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domingo, dezembro 18, 2022
segunda-feira, dezembro 12, 2022
domingo, dezembro 11, 2022
quinta-feira, dezembro 08, 2022
PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E
MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado , 07 dezembro de 2022
Entrevista: Publicada aos sábados no
caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços
eletrônicos:
http://blognassif.blogspot.com/
BLOG DO BASSIF
´Piracicaba
ENTREVISTADO: ANTONIO POLIZEL
Antonio Polizel
nasceu em Piracicaba, no bairro rural da Floresta, tendo se mudado quando era
ainda menino, com seus familiares, para o bairro rural Volta Grande. Nascido em
15 de janeiro de 1940, filho de José Stefano Polizel e Regina Ometto, que
tiveram sete filhos: Nelson, Laudelino, Antonio, Atilio, José Duvilio,
Therezinha e Luiza. A Igreja da Volta Grande foi construída pelo seu avô materno
Pietro Ometto, que produzia açúcar batido e tinha uma olaria. Inclusive ele
forneceu tijolos para construir a Estação da Paulista. Seu avô Pietro Ometto veio da Itália, da região
de Padova, com sua esposa Angela Tunucci e entraram no Brasil pelo porto de
Santos. Ele foi um imigrante que trouxe recursos próprios. Tão logo chegou em
Piracicaba adquiriu o sítio no bairro Volta Grande. Antonio
Polizel é casado com Luiza Arthuso Polizel, nascida em 15 de maio de 1941,
filha de Rosa Bortoletto e João Arthuso. Moravam no bairro rural Nova Suíça.
Antonio e Luiza tiveram os filhos Wilson, Solange e
Salete.
O meu pai trazia com
carrinho de tração animal, arroz para ser beneficiado pelo João Sabino, que
tinha uma empresa de beneficiar arroz em sociedade com Augusto Grella, situada
na Rua do Rosário esquina com a Rua Dr. Edgard Conceição, no bairro da
Paulista. O prédio existe até hoje, onde funciona uma loja de moda jovem.
O
senhor frequentava a escola em que bairro?
Ia na
Escola do Bairro Pau Queimado, até a quarta série. Da minha casa até a escola
tinha uma distância de uns quatro quilômetros. Ia a pé, descalço. Quando passei
para o terceiro ano, meu pai comprou um cavalo, eu ia a cavalo. Chamava Gaúcho!
Era um cavalo tordilho, ou seja, pontos meios escurinhos entre os pelos.
Pode-se dizer que suas cores lembram uma galinha carijó. Era mansinho, na época
eu tinha 9 anos de idade. Eu tinha que tratar do cavalo na cocheira, levava
capim, cana de açúcar, milho. De manhã eu arriava ele e ia para a escola. No recreio,
levava-o até o ribeirão para que ele bebesse água.
No sítio do pai do senhor que
tipos de produtos eram plantados?
Plantávamos café,
pomar de laranja, banana... o terreno era pequen não tínhamos espaço para
criação de grande porte. Tínhamos que tratar na cocheira, eram cerca de cinco
alqueires, que até hoje permanecem com a família.
Mas cinco alqueires para
manter produzindo requeria muito trabalho, principalmente naquela época em que
a agricultura não tinha as características atuais.
O agricultor tinha muito mais dificuldades e realizava
um grande esforço físico. Hoje a tecnologia, a segmentação de mercado,
transporte, estrada, recursos, tudo evoluiu. Lembro-me, tão logo eu nasci, que
o papai foi acometido de uma doença que ele dormia sentado na cama, caso
contrário faltava-lhe ar. Era um problema cardíaco grave. Isso o impedia de
trabalhar. A família toda tinha que trabalhar. Meu irmão mais velho, tinha 15
anos. A minha mãe , ainda solteira, já trabalhava com o pai dela na roça com cana de açúcar e
olaria. Pela natureza do trabalho, a olaria requeria também funcionários.
O barro extraído para fazer
tijolos era tido como bom?
Tenho a impressão de
que hoje já é mais fraco. Na época a minha mãe contava que o pai dela forneceu
tijolos para a Construção da Estação da Paulista. Ele descarregava a carroça
lá, naquele tempo, mais de 100 anos atrás, não tinha condução. Colocavam 200
tijolos na carroça e quatro burros para trazer da olaria até a Estação da
Paulista. Naquele tempo cada tijolo pesava quase 5 (cinco) quilos! A mão já
tinha dificuldade para levantar um tijolo e assentar!
O Bairro Nova Suíça é muito
conhecido!
A Suíça, ou Nova Suíça,
é um cruzamento de bairros. Nosso sítio fica na Volta Grande, ao lado do bairro
Pau Queimado e da venda da Suíça. No sentido Piracicaba, já não é mais Nova
Suíça, e sim Pau D’Alhinho. Nós herdamos ali um terreno de 5.000 metros, onde
metade é Volta Grande e metade é Pau D`Alhinho. A divisa passa no meio.
Os pais da senhora trabalhavam
em sítio arrendado?
