Se alguém ainda duvida da importância de conhecermos o passado para construirmos o nosso futuro, então que revogue todos os conhecimentos acumulados pela humanidade até a presente data. J.U.Nassif

"A força está na serenidade do ânimo e no equilíbrio dos sentimentos."

domingo, junho 02, 2013

LUIZ CARLOS BONZANINI

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado 01 de junho de 2013.
Entrevista: Publicada aos sábados na Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/
http://www.teleresponde.com.br/


ENTREVISTADO: LUIZ CARLOS BONZANINI




Luiz Carlos Bonzanini é a imagem perfeita do profissional que trabalha naquilo que gosta de fazer. Apaixonado por rádio, dono de uma voz marcante, conhece desde a mesa de som até como gerenciar uma emissora, atividades que exerceu. Mestre de cerimônias ancora de jornal, apresentador, narrador de esportes, narrou até mesmo algo inusitado, um sepultamento. Grandes estrelas da comunicação partilharam do seu convívio profissional. Talvez um dos mais conhecidos do grande público seja o apresentador Carlos Nascimento. Nascido na cidade de Dois Córregos a 10 de dezembro de 1952. (É, portanto dois-correguense), na língua indígena Mokoi-Yembú significa Dois Córregos. Luiz Carlos é filho de Luiz Bonzanini e Maria Aurora Quero Bonzanni que tiveram ainda as filhas Aparecida Maria e Maristela. Luiz Carlos Bonzanini hoje apresenta o programa “ONDA CIDADE” das 13 ás 14 horas de segunda a sexta.


Qual eram as atividades dos seus pais?


Minha mãe era do lar e meu pai ferroviário. Ele começou trabalhando o que na época chamavam de “soca”, depois passou para o vagão troley, para a manutenção da caternária (linha aérea de energia), depois ele foi para o vagão solda, que soldava os terminais na linha do trem. Mais tarde ele voltou para o vagão troley como encarregado e aposentou-se como inspetor. Ele trabalhava na Companhia Paulista de Estradas de Ferro, mais tarde denominada Ferrovias Paulista S/A FEPASA.


Você chegou a morar em casa que a Companhia Paulista oferecia à seus funcionários?


Por um período moramos em casa de nossa propriedade, depois fomos morar na casa oferecida pela Companhia Paulista, era uma casa bem confortável, tinha dois dormitórios, sala, copa, cozinha, como de hábito na maioria das casas da época o banheiro ficava na área externa da casa.


Seus estudos foram realizados em que cidade?


Estudei em Dois Córregos, no Grupo Escolar Francisco Simões. Minha primeira professora foi Dona Leonor Guerreiro, no segundo ano foi Dona Letícia Poletti, no terceiro ano foi uma professora de sobrenome Capuzzi e a professora do quarto ano foi Dona Neide Francisconi. Ao concluir o primário, fiz um curso preparatório e ingressei na Escola Prática de Contabilidade, eu tinha uns 12 anos.


Com que idade você começou a trabalhar em rádio?


Comecei novo no rádio! Naquela época havia os comitês políticos, colocavam uma vara de eucalipto e a corneta (alto-falante) lá na ponta. Era montado um estúdio, como se fosse um estúdio de rádio. Com toca discos, microfone, eu tinha nove anos quando falei pela primeira vez em um microfone. Aos nove anos ia até o comitê, ficava ali por curiosidade e prazer, não ganhava nada. Era o comitê do Osvaldo Cazzonato candidato a prefeito e do Clineu Alves de Lima candidato a vice-prefeito. Eu tinha muita amizade com um locutor da Rádio Cultura de Dois Córregos, eu ficava ali, ele dizia: “- Fale um pouquinho!”. Fiz até um slogan para um vereador: “Vote bem, votando assim: para vereador Pedro Burin”. Eu tinha apenas nove anos. Foi um mandato “tampão” que eles cumpriram. Eu não tinha nenhuma remuneração era apenas o prazer de estar lá. Dalí a dois anos veio outra campanha, ai eu voltei com tudo. Tinha uns treze anos de idade, nessa ocasião ancorei mesmo o comitê político. Eu já estava lá, o outro apresentador disse-me: “Durante o dia você comanda”, a noite eu não podia ficar em função da idade, não era permitido.


