abrangendo 24 cidades, que segundo dados oficiais
abrange um total de mais de 1 milhão e quinhentos mil habitantes. A meu ver, um
dos problemas futuros, são um grande número de casas, construídas em uma área
pequena, sendo que há terreno à vontade, ali ainda é tudo canavial. Uma das
pessoas antigas da cidade (faleceu há alguns anos) era o advogado João Basílio.
Eu puxei pinga para ele, era amigo do meu sogro.
O Barão de Serra Negra,
Francisco José da Conceição, foi sepultado em Rio das Pedras. O caixão do Barão
foi conduzido por quatro de seus empregados mais humildes (homens livres que
tinham sido seus escravos), como ele havia pedido. Em 1914, os seus restos
mortais foram transferidos da capela em que foi sepultado para Piracicaba, para
o Cemitério da Saudade.
A Caninha
Riopedrense ficou conhecida nacionalmente e por um bom tempo ficou famosa em
muitos lugares!
Foi no tempo do Comendador Osvaldo Miori. A Caninha Riopedrense foi
criada e desenvolvida pela Família Miori, fundada em 1950, por Alcides Miori.
Havia
uma fábrica de macarrão artesanal em Rio das Pedras?
A Gengibirra que eles
fabricavam era ótima! Eles tinham um capilé que era uma delícia! A essência
vinha da Itália! O capilé era vendido misturado com a pinga, A maioria tomava
capilé com água. Naquele tempo não existia refresco em pó (Ki suco).
Tietê
também era famoso pela goiabada cascão!
A goiabada cascão era
famosa! Passavam horas no tacho de cobre sendo cozidas! Ali em Mombuca morava a
Dona Emília Benvenuto Ortolani. Que era conhecida por sua forte fé e caridade
para com a comunidade local. Tudo que doavam para ela era distribuído para os
pobres. A força da sua fé era contagiante e existem muitos testemunhos de
pessoas que oravam na capelinha que ela construiu e receberam graças. Conheci o
Américo Fronzi, vendi muito fubá fabricado por ele no seu moinho com duas
pedras imensas que rodavam em sentido contrário, moendo o milho. É um fubá diferente!
Ele faleceu faz pouco tempo, passou dos 100 anos! O Oscar Waldemar Gramani
conheci bastante! Farmacêutico, foi o prefeito que mais fez por Rio das Pedras!
Colocou dinheiro do próprio bolso para beneficiar a cidade! A canalização do
centro da cidade, que ele fez funciona até hoje! Ele fez bastante coisa, o
Hospital de Rio das Pedras é do tempo dele. Na Sociedade São Vicente de Paulo
ele construiu casas para pessoas carentes. Ele foi combatente de 1932. Quando
ele foi candidato a prefeito eu rodei muitos sítios para pedir votos para ele. Meu
sogro foi vereador na gestão do Gramani! Naquele tempo se o vereador tivesse que ir resolver alguma
coisa em São Paulo, ia com seu carro próprio, não tinha veículo oficial!
A
Estrada de Ferro Sorocabana era utilizada pelo senhor?
Eu vinha de Sorocaba com
o trem da Sorocabana! O percurso da linha tinha ao lado a plantação de erva
cidreira, que era uma forma de proteção natural contra o mato. Tinha até uma
lenda de que a gengibirra era feita com erva-cidreira! Na verdade, tinha um
concentrado que vinha de fora. Mas o povo cria mitos!
O
filho de João Telécio, João, entra na sala onde estamos, e com poucas palavras
expressa o carinho e amor ao seu pai. Nos dias atuais isso não é muito comum. O
filho sai e João Telécio ainda está emocionado e orgulhoso do filho.
Nós nos entendemos muito
bem! Parece que somos dois irmãos! Ele sempre que tem alguma coisa importante,
conversa comigo, se aconselha, se eu estiver errado ele fala! Minha filha é
professora, meu filho trabalhava em banco, o banco fechou, aos poucos ele foi
se adaptando a ser comerciante e empreendedor.
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