PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
Jornalista e Radialista João Umberto Nassif

Entrevista: Padre Luiz Carlos Carone
Da marcenaria ao Altar: A Trajetória de Fé e Proximidade de Deus do
Padre Luiz Carlos.
O zelo com o templo e o ambiente acolhedor que hoje movem a Paróquia
Nossa Senhora Aparecida, no Jardim Santa Tereza, em Rio das Pedras, são o
reflexo direto da história de seu pastor. De origem humilde, nascido em uma
numerosa família de 11 irmãos, o Padre Luiz Carlos aprendeu cedo o valor do
trabalho e da fé. Filho de um carpinteiro e marceneiro devoto, ele iniciou sua
jornada laboral logo aos 10 anos de idade, em uma loja de presentes em
Piracicaba.
Essa bagagem de vida moldou o perfil acessível e benevolente que se
tornou sua marca registrada ao longo de décadas de sacerdócio. Antes de assumir
a comunidade rio-pedrense, o pároco liderou por 11 anos a Igreja Nossa Senhora
Aparecida, no Bairro Piracicamirim, em Piracicaba — cidade com a qual a
população local mantém forte ligação , e dedicou outros 12 anos à imponente
Igreja de Saltinho. Nesta entrevista exclusiva, o sacerdote relembra suas
raízes, o exemplo de seus pais e detalha como a sua própria história se conecta
com a realidade da classe trabalhadora que ele acolhe e lidera hoje.
Padre Luiz Carlos Carone, o senhor nasceu em que dia?
Nasci em 14 de fevereiro de 1958, às 9:00 horas da manhã! Talvez isso
tenha influenciado no meu gosto de levantar cedo! (Risos).
O nome dos pais do senhor?
João Carone e Hermínia Fernandes Carone! Eles tiveram 11 filhos: Helena,
Antonio, Maria, Lourdes, José, Paulo, Izabel, Aparecida, João, Luiz Carlos e
Terezinha. Onze filhos, já dava para para formar um time de futebol!
Qual era a profissão do seu pai?
Era carpinteiro, tornou-se marceneiro. (O carpinteiro trabalha mais em
estruturas, enquanto o marceneiro trabalha com mobiliário, o marceneiro é
considerado mais refinado devido aos detalhes em seu trabalho (Nota do
Jornalista). Meu pai viveu até os 93 anos. A minha mãe era mais emotiva, viveu
86 anos. Foram pessoas de muita fé. Meu pai tinha uma fé inabalável!
O curso primário o senhor estudou em qual escola?
Estudei em Piracicaba na Escola Estadual Dr. João Conceição, no então
prédio novo, na Rua Marquês de Monte Alegre. Depois fui para a Escola Estadual
Professor Alcides Guidetti Zagatto. Em seguida fui para o Seminário fazer o
Colegial, em Rio Claro, no Claret, até que então entrei para a Diocese. Aí fiz PUC, Filosofia e
Teologia.
Em Piracicaba?
Fiz em Piracicaba e em Santa
Bárbara d’Oeste que naquele tempo era o nosso Seminário. Eu ia e voltava de
Piracicaba a Santa Bárbara.
Foram quantos anos?
Eu entrei com 17 anos e fiquei quatro anos no Seminário Menor. Depois
fui para Filosofia por 3 anos, e 4 anos de Teologia. Mais um ano de Diaconato e
me ordenei em 1987.
O senhor se ordenou em qual igreja?
Fui ordenado na Paróquia São José, a sua mãe estava presente (mãe do
jornalista), quem me ordenou foi o Bispo Dom Eduardo Koaik. Cônego Luiz Gonzaga
Juliani, muitos padres, o centro da igreja estava com muitas pessoas. O bispo
disse: “-Só a sua família já dá uma igreja! Não vai sair da igreja para montar
outra não!”. Lógico, foi em tom para relaxar a emoção! Minha família tem 25
sobrinhos!
Da sua infância o senhor tem recordações?
Tenho algumas lembranças a
partir dos 5 anos de idade, era o décimo filho, com 10 anos de idade fui
trabalhar (Naquela época era comum crianças trabalharem, dentro ou fora de
casa!). Lembro-me de que havia um padre, chamado Pedro, que vinha sempre nos
visitar. Eu já dizia que queria ser padre! Nessa época eu tinha uns cinco anos!