Você continuou trabalhando sem nenhuma remuneração?


Não ganhava nada. Sempre diziam o seguinte: “Quem nasceu em Dois Córregos e não trabalhou na Rádio Cultura não é dois-correguense” Todos os jovens da cidade tinham o sonho de trabalhar na Rádio Cultura, a única que havia na cidade, 100 watts de potência, “ZYR-54 Rádio Cultura de Dois Córregos”. A freqüência era boa 650 khertz. No “dial” (mostrador de rádio) você encontrava um número pequeno de emissoras, não era congestionado como hoje. O que eu fazia na rádio do comitê já era o caminho que eu havia encontrado, já fui me preparando. Colocava músicas do Tonico e Tinoco, Tião Carreiro, Teixeirinha, Zilo e Zalo, Nelson Ned e fazia a campanha do candidato.


Já trabalhando na rádio você era procurado por artistas querendo divulgar suas músicas?


Nelson Ned gravou um compacto simples e ele foi até a emissora para promover a música “Será, Será” e na outra face do compacto era a música “Domingo a Tarde”, essa música estourou nas vendas. Nelson Gonçalves esteve lá divulgando seu trabalho, era de fato gago.


Você formou-se no curso de contabilidade?


Formei-me, mas não exerci. Nasci para o rádio. O candidato a vice-prefeito era o gerente da rádio, o Clineu, o meu sonho era conversar com o Clineu, pedir uma oportunidade na rádio. Uma determinada tarde eu estava fazendo a locução no comitê quando um cidadão parou logo atrás de mim, com o queixo apoiado em sua mão, ficou olhando. Perguntou-me se eu tinha a intenção de trabalhar na Rádio de Dois Córregos. Quase cai da cadeira. Respondi-lhe: “É o meu maior sonho”. Ele perguntou-me por que eu não ia. Disse que era por não conhecer o Seu Clineu. Ele disse-me: “Seu Clineu sou eu! Amanhã ás seis horas da manhã você vai até a emissora, estará lá o Compadre Vadô que apresenta o programa Aurora Sertaneja. As 5 horas e quinze minutos da manhã eu já estava na porta da rádio. O Sergio Cazonato era o técnico dele, eles entraram , entrei junto, já sabiam da minha ida. Como eu já tinha experiência na mesa de operação do comitê, com dois pick-up, fui para a mesa, o Cesar deu-me uma explicação, foi fácil para desenvolver. No dia seguinte o Sérgio que era o técnico não apareceu para trabalhar, passei a ser o técnico de som. Era para que eu praticasse a mesa para depois ganhar um horário. Nesse meio tempo se aprendia a “Humildade” que o Seu Clineu falava: varrer o salão da rádio. Tinha que fazer cobrança também para a emissora. Depois aprendemos como um transmissor trabalhava. Tinha um programa chamado “Variedades Musicais”, composto por uma música nacional, uma internacional e uma executada por uma orquestra. Era um programa para formar locutores, fui então fazer o “Variedades Musicais”, começava as nove horas da manhã e ia até as onze horas. As onze horas tinha um programa chamado “Instante Social”, era o clímax da programação da emissora. Eram noticiados os aniversários, batizados, comunicados, festas diversas , bailes. O locutor que fosse apresentá-lo era tido como o melhor locutor da rádio. Tive o prazer de apresentar esse programa durante dois anos, isso com quinze anos de idade. Passei a ser funcionário, ganhava 600 cruzeiros. Na época era um valor significativo, além disso tínhamos o livre acesso a cinema, clubes, carnaval. Bastava apresentar a carteirinha da emissora.


Por quanto tempo você permaneceu na Rádio Cultura?