Eles eram meeiros de
Bento de Campos, mais conhecido como Bento Calixto. Eles tinham um sítio de uns
12 alqueires. Era mais pomar de laranjas, mamão, banana. Teve uma época de
café, que a geada queimou. Quando a geada queimou o café plantamos muito mamão.
O Oscar Carboni, atacadista de frutas conhecido na época, era quem vinha buscar
mamão de caminhão. Ele trazia um pessoal para colher mamão, abacate. Saía com o
caminhão carregado.
A região de Piracicaba teve
uma época forte de café?
Teve! Depois veio o
algodão. Tínhamos muita fartura no sítio. Frutas frescas à vontade, alimentação
natural, verduras, aves e ovos. Não havia luxo, mas nos alimentávamos muito bem.
A circulação de dinheiro era muito pequena, quase não havia. Quando vendíamos o
café, vínhamos para a cidade, comprávamos malas de roupas, comprava o famoso
sapatão conhecido como “ arranca toco”, por ser rústico e resistente. O melhor deles, era o que usava um
prego artesanal de madeira, geralmente feito por artesãos italianos. Se molhassem,
não enferrujavam, com isso o sapatão tinha vida longa. Comprávamos tecidos para
fazer camisas para trabalhar na roça. Eram costuradas em casa, geralmente pelas
mães, esposas, irmãs. A máquina de costura cuja marca preferida era a Singer.
Geralmente as compras eram
feitas em quais lojas?
Comprávamos tecidos
na Casas Pernambucanas. Para o uso de terno,
geralmente usados às missas de domingo, nosso fornecedor
era “O Rei da Roupa Feita”.
Vocês vinham à missa todos os
domingos em Piracicaba?
Talvez nem todos os domingos, mas éramos assíduos. Vínhamos
de charrete, carrinho, às vezes, com o cunhado da minha esposa, que tinha um
caminhão Chevrolet. Nós frequentávamos a Igreja Sagrado Coração de Jesus, mais
conhecida como Igreja dos Frades. Quando vinha a cavalo, deixava-o em frente à
igreja, onde hoje existe uma pracinha. Lembro-me de alguns frades: Frei
Paulino, Frei Ambrósio, Frei Liberato de Gries e Frei Cesário , que era primo do pai da minha
esposa. Ele faleceu em um acidente em que também faleceram os Padres Bergamasco
e Jorge Patreze, este último tinha sido colega de escola primária de D. Luiza.
A senhora estudou em qual
escola?
Estudei na Escolinha
mista, na chácara do Thomaz Amstalden, conhecido por muitos pelo cognome de
Bem-te-vi. Ele cedeu uma salinha onde estudavam simultaneamente alunos do 1º,2°
e 3° anos. Acho que a casa dele existe até hoje, é de barro socado, paredes
muito grossas. O Thomaz era suíço, e tinha uma olaria; a família Bueloni ,
também tinha uma olaria, mas ficava para frente do Pau D´Alhinho. A classe era
composta por três fileiras de alunos, cada uma correspondente a uma série,
sendo meninos e meninas que sentavam separados. Tínhamos que copiar depressa
porque a professora tinha que apagar logo e escrever matéria para outra série. Minha
primeira professora foi D. Dirce, depois teve outra chamada D. Terezinha. As
outras não me lembro.
O senhor lembra-se das suas
professoras?
Lembro-me sim. A
primeira foi Maria Lúcia Leitão; era brava! No segundo ano, foi Dona Cinira de
Campos Morato, do terceiro ano foi Dona Ana Bertocci e do quarto ano Dona Aurea
Furlani. Dona Luci também foi nossa professora. O diretor era o Seu José P.
Angolini, o inspetor de alunos era o Sr. Franquilim.
A distância da escola da casa
da senhora era grande?
Era pertinho! Não
dava nem um quilômetro. Ficava na divisa das propriedades, só tinha uma estrada
que a separava. Eu ia a pé. O ônibus que ia para Botucatu, passava pela
estrada, e o meu pai, por precaução de algum acidente, fazia a gente esperar
passar o ônibus para irmos para a escola. Com isso geralmente chegávamos junto
com a professora.
E a merenda?
Cada aluno levava seu
lanche. A minha eu comprava na venda do João Canal e . Naquele tempo, vendiam
um pão grande por pedaços. Eu comprava cinquenta centavos de pão e cinquenta
centavos de mortadela. Esse armazém do Canale , foi vendido para o Isidoro
(Nenê) Lopes que depois o vendeu para o Jacob
Ferezini. Esse armazém, por décadas, foi ponto de referência no bairro. O Ferezini
passou para o seu filho, e ele o vendeu. Agora derrubaram o prédio.
Vocês se conheceram aonde?
Seu Antonio responde: “-Desde criança! ” Dona Luiza
complementa: “ O meu tio, Santo Arthuso, cortava cabelo. Ele era irmão do meu
pai. ” Aos 19 anos, começamos a namorar. O pai de Da. Luiza era muito enérgico,
o namoro geralmente era dentro da sala de casa, com alguma pessoa da família da
namorada acompanhando a conversa, a chamada “vela”! Esse namoro ia no máximo
até as 10 horas da noite. Seu Antonio prossegue: “Eu ia embora lá pelas 9 horas
da noite, ia até a venda do Santin Novello, jogar baralho com os velhos! ”
O namoro era uma conversa meio
amarrada?