Aos 15 anos de idade comecei a amadurecer o pensamento de ser padre. Com 10
anos de idade fui trabalhar na Casa dos Presentes, de Alcides Saipp e sua
esposa, a loja existe até hoje na Rua do Rosário, entre a Avenida do Café e a
Rua Dr. Edgar Conceição, na Paulista. Trabalhei 7 anos lá, trabalhava e
estudava. Tinha muito brinquedo da Estrela, Trol... naquela época recebia carga
muito grande de brinquedos entregues por caminhão! Naquele tempo não era giro,
era estoque! Ele já fazia o que o Baú da Felicidade fazia, a pessoa começava a
pagar em janeiro e ia retirar em dezembro. Foi uma pessoa bem sucedida,
querida, honesto, me tratava muito bem. Nas minhas férias eu ia trabalhar lá!
Eu tinha fama de ser bom vendedor! Aos sábados a loja fechava ao meio dia e eu
lavava o Simca e depois um Itamaraty.
Essa fé que o motivou a seguir a vida religiosa surgiu como?
O fato de trabalhar desde os 10 anos, fez com que eu fosse desinibido,
me desenvolvi bastante e fui conhecendo muita gente. Fãzinha tinha bastante!
Até briguinha na escola! Naquele tempo, no período em que trabalhei na Casa dos
Presentes, a relação com os clientes era de amizade, praticamente todos se
conheciam, as conversas eram mais espontâneas. Eu era uma pessoa de muitas
amizades. Um dos primeiros, se não for o primeiro grupo de jovens foi formado
na minha casa. O Totó Danelon que fundou. Ele faleceu por uma fatalidade. Nem
ele soube do que ele morreu. Foi um carrapato, ele gostava de caminhar por
locais onde a natureza tinha sido preservada, e lá pelos lados da Água Branca ele
foi para contemplar a natureza. Nem percebeu que tinha levado um carrapato para
casa. No banho ele sentiu-se mal e a esposa achou o carrapato após o banho. Ele
ficou internado no hospital em torno de dois dias. Nós tínhamos esse grupo de
jovens, tínhamos muita amizade, Na Paróquia São José chegou a ter 20 grupos de
50 jovens! Um total de 1.000 pessoas reunidas! Fazíamos caminhadas! Era um
outro tempo!
As caminhadas eram feitas de onde para qual local?
Da Paroquia São José para a Catedral. Da Igreja São José para o Itapuã!
O senhor conheceu o Frei Sigrist?
Conheci! Da Igreja dos Frades. Conheci Frei Saul, Frei Basilio, Frei
Liberato, era um frade rigoroso. Frei Honório, era um frade leigo. Ia buscar
prendas, com uma caminhonete que dirigia com velocidade! Mas era um frade
carismático, muito querido.
Como foi o seu ingresso no seminário?
Um dia eu recebi visita. Naquele tempo eles chamavam de recrutação. Eles
passavam pelas escolas, os que gostariam de ir podiam ir conversar com o padre
na sala dos professores. Fui até lá e comecei a fazer o encontro vocacional. Em
1975 entrei, e fui estudando, tive as dificuldades, estudei latim o colegial
todo.
A Igreja inovou bastante, ao celebrar a missa em
português, a mudança do padre, voltado para os fiéis!
A partir daí teve não só os
aspectos devocionais, por exemplo Irmandades, Terço. Isso avivou até mais. Veja
o Terço dos Homens! Tem também as Pastorais: da Saúde, da Juventude. Pastoral
Familiar, Encontro de Casais, temos uma semana de Pastoral Familiar e quase
todos os dias a Igreja cheia! E em sua grande maioria casais jovens!
A Igreja comporta aproximadamente quantos fiéis?
Sentados 340. E depois tem um bom espaço em que as pessoas podem
permanecerem em pé.
Sr. Armelindo Contessa, o senhor está participando
conosco desse bate papo, por ser um dos pilares de sustentação das grandes
obras que aqui são realizadas, tudo no mais perfeito estado!
Sou o zelador! Eu cuido da parte externa, dentro é um trabalho feito por
mulher. Preparo tudo que é necessário para as celebrações.
Essa igreja impressiona demais não só pelo tamanho, mas sobretudo pelo
zelo com que tudo é feito!
Uma Igreja bonita, espaçosa, é muito procurada para
casamentos?
Talvez por uma questão de costume, os casais preferem realizar o
casamento na Matriz. Uma vez por ano, realizamos casamentos comunitários. São
aquelas pessoas que já estão vivendo juntas. Agora em novembro será o quinto
ano que eu faço o casamento comunitário. No ano retrasado realizamos 11
casamentos comunitários. Esses casais estão juntos há 5, 10, 20 anos juntos e
optam pelo casamento comunitário. Eles permanecem na comunidade. Hoje o casamento
tem uma forte parte social.
O casamento, muitas vezes, é um acontecimento
social, com 20 padrinhos, luzes, fumaça, músicas fora do contexto.