Permaneci na rádio até os 18 anos, nesse meio tempo meu pai adquiriu um escritório de contabilidade e despachante policial. Eu e um colega que tinha sido técnico de som meu, o Carlos Alberto Soriano do Nascimento, que é o Carlos Nascimento hoje no SBT, ele foi operador de som em um programa que eu apresentava, chamava-se “O Comando é dos Brotos”, o prefixo era “Tijuana” com “The Clevers” e o fundo musical era “O Milionário” com os “ Os Incríveis”


O Carlos Nascimento é de Dois Córregos também?


Ele é nascido em Jaú só que cresceu em Dois Córregos, o pai dele é o Lalito, que faleceu em Piracicaba. A mãe dele é da família Soriano de Jaú, ela foi professora em Dois Córregos. O Nascimento tem uns dois anos a menos do que eu. O Nascimento tinha um trauma, o sotaque dele era piracicabano, ele não queria falar em rádio de jeito nenhum. Foi difícil. Eu apresentava o programa, animava e ele lia os comerciais. Um dos comerciais era da “Biga, Calçados de Pneus Ltda.” Era uma fábrica que havia em Dois Córregos. Outra empresa que anunciava era a “Distribuidora de Bebidas Santana” que era do Osvaldo Casonato. Fomos para um teste na emissora Jauense, emissora coligada. Fizemos o teste, após dois dias cheguei a minha casa e a minha mãe me entregou uma chave, dizendo: “É para você ir para o escritório que o seu pai comprou em sociedade”. Disse-lhe que não queria, estava esperando a Rádio Jauense me chamar! Meu pai era duro na queda, com isso fui contrariado para o escritório. Naquele dia o Seu Alides Fabris que era o gerente da Rádio Jauense me procurou, expliquei-lhe que estava comprometido com o escritório. Ele levou o Nascimento, só que a mãe dele era contraria a ele fazer rádio. Na época havia discriminação com quem fazia rádio não era considerada uma profissão. O Nascimento acabou não indo para a Jauense. Logo em seguida ele foi para São Paulo para estudar, foi quando ele ingressou na Rádio ABC do falecido Lombardi que trabalhava com o Silvio Santos. O Nascimento trabalhou muito tempo na Rádio Nacional, hoje Globo, ele cobria noticias do aeroporto. Depois ele foi para a TV Globo. Eu fiquei no escritório um ano. Abandonei, disse que ali não ficava. Vendi o escritório e fui trabalhar no escritório da Usina Santa Adelaide em Dois Córregos, Fazia dois meses que eu estava trabalhando, naquela época havia o jornal Gazeta Esportiva, o chefe da seção após o almoço abriu a Gazeta, foi quando vi escrito: “Campeonato Paulista Começa Domingo”. Bateu-me um desespero danado, pedi demissão na usina. Meu tio Eduardo Quero teve gráfica na Rua Alferes José Caetano disse que a Dedini estava contratando para o almoxarifado. Decidi vir para Piracicaba, isso foi no período entre 75 e 76. Passei nas provas, a tarde tinha entrevista no almoxarifado da Dedini. Quando entrei na sala assustei, pensei: “Agnaldo Rayol!”. Era Erotides Gil, idêntico a Agnaldo Rayol. Conversando ele me perguntou se eu era locutor de rádio, disse-lhe que era. Ele me disse: “-Então o que você veio fazer aqui?”. Mandou que fosse esperá-lo em frente à Rádio Difusora de Piracicaba as 17:50 horas. Entramos, ele me apresentou para o Luiz Hercoton, José Suave, pediram para que eu fizesse um teste, o operador era Claudinei Vaz. Gravei, ouviram e eu fui contratado pela Rádio Difusora de Piracicaba. Na Dedini eu ia ganhar um valor que na moeda da época era de cinco unidades, na Difusora passaria a ganhar cinco e meio. Nessa época eu já estava casado, casei-me aos 18 anos, eu já tinha meu filho. Naquela época tínhamos as taças Ouro, Prata e Bronze. A nossa equipe era composta pelos narradores: Ary Pedroso, Erotides Gil, repórteres de campo era Orlando Murilo e eu. O saudoso Luiz de Oliveira era o plantão. Recebi um convite dentro do Estádio Barão de Serra Negra em um jogo entre XV de Novembro e Vasco da Gama para me transferir para a Rádio Piratininga de Jaú, acabei indo para Jaú. Em Jaú permaneci por 15 anos, trabalhando ora na Rádio Piratininga de Jaú ora na Jauense.