Seu Antonio prossegue: Era rotineira, quase não tinha
prosa, nós trabalhávamos isolados no campo, quase não via ninguém, o meu pai
tinha um rádio. Quando eu tinha uns quatro ou cinco anos, minha irmã mais velha
disse-me: “ – Tonico! O pai vai comprar um rádio! ”. O rádio funcionava com
acumulador, meu pai chegou da cidade com o carrinho de tração animal e o rádio
ligado! Aquilo para nós foi uma alegria imensa! À noite os vizinhos vinham para
escutar o rádio, ninguém tinha! Lembro-me até hoje de um programa que fazia
muito sucesso: “ O Crime Não Compensa! ”. Tinha as radionovelas, nós gostávamos de
música caipira. Segunda e Sexta-Feira tinha programa do Tonico e Tinoco na
Rádio Nacional, era às 18 horas, meu irmão e eu nesses dois dias vínhamos da
roça mais cedo para ouvir o programa. Trabalhávamos de sol a sol, não existia
essa história de trabalhar por oito horas e parar.
Como era o almoço na roça?
Era arroz, feijão, linguiça, ovo e carne. Meu pai era
metódico, não queria carne que estivesse na geladeira e nem cozida em panela de
pressão. Tinha que ser cozida na panela de ferro e no fogão a lenha. Nós
levantávamos cedo, tomávamos café com leite, pão feito em casa. Lá entre 9 e
9:30 da manhã, almoçávamos. Em torno das 13 horas jantávamos. Por volta das
15:30 às 16 horas, tomávamos café. A noite era a ceia. Eram cinco refeições por
dia. Se não nos alimentássemos direito, não aguentávamos trabalhar. Tínhamos
frutas à vontade, pois trabalhávamos no meio do pomar.
Quando vocês casaram foram
morar aonde?
Nós tínhamos dois
sítios. Meu cunhado Quinzinho, tinha uma venda na Volta Grande e meu pai
construiu uma casa ao lado e fomos morar lá. Nós casamos em 1964, na Igreja São
José, em Piracicaba e o celebrante foi o Cônego Luiz Gonzaga Juliani. A igreja
estava ainda em construção, não tinha piso, nem porta definitiva.
O Morro do Enxofre, conhecido
atualmente como Avenida Madre Maria Teodora, não era asfaltado?
Não tinha asfalto, o
chão era com pedregulho, era uma via de duas mãos.
Há uma história, que pode até
ser uma lenda urbana, mas foi narrada por uma pessoa que trabalhava em
laticínio.
Acredito que isso seja história. Diziam que alguns
fornecedores de leite, que traziam em latões para o laticínio, “batizavam” o
produto com água do Ribeirão do Enxofre. Alguém criou essa história e por falta
de assunto ou por pura brincadeira, comentavam. Havia fiscalização e a Usina de
leite tinha um controle de qualidade rigoroso. Existia e existe até hoje a
entrega direta do produtor para o consumidor, mas o consumidor percebe na hora
se o produto foi alterado. Antigamente, o sabor da carne era diferente, atualmente
adicionam conservantes e outros aditivos que mudam completamente o sabor.
Sem geladeira, como conservava
a comida?
Geladeira, praticamente não existia. O toucinho do
porco era derretido, colocado em uma lata e ali eram colocados os pedaços de
carne e torresmo. Era comum quando alguém abatia um porco, repartir com seus
vizinhos. Tinha já uma cestinha, usava-se folha de bananeira para embrulhar,
não existia papel alumínio. A ajuda mútua era uma realidade.
Como foi que o senhor passou a
trabalhar na Companhia Paulista de Estradas de Ferro?
Eu trabalhava com meu avô no bairro do Serrote e
através do meu irmão fui indicado pelo Seu Carvalho, que era uma pessoa muito
bem relacionada. Fui entrevistado pelo Chefe da Estação, o Sr. Ivo Pizza. Ele
me mandou fazer uns testes em Campinas. Fiz o exame, fui aprovado. Passei a
trabalhar e no começo eu morava na Nova Suíça e vinha trabalhar de bicicleta. Saía
às 5:30 da manhã para entrar no serviço às 6:00 horas. Sempre subi pedalando,
nunca empurrei bicicleta e era bicicleta sem marchas. Eu era teimoso. O filho
do Joane Vassoureiro, o Nico, ofereceu-me uma chácara para morar, situada nas
proximidades do atual Pronto Socorro da Vila Cristina, onde hoje, está tudo
habitado. Na época, não tinha nada, não tinha o Risca-Faca, Jardim Planalto.