Só que hoje tem normas e pastoral responsável, e fotógrafos credenciados
na diocese. Não por interesse econômico, mas em interesse em sanar esses
problemas. Dificilmente você vai ver um fotógrafo colocar a máquina em cima do
altar como colocavam! Tem gente que fica meio com o pé atrás, depois até
agradece a pastoral, ela faz tudo por eles!
Qual é o efeito que a informática, os celulares,
vem causando no aspecto religioso?
Ontem nós discutimos muito isso no Conselho Pastoral! Desde a pandemia
tem ajudado muito! Quando eu estava no Piracicamirim, a primeira missa on-line,
quem entrou em contato com a missa me impressionou muito! Foi um angolano, que
estava na África, foi o primeiro que entrou em contato! Entrou o fator língua
portuguesa! Na Pastoral, no Grupo de
Conselho, no Grupo 9 da Pascom, ela coordena isso, tem todo o cuidado, por
exemplo: política, é um assunto delicado, pode ser um assunto político com “P”
maiúsculo, do Papa, do Bispo no sentido do bem comum, mas tomar cuidado para não
transparecer partidário. Quando se trata de IA é pior! A imagem, muita gente
não sabe, pensa que pode tirar uma foto não sei de quem e postar. Isso pode dar
um processo complicado, que a pessoa se fez isso ingenuamente nem sabe.
Com a I.A, por exemplo, vamos montar alguma coisa para a Semana Santa. “A
Traição de Judas”, eu chamei o rapaz que tem 20 anos, ele conhece bem I.A. eu
disse-lhe: “ Dá uma olhada nesse texto e vê se tem alguma coisa de Judas e
Jesus que não tem nada a ver!” . Ele
analisou, e viu no fundo de uma das imagens, um beijo de Judas em Jesus que
estava mais próximo da boca do que do rosto! Nós temos que tomar o máximo
cuidado porque há interesse escuso em disseminar e simular! Passaram pelo
celular, um globo de ferro que vai abrindo e fechando, em cada abertura aparece
a imagem de um Santo até chegar em Nossa Senhora Aparecida. São desenhos em 3
dimensões e muito detalhados. Antes de passar para alguém, pedi para essa
pessoa dar uma olhada se não tinha nada diferente. Ele considerou tudo normal.
A primeira Paróquia que o senhor assumiu qual foi?
Dom Eduardo tinha o costume de deixar 1 ou 2 anos em uma Paróquia. Eu
fui na Paróquia de Bom Jesus de Santa Barbara d`Oeste. Foi em 6 de agosto,
aniversário do meu pai! Fiquei um ano lá. Fiquei 13 anos e 6 meses em Saltinho.
Eu queria sair de lá, o Bispo não queria que eu saísse , o povo fez um
abaixo-assinado, o Bispo me aconselhou a dizer que estava saindo pela minha
vontade.
O senhor foi para onde?
O Bispo disse-me: “Você vai pegar duas paróquias, com dois padres
aposentados!”. Fiquei com uma Paróquia em Mombuca e outra em Rafard. Fiquei nove
anos e seis meses lá! Aí Dom Fernando me trouxe para Piracicamirim. Fiquei 11
anos no Piracicamirim! Agora faz quatro anos e meio que estou aqui, cheguei em
fevereiro. Em janeiro faço 40 anos de Padre!
O Padre tem um período em que ele é obrigado a
parar?
A parar não é obrigado, ele pode continuar ajudando um Pároco. Ele tem que
passar o comando para um substituto. O Bispo também deixa de exercer a
atividade e passa a ser emérito. Dom Eduardo, que era um homem sábio e
espirituoso dizia que era um título bonito para dizer “Aposentado!”.
O Padre Jorge permaneceu como pároco a vida toda?
Ele e o Monsenhor Juliani
permaneceram. Naquele tempo havia alguma tolerância. Hoje existe uma norma, mas
na verdade é o Bispo quem decide. Hoje existem normas , inclusive voltadas para
padres, pastores, que se fizerem campanha política dentro do templo, ou da
igreja, eles podem sofrer impugnação.
Aqui na Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, em Rio das
Pedras, qual é o horário das celebrações, reuniões!