Você jogava futebol?


Joguei no time Associação Atlética Mokoi-Yembú ( Dois Córregos) como lateral esquerdo, volante e ponta esquerda.


Em que ano você voltou para Piracicaba?


Em 1983 voltei para a Rádio Educadora de Piracicaba, quando o XV de Novembro subiu em uma partida contra o Bandeirantes de Birigui. Ainda na Educadora fui contratado por Adhemarzinho de Barros( Filho de Adhemar de Barros), ele havia instalado uma rádio em Bariri. Fui para gerenciar a emissora, permaneci lá por uns seis ou sete anos. Voltei para Jaú. De lá fui para a Rádio Gazeta em São Paulo, Tony José me levou, a família não se adaptava em São Paulo. Voltei para Jaú. Ao todo passei por 19 emissoras de rádio. Inclusive fiquei por algum tempo na Bandeirantes em Salvador, Bahia. Acabei indo para Igaraçu do Tietê onde gerenciei a rádio por 10 anos. Em 1998 o radialista Roberto de Moraes ne buscou, voltei para a Rádio Difusora de Piracicaba, fui para a Rádio Educadora, passei pela MIX de Limeira,


Você atualmente está na Rádio Onda Livre, já ha quantos anos?


Já estou ha quatro anos. Vim convidado pelo Roberto de Moraes e pelo Edirley Rodrigues.


Qual foi o primeiro jogo profissional que você narrou?


Foi do XV de Jaú contra o São Bento de Sorocaba. Jaú tinha uma dificuldade muito grande para ter narradores de partidas de futebol, o gerente da Piratininga na época Angenor Zago, perguntou-me se eu conhecia alguém, disse-lhe que sim, um amigo meu. O falecido Jamil Netto que morava em Piracicaba. No jogo XV de Jaú e São Bento de Sorocaba o Jamil teve um problema de saúde, fui comunicado pela sua esposa, avisei o gerente que perguntou quem indicou o homem. Disse-lhe que fui eu, ele então me disse: “-Então você se vira, você vai narrar esse jogo!” Narrei. Fui bem. Fiquei como narrador.


Qual é a maior dificuldade que um narrador de futebol enfrenta?


Nos dias atuais é o número da camisa. A confecção delas impossibilita o narrador enxergar o número da camisa. Esse número dourado é de difícil visualização à noite. O narrador em pouco tempo memoriza os nomes e posições de cada jogador. Cada jogador tem algo que diferencia de outro jogador.


Uma partida que envolva jogadores de um país estrangeiro com idioma muito diferente do nosso dá mais trabalho na hora de narrar?


O bom narrador consegue fazer isso de forma natural, existe algumas técnicas que ajudam. Temos casos de narrador que em um jogo ele utilizou apenas quatro nomes do time adversário. Geralmente isso pode ocorrer se ele tiver dificuldade na escalação, sem tempo de deixá-la correta.


Qual foi o primeiro jogo que você narrou?


Narrei muitos jogos amadores, o primeiro foi um jogo do "Scratch do Rádio", da Rádio Bandeirantes onde estavam jogando entre outros: Fiori Giglioti, Oslain Galvão, em um jogo contra o Barra Funda Futebol Clube. O melhor narrador do futebol esportivo estava ali, Fiori Giglioti, deu para tremer. Mas narrei, no final ele veio, me abraçou.


Narrar futebol é uma característica profissional muito pessoal?


Ser narrador é um dom. Não se aprende a narrar, quantos querem e não conseguem.


Você já foi mestre de cerimônia?


Muitas vezes.


São atividades que grandes nomes do rádio não exercem.


Existem locutores de um potencial incrível dentro do estúdio, inclusive alguns trabalharam comigo, se for expô-lo em público, subir em um palco ou algo que o valha, ele trava. Assim como existem locutores famosos que não tem a menor intimidade com a mesa de operações. Isso está mudando, o rádio com a mania de contenção faz com que o locutor passe a operar a mesa de som. Sempre houve o técnico de som e o locutor, hoje o estúdio é um ambiente só. Não tem mais a divisória entre estúdio e técnica.