Era só campo ou plantações. Eu não cheguei a ver, mas a minha mãe dizia que a
entrada da cidade era pela Rua Boa Morte. O caminho cortava pelo meio da área
que hoje é a Praça Takaki. Depois aluguei uma casa na Rua Santos, do tio da
minha esposa, Antonio Arthuso. Nessa época nasceu nosso filho. Dali a um
tempinho, o dono da casa queria subir o aluguel. Eu trabalhava na pronta
entrega da Cia. Paulista e as entregas eram feitas por um dos três caminhões
Ford azul. Comprei uma Leonette, que começou a ser produzida no Brasil em 1960,
por Leon Herzog. Era fabricada no bairro do Caju, no Rio de Janeiro. O modelo
que comprei tinha o farol redondo, ano de fabricação 1965. Era verde. Fiquei
morando no sítio e trabalhando na Cia. Paulista. Consegui comprar um terreno,
construí uma casinha de dois cômodos grandes, nas férias ajudava o pedreiro. Mudamos
ali.
Como o número de veículos era
pequeno, e o sítio era sempre tranquilo, dava para saber pelo ronco, que veículo
passava pela estrada, que ficava próxima?
Isso é uma coisa
interessante! Pelo ronco do motor sabíamos quem estava passando: Pelo ronco sabíamos: “Esse é o Valério, esse é
o Tinim”. Passavam quatro ou cinco caminhões por dia, conhecíamos o ronco de
cada um. Eu tirei o miolo do escapamento da Leonette e meu primo que morava a
uma boa distância dizia: “sei a hora que você sai só pelo ronco da Leonette! ”
O início do senhor na Estação da
Paulista foi em que função?
Foi na função de ajudante de serviços gerais. No
primeiro dia, eu estava com dor de cabeça e o chefe mandou carpir a linha. Uma
enxada pesada, não cortava nada. Eu estava acostumado com a enxada do sítio que
era uma navalha! No outro dia, ele já me mandou para a carga, descarga e
entrega. Entregava de tudo. O comércio de Piracicaba praticamente transportava
quase tudo pelo trem. Grande parte das lojas de Piracicaba eram abastecidas
pelo caminhão da Cia. Paulista, que entregava as cargas vindas pelo trem. Eram
três caminhões divididos por setor: um fazia o centro, outro fazia a Vila
Rezende e o terceiro fazia o Bairro Alto, Avenida Independência. Eu trabalhava
em qualquer desses setores. Variava conforme o volume de entregas. No centro o
maior problema era o bonde. Cada vez que estava fazendo entrega e vinha o
bonde, tinha que tirar o caminhão. Não tinha tantos veículos, era mais fácil
estacionar. A CICOBRA era uma empresa que usava muito o serviço da Cia.
Paulista.
O senhor se lembra de alguns nomes de motoristas e aju
dantes que trabalhavam no setor?
De imediato lembro-me
de alguns. Motorista: Paulo Gambaro, que uma filha dele casou-se com o filho do
Ludovico Trevisan, até acho que o vereador Trevisan é neto do Paulo. Outro que trabalhava
conosco era conhecido como “Passarinho”. Também o Neri Moreira Bueno, gaúcho de
Santa Maria que gostava de pesquisar as fábricas de balas; dizia que lá no Sul
não tinha e que ele pretendia montar: uma fábrica de balas. Outro era o Oscar
Coelho Lacerda. O Passarinho, o Paulo e o Oscar eram do CPT- Companhia Paulista
de Transportes. O Oscarzinho era só ajudante de caminhão. Dizem que o
Oscarzinho jogou no XV de Novembro de Piracicaba. O Passarinho também jogou.
Dizem que o Jaraguá Futebol Clube de Piracicaba teve a sua origem no time
Paulista Esporte Clube. O sindicato dos Ferroviários em Piracicaba era na Rua
Sud Mennucci, quase esquina com a Avenida Dr. João Conceição. O prédio foi
demolido e hoje é um terreno. Ali havia
uma escolinha para filhos de funcionários.
Os transportes ferroviários,
rodoviários e fluviais se complementam. Porque a ferrovia perdeu seu espaço?
A resposta para essa questão é complexa. Vários
fatores contribuíram para isso ocorrer. O transporte rodoviário evoluiu muito,
com estradas de boa qualidade e veículos confiáveis. A implantação do parque
industrial de veículos no Brasil foi um grande passo. Infelizmente, a
decadência da ferrovia tem sua origem na nomeação política para altos cargos.
Pessoas que não tinham o conhecimento técnico, dirigiram setores
fundamentais. Ocorreram erros graves.
Por exemplo, vinha muito tecido de Santa Catarina. Ao que parece, desviavam essa
mercadoria para o Pari, em São Paulo e colocavam tijolos e pedras, para manter
o peso do vagão. A carga era furtada. Isso gerava um descrédito para a
ferrovia. Uma análise de toda a situação, providências, planejamento e
modernização resolveriam tudo. Só que não foi isso que ocorreu.
Tinha um dispositivo para
girar a locomotiva a vapor que vinha de São Paulo que fazia pequenas manobras.