Na quarta-feira temos missa às 19:30 horas. Às quintas-feiras, nós temos
na comunidade, casas, aonde são realizadas uma cerimônia religiosa em que o morador acolhe cerca de 30 a 35 pessoas, às
19:30. Na primeira sexta-feira do mês, às 19:30 tem missa com adoração do
Santíssimo, em uma sexta-feira, celebramos uma missa na Capela Santa Cruz, é
uma capela pequenininha, o local é denominado Praça Floriano Peixoto, em frente
ao Posto Montagner. Na outra
sexta-feira, às 19:30 é celebrada uma missa no Bairro Alambari. Na última
sexta-feira é reunião do Conselho. Aos sábados, o Frei Moacir celebra missa às
15:00 horas aqui na Paróquia Nossa Senhora Aparecida. Sábado às 19:00 horas
celebramos em uma capela urbana, no Bairro Vitória Perim Cesarino. Popularmente
denominado “Pombal”. No domingo pela manhã, às 7:30 horas, celebramos a missa
na Paróquia Nossa Senhora Aparecida. Por três vezes ao mês celebramos a missa
no Bairro Batistada. No outro domingo, às 9:30 são feitos os batizados. E todos
os domingos às 18:30, são celebradas as missas na Paróquia Nossa Senhora
Aparecida. Domingo de manhã a Igreja da Paroquia Nossa Senhora Aparecida fica
lotada, inclusive com fiéis em pé! No total chegamos a ter 31 a 32 missas em
cada mês, somando essas missas fora da Igreja Nossa Senhora Aparecida.
O
dia em que se comemora Nossa Senhora Aparecida tem missas especiais?
Tem missa às 8:00 horas da manhã, com coroação, segue com terço às 11:00
horas, começou com um grupo pequeno e hoje já deixa a Igreja cheia, rezando o
terço. É bem coordenado pelas pastorais. O dia todo a igreja recebe muitas
visitas de pessoas que vem prestar suas homenagens e orações a Nossa Senhora
Aparecida. Às 17:00 horas, procissão, segue com missa às 18:30 e após missa a
quermesse. Quando é celebrada a missa, temos que colocar um telão fora da
igreja, é muito grande a presença de devotos. O povo é muito educado, as
crianças não fazem barulho, temos bastante coroinhas e acólitos. No próximo
domingo, dia 5 de setembro, vai ter investidura de mais alguns coroinhas e
acólitos.
Qual é a função do acólito?
O acólito tem uma função parecida com a de um mestre de cerimônia. Ele
dá o suporte se surgir alguma novidade. Os que se destacam, acabam tornando-se
Mestres de Cerimonia. Temos um acólito de 20 anos, ele que é o coordenador de
liturgia.
Ainda tem as meninas que se caracterizam como
anjos?
Na coroação tem! Nós temos um grupo de mães que oram pelos filhos, elas
se reúnem semanalmente, na Semana Santa a segunda feira é deles! Elas tem um
terço diferente: 7 vezes 7 Ave-Maria e no final mais 1, e cada mistério é
ilustrado com sofrimento de mãe que tem filhos presos, drogados, é um terço
muito lindo, chora-se, mas eles recuperam filhos também! Tem dado resultado! E
serve de consolo para a mãe. Essas infelicidades não escolhem classe social,
idade, sexo, grau de cultura.
Senhor Contessa, o senhor é o pai da Aline, que
trabalha na secretaria?
Sou! Ela é uma pessoa tranquila,
segura. Eu moro muito próximo a igreja. Procuro ajudar em tudo que posso. Às
vezes o padre está ausente, a pessoa veio pedir água benta, isso eu posso
conseguir. Uma senhora queria uma vela benta, quando ela disse que apenas uma
servia, pedi ao Frei que estava em outra sala, ele benzeu a vela e eu dei para
ela. Sua alegria foi muito grande!
Dizem aqui na igreja, que; “Aconteça o que aconteça o Seu Contessa está
aqui!” Na verdade, esse homem é muito importante para
a Igreja, ele está sempre pronto para fazer o que for necessário!
Padre Luiz Carlos, normalmente quanto tempo é utilizado para celebrar
uma missa?
Se for comum é para ser cerca de uma hora. O povo hoje tem uma
participação ativa na missa. E for um dia em que uma pastoral quer recrutar alguém.
tem que dar um minutinho para ele falar. Se for Dia das Mães ou Dia dos Pais,
tem um teatrinho. Ó que nesses dias em que tempo de cerimônia aumenta o
pessoal já está com o espírito e o coração preparado para um evento
maior. O que a gente não pode fazer é
ficar esticando. A sociedade atual é
mais objetiva.
Sr.Contessa, o senhor é nascido em Rio das Pedras?
Eu nasci em Mombuca.
O senhor conheceu Dona Emília?
Conheci! Dona Emília benzia o povo, fazia orações para os enfermos, a
casa dela lotava, ela fez anexo a sua casa uma capela. Tinha os dias certos que
ela atendia, tinha um padre que ia celebrar a missa na capela que ela
construiu. Nós morávamos no sítio. Depois que eu casei passamos a ir à missa em
Mombuca. Dona Emília fazia muita caridade, quando chegava o período de Natal.