Você narra outros esportes?


Gosto de narrar basquete, vôlei, futsal.


A célebre história de microfone aberto e conversa informal já aconteceu alguma vez?


Isso acontece. Ouvi certa vez uma frase que memorizei: “Antes de abrir a boca ligue o cérebro”. Às vezes entra em um estúdio pessoas que não são do ramo, algum convidado e no bate papo solta até alguma palavra mais forte.


Luiz Caarlos Bonzanini você construiu um nome forte no rádio.


Isso não me preocupa, considero mais as amizades que fiz. Gosto dos amigos. Fora do rádio tenho uma relação bastante simples com as pessoas que conheço. Conheci muitas personalidades esportivas, grandes astros, guardo algumas fotos de alguns desses momentos, narrei jogos com Zé Carlos que jogou no Cruzeiro, Sócrates, Rivelino, Clodoado, Airton Lira, Pedro Rocha, Zenon.


Hoje a tecnologia mudou, mas até pouco tempo narrar uma partida de futebol exigia uma logística que jamais o leigo poderia imaginar?


Para você ter uma idéia, quando narrávamos futebol na Rádio Cultura, você ia para Bariri transmitir o jogo, ao chegar ao campo tinha um rapaz da telefônica lá, nos identificávamos e perguntávamos onde estava a nossa linha. Ele respondia: “-Está lá naquele poste”. O locutor tinha que arrumar uma escada, subir, puxar o fio, engatava em uma maleta, era telefone magnético naquela época, girava uma manivela, falava com a telefonista: “ – Telefonista, é da Rádio de Dois Córregos, me liga no 18”. Era o número da rádio. Ligava, falava com a técnica, dizia que estava tudo em ordem. O gerente perguntava se os times estavam em campo, se estivessem, contava até cinco e mandava bala, passava a transmitir o jogo. Naquela época não tinha retorno. Não sabia se estava no ar ou não. Era como navegar no escuro. Com o tempo houve a evolução, apareceu o retorno, na Rádio Difusora, Arildo José, um grande técnico, nos dava condições de retorno no gramado.


Você trabalhou com Benedito Hilário?


Em 1983 ele apresentava comigo um jornal falado na Rádio Educadora. Atinilo José foi uma pessoa memorável. Apresentei muitos anos Jornal da Difusora, Segunda Edição, com Atinilo José. Desde que passamos a apresentar o jornal nunca fechamos de forma séria, sempre tinha algo pra sair rindo, tanto ele como eu. Sinto saudades das apresentações feitas com Atinilo José. Ele dizia “Dezooooiiito horas!”. Ele tinha um programa chamado “Show das Três e Meia” em nome do Arroz Fortuna, pedia para levar alguma coisa inusitada até a rádio, quem levasse dentro do horário pré-estabelecido ganhava um prêmio. Em 1976 quando trabalhei na Difusora trabalhavam: Nhô Serra, que abria a rádio, depois eu e J. Roberto cujo nome completo é José Roberto de Souza, apresentávamos o “Jornal da Difusora Primeira Edição” às sete horas da manhã, vinha o Ary Pedroso, terminado o programa do Ary vinha o esporte, que eu, Orlando Murilo, Ary, Gil, Luiz de Oliveira, apresentávamos. Depois vinha eu e o J. Roberto com o Jornal Falado, na seqüência do esporte, das onze e meia até o meio dia. Ai entrava o programa do saudoso Waldemar Billia, depois voltava o J. Roberto com o programa “Difusora, Rádio Tudo Bem”. Em seguida vinha o Atinilo com o programa “Varandão da Casa Verde”. À tarde J.Roberto e Atinilo apresentavam o jornal, em seguida vinha o esporte. A noite tinha o programa do Craveiro e Cravinho, e o Edirley Rodrigues que tinha o programa dele da noite. Em 2004 fui narrador esportivo na Rádio Brasil de Santa Bárbara D`Oeste, o Paulo Edison era o plantão esportivo. Edvaldo Tietz deu seus primeiros passos como repórter ali conosco. Outro foi Luiz Adalberto Nascimento, o Beto Pastor. Fui eu quem o apelidou. Foi em um jogo no Estádio Barão de Serra Negra, eu estava narrando e ele estava estreando, achei que chamar “Luiz Adalberto” era estranho, como ele era ligado a uma determinada religião eu chamei: “- Agora o destaque do repórter Beto Pastor!”. Se ele pudesse vir pela linha ele viria, ficou bravo, pegou o apelido. Um profissional que tem tudo para estar no rádio mas que fez a opção de trabalhar com publicidade.