Ela tinha marcha a ré, mas para longas distâncias, tinha que ir com a frente da
locomotiva no sentido da viagem. Como era mudada a direção da locomotiva?
Era chamado de girador, utilizado para as locomotivas
a vapor. Ela subia no trecho que tinha uma pequena separação nas duas pontas, onde
a locomotiva ficava toda sobre aquele segmento de trilho, que era móvel. Era então
destravado, uma única pessoa girava a locomotiva de direção, graças ao
mecanismo existente no girador. Era manual. Eu virei muitas vezes o sentido de
direção da locomotiva. O segmento de trilho ficava travado. A locomotiva
estacionava em cima, a trava do segmento de trilho era tirada, bastava empurrar,
girando em 180 graus, travava o segmento de trilho, e a locomotiva já estava no
sentido correto de direção. Um único homem girava com as mãos uma locomotiva
que pesava de 60.000 a 70.000 quilos, graças ao mecanismo simples, mas
altamente eficiente.
Na área de descarga para
materiais pesados tinha um guincho?
Era um guincho
manual, operado por duas pessoas que levantava até 2.000 quilos. Na época,
também existia uma bomba para carregar álcool que vinha da usina para o vagão
tanque. Onde hoje é o salão de baile, era onde os carros de passageiros eram
lavados com água sob pressão e vapor e higienizados. Os ferros utilizados na
construção da Usina de Ilha Solteira foram todos fornecidos pela Dedini e
embarcados na Cia. Paulista de Piracicaba, onde foi montado um pórtico e foram
carregados muitos vagões de ferro, nem sei quantas mil toneladas. Só para Santa
Maria de La Sierra, Bolívia, por exemplo, carregamos 120.000 toneladas. Naquele
tempo, a Dedini estava no auge; compraram em um só lote, 60 locomotivas que
estavam desativadas, embora algumas ainda funcionassem. Funcionando ou não,
todas foram picadas e derretidas, para serem transformadas em vergalhões e
chapas de aço. Isso foi entre 1977 a
1980. O transporte de passageiros tinha parado em 1975.
Ferrovia de carga dá lucro?
Bem administrada dá lucro! Na época, o porto de Santos
não comportava o volume de estocagem de açúcar produzido; com isso, a usina
fazia dos vagões, um depósito de açúcar! A maior prejudicada era a Cia.
Paulista, que deixava os vagões carregados permanecerem parados em seus
trilhos, por tempo indefinido.
Quantos sacos de 60 quilos
de açúcar cabiam dentro de um vagão?
Tinha vagão para 1.200 sacos! São 72.000 quilos!
Uma única locomotiva podia
levar quantos vagões?
Na época até 10 vagões, carga equivalente a 10
treminhões hoje!
Em quais estações o senhor
trabalhou?
Aqui trabalhei em:
Piracicaba, Taquaral, Tupi, Caiubi, Santa Barbara D`Oeste, Cillos, Nova Odessa,
Recanto. Antigamente o Chefe de Estação mandava na cidade. Ele, às vezes, tinha
uma autoridade igual ou maior que a do prefeito. Era muito respeitado.
O senhor morou em alguma das
casas que até hoje existem, internas ao terreno da Estação?
Morei na casa de número 20. Moramos por 4 anos lá, onde nossa filha mais nova foi matriculada no Jorge Coury. Dona Margarida Ritter era a inspetora de alunos e a mãe dela era da família Polizel. Anteriormente, quem tinha morado naquela casa, foi Osmair Funes Nocete. Na entrada da gare, junto ao portão de acesso ao trem conferindo os bilhetes, era o José Furlan que ficava.
No período final de suas
operações, a Cia. Paulista transportou vagões de enxofre a granel?
Sim. Inclusive, este
produto causava uma sensação do corpo queimando e o olho ardia muito. O serviço
de descarga e carga em caminhão era feito por empreiteiros. Também vinham
muitos vagões de sucata de ferro.
Mais algum fato marcante que
tenha acontecido com o senhor trabalhando na Companhia Paulista?
Tive uma passagem que me marcou muito. Eu estava trabalhando em Sumaré, modernizando
a linha para ampliar o pátio. Eu ficava na guarita, dando entrada para o trem
que chegasse. Partiu então, um trem de passageiros de Sumaré. De repente, no
sentido contrário vinha vindo de Campinas, um trem carregado com boi. Eu
sinalizei com a bandeira vermelha, preocupado, pois o trem seguia para a mesma
linha do trem de passageiros; O normal seria que eu fosse avisado antes, para
poder fazer a contenção via telefone, porém, isso não ocorreu! Foi um milagre
eu ter conseguido ver e avisar o trem cargueiro. Poderia ter sido uma tragédia
de grandes proporções. A falha do maquinista do trem de gado que iria entrar na
linha do trem de passageiros e chocar de frente resultou em muitas discussões,
e a minha atitude desesperada em me colocar no leito do trem e agitar
freneticamente a bandeira vermelha, conseguiu deter o cargueiro. Essa cena
nunca mais esqueci.
quarta-feira, outubro 26, 2022
PROGRAMA PIRACICABA
HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
JOÃO UMBERTO NASSIF
Jornalista e Radialista
joaonassif@gmail.com
Sábado , 04 setembro de 2021
Entrevista:
Publicada aos sábados no caderno de domingo da Tribuna Piracicabana
As entrevistas também podem ser acessadas através dos seguintes endereços
eletrônicos:
Entrevistada:
Carmelina de Toledo Pizza
Carmelina
de Toledo Pizza é Contadora de Histórias, sabe que os mitos de todos os povos
têm base comum na necessidade de explicar realidades sociais, cosmológicas e
espirituais.