Dois filhos dela são médicos, um é mecânico.
Armelindo Contessa
O Padre Luiz Carlos que acumula décadas de ordenamento como padre, já
percorreu inúmeras Igrejas e Capelas. Ele afirma que da Diocese as duas cidades
de grande força religiosa são Santa Barbara d`Oeste e Capivari.
Padre Luiz Carlos, Nossa Senhora Aparecida parece
que está sempre próxima ao senhor!
Essa colocação é muito boa e me
deixa muito contente! Quando eu saí do Piracicamirim, da Igreja Nossa Senhora
Aparecida, o Bispo disse-me: “Nossa Senhora Aparecida o persegue! Eu vou
enviá-lo para a Paróquia de Nossa Senhora Aparecida de Rio das Pedras!!”. Eu me
lembro de que quando passei por Saltinho, fiz uma capela urbana de Nossa
Senhora Aparecida! Quando passei por Rafard e Mombuca estava em construção em
cada cidade uma capela Nossa Senhora Aparecida também! A minha devoção é Nossa
Senhora Aparecida e São José. Eu convivi lá em Piracicaba com a Paróquia São
José. Só tive um pároco, que foi o Juliani. Nessa época, as duas figuras
religiosas mais conhecidas em Piracicaba foram o Monsenhor Juliani e o
Monsenhor Jorge, este, apesar de ter o título de Monsenhor, foi sempre
conhecido como “Padre Jorge”.
O senhor acredita que aos poucos os jovens vão
descobrir a força espiritual da religiosidade, irão conduzir a própria vida,
sem se deixarem serem manipulados pelos meios de comunicação tendenciosos, que
buscam o dinheiro fácil vendendo ilusões?
Eu conheço, já por três a quatro décadas, casais, onde os homens tinham
uma vida religiosa provida de constância e fé, suas esposas nem todas tinham
essa mesma conduta. Hoje esses casais tem filhos, as esposas frequentam as
missas, e o mais interessante e inovador, todos fazem questão de acompanhar
pela rede social as falas diárias sobre o Evangelho, dos padres que entram na
internet! E fazem questão de cada uma escolher um padre diferente. Com isso
selecionam dois ou três padres que as fazem compreender melhor os sentidos das
palavras do Evangelho no cotidiano! As sogras acompanham! A forma de
tratamento, o carinho que elas têm pelas sogras, é um exemplo de amor filial.
Nas igrejas hoje tem bastante jovens. A nossa igreja tem casais novos,
que vem com criança no colo! Algumas famílias vivenciaram em seu seio o
problema do alcoolismo, Hoje quando se reúnem, realizam festas, mas o que se
nota é a ausência de álcool.
O que nós estamos percebendo é que existem duas
correntes de pensamento, o pessoal que ainda está na ilusão de viver o que já
vimos no passado, o uso de drogas, o excesso do álcool, contrapondo com uma
visão de vida saudável. Parece que a população, jovens, pessoas maduras,
despertaram para uma vida que respeita a saúde do corpo. Basta ver o número de
academias e a dimensão delas!
Padre Luiz Carlos complementa: “-Não fuma!”.
A ciência já provou que o cigarro provoca inúmeros malefícios, inclusive
a perda da dentição: ou faz implante ou põe dentadura! Até ser proibida, a
propaganda dos cigarros eram as mais elaboradas e bem feitas! A rede social.
extirpou isso, dando ciência, a quem interessar, das consequências.
A minha tese, em função de ouvir inúmeros católicos não praticantes
regularmente, mas que respeitam e frequentam a igreja, de forma esporádica.
Eles dizem com convicção, que um dia vai ter que mudar, pois está tão ruim, que
não tem como piorar mais. É um ciclo. “Ou pelo amor ou pela dor!”
A todos que estão lendo, ouvindo,
pedimos uma benção especial.
Quero agradecer a sua presença aqui, a todos que vão prestigiar essa
entrevista, quero pedir que Deus, à você também, para todas as famílias que
podem ver, que Deus abençoe, pela interseção de Nossa Senhora Aparecida, dando
através do Espírito Santo, o discernimento para o caminho da fé, para o caminho
da mudança, para o caminho de ser feliz e passar a felicidade para os outros, saber
que a fé não é um peso, mas é um livramento. Que Deus abençoe para ter esse
discernimento e caminhar junto da fé. Tem muitas formas hoje para a gente se esclarecer
na fé. Que Deus abençoe para isso. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito
Santo. Amém!
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