Rádio dá dinheiro?


Deu. Ganhei dinheiro em rádio, mesmo no interiorzão. Na época combinava-se: “Quero você na minha equipe”. Hoje dizem: “Eu pago o piso salarial”. Nunca fiz só uma coisa no rádio, apresentava o esporte, tinha o meu programa musical, e fazia jornalismo.


Você ajudou a promover muitos nomes que hoje são estrelas no cenário nacional?


Na Rádio Canoa Grande de Igaraçu do Tietê Daniel e João Paulo com frequencia estavam lá, estavam começando. Sou da época em que os artistas e cantores apresentavam espetáculos em circo. Tinham que apresentar um drama. Lembro-me de Zé Fortuna e Pitangueira com o drama “O Punhal da Vingança”. Tinham que apresentar o show deles e um drama. Havia o Circo e Teatro Ascope.


Se você não fosse radialista o que faria?


Se não fosse radialista gostaria de ter trabalhado na FEPASA Ferrovias Paulista S/A. Meu pai dizia: “Onde o pai trabalha o filho não pode trabalhar”. Para não haver protecionismo.


Como radialista você cobriu noticias policiais?


Em Piracicaba eu fiz. É uma área em que se tem que ter jogo de cintura. Às vezes tinha que entrevistar o contraventor, mas tem que pesar muito, senti-lo, saber como ele está. Fiz a cobertura policial por muito tempo, nunca tive nenhum problema, mas sempre procurei trabalhar de forma a não ofender quem quer que fosse.


Como você vê o rádio atualmente?


É difícil falar. Hoje funciona da seguinte maneira, não importa quantos anos você tenha de rádio ou a sua audiência, você tem que vender. Se você não tiver sua carteira de clientes, amanhã vem um moleque que está começando no rádio, vem com R$ 10.000,00 de vendas, pede o seu horário, dão o seu horário para ele porque o dele é rentável e o seu não.


Baixou o nível do rádio?


Baixou! Hoje o rádio é comercial. Totalmente comercial.


Você fez televisão?


Trabalhei na TV do Silvio Santos, tinha um estúdio em Jaú. Era São Paulo, Jaú. Depois abriu outro estúdio em Ribeirão Preto. Eu gravava os créditos da televisão. E apresentei um jornal falado, entrava na rede. Tive uma rápida passagem pela MIX mineira, eu, Rogério Achiles. Gosto mais de rádio.


O ouvinte usa muito a imaginação ao ouvir o rádio?


Pela voz ele começa a imaginar o locutor, às vezes ele pensa que você é um cara de um metro e oitenta de altura, atlético, olho verde, quando ele vai ver não tem nada disso. Houve uma época em que o público feminino criava ilusões sobre um locutor de voz marcante. Atualmente isso mudou.


Você transmitiu de tudo, por acaso algum sepultamento?


Transmiti o sepultamento do jogador “Chicão”, Francisco Jesuino Avanzi, transmiti pela Rádio Onda Livre. Eu e Edirley Rodrigues fomos acompanhando o féretro até o Parque da Ressurreição. Narrava “Agora pela Avenida Independência nos aproximamos do Campo Santo, onde será sepultado...”. A transmissão foi feita por etapas. No ato do sepultamento narrei: “Acaba de ser sepultado...” Ai tinha diversos jogadores como o Careca, o Almeida., completamos com as entrevistas.








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