Carmelina d
e Toledo Pizza ao nascer, recebeu o nome de Carmelina em homenagem a sua avó, que havia falecido há pouco tempo. Tem mais dois irmãos, a Branca e o Paulo (falecido).
Cursou a Faculdade de Ciências e
Letras na Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). Fez Psicopedagogia e
mestrado em Educação Comunitária no Centro Universitário Salesiano de São Paulo
(Unisal) em Americana. Pós graduou-se em Arte Terapia na Universidade Paulista
(Unip) e está cursando Educação Artística (EaD) nas Faculdades Claretianas, em
Rio Claro. Em 1999, abriu o Espaço para Arte de Contar Histórias, em
Piracicaba, onde ensina a arte de narrar aos profissionais da educação, da
saúde e de outras áreas. Em 2001, formou o grupo Na Cia. da Tia Carmelina. Lançou
os livros entrou por uma porta, saiu por outra, quem quiser que conte outra
(2003); Caju, uma história de amor e 7 encontros, histórias e desenhos (2004);
Histórias que amigos contam (2005); Amor sempre... Sempre amor (2006); e Passa
balaio trançado de sonhos e conta uma história... 2ª Edição (2013).
Atualmente, presta trabalho voluntário n Santa Casa de Piracicaba.
A arte de contar histórias é milenar?
Nós
dizemos que quando o homem começou a falar, ele já passou a contar histórias!
Mesmo os homens das cavernas, quando acendiam aquela fogueira, narrava suas
caçadas, escreviam nas paredes, desenhavam, aquilo tudo era história.
Até os tempos atuais, histórias e lendas,
contadas geralmente a noite e que povoam a imaginação do ouvinte tornando-o
sensível ao menor ruído?
Quando
eu era menina, tinha uma mulher que morava perto da minha casa, eu morava na
Rua da Glória esquina com a Rua Da. Jane Conceição, no bairro da Paulista. Eu
tinha seis anos de idade, foi quando vim morar em Piracicaba. Essa mulher
contava essas histórias assustadoras, de assombração, mula-sem-caça e outras do
gênero. Ela sentava-se ao lado de um fogão a lenha, pegava um pedaço de madeira
em brasa e fazia movimentos muito rápidos no ar. Quando saíamos da casa dela estávamos todos
apavorados! Eu morria de medo! Encostavam a minha cama junto a cama da minha
irmã! Só que na noite do dia seguinte se essa senhora estivesse disponível para
contar histórias, nós estaríamos lá de novo!
Essa sensação de curiosidade e medo não
achava perturbando o sono?
O
que acontecia as vezes, é que alguém dependurava uma peça de roupa, se ela se
movimentasse com o deslocamento de ar, eu ficava apavorada e dizia para minha
irmã: “ Tem assombração ai! ” Minha irmã acendia a luz e mostrava a sua blusa
dependura em um cabide na porta do guarda-roupas!
Qual é o nome dos seus pais?
Meu
pai é Júlio de Toledo Pizza e a minha mãe Honorina Fortini de Toledo, mineira
de Vargem Grande do Rio Pardo. Minha avó materna veio no navio, conheceu o meu
avô, quando chegara foram para Vargem Grande, namoraram, casavam, A minha mãe é
a segunda filha de onze filhos.
Qual era a atividade do profissional
do seu pai?
Meu
pai era topografo no Departamento de Estradas de Rodagem (DER) onde trabalhou
por 30 anos. Após aposentar-se, foi trabalhar com o então prefeito Luciano
Guidotti.Lembto-me como era incrível aquele homem, lembro-me de que um dia
papai eslava traçando uma das pontes, acho que era a Ponte do Caixão, ele
chegou em casa, com aquele papel imenso, colocou sobre a mesa de fórmica
Vermelha, eu que traçava para ele, a doença de Parkinson já dava, mostras de
que estava se manifestando.
O
Prefeito Luciano Guidotti dizia de forma veemente: “ Seu Júlio! Esta ponte tem
que sair aqui! ” Meu pai argumentava considerando aspectos técnico: “- Já medi
aqui, já fiz o levantamento técnico ali”, e ia apontando para a planta da ponte
e dos locais. Meu pai media aqui, ali, fazia todas soluções possíveis. Ao
final, a ponte saia exatamente aonde Luciano Guidotti havia previsto. Por uns
cinco anos meu pai trabalhou com Luciano Guidotti.
O fato de ver seu pai envolvido com
plantas, gráficos, influenciaram no seu interesse por desenho?
Tem
muito a ver! Desde menina eu gostava de desenhar. E gostava também de livros,
dizia que seria escritora. Eu deveria ter uns 10 anos de idade quando cheguei
em casa com um punhado de livros. Em casa tinha livros, as minhas tias, irmãs
de papai, eram professoras, diretora, tinham muitos livros. Minha irmã e eu
líamos. Um dia cheguei em casa com muitos livros. Papai disse-me: “Por que você
pegou todos esses livros? Aqui em casa tem tantos livros e você ainda pega mais
na biblioteca? ”.
Disse-lhe:
“ Pai, eu vou ser escritora! ”
Ele
disse-me: “Professora! ”
Respondi-lhe:
“ Está bom! ”
O curso primário você estudou em qual
escola?
Fiz
o primário no Grupo Escolar Dr. João Conceição, que ficava no prédio ao lado da
Igreja dos Frades. Lembro-me de algumas professoras: Dona Conceição, Dona
Domitila, Da. Elza Maura Barbosa. A
seguir fiz a famosa Escola de Comércio Cristóvão Colombo, conhecida
popularmente como Escola do Zanin, localizada a Praça José Bonifácio. Ao lado da escola havia a bombonière do
Passarella. Lembro-me da bala Chita, ao lado situava-se o Cine Polyteama.
Você estudava a noite?
Estudei
dois anos na parte da manhã, como não tinha alunos, éramos puçás meninas, cerca
de 4 ou cinco meninas, passamos para o período noturno, os estudantes da noite
eram adultos, fomos muito bem recebidas, sempre fui muito brincalhona. Estudei
os dois ótimos anos a noite. Meu irmão teve que assinar uma documentação, comprometendo-se
a buscar-nos todas as noites após as aulas. Eu voltava com ele de bonde. Quando ele não ia, eu pegava o bonde e lá no
pontilhão da rua Benjamin Constant o meu pai estava me esperando. Era uma preocupação. O meu irmão gostava de
filme de bang-bang, a gente “matava” aula. A minha vida na escola foi muito
interessante!
Em
seguida fiz o magistério no “Instituto Educacional Piracicabano” e o curso de
Letras: Português Literatura no início da Universidade Metodista de Piracicaba
(UNIMEP) que na época ainda funcionava na Rua da Boa Morte, Sou da primeira
turma a formar-se em Letra. A minha vontade era fazer Artes Plásticas, mas por
influência do meu pai estudei Letras.
Aí você foi dar aulas?
Fui
dar aulas, comecei com os pequeninos, na Escola Infantil “A Cigarrinha, acho
que foi umas das primeiras escolas infantis da região, Dona Terezinha Kraide,
foi a pedagoga fa vida, era uma pessoa maravilhosa, aprendi muito com ela. Fui
dar aulas para o MOBRAL – Movimento Brasileiro de Alfabetização.
Como era dar aulas para adultos?
Muito
interessante, principalmente naquela época: 1974,1075. Era um período de
transição política, os alunos, já adultos, eram pessoas maravilhosas!
Você era uma menina
se comparada a idade deles?
Eu tinha por volta de 20 a 23 anos e eles eram bem mais idosos. Eles
tinham muita dificuldade, as vezes tinha que pegar na mão do aluno e ensinar a
letra “a” a letra “b”
Por quanto tempo
você lecionou em sala de aula?
Dei aula por uns 15 anos aproximadamente.
Como você decidiu
parar de lecionar?
Foi dentro da sala de aula! Eu contava histórias, descobri que quando
acabava de contar uma história aquelas crianças estavam prontas para eu ensinar
o que eu quisesse. Pedi exoneração em 1992, e virei a Contadora de Histórias.
Você foi a
primeira contadora de hídricas a dedicar essa atividade como profissão?
Acredito que com ilustrações sim, mas tínhamos um grande número de
cantadores de cururu narravam histórias através de suas cantorias. Eram
celebres, reuniam multidões. A mãe do cururueiro Nhô Serra morava a uns 50
metros da minha casa. Ali eles cantavam cururu sábado à noite, domingo pela
manhã, e nós ficávamos jogando bola.
Você era meio
moleca?
Muito! Eu rodava pneu! Fazia o círculo e
jogava o pião de madeira! Bolinha de gude, carrinho de rolimã. Eu tinha mais ou
menos uns seis ou sete anos, era aniversário da minha priminha mamãe fez um
vestido de organdi suíço branco, no dia, do aniversário, ela me deu banho,
colocou o vestido, sapatinhos brancos, e mandou que ficasse sentada esperando os
demais da família ficassem prontos. Nisso passou um amigo e me convidou para
dar uma volta de carrinho de rolimã. Voltei com metade do vestido que era só
graxa. Minh irmã na bondade dela disse: -Vai com aquele vestido amarelinho”. Minha mãe ordenou: “´Não! Ela não sujou? Ela
vai assim na festa! ”.
Eu cheguei na festa. Juntava as laterais do vestido, para não aparecer a
graxa!
Mas eu tenho uma sorte, uma sorte! O Universo é fantástico comigo! A minha tia de São Paulo tinha a esse
aniversário, e trouxe de presente para mim a primeira calça rancheira que eu
tive! Vermelha! Era uma raridade! Trouxe também uma blusinha branca de bolinhas
vermelhejas! Fui até o andar superior, me troquei, quando desci àquela escada,
os olhares voltaram-se para mim. Eu me sentia uma princesa!
A minha mãe, claro estava me
achando linda, mas queria me torcer pelo papelão que eu havia feito com o
vestido de tecido suíço!
A minha infância não foi difícil, foi saudável.
A menina que existe hoje em mim sente saudade de muitas coisas. Era uma
época em que bens de consumo eram praticamente inexistentes, como por exemplo.
Era muito raro de se ver uma caixa de bombom. Não exocistia. Eram os pobres,
mas não miseráveis. Tínhamos uma alimentação saudável, farta, porém sem essa
profusão de preditos industrializados. Eu me lembro de que papai comprava uma
caixa de refrigerante quando ele recebia o pagamento. Vinha uma dúzia de
garrafas, sendo seis de gengibirra e seis de itubaina. Quando acabava só no
próximo mês é que tinha outra caixa. Era comum as famílias fazerem limonada ou
laranjada natural. Em casa tínhamos uma geladeira vermelha. A televisão chegou
quando eu tinha uns 15 a 16 anos.
Você como muitos
jovens da época assistia ao programa Jovem Guarda?
Claro! Gostava de ver Roberto Carlos, Martinha, Renato e Seus Blue Caps
e tantos outro qie marcaram época.
Carmelina exibe um ar de realização ao mostrar os livros publicados por
ela. Desde o primeiro, o qual ela classifica como muito simples, até obras realizadas
para ensinar e formar novos contadores de história. O livro voltado ao ensino
de Contadores de Histórias ensina as técnicas essenciais para um bom contador
de histórias. Os seus alunos que fizeram esse curso dão depoimentos dos
sucessos alcançados. A experiência de contar histórias em hospitais.
O atelier de Carmelina reserva uma surpresa a cada momento, quadros,
muitos pintados por ela, ilustradora e artista plástica com técnicas refinadas.
Sua devoção a São Francisco de Assis, tornou-a na possível recordista
piracicabana de imagens do Santo. Feitas em madeira, barro, bordadas, oriundas
das mais diversas partes do Brasil e até mesmo do exterior, Pessoas amigas
trazem como presente.
Dotada de um senso de humor muito positivo, poucas pessoas imaginam que
Carmelina, tão doce, risonha, é uma mulher forte que já enfrentou uma
mastectômica.
Carmelina conserva seu alto astral até mesmos nos momentos difíceis, ela
dá uma lição de vida. Seus livros, sua arte de ilustradora, são reflexos de uma
mulher forte. De um ser humano que espalha energia positiva.
Há alguns anos fez mastectómica. Não se deixou abater. Alguns anos
vivendo sozinha, algumas amigas insistiram para que ela entrasse em um site.
Fez amizade que com o tempo despertou a curiosidade de se conhecerem. O pretendente
em animada conversa pessoal, mostrava interessadíssimo em estabelecer um
relacionamento mais sério. Carmelina mencionou a mastectômica feita há anos. De
forma brusca, ele lembrou-se de que tinha um compromisso inadiável. Saiu como
um fuso.
Essa é a moleca, escritora, ilustradora e contadora de histórias, uma
mulher forte e bem resolvida, querida pelos seus amigos e rodeada por inúmeras
imagens de São Francisco com sua sinceridade desmontou completamente o seu
possível conquistador.
Segundo Carmelina, ela fez uma pesquisa junto as mulheres que tiveram
câncer e pouquíssimos homens tem a coragem de enfrentar uma situação dessas, o
impacto é maior quando elas ficam carecas.
Ao mesmo tempo em que é uma situação pesada, você conseguiu tornar o
assunto palatável em seu livro.
Hoje sua vida é intensamente
partilhada entre escrever, fazer arte com suas ilustrações e pinturas, contar histórias?
Hoje olho no espelho e vejo a minha história. Olho a tela branca do computador. O que escrever? A cabeça está carregada de sonhos da infância, de vida vivida, de tudo aquilo que passei e das pessoas que estavam a minha volta. E começo a escrever. Livros já saíram: “ Entrou por uma porta e saiu poi outra, quem quiser que conte outra. ”. “Caju, a minha história de amor. ” Todos os livros que escrevi, foram livros escritos depois de uma dor, uma dor profunda de perda de um amor. Uma dor que eu não queria sentir. Mas o livro saiu, e ele não foi aquele livro triste” Tem muito humor, muita alegria! Porque é isso que eu trago desde a minha infância, a minha criança, a minha alegria. O livro “Cor da Terra” a capa foi feita por mim, porque adoro desenhar.
Veja mais no site:
Histórias de Nassif
https://historiasdenassif.com.br/2022/06/20/gitana/
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